• Domingo, 08 Agosto 2010 / 7:46

Cabral: campanha rica e confortável

    Dos repórteres Cássio Bruno, Natanael Damasceno e Maiá Menezes, de ‘O Globo’:
“Quinta-feira, dia 5, meio-dia e meia. O helicóptero alugado pelo governador Sérgio Cabral pousa no pátio de uma grande rede de supermercados em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
De lá, o candidato à reeleição pelo PMDB segue em comboio numa van, escoltado por seguranças em dois carros de luxo e por batedores da PM.
Participará de uma visita ao Hospital da Mulher Heloneida Studart. A rotina de Cabral é o retrato da milionária estrutura que vem sendo usada por ele em compromissos de campanha.
Mas não é apenas nas ruas que o forte aparato do governador chama a atenção. Em um mês, Cabral gastou pouco mais de R$ 4 milhões dos R$ 4,69 milhões arrecadados, segundo prestação de contas parcial ao Tribunal Superior Eleitoral.
O dinheiro foi usado principalmente na produção dos programas de rádio, TV e vídeo, e na contratação de profissionais de comunicação e da área administrativa, transporte e publicidade.
Segundo o relatório, a campanha gastou até agora, apenas com pessoal, R$ 983 mil.
Com a produção audiovisual, o valor foi de R$ 1,5 milhão. Já em material de publicidade como faixas e panfletos , o custo chegou a R$ 1 milhão. Até outubro, a estimativa de Cabral é que sejam gastos R$ 25 milhões.
Perguntas sobre a estrutura da campanha, que incluíram um pedido de detalhamento sobre os gastos e números de prestadores de serviço, não foram respondidas pela assessoria do governador. A única resposta a 20 questões detalhadas enviadas aos assessores foi que todas as informações foram fornecidas, como determina a lei, à Justiça Eleitoral.
Cabral conta com cerca de dois mil cabos eleitorais. Dependendo do evento, há grupos com até 45 pessoas. Cada um recebe cerca de R$ 1.200 por mês para carregar bandeiras e distribuir propaganda. Além disso, tem cerca de 30 carros de passeio e 20 vans.
O comitê funciona em uma antiga agência de automóveis na Avenida Ayrton Senna 5.250, na Barra da Tijuca. O imóvel foi alugado no período de julho a outubro por R$ 70 mil. No local, onde funciona a logística e o armazenamento do material de campanha, circulam até 140 pessoas diariamente. A entrada no comitê é restrita, sem o acesso da imprensa.
É uma estrutura parecida com a campanha de 2006 diz Régis Fitchner, coordenador do plano de governo de Cabral. Os números não são oficiais, mas estima-se que 200 profissionais, entre jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas, são responsáveis pela divulgação da imagem de Cabral. No Polo de Cinema e Vídeo, também na Barra, onde são feitas as gravações, há cerca de 400 empregados.
- Os cidadãos do Estado do Rio sabem que uma campanha eleitoral, ainda mais uma campanha para o governo, necessita de estrutura de comunicação. Ninguém faz campanha sem meios de comunicação, seja TV, rádio ou visual – disse Cabral na semana passada, ao justificar os gastos.
A bordo do helicóptero alugado da Plajap Táxi Aéreo, prefixo PP-LAS, Cabral transporta seguranças, assessores e aliados, como os candidatos ao Senado Lindberg Farias (PT) e Jorge Picciani (PMDB). Nessa empresa, o custo da aeronave, por cada hora, é de R$ 7 mil. Em terra, Cabral anda em carros luxuosos, como o Chevrolet Captiva, que custa R$ 87.425. Também está à disposição do governador, nas carreatas, a picape Mitsubishi L200 Triton 3.2 D, avaliada em R$ 112 mil. Além disso, batedores da PM, em motos, abrem caminho entre os carros e facilitam a vida do candidato.
- Não pode dispensar a segurança. Mas tudo deverá ser apresentado na prestação de contas e ressarcido pelo partido na forma da lei eleitoral – diz a procuradora Silvana Batini, do Ministério Público Eleitoral.
Cabral não revela a origem do dinheiro que mantém a estrutura da campanha. Afirma que a lei eleitoral só obriga este tipo de prestação no fim do pleito. Em 2006, quando Cabral foi eleito governador, foram gastos, em quatro meses de campanha, R$ 9,74 milhões arrecadados entre 55 doadores.
Entre eles, empresas que mantinham relação com a administração do estado. As duas empreiteiras que mais doaram ao governador eleito foram a OAS Construtora (R$ 800 mil) e a Carioca Engenharia (R$ 700 mil).
Das duas, pelo menos uma, a OAS, prestou serviços ao governo do estado no último ano, segundo dados do Siafen.

CLAQUE RECRUTADA COM ANTECEDENCIA

      Do repórter Marcelo Remígio, de ‘O Globo’:
“A estrutura robusta da campanha de Sérgio Cabral também se reflete na organização dos eventos.
Cada agenda tem um coordenador, de acordo com a região, com a função de recrutar e organizar o trabalho dos cabos eleitorais. Cabe a ele providenciar o material recomendado pelos marqueteiros de Cabral. As agendas são divulgadas, via email, com antecedência para os aliados e coordenadores. A estrutura de comunicação obedece à mesma lógica: por regiões.
Na planilha repassada por correio eletrônico aos aliados constam dados como descrição do evento e informações complementares, onde são indicados nome e telefone da coordenação local. Para a participação de Cabral no debate dos candidatos a governador no próximo dia 12, na TV Bandeirantes, a planilha repassada no dia 3 cobra do coordenador do evento um corredor de cabos eleitorais com bandeiras e um cri-cri animador de campanha que grita o nome do candidato. A equipe deve recepcionar o governador na Rua Álvaro Ramos.
Também são usados nos eventos de Cabral bandeirolas, carrinhos de som, cartazes, adesivos e jornais de campanha. O pagamento dos cabos eleitorais é feito sem atrasos e os salários superam R$ 1 mil mensais. O valor inflacionou o mercado eleitoral fluminense, rendendo críticas dos adversários. Eles esperavam pagar entre R$ 500 e R$ 600 por mês. Candidatos afirmam que apenas com mandato conseguem financiadores de campanha.
Sem a ligação com a máquina do estado, nada conseguem.
Para quem ocupa um lugar de destaque na lista de aliados, a campanha de Sérgio Cabral garante transporte e o combustível para carros de apoio. Além de santinhos, são distribuídas, em média, mil placas para quem tem bom poderio eleitoral.
Quem não possui grandes chances de vitória leva a metade.
Cabral tem cumprido acordos de infraestrutura de campanha com os aliados, sobretudo os de partidos pequenos. Cada legenda ganhou espaço no comitê central da campanha, na Barra da Tijuca, onde são disponibilizados telefones e internet. Mas a bondade é acompanhada de um forte monitoramento. Falar da campanha de Cabral, tecer elogios ou críticas, só fora do QG. A equipe de Cabral ainda arrecada recursos para as legendas, que devem prestar contas”.

  • Quarta-feira, 04 Agosto 2010 / 10:07

Cabral promete 50 escolas; fez 4

   Cabral é campeão.
Campeão da lorota.
Isso é o que se depreende da reportagem ‘Cabral promete 50 novas escolas, mas fez 4′, assinada pelos repórteres Cassio Bruno e Natanael Damasceno, de ‘O Globo’.
Segundo o governador, em seu primeiro mandato ele investiu na recuperação das escolas existentes. Vale a pena dar uma olhada no ‘Retrato do governo Cabral’, cinco post abaixo deste, onde um vídeo da TV UOL mostra o abandono do CIEP Antonio Candeia Filho, em Irajá, assaltado sete vezes em quatro meses, segundo a Bandnews, ou oito vezes em dois meses segundo o G1.

Mas vamos a reportagem de ‘O Globo’:
“Nas propagandas de campanha distribuídas nas ruas por cabos eleitorais, o governador do Rio, Sérgio Cabral, candidato à reeleição pelo PMDB, promete, caso seja reeleito, construir 50 novas escolas estaduais só na Região Metropolitana.
Segundo a proposta, seria erguida, em média, uma unidade a cada mês até o fim de 2014. A publicidade, no entanto, não informa sobre os custos das obras nem como o governo estadual pretende tirar o projeto do papel. Nos últimos quatro anos, Cabral construiu quatro colégios em todo o estado um por ano.
Em entrevista após almoço realizado ontem pelo Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio (SindRio), no Copacabana Palace, Cabral argumentou:
- No primeiro mandato, a prioridade foi a recuperação dos prédios escolares. Se nós não fizéssemos isso, seria um desrespeito com a grande rede já existente. Avançamos muito nesses quatro anos, oferecendo a climatização (nas salas), melhorando quadras esportivas. E, ao mesmo tempo, fizemos novos colégios.
Para o segundo mandato, se pegarmos os recursos que aplicamos (nas reformas), dá para fazer até muito mais do que 50 escolas.
O anúncio das novas escolas está incluída em um caderno de 16 páginas, com tiragem de 20 mil exemplares. A publicação, que apresenta um balanço das realizações do governo Cabral nas áreas de educação, segurança, saúde, infraestrutura e esportes, entre outros, também é distribuída nas agendas de campanha do governador.
Perguntado sobre quanto seria necessário investir para conseguir construir todas as 50 escolas prometidas, Cabral afirmou:
- Isso não é problema. Se fizer um cálculo, em cada colégio, gastaríamos R$ 5 milhões. Com 50, teríamos gasto de R$ 250 milhões, que, em quatro anos, se diluem disse ele.
Maria Beatriz Lugão, coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), porém, disse que a aplicação da verba pode não ter resultado se o governo não atacar o problema do déficit de professores, que preocupa o setor desde o início da gestão de Cabral.
- Construir escolas é uma medida muito bem-vinda. É preciso construir prédios, porque hoje muitas turmas do ensino médio funcionam à noite e em prédios da prefeitura. Mas o problema é a política de sustentação disso. Há um grande déficit de professores que foi mantido nesses quatro anos de governo. Hoje há um déficit de cerca de 18 mil professores criticou Maria Beatriz.
Apesar de a Secretaria Estadual de Educação afirmar que realizou concurso público, contratando 30 mil novos professores, a coordenadora do Sepe disse que a medida tornouse inócua por causa dos baixos salários:
- Não adianta chamar concursados se não houver aumento de salários. Um piso de R$ 700 para uma pessoa com nível superior é muito pouco. O professor entra e sai logo em busca de um emprego melhor. Então, não adianta fazer este tipo de proposta sem discutir aumento de salários. Construir escolas é o tipo de medida que aparece, pois há festa de inauguração. Mas que, sozinha, não funciona.
A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação informou que já foram investidos R$ 500 milhões na reforma de 270 escolas. O folheto de campanha diz que Cabral reformou 909 colégios, e que a maior parte ganhou aparelhos de ar-condicionado.
Atualmente, existem 75 mil professores na rede estadual em 1.487 unidades, de acordo com o governo”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 4:02

Cabral comanda ato pró-Dilma

Dos repórteres Cássio Bruno e Natanael Damasceno, de ‘O Globo’:
“Acompanhada de dois ministros Márcio Fortes (Cidades) e Carlos Lupi (Trabalho), a pré-candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, reuniu-se ontem com 86 dos 92 prefeitos do Estado do Rio, incluindo os de oposição, como DEM e PSDB. No discurso, a petista prometeu compromisso e continuidade, mesmo admitindo ser inexperiente em disputas eleitorais. Dilma também criticou adversários, dizendo que o Brasil estava de joelhos diante dos credores no governo Fernando Henrique.
O almoço foi numa churrascaria em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, para 400 convidados, entre prefeitos, deputados e vereadores. A maioria usou carros oficiais. A festa, que custou pelo menos R$ 24 mil, foi paga por PT e PMDB, e funcionou como demonstração de força política do governador Sérgio Cabral, pré-candidato à reeleição pelo PMDB. A imprensa não pôde acompanhar.
- Quero agradecer ao governador Sergio Cabral porque sei que a liderança dele foi decisiva para essa reunião disse Dilma.
A petista não quis falar sobre as negociações de apoio do ex-governador Anthony Garotinho (PR), pré-candidato ao governo e adversário de Cabral. E afirmou:
- De fato nunca disputei uma eleição. Mas tenho longa trajetória de serviço ao Brasil. Comecei minha vida pública como secretária de Fazenda de Porto Alegre. Conheço os dramas e tragédias da falta de recursos.
Dilma ressaltou que as prefeituras foram estratégicas durante o governo Lula nas parcerias com os estados em obras de infraestrutura.
Ao falar sobre investimentos, a petista fez duras críticas ao governo FH:
- O Brasil não é mais aquele país de joelhos diante dos credores internacionais. Pagamos a dívida com o FMI, e, hoje, o Brasil é credor. Todas as vezes que falarem que o governo Lula só deu continuidade ao governo anterior, é mentira. No governo anterior, o Brasil precisava pedir licença ao FMI para aumentar o salário mínimo. Hoje, aumentamos porque queremos.
Não compareceram ao evento os prefeitos Rosinha Garotinho (Campos), do PMDB; José Camilo Zito (Duque de Caxias), do PSDB; Jorge Roberto Silveira (Niterói), do PDT; Heródoto Bento de Mello (Nova Friburgo), do PSC; Luiz Carlos Fernandes Fratani (São Fidélis), do PMDB; e Jorge Serfiotis (Porto Real), do DEM”.
                                                         * * *
1. Nenhuma linha sobre a ilegalidade do ato político, com a presença do governador-candidato durante horário do expediente.
2. A manchete da página 9 é a seguinte: ‘Cabral leva prefeitos até Dilma, em almoço fechado’. Se foi fechado, como os repórteres de ‘O Globo’ tiveram acesso? Foi fechado pra quem? Lá está a foto de Dilma discursando e o texto do jornal reproduz trechos do discurso da candidata.
3. Cabral disse que o povo do Rio é grato a ministra, mas ela também falou de sua gratidão: “Quero agradecer ao governador Sergio Cabral porque sei que a liderança dele foi decisiva para essa reunião”.

 

Cabral: ”Lula escolheu Dilma pois quer o melhor para o povo” 
 

Essa é a versão da repórter Paola de Moura, do ‘Valor Econômico’ para o mesmo ato:
“Em evento numa churrascaria da Baixada Fluminense, a candidata à Presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, atraiu gregos e troianos. Organizado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB) e pelo candidato ao Senado Lindberg Farias (PT), a reunião com prefeitos do Rio teve a participação de governantes dos partidos da aliança PMDB-PT, mas também da oposição, como DEM, PSDB e PP.
Dos 92 prefeitos do Rio, 86 compareceram ao evento que teoricamente era de agradecimento ao governo Lula e à Dilma, chamada de mãe do PAC, pelos investimentos no Estado. Do DEM havia pelo menos três governantes, José Rechuan Júnior, de Resende, José Luiz Mandiocão, de Rio Bonito, e Adilson Faracao, de São José do Vale do Rio Preto. Do PSDB, pelo menos dois: Darci dos Anjos Lopes, de Seropédica, e Ivaldo Barbosa dos Santos, o Timor.
Outro partido que ainda não faz parte da coligação nem do candidato pelo PSDB à presidência da República, José Serra, nem de Dilma, mas também mandou muitos representantes foi o PP do senador Francisco Dornelles. Pelo menos oito deles compareceram ao evento: Rafael Miranda, de Cachoeiras de Macacu, Guga de Paula, de Cantagalo, Sérgio Soares, de Itaboraí, Carlos Pereira, de Tanguá, Gilson Siqueira, de Cardoso Moreira, Luis Carlos Ypê, de Itatiaia, Antonio Jogaib, de Porciúncula, e Roberto de Almeida, de Miguel Pereira.
Segundo o Lindberg Farias, o próprio Dornelles prometera se empenhar para que os prefeitos do interior fossem ao evento. Apesar da presença oposição e da tentativa de agradecimento, o almoço parecia mais uma festa de apoio à candidata Dilma Rousseff. Cerca de 400 pessoas se amontoavam na churrascaria a ponto de alguns dos prefeitos, como o de Búzios, Mirinho Braga (PDT), e de Itaboraí, Sérgio Soares (PP), saírem antes dos discursos. A principal reclamação era de que havia gente demais e o acordo era que apenas prefeitos compareceriam.
Do lado de fora, foi possível ouvir, pelo menos por três vezes, os gritos “Olê, olê, olá, Dilma, Dilma”. Em seu discurso, o governador Sérgio Cabral disse que o Brasil nunca teve o que tem hoje e que o Rio saiu de uma situação crítica com parceria do governo federal. No fim, afirmou “Lula escolheu Dilma porque quer o melhor para o povo brasileiro”.
A candidata retribuiu e dizendo que o Rio é um exemplo com suas UPAs e UPPs. E para agradar a platéia, lembrou que começou sua vida como secretária de Fazenda de Porto Alegre e que sabe como é gerenciar um município sem verba, porque, segundo ela, em 1989, não havia dinheiro disponível para os municípios.
Dilma ainda lembrou das críticas do PSDB. “Quando eles falarem que conseguimos tudo o que fizemos porque somos continuidade do governo deles, é mentira. O Brasil estava de joelhos para o FMI, tinha que pedir permissão para aumentar o salário-mínimo, para aplicar em saneamento. E se tivesse um sopro de crise, quebrava”.
Depois do evento a ministra foi para Porto Alegre. Da última vez que esteve no Rio, Dilma se encontrou com o candidato a governador, Anthony Garotinho, do PR, opositor a Cabral. Desta vez, o encontro não foi cogitado porque, segundo Garotinho publicou ontem em seu blog, o PR e o PT ainda não resolveram questões sobre o palanque duplo da ex-ministra”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:53

Transportes não se entendem no Rio

Do repórter Natanael Damasceno, de ‘O Globo’:
“A dificuldade de entendimento entre o governo do estado e a prefeitura do Rio no que diz respeito às soluções para o trânsito da cidade pode prejudicar os projetos apresentados para a área de transportes visando às Olimpíadas de 2016. Quem afirma é o arquiteto Jaime Lerner, que acaba de ser incluído na lista dos 25 pensadores mais influentes do mundo, elaborada pela revista ?Time?, por seus trabalhos como urbanista.
Ontem, em entrevista à Rádio CBN, Lerner ? que assessorou a equipe que elaborou o projeto olímpico ? disse que tenta, sem sucesso, obter uma visão conjunta sobre o problema entre os dois níveis de governo: ? Adoro o Rio, já fiz várias propostas.
A última foi a solução de transporte para as Olimpíadas. O Rio nunca esteve tão próximo de uma grande transformação e nunca esteve tão distante. Tão próximo porque tudo está a favor: governo, prefeitura e iniciativa privada. E nunca esteve tão distante (e eu quero dizer isso ao governador e ao prefeito do Rio) porque eles não se encontram, eles não pensam junto o problema dos transportes. Está aí um recado: tem seis meses que eu estou tentando conseguir com que haja uma visão conjunta do sistema de transportes que nós projetamos para as Olimpíadas, mas até agora nada aconteceu ? afirmou Lerner.
O arquiteto disse ainda que qualquer cidade no mundo pode melhorar sua qualidade de vida em menos de três anos.
Apesar das críticas, nem o prefeito Eduardo Paes, nem o governador Sérgio Cabral quis comentar as declarações do urbanista. Já o secretário estadual de Transportes, Sebastião Rodrigues Pinto Neto, afirmou que a parceria entre o governo e a prefeitura para tratar do tema nunca esteve tão boa.
? Não acredito que ele (Lerner) realmente pense dessa forma. A sintonia entre nós e a prefeitura tem sido muito boa. Inclusive para os projetos que dizem respeito às Olimpíadas.De qualquer forma, estamos à disposição do Jaime Lerner, cujos projetos e ideias têm sido muito importantes para o estado ? disse o secretário.
Já a secretaria municipal de transportes afirmou, através de sua assessoria, que não daria informações sobre outros projetos apresentados por Lerner para a cidade porque estes foram propostos na gestão de Cesar Maia”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:21

Deputados do Rio insistem na bandalha

Os deputados do Rio acham que o povo é bobo.
Agora fizeram pequenas alterações na bandalheira que estão armando, para criar um novo Tribunal de Contas, e que irá  beneficiar sete apadrinhados em um ano eleitoral.
Vejam a reportagem de Fábio Vasconcellos e Natanael Damasceno, de ‘O Globo’:
“Os deputados estaduais autores da proposta de emenda constitucional (PEC 60) que cria um novo tribunal de contas no Rio decidiram alterar o texto original da medida. Em tensa sessão plenária ontem à tarde na Alerj, os parlamentares voltaram a defender a aprovação da PEC, que deve ser votada na próxima terça-feira.
A nova redação deverá manter a obrigação de prefeitos e vereadores informarem seus salários ao futuro tribunal, bem como a necessidade de os sete conselheiros com cargos vitalícios do novo órgão terem curso superior.
Apesar da mudança, o presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB) voltou a afirmar que a Casa vai aprovar a criação de um novo tribunal.
Ele fez um longo discurso em defesa da PEC, que considera uma forma de sanear as suspeitas de corrupção que pesam contra o Tribunal de Contas do Estado (TCE). Picciani culpou um procurador da Alerj pela a exclusão do artigo que obriga os gestores a informarem os salários e a acaba com a necessidade de curso superior.
? Lamentavelmente, não soube disso, só soube agora, (o procurador) nos convenceu que era um dispositivo constitucional, mas o dispositivo era uma balela ? criticou o presidente da Alerj, que acrescentou:
? O mais importante é livrar o estado do bando de canalhas que age no TCE. O que me fez extinguir o antigo conselho dos municípios (em 1990), me faz querer dividir o TCE.
Na segunda-feira, contudo, a deputado Cidinha Campos (PDT), uma das autoras da PEC, havia defendido, em nota, a retirada dos dois pontos sob a alegação de que eles seriam indispensáveis para manter a constitucionalidade da proposta.
Ontem, os parlamentares classificaram os pontos como divergências técnicas. O deputado André Corrêa (PPS) ? outro autor da PEC ? comparou os artigos a lantejoulas, que foram usadas por críticos da proposta para debater a medida:
? Aproveitaram-se de uma tecnicidade jurídica, de uma bobagem que o Supremo Tribunal Federal já derrubou para politizar uma lantejoula, um artifício hipócrita.
Além de Cidinha e Corrêa, outros dois autores da PEC ? Marcelo Freixo (PSOL), Paulo Ramos (PDT) ? criticaram a decisão da bancada do PT, que anunciou que votará contra a proposta. Freixo cobrou dos opositores da medida alternativas para acabar as denúncias de corrupção no TCE. Gilberto Palmares (PT), que assinou o texto original da PEC mas retirou a assinatura anteontem, alegou que a criação de um novo órgão não acabará com o problema.
? A forma como esse projeto está tramitando, da forma como ele foi redigido, ele não vai auxiliar naquilo que todos querem, que é impedir que maus conselheiros do Tribunal de Contas achaquem prefeitos no exercício de seu mandato ? defendeu Palmares.
Enquanto a PEC tramita na Alerj, o presidente do TCE, José Maurício Nolasco, anunciou que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), caso a proposta seja aprovada:
? Essa PEC caminha em direção contrária ao estado gerencial moderno que é mais enxuto e menos burocrático. É uma brincadeira com o dinheiro público, um trem da alegria.”

  • Quinta-feira, 20 Maio 2010 / 4:11

Sirkis: “Estou pasmo com Gabeira”

Os repórteres Ludmilla de Lima e Natanael Damasceno, do ‘Globo’,  entrevistaram o presidente do PV no Rio, Alfredo Sirkis, amigo de Gabeira há 40 anos, e que costumava “manter contato diário. Agora, Sirkis diz estar pasmo com Gabeira, que chegou a se referir a ele como maior adversário”.
Eis a entrevista:
- O que o senhor achou de Gabeira chamá-lo de seu maior adversário?
- Fiquei absolutamente pasmo por ele dizer que um amigo que, há 40 anos, arriscou a vida para tirá-lo da prisão é o seu maior adversário.E, ao mesmo tempo, o Cesar Maia é o aliado. Entramos aí no campo do surrealismo total.
- O senhor falou com ele nos últimos dias?
- Sempre administramos de forma amigável e discreta nossas divergências. Vínhamos divergindo em torno da participação do DEM, basicamente dos Maia, na aliança. Mas é uma divergência interna. Ele me pediu que eu não falasse do Cesar. Eu não falei. Eu me limitei a defender o espaço para uma candidatura ao Senado, entendendo que a eleição ao Senado é vinculada à presidencial. Não vi motivo para isso ser jogado na imprensa.
- Por que essa reação?
- A situação dele é complicada. Não posso apenas concordar sempre com tudo o que ele faz. A amizade, às vezes, reside em discordar. Não quis fazer isso publicamente, mas fiz internamente. Era como pretendia continuar fazendo. Ele tomou a iniciativa de manter a questão no noticiário. Eu tinha que esclarecer as pessoas.
- Quando diz que a situação é complicada, a que se refere? – A essas situações que estão se reproduzindo em vários estados do país, onde existe dualidade de apoios presidenciais. A gente tem visto Dilma e Garotinho, Dilma e Sérgio Cabral. É uma situação geradora de conflito. Os verdes têm tradição de não lavar roupa suja em praça pública. Não é a primeira nem a última divergência que temos. Mas foi a primeira vez que ele foi à imprensa para me atacar.
- E vocês não se falaram?
- O esclarecimento no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não se dá em função exclusivamente da possibilidade de a Aspásia ser candidata ao Senado. É um problema nacional. Temos o mesmo problema no Acre, no Maranhão, no Espírito Santo, em outros estados. A pergunta que queremos fazer é diferente das já feitas: é obrigatório a eleição ao Senado reproduzir a coligação para governo do estado? Queremos saber se existe a liberdade de não coligar.
- Se o TSE dizer que não pode, o PV vai insistir na questão? – Claro que não. Mas eu acho que a dúvida persiste.
- A falta de um candidato ao Senado prejudica Marina?
- É muito ruim para campanha. Como não conseguimos ter candidato a governador em todos os estados, o palanque ao Senado é importante. Subjacente a essa questão, está minha responsabilidade como coordenador da campanha da Marina.
- E aqui no Rio?
- Acho prejudicial, até porque não nos sentimos representados pelos candidatos ao Senado da coligação.
- O Gabeira ser apoiado pelo Serra não atrapalha a Marina?
- É uma situação onde você ganha e perde. Vai depender do talento político de multiplicar ganhos e reduzir perdas. Ter uma candidatura com chances para o governo estadual ajuda a Marina. É melhor do que candidatura só para marcar posição. Ajuda a Marina. O preço a pagar é o da ambiguidade.
- Quando as divergências com Gabeira serão resolvidas?
- Não sei. E isso não impede nada. Cada um está cuidando das suas tarefas. Tenho a précampanha da Marina até junho, ele tem a campanha para governo. Após o fim de junho, começo a cuidar da minha campanha para deputado federal. Cada um tem sua missão.
- O senhor estará no lançamento da pré-candidatura de Gabeira, no domingo?
- Não pensei a respeito. Tenho viajado muito, ficado a maior parte do tempo fora do Rio, por causa da Marina. E minha missão primordial nesse momento, dentro dos verdes, é de âmbito nacional, de coordenação da pré-campanha da Marina. Prefiro não antecipar nada em relação a domingo”.

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