• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:18

Primeiro ato: luto oficial

Às 18h15m, esse blog reclamou que nem o Portal do Governo dizia o que fazia Sergio ‘Wally’ Cabral.
Cinco minutos depois, às 18h20m, finalmente uma notícia: ele decretou “luto oficial de três dias pelas vítimas das fortes chuvas que caem sem parar”.
O luto, como se sabe, não chega a ser uma providência.
É apenas um ato de solidariedade. Mas, nesse caso, não deve ser desprezado. Já é um avanço.
No dia 12 de janeiro, esse blog chamou de injusto o governo do Estado, pois havia encomendado uma missa de 7º dia para os passageiros do Airbus da Air France, enquanto os mortos, na tragédia de Angra, não receberam a mesma consideração.
Mas o fanfarrão não se emenda.
Basta reproduzir, não o noticiário de jornal. Vamos ao site oficial do Palácio Guanabara:
“O governador disse ainda que a tragédia foi agravada por ocupações irregulares e voltou a defender a construção de muros em torno de comunidades para frear a ocupação irregular do solo.
? No Rio de Janeiro entra ano, sai ano e essa missão da ocupação do solo urbano não é tratada com a devida seriedade. Quando dissemos que construiríamos um muro na Rocinha, íamos garantir a vida das pessoas. Não é possível a construção irregular continuar. Quase todas as pessoas que morreram estavam em áreas de risco. Junto com o trabalho ininterrupto para recuperar os estragos, o momento também é de refletir a respeito de políticas públicas para evitar a ocupação desses locais de risco ? completou”.
Ou seja: em meio a tragédia, o governador decide brigar com os pobres e miseráveis do Rio.
Alguém acredita que um sujeito mora, com a família, em área de risco porque acha bonito, ou porque gosta de viver perigosamente?
O “muro vai garantir a vida das pessoas”?
A ocupação do solo urbano não é tratada com seriedade? Quem não é o sério nessa história? O governador? O secretário Regis Fitchner? A sua secretária de Meio Ambiente? O apresentador Luciano Huck ou os miseráveis que insistem em morrer em dias de chuva?
O que o governo do Estado fez, desde que tomou posse, para remover as pessoas que moram em áreas de risco?
Absolutamente nada.
                                      * * *  

Até o momento, depois de mais de 24 horas de chuvas na capital do Estado, o Palácio Guanabara liberou uma foto do governador. Uma única.
Pena que ele não esteja de capa, nem guarda-chuva. E não está pisando na lama, como seus governados. Não está instalando um gabinete para enfrentar a crise, e nem visitando uma das áreas atingidas. A foto do governador foi feita hoje, pela manhã, onde ele foi conversar com o seu pai-pai, o Presidente Lula, no Copacabana Palace.  
Ele está sequinho. Sequinho da Silva. E prestando a maior atenção.
Justiça seja feita: o governador, pelo menos, não aparece rindo.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 22:46

Pobres ‘dançam’ no Dona Marta

Segundo informa o G1, ?os organizadores do evento Roda de Funk decidiram reagir judicialmente contra a medida da Polícia Militar de proibir a realização do evento no Morro Santa Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, que estava previsto para o domingo, dia 28 de junho?.
Em nota, a Polícia Militar diz que ?procura coibir a realização de quaisquer eventos não-autorizados, principalmente em que sabidamente ações criminosas são promovidas, como consumo e vendas de drogas, utilização de armas de fogo?.
Mas o Dona Marta não foi pacificado?
O Governo do Estado não botou todos os traficantes para correr?
Lá não é o show-room do governo Sergio Cabral?
No Dona Marta a contrução dos muros já foi concluída, os moradores ganharam banda larga e já está a caminho uma estátua de Michael Jackson.
Por que não deixar os pobres dançar o funk?   Só porque eles são pobres?

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 21:26

A visão romântica de Paes

A reportagem que o jornal espanhol ?El País? publica hoje com o prefeito Eduardo Paes é digna de pena.
Em toda a entrevista tratou-se apenas de dois temas: a violência no Rio e o Muro da Vergonha.
Paes não deixa pergunta sem resposta, como se ele fosse o responsável pelos dois desastres do governo Sergio Cabral.
O prefeito tem razão quando diz que ?há muita gente que consome maconha e cocaína em Madri, Barcelona e Nova York?. Poderia dizer até que nessas três cidades, com certeza, o consumo de drogas é superior ao do Rio, até mesmo elas são cidades mais ricas.
Mas ele mete as mãos pelos pés quando decide apontar as diferenças:
?Existe aqui uma visão romântica do crime, em que os narcotraficantes atuam nos espaços pobres assumindo um papel de Robin Hood, vendendo cocaína para os ricos para ajudar os pobres. Existiu muita permissividade com essa situação e, quando nos demos conta, havíamos perdido a soberania e o controle dessa área?.
Se é verdade o que diz o prefeito, não seria difícil reconquistar os pobres.
Bastaria transferir as verbas gastas na política de enfrentamento e com a construção de muros, e usá-las em projetos sociais, dando escolas, centros de saúde, áreas de lazer e de esportes para os menos favorecidos.
Se o Estado não atende os miseráveis, e ainda mata os que fazem alguma coisa por eles ? segundo o prefeito -  não existe a menor possibilidade dessa política dar certo.
De qualquer forma, deve-se louvar a disposição de Eduardo Paes em dar entrevistas.
Sergio Cabral, seu companheiro de partido, só fala através de releases.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 20:31

Lula conserta estrago de Cabral

Lula esteve hoje no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, não só para  defender os imigrantes pobres de todo o mundo, que o Brasil sempre acolheu, mas também para defender o país que, na primeira semana de maio, teve seu ministro publicamente humilhado pelo conselho, por conta do governador Sergio Cabral, que constrói muros de três metros cercando 11 favelas da zona sul do Rio, e que  isolam os pobres e miseráveis do resto da cidade.
Na ocasião, o secretário-nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, admitiu que construções como essas não são aceitáveis num estado democrático. Mas teve de ouvir pesadas críticas de boa parte dos 13 conselheiros.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 19:57

O favelão de Cabral

Pode ser até que fique bom.
Mas pelo desenho apresentado a imprensa, o tal Parque Bossa Nova a ser construído no Leblon, onde hoje funciona o 23º Batalhão da PM, não passa de um favelão.
E não haverá parque algum, já que toda a área será ocupada por prédios. Pelo menos no desenho.
Como sempre, o dinheiro virá de fora: do Governo Federal e do Banco Interamericano de Desenvolvimento. E olha que são apenas de R$ 20 a 25 milhões.
Já o Muro da Vergonha custará R$ 40 milhões de investimento próprio.
Essa será a grande obra do governo Sergio Cabral ? o muro que cerca e deixa confinados os eleitores de Lula.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 19:51

Será que ele vai?

 Diz o ex-prefeito Cesar Maia, em seu blog, que o governador Sergio Cabral, e o ministro de Direitos Humanos, Paulo de Tarso Vannuchi, foram convocados pela Comissão de Desenvolvimento Urbano, da Câmara de Deputados, ?para justificar e debater a construção de muros em torno de favelas no Rio.
Cabral foi quem decidiu erguer os muros de três meses de altura cercando 11 quilômetros de favelas na Zona Sul do Rio.
Mas ele nunca fez uma única declaração sobre o assunto.
Ao que parece, os jornais não tiveram a curiosidade de perguntar o que o governador teria a dizer sobre o tema.
Como se sabe, o Muro da Vergonha cerca e deixa confinados os eleitores de Lula.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 19:32

Será que o preço cai?

Agora que o muro vai diminuir de tamanho, o projeto que antes custaria R$ 40 milhões vai cair para quanto?

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 19:32

Cabral e o seu Murinho da Vergonha

O recuo do governador Sergio Cabral com relação ao Muro da Vergonha não é para ser comemorado.
60 ou 90 centímetros de muro ainda são muita coisa.
Se a intenção é só demarcar, 15 centímetros é mais do que suficiente.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 19:26

Um muro = 80 CIEPs

Se o governo decidisse retomar o programa dos CIEPs no Rio de Janeiro, isso consumiria R$ 500 mil dos cofres públicos por cada unidade construída.
Com os R$ 40 milhões que serão gastos na construção do Muro da Vergonha, que cercará  11 favelas da Zona Sul do Rio, o governo Sergio Cabral poderia construir 80 CIEPs.
E afastava um monte de crianças do tráfico de drogas.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 19:26

Um muro = 200 ambulâncias

Uma ambulância montada sobre um chassis Mercedes Benz, dessas utilizadas pelo SAMU e com equipamentos para os primeiros socorros, custa cerca de R$ 200 mil a unidade.
Com os R$ 40 milhões que serão gastos na construção do Muro da Vergonha, que cercará 11 favelas da Zona Sul do Rio, o governo Sergio Cabral poderia adquirir 200 ambulâncias.
E salvava um monte de vidas.

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