• Quarta-feira, 04 Janeiro 2012 / 10:44

PMDB tenta atrair o DEM

    Das repórteres Catia Seabra e Maria Clara Cabral, da ‘Folha’:
    “Sob o comando do vice-presidente Michel Temer, o PMDB -maior aliado do PT na coalizão governista- tenta atrair o oposicionista DEM para dobradinhas nas eleições municipais de outubro, ação que se bem-sucedida pode gerar uma futura fusão.
Apesar de não atuar diretamente, o Planalto vê com bons olhos a movimentação. Além de ampliar sua base de apoio no Congresso, ela também abafaria algumas das principais vozes críticas à gestão de Dilma Rousseff.
O próprio Temer participa da costura das alianças municipais, especialmente dedicado à viabilização da candidatura do deputado federal Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo.
Depois de encontros com integrantes do comando nacional do DEM, como o presidente nacional, José Agripino (RN), e o líder da bancada na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), Temer convidou no último dia 21 o presidente estadual da sigla, Jorge Tadeu Mudalen (SP), para uma conversa sobre a eleição na capital.
Até então resistente a um acordo, Mudalen deixou o Palácio do Jaburu (residência oficial do vice-presidente) aberto a um acordo.
“Vejo com simpatia essa conversa com o PMDB”, disse Mudalen, que, dois dias antes, jantara com o ministro peemedebista Moreira Franco (Secretaria de Assuntos Estratégicos).
Temer e Moreira não são os únicos do PMDB a flertar com o DEM. Também no mês passado, o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, recebeu o secretário-geral do DEM, Onyx Lorenzoni (RS).
Na conversa, os dois se comprometeram a fazer um levantamento das cidades gaúchas onde há compatibilidade entre os dois partidos. Mendes propôs objetivamente uma fusão. “O PMDB e o DEM precisam olhar para o Brasil com uma expectativa clara do que pode fazer uma aproximação cada vez maior entre os dois partidos: a eleição municipal como prévia de 2014.”
Lorenzoni admite uma afinidade com o PMDB do Rio Grande do Sul. Mas diz que uma fusão não será necessária porque, apesar de debilitado com a criação do PSD, o “DEM dará a volta por cima” para 2014.
DEM e PMDB ensaiam também aproximação na Bahia e no Rio Grande do Norte, entre outros Estados. “No Maranhão, o DEM e o PMDB sempre caminharam juntos”, disse o ministro do Turismo, Gastão Vieira (PMDB-MA).
A articulação preocupa a cúpula do PSDB. Preocupado com o risco de isolamento na oposição, o comando do partido pediu que seus governadores ampliem as negociações com o partido.
Segundo tucanos, o DEM já avisou que, caso constate que não é capaz de eleger 30 deputados federais nas próximas eleições (em 2010, elegeu 43, mas hoje só possui 27), terá que optar por uma fusão. Só não sabe se com o PMDB ou o PSDB”.
                               * * *
No Rio, o ex-prefeito Cesar Maia, do DEM, saiu na frente, ao procurar o deputado Anthony Garotinho e propor um acordo para as prefeituras da Capital e do interior do Rio de Janeiro.
Garotinho, hoje no PR, tem enorme influencia no PMDB no interior do Estado.
Para a Capital, está praticamente certo o lançamento de Rodrigo Maia para a Prefeitura, tendo como vice Clarisse Garotinho.
                               * * *
Quem achar isso exdrúxulo, mire-se no exemplo da Bahia citado pela reportagem da ‘Folha’.
Alguém já imaginou Geddel Vieira Lima de mãos dadas com os herdeiros políticos de Antonio Carlos Magalhães?
O velho senador deve estar esmurrando seu túmulo…

  • Quarta-feira, 01 Dezembro 2010 / 9:55

Moreira reclama por Temer

     Da repórter Maria Lima, de ‘O Globo’:
“Escolhido pelo vice presidente eleito, Michel Temer (PMDB-SP), como indicação de sua cota pessoal para o Ministério das Cidades, o vice presidente da Caixa e ex-governador do Rio, Moreira Franco, está no centro das disputas entre os partidos aliados, e também na bancada do PMDB na Câmara, que gostaria de indicar outro nome para a pasta. Sentindo-se ameaçado com as resistências internas, ele criticou o comando das articulações da transição, disse que Temer está sendo esvaziado e que a unidade do partido que deu a vitória à presidente eleita, Dilma Rousseff, está ameaçada.
Moreira criticou especialmente o fato de Dilma, o futuro ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, e o presidente do PT, José Eduardo Dutra, terem se reunido ontem separadamente com Temer, para discutir nomes da Câmara, e depois com os senadores José Sarney e Renan Calheiros, do PMDB, para negociar os indicados do Senado.
O vice-presidente da Caixa negou que tenha havido, junto a Dilma, um veto a seu nome por parte do governador do Rio, Sérgio Cabral. O governador negociou, sem consultar o partido, o nome de seu secretário Sérgio Côrtes para o Ministério da Saúde.
- O problema não é ter dois ministérios do Rio (ele próprio e Côrtes). No atual governo, tem oito do Rio, sendo três só do PT. O problema é o processo de encaminhamento. O Michel está sendo esvaziado. Como não se define nada, o Cabral foi lá ontem, sem consultar ninguém, e acertou o lado dele – explicou.
Na conversa com Cabral, Dilma disse que não haveria problema em nomear Moreira, desde que essa indicação fosse consenso na bancada do PMDB na Câmara. O problema é que os deputados já referendaram outro nome da cota de Temer: o atual ministro da Agricultura, Wagner Rossi. Pelas negociações, Temer só teria direito a indicar um ministro em sua cota pessoal.
- Se ele (Cabral) me vetou foi na rua. Aqui não teve veto nenhum. A (minha) indicação não está condicionada ao consenso na bancada. O problema é a acomodação geral. Não se sabe quantos nem quais ministérios o PMDB terá. Depois do Cabral ter ido lá ontem, hoje foi o Senado. A unidade que se construiu durante a campanha e que levou a vitoria de Dilma, está sendo dilacerada – disse Moreira, de manhã.
Sobre a negociação dura com o comando da transição, especialmente o presidente do PT, José Eduardo Dutra, Moreira reclamou do excesso de exigências dos articuladores:
- Claro, ele (Dutra) está defendendo o dele! Como a imprensa acuou o PMDB de tal forma, falando de fisiologismo, estão cheios de dengos e doces.

  • Quarta-feira, 24 Novembro 2010 / 9:36

O PMDB enquadrado

     O artigo  que o deputado Michel Temer publica hoje na ‘Folha’, (leia o post abaixo)procura enquadrar finalmente o PMDB.
Só resta saber se é para valer.
Ele é uma espécie de ‘Carta aos Brasileiros’ dirigida, principalmente, à Presidenta Dilma Roussef.
A ela, Temer garante que o partido estará unido em torno do seu governo.
Isso o fortalece na discussão da formação do ministério.
Já expulsar do partido alguns peemedebistas históricos como Jarbas Vasconcellos, Pedro Simon e Luiz Henrique são outros quinhentos.
                          * * *
A frase “Quem não se conformar com as decisões tomadas em convenção nacional poderá se desligar do nosso partido, sem que este exija o mandato”, está na cara que é do ex-governador Moreira Franco - o político mais próximo de Temer e  certamente um dos mentores do artigo.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:40

A Imprensa do Rio e as eleições

O ex-governador Anthony Garotinho lançou ontem sua candidatura, pelo PR, ao Governo do Rio de Janeiro, em ato realizado na casa de espetáculos Vivo-Rio, ocasião em que fez um discurso com dois pontos que merecem destaque:
1. Um ataque violento ao atual governador Sergio Cabral, não só no aspecto administrativo, mas também no aspecto pessoal. Ele desafiou o atual governador a provar com quem renda ele adquiriu os dois apartamentos que utiliza no Leblon e mais a casa de praia em Mangaratiba.
2. O candidato apresentou um elenco de promessas, como a construção de 100 mil casas populares, e a redução para R$ 2,50 do Bilhete Único, além da ampliação de duas para três horas para a sua utilização.
Garotinho é ex-governador, ao disputar a Presidência da República, em 2002, obteve mais de 20 milhões de votos, e hoje é o segundo colocado em todas as pesquisas feitas para a sucessão de Sergio Cabral. Mesmo que não tivesse todas essas credenciais, o lançamento de sua candidatura, por si só, já  mereceria um espaço mais generoso da imprensa do Rio.
Pois o maior e mais importante jornal da cidade, ?O Globo?, publicou uma notícia de pé de página,  que mereceu apenas 459 palavras, sendo que 159 eram contra o candidato, e outras 87 foram dedicadas ao líder do PT, que explicou a posição do partido quanto a participação de Dilma Rousseff em Estados onde existe mais de um palanque em apoio a seu nome.
Para Garotinho sobraram 213 palavras ? menos da metade da reportagem.
O jornal não pode alegar que não se interessa pelos assuntos políticos do Rio. Na mesma edição, a notícia de que a Assembléia poderá aprovar, essa semana, a criação do 93º município fluminense, ganhou manchete de página e 1.031 palavras, ocupando mais de uma meia página da edição de hoje. Isso é quase cinco vezes mais do que o noticiário sobre o lançamento de Garotinho.
Três vezes mais do que o congresso do PR, é o artigo assinado pelo  líder do DEM na Câmara, Paulo Bornhausen, a favor da abertura dos bingos e cassinos. São 213 palavras de Garotinho, contra 616 pró jogatina.
?O Dia? também não ficou atrás: dedicou apenas 217 palavras. Já a notícia de que os comandantes das UPPs receberão uma gratificação mensal no valor de R$ 1 mil, mereceu  287.
Bem ou mal, os jornais de São Paulo deram mais espaço a Garotinho do que os jornais do Rio: a ?Folha? tem 304 palavras, o ?Estadão? 397 e o ?Valor Econômico? que, como o próprio nome diz, dedica-se prioritariamente a outros temas, publicou 539 palavras.
Pelo andar da carruagem, o pobre do (e)leitor do Rio terá de se contentar, mesmo, com o horário gratuito de radio e TV para que possa saber o que pensam os candidatos, quais suas críticas aos adversários e quais seus programas de governo.
Uma ultima curiosidade: com exceção de Moreira Franco – que teve na sua eleição o apoio do chamado ?arco da sociedade? -  desde que foi instituído o voto direto para escolha dos governadores, todos os candidatos apoiados pelo ?Globo? foram derrotados. Contra a opinião do jornal foram vencedores Leonel Brizola (em 1982 e, depois, em 1990), Marcelo Alencar (1994), Anthony Garotinho (1998), Rosinha Garotinho (2002), e o próprio Sergio Cabral (2006).
Será que esse ano será diferente?  
Quem viver verá…

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:19

PMDB quer proteger Cabral

Dos repórteres Flávio Tabak, Alessandra Duarte e Gerson Camarotti, de ‘O Globo’:
“Um dia depois de a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, ter chamado de parceiro o ex-governador Anthony Garotinho num evento do PR, integrantes do PMDB evitaram polêmicas públicas, mas repetiram, nos bastidores, que o partido exige tratamento de aliado preferencial ao governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ), que disputa a reeleição. A proximidade de Dilma com Garotinho só não gerou uma crise entre os peemedebistas porque o PT cancelou a presença da ex-ministra no lançamento da pré-candidatura de Garotinho, que deve ocorrer neste sábado.
Emissários do PMDB avisaram aos dirigentes do PT que é preciso estabelecer uma regra de convivência para evitar problemas na campanha do Rio, pois o partido espera que Cabral seja tratado como o candidato de Lula no estado.
O encontro reservado de Dilma e Garotinho causou certa contrariedade entre os integrantes da campanha de Cabral. Líder do PMDB na Câmara, o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), tentou contornar:
- O Sérgio Cabral está tranquilo. O que aconteceu é que a ministra Dilma recebeu o apoio de um partido da base e apoio não pode ser recusado. O que houve foi o apoio de Garotinho a Dilma. Agora temos que estabelecer regras de campanha.
O PMDB e o PT criaram um grupo de trabalho para elaborar as regras dos palanques que de Dilma Rousseff nos estados. Há cerca de duas semanas, dirigentes dos dois partidos participaram de uma reunião para discutir as alianças e a possível formação de palanques duplos em estados como Rio, Bahia e Minas Gerais.
O vice-presidente do PMDB no Rio, Wellington Moreira Franco, será um dos responsáveis por elaborar as regras, que devem ser apresentadas às duas legendas em dez dias.
- Ficamos eu e o José Eduardo Cardozo (PT-SP) responsáveis por fazer um texto que defina as regras para a operação de palanques duplos, não só na relação PT/PMDB, mas também com os outros partidos. Fiz uma minuta com o Zé Eduardo, e a expectativa é de que possamos definir uma regra validada por todos os partidos que compõem as alianças – disse Moreira Franco.
Ao comentar o encontro de Dilma e Garotinho anteontem, o líder do governo na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e presidente do PMDB no Rio, deputado Paulo Melo, afirmou que Dilma Rousseff “deve saber que faz parte da política uma escolha de lados”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:46

Lula quer diálogo com a mídia

   Do jornalista Valdo Cruz, da ‘Folha’:
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca um nome para ocupar o Ministério das Comunicações que possa estabelecer um “canal de diálogo” com os donos e diretores de empresas de comunicação.
O ministério ficará vago em abril com a saída do cargo de Hélio Costa (PMDB-MG) para disputar o governo mineiro.
Segundo um auxiliar de Lula, ele tem se queixado do que classifica de “atitude agressiva” de alguns setores da mídia e avalia nomear um ministro das Comunicações com “capacidade de interlocução” com a mídia.
A relação de Lula com a imprensa desde que chegou ao poder nunca foi amistosa. Ele costuma dizer que não lê jornais e chegou a afirmar que o “papel da imprensa não é o de fiscalizar, e sim de informar”.
Na semana passada, disse que, “neste país, eles [empresários da mídia] não estavam acostumados a ter um presidente da República que não precisa almoçar com eles, jantar com eles e tomar café com eles para governar este país.”
A ideia, segundo assessores de Lula, é que o sucessor de Hélio Costa seja alguém que faça uma “conexão com as TVs e jornais impressos” na busca não só de dialogar com os empresários mas também transmitir o pensamento do presidente acerca de críticas feitas pela mídia contra seu governo.
Lula está preocupado principalmente em defender sua candidata, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Sua equipe tem debatido estratégias para tentar melhorar a relação de Dilma com a imprensa.
Até agora, Lula ainda não citou nomes que poderiam se encaixar nesse perfil, mas já avisou a cúpula do PMDB, responsável pela indicação política para o Ministério das Comunicações, de sua intenção.
Segundo a Folha apurou, os peemedebistas vão tentar buscar um nome que agrade o presidente e possa exercer a função pretendida por Lula.
O presidente avalia que esse novo ministro poderia dividir com Franklin Martins (Comunicação Social) o trabalho de diálogo com a imprensa.
Deslocar Martins para o ministério de Hélio Costa está fora de cogitação, por ele hoje desempenhar também um papel de conselheiro político do presidente no Palácio do Planalto.
A intenção inicial do PMDB era apoiar a indicação do nome preferido do ministro Hélio Costa, que gostaria de fazer seu atual chefe de gabinete, José Artur Filardi, seu substituto à frente do ministério.
No discurso da semana passada, Lula também criticou os editoriais dos jornais. “De vez em quando é bom ler [editoriais de jornais] para a gente ver o comportamento de alguns falsos democratas, que dizem que são democratas, mas que agem querendo que o editorial deles seja a única voz pensante no mundo”, disse”.

          * * *
Já ?O Globo? informa que ?a substituição dos ministros candidatos, que terão de se desincompatibilizar do cargo até o dia 2 promete ser uma fonte de problemas, se depender de setores do PMDB. Embora o presidente Lula tenha dito que não pretende nomear ministros políticos para os últimos nove meses do mandato, o PMDB não parece disposto a se enquadrar. A bancada do PMDB no Senado detectou um movimento da turma da Câmara, ligada ao presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), para tentar emplacar o ex-deputado Moreira Franco (PMDB-RJ) no lugar do senador Hélio Costa (PMDB-RJ) no Ministério das Comunicações.
Os senadores do PMDB, por outro lado, já deram duas opções ao presidente Lula para a substituição de Hélio Costa: o chefe de gabinete do ministro, José Artur Filardi Leite; e Antonio Domingos Teixeira Bedran, conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:24

Polícia do Rio admite falência

 

Quando o ‘Extra’ exibiu ontem a bandidagem armada no Jacarezinho, o secretário José Mariano Beltrame se confessou entristecido:
- A imagem fala por si. Aquilo nos entristece. A nossa proposta é ir de encontro àquela situação. Exatamente daquele ponto, não tinha conhecimento, mas o fuzil existe no Rio desde a década de 80. Naquela área e naquele horário, no embrião do cruzamento de duas favelas perigosas, de duas áreas historicamente deflagradas, acredito que aquelo tipo de cena aconteça há anos. E em outros lugares também seja assim.
Então vamos lá:
1 – “A imagem fala por si”, diz ele. É o mesmo que ver o deputado colocando dinheiro na meia, outro rezando pela bolada recebida ou o governador de Brasília recebendo um pacote. Tem razão o secretário: “A imagem fala por si”.
2 – “Aquilo nos estristece”. Se estristesse o secretário, que é pago para combater o crime, imagina qual o sentimento das pessoas que pagam impostos e, consequentemente, o seu salário?
3 – “A nossa proposta é ir de encontro àquela situação”. E por que ainda não foi?
4 – “Exatamente daquele ponto, não tinha conhecimento”. Como não? Não existe investigação, inteligencia  policial?
5 – “O fuzil existe no Rio desde a década de 80″. O secretário quer fazer história. Ele quer dizer que o culpado pela bandidagem no Jacarezinho são os Srs. Leonel Brizola, Moreira Franco, Brizola de novo, Marcelo Alencar e  Anthony Garotinho. E a Sra. Rosinha Matheus, agora Garotinho. Sergio Cabral não tem nada a ver com isso, embora já tenha concluido mais de 75% de seu mandato.
6 – “Naquela área e naquele horário, no embrião do cruzamento de duas favelas perigosas, de duas áreas historicamente deflagradas, acredito que aquele tipo de cena aconteça há anos”. O secretário disse antes que não tinha conhecimento daquele ponto, e agora se contradiz ao afirmar ali são “suas áreas historicamente deflagradas”, além de acreditar que “aquele tipo de cena aconteça há anos”. E por que a polícia não toma providência? Seria porque ali é uma área de pobreza? E os pobres que se danem?
7 – E finalmente: ele acredita que “em outros lugares também seja assim”.
Essa é a falencia confessada.
Hoje pela manhã, o pobre Mariano deve ter acordado mais estristecido ainda com o jornal ‘Extra’, que exibiu na primeira página:
Polícia admite não ter controle no Jacarezinho, secretário fala em UPP

                        TRAFICANTES VIRAM ÍDOLOS PARA
                        CRIANÇAS NA ESQUINA DO  MEDO 

                   Há seis meses PM sabia do desfile de armas
Por email, cidadão denunciou farra do tráfico na Dom Hélder Câmara. Polícia disse que agiria, mas nada fez.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:50

Um perfil de Michel Temer

O repórter Caio Junqueira produziu hoje o mais completo perfil do presidente da Câmara, Michel Temer, pré-candidato do PMDB à vice-presidente na chapa encabeçada por Dilma Rousseff. O texto foi publicado no ‘Valor Econômico’:
“Foi em uma viagem de três horas e meia entre Natal e São Paulo, em setembro de 2008, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB), entre goles de uísque, consolidaram seu relacionamento partidário e pessoal. Apararam arestas, reduziram desconfianças mútuas e discorreram longamente sobre suas trajetórias que, de semelhante, têm apenas o êxodo das famílias para São Paulo em busca de melhores condições de vida. O restante de suas histórias os distancia, mas isso não será obstáculo para que o deputado seja avalizado pelo presidente como o vice na chapa governista encabeçada pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Caçula temporão de oito irmãos – Salim, Sumaia, Tamer, Fued, Elias, Adib e Jorge – filhos de um casal de imigrantes libaneses foragidos das dificuldades do pós-guerra em seu país nos anos 20, Michel Miguel Elias Temer Lulia, 69 anos, paulista de Tietê (159 km a noroeste de SP), tem a chance de vencer a primeira eleição majoritária de seus 27 anos de vida pública.
Sustenta a expectativa na suposta capacidade que o presidente tem de transferir sua popularidade e votos a uma dupla composta por uma técnica sem carisma e um jurista sisudo e rigorosamente formal.
Temer só chegou a cargos executivos por meio de nomeações, como nas duas vezes em que ocupou a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, nos governos pemedebistas de Franco Montoro (1983-1987) e Luiz Antonio Fleury Filho (1991-1994), do qual também foi secretário da Casa Civil. Quando tentou articular uma pré-campanha ao governo do Estado, como na sucessão de Fleury Filho, em 1994, foi atropelado pelo atual presidente da Assembleia paulista, Barroz Munhoz (hoje no PSDB); e na sequência ao governo Mário Covas/Geraldo Alckmin (PSDB), em 2002, quando o ex-governador paulista Orestes Quércia articulou para barrar seu nome. Quando finalmente conseguiu emplacar como vice foi um fracasso eleitoral. Aconteceu em 2008, na disputa pela prefeitura paulistana, ao lado de Luiza Erundina (PSB). Amargaram um quarto lugar, com 4% dos votos.
Mesmo para a Câmara dos Deputados, onde está desde 1987, só foi eleito diretamente em 1995. Nas eleições de 1986 e 1990, estava na suplência e só assumiu porque os titulares deixaram o cargo. Em 2006, seus 99 mil votos em um universo de 30 milhões quase o tiraram da vida pública. Ficou com a vaga apenas na divisão das sobras do quociente eleitoral.
Relembrado dos péssimos números, aponta como motivo o fato de fazer política por Brasília, e não por São Paulo. “Sempre preferi a macropolítica em vez da micropolítica. Vejo colegas com clientela no fim de semana, recebendo um monte de gente. Eu não tenho muito isso”, explica ao Valor em seu espaçoso escritório político no Itaim, zona oeste de São Paulo.
Na macropolítica, Temer passeia. Desde sua eleição “de fato” para a Câmara, em 1995, conseguiu colocar seu gabinete como ponto obrigatório de passagem dos altos escalões da República, tanto no governo Lula como no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). E é aí que residia – e ainda reside – a principal aresta entre ele e os petistas. Temer foi, depois da segunda metade do primeiro mandato de FHC, um dos principais auxiliares dos tucanos no Congresso. Sua primeira eleição para a presidência da Câmara – com o apoio do Planalto – foi resultado de seu esforço em levar parte do PMDB a aprovar a emenda da reeleição. A segunda vez em que ocupou a presidência, em 1999 e 2000, decorreu da costura política que realizou para que o PMDB fechasse informalmente apoio a FHC nas eleições de 1998 e, de forma oficial, com o governo no segundo mandato. No discurso de posse na segunda presidência da Câmara, rasgou elogios a FHC, “um dos mais eminentes homens da história republicana, destacado por seu preparo, sua visão da geopolítica internacional, pelo equilíbrio com que vem comandando o mais arrojado programa de mudanças do Brasil contemporâneo”.
Mudanças que ganharam celeridade quando usou seus conhecimentos no direito para criar interpretações que agilizaram o processo legislativo. No governo tucano, as reformas caminharam mais rápido depois que as emendas puderam ser promulgadas mesmo sem todos os dispositivos aprovados. Fez algo parecido no ano passado, dessa vez em prol da Câmara, quando uma reinterpretação da tramitação das medidas provisórias fez com elas não mais trancassem a pauta da Casa.
Em suas movimentações políticas, contou com o apoio do grupo com o qual atua até hoje, cuja característica é a maleabilidade política e a capacidade de ocupar espaço no Executivo em troca de apoio no Legislativo. Compõem o grupo Henrique Eduardo Alves (RN), atual líder do PMDB na Câmara; o ex-governador do Rio Moreira Franco, atual vice-presidente da Caixa Econômica Federal e assessor especial de FHC entre 1998 e 2002; e Geddel Vieira Lima (BA), atual ministro da Integração Nacional, que foi líder do PMDB na Câmara entre 1997 e 2002.
A estratégia comum do grupo consiste em, inicialmente, proclamar independência e autonomia em relação ao governo e ameaçar barrar seus projetos no Legislativo. O Executivo, ciente do poder do PMDB e de suas grandes bancadas – não raro as maiores na Câmara e no Senado -, cede e aumenta a participação da legenda no governo, seja nos ministérios, seja no acesso aos recursos públicos federais pelas prefeituras pemedebistas, sempre ao redor de mil das 5.645 do país. Por fim, o grupo acaba aderindo totalmente ao governo.
O expediente utilizado nos anos FHC repetiu-se sob a era Lula. No primeiro mandato do petista, Temer proclamou a independência de seu grupo, o que fez com que o governo passasse apuros na Câmara, já que no Senado José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL) garantiam ao menos parte da sigla com o presidente. No segundo mandato, atendeu ao pedido de Lula por um PMDB inteiro na base e aderiu ao governo. Em troca, ocupou espaços no governo federal.
Essa prática política fez com que o partido ganhasse a pecha de fisiologista e pragmático, da qual Temer, presidente da legenda desde 2001, discorda. “Nem pragmatismo nem fisiologismo. Essa é a realidade conceitual da política. O PMDB, maior partido do país, apoia o governo. Lula conseguiu implantar todas as políticas sociais porque o PMDB deu apoio a ele. Agora, ele é fisiológico porque participa do governo? Estranho seria o PMDB apoiar o governo e não ter nenhum cargo”, afirma.
Para ele, é a característica do sistema político brasileiro que propicia esse tipo de relação. “Se o governo não fizesse uma aliança com o PMDB, conseguiria governar com cento e tantos votos contrários na Câmara e 21 contrários no Senado? Isso não é uma ameaça do PMDB, é uma realidade política. Se estivéssemos no parlamentarismo ninguém faria essa pergunta porque nele se faz coalizões. Aqui, de uma forma ou de outra, temos um arremedo do parlamentarismo: é preciso fazer uma coalizão no presidencialismo”.
O valor da “realidade política” a que Temer se refere pode ser medido em votos. No governo FHC, o apoio ao tucano lhe valeu, além da dupla presidência na Câmara, indicações para a diretoria da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), o porto de Santos. O resultado veio em 2002. Temer teve o maior número de votos em sua história: 252.229.
Com a vitória de Lula neste mesmo ano, o deputado afastou-se do poder central, perdeu o controle de Santos – dividido entre PT e PSB -, não ocupou cargos na Mesa e não indicou nomes para nenhum órgão federal. Passados quatro anos, teve a pior votação de sua história, 99.046, e só pôde assumir com as sobras do quociente eleitoral.
Ali viu que o casamento com o PT e Lula era uma questão de sobrevivência política. Fez-se, então, o acordo, semelhante ao realizado com FHC. O PMDB apoiou o petista Arlindo Chinaglia (SP) para a presidência da Câmara. Temer sagrou-se seu sucessor e, de quebra, arrematou indicações para cargos federais, mantidos até hoje: Wagner Rossi na presidência do Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Moreira Franco na Caixa, Miguel Colasuonno na Eletronorte (diretor administrativo) e Raze Rezek, irmão do deputado estadual paulista Uebe Rezek, na coordenação paulista da Funasa.
Temer vê essa participação ativa nos governos dos arquirrivais PT e PSDB com naturalidade. “O PMDB se tornou um partido congressual e rótulos de esquerda ou direita não existem mais. O que o cidadão quer é política de resultados. Só houve controle da moeda e da inflação porque o PMDB apoiou FHC no Congresso. E se o PMDB estivesse contra as medidas sociais do governo Lula, ele não teria feito o maior plano de inclusão social que ele fez ao longo desses anos. Percebe?”
Evita, porém, comparar as duas gestões. “Precisamos ter consciência de que os governos têm uma sequência. Uns podem ir melhor que outros, mas todos têm uma âncora positiva ou negativa no passado. Este governo [Lula] tem uma âncora no passado na questão do Plano Real, por exemplo. Se não tivesse estabilidade da moeda não sei se esse grande plano de inclusão social que o Lula conseguiu fazer sairia do papel”, diz.
A profusão de elogios tanto ao governo FHC quanto a Lula deixa os petistas receosos. Temer sempre foi tido como “o mais tucano dos pemedebistas”. Em 2002, foi um dos coordenadores da campanha presidencial de José Serra (PSDB). Seu padrinho político, o ex-governador de São Paulo Franco Montoro, foi um dos fundadores do PSDB. Eleito governador em 1982, deu a Temer seu primeiro cargo público, de procurador-geral do Estado.
Até então, Temer acompanhava a vida política do país à distância. Formado na Faculdade de Direito do Largo São Francisco às vésperas do golpe militar de 1964, passou todo o regime advogando, dando aulas de direito e exercendo o cargo de procurador do Estado. Nos anos 70, compôs um dos mais importantes grupos de estudiosos de direito público do país, estruturado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com Celso Antonio Bandeira de Mello – considerado seu melhor amigo -, Celso Bastos e Geraldo Ataliba. O livro de Temer, “Elementos de Direito Constitucional”, é dos mais utilizados entre estudantes de direito.
Assim que foi eleito governador, Montoro nomeou o advogado e ex-ministro da Justiça de FHC José Carlos Dias para a Secretaria de Segurança e pediu nomes para a Procuradoria. Dias lembrou de Temer, que Montoro conhecia da PUC. Acabou levando o cargo. Meses depois, Dias deixou a secretaria e indicou Temer para ocupá-la. Montoro encampou a ideia e Temer assim chegou, pela primeira vez, a um cargo executivo de alto escalão. A gestão foi marcada por protestos e ocupações, comuns naqueles tempos de redemocratização, e nos quais Temer começou a mostrar sua habilidade política e capacidade de conciliação. Evitava usar a força policial para invadir prédios ocupados por representantes do movimentos sociais. Ao contrário, entrava ele mesmo com seus assessores para negociar as retiradas.
Montoro deixou o PMDB em 1988 para fundar o PSDB, com Covas, Serra e FHC, mas aconselhou Temer a permanecer no partido, para não correr o risco de ser “ofuscado pelas estrelas”. Temer titubeou, mas acabou ficando. “O partido estava desfalcado. Os grandes líderes estavam saindo. Em outras palavras, lá no PSDB ia ter muito cacique”, lembra.
Voltou a assumir a Segurança dias após o episódio do Carandiru, em que uma rebelião de presos no então maior presídio do país resultou em chacina com as mortes de 111 detentos. Sua missão ali era pacificar a polícia e a sociedade civil, em especial, as organizações de direitos humanos. Acabou ficando dois anos e meio no cargo.
Na entrevista ao Valor, o deputado definiu-se como um “conciliador”. Uma descrição que coincide com a percepção que outros políticos têm dele: “cerimonioso”, “diplomata”, “não entra em bola dividida”, “cordato”, “não é capaz de dizer um palavrão”, “comedido”, “preserva-se de vícios de linguagem” e “tem grande preocupação em não trombar com ninguém”.
Nem assim conseguiu evitar alguns enfrentamentos políticos. O maior, circunstancial, foi com o senador Antonio Carlos Magalhães (DEM), morto em 2007. Em 1999, discordâncias quanto à reforma do Judiciário fizeram com que ACM dirigisse fortes ataques a Temer, a quem chamou de “bajulador do governo”. Veio o revide: “Quem atravessou a praça dos Três Poderes para pedir ao presidente que ajudasse um banco falido não fui eu”, numa referência às relações entre ACM e o banqueiro Ângelo Calmon de Sá, do Banco Econômico.
ACM, porém, não foi o maior adversário de Temer. O posto é ocupado até hoje pelo ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, presidente do PMDB paulista desde 1994. A relação entre os dois é espinhosa e turbulenta. Dificilmente estão juntos politicamente, situação que se repetirá neste ano: Quércia está com o PSDB e Temer, com o PT. Há quatro anos, Temer estava com o PSDB, Quércia, “independente”. Em 2002, Quércia foi de Lula e Temer, de Serra. Em 1998, Temer apoiou FHC e Quércia, a “independência”.
Para os quercistas, Temer não é confiável. Já aliados de Temer consideram que Quércia tem “ciúmes” do destaque nacional ocupado pelo presidente da Câmara. “Se eu fosse depender da cúpula do PMDB paulista para ser alguma coisa, eu não seria nada”, disse Temer. Em 2006, por exemplo, havia acordo para que ele fosse vice do então candidato a governador José Serra. Quércia, em junho, lançou sua candidatura e tornou inviável a composição. Depois, retirou a candidatura.
Temer fracassou nas tentativas de tirar Quércia da presidência regional do partido, algumas delas sangrentas. Hoje, controla cerca de 40% do diretório e ultimamente optou por fazer acordo com o ex-governador: em troca do apoio de Quércia no PMDB nacional, dá apoio a Quércia no PMDB paulista. Essa política deve se manter até a próxima disputa, dentro de dois anos, uma vez que os operadores de Temer no Estado já fazem os cálculos para tentar, mais uma vez, desbancar Quércia. Não querem que o vice-presidente – se eleito, evidentemente – não domine o diretório de seu Estado.
Mas a indicação a vice ainda terá que vencer alguns obstáculos – como a cautela de petistas em relação ao seu nome, as preferências do próprio Lula, além das articulações dos dois partidos nos Estados – para se concretizar. Rumores dão conta que o preferido de Lula para vice de Dilma é o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Já Hélio Costa, ministro das Comunicações e pré-candidato do PMDB ao governo de Minas, passou a ser cogitado para dar uma solução à divisão da base aliada em Minas, Estado considerado crucial para a campanha deste ano.
A afamada cortesia de Temer também desaparece quando se menciona as reportagens que o envolvem na Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal, sobre supostas ligações ilícitas entre a construtora Camargo Corrêa e políticos. O nome de Temer estaria em uma das planilhas que listam políticos que teriam recebido propina da empresa. “Não tenho nada contra que se noticie o fato, mas fico chateado quando só se conta metade da história, dando prioridade ao lado negativo. É tudo causa dessa história de ser vice”, diz.
Nas três horas de entrevista que deu ao Valor, esse foi a único momento em que o deputado saiu do tom: “Teve um rapaz que escreveu um negócio sobre mim tão doloroso, uma coisa tão biliar, como se eu fosse um reles, rasteiro, vagabundo, ordinário. E pior que uma vez ele almoçou comigo, fez muitos elogios a mim. Mas eu senti que ele tá…” [dando a entender que o jornalista apoia Serra na sucessão]. Conta que não reclamou ao veículo de comunicação, mas mandou seus livros de direito constitucional de presente ao jornalista.
Em seu segundo casamento, Temer é bastante discreto ao falar de seus relacionamentos afetivos. Sabe-se que sua primeira mulher, Neusa Aparecida Popinigis, era decoradora. Com ela teve três filhas. A mais velha, Luciana, 40 anos, é doutora em direito constitucional e trabalha em um órgão ligado ao governo paulista, a Fundação Faria Lima. As outras duas, Clarissa, 37 anos, e Maristela, 35 anos, são psicólogas. Entre o primeiro e o segundo casamento, Temer teve dois relacionamentos sérios sobre os quais mantém silêncio. Um deles com uma jornalista que mora em Londres e com a qual teve um filho, Eduardo, hoje com 10 anos, que nasceu na Inglaterra. A atual mulher, Marcela Tedeschi Araujo, 26 anos, participava de concursos de miss em Paulínia (126 km a noroeste de SP) e trabalhava na prefeitura, ocupada pelo PMDB. Em um evento político na cidade, há seis anos, se conheceram e casaram. Há oito meses, nasceu o primeiro filho do casal, Michel”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:16

Cabral e Silveirinha

O ex-governador Anthony Garotinho dá a sua versao, hoje, em seu blog, do episódio Silveirinha, agora que parte do dinheiro será repatriado. Veja o que diz o ex-governador:
“O ministro Tarso Genro anunciou que o governo brasileiro conseguiu a devolução aos cofres públicos, pelo governo da Suíça, de cerca de US$ 30 milhões desviados por fiscais da Receita Estadual e auditores federais. É uma boa oportunidade para que todos conheçam em detalhes algumas particularidades do escândalo que ficou conhecido com Propinoduto.
Em primeiro lugar vale a pena destacar, que quando o assunto veio à tona, em 2003, a então governadora Rosinha Garotinho e eu tomamos a iniciativa de processar administrativamente os envolvidos tirando-lhes as funções públicas, exigimos da Assembléia Legislativa uma CPI e por fim colaboramos com a Justiça Federal para que os responsáveis fossem exemplarmente punidos. Os fiscais foram presos, processados, condenados e agora o dinheiro está sendo devolvido.
Em qual outro desvio de dinheiro público foram tomadas medidas tão severas como estas? E é bom lembrar que apenas um dos envolvidos, Rodrigo Silveirinha ocupou cargo de confiança no meu governo. Os demais praticaram os desvios, ao longo dos governos Brizola, Moreira Franco e Marcello Alencar, conforme ficou demonstrado ao longo do processo.
Mas, parte da imprensa tentava associar todo o tempo, Silveirinha, a mim e a Rosinha. Vamos agora conhecer um pouco da verdade. Silveirinha sempre foi grande amigo do atual governador Sérgio Cabral. Aliás, foram diretores juntos na TURISRIO, nomeados pelo então governador Moreira Franco. Na disputa do 2º turno para o governo do Estado, em 98, o PSDB de Sérgio Cabral, que havia apoiado Luiz Paulo Corrêa da Rocha no 1ºturno, se dividiu e uma parte liderada pelo então deputado estadual Sérgio Cabral declarou apoio à minha candidatura no 2ºturno contra o ex-prefeito do Rio, Cesar Maia. Quando da composição do governo não tinha a menor idéia de quem se tratava Rodrigo Silveirinha, amigo íntimo de Cabral. Sua amizade com o atual governador era tão grande, que quando estourou o escândalo, a mulher de Silveirinha estava nomeada no cargo mais importante da Presidência da ALERJ, pelo então deputado Sérgio Cabral.
Essa é a verdade. Não tínhamos há época como saber das maracutaias praticadas pelos fiscais porque eles agiam assim: lançavam multas pesadas contra grandes empresas e depois negociavam o recurso no Conselho de Contribuintes dando ganho de causa às empresas multadas. Enquanto isso, o dinheiro acertado para absolver as empresas era depositado na conta dos fiscais no exterior. Isso aconteceu durante muitos anos. E o caso só foi descoberto e a quadrilha desmontada, porque na nossa gestão não compactuamos com algo de podre que vinha acontecendo na fiscalização do estado há muitos anos.
Quando me perguntam pelo Silveirinha eu respondo: ?Perguntem ao Cabral? Eles sempre foram grandes amigos?. O atual governador deu sustentação à sua nomeação, mas tinha tanto carinho pelo Silveirinha, que a sua esposa Silvana ocupava o cargo mais importante em seu gabinete na ALERJ.
Pena, que o ex-deputado federal André Luiz, muito amigo de Silveirinha e Cabral hoje esteja fora de atividade. Porque se ele quisesse prestar um grande bem à sociedade diria quem é na verdade, o verdadeiro dono do dinheiro que estava na conta de Rodrigo Silveirinha, na Suíça. Aviso a Cabral: é só pra começar. Vem aí o escândalo do aluguel do ar condicionado para as escolas do estado. Vocês leram bem? Aluguel. E logo a seguir o esquema da fraude milionária na estocagem dos remédios do estado. Apertem os cintos”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:14

PMDB se declara de vez a Lula

O programa do PMDB, em rede nacional de radio e televisão essa noite, teve o presidente da Câmara, deputado Michel Temer, como mestre de cerimônias, e os ministros do partido como suas principais estrelas.
Fora eles, apenas um político mereceu espaço igual, com foto recente e sem óculos: o ex-deputado Moreira Franco, vice-presidente da Caixa Econômica Federal, que cuida, dentre outras coisas, do FGTS, que promete a construção de 600 mil casas populares.
Algumas curiosidades do programa:
1. Lula foi citado quatro vezes, sendo que três delas pelos ministros Geddel Vieira Lima, Helio Costa e Edson Lobão.
2. Temporão e Stephanes falaram de suas realizações sem citar o Presidente. No fundo, Lula agradece.
3. A imagem de José Sarney, presidente do Senado, apareceu durante menos de um segundo, se é que isso é possível.
4. O diretório gaúcho foi o único que mereceu destaque, e Requião foi o único governador a ser brindado, pelo menos com uma foto.
5. O PMDB decidiu partidarizar o Ministério da Defesa ao mostrar cenas de treinamento militar, com o ministro Nelson Jobim vestindo uniforme camuflado, enquanto um locutor em off afirmava que o ?PMDB defende a soberania nacional no ar, na terra e no mar?.
6. E por fim, o início do programa: a cena de um casebre pobre, mas digno, onde a mesa é farta e até o cachorro da família é gordo.

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