• Segunda-feira, 06 Fevereiro 2012 / 14:48

Temer fará campanha contra Haddad

      Da colunista Renata Lo Prete, no Painel da ‘Folha’:
      ”Em conversa recente, Dilma Rousseff sugeriu a Michel Temer que ambos evitem se envolver nas disputas municipais, de modo a preservar o governo. Com a polidez habitual, o vice disse partilhar da preocupação da presidente, mas ponderou que terá de se fazer presente ao menos em São Paulo, onde o PMDB pretende lançar Gabriel Chalita”.

  • Sexta-feira, 20 Janeiro 2012 / 11:09

Miro crê que plebiscito já tem maioria

      O deputado Miro Texeira (PDT-RJ) concedeu uma entrevista a repórter Adriana Vasconcelos, do ‘Globo’,
sobre sua proposta de prebiscito, em 2014, para o que o eleitor decida como deve ser feita a reforma
política:
- O senhor conseguiu um apoio de peso esta semana, do PMDB…
- Depois de ouvir o Henrique Alves (líder do PMDB na Câmara) admitir publicamente que há uma grande desconfiança do eleitorado em relação à proposta de reforma política que tramita no Congresso, resolvi pedir a ele para intermediar novo encontro meu com o Michel Temer. Jantei com ele no Jaburu na terça-feira. Michel disse que apoia a ideia e prometeu conversar com as bancadas do PMDB na Câmara e no Senado. É o começo da discussão.
- E o PT, o senhor acha que vai aceitar a proposta?
- Coincidentemente, depois do jantar com Michel, eu me encontrei com o José Dirceu (deputado cassado e ex-ministro do governo Lula) e o Marco Aurélio Garcia (dirigente petista e assessor de Dilma). Ambos ficaram surpresos ao saber que há resistências dentro do PT e disseram que apoiam o debate sobre o assunto. Minha ideia agora é procurar outros petistas como o (deputado federal Ricardo) Berzoini, para continuar nesse trabalho de reduzir as resistências petistas. Pois a iniciativa não é uma ofensiva contra a proposta de reforma política que vem sendo elaborada pelo deputado Henrique Fontana (PT-RS).
- Quais as chances reais de aprovação desse projeto de decreto legislativo?
- Com os apoios que venho recebendo publicamente, passamos a ter chance efetiva de aprovação do
projeto e de realização do plebiscito em 2014. Na próxima semana, por exemplo, marquei encontro com o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, e vou procurar também o PSD. Já conversei com os líderes do PTB e do PR. A partir da reabertura dos trabalhos legislativos, cada um desses partidos deverá fazer consultas junto a suas bancadas. Mas a sensação que tenho é que já temos o apoio da maioria dos parlamentares na Câmara.
- Qual a importância da realização desse plebiscito?
- Há hoje desconfiança natural e justa de parte da população sobre qualquer proposta de reforma política que saia do Legislativo, pois, em várias ocasiões em que isso ocorreu, tiraram poder do povo. As suspeitas são de que os parlamentares só vão aprovar mudanças que os favoreçam. Por isso, o plebiscito daria uma legitimidade maior à nova legislação.
- Com a confirmação do plebiscito, o horário eleitoral gratuito em 2014 seria ampliado para a discussão da reforma?
- Diante de uma causa nobre como esta, não acredito que o povo vá se incomodar em assistir a mais cinco minutos de horário eleitoral à tarde e à noite para que possamos fazer o debate sobre a reforma. Pode-se imaginar até uma fórmula que reduza o tempo dos candidatos e se dê prioridade a esse debate.

  • Quinta-feira, 19 Janeiro 2012 / 15:15

Reforma política terá plebiscito

     Do colunista Ilimar Franco, no Panorama Político, do ‘Globo’:
    “Com o apoio do PMDB, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) vai propor a realização de um plebiscito nas eleições de 2014 para decidir sobre a reforma política. Ontem, o vice Michel Temer deu aval à iniciativa de Miro. Ele também recebeu sinal verde do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, e dos líderes do PR, Lincoln Portela (RR), e do PTB, Jovair Arantes (GO), na Câmara. Esse movimento deve paralisar a votação da proposta de reforma relatada pelo
deputado Henrique Fontana (PT-RS).
O texto do projeto que está sendo preparado prevê a ampliação, nas eleições de 2014, do horário de propaganda eleitoral no rádio e na TV. Esse tempo adicional seria usado para debater o conteúdo das propostas de reforma política. Os eleitores teriam de escolher entre o voto distrital, o distritão, o voto distrital misto, a manutenção do voto proporcional e a adoção do voto em lista. E decidir também sobre como será o financiamento eleitoral:
privado, como é hoje; exclusivamente público; ou misto, como é nos Estados Unidos. As mudanças aprovadas nas eleições de 2014 seriam implementadas no pleito seguinte, o de 2018″.

  • Quarta-feira, 04 Janeiro 2012 / 10:44

PMDB tenta atrair o DEM

    Das repórteres Catia Seabra e Maria Clara Cabral, da ‘Folha’:
    “Sob o comando do vice-presidente Michel Temer, o PMDB -maior aliado do PT na coalizão governista- tenta atrair o oposicionista DEM para dobradinhas nas eleições municipais de outubro, ação que se bem-sucedida pode gerar uma futura fusão.
Apesar de não atuar diretamente, o Planalto vê com bons olhos a movimentação. Além de ampliar sua base de apoio no Congresso, ela também abafaria algumas das principais vozes críticas à gestão de Dilma Rousseff.
O próprio Temer participa da costura das alianças municipais, especialmente dedicado à viabilização da candidatura do deputado federal Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo.
Depois de encontros com integrantes do comando nacional do DEM, como o presidente nacional, José Agripino (RN), e o líder da bancada na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), Temer convidou no último dia 21 o presidente estadual da sigla, Jorge Tadeu Mudalen (SP), para uma conversa sobre a eleição na capital.
Até então resistente a um acordo, Mudalen deixou o Palácio do Jaburu (residência oficial do vice-presidente) aberto a um acordo.
“Vejo com simpatia essa conversa com o PMDB”, disse Mudalen, que, dois dias antes, jantara com o ministro peemedebista Moreira Franco (Secretaria de Assuntos Estratégicos).
Temer e Moreira não são os únicos do PMDB a flertar com o DEM. Também no mês passado, o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, recebeu o secretário-geral do DEM, Onyx Lorenzoni (RS).
Na conversa, os dois se comprometeram a fazer um levantamento das cidades gaúchas onde há compatibilidade entre os dois partidos. Mendes propôs objetivamente uma fusão. “O PMDB e o DEM precisam olhar para o Brasil com uma expectativa clara do que pode fazer uma aproximação cada vez maior entre os dois partidos: a eleição municipal como prévia de 2014.”
Lorenzoni admite uma afinidade com o PMDB do Rio Grande do Sul. Mas diz que uma fusão não será necessária porque, apesar de debilitado com a criação do PSD, o “DEM dará a volta por cima” para 2014.
DEM e PMDB ensaiam também aproximação na Bahia e no Rio Grande do Norte, entre outros Estados. “No Maranhão, o DEM e o PMDB sempre caminharam juntos”, disse o ministro do Turismo, Gastão Vieira (PMDB-MA).
A articulação preocupa a cúpula do PSDB. Preocupado com o risco de isolamento na oposição, o comando do partido pediu que seus governadores ampliem as negociações com o partido.
Segundo tucanos, o DEM já avisou que, caso constate que não é capaz de eleger 30 deputados federais nas próximas eleições (em 2010, elegeu 43, mas hoje só possui 27), terá que optar por uma fusão. Só não sabe se com o PMDB ou o PSDB”.
                               * * *
No Rio, o ex-prefeito Cesar Maia, do DEM, saiu na frente, ao procurar o deputado Anthony Garotinho e propor um acordo para as prefeituras da Capital e do interior do Rio de Janeiro.
Garotinho, hoje no PR, tem enorme influencia no PMDB no interior do Estado.
Para a Capital, está praticamente certo o lançamento de Rodrigo Maia para a Prefeitura, tendo como vice Clarisse Garotinho.
                               * * *
Quem achar isso exdrúxulo, mire-se no exemplo da Bahia citado pela reportagem da ‘Folha’.
Alguém já imaginou Geddel Vieira Lima de mãos dadas com os herdeiros políticos de Antonio Carlos Magalhães?
O velho senador deve estar esmurrando seu túmulo…

  • Quarta-feira, 01 Dezembro 2010 / 9:57

Cabral humilha Michel Temer

    Da colunista Renata Lo Prete, da ‘Folha’:
“Temer telefonou na sexta para Cabral. Até a tarde de ontem, o governador não ligara de volta”.
                   * * *
Pelo menos na cabeça de Sergio Cabral, com relação a Dilma, ele acredita que está tudo dominado.

  • Quarta-feira, 01 Dezembro 2010 / 9:55

Moreira reclama por Temer

     Da repórter Maria Lima, de ‘O Globo’:
“Escolhido pelo vice presidente eleito, Michel Temer (PMDB-SP), como indicação de sua cota pessoal para o Ministério das Cidades, o vice presidente da Caixa e ex-governador do Rio, Moreira Franco, está no centro das disputas entre os partidos aliados, e também na bancada do PMDB na Câmara, que gostaria de indicar outro nome para a pasta. Sentindo-se ameaçado com as resistências internas, ele criticou o comando das articulações da transição, disse que Temer está sendo esvaziado e que a unidade do partido que deu a vitória à presidente eleita, Dilma Rousseff, está ameaçada.
Moreira criticou especialmente o fato de Dilma, o futuro ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, e o presidente do PT, José Eduardo Dutra, terem se reunido ontem separadamente com Temer, para discutir nomes da Câmara, e depois com os senadores José Sarney e Renan Calheiros, do PMDB, para negociar os indicados do Senado.
O vice-presidente da Caixa negou que tenha havido, junto a Dilma, um veto a seu nome por parte do governador do Rio, Sérgio Cabral. O governador negociou, sem consultar o partido, o nome de seu secretário Sérgio Côrtes para o Ministério da Saúde.
- O problema não é ter dois ministérios do Rio (ele próprio e Côrtes). No atual governo, tem oito do Rio, sendo três só do PT. O problema é o processo de encaminhamento. O Michel está sendo esvaziado. Como não se define nada, o Cabral foi lá ontem, sem consultar ninguém, e acertou o lado dele – explicou.
Na conversa com Cabral, Dilma disse que não haveria problema em nomear Moreira, desde que essa indicação fosse consenso na bancada do PMDB na Câmara. O problema é que os deputados já referendaram outro nome da cota de Temer: o atual ministro da Agricultura, Wagner Rossi. Pelas negociações, Temer só teria direito a indicar um ministro em sua cota pessoal.
- Se ele (Cabral) me vetou foi na rua. Aqui não teve veto nenhum. A (minha) indicação não está condicionada ao consenso na bancada. O problema é a acomodação geral. Não se sabe quantos nem quais ministérios o PMDB terá. Depois do Cabral ter ido lá ontem, hoje foi o Senado. A unidade que se construiu durante a campanha e que levou a vitoria de Dilma, está sendo dilacerada – disse Moreira, de manhã.
Sobre a negociação dura com o comando da transição, especialmente o presidente do PT, José Eduardo Dutra, Moreira reclamou do excesso de exigências dos articuladores:
- Claro, ele (Dutra) está defendendo o dele! Como a imprensa acuou o PMDB de tal forma, falando de fisiologismo, estão cheios de dengos e doces.

  • Quarta-feira, 24 Novembro 2010 / 9:36

O PMDB enquadrado

     O artigo  que o deputado Michel Temer publica hoje na ‘Folha’, (leia o post abaixo)procura enquadrar finalmente o PMDB.
Só resta saber se é para valer.
Ele é uma espécie de ‘Carta aos Brasileiros’ dirigida, principalmente, à Presidenta Dilma Roussef.
A ela, Temer garante que o partido estará unido em torno do seu governo.
Isso o fortalece na discussão da formação do ministério.
Já expulsar do partido alguns peemedebistas históricos como Jarbas Vasconcellos, Pedro Simon e Luiz Henrique são outros quinhentos.
                          * * *
A frase “Quem não se conformar com as decisões tomadas em convenção nacional poderá se desligar do nosso partido, sem que este exija o mandato”, está na cara que é do ex-governador Moreira Franco - o político mais próximo de Temer e  certamente um dos mentores do artigo.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:56

Dirceu envenena o PT de Minas

O ministro José Dirceu está colocando lenha na fogueira no PT de Minas: contra Lula e Dilma, e a favor do partido – o que fortalece a sua posição.
Veja o que ele diz:
1. Enquanto o PMDB diz que tem pressa e ameaça adiar o encontro que indicaria Michel Temer,  Zé Dirceu diz que temos “no máximo 45 dias, até as convenções, para fechar as alianças e a chapa”. Ou seja, temos todo o tempo do mundo. 
2.  “O PMDB e seu candidato querem nosso apoio e nós queremos o apoio deles. Mas, somente as pesquisas dirão, nos próximos 30 dias, quem é o melhor candidato a governador entre Hélio (Costa) e (Fernando) Pimentel”. Essa é para o senador Helio Costa corta os pulsos.
3. O ex-ministro Patrus Ananias pode, se assim decidir, ser candidato a vice-governador ou a deputado federal, já que Pimentel, caso não seja o candidato a governador, como vencedor das prévias, pode ser candidato ao Senado. Vale o mesmo para Hélio Costa”. O único peemedebista que torce por isso é o ex-senador Wellington Salgado, o cabeludo do Senado, suplente de Hélio e que exerceu mais o mandato, do que o próprio titular.
4. Na nota seguinte, Dirceu fala da importância de Dilma vencer em Minas, lembra a performance de Lula no Estado e, por isso, “a decisão do PT não será fácil”. E faz uma advertencia ao dizer que “mesmo que o PT venha a apoiar Helio Costa, o PMDB não pode fazer de Minas o centro da aliaça do PT com a nossa candidata Dilma Rousseff. Inclusive, porque indicará o candidato a vice-presidente encabeçada por ela”.
5. José Dirceu que sempre foi enstusiasta da aliança com o PMDB, desde o primeiro governo Lula, dá um chega lá no partido:
- O PMDB já tem o nosso apoio em Estados como o Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que não nos apoia na eleição deste ano em Estados decisivos como São Paulo, por exemplo. Fora o fato de que disputa conosco no Acre, Bahia e, espero que não aconteça, no Pará onde não chegamos a um acordo ainda.
Em Sergipe e no Piauí, a tendência é de composição conosco, mas o processo ainda não terminou. Um detalhe: todos esses Estados são governados pelo PT. Temos ainda o dado de que não chegamos a um acordo com o PMDB nos Estados do Amazonas, Tocantins e Ceará, onde ainda não resolvemos a questão das candidaturas ao Senado. E, mais um ponto a ser considerado: em Pernambuco o PMDB é mais serrista que o próprio PSDB.
E concluiu que “são todos Estados decisivos para a vitória de Dilma e a partir dos quais podemos obter uma grande maioria na frente de Serra. Assim, o cenário para o acordo em Minas não pode se reduzir a si próprio, apenas as Geraes. Tem que levar em consideração o quadro nacional, para além da aliança mineira, mais do que necessária, e da vice-presidência já definida para o PMDB”.
                       * * *
Uma coisa é certa: ninguém acreditou que o PT mineiro iria promover uma prévia para escolher seu candidato ao Senado.
Seria mobilização demais para cargo de menos.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:55

PMDB mineiro perde a paciência

De Renata Lo Prete, no Painel da ‘Folha’:
“Depois de ter esperado pacientemente pela prévia do PT em Minas, que o Planalto prometeu ser “de mentirinha”, o PMDB dá sinais de que não está disposto a aguentar por mais tempo a procrastinação do aliado, que em público ainda mantém o discurso da candidatura própria ao governo. Para pressionar o PT a anunciar de vez o apoio a Hélio Costa, a cúpula peemedebista discute até mesmo a possibilidade de adiar o encontro do partido, marcado para o próximo dia 15, que consagraria Michel Temer como vice de Dilma Rousseff, à espera do desfecho da novela mineira.
Embora os pleitos do PMDB sejam muitos, só dois são pré-condição para a aliança nacional: Temer na vice e Costa como único candidato lulista em Minas.
Enquanto o casamento mineiro não sai, nos bastidores a discussão da chapa está acelerada. O deputado petista Virgílio Guimarães larga na frente entre os cotados para vice de Costa.
No Planalto, no entanto, há quem veja com simpatia a idéia de convencer Patrus Ananias, o derrotado nas prévias do PT, a aceitar a vaga. Existe ainda uma terceira ala no PT a sugerir que a vice fique com outro partido, como o PR, já que o petista Fernando Pimentel já estaria na chapa majoritária como candidato ao Senado.
Seja qual for o desenho da chapa em Minas, Guimarães não tentará renovar o mandato na Câmara. Em seu lugar lançará candidato o filho Gabriel, 26.
Desabafo do presidente do PT, José Eduardo Dutra, ouvido por correligionários às vésperas da prévia mineira: “É preferível um fim horroroso do que um horror sem fim”.
                                    * * *
Os dois pleitos do PMDB, considerados pré-condição para a aliança nacional – Temer na vice e Costa em Minas – tem um mesmo coordenador: o deputado Eduardo Cunha.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:43

Lula, a favor da reeleição

  Dos repórteres Denise Rothenburg, Josemar Gimenez e Sílvia Bessa, do ‘Correio Brasiliense’: 
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi procurado pelo PSDB há algum tempo para tratar do mandato presidencial. A proposta era unir PT e PSDB em torno da ampliação do período de quatro para cinco anos e incluir no pacote o fim da reeleição. O relato foi feito ontem pelo próprio Lula, durante entrevista aos Diários Associados, concedida na Biblioteca do Palácio da Alvorada. ?Eu disse ao interlocutor que não queria mais o fim da reeleição, não quero mais o fim da reeleição?, contou. O presidente explica que mudou a opinião porque percebeu que ?para se fazer uma obra estruturante neste país, o sujeito, até fazer o projeto básico, executivo, conseguir a licença ambiental e vencer o Judiciário, já terminou o mandato?. Em quase uma hora de conversa, acompanhado do ministro da Secretaria de Comunicação, Franklin Martins, Lula deixou claro que conversará com Ciro sobre a não candidatura, enquadrou o PT de Minas, dizendo que a prévia para escolher candidato do PT acirrará os ânimos. Afirma ainda ver como certo que Michel Temer será o vice capaz de levar o PMDB para Dilma Rousseff. ?O PMDB é peça importante na aliança nacional?, diz Lula”
                          * * *
Eis a entrevista:
“- O senhor acha que o brasiliense tem o que comemorar hoje nesses 50 anos?
-  O povo de Brasília tem que comemorar. O significado de Brasília como capital não pode ser confundido com os administradores que cometeram absurdos. Muitas vezes, os erros são cometidos porque as pessoas acham que ficarão impunes. Brasília, de um lado, tem que estar de luto, porque aconteceu essa barbaridade, mas, ao mesmo tempo, tem que ter orgulho. É uma cidade extraordinária, que tem crescido muito acima do que foi previsto por Niemeyer e JK. Em alguns aspectos, cresceu um pouco desordenada. Acho até que houve irresponsabilidade em alguns momentos, mas Brasília é isso: tem um lado humano, o Plano Piloto, o centro das cidades satélites, e o lado desumano, daqueles que vivem no Entorno, em situações adversas. Ainda assim, acho que o povo tem que comemorar porque foi uma epopeia o nosso Juscelino cumprir e ter coragem de fazer uma coisa pensada em 1823. Não era fácil tirar a capital do Rio de Janeiro.
- Tivemos uma eleição indireta em que o candidato indicado pelo PMDB ganhou. O senhor acha que ainda cabe a intervenção?
- Essa é uma coisa que depende exclusivamente do Judiciário. Não cabe a um presidente dizer se cabe ou não intervenção. O Judiciário, em função das informações que tem, deve tomar a decisão. Minha preocupação era a paralisação das obras. Não podemos, em função de uma crise política, ver o povo ser prejudicado. No mês passado, pedi para a CGU uma investigação porque era preciso mostrar para a sociedade como estava o andamento de cada obra. No levantamento, detectamos coisas graves, como R$ 300 milhões da saúde depositados numa conta bancária para fazer caixa, quando o dinheiro deveria ser usado para pagar salário de médico, comprar remédio.
- O PT terá uma chapa em Brasília: Agnelo candidato ao governo, Cristovam Buarque (PDT) e Rodrigo Rollemberg (PSB) para o Senado. O senhor fará campanha aqui?
- Primeiro, o presidente da República não defende chapa dentro do PT em cada estado. O presidente geralmente acata aquilo que os companheiros do estado fizeram. Se o Agnelo, como candidato a governador, e a direção do partido entendem que é necessário fazer essa composição para ganhar as eleições, eles que sabem. Agora, nessa chapa toda está faltando um componente, que é o PMDB. Para onde vai? Não sei se o PT do Distrito Federal está conversando com o PMDB, mas acho importante conversar. O PMDB é peça importante na aliança nacional. De qualquer forma, o Agnelo é um homem de muita respeitabilidade, de dignidade incomensurável. Acho que ele irá empolgar os eleitores.
- E, em Minas, cansou, já chegou no limite? Como vai ficar aquilo ali?
- A política seria fácil se as pessoas a percebessem como o leito de um rio: a água desce normalmente se ninguém resolver fazer uma barragem. As coisas em Minas tinham tudo para ocorrer normalmente, sem trauma, sentar PT e PMDB e tentar conversar. Tínhamos e temos chance de ganhar na medida em que o Aécio Neves (ex-governador de Minas) não é candidato e ninguém pode transferir 100% dos votos. De repente, o PT resolve fazer uma guerra interna. Essas guerras não resolvem o problema. As pessoas pensam que podem fazer insultos, provocações e, depois, botar um papel em cima. No PT não volta à normalidade.
- Mas como faz? No momento em que escolhe um candidato a governador, como é que tira?
- Se o PT precipitar as decisões, vai ficar cada vez mais num beco sem saída. A prévia é importante, mas não pode ser usada para resolver problemas que os dirigentes criaram e não conseguem resolver. Se eu criei uma confusão, em vez de resolver, falo: ?Vamos para uma prévia?? Na história do PT já tivemos guerras fratricidas nessas prévias. Minas é um estado importante, interessa muito ao PT, ao PMDB e ao PSDB. É o segundo colégio eleitoral e muito sofisticado, porque você tem a Minas carioca, a Minas Bahia, a Minas Brasília, a Minas São Paulo, a Minas Minas . É preciso trabalhar isso com carinho.
- Minas, pelo jeito, se o senhor não intervir, não resolve.
- Se as pessoas fizeram isso achando que tenho que resolver, não é uma boa atitude. Não sou eleitor de Minas, não estou lá no embate cotidiano. Pimentel e Patrus (pré-candidatos do PT ao governo mineiro) são experientes, conhecem bem o PMDB de Minas. Já deveriam estar conversando entre eles e com o Hélio Costa (pré-candidato do PMDB) para trazer uma solução sem mágoas.
- Por falar em mágoas, e Ciro Gomes?
- Pretendo conversar com Ciro na medida em que a direção do PSB entenda que já é momento. Achei interessante quando ele transferiu o título para São Paulo porque era uma probabilidade. No primeiro momento, houve certa reação do PT, depois todos os quadros importantes passaram a admitir que era importante o Ciro ser candidato a governador de São Paulo. Depois, o PSB lançou o Paulo Skaf. O problema não era dentro do PT. Disse para o Ciro que jamais pediria para uma pessoa ou partido não ter candidato a presidente se não tiver argumento sólido. Ser candidato significa a possibilidade de fortalecer os partidos, mas também a possibilidade de perder uma eleição. Eu estou convencido de que essa deveria ser uma eleição plebiscitária. Fazer o confronto de ideias, programas, realizações.
- E como fica a disputa pelo governo de São Paulo?
- O PT não precisa provar para ninguém que tem 30% dos votos em São Paulo. Precisamos arrumar os outros 20%. Eu disse a Mercadante: ?É preciso que você arrume o teu José Alencar?. O Alencar teve importância para mim que não é a da quantidade de votos, mas da quantidade de preconceito que quebrou. Se um cara com 15 mil trabalhadores na fábrica, a maior empresa têxtil do país, estava sendo meu vice, um cidadão que tinha dois empregados e tinha medo do Lula perdia o argumento. O discurso do José Alencar quebrou barragem maior do que a de Itaipu. O PT de São Paulo precisa arrumar esse Alencar.
- Nesse conceito de vice, Michel Temer não teria esse perfil para a chapa de Dilma?
- Deixa eu contar uma coisa: a Dilma tem cartão de crédito de oito anos de administração bem-sucedida no Brasil. Ela foi uma gerente excepcional. O Temer dará a segurança de um homem que deu a vida pública já de muito tempo, tem uma seriedade comprovada no Congresso e hoje está mais fortalecido dentro do PMDB. Se ele for o indicado pelo partido, dará a tranquilidade de que nós não teremos problemas de governabilidade.
- A oposição já percebeu essa questão da eleição plebiscitária e começou agora a trabalhar com o slogan ?Pode ficar melhor?. Isso muda alguma coisa com relação à candidatura da ministra Dilma?
- Não. Mudaria se eles fizessem a campanha ?pode ficar pior?. Eu acho que eles têm que prometer fazer mais coisas. O que é importante e que me dá prazer de falar desse assunto, com humildade, é o seguinte: eu mudei o paradigma das coisas neste país. Quem não queria enxergar, durante meus oito anos de mandato, vai enxergar já daqui para frente.
- O senhor disse recentemente que se ressentia de não ter feito a reforma política. O Serra disse que, se eleito, proporá os cinco anos de mandato sem reeleição. Como o senhor avalia isso?
- Em política não vale você ficar falando para inglês ver. A história dos cinco anos eles já tiveram. É importante ter em conta que eles reduziram o mandato de cinco para quatro anos pensando que eu ia ganhar as eleições em 1994. Eles ganharam e, em 1996, aprovaram a reeleição. Aí, para tentarem convencer o Aécio a ser o vice, vieram até me propor que, se o PT e o PSDB estivessem juntos numa reforma política para aprovar cinco anos, seria o máximo, a gente aprovaria. Eu falei para meu companheiro interlocutor: ?Olha, eu era contra a reeleição, agora eu quero que tenha a reeleição mesmo se você ganhar, porque em quatro anos você não consegue fazer nenhuma obra estruturante, nenhuma?. Entre você pensar uma grande obra, fazer projeto básico, executivo, tirar licença ambiental, enfrentar o Judiciário, enfrentar o Tribunal de Contas e vencer todos os obstáculos, termina o mandato e você não começa a obra, sabe? Então eu falei: ?Não quero mais o fim da reeleição?.
- Essa conversa aconteceu quando, presidente? Com quem?
- Faz algum tempo. Não, porque era a tese do ex-presidente para convencer o Aécio a ser vice. Então, em política não vale ingenuidade. Ou seja, ninguém vai acreditar que o mesmo partido que criou a reeleição venha querer acabar com ela. É promessa para quem? Ninguém está pedindo isso. Só o Aécio está pedindo.
- O senhor já está trabalhando com a hipótese de o Aécio ser o vice?
- Sinceramente, acho que o Aécio está qualificado para ser o que quiser. Se ele for vice, vai se desgastar. É só pegar o que o Estado de Minas escreveu sobre as divergências de Aécio com Serra para perceber que o Aécio vai colocar muita dúvida na cabeça do povo mineiro.
- O senhor tem uma segurança grande com relação ao partido. A ministra Dilma não veio da base do partido. A preocupação é a seguinte: será que a ministra tem condições de ter um poder sobre o partido? Não será monitorada por ele?
- Não, não existe hipótese, gente. Primeiro porque uma coisa é a relação de respeito que você tem de ter com o partido. Não é uma relação de medo. Eu vou poder ajudar muito mais a Dilma dentro do PT não sendo presidente. Estarei mais nos eventos do PT, estarei participando mais das coisas do PT.
- O senhor acha que vai transferir quanto de sua popularidade para a ministra?
- É engraçado porque as pessoas que acham que eu não vou transferir voto para a Dilma acham que o Aécio vai transferir para o Serra. É engraçadíssimo porque as pessoas olham o seu umbigo o dizem ?o meu é o mais bonito de todos?.
- Mas essa transferência seria automática?
- Não, não seria automática. Não existe um automaticismo em política.
- E o que lhe dá, então, uma segurança tão grande?
- O que me dá segurança é que ao mesmo povo que me dá o voto de confiança há sete anos vou pedir para dar um voto de confiança a Dilma. Vou fazer campanha. Não pensem que vou ficar parado vendo a banda passar. Eu quero estar junto da banda, até porque acho que a campanha da Dilma é parte do meu programa de governo para dar continuidade às coisas que nós precisamos fazer no Brasil.
- Há tempo suficiente para torná-la conhecida em alguns lugares do país, como os grotões do Nordeste?
- Lá eu não vou nem chegar, lá eles são Lula. Lá estou representado. Eu quero ir é aos outros lugares.
- O Nordeste, então, não lhe preocupa?
- Lógico que me preocupa. Não existe eleição ganha antes da apuração, mas o carinho que o povo nordestino e do Norte têm por mim é de relação humana forte. Vou pedir o apoio desses companheiros para a minha candidata e vou trabalhar em outros estados. O meu trabalhar é o sinal mais forte que posso dar à sociedade brasileira de que não estou pensando em 2014. Quando o político é canalha, ele não quer eleger o sucessor. O velhaco quer voltar.
- Essa eleição da Dilma, parece que o senhor tem mais garra com a campanha dela do que com a sua reeleição. É uma questão de honra eleger a Dilma?
- Em política não se coloca questão de honra. É de pragmatismo. Estou muito mais animado com a campanha da Dilma do que com a minha. Meu governo já foi avaliado com a minha reeleição. Ele será biavaliado se eleger a Dilma. Daí a minha responsabilidade.
- Presidente, nesses oito anos o que o senhor olhou para trás e pensou: que pena que eu não fiz isso?
- Uma coisa eu digo: quando eu deixar a Presidência, vou ser uma pedra no calcanhar do PT para que o PT coloque a reforma política como prioridade, com 365 dias por ano falando de reforma política, procurando aliados para a gente fazer. Sobretudo porque eu acho que o fundo público para financiar as eleições, com a proibição de dinheiro privado, seria uma chance que a gente teria de moralizar o país.
- Qual a quarentena que o senhor dará com relação ao futuro governo?
- Não tem quarentena. Pretendo não dar palpite no próximo governo se pedirem alguma opinião (falava de Dilma), porque sinceramente acho que quem for eleito tem o direito de governar e de fazer o que entender que deva ser feito. Depois vai ser julgado. Não cabe a mim julgamento e ficar cobrando, como se fosse ex-marido ou ex-mulher, dizendo como o outro tem de ficar vivendo.
- Em relação ao seu projeto internacional?
- Esse negócio da ONU, vamos ter claro o seguinte: a ONU não pode ter como secretário-geral um político. Tem que ter um burocrata do sistema porque, caso contrário, você entra em confronto com outros presidentes. Vamos melhorar a ONU, mas acho que a burocracia tem de continuar existindo para manter certa harmonia. Eu tenho vontade de trabalhar um pouco a experiência acumulada no Brasil tanto para a África quanto para a América Latina. Não tenho projetos. Só penso agora em terminar o mandato e animar os meus ministros porque vai chegando o fim do mandato e, sabe aquele negócio, vai dando 2h da manhã, você está num baile e já começa a procurar uma cadeira para sentar. Eu quero que todo mundo continue animado e dançando porque eu quero continuar muito bem até 31 de dezembro.
- E o PAC 2? Não vai dar tempo de ser começado, presidente…
- Por que eu tive de fazer o PAC 2? Para facilitar a vida de quem vai entrar depois. Se não quiser fazer, não faça. Foi eleito presidente, tem o direito de pegar tudo, rasgar e não fazer. O que eu quero? Quero deixar uma prateleira de projetos que não recebi. Deixar a estrutura semeada”.

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