• Terça-feira, 23 Outubro 2012 / 0:04

Dirceu: “Não fiz parte, nem chefiei quadrilha”

Nota do ministro José Dirceu sobre sua condenação pelo Supremo:
“Mais uma vez, a decisão da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal em me condenar, agora por formação de quadrilha, mostra total desconsideração às provas contidas nos autos e que atestam minha inocência. Nunca fiz parte nem chefiei quadrilha.
Assim como ocorreu há duas semanas, repete-se a condenação com base em indícios, uma vez que apenas o corréu Roberto Jefferson sustenta a acusação contra mim em juízo. Todas as suspeitas lançadas à época da CPI dos Correios foram rebatidas de maneira robusta pela defesa, que fez registrar no processo centenas de depoimentos que desmentem as ilações de Jefferson.
Como mostra minha defesa, as reuniões na Casa Civil com representantes de bancos e empresários são compatíveis com a função de ministro e em momento algum, como atestam os testemunhos, foram o fórum para discutir empréstimos. Todos os depoimentos confirmam a legalidade dos encontros e também são uníssonos em comprovar que, até fevereiro de 2004, eu acumulava a função de ministro da articulação política. Portanto, por dever do ofício, me reunia com as lideranças parlamentares e partidárias para discutir exclusivamente temas de importância do governo tanto na Câmara quanto no Senado, além da relação com os estados e municípios.
Sem provas, o que o Ministério Público fez e a maioria do Supremo acatou foi recorrer às atribuições do cargo para me acusar e me condenar como mentor do esquema financeiro. Fui condenado por ser ministro.
Fica provado ainda que nunca tive qualquer relação com o senhor Marcos Valério. As quebras de meus sigilos fiscal, bancário e telefônico apontam que não há qualquer relação com o publicitário.
Teorias e decisões que se curvam à sede por condenações, sem garantir a presunção da inocência ou a análise mais rigorosa das provas produzidas pela defesa, violam o Estado Democrático de Direito.
O que está em jogo são as liberdades e garantias individuais. Temo que as premissas usadas neste julgamento, criando uma nova jurisprudência na Suprema Corte brasileira, sirvam de norte para a condenação de outros réus inocentes país afora. A minha geração, que lutou pela democracia e foi vítima dos tribunais de exceção, especialmente após o Ato Institucional número 5, sabe o valor da luta travada para se erguer os pilares da nossa atual democracia. Condenar sem provas não cabe em uma democracia soberana.
Vou continuar minha luta para provar minha inocência, mas sobretudo para assegurar que garantias tão valiosas ao Estado Democrático de Direito não se percam em nosso país. Os autos falam por si mesmo. Qualquer consulta às suas milhares de páginas, hoje ou amanhã, irá comprovar a inocência que me foi negada neste julgamento.

São Paulo, 22 de outubro de 2012

José Dirceu”

  • Quarta-feira, 15 Fevereiro 2012 / 10:13

Delúbio tem livro em sua defesa

      Do repóter Wilson Tosta, do ‘Estadão’:
      “Réu do processo do mensalão, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares intensificou nas últimas semanas sua movimentação nos bastidores em busca de apoio político para enfrentar o julgamento da ação penal sobre o caso que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), previsto para este ano.
Segundo petistas, a postura de Delúbio às vezes incomoda outros acusados – como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu -, que avaliam que uma aproximação poderia prejudicá-los.
Um dos recursos de Delúbio em sua busca por apoio é um caderno de 78 páginas em papel couché, colorido e com ilustrações. Sob o título de A Defesa de Delúbio Soares no STF, o texto, também publicado no site do ex-tesoureiro, reproduz seus argumentos para alegar inocência da acusação de integrar um suposto esquema de compra de votos no Congresso no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com gráficos em cores e citação de Rui Barbosa, o documento, assinado por integrantes das bancas Malheiros Filho, Camargo Lima, Rahal Advogados e Vilardi Advogados, de São Paulo, informa em seu expediente que foi impresso “pelos companheiros petistas de Delúbio Soares”, com tiragem anunciada de 20 mil exemplares.
Delúbio tem percorrido diversos Estados. Há cerca de um ano, reuniu-se no Rio com sindicalistas ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), mas, de acordo com militantes do PT, quase não conseguiu atrair nenhum integrante de destaque do movimento sindical. Em suas investidas no Rio, muitas vezes se encontra com dois ex-membros do governo Lula, Manoel Severino dos Santos, que presidiu a Casa da Moeda, e Marcelo Sereno, ex-integrante da Casa Civil.
Há cerca de duas semanas, Delúbio fez nova incursão no Rio. Terminou seu dia no bar Villarino, no centro, muito frequentado por advogados devido à proximidade com a sede do Tribunal Regional Eleitoral. Um amigo distribuiu cópias da defesa a alguns frequentadores.
Dirceu permanece distante da movimentação de Delúbio, embora mantenha contato com ele. No início do processo, o ex-tesoureiro propôs ao ex-ministro que se defendessem juntos. Dirceu, porém, não concordou, o que gerou mal-estar entre os dois. O ex-ministro procura evitar ser associado publicamente a Delúbio e a outros personagens do escândalo, do qual é um dos personagens centrais.
Na Justiça, aparentemente, prevalece a política de defesas independentes, embora alguns argumentos – como o de que não existiu mensalão – coincidam.
Mesmo no PT, Delúbio ainda é centro de polêmica. Ele foi expulso do partido em outubro de 2005, por decisão do Diretório Nacional da legenda, que aprovou relatório de Comissão de Ética segundo o qual o ex-tesoureiro “extrapolou as deliberações adotadas pela direção nacional, expondo o partido a uma crise política”. Em maio do ano passado, a legenda decidiu refiliá-lo, com apoio do ex-presidente Lula. A votação, porém, foi adiada pelo menos duas vezes e teve discussão tensa até o fim”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:26

Pimentel sofre ataque especulativo

De Renata Lo Prete:
“Embora não exista denúncia do Ministério Público contra Fernando Pimentel (PT), a reportagem da revista “IstoÉ” ligando-o ao empresário Glauco Diniz, por sua vez suspeito de remeter dinheiro a Duda Mendonça no exterior dentro do esquema do mensalão, enfraquece a posição do ex-prefeito de Belo Horizonte no jogo da pré-campanha em Minas Gerais.
Aliados de Pimentel enxergam na denúncia a digital de adversários externos (o peemedebista Hélio Costa) e/ou internos (o ministro Patrus Ananias). A história colhe o ex-prefeito num momento em que Lula já trabalhava para retirar os petistas de cena e fazer de Costa o candidato único do governo no Estado.
Glauco Diniz Duarte, que segundo denúncia do Ministério Público Federal usou sua empresa para enviar dinheiro a Duda Mendonça na época do mensalão, é filho de Haroldo Duarte, dirigente do PDT de Anápolis (GO). Haroldo vem a ser primo do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (PMDB).
O convênio da empresa de Glauco Diniz com a Prefeitura e BH se referia à instalação de câmeras de monitoramento pela capital mineira. Segundo o Ministério Público, o material foi superfaturado, e as notas fiscais saíram de empresas fantasmas”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:26

Relator reclama de perito

De Carolina Brígido, de ‘O Globo’:
“O ministro Joaquim Barbosa, relator do processo que investiga o mensalão do PT no Supremo Tribunal Federal (STF), enviou para a corregedoria da Polícia Federal um documento denunciando o comportamento ?inusitado? do Instituto Nacional de Criminalística (INC) no caso. Segundo o ministro, o policial responsável por periciar as provas estaria criando obstáculos desnecessários para concluir o trabalho, atrasando o andamento da investigação.
O nome do perito não foi citado no despacho. Se a corregedoria concordar com Barbosa, poderá abrir uma investigação disciplinar contra o servidor.
Para concluir uma das perícias pedidas, o INC solicitou ao Supremo notas fiscais emitidas por uma empresa para o Banco do Brasil, junto com a descrição dos produtos adquiridos ou serviços prestados. O ministro pediu informações detalhadas ao Banco do Brasil, que respondeu à Corte. Em seguida, o INC enviou um
ofício ao STF pedindo a mesma informação de forma mais detalhada, incluindo a logomarca da empresa e mais provas de que o banco necessitava dos produtos adquiridos.
O ministro considerou o fato estranho. No despacho remetido ao instituto, demonstrou impaciência.
?Diante do inusitado quadro, oficie-se ao INC para que conclua a perícia requisitada ou justifique, fundamentadamente, a real pertinência e necessidade de mais essa documentação complementar, tendo em vista, sobretudo, o fato de que a solicitação de documentação feita inicialmente, apesar de estranha, já foi
atendida?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:58

“Dilma: consequencia do PT fragilizado”

Do repórter Valdo Cruz, da ‘Folha’:
“De saída do cargo, o ministro Tarso Genro (Justiça) avalia que o presidente Lula escolheu sozinho Dilma Rousseff candidata porque havia um “vazio” no PT, que estava “fragilizado” pelo mensalão. Não fosse isso, o partido “no mínimo faria uma negociação com o presidente”, que “agiu corretamente”.
Candidato ao governo do Rio Grande do Sul, o petista diz que a eleição de Dilma para suceder Lula não é “garantida”, mas aposta que ela é competitiva. Rival político da mineira radicada no Sul, o ministro diz não ser adversário dela, com quem chegou a cogitar disputar a indicação de Lula -nunca “seriamente”, afirma.
Tarso relativiza a suposta falta de carisma da chefe da Casa Civil ao analisar os adversários: “Veja o Serra. Não diria que ele é propriamente uma miss simpatia. O Ciro tem às vezes respostas bastante duras”. Questionado se há garantia de que o mensalão não se repetirá, o chefe da Polícia Federal responde: “Nenhuma”, e defende a reforma política.
Sobre a mais recente polêmica em que se envolveu, a discussão sobre a Lei da Anistia, ele insiste que ela não se aplica aos torturadores, mas lembra que sua pasta deixou de liderar o debate por ordem de Lula. A seguir, trechos da entrevista feita ontem em Brasília.
A ENTREVISTA
- O sr. comandou duas áreas, Segurança Pública e Educação, que, ao fim do governo, deixam a impressão de que não decolaram. Sai com um sentimento de fracasso?

- Pelo contrário, saio com a sensação de dever cumprido. Posso dar exemplos. Na Educação, a implementação do Fundeb, do ProUni, da ampliação do ensino superior, de um programa revolucionário de escolas técnicas, tudo ancorado no trabalho que eu e o Fernando Haddad planejamos.
- E na Segurança, uma das áreas com pior avaliação?
- Coisa que começou a mudar com essa última pesquisa, nessa semana. Pela primeira vez, as pesquisas mostram que a sensação de segurança começa a melhorar no país.
- O governo demorou a acordar para essa área?
- Em primeiro lugar, a situação da segurança pública é mais complexa num país como o Brasil. Em segundo, as condições preparatórias para que a União começasse a intervir nesse processo foram realizadas de forma muito lenta. Em terceiro porque não havia uma confiança nessas relações federativas, que seriam produtivas.
- Além dessas duas áreas, o sr. atuou também na coordenação política. Nesse setor, o presidente Lula não rompeu com uma prática antiga de distribuição de cargos, classificada de fisiologismo. Por que ele não quebrou esse paradigma?
- Esse paradigma só vai ser quebrado com uma profunda reforma política. Se não a fizermos, o próximo governo vai padecer dessas limitações e essas práticas vão continuar.
- Não faltou vontade política ao presidente para essa reforma?
- Faltou vontade não do presidente, mas do governo. O governo é um sistema complexo de relações de poder.
- O PT, ao contrário do que pregava quando na oposição, adotou uma política de aparelhamento do Estado, como classificado pela oposição. Por que esse modelo?
- Acho uma premissa falsa de origem. Porque um partido que ganha as eleições tem o dever político de ocupar os cargos de confiança para tocar a administração pública. O que existe no Brasil, na verdade, não é uma prática inaugurada pelo PT, mas um excesso de cargos disponíveis para serem designados por nomeação.
- Mas não seria ideal ter uma redução desses cargos em busca de uma máquina mais estável? – Sim, estou de acordo, isso é necessário, mas também essa reforma estrutural do Estado brasileiro só será possível com outro sistema político.
- Qual foi o pior momento do governo Lula?
- Aqueles primeiros dois anos, no chamado mensalão. Um momento muito difícil.
- Como garantir que aquele episódio não volte a ocorrer?
- Nenhuma garantia, esses episódios voltarão a ocorrer. Em maior ou menor grau, essas debilidades irão aparecer em quaisquer governos, porque os problemas que ocorreram ali têm origem nas movimentações políticas tradicionais, fisiológicas ou regionais. Por dentro desse processo ocorrem ou não ilegalidades. Frequentemente ocorrem.
- Inclusive no PT?
- Eu acho que no PT vai diminuir bastante a taxa de tradicionalização da política, em função da experiência pelo próprio mensalão. Acho que o PT aprendeu ali uma dura lição.
- A direção daquele momento está voltando agora ao poder no PT, como o ex-ministro José Dirceu. Isso é bom para o partido?
- Acho normal que isso aconteça, até porque são pessoas com currículo político antigo na formação do partido, na história política do país. É natural que voltem. E não foram julgadas nem condenadas, no Brasil não há morte civil, essas pessoas têm direito de voltar à atividade política, por mais divergências que eu possa ter, o que não me impede de conviver com elas no partido.
- A escolha da ministra Dilma como candidata a presidente, feita exclusivamente por Lula, sem prévias, não foi um retrocesso na linha de democratização do PT?
- Ocorre que o partido estava fragilizado em função daqueles acontecimentos. Tinha de ter alguém que tivesse um mandato subjetivo do partido para isso. E foi isso que o Lula fez, num vazio de vida partidária, apresentou a candidatura da Dilma como de composição, que não permitisse que os grupos políticos passassem a disputar a indicação. Acho que o Lula agiu corretamente porque havia um vazio de capacidade decisória sobre o assunto.
- Mas a escolha de uma candidata sem tradições no partido, a imposição de uma neófita no PT…
- Neófita no partido, mas uma antiga companheira da esquerda.
- Se fosse um outro momento, teria sido diferente?
- Se o partido não tivesse passado por aquela crise, obviamente teria sido um sujeito político muito mais ativo na escolha. No mínimo, faria negociação com o presidente, que não teve condições de fazer.
- Como é ter uma antiga adversária disputando a Presidência pelo seu partido?
- Nunca olhei a Dilma como adversária. Ela foi do PDT no Rio Grande do Sul e a conheço há 30 anos. Fomos até vizinhos, inclusive convivíamos, não cotidianamente, no meio da esquerda durante o regime militar. Sempre tivemos uma relação muito boa.
- O sr. foi cotado para ser o candidato do PT, disputando a indicação com a ministra Dilma. Não ter sido frustra o senhor?
- Nunca seriamente, porque nunca fui maioria dentro do partido. Para ser candidato, teria de ser indicado pelo presidente ou maioria dentro do partido, ou as duas coisas, de preferência. Ser indicado pelo presidente não seria, porque a minha principal oposição política vem de São Paulo, onde é a base do presidente. A indicação do presidente poderia causar um confronto dentro do partido, o que a Dilma não causa.
- A eleição está garantida?
- Não, não é eleição garantida. Dilma é uma candidata altamente competitiva e sua vitória dependerá de dois fatos: a capacidade de transmissão de votos do presidente, e o seu desempenho no diálogo político com a sociedade, no debate com adversários. Acho que esses requisitos serão preenchidos e ela tem grandes possibilidades de ganhar a eleição.
- Ela nunca disputou eleição e é vista como sem jogo de cintura, pouco simpática. Essas características podem prejudicá-la?
- A Dilma já tem demonstrado uma capacidade enorme de reorganizar seu diálogo político não só dentro do PT, mas também com a sociedade. Todos os candidatos têm dificuldades. Veja o candidato Serra, forte e respeitado. Não diria que ele é propriamente uma miss simpatia. O Ciro, sabemos que tem às vezes determinadas respostas bastante duras, que o fazem chocar com o senso comum.
- Os três candidatos são duros, incisivos…
- Não gosto muito dessa expressão, porque pode parecer ofensiva, mas [eles] não despertam imediatamente uma grande empatia em qualquer setor da sociedade, como desperta o presidente Lula.
- A Secretaria de Direitos Humanos propôs uma revisão da Lei da Anistia, e o sr. foi a favor. Por que só agora? Faltou coragem para tratar desse tema antes, pela crise militar que poderia desencadear?
- Na verdade não se trata de revisão. Essa palavra, revisão, foi colocada por pessoas que não querem que a lei seja interpretada de maneira adequada. E cria a ilusão que se quer modificar a lei para atingir militares, o que não é verdade. Porque aqui, no Brasil, as corporações militares, ao contrário da Argentina, não estiveram envolvidas em repressão massiva em qualquer momento do país. Participaram dos combates no Araguaia, mas aquilo é combate militar, não é repressão política nos porões como ocorreu em alguns locais mais fortemente. O que está se tratando é se essa lei anistiou os torturadores. A Lei da Anistia é política, e esses não cometeram delitos políticos.
- O presidente pediu para tirar esse tema da pauta?
- Não, o presidente pediu -e eu obedeci, sou um ministro disciplinado- que não fizesse essa discussão a partir do ministério, mas nas universidades, nas ruas, nas ONGs”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:57

Cabral quer demitir Sereno

  Sergio Cabral está mesmo apavorado com a sua reeleição.
Veja a reportagem que o governador conseguiu publicar na ?Isto É? que está nas bancas.
?Enquanto em Brasília o PT e o PMDB fazem juras de amor e tentam acertar a aliança em torno da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República, o relacionamento entre os dois partidos no Rio de Janeiro assume contornos beligerantes. A guerra aberta entre PT e PMDB no Rio envolve uma das mais tradicionais empresas do Estado, a cinquentenária refinaria de Manguinhos. Ex-estatal, privatizada no governo Fernando Henrique Cardoso, Manguinhos agora está nas mãos do ex-secretário Nacional de Comunicação do PT Marcelo Sereno, um dos citados pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) no escândalo do Mensalão e nas denúncias que derrubaram da Casa Civil Waldomiro Diniz, braço direito do então ministro José Dirceu. Além de ser o presidente da Grandiflorum, holding controladora de Manguinhos, com salário de R$ 10 mil mensais, Sereno aparece no banco de dados da Serasa como sócio do empresário João Manuel Magro na empresa que assumiu o controle da refinaria numa polêmica operação que envolveu a transferência das participações da petroleira espanhola Repsol e da família Peixoto de Castro para o grupo Andrade Magro, de São Paulo.
Conforme apurou ISTOÉ, Sereno foi nomeado presidente da Grandiflorum em 28 de novembro de 2008, 18 dias antes de a refinaria Manguinhos ser adquirida. Sereno tenta diminuir sua importância na empresa. Alega que é “apenas” presidente. Atribui a um erro do Serasa o fato de figurar como sócio do grupo. Equívoco ou não, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), está preocupado com o poder exercido por Sereno em Manguinhos. Enxerga uma grande jogada do PT, comandada por Dirceu, para fortalecer a candidatura ao governo do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias. Isso criaria obstáculos para as pretensões do PMDB de reeleger o governador. Mas Cabral reagiu. Mandou a Secretaria da Fazenda promover uma operação de recadastramento de empresas que operam no ramo de distribuição de combustíveis. Também acusou Manguinhos de utilizar em 2002 o regime especial tributário para gerar uma perda de R$ 600 milhões nos cofres do Rio. E entrou com ação na Justiça contra a refinaria. Cabral pode ir além.
Está ao alcance do PMDB uma fita, hoje em poder de um empresário do mercado financeiro, que comprovaria o envolvimento de Sereno no Mensalão.
A gravação jogaria uma pá de cal na candidatura do petista à Câmara dos Deputados em 2010.
O PMDB fluminense acredita que pelo menos uma parte desses R$ 600 milhões vai engordar o caixa das campanhas petistas no Rio, especialmente a do próprio Sereno e a de Farias. Trabalhando intensamente por sua candidatura, Sereno espera ter destino diferente de seus ex-colegas de PT, o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o ex-secretário-geral do partido Silvinho Pereira. Desligados do PT, ambos não conseguiram legenda e viram frustrados seus desejos de retornar à cena política em 2010. Nos últimos dias, Cabral fez chegar sua preocupação ao Palácio do Planalto.
Os assessores de Lula responderam que não acreditam na utilização eleitoral dos recursos de Manguinhos. E disseram ainda que apostam num acordo eleitoral envolvendo o próprio Cabral, Farias, Dirceu e Sereno. Mas o desejo de Cabral é deixar Sereno ao relento – sem o guarda-chuva de Manguinhos?.
Apenas um detalhe: Marcelo Sereno não é um dos 40 réus no processo que ficou conhecido como Mensalão.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:49

Dilma falou e disse

Dilma Rousseff depôs ontem, na Justiça, como testemunha do processo que apura a existência, ou não, do que ficou conhecido no país como mensalão.
A ministra negou a prática, e disse à juíza Pollyana Kelly Martins Alves, da 12ª Vara Federal:
  – Acho que (José) Dirceu foi uma pessoa injustiçada, se quer minha opinião. E também tenho por Dirceu grande respeito.
Dilma falou o que deveria dizer. E ponto.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 22:01

“Muito além do mensalão”

Artigo do jornalista Janio de Freitas hoje na ‘Folha’ analisando o escândalo porque passa o Senado:

“Ainda longe de saber-se até onde vão as práticas transgressoras no Senado, as revelações iniciais já permitem deduzir que se trata de ocorrência mais grave do que o mensalão que assolou a Câmara.
Primeira distinção, e essencial, é que o mensalão se movimentou em torno de dinheiro, de fora para dentro da Câmara. Proveniente de corruptores para deputados e, ao que alegaram alguns, para caixas partidárias de campanha. Como mecanismo -compra de apoios e decisões do âmbito oficial-, um episódio de corrupção convencional, apenas diferenciado pela aparência de cume dos abusos no e contra o Congresso. Não fosse a proporção, nem como corrupção parlamentar seria novidade.
A devassidão no Senado não tem, em sua essência, ativadores externos, não tem dinheiro privado nem se destina a produzir apoios e decisões favorecedoras em âmbito oficial. Tudo começa e se completa no organismo do Senado. O dinheiro transferido aos beneficiados -seja como emprego impróprio, em vencimento exorbitantes, nas comissões com superfaturamentos e concorrências, nas falsas horas extras, passagens, e o que mais for -é dinheiro dos cofres públicos. Incluído no Orçamento da União pelo próprio Senado e a ele repassado a título de custear a sua função institucional.
Outra diferença está em que o mensalão se moveu na relação direta entre corruptores e parlamentares recebedores, sem a interferência de procedimentos da Câmara. As irregularidades e ilegalidades no Senado só puderam existir porque frutos de um sistema de integração e de fins composto pela direção superior, representada nas Mesas Diretoras, e por sua subordinada direção administrativa da Casa.
Ainda uma distinção agravante para o Senado: a Câmara suplantou a feroz resistência do governo e do PT e criou a CPI para apurar, com resultados incompletos mas nada desprezíveis, os processos e envolvimentos do mensalão. No Senado, a regra geral é a dos escapismos variados, desde uma proposta miúda à de “uma reforma total”, restrita a essa expressão vaga e banal.
Não é, como se tem dito, uma crise que acomete o Senado, algo que irrompe e se desdobra rumo a um fim. É uma instituição na instituição, um sistema vasto e de longa duração que se começa a desvendar.
Esta é a peculiaridade e a gravidade maior: o Senado tornou-se a sua devassidão. E só ele pode refazer-se, como o regime democrático necessita que faça”.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 20:30

Reconhecimento do Procurador

Antonio Fernando Barros e Silva de Souza, o procurador-geral da República, está se despedindo depois de quatro anos no cargo. Durante sua gestão, ele  instaurou 141 inquéritos, o que corresponde ao triplo da média de seus antecessores.
No primeiro mandato de dois anos, tornou réus 40 pessoas acusadas de integrar o esquema do que ficou conhecido como ‘mensalão’. O procurador denunciou alguns amigos do Presidente da República, que mesmo assim o reconduziu ao cargo.
Na entrevista dada a Alan Gripp, da ‘Folha’, o procurador diz hoje que não se supreendeu com o fato de Lula o ter reconduzido ao cargo:
- Não me surpreendi. Mas revelou uma grandeza. [Ele] não misturou sentimentos que possa ter de natureza partidária com o comportamento de uma autoridade que tem a missão de tomar uma providência. Não se pode viver na gestão da coisa pública de vinganças.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 19:52

Sessão da tarde

A audiência amanhã da TV Justiça, a partir das 14 horas, promete  bombar.
Na pauta do Supremo, três julgamentos polêmicos:
1. Mensalão
2. Caso Sean
3. Diploma de Jornalista
No caso Sean, que o STF chama de caso Goldman, pai biológico do menino, a Advocacia Geral da União (AGU) pediu para intervir como terceiro interessado.
O juiz da 16ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro havia determinado que Sean fosse entregue ao Consulado dos EUA, às 14h de quarta feira passada, mas a sentença teve efeito suspensivo a pedido do Partido Progressista e por decisão do ministro Marco Aurélio Mello.
Só nos Estados Unidos, existem cerca de 40 crianças brasileiras, seqüestradas pelo pai ou pela mãe, e que aguardam sentença para o retorno ao Brasil.

Copyright © 2010. Todos os direitos reservados.