• Quarta-feira, 29 Fevereiro 2012 / 8:20

Notas paulistas

       Deu na ‘Folha’:
       “A senadora petista Marta Suplicy criticou ontem a maneira como o PT vem conduzindo o “processo eleitoral de São Paulo” e afirmou que o partido errou ao iniciar negociações com o prefeito Gilberto Kassab (PSD) para as eleições municipais de outubro.
“É preciso reconhecer que erramos. Fomos precipitados”, afirmou em sua página no Twitter. Sem citar Kassab, a senadora condenou o fato de o PT ter ficado “flertando com adversário enquanto nossos tradicionais aliados migraram para o lado deles”.
Marta, que se colocava como pré-candidata do PT à prefeitura até o final do ano passado, desistiu da candidatura em favor de Fernando Haddad, após ser pressionada pelo ex-presidente Lula”.
                                      * * *
“Disposto a sobreviver à polarização PT versus PSDB, o pré-candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, deputado Gabriel Chalita, fez ontem duros ataques ao tucano José Serra e prometeu uma campanha crítica ao governo Kassab.
Chalita tocou numa ferida de Serra: lembrou que, na eleição de 2004, o tucano prometeu concluir o mandato, mas deixou o cargo menos de dois anos depois.
“Não muda nada a candidatura Serra. Até porque sempre trabalhei com a hipótese de que seria candidato. Serra faz exatamente oposto do que diz. Ele disse que não sairia da prefeitura e saiu”, alfinetou Chalita.
Ex-tucano, ele acusou Serra de adotar “a política de subsolo” na disputa contra Dilma Rousseff. “O que Serra fez na campanha [de 2010] foi muito sujo [...] Se ele persistir nesse estilo de política, do subsolo e da intriga, vai ser ruim para ele”, atacou”.
                                     * * *
“Adversários na corrida pela prefeitura paulistana, José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) se encontraram pela primeira vez na pré-campanha anteontem à noite.
Durante jantar de aniversário do presidente do PC do B, Renato Rabelo, em um restaurante na capital, o tucano e o petista falaram de futebol e posaram para fotos.
Palmeirense, Serra previu que o São Paulo, de Haddad, será o principal rival de seu time na atual temporada. O ex-governador foi levado ao evento por Gilberto Kassab (PSD), a convite do ministro Aldo Rebelo (Esporte). O ex-ministro José Dirceu observou a conversa à distância”.

  • Quinta-feira, 02 Fevereiro 2012 / 7:06

Marta continua vice do Senado

    Do repórter Márcio Falcão, da ‘Folha’:
    “Para assegurar a participação da senadora Marta Suplicy (PT-SP) na campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo, a bancada do PT no Senado quebrou ontem um acordo que estabelecia rodízios de cargos de comando na Casa.
Preterida pelo partido para a disputa municipal, Marta ficará por mais um ano na vice-presidência do Senado.
O entendimento fechado no início do ano passado era para que ela entregasse o posto a José Pimentel (CE), que agora continuará como líder do governo no Congresso.
Um dos principais nomes do PT em São Paulo, Marta foi a candidata da legenda à prefeitura nas três últimas eleições, mas tem ficado distante de Haddad.
A manutenção da senadora contou com movimentos do ex-presidente Lula, padrinho político de Haddad. Pimentel foi a São Paulo na segunda-feira e teria falado com emissários do ex-presidente.
Ontem, no encontro da bancada, o senador disse que não cobraria de Marta o cumprimento do acordo já que isso dependeria de um “ato de vontade” da senadora, que mostrava resistência.
A Folha apurou que Marta teria reconhecido que perder a indicação para a prefeitura provocou um desgaste político e pediu compreensão dos colegas.
A senadora nega que tenha negociado a permanência na Mesa Diretora em troca de engajamento na disputa paulista. Para ela, não faz sentido as críticas de que tem desfalcado a campanha de Haddad.
“É uma cobrança prematura. Na hora que começar a campanha, eu estarei”.

  • Sábado, 21 Janeiro 2012 / 10:50

O amor é lindo!

                                          Marta Suplicy*

       Coloque um monte de jovens -homens e mulheres- com pouca roupa, jogos e brincadeiras que propiciem tensão e esfrega-esfrega, menos camas do que participantes (esta eu achei incrível!), muita bebida, diversão suficiente para descontrair, intrigas para algum suspense e você tem o “BBB”. Acrescente
uma busca e seleção de personagens em escala nacional com promoção de mídia, todos com perfil para o enredo ter o mix mais picante e consegue-se a garantia de boa audiência, um pornô palatável, pois os que gostam se deliciam e os que desprezam passam longe e não criam confusão.
Até que das redes sociais ouvimos um grito de protesto. Este, agora, seguido por várias instituições que exigem apuração e questionam os procedimentos no programa. Duas novidades importantes: as redes sociais fizeram diferença e a questão da violência contra a mulher entrou na pauta!
A falta de intimidade, as dificuldades nos relacionamentos ditadas pela competitividade, o estresse, o cotidiano das cidades, a ruptura de laços familiares, tudo colaborou para uma enorme vontade de pertencer, saber mais (de longe) sobre o outro. Acrescente a curiosidade gerada por este mundo novo, fruto das mudanças dos anos 60, e dá para entender o surgimento do “An American Family”, no ano de 1973, que precedeu as variações que hoje temos. Falou-se então de divórcio e homossexualidade.
O desejo por mais adrenalina, a exploração cada vez maior da sexualidade, o prazer sádico, as alternativas pobres de entretenimento, somadas à contínua tensão deste mundo globalizado, onde cada vez mais cada um é mais por si e sozinho, levaram ao que temos hoje.
Não teríamos coisas mais interessantes do que estarmos aqui discutindo esse programa? Creio que sim. Mas o suposto estupro -negado pelos participantes do “BBB”, assim como foi ignorada pelos editores a vulnerabilidade da moça alcoolizada-, além de desencadear uma discussão sobre a adequação e a ética
dos responsáveis pelo “BBB”, trouxe visibilidade a uma forma de violência pouco denunciada e que defendo revisão.
Há meses, apresentei um projeto de lei ao Senado que recria o tipo penal do “atentado violento ao pudor”. Isso porque depois de uma mudança de lei, em 2009, passou-se a considerar também como estupro atos libidinosos.
As condenações por tais atos diminuíram em virtude de os juízes ficarem constrangidos em dar penas tão severas por ato que consideram não tão grave quanto o estupro. O novo projeto mantém a pena de reclusão de seis a dez anos, em caso de estupro, e pena de dois a seis anos de reclusão, quando ocorrer o atentado violento ao pudor.
O amor é lindo, como disse Pedro Bial olhando a movimentação debaixo do edredom. Mas passa longe do “BBB”.
*Marta Suplicy é senadora e escreve para a ‘Folha’.

  • Sexta-feira, 20 Janeiro 2012 / 10:59

PT quer manter Marta na vice do Senado

    Da repórter Raquel Ulhôa, do ‘Valor’:
    “O PT está empenhado em manter a senadora Marta Suplicy na primeira vice-presidência do Senado, caso não seja acomodada no ministério. A seção paulista do PT avalia que precisará do envolvimento total de Marta na campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo e teme que, se estiver acuada por sucessivas derrotas no partido, ela tenha reações prejudiciais à candidatura petista.
Marta foi preterida pelo comando do PT na escolha do candidato a prefeito, depois que Haddad foi ungido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A partir daí, ela tinha expectativa de ir para o ministério, mas a presidente Dilma Rousseff não dá sinais nesse sentido. Tirá-la da vice-presidência e deixá-la sem espaço pode ser uma jogada de alto risco para a candidatura de Haddad. Petista com maior projeção e votos na capital paulista, a senadora é independente no partido e sua atuação é incontrolável à cúpula. “Tirar tudo dela é cutucar onça com vara curta”, diz um petista.
A cúpula petista busca uma saída política para defender a permanência de Marta na vice-presidência,
evitando um racha na bancada. O problema é que o senador José Pimentel (CE) quer ocupar o cargo e cobra cumprimento de acordo de rodízio feito entre ele e Marta há um ano, em reunião da bancada, com aval do então presidente do partido, José Eduardo Dutra.
Um dos argumentos apresentados por dirigentes petistas é a questão de ordem levantada pelo líder do DEM, Demóstenes Torres (GO), que considera inconstitucional o revezamento. Depois de analisar o assunto, o partido teria concluído o questionamento procede e que o acordo não tem amparo regimental ou constitucional.
“A Constituição prevê que o mandato dos ocupantes da Mesa Diretora é de dois anos. A pessoa pode renunciar, mas não pode fazer um acordo para que essa renúncia se dê daqui a um ano para que um outro assuma, violando a Constituição Federal”, afirmou Demóstenes em 1º de fevereiro de 2011, dia da eleição dos dirigentes do Senado. Com base nas notícias do acordo de rodízio entre petistas, o demista disse que caberia até representação por quebra de decoro parlamentar contra os envolvidos.
A favor da permanência de Marta, aliados dela apresentam outros argumentos. Um deles é o fato de Pimentel ter sido nomeado líder do governo no Congresso. Se for deslocado para a Mesa, ocupará dois cargos expressivos nos dois primeiros anos do mandato. Além disso, petistas de São Paulo dizem que Dilma gostou do desempenho de Marta na vice e teria manifestado que sua permanência é importante para o governo.
Alguns petistas temem que a disputa entre Marta e Pimentel traga à tona conflitos entre correntes internas do PT na bancada. Pimentel integra a Construindo um Novo Brasil (CNB), a mesma corrente de Lula. Marta não é alinhada a nenhuma tendência e teve apoio de petistas independentes quando concorreu com Pimentel pela indicação à vice.
O receio é que essa queda de braço contamine a disputa pela liderança. O pernambucano Humberto Costa, da CNB, deixa a função, que está sendo disputada por Wellington Dias (PI), também CNB, e Walter Pinheiro (BA), da corrente petista Democracia Socialista (DS). Na bancada de 13 senadores, seis integram a CNB, cinco são independentes, um é da DS e um, da Articulação de Esquerda”.

  • Terça-feira, 17 Janeiro 2012 / 17:34

Mercadante quer sucessor técnico

    Da colunista Renata Lo Prete, no Painel da ‘Folha’:
    “Na conversa que teve com Dilma na semana passada, Aloizio Mercadante sugeriu três nomes para sua sucessão na Ciência e Tecnologia. O preferido do petista é o físico Marco Antonio Raupp, atual presidente da Agência Espacial Brasileira e ex-SBPC.
O PT paulista fez chegar a Dilma o pleito em favor do retorno de Marta Suplicy à Esplanada, o que daria ao PR outra vaga no Senado e aproximaria a sigla de Fernando Haddad. Até ontem, a senadora não havia recebido sondagem formal”.

  • Sábado, 14 Janeiro 2012 / 11:43

Aquele beijo

                                         Marta Suplicy*

        Em entrevista à Mônica Bergamo (“Arrasa, bii!” 8/1), Marcelo Serrado, o inverossímil humilhado personagem gay da novela “Fina Estampa”, diz que acha “chato” personagem gay que levanta bandeiras e que não gostaria que sua filha visse um beijo gay na TV.
Em relação à dramaturgia, qualquer pregação é insuportável. Mas é possível fazer uma boa obra que eduque e combata preconceitos, como fez Gilberto Braga na novela “Insensato Coração”.
Com um desenrolar didático e dramático da questão homofóbica, ele mostrou a dor e o sofrimento de quem é perseguido por ser do jeito que nasceu, as consequências violentas do preconceito e as dificuldades em superá-lo. Ajudou mais que qualquer campanha.
Sobre o beijo, o preconceito homofóbico introjetado é supercomum e passa batido para a maioria das pessoas. Acredito que Marcelo Serrado não se veja como homofóbico, tampouco tenha consciência de que o seu divertido e irreverente personagem Crô possa trazer como consequência danosa para a imagem e a
autoestima de homossexuais. E menos ainda para o incentivo, o desencadeamento de violência, o deboche e as humilhações de toda ordem.
Como tantos que respeitam, acolhem, têm amizade, mas não têm noção do preconceito que abrigam “dentro do armário”, como disse Alexandre Vidal Porto em instigante artigo (“Marcelo Serrado, o equivocado”), raramente essas pessoas ficam à vontade frente à demonstração de afeto explicitado por um casal gay.
O verniz civilizado cai frente à demonstração inequívoca do diferente, do aprendido como errado e do que a sociedade esconde a não ser para caricaturar ou pregar o “pecado”.
Com o desconforto, aparecem as explicações que não elucidam nada além do preconceito: “poderiam fazer isso reservadamente”, “aqui não é o lugar próprio”, “crianças não deveriam assistir cenas como essas”.
Por que o que não constrange no comportamento afetivo hétero provoca outra reação quando se trata de um homossexual? Pelo mesmo motivo que o comportamento hétero também pode incomodar quando vai além do que cada um acredita adequado. E cada pessoa tem a sua medida, o seu parâmetro e seus adereços
preconceituosos, que são construídos desde a mais tenra infância pela cultura à qual pertence, pelos exemplos familiares, seus valores e preconceitos. Podem mudar no decorrer da vida? Sim, podem. Com consciência e esforço do que desejamos ser. Às vezes, sobra aquele beijo.
*Marta Suplicy é senadora e escreve para a ‘Folha’.

  • Segunda-feira, 26 Julho 2010 / 11:08

Gonzalez de Serra, Santana de Dilma

    A ‘Folha’ de hoje publica os perfis dos marqueteiro das principais campanhas presidenciais: Luiz Gonzalez, de José Serra; e João Santana, de Dilma Rousseff.
Vamos a eles. 
                    * * *
   De Catia Seabra:
“Tomada 1. 28 de junho. Em meio à crise para a escolha de um vice, o presidente de honra do DEM, Jorge Bornhausen (SC), procura Luiz Gonzalez, coordenador de comunicação da campanha de José Serra à Presidência.
“Você acha que é possível vencer a eleição sem três minutos e meio da TV?”, pergunta Bornhausen, numa alusão ao tempo do DEM.
“Não”, admite o jornalista.
“Então, deixo 50% das minhas apreensões com você”, reage o democrata.
Duas horas depois, Bornhausen é recebido por Serra em sua casa.
Tomada 2. Madrugada do dia 30. Reunido com aliados para avaliar uma alternativa a Álvaro Dias (PSDB-PR), Serra abre o e-mail:
“Gonzalez considera o Indio da Costa uma boa alternativa”, comenta.
Naquela tarde, Indio é anunciado vice de Serra.
Descrita por um dos participantes da reunião, a cena dimensiona a influência de Gonzalez sobre o candidato.
Com sua indefectível camisa Lacoste, é consultado sobre tudo: da agenda à elaboração dos discursos.
Na campanha, controlará R$ 50 milhões. Essa concentração de poder -até geográfica- desperta tanto incômodo no mundo político que chegou a ser objeto de bombardeio em reunião promovida pelo ex-presidente FHC.
Excluídos, tucanos insistem para que Serra amplie o núcleo de decisões. Debitando a derrota de 2006 também na conta de Gonzalez, o acusam de centralizador.
Para amigos, uma fama tão injusta como é para Serra.
Numa clara resposta, Gonzalez convidou o publicitário Átila Francucci para direção de criação da campanha.
Mas, avesso à interferência na comunicação, é capaz de fugir do escritório se informado que uma missão política está a caminho.
Até para escapar do rótulo de conservador, renovou a estrutura da campanha. Mas é amparado numa equipe de 20 anos que busca organizar a rotina de Serra.
Dono de temperamento forte e raciocínio rápido, aproximou-se de Serra em 2004, na disputa contra Marta Suplicy. Em campanha, adapta o relógio biológico ao do notívago Serra.
Fora da temporada eleitoral, foge de exposição pública. Prefere pilotar sua moto até o litoral norte de São Paulo. Além da casa em Maresias, outro destino é Madri, onde aluga um flat. Em São Paulo, vive num apartamento de 700 metros quadrados.
Jornalista, com passagem pela TV Globo, estreou no marketing político na disputa presidencial de 1989, integrando a equipe de Ulisses Guimarães. Foi em 1994, com a eleição de Mário Covas, que chegou ao mundo tucano.
Sócio da produtora GW, já investiu numa empresa de busca pela internet. Quebrou. Com a fundação da Lua Branca -desde 2006 em nome dos filhos- experimentou seu maior salto.
Nascida em meio andar de um prédio, a agência é responsável por três contas do governo de São Paulo, com contratos que somam até R$ 156 milhões ao ano. Em 2008, registrou um lucro líquido de R$ 8,9 milhões.
Gonzalez evita aparições. Com humor mordaz, costuma minimizar o papel do marqueteiro em campanha. “Infelizmente, candidato não é sabonete.”
                    * * *
   De Ana Flor:
“11 de agosto de 2005. Horas depois de o marqueteiro do presidente Lula em 2002, Duda Mendonça, admitir à CPI dos Correios ter recebido dinheiro de caixa dois do PT em paraísos fiscais, o telefone do ex-sócio de Duda, João Santana, toca. O publicitário está no interior da Argentina, numa campanha local.
Do Brasil, o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, expõe o pedido do presidente para que Santana vá a Brasília. A suspeita de envolvimento de Lula no mensalão atingira seu auge.
24 de agosto. Santana entra no Palácio da Alvorada e encontra um Lula abatido. Na conversa, avaliam que o pronunciamento presidencial de dias antes fora um desastre. Santana o convence a fazer uma nova fala, desta vez em 7 de Setembro. Seria o primeiro texto sob a influência do novo marqueteiro.
Nas semanas seguintes, pesquisas nas quais Santana sempre calcou seu trabalho mostrariam que a saída da crise estava no apoio dos movimentos sociais. É o embrião do “Mexeu com Lula, mexeu comigo”.
A lealdade durante a maior crise de Lula, enquanto companheiros históricos de partido claudicavam, fez do baiano de 57 anos uma das pessoas mais próximas do presidente. Eles se falam quase todos os dias e jantam uma vez por semana.
Depois de fazer a campanha que reelegeu Lula, Santana recebeu do presidente a missão de pilotar um de seus maiores desafios: eleger ao Planalto sua pupila e novata nas urnas Dilma Rousseff.
A ligação de Santana com o PT é anterior à publicidade. Como jornalista da “Isto É”, em Brasília, no início dos anos 90, foi um dos autores da reportagem com o motorista Eriberto França, que ajudou na queda de Fernando Collor em 1992. Foi em sua casa, por exemplo, a reunião com congressistas do PT e de outros partidos de esquerda para sabatinar Eriberto. Ganhou o Prêmio Esso.
No início dos anos 2000, sócio de Duda, o publicitário se aproxima de Antônio Palocci numa campanha em Ribeirão Preto. Acaba como ponte entre Duda, tachado de malufista, e o PT. Às vésperas da campanha de Lula em 2002, os dois baianos romperam a sociedade.
Até ser chamado por Lula, em 2005, se dedica a campanhas na Argentina. Pelas mãos de Lula, fez a vitoriosa campanha de Maurício Funes em El Salvador.
Como Duda, Santana foi acusado de remeter dinheiro a paraísos fiscais e envolvido em denúncias de caixa dois de campanha. Diferentemente do ex-sócio, detesta holofotes e cultiva a discrição.
Não tem contas no governo Lula, mas a empresa da qual é sócio chegou a ser denunciada por privilégios nas contas de El Salvador.
Um dos momentos mais delicados dos trabalhos para o PT foi o comercial com perguntas de natureza pessoal sobre Gilberto Kassab (DEM) feito pela campanha de Marta Suplicy à prefeitura, em 2008 (“É casado? Tem filhos?”). Depois de perder a disputa, Santana tomou para si a responsabilidade.
Um de seus prazeres é compor jingles – vestígio dos anos 70, quando era conhecido como “Patinhas”, criou a banda Bendengó e compôs com Moraes Moreira.
Com Dilma, teve embates na campanha de 2006, mas, apesar do temperamento forte, aprenderam a conviver”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 4:01

Dilma irá a festa de Meirelles

De Sonia Racy, do ‘Estadão’:
“Dilma dá demonstração explícita de apreço ao presidente do BC. Ela faz parte do grupo de brasileiros que vai a NY participar da homenagem a Henrique Meirelles, vencedor do prêmio Homem do Ano da Câmara Brasil-Estados Unidos.
Bem como Antonio Palocci e Marta Suplicy”.
                  * * *
José Serra ficará mesmo por aqui.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:55

Partidos querem 3º candidato

De Renata Lo Prete, no Painel, da ‘Folha’:
“Políticos do governo e da oposição aguardam ansiosos a resposta do TSE a três consultas sobre a possibilidade de incluir candidatos a senador numa chapa sem necessidade de coligação nacional entre os partidos que a integram. Na prática, trata-se de decidir se um candidato a governador pode “carregar” mais de dois candidatos ao Senado. Em busca de argumentação jurídica que sustente o voto dos ministros, técnicos do tribunal apelidaram sua obra de “emenda Rio”. Nesse Estado, se a resposta do TSE for favorável, Sérgio Cabral (PMDB) -e por tabela Dilma Rousseff (PT)- poderá contar com a trinca Lindberg Farias (PT), Jorge Picciani (PMDB) e Marcelo Crivella (PRB) -este último hoje sem lugar na chapa.
No campo adversário, a brecha permitiria a Fernando Gabeira (PV), que terá um tucano como vice, compor a chapa para o Senado com Cesar Maia (DEM), um nome do PPS e mais a “verde” Aspásia Camargo.
Os efeitos da eventual licença do TSE vão além do Rio. Em São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que já tem como candidatos ao Senado Orestes Quércia (PMDB) e um tucano a ser definido, finalmente encontraria um lugarzinho para acomodar Romeu Tuma (PTB)”.
                       * * *
E serve também para a Oposição paulista,
Na chapa de Mercadante, a candidata ao Senado será Marta Suplicy, do PT.
A segunda vaga está sendo disputada pelo vereador-pagodeiro Netinho de Paula, do PCdoB, e pelo ex-secretário Gabriel Chalita, do PSB.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:45

Mercadante: “São Paulo merece mais”

Dos repórteres Malu Delgado e Roberto Almeida, do ‘Estadão”:
“O senador Aloizio Mercadante (PT) aponta a alta popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o “colapso da gestão tucana em São Paulo” como os eixos de sustentação de sua pré-candidatura ao governo, que será lançada hoje, na quadra do Sindicato dos Bancários, em São Paulo, ao lado de Marta Suplicy, que concorrerá ao Senado. O evento contará ainda com a presença de Lula e da pré-candidata petista à sucessão, a ex-ministra Dilma Rousseff. “O melhor momento para disputarmos o governo de São Paulo é esta eleição”, disse, em entrevista ao Estado.
Apesar de há semanas ter sido enfático sobre a decisão de disputar a reeleição ao Senado, Mercadante justifica a abrupta mudança por conta da unidade atípica construída no PT após Ciro Gomes (PSB) ter descartado a candidatura no Estado e pelo cenário que possibilitou a ampliação da aliança ao centro.
O petista promete um programa de governo inovador para superar o “esgotamento do PSDB” e elege educação, transporte e segurança pública como áreas estratégicas. Defenderá, por exemplo, a universalização da banda larga nas escolas públicas e o monitoramento eletrônico de presos. Ele admite, ainda, que o tema “enchentes” será estratégico e “evidentemente abordado”.
Sobre o caso do dossiê, que o chamuscou em 2006, reconhece deslizes do PT e nega que contará com apoio dos “aloprados”, que coordenavam sua campanha e tentaram comprar papéis contra tucanos. A seguir, a entrevista.
- O sr. disputará o governo com o PT unificado no Estado, sequer houve prévias. O sr. vê condições distintas entre 2006 e essa disputa?
- Vejo. Temos um mesmo grupo no Palácio do Bandeirantes há 27 anos. Isso vai levando a um esgotamento. A alternância é fundamental na democracia. São Paulo merece muito mais. O novo traz políticas públicas inovadoras. Demonstramos, no governo Lula, que sabemos fazer bem. O PT, pela primeira vez, construiu uma unidade partidária e a maior frente que já tivemos em São Paulo. Isso nos dá o apoio de praticamente todas as centrais sindicais e tempo de televisão que nunca tivemos.
- Há poucas semanas o sr. era enfático sobre disputar a reeleição ao Senado. Qual motivação para enfrentar Geraldo Alckmin (PSDB), que tem mais de 50% nas pesquisas?
- Na última eleição presidencial, Alckmin perdeu quase 3 milhões de votos no segundo turno. Para a prefeitura, ele saiu em primeiro com 45% e chegou ao final com 22%. Pesquisa mede o momento. Em 2006, eu saí com 12% e cheguei com 32%, num cenário muito mais difícil. Hoje, o governo Lula tem 2/3 de apoio da população. Essa condição nos ajudará decisivamente no debate.
- O sr. disse que deixaria a liderança no Senado no episódio dos atos secretos e também recuou. Considera-se instável ou impulsivo?
- Não. Nós temos um ex-prefeito (José Serra) que foi no cartório, dizendo que não seria candidato, e disputou o governo. Em política, às vezes, a gente muda de posição. O que jamais as pessoas verão é eu mudar de lado. Achava que os atos secretos tinham que ser investigados com rigor. No entanto, o peso que tem o PMDB na governabilidade levou o governo e o PT a uma outra posição. Fui derrotado. Lula divulgou uma carta pública e disse que achava imprescindível que eu continuasse.
- O atual momento político é diferente sobretudo porque em 2006 havia o desgaste do mensalão que afetava Lula?
- O PT cometeu graves erros. Praticamente todos os grandes partidos do país cometeram grandes erros do ponto de vista das campanhas. Em 2006, o Lula tinha em São Paulo 40% de aprovação. O índice de rejeição era da ordem de 25%. Hoje, é de 6%, 7%. O projeto neoliberal do Fernando Henrique fracassou. São dois caminhos. O nosso, sob qualquer ponto de vista, é mais consistente e trouxe resultados econômicos e sociais muito mais relevantes para São Paulo. É o que me move. Na hora em que o Ciro se retirou, houve um movimento forte no PT que convergiu para o meu nome. Lula defendeu minha indicação.
- O sr. propõe um programa criativo e inovador. Como?
- Desde que o PSDB governa nós perdemos participação no PIB e na indústria nacional. Estamos numa situação de colapso no sistema de trânsito e transporte público. Eles não planejaram o futuro, não asseguraram os investimentos em segurança e transporte. Não há saída se você não investir em transporte público. Tudo que eles prometeram de modernização não aconteceu. A situação da educação é desoladora.
- A o que o sr. atribui os baixos índices de qualidade de educação?
- Não houve política de formação e valorização dos professores. A situação dos salários dos professores é insustentável. Estamos há cinco anos com 5% de reajuste. É o 14º salário do país. Não tivemos a visão para construir a escola do futuro. Precisamos colocar banda larga, dar laptops. Não tem no Estado política de inclusão digital na velocidade com a qual a juventude está se movendo.
- O ex-governador José Serra enfrentou protestos de professores. Houve uso político da entidade sindical (Apeoesp) para favorecer o PT?
- Desde a época da ditadura eu ouço esse discurso, de que qualquer conflito social tem conotação política. Não responde ao problema. Temos 17 mil professores no Estado. Trabalham em condições precárias. Fizeram uma política de abono salarial em que parte dos professores pode fazer a prova e, dos que passarem na prova, nem todos recebem o abono. Fraturou a categoria.
- Em relação à segurança pública, o sr. vê equívocos de gestão do PSDB?
- Todos os indicadores em 2009 pioraram, praticamente. O que mostra que há um problema na política de segurança que começa no policial. Tem PM em São Paulo que recebe pouco mais que a metade do salário de um soldado de Sergipe. Na Polícia Civil, a situação também é insustentável e há descontentamento generalizado. A falta de gestão do sistema prisional levou as organizações criminosas, no governo anterior, a atacar a sociedade. A polícia não esquece o que aconteceu, nem a sociedade. Temos que separar os presos por grau de periculosidade, investir em monitoramento eletrônico de presos, investir em penas alternativas. Se não reorganizarmos o sistema prisional, nós estaremos enxugando gelo. Se tem uma categoria que com certeza estará conosco nesta campanha são os funcionários públicos de uma forma geral.
- Qual avaliação o sr. faz sobre as enchentes no Estado? Será tema de sua campanha?
- Evidente que precisa ser abordado porque 79 pessoas morreram no Estado. Dezenas de milhares perderam a casa, ficaram desalojadas e desabrigadas. Eu fui visitá-las. Precisamos de uma resposta muito mais eficiente contra enchentes, vamos trabalhar isso como tema estratégico. O governo do Estado reduziu em 40% a verba das enchentes e parou investimentos indispensáveis, como o aprofundamento da calha do Tietê. Houve um problema de gestão nos reservatórios da Sabesp. Vamos atacar a raiz da mudança climática, que é ter uma política de meio ambiente e descarbonização da economia paulista, de preservação das matas ciliares, de tratamento de dejetos e do lixo. São Paulo precisa liderar essa agenda e até agora não apresentou nenhuma medida substantiva, e nós vamos apresentar.
- Sem a candidatura de Ciro Gomes no Estado, a aliança com o PSB ruiu ou o sr. ainda vê alguma possibilidade de diálogo com Paulo Skaf?
- O PSB tem todo o direito de ter candidatura própria. Nossas portas estarão abertas se eles julgarem que esse ainda é um caminho possível. Tenho grande apreço pelo Ciro. Ele foi muito leal ao governo Lula. Se ele decidir ser candidato à Presidência, eu respeitarei. Se ele nos apoiar, será muito bem vindo, porque ele faz parte deste projeto.
- O PDT indicará seu vice?
- O PR tem sugestões, o PDT tem sugestões. Não vamos fechar a chapa agora, exatamente para deixar uma janela, ampliando as alianças. Quem tiver o melhor perfil e agregar mais, terá o vice.
- E as candidaturas ao Senado?
- Marta será lançada na convenção como pré-candidata. Temos ainda a possibilidade do Netinho (PC do B), uma candidatura muito bem-vinda. Eventualmente, se o PSB vier, outro nome possível para o Senado seria o do (vereador Gabriel) Chalita.
- Em 2006, o senhor enfrentou momentos difíceis na sua campanha com o caso dossiê. Pessoas que se envolveram no episódio atuarão em 2010?
- O que posso dizer sobre isso eu já disse durante todo esse período: se dependesse de mim, jamais teria acontecido. Espero que nunca mais aconteça nas campanhas. Foi um erro grave que prejudicou o partido e todos aqueles que se envolveram neste episódio. Quando convidei o Hamilton para a campanha ele tinha uma história de quem poderia contribuir. Depois do que aconteceu, nunca mais tivemos nenhum tipo de contato. É evidente que nem ele pleiteia participar da campanha e nem seria um bom caminho.
- O sr. mudou depois de 2006?
- Eu prefiro ser uma metamorfose ambulante a ter aquela velha certeza sobre tudo. O PT mudou muito, e para a melhor. E o Brasil também. Estou mais maduro, mais preparado, mais tolerante, mais capaz de conviver com as adversidades, porque elas foram muitas.
- O sr. disse que São Paulo merece mais. O slogan de José Serra à Presidência é o “Brasil pode mais”. Como o sr. vê essa dicotomia entre alternância e continuísmo?
- Pode mais quem faz mais, e nós fizemos muito mais que eles. É só comparar qualquer aspecto relevante do governo Fernando Henrique com o nosso governo. O nosso governo é muito melhor. Continuísmo seria ser o Lula tentasse um segundo mandato. Estamos só há sete anos no governo. Eles estão há 27 anos em São Paulo, o mesmo grupo. O Alckmin já teve o tempo dele fazer ou não fazer. O próprio governador interino (Alberto Goldman) acha que o Alckmin não é o melhor candidato. Se você verificar, há uma profunda divisão no campo deles.
- Em 2006 o Serra teve quase 58% dos votos válidos e o sr. 31,6%. Alckmin recebeu quase 12 milhões de votos no Estado e Lula, 8 milhões. O sr. vê possibilidade de reverter essa vantagem de 4 milhões de votos do PSDB em São Paulo?
- O colégio eleitoral de São Paulo é muito importante nacionalmente e para a nossa trajetória. Alckmin perdeu votos no segundo turno, o que mostra que se formos competentes na campanha nós podemos reverter isso”.

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