• Segunda-feira, 02 Agosto 2010 / 0:18

Tucanos rifam Marina no Rio

    De Ilimar Franco, no Panorama Politico de ‘O Globo’:
“Há uma tensão crescente na coligação que apoia a candidatura de Fernando Gabeira (PV) para o governo do Rio devido à campanha para a Presidência da República. Isso porque o PSDB e o DEM passaram a atacar a candidata Marina Silva (PV), como estratégia para tentar fazer com que José Serra (PSDB) ganhe as eleições no primeiro turno.
Na inauguração do comitê de Serra no Leblon, na semana passada, o vice do tucano, deputado Indio da Costa (DEMRJ), disse que, apesar das qualidades de Marina, a disputa pra valer é entre Serra e Dilma Rosseff (PT). A seu lado estava o vice na chapa de Gabeira, Márcio Fortes (PSDB)”.

  • Sábado, 24 Julho 2010 / 9:11

Datafolha: empate de Serra e Dilma

    Do jornalista Fernando Rodrigues, da ‘Folha’:
“Na terceira semana oficial da campanha, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) seguem empatados na corrida presidencial. O tucano está com 37% contra 36% de Dilma, mostra o Datafolha. A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 23, com 10.905 entrevistas em todo o país. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos.
Na última pesquisa, de 30 de junho e 1º de julho, Serra havia registrado 39%, contra 37% de Dilma. Ambos oscilaram negativamente, mas dentro da margem de erro. Marina Silva (PV) tinha 9% e agora foi a 10%.
Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) pontuou pela primeira vez nesta eleição, marcando 1%. Zé Maria (PSTU) também tem 1%. Outros quatro candidatos de partidos pequenos que concorrem a presidente foram incluídos na pesquisa, mas não atingiram 1%.
O Datafolha continua a captar uma estabilidade no número de eleitores indecisos ou que votam em branco ou nulo: 4%, o mesmo percentual do último levantamento. Os indecisos são 10%, contra 9% no levantamento anterior.
Numa simulação de segundo turno, o cenário repete o de maio, com Dilma numericamente à frente de Serra, mas dentro da margem de erro: a petista tem 46% contra 45% do tucano.
Na pesquisa espontânea, quando o entrevistado responde em quem pretende votar sem ver a lista de candidatos, o resultado é favorável a Dilma Rousseff. Ela tem 21% e se manteve estável em relação aos 22% da outra pesquisa. Já Serra tinha 19% e recuou para 16%.
A petista também tem potencialmente a seu favor as respostas dos 4% que declaram querer votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Outros 3% respondem ter intenção de escolher o “candidato do Lula” e 1% quer um “candidato do PT”. Na sondagem sobre intenção de voto espontânea, os indecisos são 46%, contra 42% no início do mês. Marina Silva (PV) tem melhorado sua marca lentamente: 2% em abril, 3% em maio e junho, e, agora, foi a 4%.
Há também um quadro de poucas mudanças na rejeição dos candidatos. Os que não votariam no ex-governador “de jeito nenhum” são 26% (eram 24% da última pesquisa).
Dilma tem 19% (antes o percentual era 20%). Entre os candidatos mais competitivos, Marina é a menos rejeitada apenas 13%). Na divisão do voto por regiões do país, não houve também inversão de posições. O tucano lidera no Sul e no Sudeste. Dilma ganha no Nordeste e no Norte/Centro-Oeste”.

  • Sábado, 24 Julho 2010 / 1:00

Vantagem de Dilma é de 8 pontos

   Do repórter Ricardo Galhardo, do IG:
“A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, lidera a disputa presidencial deste ano e aparece com 8 pontos de vantagem sobre o rival José Serra (PSDB) tanto no primeiro como no segundo turno, aponta pesquisa Vox Populi/Band/iG divulgada nesta sexta-feira. Dilma tem 41% das intenções de voto, enquanto Serra tem 33% e Marina Silva (PV) 8%. Segundo o Vox Populi, José Maria Eymael (PSDC) tem 1%.
Os outros cinco candidatos não pontuaram. Os votos brancos e nulos somam 4% e 13% dos entrevistados estão indecisos. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos. Esta é a primeira pesquisa nacional divulgada depois da oficialização das nove candidaturas à Presidência.
Na sondagem anterior, divulgada no dia 29 de junho e que incluía 11 nomes, Dilma tinha 40% contra 35% de Serra e 8% de Marina. Os brancos e nulos eram 5% e os indecisos 11%. A diferença entre a petista e o tucano subiu de cinco para oito pontos. Segundo o Vox Populi, Dilma venceria Serra em um possível segundo turno por 46% a 38%. Na pesquisa espontânea, a petista tem 28%, Serra 21% e Marina 4%.
Embora não seja candidato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 4% e o candidato indicado por ele com 1%. A ex-ministra da Casa Civil tem seu melhor desempenho na região Nordeste, onde chega a 54% contra 24% de Serra e 5% de Marina. O ex-governador de São Paulo vai melhor na região Sul, onde tem 39% contra 35% da petista e 7% de Marina. Ele também está na frente na região Sudeste, com 36% contra 34% de Dilma e 10% de Marina.
A petista lidera tanto entre os homens quanto entre as mulheres. Ela tem 43% das intenções do eleitorado masculino contra 34% de Serra e 7% de Marina. No eleitorado feminino, Dilma tem 38%, Serra 32% e Marina 9%. A ex-ministra é a preferida em todas as faixas e níveis de ensino.
Quanto à renda familiar, Serra está na frente, dentro da margem de erro, entre os que ganham mais de cinco salários mínimos com 37% a 36% de Dilma e 11% de Marina. A petista tem o menor índice de rejeição, 17%, contra 24% de Serra e 20% da senadora do PV. O Vox Populi ouviu 3.000 eleitores entre os dias 17 e 20 de julho. A pesquisa foi registrada junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 19.920/10.
Dilma continua menos conhecida do que Serra. Segundo o Vox Populi, 63% dos entrevistados conhecem bem ou tem algumas informações sobre Dilma enquanto Serra chega a 73%. Entre os que conhecem os candidatos só de nome Dilma tem 31% contra 24% do tucano”.

  • Sexta-feira, 23 Julho 2010 / 2:10

José Serra pode mais

   O candidato José Serra participou, ontem à noite, da entrevista do programa 3 x 1, na TV Brasil.
Serra estava visívelmente cansado.
Também pudera. Sua campanha é digna de um barata tonta.
Ele está todos os dias em todos os lugares e, ao mesmo tempo, não está em lugar algum.
A jornalista Tereza Cruvinel, sua velha amiga, participou do debate.
Serra deveria se sentir honrado com a presença da presidente da TV Brasil na bancada de entrevistadores. Tereza talvez seja a jornalista com quem Serra teve mais afinidades durante toda a sua carreira política.
Mas foi justamente com ela que o candidato resolveu implicar.
O âncora do programa, Luiz Carlos Azedo, havia feito uma pergunta sobre aborto, e Tereza aproveitou para saber a opinião do candidato sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo.
Serra irritou-se:
- Essa questão agora virou o xodó das entrevistas –  reclamou. Já falei sobre isso várias vezes. As religiões é que devem definir a questão de cada caso. Isso não é uma questão de Estado.
Pobre candidato…
Pouco depois, Tereza fez nova pergunta:
- O senhor, como candidato de oposição…
- Eu não sou candidato de oposição – repeliu o tucano. Sou o candidato do futuro.
Classificá-lo como candidato de oposição deixou Serra tão irritado que, no final do programa, ele voltou ao tema:
- Eu não sou candidato de oposição. Sou o candidato do ‘pode mais’, do ‘dá para fazer’.
Serra elogiou a política externa de Lula, mas disse que ele não procuraria conversar com governantes tipo Mahmoud Ahmadinejad, do Irã, que “apedreja adúlteras e condena jornalistas”:
- Lá  – disse ele para Tereza – você seria condenada a pelo menos 30 anos.
Quanta gratuidade…
                    * * *
Serra foi, no mínimo, descortês com Tereza Cruvinel. Na verdade, ele foi mal educado.
Tudo isso pode ser debitado ao cansaço do candidato, obrigado a ir a quatro, cinco compromissos por dia, mesmo que não tenha nada a dizer a seus interlocutores.  Ele encontrou-se, semana passada, com um pequeno grupo de artistas e intelectuais, no Rio, e a eles disse que seu programa para a área cultural ficará pronto em agosto.
Por que, então, não agendou o encontro para essa data?
Cansado, reclamando da garganta e do ar condicionado - ele tossia o tempo inteiro -  Serra está parecendo mais velho do que a idade que tem.
                  * * *
Mas tudo isso é detalhe.
O que lhe falta, antes de mais nada, é um discurso.
1. Ele disse que todos os presidentes, até agora, foram fracos diante do Congresso. Imaginem o que Serra fará com os políticos caso chegue a Presidência.
2. O tucano deixou claro que é adepto da política do “dono do botequim”. Reclamou que a atual equipe econômica não é homogênea. Ele não admite debates dentro do governo. Todos tem de pensar como o chefe.
3. Sua proposta de reforma política começa com o voto distrital para os vereadores, já em 2012. Poderia ser apelidada de reforma naif, de tão primitiva. É de uma infantilidade que dá dó.
4. Serra falou, falou e falou sobre reforma tributária, e não fez uma única proposta. Ninguém sabe o que o candidato pensa sobre o tema.
5. O único discurso que o candidato tem arrumado na cabeça é o que se refere ao consumo, ao tratamento e ao combate as drogas. Mesmo que ele seja totalmente equivocado.
                       * * *
Serra precisa de repouso, principalmente nos dias em que for à televisão.
A entrevista de ontem, na TV-Brasil, será comparada com a de Dilma Rousseff, no dia anterior, e com a que Marina Silva dará hoje.
José Serra fortaleceu a sua imagem de barata tonta.
E ele não é isso.
Pode ser um pouco trapalhão, mas é homem sério, bom gestor e sabe, como ninguém, formar equipes.
Mas sua aparição, de ontem, foi a de um politico descompensado, frágil, sem programa, sem discurso, com exemplos tolos, e irritado. Muito irritado.
É pena pois Serra pode mais…

  • Terça-feira, 20 Julho 2010 / 17:37

Serra, Dilma, Marina e os gays

                                                              Gilberto Scofield Jr.*
  Durante os últimos dias, desde que o Senado da Argentina aprovou na terça-feira passada a lei que iguala os direitos civis de casais gays aos de casais heterossexuais – garantindo a gays e lésbicas direitos civis como casamento, herança, pensões e até adoção -, a blogosfera e as redes sociais argentinas, do Facebook ao Twitter, se encheram de elogios à presidente Cristina Kirchner.
Atolado em baixos índices de popularidade e uma lista de acusações de enriquecimento ilícito que fariam corar qualquer Ficha Suja de Brasília, o casal Kirchner viu na defesa da lei da igualdade civil uma forma de recuperar sua imagem desgastada.
A julgar pelos comentários na rede argentina, conseguiu. A declaração de Cristina sobre a aprovação da lei foi repetida e repetida na rede até virar um mantra.
“Foi um triunfo da sociedade. Houve quem quisesse transformar a questão num problema religioso, mas a discussão é estritamente sobre princípios de direitos civis”, disse ela, para regozijo da comunidade gay argentina, justamente uma das maiores críticas do nível de corrupção em torno da Casa Rosada.
De olho em pesquisas que mostram que a maioria da sociedade argentina apoia a ampliação dos direitos civis para gays e lésbicas, Cristina e Néstor Kirchner (ex-presidente, deputado federal e provável candidato à Presidência argentina nas eleições do ano que vem) não apenas verbalizaram publicamente seu aval à causa, como mobilizaram aliados na Câmara e no Senado para que formassem a infantaria que combateu os políticos conservadores, capitaneados pelo cardeal Jorge Bergoglio, arcebispo da Igreja Católica em Buenos Aires.
O casal Kirchner e seus aliados jogaram na cara dos conservadores (para surpresa das novas gerações de argentinos) que foram eles – a mesma elite conservadora aliada à Igreja Católica – que anos atrás tentaram impedir o voto feminino, o casamento inter-racial e até o divórcio, sem sucesso.
Em ano de disputa eleitoral no Brasil, os candidatos José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV), bem como seus partidos, deveriam ter tirado uma lição do episódio. Nenhum deles até agora se pronunciou com clareza sobre como agirá, caso eleito, em relação ao projeto de união civil que se arrasta há anos no Congresso. Ou sobre o projeto de inclusão dos crimes de homofobia na lista de crimes hediondos (também enterrado nas gavetas de Brasília). Ou ainda sobre a execrável prática das Forças Armadas de dispensarem gays e lésbicas que decidem servir fora do “armário”.
Na semana passada, o estudante de publicidade Paulo Reis, de 25 anos, virou uma celebridade na internet ao colocar no YouTube seu clipe do “Dilmaboy”: uma performance afetadíssima, criativa e hilária da música “Telephone”, de Lady Gaga, na defesa da candidata Dilma Rousseff.
Foi aplaudidíssimo pelo PT, um dos partidos mais amigáveis à causa gay no país. Mas na boca de Dilma, só elogios ao rapaz e nenhuma proposta. A candidata teria inclusive fechado um acordo com a bancada evangélica no Congresso para não mexer no projeto de união civil há mais de dez anos ali empacado.
Se não há nos candidatos um compromisso claro com a defesa de direitos civis para a comunidade brasileira de gays, lésbicas e bissexuais – estimada em cerca de 15 milhões de pessoas -, que tivessem a inteligência de perceber que políticas claras de apoio às demandas de minorias, num mundo onde as trocas de informações ocorrem à velocidade da luz, rendem mais votos entre os progressistas do que a gritaria moralista dos conservadores.
*Gilberto Scofield Jr.é jornalista e escreve para ‘O Globo’.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 4:43

A Igreja e as esquerdas

 

Marina Silva, beneficiária

Marina Silva, beneficiária

    Maria Inês Nassif, do ‘Valor Econômico’, assina a reportagem mais interessante do dia:
“O PT foi fundado, em 1980, de uma costela dos movimentos populares ligados à Igreja da Teologia da Libertação. A ligação entre ambos, todavia, não é mais a mesma. Houve uma “despetização” desses movimentos. O setor progressista católico botou o pé para fora do partido que hoje está no governo da União e se move com mais desembaraço nos movimentos sociais do que fora do circuito de poder, e nos movimentos políticos suprapartidários, como o que resultou na aprovação do projeto Ficha Limpa, no dia 19 de maio.
As bases católicas progressistas ainda votam de forma majoritária no PT, mas não se misturam com o partido e são proporcionalmente menores que nos anos 80 e 90. Primeiro, porque a própria instituição perdeu a sua centralidade, com a redemocratização. “Nos anos 70 e 80, a Igreja era o guarda-chuva para a sociedade civil na defesa de direitos, um abrigo para os movimentos sociais e um centro de atividade política. Quando abriu o regime, não precisou mais exercer esse papel, porque floresceram outras institucionalidades”, analisa o padre José Oscar Beozzo, da Teologia da Libertação – o veio de reflexão da Igreja de esquerda latino-americana que foi condenado à proscrição nos papados de João Paulo II e Bento XVI, acusado de tendências materialistas, mas que resiste nas bases sociais católicas de forma mais tímida e “de cabelos mais brancos”, segundo Beozzo, e com mais dificuldades de reposição de quadros, na opinião de Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, um de seus teóricos.
Na democracia, a atividade partidária não precisa estar mais abrigada na Igreja, nem a Igreja tem a obrigação de ser o grande protagonista de movimentos políticos civis: “No movimento do Ficha Limpa, houve um trabalho conjunto com setores laicos. É melhor trabalhar assim”, afirma Beozzo. “Sem a capilaridade da Igreja, dificilmente o movimento conseguiria reunir 1,6 milhão de assinaturas para a proposta de iniciativa popular”, relativiza o juiz Márlon Reis, um dos organizadores do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral.
De outro lado, também foi gradativamente se reduzindo o espaço de atuação da Igreja progressista nas bases sociais. Isto se deve à evasão dos setores mais pobres das igrejas católicas, que rumam celeremente para templos evangélicos, e à política sistemática de esvaziamento dos setores católicos progressistas por Roma. A igreja da Teologia da Libertação ocupa um espaço, junto às classes menos favorecidas, a que os tradicionalistas não conseguem acesso. Quando esse setor tem seu acesso reduzido a estas bases, a adesão ao catolicismo também diminui. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, 89,2% declaravam filiação ao catolicismo em 1980; em 2000, eram 73,8%. Em 1990, esse índice era de 83% – um ritmo de queda muito aproximado a 1% ao ano nos dez anos seguintes. As religiões evangélicas eram a opção de 6,7% da população em 1980; já trafegavam numa faixa de 15,4% dos brasileiros em 2000. Segundo dados do Censo, subiu de 1,6% para 7,3% os brasileiros que se declaram sem religião.
O IBGE parece confirmar a teoria de Frei Betto em relação à origem dos que saem do catolicismo em direção às igrejas evangélicas: enquanto, na população total, 73,8% se declaravam católicos no Censo de 2000, esse número subia para 80% nas regiões mais ricas e entre pessoas de maior escolaridade.
Segundo Beozzo, a Igreja Católica encolheu nas comunidades onde viscejava o trabalho pastoral da igreja progressista. “Hoje a igreja é minoritária nas comunidades. Para cada três igrejas católicas, existem 40 pentecostais.” Além da perda de fiéis para as igrejas católicas nas periferias urbanas, a Igreja católica tem perdido também para os que se declararam sem religião. É a “desafeição no campo religioso” a que se refere Beozzo.
Para Frei Betto, todavia, as perdas respondem diretamente à ofensiva da hierarquia católica contra a Teologia da Libertação. Essa é uma posição que foi expressa também pelo bispo emérito de Porto Velho, dom Moacyr Greghi, na 12ªInterclesial, no ano passado, quando as comunidades eclesiais de base surpreenderam ao reunir cerca de 3 mil delegados num encontro cujo tema era “CEBs: Ecologia e Missão – Do ventre da terra, o grito que vem da Amazônia”. “Onde existirem as CEBs, os evangélicos não entram e os católicos não saem de nossa igreja”, discursou dom Moacyr.
Segundo teólogos, padres e especialistas ouvidos pelo Valor, processos simultâneos mudaram as feições da ação política da igreja. A alta hierarquia católica fechou o cerco contra a Teologia da Libertação, quase que simultaneamente à redemocratização do país e à emergência de instâncias livres de participação democrática – partidos, sindicatos, organizações não-governamentais e movimentos organizados.
O PT, principal beneficiário dos movimentos de base da Igreja, se autonomizou e absorveu quadros originários das CEBs, das pastorais e das ações católicas especializadas (JEC e JUC, por exemplo). Ao tornar-se poder, pelo voto, incorporou lideranças católicas, mas também decepcionou movimentos que estavam à esquerda do que o partido conseguia ir administrando o país e mediando interesses de outras classes sociais. “As bases estão insatisfeitas, mas têm medo de fazer o jogo da oposição, que está à direita do governo”, analisa Frei Betto. “Tem uma parte dessa militância que tem pavor da volta do governo tucano”, relata o candidato do P-SOL à Presidência, Plínio de Arruda Sampaio.
O espaço do PT nas bases católicas ficou menor depois da ascensão do partido ao poder e da crise do chamado Escândalo do Mensalão, em 2005 – quando foi denunciado um esquema de formação de caixa 2 de campanha dentro do partido. Hoje, a relação dos católicos progressistas com a legenda não é mais obrigatória e os militantes de movimentos católicos de base são menos mobilizados e em menor número. Os partidos de esquerda acabaram incorporando um contingente da base católica que continua partidarizada, embora o PT ainda seja majoritário.
“O PT continua sendo o partido que tem mais preferência dos militantes das Comunidades Eclesiais de Base, mas existem partidários do P-SOL e tem gente que saiu do PT para militar com a Marina Silva, do Partido Verde”, conta o padre Benedito Ferraço, um ativo militante . Em alguns Estados, como o Maranhão, onde existia uma militância histórica do antigo MDB autêntico, da época da ditadura, ainda se encontram bases católicas progressistas pemedebistas, segundo padre Ferraço. O candidato do P-SOL, Plínio de Arruda Sampaio, que milita junto a setores da Igreja na defesa da reforma agrária – e assessora a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sobre o tema – tem a adesão de líderes de movimentos da Igreja ligados à questão agrária. Contabiliza o apoio do ex-presidente da Comissão Pastoral da Terra, o bispo emérito Dom Tomás Balduíno. Marina – que, embora tenha abraçado a religião evangélica, tem na sua origem política a militância nas CEBs – recebeu a adesão do guru da Teologia da Libertação, Leonardo Boff.
Na avaliação do ex-vereador Francisco Whitaker, membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, as bases da igreja progressista têm saído da militância petista, mas engrossam mais as fileiras dos “sem-partido” do que propriamente as legendas mais à esquerda ou opções mais radicais pela ecologia, embora isso aconteça. “Hoje, a militância partidária é apenas uma das possibilidades”, afirma Whitaker, que foi um dos líderes do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral que esteve à frente da campanha pelo projeto dos Ficha Limpa.
Whitaker e Frei Betto – este, junto com Boff, é um dos expoentes da Teologia da Libertação – apontam também um outro fator para a “despetização” das bases da Igreja: a absorção de quadros originários das CEBs e das pastorais sociais pelo próprio governo. “O movimento de base foi muito desarticulado, ou porque os seus líderes foram cooptados pelo governo do PT, ou porque foram incorporados à máquina partidária”, diz Frei Betto. Isso quer dizer que o militante católico absorvido pelas máquinas partidárias e do governo deixou de ser militante e passou a ser preferencialmente um quadro petista.
A incorporação à máquina não é apenas a cargos de confiança em Brasília. “As representações estaduais do Incra e da Funasa, por exemplo, absorveram muita gente que veio dos movimentos de base da Igreja Católica”, conta Frei Betto. Também a máquina burocrática do partido atraiu os militantes que antes atuavam nas bases comunitárias de influência católica.
A “laicaização” do PT foi mais profunda, todavia, após 2005. “O mensalão bateu forte nas bases católicas”, avalia Whitaker. Sob o impacto do escândalo, centenas de militantes petistas aproveitaram o Fórum Social Mundial, que naquela ano acontecia em Porto Alegre, para anunciar a primeira debandada organizada de descontentes, que saíram denunciando a assimilação, pelo PT, das “práticas e a maneira de fazer política usuais no Brasil”, conforme carta aberta divulgada por Whitaker. “Eu tomei a decisão de integrar o partido dos sem-partido”, conta o ex-vereador. A aposta, naquele momento, era que esses dissidentes criassem um forte partido ligado à esquerda católica. O P-SOL nasceu, mas pequeno e fraco – uma reedição, em tamanho reduzido, da aliança entre esquerda católica e grupos marxistas que, 15 anos antes, havia criado o PT.
Os “sem-partido”, no cálculo de quem saiu, são em maior número. Whitaker chama essa “despetização” de “saída para a sociedade”: o contingente se incorporou ao movimento dos Ficha Limpa, agora reforça a briga pela aprovação da Emenda Constitucional de combate ao trabalho escravo e tem atuação na luta pela reforma agrária. Tem forte atuação também – e quase definitiva – na organização dos Fóruns Sociais Mundiais (FSM) que ocorrem todo ano, de forma quase simultânea ao Fórum Econômico Mundial de Davos, como uma opção de debate econômico dos excluídos das generosidades do capitalismo mundial. Exercem uma militância de certa forma invisível na política institucional, mas muito atuante nas bases, de questionamento da legitimidade das dívidas interna e externa.
O secretário-executivo da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, Daniel Seidel, afirma que esse setor católico vive hoje em estado de ebulição, depois de um período de recuo, imposto especialmente pela ofensiva de Roma contra os setores mais progressistas da Igreja da América Latina. No caso brasileiro, esse novo período de eferverscência é atribuído a Dom Dimas Lara, secretário-geral da CNBB, de um lado; e de outro lado, ao papel desempenhado pelas Assembleias Populares, um formato de organização das bases mobilizadas da Igreja. As Assembleias têm definido uma ação política fora dos partidos e engrossado as mobilizações dos movimentos populares. São um espaço para onde tem convergido a atuação da Igreja cidadã: é onde se definem questões de atuação conjunta com outras igrejas, leigos, movimentos sociais e partidos políticos, embora jamais vinculados a eles.
Embora a “saída para a sociedade” tenha se dado num quadro de frustração com o governo, existe cautela em relação a ações contra o governo Lula. “Tem uma parte das bases católicas que acha que, ruim com ele (Lula), pior sem ele. Essa parte tem pavor da volta de um governo tucano”, analisa Arruda Sampaio. “Embora as bases estejam insatisfeitas, têm medo de denunciar o governo e fazer o jogo da oposição”, diz Frei Betto. Isso ocorre também com os movimentos sociais que já estão descolados da Igreja, como o MST, que foram criminalizados nos governos de FHC, não concordam com os rumos tomados pelos governos de Lula, mas ainda assim preferem a administração petista, numa situação eleitoral de polarização entre o PT e o PSDB”.

Plínio de Arruda Sampaio, beneficiário

Plínio de Arruda Sampaio, beneficiário

EX-MILITANTES ESTÃO COM MARINA E PLÍNIO

 ”A Igreja progressista já não produz quadros para a política na quantidade que o fazia antigamente, mas a política brasileira pós-redemocratização está repleta de suas crias.
No início do governo, no comando do programa Fome Zero, Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, contabilizou-s em artigo no “Correio Braziliense”: Marina Silva, ex-militante das Comunidades Eclesiais de Base da Igreja; Benedita da Silva, líder comunitária cujo primeiro marido, o Bola, militou no movimento Fé e Política; o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que foi da Juventude Estudantil Católica (JEC) de Anápolis (GO); Dilma Rousseff, companheira de cárcere de Frei Betto e de outros religiosos, no presídio Tiradentes; José Graziano, formado politicamente na JEC; Olívio Dutra e Gilberto Carvalho, que vieram da Pastoral Operária; José Dirceu, que no período de clandestinidade foi abrigado no convento São Domingos; e o jornalista Ricardo Kotscho, com quem Frei Betto criou grupos de oração, base do trabalho evangelizador da Teologia da Libertação .
Muita água rolou por baixo da ponte, mas nessas eleições presidenciais pelo menos dois candidatos beberam dela. A evangélica Marina Silva, candidata a presidente pelo PV, é uma. “Nós crescemos na batina do dom Moacyr (Grechi)”, afirma a candidata. Militante desde cedo das comunidades eclesiais de base do Acre, atribuiu à Igreja católica, em especial de dom Moacyr, o fato de o Estado ter encontrado caminhos políticos diferentes ao do narcotráfico. Foi o pessoal do dom Moacyr que ganhou eleições para governos e Senado e forneceu quadros para secretarias e estrutura burocrática,
O candidato do P-SOL, Plínio de Arruda Sampaio, foi um incansável militante, dentro e fora da Igreja, pela reforma agrária. Era um quadro do PT até o racha de 2005. Acha que, em algum momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve liderança incontestável nas bases da Igreja, mas hoje não lidera mais “gregos e troianos”.
A deputada e ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina (PSB), embora não seja candidata à Presidência, é um exemplo de política que se criou nas bases da Igreja. Em Pernambuco, onde dava os seus primeiros passos na luta política, a Igreja progressista ajudava a organizar sindicatos rurais numa região em que as ligas camponesas – movimentos sociais muito atuantes antes do golpe de 64 – foram destroçadas pela ditadura. “Havia uma grande repressão às ligas e aos camponeses, mas a Igreja tinha uma relativa liberdade de transitar por esses espaços e aproveitava disso para organizar sindicatos”, conta a deputada. Erundina veio para cá ameaçada pela repressão militar. Elegeu-se prefeita em 1989 – e foi a sua relação com a Igreja progressista que a protegeu nos momentos mais difíceis”. (M.I.N)

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 4:02

Marina critica ministério da Segurança

Do repóter Adauri Antunes Barbosa, de ‘O Globo’:
“A pré-candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva (AC), criticou ontem em São Paulo, durante debate sobre segurança pública promovido pelo Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), a proposta do ex-governador José Serra, pré-candidato do PSDB à presidência, de criar o Ministério da Segurança Pública na hipótese de ser eleito. Para ela, a criação do ministério exclusivo para a Segurança Pública seria um puxadinho ou um bolo sem cereja, pois não seria a solução para os problemas de violência do país, consequência de entraves enraizados na sociedade e que exigem uma reforma profunda do setor.
- Criar esse novo ministério é como fazer um puxadinho. Não vai resolver o problema da segurança pública. (…) A segurança no país exige uma reforma sistêmica, senão vamos criar instituições em cima de uma base que está deteriorada. Não basta colocar uma cereja, um ministério que seja, caso não tenha bolo criticou Marina.
De acordo com a pré-candidata do PV, a criação de um Ministério da Segurança Pública seria apenas um paliativo.
Ela disse que o uso das Forças Armadas em funções de segurança pública é um improviso do estado para lidar com um problema grave.
- As Forças Armadas não podem ser tratadas como um puxadinho. Isso só denuncia a gravidade do problema repetiu, afirmando ainda que algumas vezes o papel institucional das forças de segurança são confundidos diante de situações de emergência pelos governos federal e estaduais.
Antes de participar de um debate com especialistas da área de segurança pública, entre os quais o antropólogo e cientista político Luiz Eduardo Soares, ex-secretário Nacional de Segurança Pública no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marina disse que ainda não tem um programa de governo de campanha pronto para a área de segurança.
O tema, garantiu, está sendo discutido por sua equipe de campanha, que brevemente apresentará propostas sobre o assunto.
Falando ainda sobre a violência no campo, Marina disse que é preciso separar as ações de movimento sociais legítimos, como classificou o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), do que chamou de jagunçagem.
- É preciso desmontar as quadrilhas que funcionam como eliminadoras de vidas defendeu, citando como exemplo bispos e lideranças dos movimentos sociais constantemente ameaçados de morte.
Marina Silva defendeu a reforma agrária e criticou a criminalização dos movimentos sociais”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:59

TVs acertam debate de candidatos

“Os comandos dos partidos e emissoras de televisão já fecharam as datas em que serão promovidos os debates dos presidenciáveis na TV aberta.
A Band abre a rodada de confrontos entre José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) no dia 5 de agosto. Em caso de segundo turno, novo confronto será realizado em 10 de outubro.
“Os internautas participarão dos debates, o que será uma novidade para os candidatos”, afirmou Fernando Mitre, diretor de jornalismo da Band.
Na Rede TV!, o debate do primeiro turno irá ao ar no dia 12 de setembro e, em caso de segundo turno, novo programa irá ar no dia 17 de outubro. O jornalista Kennedy Alencar, repórter da Folha, comandará os dois eventos.
A Rede Globo fechará a rodada de debates do primeiro turno, levando os presidenciáveis a seus estúdios no dia 28 de setembro. Em caso de segundo turno, haverá nova rodada no dia 28 de outubro.
A Record foi procurada pela reportagem, mas disse não ter oficializado as datas dos programas”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:56

Gabeira: Marina cobra fidelidade

Do repórter Adriano Ceolin, do IG:
“A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, cobrou explicações do deputado Fernando Gabeira, candidato ao governo do Rio de Janeiro, sobre a aliança com o PSDB no Estado. Ela não gostou das notícias de que Gabeira faria campanha para José Serra (PSDB) no primeiro turno também.
?Ela me ligou e eu expliquei que no primeiro turno vou apoiá-la para presidente?, disse Gabeira em entrevista ao iG. O deputado, porém, afirmou que Serra deverá aparecer no seu programa eleitoral na TV pedindo votos para ele. ?Uma coisa é ele pedir votos para mim. O contrário não vai ter?, completou.
Nesta terça-feira, o deputado também publicou um desmentido no seu Twitter. ?Jornais insistem no erro que apoio dois candidatos. Estou com Marina?, escreveu no microblog. Junto com a mensagem, ele colocou um link para o seu blog em que consta texto sobre o assunto.
Ainda em entrevista ao iG, Gabeira contou que fez um relato a Marina sobre a reunião em que foi firmada a aliança com PSDB, DEM e PPS no Rio. ?Disse a ela que para a eleição nacional o acordo é que eu apoie ela?, disse. ?Agora, no segundo turno, eventualmente eu apoiaria o Serra?, disse.
O principal responsável pela polêmica é Márcio Fortes (PSDB), provável vice de Gabeira. Após a reunião dos quatro partidos, ele disse que Gabeira teria dois candidatos a presidente. O deputado verde nega. ?Os outros três partidos [DEM, PSDB e PPS] é que apoiam Serra?, disse.
A formação da chapa de Gabeira excluiu a candidata do PV ao Senado, Aspásia Camargo, que disputará a eleição como avulsa e terá menos tempo de TV. Os candidatos oficiais de Gabeira serão o ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM) e o advogado Marcelo Cerqueira (PPS)”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:56

Gabeira: escolha a sua versão

 Da ‘Folha’:
“No dia em que foi anunciado oficialmente como pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) virou alvo de críticas de aliados por declarar apoio a José Serra (PSDB) num eventual segundo turno contra Dilma Rousseff (PT).
Ele disse ao Blog do Noblat que votaria no tucano após apoiar Marina Silva (PV) no primeiro turno. A declaração gerou incômodo entre aliados da senadora. O ex-deputado Luciano Zica classificou a fala como “lamentável”.
“Foi uma declaração infeliz. Causa estranheza, porque Gabeira é um cara experiente. Não temos o direito de escorregar agora”, disse à Folha. “Não perguntamos ao Gabeira quem ele vai apoiar no segundo turno do Rio. E se a disputa for entre Serra e Marina, ele também vota no Serra?”, provocou Zica.
Obrigado a se explicar, Gabeira disse ter respondido a uma pergunta “bem específica”: “Faz parte de um acordo meu com ele [Serra]. Eles [PSDB] me apoiam aqui no Rio, e eu apoio a candidatura da Marina. Caso haja um segundo turno em que ela não esteja presente, eu o apoio”.
O presidente do PV, José Luiz Penna, tentou contemporizar: “Estamos trabalhando para vencer. Temos que ser generosos com quem escorrega nas cascas de banana”.
Segundo Gabeira, Marina e Serra participarão de seu programa de TV. “Vou fazer a campanha da Marina. Eventualmente posso me encontrar com o Serra, dependendo das circunstâncias”, disse.
A chapa ao governo do Rio foi confirmada ontem, em aliança com PSDB, DEM e PPS. O ex-deputado tucano Márcio Fortes, tesoureiro de Serra na eleição de 2002, deve ser o vice.
O ex-prefeito Cesar Maia (DEM) tentará ao Senado, e a outra vaga deve ser de Marcelo Cerqueira, do PPS. O PV ainda tenta emplacar a vereadora Aspásia Camargo”.

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De Alfredo Junqueira, do ‘Estadão’:
“Após seis meses de impasse, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) confirmou ontem sua candidatura ao governo do Estado do Rio e oficializou a aliança com PSDB, DEM e PPS. O acordo, sacramentado depois de três horas de reunião, também prevê a participação do parlamentar em atos de campanha do candidato tucano à Presidência, José Serra.
Até o encontro de ontem, Gabeira e lideranças do PV do Rio mantinham firme a posição de que só fariam campanha para Marina Silva, nome do partido à sucessão do presidente Lula. Os compromissos de Serra no Rio seriam acompanhados apenas pelos candidatos a vice e ao Senado da coligação – indicados pelos demais partidos. O pré-candidato do PV ao governo do Rio confirmou que Serra e Marina participarão da convenção que oficializará seu nome, em junho.
“Pretendemos lançar no dia 23, de manhã. Vamos começar a mobilização. Não será ainda com a presença dos candidatos à Presidência porque nós preferimos que eles venham na convenção”, explicou Gabeira.
Indicado como candidato a vice na chapa de Gabeira, o ex-deputado federal Márcio Fortes (PSDB) confirmou que o acordo possibilitará a elaboração de uma agenda de pré-campanha de Serra no Rio. Fortes confirmou a presença de Gabeira nos eventos de Serra no Estado.
“O Gabeira anda com ele”, disse Fortes. “O Serra tem um palanque. A Marina também tem. Mas o Serra tem um palanque bom, uma candidatura vitoriosa, que pode ganhar a eleição e não terá limites. Nossa coligação é adotada por todos universalmente e fará uma bela campanha à Presidência da República. Tanto para o Serra quanto para Marina”, avaliou o tucano.
Pivô da crise que se instaurou entre os partidos, o ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM) teve sua candidatura ao Senado confirmada na reunião de ontem. O PV do Rio resistia em formalizar a aliança tendo ele como representante dos Democratas. Apesar do acordo, os verdes também confirmaram que a vereadora Aspásia Camargo concorrerá ao Senado.
Caso a Justiça Eleitoral se manifeste contrariamente ao lançamento desse tipo de candidatura independente, o partido não criará embaraços para a coligação – de acordo com o presidente da legenda no Rio, Alfredo Sirkis. O outro nome da aliança ao Senado será o advogado Marcelo Cerqueira, do PPS.
“Gabeira já disse que o melhor candidato ao Senado é o Cesar Maia e confirmou que fará campanha para ele”, disse a deputada federal Solange Amaral (DEM), representante do partido e do ex-prefeito na reunião.
Apesar do acordo, Gabeira terá de lidar com resistências veladas. O próprio presidente regional do PSDB, o prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito, saiu da reunião logo no início. Com ar contrariado, confirmou a aliança, mas disse que a prioridade era a eleição de Serra”.
               
                    * * *

Do repórter Cássio Bruno, de ‘O Globo’:
“Em encontro ontem, na sede do PPS no Rio, para formalizar a coligação PV-PPS-DEM-PSDB, os partidos anunciaram que o pré-candidato ao governo fluminense pelo PV, deputado federal Fernando Gabeira, apoiará, no primeiro turno, dois pré-candidatos à Presidência: Marina Silva (PV) e José Serra (PSDB). Os dois participarão juntos, em junho, da convenção da aliança no estado. Foi anunciada ainda a chapa de Gabeira para o Senado, que terá o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) e o ex-deputado federal Marcelo Cerqueira (PPS).
- O Serra tem agora um palanque bom, forte, no Rio. A Marina também tem. Nossa coligação está montada. Foi adotada por todos universalmente e vai fazer uma bela campanha para presidente da República. Tanto do Serra, quanto da Marina. O Gabeira não é mais candidato do PV. Ele é candidato da coligação – afirmou Márcio Fortes, um dos coordenadores da campanha de Serra no Rio e provável vice na chapa de Gabeira.
Coordenador da campanha de Marina, o presidente do PV no Rio, vereador Alfredo Sirkis, lembrou da atual situação no Acre:
- Existe uma situação similar no Acre. A Marina apoia a candidatura do (senador) Tião Viana (PT) ao governo. É claro que ele tem todo o interesse de recebê-la (Marina), embora a sua candidata não seja ela. Mas Gabeira vota na Marina.
O lançamento da candidatura de Gabeira deverá ocorrer em 23 de maio. O pré-candidato, no entanto, disse que Serra e Marina só estarão juntos na convenção:
- Os dois (Serra e Marina) estão convidados e estarão presentes. Isso foi conversado aqui (na reunião).
Mesmo com resistência, os partidos confirmaram Cesar Maia para concorrer a uma das duas vagas ao Senado. O PV, que lançou a vereadora Aspásia Camargo como pré-candidata ao Senado, dependerá de uma resposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a viabilidade da chapa com mais de dois nomes a senador. O ex-prefeito não foi à reunião.
- Qualquer problema no caminho não comprometerá a coligação – disse Gabeira, referindo-se a uma suposta negativa à consulta do PV para lançar Aspásia.
Participaram ainda do encontro o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha, o ex-governador Marcello Alencar e a vereadora Lucinha, pelo PSDB, e os deputados federais Solange Amaral e Índio da Costa, pelo DEM. O presidente regional do PSDB, José Camilo Zito, deixou a reunião logo no início”.

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