• Domingo, 08 Agosto 2010 / 7:46

Cabral: campanha rica e confortável

    Dos repórteres Cássio Bruno, Natanael Damasceno e Maiá Menezes, de ‘O Globo’:
“Quinta-feira, dia 5, meio-dia e meia. O helicóptero alugado pelo governador Sérgio Cabral pousa no pátio de uma grande rede de supermercados em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
De lá, o candidato à reeleição pelo PMDB segue em comboio numa van, escoltado por seguranças em dois carros de luxo e por batedores da PM.
Participará de uma visita ao Hospital da Mulher Heloneida Studart. A rotina de Cabral é o retrato da milionária estrutura que vem sendo usada por ele em compromissos de campanha.
Mas não é apenas nas ruas que o forte aparato do governador chama a atenção. Em um mês, Cabral gastou pouco mais de R$ 4 milhões dos R$ 4,69 milhões arrecadados, segundo prestação de contas parcial ao Tribunal Superior Eleitoral.
O dinheiro foi usado principalmente na produção dos programas de rádio, TV e vídeo, e na contratação de profissionais de comunicação e da área administrativa, transporte e publicidade.
Segundo o relatório, a campanha gastou até agora, apenas com pessoal, R$ 983 mil.
Com a produção audiovisual, o valor foi de R$ 1,5 milhão. Já em material de publicidade como faixas e panfletos , o custo chegou a R$ 1 milhão. Até outubro, a estimativa de Cabral é que sejam gastos R$ 25 milhões.
Perguntas sobre a estrutura da campanha, que incluíram um pedido de detalhamento sobre os gastos e números de prestadores de serviço, não foram respondidas pela assessoria do governador. A única resposta a 20 questões detalhadas enviadas aos assessores foi que todas as informações foram fornecidas, como determina a lei, à Justiça Eleitoral.
Cabral conta com cerca de dois mil cabos eleitorais. Dependendo do evento, há grupos com até 45 pessoas. Cada um recebe cerca de R$ 1.200 por mês para carregar bandeiras e distribuir propaganda. Além disso, tem cerca de 30 carros de passeio e 20 vans.
O comitê funciona em uma antiga agência de automóveis na Avenida Ayrton Senna 5.250, na Barra da Tijuca. O imóvel foi alugado no período de julho a outubro por R$ 70 mil. No local, onde funciona a logística e o armazenamento do material de campanha, circulam até 140 pessoas diariamente. A entrada no comitê é restrita, sem o acesso da imprensa.
É uma estrutura parecida com a campanha de 2006 diz Régis Fitchner, coordenador do plano de governo de Cabral. Os números não são oficiais, mas estima-se que 200 profissionais, entre jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas, são responsáveis pela divulgação da imagem de Cabral. No Polo de Cinema e Vídeo, também na Barra, onde são feitas as gravações, há cerca de 400 empregados.
- Os cidadãos do Estado do Rio sabem que uma campanha eleitoral, ainda mais uma campanha para o governo, necessita de estrutura de comunicação. Ninguém faz campanha sem meios de comunicação, seja TV, rádio ou visual – disse Cabral na semana passada, ao justificar os gastos.
A bordo do helicóptero alugado da Plajap Táxi Aéreo, prefixo PP-LAS, Cabral transporta seguranças, assessores e aliados, como os candidatos ao Senado Lindberg Farias (PT) e Jorge Picciani (PMDB). Nessa empresa, o custo da aeronave, por cada hora, é de R$ 7 mil. Em terra, Cabral anda em carros luxuosos, como o Chevrolet Captiva, que custa R$ 87.425. Também está à disposição do governador, nas carreatas, a picape Mitsubishi L200 Triton 3.2 D, avaliada em R$ 112 mil. Além disso, batedores da PM, em motos, abrem caminho entre os carros e facilitam a vida do candidato.
- Não pode dispensar a segurança. Mas tudo deverá ser apresentado na prestação de contas e ressarcido pelo partido na forma da lei eleitoral – diz a procuradora Silvana Batini, do Ministério Público Eleitoral.
Cabral não revela a origem do dinheiro que mantém a estrutura da campanha. Afirma que a lei eleitoral só obriga este tipo de prestação no fim do pleito. Em 2006, quando Cabral foi eleito governador, foram gastos, em quatro meses de campanha, R$ 9,74 milhões arrecadados entre 55 doadores.
Entre eles, empresas que mantinham relação com a administração do estado. As duas empreiteiras que mais doaram ao governador eleito foram a OAS Construtora (R$ 800 mil) e a Carioca Engenharia (R$ 700 mil).
Das duas, pelo menos uma, a OAS, prestou serviços ao governo do estado no último ano, segundo dados do Siafen.

CLAQUE RECRUTADA COM ANTECEDENCIA

      Do repórter Marcelo Remígio, de ‘O Globo’:
“A estrutura robusta da campanha de Sérgio Cabral também se reflete na organização dos eventos.
Cada agenda tem um coordenador, de acordo com a região, com a função de recrutar e organizar o trabalho dos cabos eleitorais. Cabe a ele providenciar o material recomendado pelos marqueteiros de Cabral. As agendas são divulgadas, via email, com antecedência para os aliados e coordenadores. A estrutura de comunicação obedece à mesma lógica: por regiões.
Na planilha repassada por correio eletrônico aos aliados constam dados como descrição do evento e informações complementares, onde são indicados nome e telefone da coordenação local. Para a participação de Cabral no debate dos candidatos a governador no próximo dia 12, na TV Bandeirantes, a planilha repassada no dia 3 cobra do coordenador do evento um corredor de cabos eleitorais com bandeiras e um cri-cri animador de campanha que grita o nome do candidato. A equipe deve recepcionar o governador na Rua Álvaro Ramos.
Também são usados nos eventos de Cabral bandeirolas, carrinhos de som, cartazes, adesivos e jornais de campanha. O pagamento dos cabos eleitorais é feito sem atrasos e os salários superam R$ 1 mil mensais. O valor inflacionou o mercado eleitoral fluminense, rendendo críticas dos adversários. Eles esperavam pagar entre R$ 500 e R$ 600 por mês. Candidatos afirmam que apenas com mandato conseguem financiadores de campanha.
Sem a ligação com a máquina do estado, nada conseguem.
Para quem ocupa um lugar de destaque na lista de aliados, a campanha de Sérgio Cabral garante transporte e o combustível para carros de apoio. Além de santinhos, são distribuídas, em média, mil placas para quem tem bom poderio eleitoral.
Quem não possui grandes chances de vitória leva a metade.
Cabral tem cumprido acordos de infraestrutura de campanha com os aliados, sobretudo os de partidos pequenos. Cada legenda ganhou espaço no comitê central da campanha, na Barra da Tijuca, onde são disponibilizados telefones e internet. Mas a bondade é acompanhada de um forte monitoramento. Falar da campanha de Cabral, tecer elogios ou críticas, só fora do QG. A equipe de Cabral ainda arrecada recursos para as legendas, que devem prestar contas”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:42

1º de maio, Gabeira candidato

De Maiá Menezes, de ?O Globo?:
?Uma reunião ontem à tarde, na casa do ex-governador Marcello Alencar, definiu que DEM e PPS indicarão os candidatos ao Senado na chapa encabeçada pelo deputado federal Fernando Gabeira (PV) ao governo do estado. O PPS vai lançar o ex-deputado Marcelo Cerqueira e o DEM mantém o nome do ex-prefeito Cesar Maia.
O PV aguarda consulta feita à Justiça Eleitoral sobre a possibilidade de lançar um terceiro nome ao Senado e aposta na vereadora Aspásia Camargo para a vaga.
? A coligação está firme. As divergências em relação ao Senado parecem estar superadas, pelo menos em termos de clima ? disse Gabeira.
O PV, em especial o vereador Alfredo Sirkis, presidente estadual do partido, resistia ao nome de Cesar Maia. O ex-prefeito disse que ?não há nenhuma aresta? na coligação em relação à candidatura ao Senado.
? Nunca houve isso. O que há é uma dúvida jurídica se o PV pode ter candidato a senador fora da coligação ? disse o ex-prefeito, que avaliou que a reunião foi ?nota 10?.
O encontro, com a presença, entre outros, de Cesar Maia, de Fernando Gabeira e do deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ) e do deputado estadual Comte Bittencourt (PPS), definiu ainda um cronograma para a pré-campanha de Gabeira. O lançamento oficial da pré-candidatura será no dia 1° de maio.
Antes disso, no entanto, as viagens ao interior do estado começam. Gabeira disse que a partir do dia 18 de março fará a primeira, para Macaé.
A agenda do pré-candidato será definida por integrantes de todos os partidos da coligação?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:53

O otimismo do Lindinho

‘O Globo’ de hoje publica matéria de Maiá Menezes, com a visão de Lindberg Farias sobre o pré-acordo do PT com o PMDB para a eleição presidencial. Eis o seu texto:
“O noivado entre PT e PMDB, com sacrifícios regionais, é, na avaliação de uma de suas possíveis vítimas, o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), sinal de que os partidos vão deixar que os estados decidam de forma independente. Ele sustenta que, se antes a argumentação era de que só haveria alianças após aparadas as arestas locais, agora a vaga de vice na chapa da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, está garantida independentemente das situações nos estados.
? O pré-acordo é uma espécie de noivado, e o PMDB deu esse passo antes de resolver os problemas estaduais porque optou por ser o aliado preferencial da candidatura da Dilma. Com o pré-acordo, Temer praticamente assegura a vaga de vice na chapa.
Houve clara opção pelo acordo nacional. O próprio PMDB não consegue resolver seus problemas.
Na Bahia, Geddel (Vieira Lima) insiste em ser candidato ? disse Lindberg, afirmando que ?as direções de PT e PMDB entenderam que problemas regionais entre dois partidos são diferenças naturais e não podem frear o acordo nacional?.
Sobre sua candidatura, Lindberg, opositor do governador Sérgio Cabral (PMDB), pré-candidato à reeleição, afirma: ? Eu me sinto cada vez mais candidato. Da mesma forma que na Bahia o PMDB lança Geddel contra o governador Jaques Wagner, no Rio o PT tem de lançar candidato.”

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 23:51

Para bom entendedor, meia palavra basta

‘O Globo’ de hoje publica uma reportagem sobre o domingo do senador Paulo Sergio Duque Cabral.
Na entrevista, PSDC se diz “um intelectual”, que não perdeu noite de sono pelo fato de ter aquivado os pedidos de processo contra José Sarney, no conselho de Ética do Senado, que ele preside. Ao contrário, “me senti feliz da vida”.
Na reportagem, assinada por Maiá Menezes, PSDC “disse não ter recebido orientação alguma, mas lembrou que o governador Sérgio Cabral ? que o escolheu como segundo suplente ? lamentou recentemente ?que se estivesse fazendo uma campanha tão grande contra Sarney”.
Portanto, o governador do Rio não presssionou, só lamentou.

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