• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:59

Tuma Jr. só sai se surgir fato novo

Dos repórteres Kennedy Alencar, Fábio Amato e Lucas Ferraz, da ‘Folha’:
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá manter Romeu Tuma Jr. no cargo de secretário nacional de Justiça. Nas palavras de um ministro, só um “fato novo” poderia levar Lula a demiti-lo.
Investigação da Polícia Federal obteve gravações telefônicas e troca de e-mails entre Tuma Jr. e Li Kwok Kwen, o Paulo Li, que foi preso em 2009 sob acusação de contrabando.
Nas gravações, Tuma Jr., que também é presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria, trata da compra de um celular, de videogame e até de regularização da situação de chineses que viviam clandestinamente em São Paulo. Embora tenha sido flagrado nos grampos da PF, o secretário não foi alvo do inquérito.
Na visão presidencial, não há nessa investigação uma ilegalidade cometida por Tuma Jr., a quem o presidente considera “um bom policial”, de acordo com um auxiliar direto.
Lula se considerou satisfeito com as explicações de Tuma Jr., oferecidas anteontem, quando o jornal “O Estado de S. Paulo” divulgou reportagem vinculando-o à máfia chinesa.
No entanto, o presidente pediu ao ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, que buscasse mais informações.
Até ontem, Barreto não obtivera, segundo a cúpula do governo, um dado que comprometesse Tuma Jr. Barreto confirmou ontem em Buenos Aires que fez à PF “um pedido formal de informações” sobre o caso, “a fim de poder fazer uma avaliação mais precisa”, mas descartou afastar Tuma Jr. imediatamente.
A Folha apurou que o presidente deverá voltar a tratar do tema hoje com o ministro. Sem o tal “fato novo”, a posição presidencial será manter Tuma Jr. Se surgir algo desabonador, o secretário perderá o cargo.
Um ministro disse que, no máximo, houve um pedido de favor de Paulo Li, mas não uma ilegalidade. Segundo ele, ficaram claras as relações de amizade da família Tuma com Li. Sobre a prisão de Li em 2009 sob acusação de contrabando, um auxiliar direto do presidente diz que Tuma Jr. não pode ser demitido por ter trocado telefonema e pedido favores. O ex-ministro da Justiça Tarso Genro disse ontem, em Porto Alegre, que as gravações de conversas de Tuma Jr., “se forem verdadeiras”, o “inabilitam” para o cargo.
Por telefone, Tuma Jr. disse ontem conhecer Li há 30 anos e nunca ter comprado produtos piratas. Afirmou ter ficado surpreso quando Li foi preso.
“Nunca imaginei isso. Como vou cuidar ou saber o que meus amigos fazem? Muitas vezes não tenho condições de saber o que minha filha está fazendo.”
Li conheceu Tuma Jr. quando este ainda era adolescente. Eles trabalharam juntos -Li o assessorou na Assembleia de São Paulo quando o filho do senador Romeu Tuma (PTB-SP) era deputado estadual. “Não há nada contra mim. Não cometi nenhum crime. Não fui nem sequer denunciado.”
Sobre a conversa em que trata com Li de mercadorias, o secretário, responsável no governo por combater a pirataria, disse não haver ilegalidade.
“Não há nada demais. Consultei algumas coisas com ele, coisas de amigo para amigo. Nem sei se existe esse videogame pirata. O videogame foi comprado e há nota.”
O secretário ocupa um dos cargos mais importantes do Ministério da Justiça.
A Secretaria Nacional de Justiça é responsável por assuntos que tratam da situação de estrangeiros, da repatriação de dinheiro de brasileiros bloqueado no exterior e da lavagem de dinheiro. Tuma Jr. garante que não deixa o cargo. “Posso cometer erros, mas não crime. Ninguém está acima da Justiça.”

  • Quinta-feira, 13 Maio 2010 / 4:05

Romeu Tuma Jr. não voltará

De férias, Romeu Tuma Jr não deverá voltar para a Secretaria Nacional de Justiça.
O Presidente Lula disse que preferia vê-lo afastado, e não de férias.
E o policial federal Paulo Guilherme Melo, o Guga, considerado o seu braço direito, já foi devolvido à Polícia Federal.

  • Quarta-feira, 12 Maio 2010 / 4:04

Tuma, férias cansativas

Tudo leva a crer que as férias de Romeu Tuma Jr serão um verdadeiro inferno.
Ou alguem acha que ele vá descansar?

  • Segunda-feira, 10 Maio 2010 / 4:01

Tuma Jr reclama de abuso da PF

O Secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr,, acusado de ligação com a máfia chinesa, em São Paulo, deu entrevista ao repórter Mario Cesar Carvalho, da ‘Folha’, na qual ele reclama de abusos da Polícia Federal, e diz que o objetivo não é investigá-lo mas sim desmoralizá-lo.
Eis a entrevista:
- O sr. já comprou celular e videogame contrabandeado, como sugerem as conversas gravadas?
- Eu estava em Viena e minha filha pediu para eu comprar um Wii para minha neta. Liguei para ela e disse que o Wii custava caro, 350, quase R$ 1.200. Ela me perguntou se não seria melhor comprar no Brasil. Liguei para o Paulinho. Uma coisa que tem de ficar clara é que eu tenho um amigo que é chinês. Não sou amigo de contrabandista. Se cometeu crime, deixa de ser meu amigo.
Falei para o Paulinho: “Vê quando custa um Wii na Paulista”. Ele liga de volta: “Custa R$ 950″. Minha filha liga de novo e diz que o namorado da minha outra filha estava nos EUA, onde o Wii custa US$ 250. O jogo veio dos EUA.
- E o celular?
- Tenho esse celular há três anos, quando fui para a China. Só tem em Hong Kong. Tem um amigo meu, diretor do Corinthians, que ficou doente com o telefone. O Paulinho me liga: “Tá vindo um primo meu de Hong Kong”. Pedi para ele comprar um telefone igualzinho ao meu. O cara trouxe o preto, não dourado. O meu amigo não quis e eu não comprei. Não é pirata. É um Motorola que só tem em Hong Kong.
- Paulo Li é conhecido como contrabandista há alguns anos. O sr., que é delegado, não sabia disso?
- Se for verdade, para mim é uma decepção. Sou policial há mais de 30 anos e tenho obrigação de conhecer quem faz coisa errada. Nunca desconfiei, até porque ele vivia numa situação difícil. Tinha um filho que estava sem emprego e eu arrumei emprego para ele no Corinthians. Ele estava tirando outro filho da escola porque estava sem dinheiro. Esse é o grande líder do contrabando?
- A polícia diz que o sr. ajudava Li a regularizar a situação de chineses ilegais no Brasil.
- Conheço o Paulinho há 20 anos e tem uns quatro e-mails em que ele pede informação sobre estrangeiros. É minha obrigação como servidor atender qualquer pessoa de uma área sob minha responsabilidade. Ele, eventualmente, pode ter pedido alguma coisa. Mas se houve atendimento é porque estava dentro da lei.
- Mas Li é acusado de cobrar comissão para fazer isso.
- Houve uma disputa muito grande sobre a data para anistia dos imigrantes. Decidimos que seria 1º de novembro de 2008. No Congresso, um deputado fez uma emenda colocando a data para 1º de fevereiro de 2009. Isso é um absurdo.As pessoas iriam se aproveitar para colocar imigrantes no Brasil. É criminoso. Um deputado havia montado um esquema com policiais federais na Liberdade e cobravam por atestado. Foi o Paulinho que denunciou esse esquema.
- O sr. avisou a polícia?
- Pedi um inquérito. Foi um mês antes de o Paulinho ser preso. É por isso que ele me liga no dia da prisão. Tinha medo de que não fossem policiais, mas pessoas dessa máfia.
- Numa gravação, um assessor do sr. tenta liberar aparentemente uma carga apreendida.
- É outro absurdo. Se divulgassem a conversa inteira, veriam que não é mercadoria. São livros contábeis. Um empresário me liga e diz: “Veio um fiscal na minha loja e pegou os livros. Para devolver, ele quer R$ 30 mil.” Falei: “Vamos prender o cara”. Pedi para um assessor descobrir quem era o delegado da Receita na região. O empresário foi lá e denunciou.
Não cometi nenhum crime.
- O sr. também é acusado de tentar ajudar a família da deputada Haifa Madi, presa com US$ 123 mil no aeroporto de Cumbica.
- Recebi dezenas de telefonemas nesse caso, inclusive de pessoas do Judiciário. Me perguntavam se podia sair do Brasil com US$ 10 mil ou R$ 10 mil. Eu não lembrava. Era domingo. Liguei para um assessor e contei o caso. Quando soube que eles tinham sido presos na sexta à noite, dois dias antes, falei: “Então tá morto, tá putrefato”. O que eu queria dizer é: por que me ligam se as pessoas já estão presas? Como fazem divulgação seletiva e criminosa dos diálogos, acham que estou dizendo que já não dá para ganhar uma nota.
- É normal um secretário da Justiça ter esse tipo de conversa?
- Sou servidor público e tenho obrigação de atender as pessoas. É natural que uma deputada ligue quando tem parentes presos. Isso não é crime.
- Um assessor seu, Paulo Guilherme Mello, é investigado sob suspeita de ajudar a máfia chinesa. Por que o sr. não o afastou do cargo?
- Ele é um policial federal e não posso prejulgar uma pessoa por uma investigação a que eu não tive acesso.
- O sr. sabe por que seu depoimento não está no inquérito?
- Isso é muito grave. Fui delegado de polícia e, se ouvisse uma pessoa num inquérito e não juntasse o depoimento, estaria na rua. Isso é crime. Não tive direito a defesa.
- O sr. acha que essa investigação da PF cometeu abusos?
- Do jeito que essa investigação está sendo tratada, é um abuso. Não da PF, mas de algumas pessoas da PF. Fui investigado e chegou-se à conclusão que não deveria ser denunciado. O caso foi arquivado.
- Por que uma investigação de setembro veio à tona agora?
- Estou sendo vítima do crime organizado e de uma armação política muito grande. Com a política que implantamos no ministério, virei símbolo do combate à lavagem de dinheiro, da cooperação internacional. Quando fui para a Comissão de Pirataria, é evidente que isso criou um desconforto. O objetivo não é me investigar, é desmoralizar. O crime organizado age assim: mata testemunhas e desmoraliza os chefes da investigação”.

 

Nova denuncias complicam situação de Tuma Jr.
Do repórter Roberto Maltchick, de ‘O Globo’:
“As novas denúncias de envolvimento com Li Kwok Kwen ? preso como um dos chefes da máfia chinesa no Brasil e acusado de contrabando pelo Ministério Público Federal ? complicaram a situação do secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr., dentro do governo. Depois que o presidente Lula disse, no sábado, que Tuma Jr. terá de ser punido ?como qualquer brasileiro?, se as denúncias forem comprovadas, o Palácio do Planalto já admite que ele precisará dar explicações plausíveis se quiser se manter no cargo e estancar o estrago causado pelo escândalo.
O governo avalia que a situação de Tuma Jr. piora à medida que são reveladas novas conversas interceptadas pela PF demonstrando a intimidade do secretário com Kwen. O líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse ontem que Tuma Jr. precisa dar mais explicações para afastar as dúvidas sobre sua conduta à frente da Secretaria Nacional de Justiça.
? Se não tiver uma explicação plausível, não tem alternativa senão afastar o servidor.
Neste caso, essa é uma decisão que deve ser avaliada pelo ministro da Justiça ? afirmou.
No último sábado, o jornal ?O Estado de S. Paulo? revelou trechos de conversas telefônicas que indicam outra ação de Tuma Jr., desta vez para tentar amenizar o flagrante de uma apreensão de US$ 160 mil, no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP). O dinheiro estava na bagagem da deputada estadual Haifa Madi (PDT). Durante a operação, que interceptou a remessa ilegal de dinheiro para Dubai, nos Emirados Árabes, sete pessoas foram presas.
Na avaliação de auxiliares, o presidente Lula está insatisfeito com os argumentos apresentados até agora por Tuma Jr., especialmente a respeito das conversas em que trata da compra de produtos, como telefones celulares supostamente contrabandeados.
? A questão é mais ética do que criminal. Não há, de fato, processo contra o Tuma Jr. O problema é que o cargo dele é totalmente incompatível com esse tipo de atividade ? disse um interlocutor do presidente.
O secretário acumula a função de presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria desde o dia 23 de abril. Na posse de Tuma Jr. no Conselho, o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, destacou seu mérito para assumir o posto.
? Não existe máfia no mundo que o Tuma não conheça.
Sua indicação agrega um valor substantivo ao trabalho do órgão ? disse o ministro referindose à atuação de Tuma como delegado da Polícia Civil de São Paulo.
Hoje, a situação de Tuma Jr.será discutida entre o presidente Lula, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e outros ministros durante a reunião de coordenação de governo. O presidente também recebe relatos periódicos sobre o caso do ministro da Justiça.
No sábado, em São Bernardo do Campo (SP), durante o lançamento da campanha nacional de vacinação, Lula admitiu que a permanência de Tuma no governo não está assegurada, embora tenha lembrado sua história como delegado e filho de um homem ?de muito respeito em São Paulo?, o senador Romeu Tuma (PTB-SP)”.

  • Segunda-feira, 10 Maio 2010 / 3:59

Governo cobra explicações de Tuma

Dos repórteres Tânia Monteiro e Leandro Colon, do ‘Estadão’:
“O Palácio do Planalto considerou insuficientes as explicações do secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, captado por escutas telefônicas legais da Polícia Federal em troca de favores com um dos chefes da máfia chinesa no Brasil, Li Kwok Kwen, o Paulo Li.
Na avaliação do governo, o silêncio de Tuma Júnior – que é delegado da Polícia Civil de São Paulo – somado ao desdobramento das investigações pode tornar a situação do secretário “insustentável”. Paralelamente, articuladores do Planalto ainda tentam colocar “panos quentes” no caso.
Expoente da hierarquia do Ministério da Justiça, Tuma Júnior comanda áreas estratégicas como o Departamento de Recuperação de Ativos (DRCI), que é responsável pelo rastreamento de dinheiro ilegal no exterior, e o Departamento de Estrangeiros.
Como o Estado revelou na edição de ontem, o secretário nacional de Justiça mantinha estreita ligação com Paulo Li, hoje um presidiário na capital paulista.
Li foi preso pela PF com mais 13 pessoas, sob acusação de comandar uma quadrilha especializada no contrabando de telefones celulares falsificados, procedentes da China, durante a Operação Wei Jin (trazer mercadoria proibida, em chinês), deflagrada em setembro de 2009.
Sob o impacto do noticiário, Tuma Júnior preferiu silenciar, dar declarações sucintas a imprensa e ofereceu explicações consideradas fracas para seu superior hierárquico, o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto.
O secretário chegou a convocar a imprensa para uma entrevista coletiva. Prometeu que se defenderia publicamente, mas depois desistiu.
Em um movimento para não atrair para o Planalto o escândalo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu a senha para Barreto exonerar o auxiliar.
Lula “despolitizou” Tuma Júnior, filho do senador Romeu Tuma (PTB-SP), aliado do governo, afirmando que esse era um assunto do Ministério da Justiça. “Eu vi informações hoje (ontem) sobre o delegado Romeu Tuma. Primeiro tem de esperar a investigação. Todo mundo sabe que é um delegado muito experimentado na polícia brasileira. É um homem que tem uma folha de serviços prestados ao País”, disse.
“Se há uma denúncia contra ele, a única coisa que temos de fazer, antes de precipitarmos decisão, é investigar da forma mais democrática possível”, afirmou o presidente Lula, no Palácio do Itamaraty, onde recebeu as credenciais de novos embaixadores estrangeiros.
Mas as idas e vindas do secretário e a escassez de respostas colocaram o Planalto no enredo. À tarde, Barreto foi chamado para uma reunião no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede provisória da Presidência da República.
Oficialmente, ele foi lá para tratar da Comissão da Verdade, prevista no decreto do Plano Nacional de Direitos Humanos. Barreto teria sido orientado a exigir explicações que sufocassem a crise ou a abreviasse, com a exoneração do secretário nacional de Justiça.
Depois do encontro com o presidente Lula e outros ministros, Barreto saiu sem falar com a imprensa.
Ao chegar para trabalhar pela manhã, Tuma Júnior reuniu-se com seus principais assessores para analisar sua defesa. Foi então chamado para uma reunião às pressas com o ministro na hora do almoço. O encontro não estava agendado. Tuma Júnior defendeu-se e afirmou ao ministro que não havia praticado nada de irregular.
Antes desse encontro, a reportagem do Estado o abordou nos corredores do ministério. O secretário tentou demonstrar tranquilidade e afirmou que não era dono do cargo que ocupa no governo. “Eu não sou do cargo”, declarou Tuma Júnior.
Logo depois, minimizou as acusações: “Eu não fiz nada”. Indagado sobre as relações com o chinês Paulo Li, o secretário partiu para a ironia: “Eu não sou racista”.
No início da tarde, após a reunião com o ministro, foi questionado pelo Estado sobre sua permanência no governo. Ele desconversou: “Primeiro o serviço, depois a fofoca”.
A assessoria do Ministério da Justiça avisou os jornalistas que, para comentar as acusações, ele daria uma entrevista coletiva após a reunião que teria sobre Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp), com a participação de secretários estaduais de Justiça, representantes do Ministério Público, da Advocacia Geral de União (AGU) e do Poder Judiciário.
Ele, aliás, comandou essa reunião da Enasp, que contou com a presença do ministro Barreto por alguns minutos. Tuma Júnior, no entanto, ausentou-se da sala por cerca de 40 minutos. Seu destino foi incerto. Depois da reunião, ele informou que não daria mais a prometida entrevista, alegando que não teve acesso à investigação”.

Chinês tem ligações com Tuma há 30 anos
Dos repórteres Mario Cesar Carvalho, Flavio Ferreira e Rubens Valente, da ‘Folha’:
“O chinês naturalizado brasileiro Li Kwok Kwen, de 53 anos, conhecido como Paulo Li e preso pela Polícia Federal no ano passado sob acusação de importar ilegalmente telefones celulares, mantém relações com a família Tuma desde os anos 80.
Naquela década, quando o atual senador Romeu Tuma (PTB-SP) era superintendente da PF paulista, o chinês deu aulas de kung fu na sede paulista do órgão. Li tem uma academia na Liberdade, em São Paulo.
A partir de 1995, quando Tuma se lançou ao Senado, Li ajudou em campanhas políticas dos Tuma. Até hoje, Paulo Li é o elo da família com a comunidade chinesa. Dois filhos do senador tiveram carreira política: Robson foi deputado federal (2002-2005) e Romeu Tuma Jr., estadual (2003-2006).
Ontem, o jornal “O Estado de S. Paulo” revelou que uma investigação da PF do ano passado encontrou indícios de que Tuma Jr., hoje secretário nacional de Justiça, auxiliou Li a regularizar a situação de chineses que viviam clandestinamente em São Paulo. Gravações da PF mostram Tuma Jr. pedindo celulares para Li.
Policiais da PF ouvidos pela Folha sob a condição de anonimato disseram que é exagero qualificar Li como líder da máfia chinesa em São Paulo. Ele ocuparia um papel entre médio e pequeno no contexto dos esquemas de contrabando que operam na capital paulista.
A investigação sobre Li começou em 2009 de forma casual. A PF investigava um agente federal lotado na superintendência paulistana quando percebeu que ele mantinha contatos com outro colega que dizia, ao telefone, ter condições de resolver problemas de vistos para estrangeiros no Brasil.
As conversas do segundo o policial, por sua vez, levaram os investigadores à família Li. Foram autorizadas interceptações telefônicas e de e-mail -a Operação Wei Jin foi colocada em andamento.
Seis meses depois, em setembro, o procurador da República em São Paulo Marcos José Gomes Corrêa, que acompanhou o caso, representou à Justiça Federal pela prisão de Li e seus três filhos, Renato, 28, André Man Li, 26, e Marcelo, 24.
O esquema, segundo as investigações, funcionava da seguinte forma: o grupo recebia telefones celulares por meio de entregas postais por encomenda, o chamado serviço “courier”, feito por uma empresa de exportação sediada na China, a Express Mail Service.
Em seguida, os celulares eram adulterados numa empresa de brindes, que acrescentava marcas famosas como Nokia, Sony e Motorola. Os aparelhos eram então despejados no comércio informal.
Um primo de Li, Lee Lap Fai, afirmou, em depoimento à PF, que eram trazidos ao Brasil, em média, 230 celulares por semana. Em setembro também estava sendo formado um estoque para as vendas do final do ano.
A juíza federal substituta da 3ª Vara Federal Criminal de São Paulo Letícia Dea Banks Ferreira Lopes decretou, em 9 de setembro, a prisão preventiva de Li, seus filhos e primo.
Ao mesmo tempo, ela expediu mandados de busca e apreensão contra endereços ligados ao clã, incluindo a academia de kung fu comandada por Li, a A.C.W. Associação Chin Wu, Artes Marciais e Esporte Center do Brasil, que funciona na rua Conselheiro Furtado, na Liberdade.
Nos seis meses de interceptações telefônicas, a PF detectou que um policial militar escoltava o transporte de mercadorias contrabandeadas, e outro servidor público lotado no Ministério Público do Estado de São Paulo teria auxiliado a suposta quadrilha com dados sobre investigações em andamento.
Paulo Li está preso desde então. O inquérito foi tornado ação penal, que tramita na 3ª Vara Federal Criminal.
O caso principal deu origem a dois inquéritos. Um apura possíveis irregularidades na obtenção de vistos e regularização de chineses em situação ilegal no Brasil, e o outro trata de suposta advocacia administrativa atribuída a um policial federal”.

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