Lula volta a cidade onde nasceu

    

A casa onde Lula nasceu

 Do ‘Jornal do Comércio’, de Recife:
“Encravada nas serras do Agreste Meridional, esta pequena cidade a 252 km do Recife jamais viveu dias tão agitados. Tudo por causa da visita do seu filho mais ilustre, que migrou com a família aos sete anos para tentar a vida em São Paulo, e ontem retornava pela primeira vez na condição de presidente da República. Motivo mais que suficiente para provocar a ansiedade dos conterrâneos, que desde a terça-feira viram as ruas da pequena cidade serem invadidas por policiais, faixas e carros de som, que alardeavam a visita.
Com quase uma hora de atraso, um presidente Luiz Inácio Lula da Silva sorridente subia ao palco armado no Centro de Eventos da cidade. Estava lá para lançar o programa nacional Um computador por aluno, que tem como objetivo melhorar o acesso dos jovens estudantes de escolas públicas à informática e à internet. O presidente entregou os primeiros notebooks a 20 alunos de quatro escolas da cidade, mas fez questão de dizer que, antes de deixar o governo, serão entregues os computadores para as 41 escolas da zona rural. Ao todo, serão distribuídos 15 mil computadores em 300 escolas pelo País.
Lula poderia ter indicado qualquer cidade do País para o piloto do programa. Mas a escolha de Caetés foi pessoal. Adotei o critério Lula!, brincou. Depois, os estudantes foram chamados um a um para receber o laptop das mãos do presidente.
O momento emocionante ficou por conta da estudante Damires Lopes, que falou em nome dos colegas. Você é uma pessoa que, assim como eu, sempre acreditou em si, e jamais apostou no fracasso. É um exemplo de que posso ir além dos meus limites, disse Damires, levando o presidente às lágrimas.
Ao discursar, Lula se referiu a Caetés ainda como Vargem Comprida, nome dado ao sítio onde nasceu, quando Caetés ainda era distrito de Garanhuns. Saí daqui com sete anos e só voltei pela primeira vez 27 anos depois, em 1979. Só fiquei decepcionado porque o açude na frente da minha casa, que me parecia o mar, diminuiu, ficou parecendo uma poça, brincou, elogiando, porém, o desenvolvimento da cidade, e prometendo voltar após deixar o cargo. Vou ter mais tempo de vir aqui quando não for mais presidente. E agora que o governador Eduardo Campos me convidou pra ficar na casa dele, venho mesmo, completou. (S.M.F.)”

            LULA REUNE TODOS OS SILVAS
 
     “Na sua primeira e provavelmente última visita à terra natal desde que assumiu o poder no País, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez questão de se reunir reservadamente com seus familiares, antes de iniciar o ato oficial no palanque. No grupo que o aguardava, em um espaço exclusivo no Centro de Eventos de Caetés, estavam primos da primeira, segunda e até terceira gerações, que não escondiam a ansiedade de rever o parente ilustre.
A emoção tomou conta, por exemplo, de figuras como Cícero Cardoso, Tio do PT, primo legítimo do presidente, que, aos 65 anos, não conseguia conter as lágrimas simplesmente ao ouvir a menção do nome de Lula, de quem ganhou o apelido, óbvio, de Chorão. Já os caçulas da família, Emanuel Melo (10) e Vitória Melo (8), eram só sorrisos. Já estivemos com ele (Lula) antes, na inauguração do Senai de Garanhuns (2007). Mas foi a única vez que vimos ele, explicou a pequena Vitória, nascida no mesmo ano em que o primo presidente venceu sua primeira eleição.
Já o veterano Tio Cardoso, fundador do PT em Caetés, lembra bem daquela eleição. Ele foi, inclusive, um dos primos que integraram a Caravana dos Silvas, que viajou dois dias num ônibus de Garanhuns a Brasília para assistir à posse de Lula, em 1º janeiro de 2003.
Entusiasmado, Cardoso fez uma análise nada modesta dos oito anos de gestão do primo: Lula encontrou um trem virado. Ele refez os trilhos, botou o trem neles e agora esse trem está andando como nunca andou antes, comparou, elogiando a gestão petista. O problema é que a oposição não se contenta. Mas eles precisam admitir que saímos de 500 anos de recessão, e hoje os grandes líderes mundiais dizem que em 2016 o Brasil não vai mais ter miséria, emendou.
Ao lado do Tio do PT estavam os primos mais chegados do presidente: Antônio, Cleonice, Manoel de Sérgio, Gilberto e José Cazuca. Todos ex-integrantes da Caravana dos Silvas. Dilma Rousseff vai ser a continuidade do governo de Lula. Ela é corajosa como ele, só que é mais dura ainda, analisou outro primo, José Maria de Melo. Se Dilma perder, voltaremos à estagnação, acrescentou o professoral Cardoso.
O encontro, que durou 40 minutos, contou com a apresentação do forrozeiro Mourinha, que cantou a música O menino que virou presidente, de sua autoria. Lula conhecia Mourinha de outras passagens por Pernambuco.
Embora a lista do cerimonial do Palácio do Planalto indicasse 25 familiares convidados, apareceram cerca de 50 parentes, que tentavam a todo custo falar com o primo presidente. Foi o caso, por exemplo, de Nelsina de Souza (61). De acordo com ela, sua mãe, Maria Rodrigues (87), prima legítima de Lula, precisava urgentemente ir a São Paulo para uma cirurgia de vesícula, mas não tinha condições financeiras de bancar a viagem. Vou tentar pedir ajuda. Afinal, nós somos parentes de um presidente e estamos vivendo na lama!, protestou. Nelsina, no entanto, não conseguiu entrar com o grupo de familiares para o encontro com o primo ilustre. (S.M.F.)”.