• Terça-feira, 20 Julho 2010 / 11:57

Cabral já tem arma para campanha

   O presidente Lula cancelou parte da agenda oficial, ontem de manhã, para gravar sua participação no programa de TV do governador do Rio, Sérgio Cabral, que concorre à reeleição.
Essa será a mais poderosa arma de campanha do governador do Rio.
Mas será a única.

  • Terça-feira, 20 Julho 2010 / 11:49

Lula deve ignorar SIP

  Lula foi convidado pela desacreditada Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) a participar de sua assembléia-geral, em novembro no México.
Ontem, Alejandro Aguirre, o bestalhão que preside a entidade, disse que o Governo Lula “não pode ser chamado de democrático”, e o comparou a Hugo Chavez e a Evo Morales, no tratamento dedicado à imprensa.
A Presidencia da República não sabe como responder o convite.
                      * * *
Simples: não precisa mandá-lo para o inferno.
Basta não responder.

  • Sábado, 17 Julho 2010 / 11:28

Serra com os sinais trocados

  José Serra fez, em Pernambuco, a melhor intriga de sua campanha.
Disse que é amigo pessoal de Lula e de Fernando Henrique Cardoso, e eles “são muito mais parecidos do que parece. O ouvinte aqui pode estar surpreso, mas eu conheço os dois”.
                   * * *
A declaração de Serra certamente desagradou a Lula e a FHC.
Mas uma coisa é certa. Os dois chegaram à Presidência usando chapéu de couro, montados num jegue e comendo carne de bode com jerimun.
Em sua caminhada por Caruaru, ontem, Serra parou três vezes para tomar um cafezinho.
E, em Gravatá, ao invés do forró deliciou-se com um concerto do pianista filipino Victor Assunción, na Igreja Matriz de Sant’Anna, parte do projeto Virtuosi de música erudita.
O tucano e sua comitiva chegaram atrasados ao concerto e, por isso, foi vaiado pelos presentes.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 4:01

Cabral comanda festa para Dilma

O governador Sergio Cabral comandou a festa para a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff

O governador Sergio Cabral comandou a festa para a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff

Será que algum jornal irá reclamar do fato do governador do Rio de Janeiro, candidato a reeleição,  ter participado hoje, em São João do Meriti, de um ato político no horário de expediente de trabalho?
O Presidente Lula, que não é candidato a nada, poderia participar de um encontro político com prefeitos, tendo ao lado a candidata Dilma Rousseff?
Por que razão o candidato  Sergio Cabral pode fazê-lo?
Quem pagou a gasolina do helicóptero, ou do carro, que conduziu o candidato Cabral a churrascaria Oasis?
Quantos crimes eleitorais foram praticados pelo governador nesse ato?
                   * * *
O almoço fazia parte da agenda oficial de Sergio Cabral.
No portal do governo do Estado, foi postada, às 18h07m, uma notícia informando que ”o governador Sergio Cabral e a ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff reuniram-se nessa segunda-feira (10/5) com 86 prefeitos fluminenses”.
Ao portal do governo, Sergio Cabral declarou textualmente:
“Acho que este foi um ato de enorme expressão política, como nunca houve na história deste estado, com 86 prefeitos dos 92 municípios. É uma demonstração do que o povo do Rio de Janeiro tem de mais forte, a gratidão. O que fizemos foi um agradecimento à ex-ministra que comandou todo o processo de infraestrutura deste país nos últimos anos”.
                   * * *
É claro que a Justiça Eleitoral só se manifesta quando provocada.
Caso o candidato Fernando Gabeira, ou Anthony Garotinho, peçam a punição do candidato do PMDB, qual deverá ser o julgamento do TRE?
Os jornais, certamente, não verão nada de condenável.
Só Lula é que não pode…

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 4:01

Dilma: “Fizemos e sabemos fazer”

A candidata Dilma Rousseff deu uma longa entrevista aos editores da revista ‘Istol É’. Eis o seu texto:
- Por que a sra. acha que o presidente Lula a escolheu para sucedê-lo e quando exatamente se deu isso?
- O presidente Lula me escolheu quatro vezes. A primeira foi na transição do governo de Fernando Henrique para o governo Lula, em 2002. O presidente me chamou para fazer a coordenação da área de infraestrutura porque me conhecia das reuniões do Instituto de Cidadania. Depois ele me escolheu para ser ministra de Minas e Energia. E, em 2005, para ser ministra da Casa Civil. Por último, me escolheu para ser pré-candidata para levar à frente o projeto de governo. Acho que me escolheu porque acompanhei com ele a construção de todos os grandes projetos. O presidente sabe que nós conseguimos, juntos, fazer estes projetos.
- Ser presidente era uma ambição pessoal da sra.?
- É um momento alto da minha vida, talvez o maior. Tem gente que passou uma vida inteira querendo ser presidente da República. Eu era mais modesta. Fui para a atividade pública porque queria servir. Pode parecer uma coisa falsa, mas acho que se pode servir à população brasileira no setor público. Sempre acreditei que o Brasil podia mudar, mas isto era uma questão longínqua. Quando o Lula me chamou para a chefia da Casa Civil, ele pretendia que o governo entrasse na trilha do crescimento e da distribuição de renda para que o Brasil desse um salto, e vi nisso uma grande oportunidade.
- A sra. se considera preparada para o cargo?
- Tenho clareza, hoje, de que conheço bem o Brasil e os escaninhos do governo federal. Então, sem falsa modéstia, me acho extremamente capacitada para o exercício desse cargo. E acredito que o fato de não ser uma política tradicional pode incutir um pouco de novidade na gestão da coisa pública. Uma novidade bem-vinda. Na minha opinião, critérios técnicos se combinam com políticos. Escolher onde aplicar é sempre um ato político. Por exemplo, eu acho que a grande missão nossa é erradicar a pobreza e que é possível erradicá-la nos próximos anos. Isto é um ato político. Outra pessoa pode escolher outra coisa.
- No horizonte de um governo, é possível erradicar a pobreza?- Tem um estudo do Ipea mostrando que até 2016 é possível erradicar a pobreza extrema, a miséria. Mas o empresário Jorge Gerdau costuma dizer que meta que se cumpre é meta errada. Metas não são feitas para cumprir, mas para estabelecer um objetivo, criar uma força. Assim, acredito que o prazo de 2016 é viável, mantido o padrão do governo Lula. Nossa meta pode ser ainda mais ousada. Só não vou dizer qual porque, se passar dois dias sem cumpri-la, vão dizer: Não cumpriu a meta, como fazem com o PAC. Atrasar uma obra de engenharia em seis meses é a catástrofe no Brasil.
- O presidente Lula também trabalhou com metas quando foi candidato. Ele falava em dez milhões de empregos…
- Acho que a gente fecha em 14 milhões. Falei com a área econômica de dois bancos e ambos consideram que o crescimento do PIB será de 6,4%, podendo chegar a 7%, o que dá condições para se chegar a estes 14 milhões de empregos. Os dados da produção industrial que fechamos em março apontam um crescimento muito robusto e sustentável porque são os bens de capital que estão puxando esse desempenho.
- O Banco Central está preocupado com este crescimento…
- Não, o Banco Central está preocupado com outra coisa. Ele não pode estar preocupado com a expansão dos bens de capital porque isso é virtuoso.
- Parece que há uma visão dissonante entre o Banco Central e a Fazenda sobre o desempenho da economia. Como a sra. vê essa questão?
- Os dois trabalham em registros diferentes. O BC faz uma análise necessariamente de curto prazo, porque ele trabalha com questões inflacionárias conjunturais, mais imediatas. Ele olha a pressão na hora que ela acontece. Já a Fazenda tem uma visão de mais médio e longo prazo. É outro registro. A Fazenda tem consciência de que o Brasil está em uma trajetória de estabilidade e de sustentabilidade. Agora, isso não é incompatível com o fato de você ter pressões inflacionárias imediatas. Acho que foi importante o aumento dos juros na última reunião do Copom.
- Isso não dá munição para os seus adversários?
- Nós já tivemos duas experiências muito ruins de, durante a eleição, fingir que é uma coisa e, depois, virar outra. Uma na virada do primeiro para o segundo mandato do Fernando Henrique Cardoso e outra no Plano Cruzado. Hoje somos perfeitamente capazes de elevar a taxa de juros e assumirmos as consequências, sem que isso signifique uma perda. Temos integral compromisso com a estabilidade.
- A sra. concorda com a política de juros do BC?
- Concordo. Acho que, da ótica do BC, ele fez o que precisava fazer. Nos Estados Unidos, onde há um histórico maior de estabilidade, o Federal Reserve tem dois olhos: um que olha a inflação e outro o emprego.
- O nosso só olha a inflação.
- No meu governo acho que, mais para o final, teremos condições de olhar as duas coisas: inflação e emprego.
- Teremos um BC diferente?
- Teremos uma política e uma realidade diferentes. Porque, para o BC fazer isto, é preciso uma redução da dívida líquida em relação ao PIB. O Brasil converge para condições monetárias de estabilidade que permitirão a combinação de outras variáveis. Criamos robustez econômica suficiente para fazer isso.
- A sra. vai enfrentar um candidato que também se apresenta como um pós-Lula. O que a diferencia dele?
- Só se acredita em propostas para o futuro de quem cumpriu suas propostas no presente. O que nos distingue é que nós fizemos, nós sabemos o que fazer e como fazer. Mais do que isso, os projetos dos quais eu participei 24 horas por dia nos últimos cinco anos são prova cabal de que somos diferentes.
- A sra. não acha importante o fato de o PT ter assumido o governo com um quadro de estabilidade da moeda?
- Eu não queria fazer isso, mas, se vocês insistem, vamos lá: recordar é viver. Nós assumimos o governo com fragilidades em todas as áreas. Taxas de inflação acima de dois dígitos, déficit fiscal significativo e, sobretudo, uma fragilidade externa monstruosa. Tínhamos um empréstimo com o FMI de US$ 14 bilhões. A margem de manobra nessa situação é zero. Você se coloca de joelhos junto aos credores internacionais. Quem fala com você é o sub do sub do sub. Isso não foi momentâneo. Foi uma década de estagnação, de desemprego e desigualdade. Nós tivemos, claro, coisas boas. Uma delas é a Lei de Responsabilidade Fiscal.
- Mas já cogitam mudá-la. A sra. é favorável a isto?
- Depende. Acho que para mexer em coisas que têm dado certo é recomendável caldo de galinha e muita calma. Mas, voltando ao recordar é viver, o Plano Real também teve mérito. Já em outros pontos fomos salvos pelo gongo. O País deve dar graças a Deus por não terem partido a Petrobras em pedaços, não terem privatizado o setor elétrico, Furnas, Eletronorte, Eletrosul. A privatização da telefonia foi correta, mas não acho hoje muito relevante. Hoje a banda larga é mais importante que a telefonia.
- A sra. acha que Serra seria a continuidade de FHC?
- Não tenho nenhum comentário a fazer sobre a pessoa José Serra. Tenho respeito por ele. Mas nós representamos projetos políticos distintos. Nós temos uma forma diferente de olhar o Estado.
- Ele também se apresenta como um economista da linha desenvolvimentista.  Acho muito significativa essa tentativa de borrar diferenças. Duvido que estariam borrando diferenças se o governo do presidente Lula tivesse menos que 76% de aprovação. Duvido. Há, neste processo, a tentativa de esconder o fato de que somos dois projetos. Tenho orgulho de ter sido ministra do presidente Lula. Devemos comparar as experiências de cada um. Eles diziam que não sabíamos governar, que só tivemos sorte. A gente gosta muito de ter sorte. Graças a Deus não somos um governo pé-frio. Mas quando chegou essa crise, muito maior que a de 1929, mostramos enorme competência de gestão, capacidade de reação e ousadia.
- O governo FHC foi incompetente?
- O governo FHC representa um processo em que não acredito. Não acredito num projeto de privatização de rodovias que aumenta o custo Brasil por causa dos pedágios, que embute taxas de retorno de 26% ao ano. Em estradas federais, a qualidade melhorou muito com pedágios bem menores por uma razão muito simples: nós não cobramos concessão onerosa. Logística é igual a competitividade na veia.
- O que a sra. faria diferente do atual governo?
- Nós tivemos que trocar o pneu do carro com ele andando. Algumas coisas concluímos, em outras não conseguimos avançar. Acho imprescindível, para o patamar de crescimento atingido, fazer a reforma tributária. Não é proposta, é uma exigência. Se quisermos aumentar nossa produtividade e, consequentemente, nossa competitividade, precisamos acabar com coisas absurdas como a tributação em cascata.
- O governo atual também diz que tentou fazer isto.
- Não deu agora porque reforma tributária significa conflito federativo. Aprendemos que é inviável fazer reforma tributária sem compensações porque ela tem tempos diferentes. Para neutralizar o efeito negativo da perda de arrecadação, vamos criar um fundo de compensação. Este é o único mecanismo negociável.
- Os acordos políticos resultarão ainda em loteamento de cargos?
- Não. O apoio político é totalmente legítimo. Em todos os países há uma composição política que governa. O que você tem que exigir é padrões técnicos. Lutei muito para implantar isso no governo.
- Está satisfeita com o que foi feito?
- Acho que podemos melhorar.
- A sra. será avó, em breve. E provavelmente seu neto nascerá num hospital privado e se educará numa escola particular. Em que momento a sra. acha que o Brasil estará pronto para mudar isso?
- Quero muito que isso aconteça porque me esforcei muito para estudar numa excepcional escola pública, que era o Colégio Estadual de Minas Gerais. A gente fazia um vestibularzinho para passar ali. Era difícil. Este é o grande desafio do Brasil. Para a educação ser de qualidade, não é só prédio, laboratório, banda larga nas escolas. É, sobretudo, professor bem remunerado e com formação adequada.
- Seu neto vai ter uma superavó, moderna, talvez presidente da República. Essa avó moderna também namora?
- Olha, eu não namoro atualmente, apesar de recomendar para todo mundo. Acho que faz bem para a pele, para a alma, faz todo o bem do mundo.
- Uma vez eleita, a sra. assumiria um relacionamento? A sra. casaria no meio do mandato?
- A vida não é assim, tem que se confluírem os astros…Eu não sou uma pessoa carente propriamente dita, tive uma vida afetiva muito boa, muito rica. Mas nos relacionamentos há uma variável que é estratégica, que é com quem eu vou casar. Essa variável estratégica eu tenho que saber, porque assim, no genérico, isso não existe. Agora, vamos supor que a pessoa seja maravilhosa e eu esteja apaixonadíssima…
- A sra. está fechada para isso?
- Não, ninguém pode estar na vida. Mas para mim é uma coisa muito distante. E depende dessa variável: que noivo é esse?
- Qual a sua posição em relação ao aborto? A sra. passou pela experiência de fazer um aborto?
- Eu duvido que alguma mulher defenda e ache o aborto uma maravilha. O aborto é uma agressão ao corpo. Além de ser uma agressão, dói. Imagino que a pessoa saia de lá baqueada. Eu não tive que fazer aborto. Depois que minha filha nasceu, tive uma gravidez tubária, eu não podia mais ter filho. E antes disso só engravidei uma vez, quando perdi o filho por razões normais. Tive uma hemorragia, logo no início da gravidez, sem maiores efeitos físicos.
- Isso foi antes de sua filha nascer?
- Foi antes. Tanto é que eu fiquei com muito medo de perder minha filha, quando fiquei grávida. Mas todas as minhas amigas que vi passarem por experiências de aborto entraram chorando e saíram chorando. Eu acho que, do ponto de vista de um governo, o aborto não é uma questão de foro íntimo, mas de saúde pública. Você não pode hoje segregar mulheres. Deixar para a população de baixa renda os métodos terríveis, como aquelas agulhas de tricô compridas, o uso de chás absurdos, de métodos absolutamente medievais, enquanto as mulheres de renda mais alta recorrem a clínicas privadas para fazer aborto. Há muita falsidade nisto.
- A sra. defende uma legislação que descriminalize o aborto?
- Que obrigue a ter tratamento para as pessoas, para não haver risco de vida. Como nos países desenvolvidos do mundo inteiro. Atendimento público para quem estiver em condições de fazer o aborto ou querendo fazer o aborto.
- A Igreja Católica se opõe a isto.
- Entendo perfeitamente. Numa democracia, a Igreja tem absoluto direito de externar sua posição.
- A sra. é católica?
- Sou. Quer dizer, sou antes de tudo cristã. Num segundo momento sou católica. Tive minha formação no Colégio Sion.
- A sra. passou por um tratamento para curar um câncer e precisa submeter-se a revisões periódicas. O que deu sua revisão dos seis meses?
- Agora faço de seis em seis meses. Fiz há pouco, em abril, e deu tudo perfeito.Existe na sociedade e em cada um de nós uma visão ainda muito pesada sobre a questão do câncer. E isso provoca nas pessoas muita dificuldade em tratar a doença Eu tive a sorte de descobrir cedo. Estava fazendo um exame no estômago e resolveram ver como estavam minhas coronárias. Eu fui para fazer um exame de coronária e descobri um linfoma.
- Como a sra. reagiu?
- A notícia é impactante. Na hora eu não acreditei, estava me sentindo tão bem. Há uma contradição entre o que você sente e o que te falam. Para combater o câncer você precisa encontrar forças em você mesma. Tem que se voltar para você, não pode, de jeito nenhum, se entregar. Depois, você combate porque conta com apoio. Eu tive uma sorte danada, recebi apoio popular. Chegavam perto de mim e falavam que estavam rezando. A gente se comove muito. E também tive apoio dos amigos, do presidente, de meus colegas no governo.
-  A sra. rezava?
-  Ah, você reza, sim. E reza principalmente porque não é o câncer que é ruim, é o tratamento.
- A sra. tem medo que o câncer volte?
- Hoje não.
- Como a sra. encara a vida depois disso?
- A gente dá mais valor a coisas que costumam passar despercebidas. Você olha para o sol e fica pensando se você vai poder continuar vendo esta coisa bonita. Você fica mais alerta. Só combate isso se tiver força interna. Vou contar uma coisa. Eu não conhecia a Ana Maria Braga e um dia ela me ligou e conversou comigo explicando como tinha vencido o câncer dela, que o dela era mais difícil, diferente, e que superou. Vou ter sempre uma dívida com ela, porque, de forma absolutamente solidária e humana, ela me ligou naquele momento.
- Mudando de assunto, o Lula é um bom chefe?
- Sim. O Lula é uma pessoa extremamente afetiva. Ele não te olha como se você fosse um instrumento dele. Te olha como uma pessoa, te leva em consideração, te valoriza, brinca. Ele tem uma imensa qualidade: ele ri, ri de si mesmo.
- A sra. também será assim como chefe? Porque dizem que a senhora é o contrário disto, durona…
- Você não pense que o Lula não é duro não, hein. É fácil até para você cobrar, em função disto. Basta dizer: amanhã tem reunião com o Lula. Simples…
- As reuniões são muito longas?
- A busca de um consenso é um jeito que criamos no governo. Algumas vezes o presidente chamava isto de toyotismo. Não é a linha de montagem da Ford, onde cada um vai olhando só uma parte. É aquele método de ilha da Toyota, porque você faz tudo em conjunto. Outra coisa é que a gente sempre discute com os setores interessados. Sabe como saiu o Minha Casa, Minha Vida? Porque nós sentamos com eles (empresários da construção civil) e conversamos. Eles criticando o que se fazia, os 13 grandes mais a Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil. Se você não fizer isso, se não for absolutamente exaustivo no debate do detalhe, o projeto não fica em pé. Na curva ele cai.
- Hoje todo mundo comenta, inclusive dentro do partido, que, a partir da entrada do presidente na campanha, suas chances de vitória aumentam. A sra. traz essa expectativa também?
- Do nosso ponto de vista já é dado que o presidente participa. Nós nunca achamos que ele vai chegar um dia e participar depois. O presidente é a maior liderança do PT, a maior liderança da coligação do governo, uma das maiores lideranças do País, uma das maiores lideranças do mundo…
- O fato de ter duas mulheres pela primeira vez concorrendo dará um tom diferente à campanha?
- Acho que as mulheres estão preparadas para pleitear as suas respectivas candidaturas e o Brasil está preparado para as mulheres agora. Penso que é muito importante que haja um olhar feminino sobre o Brasil. As mulheres são sensíveis e isso é uma grande qualidade. As mulheres são sensatas e objetivas até porque lidam na vida privada com condições que exigem isto. Ou você não conseguiria botar filho na escola, providenciar comida, mandar tomar banho, ir trabalhar… As mulheres também são corajosas: a gente segura dor, a gente encara.
- A sra. é a favor ou contra a reeleição?
- Sou a favor. Acho muito importante.
- A sra. cederia a possibilidade de uma reeleição para o presidente Lula, no caso de ele querer se candidatar em 2014?
- Ele já me disse para não responder a essa pergunta.
- Até quando a sra. vai obedecer cegamente o que ele manda?
- Lula não exige obediências cegas.
- A sra. acompanha futebol como o presidente Lula?
- Quero o Neymar e o Ganso na Seleção. Tenho muita simpatia pelo Ganso, aquele jeito meio desconcertado de falar. Mas gosto dos dois. Eles trouxeram alegria de volta para o futebol. Jogam de forma desconcertante e atrevida.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:59

Thomaz Bastos defenderá Lula

Do repórter Flavio Ferreira, da ‘Folha’:
“O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, será defendido por Márcio Thomaz Bastos, seu ex-ministro da Justiça e advogado criminalista, em uma das ações apresentadas à Justiça Eleitoral.
Bastos defenderá o presidente em ação por suposto uso da máquina pública e propaganda eleitoral antecipada em favor da pré-candidata do PT Dilma Rousseff, nas festas de 1º de Maio das centrais sindicais.
A atuação de Bastos neste momento sugere que a representação proposta nesta semana pelo DEM causou grande preocupação ao PT, uma vez que a estratégia jurídica do partido para as eleições prevê o aproveitamento do peso jurídico e político do criminalista somente nos casos mais sensíveis que envolvam Lula e Dilma.
O ex-ministro da Justiça também atuará nos próximos meses como consultor do coordenador jurídico da campanha petista, o deputado federal José Eduardo Martins Cardozo.
Na ação em andamento, Lula poderia ser defendido pela AGU (Advocacia-Geral da União), mas será representado em juízo apenas por Bastos.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) já aplicou duas multas a Lula, nos valores de R$ 10 mil e R$ 5.000, em ações em que o presidente foi acusado de fazer propaganda eleitoral antecipada em favor de Dilma.
Os casos ocorreram em um evento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no Rio de Janeiro, em maio de 2009, e na inauguração do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados de São Paulo, em janeiro de 2010.
Além das representações referentes à participação de Lula nas festas de 1º de Maio, a oposição também propôs ações relativas ao pronunciamento do presidente em rede nacional de rádio e TV na semana passada.
A equipe jurídica do PT, que terá seis núcleos de atuação, está praticamente fechada. De acordo com proposta em análise pela direção, o time poderá contar com até 20 advogados.
Faltam apenas alguns detalhes para a contratação formal do advogado especialista em direito eleitoral Márcio Silva, que já trabalhou para o PT nas últimas três eleições presidenciais, ao lado do ex-advogado e atual ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) José Antonio Dias Toffoli. Ele deverá atuar como um dos coordenadores do time jurídico.
O ex-secretário Nacional de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça da gestão de Bastos, Pierpaolo Cruz Bottini, estará na equipe jurídica do PT.
O advogado Flávio Caetano também fará parte da estrutura jurídica. Ele já cuidou da apresentação de ações à Justiça Eleitoral contra membros do PSDB pelo suposto uso de sites da internet para ofender Dilma e outros petistas”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:59

Tuma Jr. só sai se surgir fato novo

Dos repórteres Kennedy Alencar, Fábio Amato e Lucas Ferraz, da ‘Folha’:
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá manter Romeu Tuma Jr. no cargo de secretário nacional de Justiça. Nas palavras de um ministro, só um “fato novo” poderia levar Lula a demiti-lo.
Investigação da Polícia Federal obteve gravações telefônicas e troca de e-mails entre Tuma Jr. e Li Kwok Kwen, o Paulo Li, que foi preso em 2009 sob acusação de contrabando.
Nas gravações, Tuma Jr., que também é presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria, trata da compra de um celular, de videogame e até de regularização da situação de chineses que viviam clandestinamente em São Paulo. Embora tenha sido flagrado nos grampos da PF, o secretário não foi alvo do inquérito.
Na visão presidencial, não há nessa investigação uma ilegalidade cometida por Tuma Jr., a quem o presidente considera “um bom policial”, de acordo com um auxiliar direto.
Lula se considerou satisfeito com as explicações de Tuma Jr., oferecidas anteontem, quando o jornal “O Estado de S. Paulo” divulgou reportagem vinculando-o à máfia chinesa.
No entanto, o presidente pediu ao ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, que buscasse mais informações.
Até ontem, Barreto não obtivera, segundo a cúpula do governo, um dado que comprometesse Tuma Jr. Barreto confirmou ontem em Buenos Aires que fez à PF “um pedido formal de informações” sobre o caso, “a fim de poder fazer uma avaliação mais precisa”, mas descartou afastar Tuma Jr. imediatamente.
A Folha apurou que o presidente deverá voltar a tratar do tema hoje com o ministro. Sem o tal “fato novo”, a posição presidencial será manter Tuma Jr. Se surgir algo desabonador, o secretário perderá o cargo.
Um ministro disse que, no máximo, houve um pedido de favor de Paulo Li, mas não uma ilegalidade. Segundo ele, ficaram claras as relações de amizade da família Tuma com Li. Sobre a prisão de Li em 2009 sob acusação de contrabando, um auxiliar direto do presidente diz que Tuma Jr. não pode ser demitido por ter trocado telefonema e pedido favores. O ex-ministro da Justiça Tarso Genro disse ontem, em Porto Alegre, que as gravações de conversas de Tuma Jr., “se forem verdadeiras”, o “inabilitam” para o cargo.
Por telefone, Tuma Jr. disse ontem conhecer Li há 30 anos e nunca ter comprado produtos piratas. Afirmou ter ficado surpreso quando Li foi preso.
“Nunca imaginei isso. Como vou cuidar ou saber o que meus amigos fazem? Muitas vezes não tenho condições de saber o que minha filha está fazendo.”
Li conheceu Tuma Jr. quando este ainda era adolescente. Eles trabalharam juntos -Li o assessorou na Assembleia de São Paulo quando o filho do senador Romeu Tuma (PTB-SP) era deputado estadual. “Não há nada contra mim. Não cometi nenhum crime. Não fui nem sequer denunciado.”
Sobre a conversa em que trata com Li de mercadorias, o secretário, responsável no governo por combater a pirataria, disse não haver ilegalidade.
“Não há nada demais. Consultei algumas coisas com ele, coisas de amigo para amigo. Nem sei se existe esse videogame pirata. O videogame foi comprado e há nota.”
O secretário ocupa um dos cargos mais importantes do Ministério da Justiça.
A Secretaria Nacional de Justiça é responsável por assuntos que tratam da situação de estrangeiros, da repatriação de dinheiro de brasileiros bloqueado no exterior e da lavagem de dinheiro. Tuma Jr. garante que não deixa o cargo. “Posso cometer erros, mas não crime. Ninguém está acima da Justiça.”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:55

Gabeira confirma hoje candidatura

O pré-candidato ao governo do Rio, Fernando Gabeira, do PV, deu ontem, no final da tarde, uma entrevista ao jornalista Ricardo Noblat pelo Twitter. Por limitações da ferramenta utilizada, nenhuma pergunta e nenhuma resposta, tem mais de 140 toques. Veja a entrevista:
“- Boa tarde, deputado Fernando Gabeira. Depois de idas e vindas, o senhor será mesmo candidato ao governo do Rio?
- Boa tarde. Depois de idas e vindas, sou candidato ao governo do Rio.
- O que lhe faz achar que merece ser eleito governador?
- Creio que adquiri experiência política e conhecimento para responder aos desafios do Rio.
- O senhor se acha mais capaz do que Sérgio Cabral e Garotinho, por exemplo?
- Pelo governo que fizeram, creio que tenho condições de realizar muito mais e com outra concepção política.
- Por que o senhor não queria o ex-prefeito Cesar Maia em sua chapa para o Senado e agora quer?
- Fizemos ampla consulta aos apoiadores capital e interior. Preferem união para termos chances de vitoria.
- Mas antes o senhor imaginou que sem união com o DEM de Cesar Maia poderia vencer?
- Antes estava disposto a seguir caminho sem grandes conflitos. Não há resposta científica sobre a fórmula vencedora.
- Que conflitos o senhor pensa que enfrentará por se juntar com o DEM?
- Conflitos na coligação e com parte dos eleitores. Só aceito coligar se todos se sentirem confortáveis. Creio que haverá paz.
- “Só aceito coligar se todos…” Quer dizer que ainda não se bateu o martelo sobre a coligação com o DEM?
- Creio que isso será feito amanhã. O critério para coligar é a aceitação do projeto ficha limpa.
- E quem ainda resiste a aceitar o projeto ficha limpa? O DEM? O PSDB? Quem?
- Todos os partidos da coligação aceitam, com base no projeto original. Vamos oficializar essa decisão amanhã.
- Quem mudou para que se possa imaginar o senhor e Cesar Maia juntos? Mudou o senhor ou Cesar Maia?
- O que muda é a situação do país e do estado. O sistema de dominação do PMDB é profundo e muito forte. Só a união vencerá.
- Quem mudou? Gabeira ou o PT, partido ao qual o senhor já pertenceu?
- Nós todos mudamos no caminho. O PT mudou de uma forma que nos separou. Consegui crescer sozinho, fora de um governo popular.
- O senhor acha possível fazer um governo popular junto com o DEM e o PSDB? Ou esse não é o seu objetivo?
- O objetivo é um governo com a sociedade. O governo popular tem boa políticas econômica e social, mas loteou cargos com partidos.
- O senhor não dará cargos a pessoas indicadas pelos partidos que o apóiam caso se eleja?
- Sim, desde que sejam pessoas honradas e com competência especifica para os cargos.
- Acho que Lula teria respondido da mesma forma antes de lotear cargos com os partidos que o apoiam…
- Isto não é uma pergunta. Quando Lula descumpriu o prometido, sai do PT.
- Para quem o senhor pedirá votos – Marina ou Serra?
- Pedirei votos para Marina, mas tenho admiração pelo Serra. Ambos me apoiam.
- Haverá lugar para Serra no seu programa de propaganda no rádio e na televisão?
- Está combinado que Serra aparece me dando apoio.O vice, do PSDB, vai apoiá-lo.
- Quando Serra for ao Rio fazer comícios o senhor estará ao lado dele?
- De um modo geral não faço mais comícios. Posso encontrá-lo na rua, pois nela encontro até adversários.
- Por que o senhor acha Marina e Serra mais preparados para governar do que Dilma?
- Ambos passaram por crivos eleitorais, Marina venceu a pobreza e eleições, Serra governou São Paulo.
- Em um eventual segundo turno entre Serra e Dilma, o senhor então irá de Serra?
- Sim, num eventual segundo turno apoio Serra.
- Existe alguma chance de composição entre Serra e Marina ainda no primeiro turno?
- Não creio. Marina quer falar de sustentabilidade e acha que seu papel é singular.
- Que lição (ou lições) extraiu de sua derrota para prefeito do Rio?
- Estou nisso desde 82 e cometo erros até hoje. Meu principal erro foi não deter o feriado na Justiça.
(De O Globo: A ausência de 927.250 eleitores cariocas (20,24% do total), em meio ao feriado prolongado decretado pelo governador Sérgio Cabral, pode ter influenciado o resultado da eleição, na opinião de cientistas políticos.
As maiores abstenções registradas foram nas zonas eleitorais do Centro (26,34%), da Zona Sul (26,11%) e da Grande Tijuca (22,14%), três regiões que registraram o melhor desempenho do candidato derrotado , Fernando Gabeira (PV).
Os números são superiores aos registrados no primeiro turno, que teve 17,91% de abstenção, e acima da média nacional, que ficou em 18,09%, bem próximo dos 17,29% registrados no segundo turno de 2004. Na ponta do lápis, isso representou uma perda de mais 107.157 votos em relação ao primeiro turno.
Na Zona Sul faltaram 143.714 eleitores, justamente onde Gabeira teve seu melhor desempenho. O fato reforça a polêmica sobre o feriadão decretado pelo governador Sérgio Cabral, que antecipou de terça-feira para esta segunda o Dia do Servidor Público).

- De 0 a 10, que nota dá à administração do prefeito Eduardo Paes?
- Não dou notas, mas aprecio a decisão de recuperar o porto do Rio, um dos projetos centrais de minha campanha.
- O que o governador Sérgio Cabral está fazendo que o senhor não faria?
- Proponho plano de segurança para todo o estado, saúde não apenas para emergência, e romper com a cumplicidade com empresas transporte.
- Em um eventual segundo turno contra Cabral o senhor pediria o apoio de Garotinho?
- Meu grande esforço é ir para o segundo turno. Quando estiver lá, tomarei as decisões do momento.
- O que acha da política de segurança pública de Cabral? E mais especificamente das UPPs?
- Defendi esta politica em 2008. Sou beneficiado por ela, mas pergunto sempre: e os outros? É preciso pensar Rio como estado.
- Qual será o papel do RJ na discussão da partilha de royalties caso o senhor se eleja?
- O Rio tem de lutar pelos royalties. Veja o desastre agora em Lousiana. São riscos ambientais e encargos sociais com o petróleo.
- Últimas perguntas. Qual é exatamente sua posição sobre o comércio de drogas consideradas ilícitas?
- Minha proposta é reformar a polícia. Sem boa polícia não há politica de repressão ou discriminação. É uma ponte entre extremos.
- O que pensa da concessão do titulo de propriedade definitivo aos atuais moradores de favelas?
- Sou favorável, desde que em áreas seguras. Com o título, as pessoas têm emprestimos, há dinamismo econômico.
- Última pergunta: O que fará para impedir a edificação em áreas de risco? E a ocupação ilegal de terra pública?
- De um modo geral é tarefa de prefeito. Poderei ajudar [fazendo] convênio com Google, monitorando on line”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:55

Chico e Datena estão juntos

O que existe em comum entre o apresentador José Luiz Datena e o compositor Chico Buarque de Holanda?
Aparentemente nada.
Mas os dois declararam que votarão em Dilma Rousseff, pois “ela é a candidata do Lula”.
Por isso eles confiam.
                         * * *
E ainda dizem que Lula não conseguirá transferir votos…

 
 .

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:55

PSDB pagou encontro evangélico

Do repórter Graciliano Rocha, da ‘Folha’:
“O encontro religioso em que pastores da Assembleia de Deus pediram orações pela eleição de José Serra (PSDB) e o saudaram como “futuro presidente”, no sábado, em Santa Catarina, recebeu dinheiro de administrações do PSDB.
Juntos, o governo de Santa Catarina e a Prefeitura de Camboriú (84 km de Florianópolis), ambos administrados por correligionários de Serra, destinaram R$ 540 mil para a realização do 28º Congresso Internacional de Missões.
O patrocínio das administrações tucanas representou dois terços dos R$ 800 mil orçados para o encontro -que, segundo os organizadores, reuniu 160 mil pessoas em dez dias.
O governador tucano Leonel Pavan repassou R$ 300 mil ao evento através de um fundo de fomento ao turismo do Estado. Também convidado a discursar, Pavan, que tenta viabilizar sua candidatura à reeleição em Santa Catarina, foi aplaudido no sábado quando anunciou o repasse feito pelo governo do Estado à organização do congresso evangélico.
A prefeita de Camboriú, Luzia Coppi (PSDB), bancou R$ 240 mil dos gastos do encontro religioso. A administração custeou instalação de banheiros químicos, climatização do ginásio, aluguel de cadeiras e propagandas na mídia local. Além disso, o município arcará com a despesa de energia elétrica resultante do evento religioso.
Governo e prefeitura negam que o fato de Pavan e Coppi serem do PSDB tenha relação com a liberação de dinheiro público (leia texto abaixo).
Promovido pela ONG (organização não governamental) Gideões Missionários, que é ligada à igreja pentecostal Assembleia de Deus, o encontro reservou ao pré-candidato do PSDB à Presidência um tratamento de convidado de honra.
No sábado à noite, Serra falou para mais de 10 mil pessoas que lotaram um ginásio em Camboriú -a PM não fez estimativa sobre o número de participantes no evento.
Seu discurso de 12 minutos foi replicado em telões do lado de fora do evento -onde uma multidão se aglomerava- e transmitido para um pool de rádios pelo país e até para o exterior controladas pela Assembleia de Deus ou que mantêm programação evangélica.
Segundo a organização, 180 emissoras evangélicas transmitiram a fala de Serra.
Citando a Bíblia, o tucano pediu aos religiosos que rezassem para que ele tivesse “sabedoria para enfrentar as lutas e desafios daqui por diante”, mas não pediu votos abertamente.
Pastores presentes ao ato foram mais explícitos e trataram o pré-candidato várias vezes como “futuro presidente”. Um deles conclamou os fiéis a orar pela eleição de Serra para a Presidência. “Esse povo não só ora como vota, haverá um rebuliço no país”, disse o pastor Reuel Bernardino, no evento.
A aparição de Serra diante do público evangélico ocorreu no mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a pré-candidata Dilma Rousseff (PT) foram a festas do 1º de Maio promovidas por centrais sindicais em São Paulo com patrocínio de estatais federais -o que foi criticado pela oposição como uso da máquina na pré-campanha da petista.
Indagado sobre as manifestações de apoio dos pastores na noite de sábado, o pré-candidato foi lacônico: “Só faltaria eu dizer que não estou de acordo. O contrário. Todos os votos positivos eu acolho”.
Muito assediado por fieis da igreja pentecostal que gritavam seu nome e queriam fotografá-lo quando deixava o congresso, Serra ergueu os dois braços e fez o “V” de vitória.
O convite a Serra partiu do pastor Everaldo Pereira, presidente do PSC e um dos líderes da Assembleia de Deus. Da base lulista no Congresso, a sigla deverá apoiar o tucano neste ano”.
ONG garante que verba do PSDB não teve influência

“A ONG Gideões Missionários da Última Hora, que promoveu o 28º Congresso Internacional de Missões, negou que o patrocínio que recebeu de administrações tucanas tenha influenciado o convite ao pré-candidato tucano José Serra para discursar no evento.
A entidade, dirigida por pastores da Assembleia de Deus, afirmou ter convidado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e as pré-candidatas à Presidência Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV), que é evangélica. “Se a Dilma tivesse vindo, teria sido tratada da mesma forma. Os pastores pediriam orações para o sucesso dela”, disse Calebe Moreno, designado pela organização para responder às perguntas da Folha.
Ele afirmou que a senadora Ideli Salvatti (PT), pré-candidata ao governo catarinense, foi ao evento como representante de Lula. Indagado sobre as referências a “futuro presidente” feitas a Serra no evento, o porta-voz da ONG declarou que foram “manifestações pessoais” dos pastores e que a igreja e a ONG não definiram apoio a nenhuma pré-candidatura.
A assessoria de imprensa de Serra informou que o ex-governador de São Paulo participou do evento a convite dos missionários e que, se houve repasse de dinheiro das administrações tucanas para a realização do evento, ele não sabia.
Por meio de sua assessoria, o governador de Santa Catarina, Leonel Pavan (PSDB), argumentou que o governo patrocina o encontro em Camboriú desde 2003.
De acordo com a assessoria, o governador “não tinha como evitar as manifestações” dos pastores no encontro.
Já o secretário de Administração da Prefeitura de Camboriú, John Lenon Teodoro, o repasse foi autorizado pela Câmara Municipal e não tem relação com o fato de Serra e a prefeita serem do mesmo partido. Segundo o secretário, o evento é importante para o município, pois o turismo evangélico é fonte de renda.
Luciano Zica, coordenador da agenda de Marina Silva na pré-campanha, disse que a senadora licenciada não foi convidada para o encontro realizado em Camboriú. A Folha não localizou a assessoria da pré-campanha de Dilma para confirmar se ela foi convidada para o evento”.

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