• Domingo, 22 Abril 2012 / 13:33

As dificuldades de Paes

     Eleito em 2008, Eduardo Paes repetia a quem quizesse ouvir:
- Recebi toda a campanha pronta. Sou eternamente grato.
Com o estouro da Delta, Paes terá dificuldade em ter a mesma quantidade de recursos de quatro anos atrás.
E sua batata será a terceira a ser assada.
Logo depois da de Cabral e Pezão.

  • Quinta-feira, 12 Janeiro 2012 / 14:17

Picciani detona o PT do Rio

      Os repórteres André Zahar e Rozane Monteiro, de ‘O Dia’, publicaram domingo uma entrevista com o
presidente do PMDB, o ex-deputado Jorge Picciani, que arrasa com o PT no Rio e coloca em perigo a aliança dos petistas com o candidato Eduardo Paes.
Picciani foi quem detonou, em 2010, a candidatura de Alessandro Molon, do PT, à Prefeitura do Rio – candidato que estava sendo apoiado pelo governador Sergio Cabral.
O presidente regional do PT fluminese distribuiu, no dia seguinte, uma nota oficial, atacando Picciiani: “Acreditamos que as opiniões desrespeitosas expressas pelo presidente do PMDB não sejam compartilhadas pelo governador Sérgio Cabral e pelo prefeito Eduardo Paes”.
Lêdo engano.
Eis a entrevista de Picciani e depois a nota do presidente do PT, Jorge Florêncio de Oliveira.

- O PMDB vai apoiar candidatos do PT em quais municípios?
— O PMDB apoiará candidatos do PT em Paracambi, Paraty… Em Quissamã, nosso candidato Arnaldo Mattoso talvez seja vice também. Foi feito um acordo político. Todo mundo quer ser candidato, mas quando faz acordo, tem que valer.
- E em Niterói?
- Vamos apoiar o prefeito Jorge Roberto (Silveira), do PDT. Ele apoiou o PMDB na eleição majoritária — para governador e senador em 2010 —, doente e com o problema do Morro do Bumba (favela onde mais de 40 pessoas morreram em deslizamento). Isso nos levou a assumir o compromisso de apoiar a reeleição.
- Mas o governo dele está mal avaliado…
- O argumento de que ele não está bem não é político. Eu sou avalista dos acordos do partido. Não mudo de opinião em função das adversidades. Vai nos caber ajudá-lo a melhorar a administração.
- Na prática, o que significa ajudar a melhorar a administração em Niterói?
- Numa aliança, você sugere melhorias. Ele teve dois episódios (que o prejudicaram), um pessoal e um político. Houve o desabamento do Bumba e ele teve um câncer. A questão do Jorge Roberto também tem um simbolismo grande porque o Cabral fez campanha duríssima a favor do (atual secretário estadual de Assistência Social e pré-candidato do PT) Rodrigo Neves (em 2008). Perdeu e estabelecemos uma relação administrativa que avançou para a relação política. Sou amigo pessoal do (secretário estadual de Trabalho e pré-candidato do PSD) Sérgio Zveiter. Sou amigo pessoal da família. O Cabral me perguntou: “Picciani, e o Zveiter?” Eu disse: “Não tenho esse compromisso”. Uma coisa é o Jorge Picciani, outra é o presidente do PMDB, que não sentou em momento nenhum com o Sérgio Zveiter, o Rodrigo Neves, nem com seus partidos e fez nenhum compromisso.
- A dupla Zveiter e Rodrigo Neves é a aliança desejada pelo governador Sérgio Cabral para Niterói?
- É uma vontade pessoal, nos cabe respeitar. São pessoas com quem ele está convivendo, que são secretários dele. Agora, o governador não interfere nas questões partidárias. Ele pode opinar, tem representantes dele nas decisões da Executiva e depois desses anos todos deve confiar nas minhas posições. Ele me visitou no hospital para me oferecer se eu queria ir para ministro. Eu disse: “Não quero ter função pública, vou presidir o partido”. Eu presido o partido, e o patrimônio desse partido, da política, é cumprir os compromissos. Mas algumas alianças podem ser desfeitas. Não vamos levar o partido ao suicídio. Se cometerem erros que não podem ser justificados, não temos que afundar num barco que não remamos.
- Em Angra dos Reis, o candidato continua sendo o prefeito Tuca Jordão, do PMDB?
- Vamos definir este mês. Avança para a candidatura do deputado federal Fernando Jordão (também do PMDB, rompido com Tuca).
- A expectativa é eleger quantos prefeitos?
- Trabalho com 45. Falta combinar com o eleitor. (risos)
- Na capital, a conta de 18 partidos com o prefeito Eduardo Paes inclui PV e PPS?
- O PV tem um ato de vontade nossa, mas nenhum indicativo deles. Temos a possibilidade de trazer o PPS, desmontando um pouco a aliança de 10 anos com PSDB e PV.
- Qual é a chance de o PPS apoiar o Eduardo Paes?
- Mais de 90%. Foram feitas todas as conversas. O (vereador) Paulo Pinheiro, que era contra, saiu (para o PSOL).
- Como o senhor avalia as pesquisas sobre o Rio?
- Se somar todos (adversários), dá 30%. Sem o (senador Marcelo) Crivella (PRB), o Eduardo dá de três para um (na soma dos outros). A eleição será no primeiro turno.
- O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) pode dar trabalho?
- É um bom candidato, mas só vai ajudar a dar mais brilho à vitória do Eduardo no primeiro turno.
- Ele pode repetir a onda Fernando Gabeira (PV) nas eleições de 2008?
- Não creio. Apesar de ser um rapaz com qualidades, ele é menos abrangente. O Gabeira tinha liberdade para aliança. O Marcelo fica engessado, antes de falar tem que perguntar ao partido.
- Como o senhor vê a aliança entre Cesar Maia (DEM) e Anthony Garotinho (PR) na capital?
- É legítima, eles têm adversários comuns.
- Quem dará mais trabalho: Marcelo Freixo ou Rodrigo Maia?
- Não temos muita preocupação. O Marcelo vai dar mais brilho à vitória do Eduardo, e os outros sairão menores do que entraram.
- Como o senhor vê a criação do PSD?
- A relação com o PMDB no Rio é quase umbilical. Tem uma decisão nacional da direção do PMDB de não entrar na Justiça (contra quem saísse do partido). Os (vereadores) que ficaram, se quiserem apoiar adversários, eu vou cortar legenda. Respeito as manifestações, mas depois de bater a convenção, todos, desde os generais aos soldados, estarão condicionados. Não são obrigados a fazer a campanha. Se o governador não se sentir bem em apoiar um candidato, não vai. Mas fazer campanha contra o PMDB ou candidatos apoiados pelo PMDB, não acredito que os soldados nem os generais farão.
- E se tiver um rebelde?
- Aí, tem que ver caso a caso. O partido tem um estatuto, uma comissão de ética…
- … que vale para soldados e generais?
- Principalmente para os generais.
- Como o governador vai fazer campanha nos locais onde a base está rachada?
- O sentimento pessoal será sempre respeitado, mas a gente nunca vai imaginar que ele fará campanha em todos os municípios. Ele fará onde o PMDB tem candidato, onde apoia candidato e onde se sentir à vontade. Não há uma regra, mas o partido tem que ter uma estratégia. A partir daí, eu, o Cabral, o (vice-governador Luiz Fernando) Pezão, quem tiver voto vai fazer campanha. O que vai no coração do Cabral ele não conta.
- Como assim “no coração do Cabral”?
- Vou dar um exemplo. Em Nova Iguaçu, ele diz: “Apoiei tanto o (deputado federal Nelson) Bornier na eleição anterior (para prefeito), e ele foi fazer campanha para o (José) Serra (PSDB). Eu pedi tanto para fazer para a (presidenta) Dilma (Rousseff)”. É uma campanha que ele (Cabral) começa sem muita vontade de fazer. Mas, quando engrenar, o que vai contar é o seguinte: é importante o PMDB ganhar em Nova Iguaçu. Então, o Cabral passa a ter simpatia de novo pelo Bornier.
- O que acontece se o senador Lindbergh Farias (PT)decidir ser candidato a governador em 2014?
- Está no direito dele. O que eu ouço nos bastidores é que ele é candidato pelo PT ou pelo PSB. Não tenho nenhuma dúvida de que ele vai ser candidato. O PMDB vai estar aberto para aliança. Se ele quiser ser o vice do Pezão, não tem problema. Se quiser ser candidato, vamos respeitar e derrotá-lo.
- O cenário para 2014 passa muito pela Baixada. Lá, PMDB e PT estão separados em vários municípios.
- A eleição para prefeito, com exceção da capital, tem zero influência na de governador. Quem vai decidir a eleição de governador não é o Pezão, é o Cabral. Nós vamos ganhar em 45 cidades, mas, mesmo que perdêssemos tudo, faríamos o governador. Se o Cabral fosse candidato à reeleição, se elegeria de novo. O Cabral vai chegar na sucessão dele muito melhor. Teremos avançado muito mais na área de segurança, com menores índices de criminalidade. O Cabral fará o sucessor, e o Lindbergh tentará se tornar ainda mais conhecido para tentar a reeleição no Senado e nos derrotar depois.
- O senhor considera o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, uma alternativa a Pezão?
- Ele não é político, é uma pessoa da área de segurança. A grande sabedoria do Cabral é lhe dar autonomia e apoio. O partido é aberto a qualquer pessoa de bem, mas a minha opinião pessoal é que não se mistura segurança com política. O Pezão está identificado com o Governo Cabral. Na hora em que se tornar o candidato da continuidade, se tivermos índices que acham que o governo deve continuar, o Beltrame ajuda dizendo que, se for convidado, vai permanecer. Mas, se o governo for mal, não tem Beltrame, não tem ninguém. Se estiver mal, vão escolher a mim, que enfrento só pedreira. Eu sou candidato, só não sei a quê. Vamos esperar.
- Em 2014, só terá uma vaga em disputa no Senado. O senhor se candidataria?
- Eu seria candidato ao Senado, mas temos uma precedência, o senador (do PP Francisco) Dornelles. Se ele quiser continuar, vamos apoiá-lo. Se não quiser, abre-se uma discussão no PMDB. Se o Cabral não quiser, saio candidato. Se ele quiser, eu busco outro caminho. Minha preferência é disputar o Senado.
- Voltando ao PSD, onde tem acordo?
- Fizemos um acordo político que vale para 2012 e 2014 com o (prefeito de São Paulo e presidente do PSD Gilberto) Kassab, com o Indio (da Costa, presidente estadual do PSD no Rio) e com o (deputado) André Corrêa (secretário-geral do partido no Rio e líder do governo na Assembleia Legislativa).
- Como fica a situação em Macaé, onde o secretário de Agricultura, Christino Áureo, é pré-candidato pelo PSD?
- Em Macaé, temos candidato próprio. É o André Braga. O Christino Áureo é um rapaz ótimo, meu amigo de muitos anos, um quadro técnico maravilhoso, com nível para ser ministro da Agricultura. Ele botou na cabeça que é o ‘bola da vez’ para ganhar, mas as pesquisas mostram que não tem nenhuma chance. Quem conhece ele, não gosta. Eu sou exceção, que gosto, mas não voto em Macaé. Forte lá é o nosso adversário, o (deputado federal) Dr. Aluizio, do PV. Ele é o ‘bola da vez’. Vamos ter que bater nele até ele virar pó, senão não ganhamos. A eleição lá é muito difícil.
- O PSD discute o nome do deputado estadual Wagner Montes para o Senado. O acordo vale para senador também?
- O Wagner Montes sempre é pré-candidato a tudo. Nós fizemos um acordo de os partidos ficarem juntos.
- Mas quem foi para o PSD foi porque não tinha legenda para concorrer ao cargo que queria.
- O Wagner, se quisesse ter sido senador, poderia pelo PDT. Mas ali a convivência é muito difícil. O PDT vive um momento muito difícil. Uma das razões para eu querer apoiar o Jorge (Roberto, prefeito) em Niterói é resgatar o Jorge. Para nós, o PDT é fundamental na eleição de 2014. Se você deixa esfacelado, o PDT vai para o lado do adversário. O suplente do Lindbergh é do PDT. O Rodrigo Neves hoje é Cabral, mas, se ganhar, fortalece o Lindbergh. Eu aqui trato de partido, não tem a ver com gostar ou não gostar, ser mais simpático. Esse Rodrigo Neves tenta puxar o meu saco o tempo todo, só que o Cabral gosta e eu não gosto. São temperamentos diferentes. Cabral é muito mais educado, mais refinado. Eu estou na política, e a minha responsabilidade é levar o partido à vitória dentro da compreensão de que quem tem cacife ou não para fazer o sucessor é o sucesso do Governo Cabral. Dá tranquilidade para o Cabral governar ter um partido com quem tem experiência, seriedade e respeita acordo. Isso permite ao governo não ter que se meter nesta seara. Da mesma forma, ter alguém aqui que não usa o partido para se meter nas questões do governo é bom para o governo também.
- As alianças com o PT esbarram em 2014?
- Não. Eu penso o seguinte: queria apoiar o prefeito de Maricá, o Quaquá, que é do PT. Ele foi muito bacana comigo na campanha. Mas fizeram uma pesquisa, e ele tem 5% de intenções de voto, 70% de rejeição. Já o candidato do PMDB tem 35% de intenções. Aí, a simpatia tem que acabar. Não havia um acordo partidário, havia uma simpatia minha. Sou duro na negociação, senão não conduzo o partido. A questão do PT, se você pega cidade por cidade, é que não tem quadros. Lindbergh foi prefeito duas vezes em Nova Iguaçu. Quem ele preparou? Em Nilópolis, quem tem? Em Mesquita, o Artur Messias, que foi prefeito duas vezes, é meu amigo pessoal. Quem preparou para sucedê-lo? Não preparou. Então, eu vou levar o PMDB a um desastre? Não é porque eu não quero. Em Belford Roxo, o Cabral tem botado 100, 200 milhões em asfalto, e os índices (do prefeito Alcides Rolim) são desesperadores. O que vamos fazer? Brigar com todo o PMDB? Em Caxias, veio o líder do PMDB (na Alerj), deputado André Lazaroni, meu amigo querido, falar: “É minha mãe”. Eu adoro a Dona Dalva (Lazaroni, pré-candidata do PT), mas cadê? 0,2% na pesquisa. Eu falei: “Não deixa ela passar esse sofrimento. Lança ela vereadora no Rio e eu faço ser puxadora de votos do PMDB. Tira tua mãe do partido e vamos ver”. Em Petrópolis, o prefeito (Paulo) Mustrangi (PT) é excelente pessoa. Na Região Serrana, todos os políticos estão com fama de ladrão, ele não… mas é de uma inaptidão, não sai na rua, se esconde em casa. Sempre me tratou da melhor maneira. Me fez perder voto, porque está mal, mas sempre foi muito educado. Como vamos apoiar se temos um candidato com quatro vezes mais voto? Em Teresópolis, roubaram a cidade, destruíram a cidade, como vamos apoiá-los? Ele (Jorge Mário, expulso do PT) veio aqui, e disse: “Tenho quatro partidos me assediando, quero ir para o PMDB. Eu disse: “Arruma outro, vamos te cassar”.
- São Gonçalo tem uma situação peculiar, tem dois pré-candidatos do PMDB. Como se decide?
- A eleição lá é dificílima. Temos o deputado federal Edson Ezequiel e a deputada estadual Graça Matos. Em qualquer pesquisa, um ou outro está na frente. O deputado federal Neilton Mulim, do PR, apoiado pelo Garotinho, está em segundo, o deputado estadual do PSB Rafael do Gordo, em terceiro, o deputado estadual José Luiz Nanci, do PPS, em quarto, o Adolfo Konder, do PDT, apoiado pela prefeita (Aparecida Panisset), em quinto, e a Alice Tamborindeguy, do PP, crescendo. Fizemos um acordo (com PSB e PPS) para escolher o candidato com mais chance, mas tem que ser por consenso. Tem cidade onde você pode fazer intervenção, expulsar, mandar prender. Em São Gonçalo, não. A eleição é de dois turnos. Se perdemos (no primeiro), apoiamos o candidato da prefeita. Mas também queremos que ela nos apoie. São Gonçalo é diferente de tudo. É o município mais perigoso para a gente.
- O Marco Antônio Cabral, filho do governador, sai candidato em 2014?
- Eu acho que tem que ser puxador da legenda para (deputado) federal. Eu, como presidente do partido, o quero como candidato, mas vai depender das condições políticas da época e de onde o pai estiver. Acho que ele seria um sucesso em termos de voto, e eu estou aqui para cuidar do melhor para o PMDB. O Cabral não vai gostar (de eu falar) disso, não.
- É verdade que o governador não gostou quando o senhor falou isso pela primeira vez?
- Eu sempre faço a ressalva, eu falo o que eu penso, não combinei nada com eles. Eu digo sempre, aonde eu vou, quando me perguntam, eu falo as coisas que eu acho. Mas eu não combinei com ninguém, não. Mas eu continuo achando que não terá alternativa. Ele (Cabral), para eleger o Pezão, tem que se desincompatibilizar, ou (para concorrer) a vice-presidente ou a senador… E, com isso, vai resolver naturalmente a questão do anseio de uma militância imensa do partido que quer o Marco Antônio candidato”.

A nota do PT

“Frente a entrevista do Presidente Regional do PMDB, o candidato derrotado ao senado nas eleições de 2010 Jorge Picciani, que nos causou profundo estranhamento, algumas considerações se fazem necessárias:
- Picciani utiliza, durante toda a entrevista, números questionáveis para justificar suas opiniões. Em momento algum cita a fonte das pesquisas, cujos resultados curiosamente atendem sempre aos seus interesses.O PT-RJ nega-se a comentar os números do Instituto Data Picciani.
- Fica explícito, na entrevista, o desejo do presidente do PMDB de antecipar o processo eleitoral de 2014. Ao estabelecer critérios contraditórios na construção de alianças com o PT e com outros partidos, Picciani orienta-se pelo receio de enfrentar novamente nas urnas o senador pelo PT-RJ Lindbergh Farias, eleito com a maior votação do estado em 2010.
- O PT-RJ realizou um conjunto de debates e seminários visando a disputa das eleições municipais de 2012, reafirmando sua condição de partido democrático e comprometido com a melhoria objetiva das condições de vida do povo. Pretendemos com isso, ampliar nosso número de prefeitos e vereadores, bem como aumentar o diálogo e a colaboração entre os partidos que fazem parte do projeto nacional protagonizado pela presidenta Dilma Rousseff
- Entendemos, no entanto, que uma aliança política é sustentada por um projeto comum, respeito mútuo e diálogo democrático. Acreditamos que as opiniões desrespeitosas expressas pelo presidente do PMDB
não sejam compartilhadas pelo governador Sérgio Cabral e pelo prefeito Eduardo Paes.
- Por fim, esperamos que o presidente do PMDB modifique o comportamento truculento e impróprio no trato com os aliados, que já lhe causou a derrota para o senado em 2010 e, mais uma vez, provoca uma situação constrangedora.
Jorge Florêncio de Oliveira
Presidente do Diretório Estadual/PT-RJ”

  • Quinta-feira, 12 Janeiro 2012 / 8:10

Rio não faz nada por desabrigados

       Do repórter Natanael Damasceno, do ‘Globo’:
       “Exatamente um ano depois da tragédia que deixou 918 mortos e 8.900 desabrigados na Região Serrana do Rio, o estado ainda não conseguiu entregar nenhuma das cerca de 5 mil casas prometidas para as vítimas das chuvas. De acordo com a secretaria de Obras, as primeiras unidades só deverão ser concluídas a partir de março.
Mas a grande maioria só ficará pronta em 2013. Vice-governador e coordenador de infraestrutura do estado, Luiz Fernando Pezão culpou a burocracia e a falta de interesse dos empresários pela demora:
— Ali você não tem uma área abundante, plana, segura para construções. Ou você está na encosta ou na beira do rio. Isso dificulta muito. Áreas para as quais conseguimos viabilizar o processo de desapropriação acabaram descartadas pelo Meio Ambiente. Então é difícil colocar estas pessoas de novo num lugar que não tenha problemas.
Para mitigar o problema, o governo prometeu pagar aluguel social a 7.372 famílias até o fim de 2012. No entanto, muitas das famílias beneficiadas voltaram para as casas interditadas pela Defesa Civil — por estarem em áreas de risco — após as chuvas de 12 de janeiro de 2011. Outros permanecem em locais improvisados. É o caso das 35 pessoas que invadiram um canteiro de obras onde seria construído um hospital, em Sumidouro. Ou das famílias que permanecem, desde fevereiro de 2011, num ambulatório transformado em abrigo em Nova Friburgo.
— Eu e meu marido estamos desempregados, e o aluguel social está ajudando no orçamento da família — alega a cozinheira Altineia da Silva dos Anjos, de 45 anos, que está com o marido e três filhos no abrigo.
Administrado pela prefeitura de Friburgo, o abrigo tem hoje oito famílias remanescentes da chuva de janeiro de 2011 instaladas em consultórios médicos transformados em quartos. São 36 pessoas, sendo 16 crianças e 12 adolescentes. O secretário municipal de Ação Social, Josué Ebenézer, diz que quatro delas recebem o aluguel social há alguns meses. E que as outras devem passar a receber o benefício este mês, um ano depois da tragédia. Ele disse ainda que a situação política da cidade, cujo prefeito foi temporariamente afastado em 2011, atrapalhou:
— Estou apenas há dois meses à frente da pasta. Desde então, temos tentado uma solução. Estamos empenhados em conseguir casas para essas famílias, mas é difícil. Elas preferem esperar pelas casas prometidas. Depois, o valor dos aluguéis subiu muito. E é difícil achar algo que caiba dentro dos R$ 500 do aluguel social.
O Secretário estadual de Ação Social e Direitos Humanos, Rodrigo Neves, diz que casos como esses são residuais e não comprometem o trabalho que foi feito pelo governo na Região Serrana. Ele afirma ainda que a secretaria supervisiona periodicamente os municípios para acompanhar as famílias que recebem o aluguel social. Mas Altineia, que permanece no abrigo de Nova Friburgo, diz que prefere esperar ali mesmo pela casa prometida.
O secretário estadual de Obras, Hudson Braga, sustenta que o estado deve entregar, até março, 96 unidades habitacionais em Nova Friburgo. Segundo ele, as casas já estavam sendo construídas antes da tragédia e serão compradas pelo estado. Todas as outras, no entanto, só devem ser entregues a partir do fim do ano. Segundo a secretaria, está em andamento, no âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida, a contratação de 5.459 unidades habitacionais e comerciais, com investimento de R$ 452,6 milhões. As primeiras 2.166 começam a ser construídas este mês, segundo o governo. Ontem, a secretaria anunciou que conseguiu na Justiça a desapropriação de um terreno
em Friburgo onde serão erguidas essas unidades.
— Enfrentamos dificuldades para encontrar áreas e levantar se essas áreas eram seguras. Uma das que identificamos como adequada foi avaliada em R$ 2 milhões, mas o proprietário acabou pedindo R$ 10 milhões — conta Hudson.
Outro problema, segundo o secretário, é o custo das construções. Ele diz que foram feitas sete convocações, pelas regras da Caixa, para a apresentação de propostas, uma por município, envolvendo 14 terrenos. Mas só cinco entregaram propostas: duas para Teresópolis, uma para Friburgo, uma para São José do Vale do Rio Preto e uma
para Bom Jardim. A secretaria diz ainda que o governo optou pela construção de moradias, com pagamento de aluguel social enquanto os imóveis estão sendo erguidos. E gastou cerca de R$ 500 mil com 26 famílias que preferiram receber indenizações ou optaram por comprar um novo imóvel com a ajuda do governo, dentro do programa de compra”.

  • Segunda-feira, 09 Janeiro 2012 / 6:48

Rio ganha para construir 75 pontes, mas só faz uma

        Os repórteres Antônio Werneck, Duílo Victor e Natanael Damasceno, do ‘Globo’, assinam hoje a manchete do jornal, onde mostram o descaso com que o governo Sergio Cabral trata os flagelados pelas chuvas do Rio.
Seus secretários, tendo a frente o Vice Pezão, levou dinheiro do Governo Federal para a construção de 75 pontes, mas só construiu uma – e assim mesmo pela metade.
Vejam a reportagem:
“Uma queda de braço travada ao longo do ano passado entre o Ministério da Integração Nacional e a Secretaria estadual de Obras do Rio pode estar entre as causas do atraso na reconstrução das pontes arrastadas pelas enxurradas que atingiram os municípios da Região Serrana em janeiro do ano passado.
Depois de técnicos do ministério apontarem indícios de irregularidades em parte dos projetos apresentados pelo Rio, o governo de estado decidiu voltar atrás, suspendendo todos os contratos. Um ano depois, nenhuma ponte foi
concluída. O mais próximo disso ocorreu na cidade de Bom Jardim, onde, na última sexta-feira, foi inaugurada uma ponte em meia pista, ligando o Centro do município ao restante da Região Serrana.
Semanas após a tragédia das chuvas, o vice-governador Luiz Fernando Pezão, na época secretário estadual de Obras, informou que usaria R$80 milhões repassados pelo governo federal para reconstruir um total de 69 pontes. Em
fevereiro, de acordo com o Ministério da Integração Nacional, o estado apresentou um projeto para recuperar 200 pontes em sete municípios serranos, entre eles Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis. Em julho, em nova
documentação encaminhada ao ministério, o número de pontes que o estado prometia reconstruir caía para 75 em dez cidades da região.
A falta de uma justificativa plausível para a redução levou o Ministério da Integração Nacional a pedir explicações. No relatório de análise técnica enviado ao governo do Rio (número RJP078/2011), um técnico escreveu: “Constata-se
que tal redução estabelece a necessidade de justificativas ou da indicação dos motivos que ocasionaram a alteração dos critérios de escolha dos locais em que estava prevista a execução das obras de acesso viário, que culminaram
na significativa diminuição das quantidades de pontes indicadas pelo governo”.
Em outro trecho, o mesmo técnico estranha o uso, em todas as estruturas de fundação das pontes a serem reconstruídas, de um determinado material por um custo bem “superior ao de fato necessário para construção da referida estrutura.”
O vice-governador Luiz Fernando Pezão, que hoje responde como coordenador de Infraestrutura do governo, afirmou que o estado recebeu R$79,5 milhões do governo federal para a reconstrução de 73 pontes. O número, segundo ele, seria suficiente para resolver os problemas de acesso a todos os municípios afetados.
- O número de pontes destruídas, divulgado no início do ano, incluía muitos pontilhões. Quanto às obras, elas atrasaram um pouco porque as enxurradas mudaram as margens dos rios e a quantidade de água que passa debaixo das pontes. Nós até tínhamos feito uma série de contratos de emergência, mas o Inea (Instituto Estadual do Ambiente) pediu que paralisássemos tudo. Eles disseram que tinham que opinar – argumentou ele.
O argumento foi o mesmo usado pelo atual secretário de Obras, Hudson Braga, na resposta encaminhada ao Ministério Público Federal. No documento, Hudson afirma que a execução dos projetos foi atrapalhada por dois motivos: “demora na emissão da licença ambiental pelo Inea, que só ocorreu em 11 de novembro de 2011″; e um projeto inconsistente, baseado apenas em vistorias de campo e estudos antigos. No mesmo documento, datado do início de dezembro do ano passado, Braga revela que só conseguiria construir duas das 41 pontes inicialmente previstas: nos municípios de Areal e Bom Jardim. As outras só poderiam ser reconstruídas este ano, após procedimentos licitatórios.
Apenas na semana em que a tragédia na Região Serrana completa um ano moradores do município de Bom Jardim, de 25 mil habitantes, começaram a retomar a rotina de antes da enchente. Desde sexta-feira, foi reaberta no sistema “pare e siga” uma das duas pistas da ponte que teve de ser reconstruída depois da cheia do Rio Grande. A estrutura, com vão central de 66 metros, liga o Centro da cidade ao principal acesso à capital, a Rodovia Presidente João Goulart, a RJ-116.
Foi em Bom Jardim que o Exército precisou instalar uma ponte metálica provisória, de pista única, para tirar o Centro do município do isolamento dias depois da tragédia. Agora, com o antigo acesso recuperado, mesmo que no esquema “pare e siga”, o tráfego de caminhões pesados das fábricas de cimento de Cantagalo, Cordeiro e Macuco – responsáveis por 8% da produção nacional – não precisará fazer desvios por estradas vicinais, que atrasavam a viagem em 40 minutos.
- Voltei a ter noites de sono tranquilas. Os caminhões de cimento tinham que desviar pela rua da minha casa, e o barulho do tráfego ocorria de dia e de madrugada. Sem contar que a rua ficou tão esburacada a ponto de vizinhos com carros de mil cilindradas desistirem de tirar os veículos da garagem – conta o engenheiro hidráulico Sansão Aparecido Pereira, morador do bairro de Campo Belo, que teve o imóvel condenado pela Defesa Civil.
A recuperação gradual da ponte – a segunda pista ainda está em processo de pavimentação – resolve apenas parte dos problemas causados pela tragédia. Ao longo do Rio Grande, é possível ver muitas casas que, embora não tenham sido
levadas pelas águas de janeiro do ano passado, estão em área de risco.
- Se forem derrubar tudo que está em área de risco, vai ter que levar a cidade quase toda – exagera o servente de pedreiro José Antônio Braz, que, na época da tragédia, precisou da ajuda de um helicóptero para receber doações de comida.
- Moro em Bom Jardim há 40 anos e nunca imaginei que a ponte pudesse ser levada pelo rio. Era um caminho tão comum que a gente nem percebia que passava sobre ela todos os dias. Até a ponte ir embora”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:18

O que faz ‘Wally’ Cabral?

Alguém tem idéia qual a providência tomada pelo governador Sergio ‘Wally’ Cabral, para enfrentar a calamidade que já matou quase 100 pessoas no Rio de Janeiro?
Alguém sabe por onde anda Sergio ‘Wally’ Cabral?
Afinal, o que faz esse homem?
Normalmente, ele está fora do Rio.
Na tragédia de Angra continuou dormindo.
Hoje, acordou cedo para encontrar o seu pai-pai, o Presidente da República.
Depois sumiu.
São 18h15m e, até o momento, nem os sites dos jornais, e nem mesmo o do governo do Estado, publicou  uma única providência tomada por ele.
As 13h36m, o repórter Rafael Masgrau, publicou no Portal do Governo o resumo de uma entrevista de ‘Wally’, onde ele diz que decretará o estado de emergência – já que o de calamidade vem durando há mais de três anos. 
- Estamos com a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros alertas em todo o Estado. O secretário de Saúde, Sérgio Côrtes, e o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Pedro, vigilantes desde a madrugada; e o vice-governador, responsável pela infraestrutura, junto com os presidente da Cedae, da Emop e do DER, da mesma forma, também estão em contato com as cidades.
Sergio ‘Wally’ Cabral, que é completamente tonto, ainda vai acabar impugnando a reeleição de Pezão para vice-governador.
É sabido que ele não é mais o secretário de Obras, portanto não pode ser responsável pela infraestutura.
Ou até pode, mas então não poderá se candidatar a vice.
No final da entrevista, Cabral disse que o momento é de solidariedade, “cada um fazendo a sua parte”.
Qual a parte que cabe a ‘Wally’?
Pelo jeito nenhuma.
O fanfarrão diz que gosta de operar por email.
Só não se sabe a quem são dirigidas as suas mensagens.
Talvez ao ET, ao Pateta, ao Patrulheiro Toddy, a  Madonna ou, quem sabe, ao Capitão Gay.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:15

Fogo amigo ameaça alianças

Do repórter Cássio Bruno, de ‘O Globo’:
“A pré-campanha no Rio já virou uma guerra. Mas não entre adversários.
Os dois principais nomes da disputa pelo governo do estado sofrem com fogo amigo.
De um lado, Fernando Gabeira (PV) ? muito criticado pelo até então aliado e presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia ? deverá anunciar, na próxima semana, o rompimento com o ex-prefeito Cesar Maia (DEM), que concorreria ao Senado em sua chapa. Do outro, o governador Sérgio Cabral (PMDB), candidato à reeleição, tenta administrar o confronto pesado entre seus dois pré-candidatos ao Senado: o ex-prefeito Lindberg Farias (PT) e o presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani (PMDB).
Gabeira já havia manifestado o desejo de excluir Cesar Maia da aliança por causa da rejeição ao ex-prefeito na classe média carioca. A intenção do verde, porém, provocou forte reação de Rodrigo Maia, que saiu em defesa do pai e pôs em risco a coligação formada por PV, DEM, PPS e PSDB. Segundo o presidente nacional do DEM, ?ou Gabeira tem o apoio de todos os partidos ou não tem de nenhum deles?.
E atacou: ?A rejeição a Cesar Maia só ocorre no Posto 9, na Praia de Ipanema, onde Gabeira toma sol?.
As últimas declarações de Rodrigo Maia, publicadas ontem no GLOBO, sacramentaram de vez a decisão de Gabeira, que, há três semanas, participou de um encontro do DEM. No evento, o verde declarou que Cesar Maia ?é o melhor candidato ao Senado?. O PV indicará a vereadora Aspásia Camargo para disputar uma vaga no Senado.
O presidente regional do PV, Alfredo Sirkis, inimigo político de Cesar, disse que, agora, o problema está resolvido.
? Eles (Rodrigo e Cesar) vão seguir a vida deles. É melhor assim. Com a saída do DEM, o tempo na propaganda eleitoral na TV não será problema.
Teremos três ou quatro minutos para fazer um bom programa. E é o suficiente.
Eles acham que estamos nos suicidando. Não estamos. Só não compensa o tempo de TV com o desgaste que teremos com Cesar junto à classe média ? afirmou Sirkis.
A intenção de Sirkis é manter a aliança com o PPS e o PSDB, como ocorreu nas eleições de 2008, quando Gabeira foi candidato a prefeito. No PSDB, porém, há divergências. O presidente regional do partido, José Camilo Zito, já disse que não apoia Gabeira.
E o presidente regional do PPS, deputado estadual Comte Bittencourt, afirmou que o partido ficará com Cesar Maia. O PPS deverá indicar Marcelo Cerqueira para o Senado.
? Anteciparam (a campanha) para fevereiro e março, o que deveria ocorrer somente em junho. O que há é um processo de discussão de alianças. Não há ruptura do que ainda não existe. Para manter as características de atuação do PV e do Gabeira, não cabia uma aliança com Cesar Maia ? disse Sirkis.
Gabeira disse que só vai se pronunciar sobre qualquer decisão dele e do PV depois da Semana Santa.
Na última quinta-feira, ao saber dos ataques de Rodrigo Maia, o pré-candidato evitou entrar em polêmica: ? É assim? Tudo bem. Eu não vou bater boca com ele pelo jornal. Se ele acha tudo isso, então, estamos conversados.
Anteontem, Rodrigo Maia ironizou a intenção de Gabeira de romper com o DEM: ? O Gabeira recebe meia dúzia de mensagens contra Cesar Maia na caixa postal do computador e entra em TPM.
O presidente do DEM voltou a criticar Gabeira ontem: ? É um problema deles (romper com Cesar e o DEM). O Sérgio Cabral vai ganhar a eleição com essa decisão do Gabeira ? disse.
Por e-mail, Cesar Maia atacou os aliados do pré-candidato. ?Gabeira é vítima dos seus, que, na verdade, querem usá-lo para se elegerem?, disparou o ex-prefeito. E completou: ?Para mim, aumenta a votação. Para ele (Gabeira), elimina a chance (de vencer Cabral)?. No Twitter, Cesar declarou apoio ao pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra.
Já Cabral terá de buscar o entendimento entre Lindberg e Picciani. Em entrevista a um programa de TV que irá ao ar amanhã, o presidente da Alerj ataca o petista. Segundo Picciani, ?Lindberg teve comportamento de criminoso? ao responsabilizá-lo pelo vazamento de informações à imprensa sobre a decisão da Justiça de quebrar o seu sigilo bancário e fiscal e o de sua família por suspeitas de desvios de verbas na prefeitura de Nova Iguaçu. E concluiu: ?Lindberg vai ter que explicar é à Justiça como ele e seus familiares criaram 12 empresas contratadas irregularmente pela prefeitura?.
Lindberg rebateu: ? Este senhor (Picciani) se acha o dono do Rio. Ameaça, chantageia, joga sujo. É baixo. Gosta de dizer que todos o temem. Mas eu não tenho medo dele e muito menos dos seus métodos. Vou processá-lo. Ele vai ter que provar tudo isso.
Em seguida, o petista atacou novamente Picciani: ? Em 1994, Picciani tinha um Corcel velho. Era assim que fazia campanha nos subúrbios do Rio.
Hoje é um grande fazendeiro, um dos maiores criadores de gado do Brasil. Se alguém tem que se explicar como enriqueceu, não sou eu.
Picciani respondeu por meio de sua assessoria: ?Os meus problemas foram enfrentados e resolvidos.
Espero que o Lindberg enfrente e resolva os dele?.
Cabral tem outra dor de cabeça.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem pressionado o governador aliado a apoiar o senador Marcelo Crivella (PRB), que disputará novamente uma vaga no Senado. Lula atenderia a um pedido de seu vice, José Alencar (PRB). O presidente vem ao Rio na próxima terça-feira.
? Conversarei com Cabral sobre esses problemas e outros assuntos no domingo (hoje). Mas isso tudo é uma disputa de espaço natural. É uma coisa que vai se ajeitar ? minimizou o vice-governador, Luiz Fernando Pezão.
Em janeiro, Cabral ficou furioso com o encontro entre o pré-candidato ao governo do estado pelo PR, o ex-governador Anthony Garotinho (PR), e a pré-candidata à Presidência pelo PT, a ex-ministra Dilma Rousseff. Garotinho, a exemplo de Cabral, faz parte da base aliada de Lula, mas o governador não pretenderia ver os aliados petistas no palanque de seu adversário”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:56

Pezão: “questão de justiça”

Do vice Luiz Fernando Pezão, em artigo no ‘Globo’:
“Com a aprovação pela Câmara dos Deputados da emenda que prevê a distribuição dos royalties da exploração do petróleo entre todos os estados e municípios brasileiros, os três estados produtores principalmente o Rio de Janeiro, mais São Paulo e Espírito Santo estão sendo colocados em lado oposto ao do restante da Federação, e, pior, apontados como ricos e individualistas. É necessário destacar que os recursos são uma compensação aos impactos sociais e ambientais da indústria do petróleo.
Na realidade, a divisão da riqueza do petróleo já é feita. O Estado do Rio produz 85% do petróleo nacional, mas fica com 46% dos royalties e participações especiais, o que totaliza cerca de R$ 7,5 bilhões ao ano. O restante das compensações vai para a União (quase totalidade), outros estados e municípios.
Com a mudança das regras, o governo do estado que, no ano passado, recebeu R$ 4,884 bilhões, passará a receber apenas R$ 100 milhões por ano. Já o montante do município de Campos cairá de R$ 1 bilhão para ínfimos R$ 4 milhões anuais. Que empresa, de pequeno ou grande porte, ou dona de casa resistiria a corte tão grande em seu orçamento? Outro ponto importante é que a cobrança do ICMS é feita no destino e não na origem como acontece com quase todos os produtos. Com isso, o Rio deixa de arrecadar R$ 8 bilhões ao ano.
Só mesmo por desconhecimento da história do Brasil para tentar colar essa injusta pecha no Rio. São muitas as perdas históricas do nosso estado. A primeira aconteceu há meio século, com a transferência da capital federal para Brasília. Com isso, perdemos, além do prestígio político, recursos financeiros.
Basta imaginarmos Brasília dentro do Rio para termos noção das nossas perdas, sem as devidas compensações.
Costumo lembrar o caso alemão. A cidade de Bonn recebeu, por uma década, 3 bilhões de euros por ano, a título de compensação, pela transferência da capital para Berlim. Já o Rio ganhou esvaziamento político e econômico.
Outra covardia contra o nosso estado foi a fusão da antiga Guanabara com o Estado do Rio, ocorrida há 35 anos, sem ao menos consulta popular e, mais uma vez, sem compensação financeira.
Nós, que somos do interior fluminense, sabemos exatamente o tamanho do esvaziamento político, financeiro e tributário que a fusão provocou.
Isso sem falar do empobrecimento que a capital experimentou.
Passados 13 anos da fusão, novo golpe contra o Rio. Em 1988, a Constituição estabeleceu que a cobrança do ICMS sobre o petróleo e seus derivados deverá ser feita, somente, no destino do seu consumo. Mais recentemente, com a descoberta de reservas gigantes de petróleo na camada pré-sal, nossas esperanças de recuperar tais perdas históricas se reacenderam. Em vão. A ocupação pelo Brasil de nova posição geopolítica no mundo e também como propõe acertadamente o governo federal a possibilidade de investimentos maciços em, por exemplo, educação e desenvolvimento tecnológico, são, sem dúvida, vitórias para todos nós, brasileiros. Provavelmente, esse é o destino mais nobre que se pode dar à riqueza obtida com o petróleo do présal.
Repartir o bolo ainda com outros estados é mais do que justo, e o Rio de Janeiro aplaude as duas iniciativas.
Entretanto, o governo do estado e municípios fluminenses não podem abrir mão dos valores das compensações pagas hoje. Esses recursos são essenciais para manter o equilíbrio das nossas finanças e também garantir investimentos necessários frente às demandas que surgem com a atividade petrolífera, como estradas, escolas, hospitais, segurança. Também não podemos nos furtar ao papel histórico do Rio de Janeiro de colaborar com o desenvolvimento socioeconômico do país.
Nosso objetivo é garantir as regras atuais de recebimento das compensações financeiras para os estados produtores e contribuir com o país, dando alternativa que permita ao governo federal colocar em prática seu ambicioso plano. Para isso, bastaria manter as regras, apesar de deixarmos de ganhar um volume maior de recursos com os novos campos do pré-sal. Aliás, a emenda aprovada é ilegal porque altera os contratos já licitados.
Com isso, fica mantido o nível de recursos recebidos pelo Rio de Janeiro em forma de compensações e permite a distribuição da riqueza aos outros estados e municípios não produtores.
É uma proposta boa para todos os entes brasileiros”.
        * * *
De uns 10 dias para cá, ficou na moda reclamar da mudança da capital para Brasília e da fusão da extinta Guanabara com o antigo Estado do Rio.
No primeiro caso, não há o que discutir.
Mas alguém conhece algum movimento que esteja tratando da desfusão?
A quem ela interessaria?
Certamente não é ao governador do Estado.
Aí é que ele não se reelegeria mesmo.
Gabeira ficaria com a Guanabara, e Garotinho com o Estado do Rio.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:49

Pezão vai deixar o governo

O vice Luiz Fernando Pezão vai deixar o governo no final do mês.
É que ele acumula a secretaria de Obras, e terá de se desincompatibilizar para disputar a reeleição.
Deixa a secretraria, mas continuará mandando muito.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:37

Lula inaugurará meia Rocinha

Da ‘Folha”:
“Principais investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, as obras de urbanismo e habitação não ficarão prontas a tempo da inauguração de segunda-feira, com a presença do presidente Lula. O ministro das Cidades, Márcio Fortes, disse ontem que o presidente limitará a inauguração a um complexo esportivo, a uma unidade de saúde e a um centro para a prática de judô.
Segundo Fortes, só em junho a população da Rocinha desfrutará da abertura de ruas, de 144 novas unidades habitacionais e de planos inclinados -opção às rampas e escadarias do local. O atraso das obras -iniciadas há dois anos e orçadas em R$ 231,2 milhões- está sendo creditado pelo governo do Estado a dificuldades na desapropriação de imóveis.
Batizado de Centro de Integração, o complexo esportivo custou R$ 41,1 milhões. Terá duas quadras de esportes, duas piscinas, campo de futebol, escola de surfe, pista de skate e academia de boxe.
O Complexo de Atendimento à Saúde custou R$ 15,6 milhões. Terá uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), com capacidade de até cem atendimentos por dia, e um centro de assistência à família. O custo do Centro de Judô é de R$ 2,8 milhões.
As obras no complexo do Alemão e em Manguinhos (zona norte) estão mais adiantadas que as da Rocinha, segundo a assessoria do vice-governador Luiz Fernando Pezão, responsável pelo PAC no Estado”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:13

Garotinho tem o apoio do PT

Do repórter Cassio Bruno, de ‘O Globo’:
“O pré-candidato ao governo do Rio Anthony Garotinho (PR) reagiu ontem às declarações do presidente Lula. O ex-governador lembrou que lideranças do próprio PT já sinalizaram ser a favor da participação de Dilma Rousseff em seu palanque, apesar dos petistas apoiarem o governador Sérgio Cabral (PMDB), que tentará a reeleição.
? Três lideranças do PT declararam apoio: o (deputado Cândido) Vaccarezza, o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e o José Dirceu. A declaração do Lula pode estar relacionada a outros estados, como a Bahia, e não ao Rio ? afirmou ele.
Durante o carnaval, Cabral cobrou fidelidade de Dilma: ? Acho o seguinte: quando há dois palanques, pode ser um problema. Como é que ela (Dilma) vai no mesmo dia para um palanque de situação e para um de oposição? Vai acabar perdendo o voto até da minha mulher.
O presidente do diretório estadual do PT no Rio, Luiz Sérgio, defendeu Garotinho afirmando que o partido não pode ter ?postura arrogante?: ? Se a nossa aliança no Rio é com o PMDB, o palanque deve ser mesmo do Cabral. Mas nós não podemos ter uma postura arrogante e rejeitar outro apoio. Se o Garotinho for candidato, evidentemente que ele será muito bem-vindo.
É preciso ter coerência política, diz Picciani O vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), porém, lembrou que Lula já está dando o tom da campanha: ? Fechamos aliança com quase todos os partidos que foram oposição a Sergio Cabral em 2006. Agora, é partir para as eleições. O presidente está dando o tom. E nós temos que fazer o que ele pedir.
O presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), pré-candidato ao Senado na chapa de Cabral, por sua vez, disse que Dilma seria incoerente ao subir em dois palanques: ? Ela não somaria votos.
Sendo Garotinho opositor de Cabral, como ela explicará para o eleitor? Vai ficar, ao mesmo tempo, num palanque da situação e da oposição? É preciso ter coerência política.
Segundo Picciani, o palanque duplo só fortaleceria as campanhas do deputado federal Fernando Gabeira (PV) e do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), pré-candidatos ao governo do Rio e à Presidência, respectivamente: ? Essa postura da Dilma só faria crescer a campanha do Gabeira e do Serra”.
O melhor da reportagem é o deputado Jorge Picciani cobrando coerência da ministra Dilma Rousseff.
Era só o que faltava.
Quanta ousadia!!!

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