• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:17

Agaciel Maia, o caipira modernoso

  O Sr. Agaciel Maia, o antes todo poderoso chefão do Senado, responsável por tudo o que foi safadeza praticado na Casa, com o apoio, óbvio, de um grupo de senadores, à frente José Sarney, está agora em busca de uma imunidade.
Brasília amanheceu repleta de cartazes de Agaciel, embora ele negue que seja candidato.
Na internet, ele fez um blog, digno de um preguiçoso.
Seus últimos post estão datados de 10 de fevereiro. O primeiro é sobre “8 habilidades essenciais para um bom administrador” – imaginem. O segundo é de comemoração: “Hoje faz 33 anos que ingressei na carreira de servidor efetivo do Quadro de Pessoal do Senado Federal”.
No blog, o que existe de mais informativo, e verdadeiro, é um enorme relógio – já ajustado para o horário de Brasília.
Como administrador moderno que é, Agaciel abriu uma conta no Orkut, sem foto, sem recados, sem perfil. Também não tem amigos e está filiado apenas a uma comunidade: ‘Agaciel Maia Community’, criada em 19 de novembro de 2009 e, até hoje, passados mais de tres meses, com um único membro: ele próprio. Poderia pelo nomes colocar a esposa e os filhos.
Ele sugere ainda que o sigam no Twitter. Desde o dia 22 de janeiro ele postou nove mensagens. Seguidores? Zero.
Além de um link para o Facebbok, Agaciel tem outro para o YouTube. Caso você digite o seu nome, aparecerão alguns vídeos:
1. O diretor do Senado é suspeito de omitir da Declaração de Bens uma mansão avaliada em R$ 5 milhões…
2. Ouça os diálogos que ligam a família Sarney a favores de Agaciel. As gravações foram realizadas pela Polícia Federal com autorização judicial e …
3. O senador Arthur Virgílio Neto (do PSDB de José Serra e FHC), pulou dentro do caldeirão de escândalos no Senado. O senador passeou em Paris e pegou dinheiro emprestado com Agaciel Maia para pagar a…  
4. O cometário de Alexandre Garcia sobre o caso do senador Agaciel Maia…
5. O presidente do Senado, José Sarney, pediu ao TCU que investigue Agaciel Maia, que admitiu ser dono de uma mansão em Brasília, declarada no nome de …
E por aí vai. É vídeo que não acaba mais. Todos contra.
Agaciel Maia é mais o mais belo exemplo da necessidade de uma intervenção federal no Distrito Federal e, mais do isso: é preciso que o Congresso reveja a autonomia política da Capital.
Para se ter uma idéia, de 1994 para cá foram eleitos seis senadores, entre eles José Roberto Arruda, Luiz Estevão, Joaquim Roriz e Paulo Octavio.
Não há como resistir a isso.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:19

A verdade sobre o painel do Senado

No dia 1º de novembro, o governador José Roberto Arruda deu uma entrevista ao repórter Kennedy Alencar, para o programa ?É Notícia?, da Rede TV.
Revendo o terceiro bloco do programa, no site da emissora, é espantoso como Arruda ? dizendo que a mentira o incomodava ? continua mentindo.
E o pior. Mente, e deixa a entender que o criminoso foi um morto: o senador Antonio Carlos Magalhães.
Vamos aos fatos.
Em 2001, o  senador e empresário Luiz Estevão sofria um processo de cassação no Senado, pois sua empresa era a construtora do prédio super faturado onde funcionaria a Justiça do Trabalho, em São Paulo, presidida pelo famoso juiz Lalau.
A punição contra o juiz era ponto de honra para ACM, que estava numa cruzada contra a corrupção. E a punição de Estevão era do maior interesse de Arruda, pois os dois disputavam votos na mesma cidade e eram antigos rivais.
Arruda, engenheiro de profissão, foi quem sugeriu a ACM a violação do painel. Não fez sozinho, pois necessitava do aval do presidente do Senado para solicitar a ilegalidade aos funcionários da Casa.
Portanto, a idéia foi de Arruda, e as providências foram tomadas por ele. Tanto que o envelope, com o voto de cada um dos senadores, foi entregue a ele, e não a ACM. Ele mesmo confessa que leu o relatório primeiro e, depois, foi ao gabinete do presidente.
Portanto, seu crime não foi apenas o de ler um papel que deveria ser sigiloso. Ele foi o arquiteto do crime, e mentiu durante cinco dias dizendo que nada sabia sobre o assunto.
Arruda é homem bastante inteligente e a violação do painel do Senado, na verdade, foi um golpe de mestre.
Ele queria ter apenas uma certeza: a de que Luiz Estevão seria cassado.
E por isso violou o painel.
Estevão era poderoso, articulado e temido por todos, além de pertencer a maior bancada do Senado. Portanto, tinha chances, através do voto secreto, de livrar-se da cassação.
Se Estevão fosse absolvido, Arruda subiria a tribuna, com a relação dos votantes, e diria que recebeu o envelope de um anônimo em seu gabinete.
Ao exibir os votos, estaria provada a violação do painel, e a absolvição de Estevão seria anulada.
Nova votação seria marcada, com tempo suficiente para pressionar, politicamente, aqueles que votaram com Estevão.
Como o senador foi cassado, Arruda perdeu o interesse pelo voto de cada um, já que seu intento já havia sido alcançado.
Por isso, levou o papel imediatamente ao presidente Antonio Carlos Magalhães, político experiente, mas que adorava um fuxico.
Foi a indiscrição do todo poderoso ACM que fez o caldo entornar.
O poder de Antonio Carlos não o bastava. Era preciso exibi-lo. E durante meses ele fez comentários sobre aquela votação.
E Arruda, que mentiu descaradamente durante dias sobre o assunto, acabou – junto com ACM – tendo de renunciar ao mandato de senador, onde era líder do governo FHC, para evitar a cassação por seus pares.
Portanto, o crime de violação do painel foi idealizado, solicitado, e recebido por um único homem: José Roberto Arruda.
Na época ele mentiu, em parte. Hoje, com ACM morto, sua mentira foi ampliada.
Mentir para ele é fácil.
Chorar também.
O difícil será conquistar um novo mandato.
Arruda simboliza hoje o que existe de pior na política brasileira.

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