• Sexta-feira, 30 Março 2012 / 3:09

Candidatos, tremei!

                                                             Eliane Cantanhêde*

        Passada a Semana Santa, Lula entrará com tudo na política. Não cabe aí o verbo “voltar”, porque não se volta para o lugar em que sempre esteve. Ele apenas emerge dos bastidores, onde vinha atuando apesar de radioterapia, quimioterapia, infecção pulmonar e internações, para reassumir os palcos.
Com sua já altíssima popularidade potencializada ainda mais pela doença, seu carisma inegável e sua liderança única não apenas no PT mas em toda a base aliada do governo, Lula desequilibra qualquer jogo político. Onde entra, é para ganhar.
Seus dois alvos são as suas duas maiores invenções: Fernando Haddad, que patinava nos 3% nas últimas pesquisas, e Dilma Rousseff, que demonstra não ter a menor paciência nem para a política nem para os políticos -sobretudo os aliados.
Para Haddad, Lula é fundamental e não terá o menor prurido de submeter o PT a derrotas e constrangimentos em outras ou até em todas as capitais e grandes cidades, desde que reúna o máximo de apoios e de tempo de TV em São Paulo.
O PSB é o melhor exemplo do que pode acontecer com os demais: a seção paulista até gostaria de ficar com Serra, mas o comandante Eduardo Campos acertou com Lula que o partido prefere ir com Haddad em troca do apoio do PT nos outros Estados.
Já para Dilma, Lula é uma faca de dois gumes. Fundamental como respaldo político, mas também um entrave para os rumos que ela quer e já vem dando a seu governo.
Dilma sabe muito bem o tanto de coisas que encontrou fora do eixo, mas pisa em ovos quando tem de desfazer, refazer ou dar guinadas no que encontrou, para não evidenciar erros nem parecer crítica ao ex-chefe, padrinho e antecessor.
De toda forma, os efeitos mais ostensivos da “volta” de Lula serão menos em Brasília, onde ele era e continua sendo consultor, e mais em São Paulo, onde tende a ser o principal fator da eleição de outubro.
José Serra e Gabriel Chalita, tremei!
*Eliane Cantanhêde é colunista da ‘Folha’.

  • Quarta-feira, 28 Março 2012 / 17:44

Serra candidato

                                                                        Marcos Coimbra*

                O PSDB paulista poderia ter comemorado no último domingo um grande dia. Um dia de olhar para a frente e se renovar. Poderia.
Mas foi um domingo sem brilho, em que velhos personagens encenaram uma antiga história. Ao invés de rejuvenescer, a seção paulista do partido reenvelheceu. A vitória de Serra na prévia tucana foi a derrota da mudança — por mais que alguns tenham tentado fazer do limão uma limonada, apregoando que suas correntes saíram dela unificadas.
No terreno do realismo político, não haveria por que lamentar o ocorrido. Suas lideranças são adultas e sabem o que fazem — ou deveriam sabê-lo. Se é assim que querem ser, que o sejam.
Para quem olha o sistema político brasileiro de fora, no entanto, o episódio é de lamentar. Ele ilustra a imensa dificuldade que nossos partidos têm de passar de instituições fechadas a abertas. De evoluir de organizações de quadros para organizações de massa, na consagrada terminologia de Maurice Duverger.
Chegou a parecer que o PSDB paulista teria a coragem de fazer a transição. Até o início do ano, tudo indicava que era para valer o desejo de reinventar-se.
Quatro pretendentes ofereceram o nome e entraram em campo. Arregaçaram as mangas e foram fazer campanha, percorrendo bairros e comparecendo a debates com apoiadores e militantes, alguns de intensa participação.
Pela primeira vez, o PSDB estava a caminho de prévias partidárias em uma eleição grande, de importância nacional. Não que nunca tivesse realizado alguma, mas não de tal significado.
O que acontecia era a realização de algo que, até então, os tucanos apenas imaginavam. Quando, por exemplo, em 2009, Aécio sugeriu que o partido escolhesse o candidato a presidente por meio de prévias, todos sabiam que a proposta era inexequível — ele incluído. O PSDB não tinha condições operacionais de realizá-las em âmbito nacional, pela simples razão de que não dispunha de instrumentos para fazê-las nos estados e em quase nenhum município.
Se tivesse avançado, o processo paulista deste ano seria um marco na história do partido. Depois dele, seria difícil evitar que surgissem pré-candidatos “independentes” — isto é, não ungidos pelos líderes — e que as bases partidárias — mesmo que não sejam lá tão grandes — quisessem ser ouvidas na escolha de candidatos a qualquer cargo.
Mas, movidos, pela enésima vez, pela sua peculiar maneira de ler as pesquisas de intenção de voto — em que o que importa é de quanto parte um candidato e não aonde pode chegar —, os próceres peessedebistas não admitiram que o processo fosse adiante. Na última hora, melaram o jogo e resolveram que o candidato seria Serra.
Bem que eles — a começar pelo próprio — preferiam cancelar as prévias, marcadas para dias depois do “lançamento” da candidatura. Mas seria traumático demais para aqueles que haviam acreditado nelas, que ficariam com cara de bobo. Foram apenas adiadas, dando tempo ao candidato para que reunisse apoio entre os filiados.
Domingo, Serra teve a vitória mais pífia de sua carreira: o comparecimento foi decepcionante e sua votação, surpreendentemente baixa. Ganhou de José Aníbal por pouco mais de mil votos.
Mais relevante, porém, é a marcha ré que levou ao resultado — e que o explica. Na hora em que as portas estavam abertas para que o PSDB deixasse de ser um típico partido de quadros, recuou.
Parece que os tucanos não aprendem a lição: o PT só é o que é por ser um partido. De verdade, e não uma agremiação de notáveis — que há tempo deixaram de ser fortes.
*Marcos Coimbra, sociólogo, preside o Instituto Vox Populi e escreve para o ‘Correio Braziliense’.

  • Segunda-feira, 26 Março 2012 / 9:22

José Serra divide o PSDB

    José Serra teve vitória magra nas prévia do PSDB em São Paulo: 52%.
Seus companheiros esperavam que ele tivesse um mínimo de 60% dos votos, sendo que algumas chegaram a arriscar 80%.
O partido vai para as urnas dividido, embora ele continue sendo o candidato mais forte á sucessão do prefeito do prefeito Gilberto Kassab.

  • Domingo, 25 Março 2012 / 9:02

Quem fala demais…

                                                     Marcos Coimbra*
          O ex-governador José Serra é um homem de declarações polêmicas. Não era. Mas tornou-se.
Sua marca mais notável sempre foi a discrição. Fazia questão de estar sério, a ponto de muitos o considerarem excessivamente fechado. Para dizer o mínimo.
Essa sisudez ajudava a preservar a imagem de alguém de tal maneira voltado para as obrigações que não lhe sobrava tempo para amabilidades. Um obcecado pelo trabalho. Uma máquina competente, que varava madrugadas debruçado sobre estudos e relatórios, impaciente com tudo que o desviava deles.
Quem se apresentava assim não podia se deixar levar pela língua. Quanto menos cedesse aos apelos para se pronunciar, melhor. Evitava os riscos em que incorrem os que não conseguem calar-se.
Agora, não. Volta e meia, emite juízos inusitados. Fala coisas sem pensar.
É possível que esteja assim pelo desconforto de ter que fazer o que não queria. A candidatura a prefeito de São Paulo, além de desviá-lo da rota que havia traçado para seu futuro, revelou-se uma dor de cabeça.
Hoje, deve vencer as prévias partidárias a que, a contragosto, teve que se submeter. Mas a candidatura, lançada para aglutinar o PSDB da cidade, ficou longe de consegui-lo.
Um levantamento feito, semana passada, entre presidentes de diretórios zonais do partido, mostrou o tamanho da resistência a seu nome: 51 foram consultados — de um total de 58 — e apenas 20 disseram que votariam nele.
Seja causado por esses novos ou por antigos dissabores, o fato é que tem dito coisas que, nos bons tempos, não se ouviam dele.
Como a respeito do compromisso de não deixar a prefeitura, assumido de livre e espontânea vontade durante a campanha de 2004. Ao longo dela, em diversas oportunidades, assegurou que não sairia — chegando a afirmar que só não completaria o mandato se “Deus me tirar a vida”. Até assinou um “papelzinho” com esse teor.
Agora, diz que o compromisso era não disputar a Presidência em 2006, e que o teria honrado. Ou seja, largar a prefeitura para concorrer ao governo do estado não representaria quebra de palavra.
Seria bonito se fosse verdade, mas ele se esquece que, no mundo de hoje, é fácil ter acesso às imagens da época. Nelas, aparece garantindo que não sairia em nenhuma hipótese.
Não é inteligente evitar ser considerado pouco verdadeiro com outra inverdade. Não parece coisa de Serra.
E o que pensar de sua declaração de que “em matéria de parceria, o parceiro fundamental da prefeitura é o estado e não a União”, que contraria tudo que sabemos sobre a concentração de recursos e poderes na esfera federal?
À primeira vista, parece um modo habilidoso de sugerir que a ligação de Fernando Haddad com Dilma é pouco importante para a cidade e que a dele com Alckmin é que é “fundamental”. Mas o que faz é jogar no colo dos governadores tucanos — que, ele incluído, se sucedem no Palácio dos Bandeirantes desde 1994 — a responsabilidade pelo que falta na capital.
Mas nenhuma de suas recentes declarações é tão sem sentido quanto a de que “o governador de São Paulo é um prefeitão”. O que será que imagina?
Que Alckmin é um prefeitão? Ou que Mário Covas e Franco Montoro foram prefeitões, para ficar com dois correligionários? Que ele mesmo foi, à frente do governo do mais rico estado brasileiro, apenas um prefeitão da capital? Que o papel nacional do governador de São Paulo é de prefeitão?
Falando coisas desse tipo, vê-se que Serra não atravessa mesmo uma boa fase.
Vamos aguardar seus pronunciamentos, agora como candidato oficial ao posto que não desejava. Promete.
*Marcos Coimbra, sociólogo, preside o Instituto Vox Populi e escreve para o ‘Correio Braziliense’.

  • Domingo, 04 Março 2012 / 10:27

Nacionalizando São Paulo

                                       Marcos Coimbra*
          Chega a ser comovente a satisfação com que alguns setores da sociedade paulista receberam a decisão de Serra de disputar as eleições este ano. Desde o dia em que ele fez o anúncio, estão em êxtase.
Foi nítido o aplauso de alguns veículos da grande imprensa da cidade. Editoriais e colunistas celebraram o gesto “de estadista” do ex-governador, com o entusiasmo de quem noticia um fato de importância capital para o Brasil.
Na internet, seja nos blogs da direita, seja nas manifestações “espontâneas”, viu-se um clima que misturava júbilo e animosidade. Vinha daqueles que se sentiam-se órfãos de uma candidatura que “enfrentasse” o “lulopetismo”. Ficaram felizes quando seu campeão se dispôs a entrar no páreo.
Serra — não fosse ele quem é — parece estar se sentindo bem no papel que lhe está sendo oferecido. Tudo que mais quer é (re)assumir o posto de “líder nacional que luta contra Lula e o PT”.
É como se o passado recente, o presente e o futuro se entrelaçassem em uma só história. Nela, 2012 é apenas uma etapa — em si desimportante — no meio do caminho entre 2010 e 2014.
No discurso em que comunicou a decisão de concorrer, Serra foi explícito: seria candidato para, eleito, impedir, com o “peso e a importância que tem São Paulo”, o “avanço da hegemonia de uma força política no país”, assim solucionando os “dissabores que o processo democrático tem enfrentado” (seja lá o que chama de “dissabor”).
A proclamação de que entrou na disputa para “conter o avanço do PT” foi logo recompensada. No dia seguinte, o maior jornal conservador da cidade saudou a “federalização” da eleição, dizendo que o gesto de Serra “reanima (sic) a possibilidade (…) de existência de uma alternativa ao lulopetismo no comando dos destinos nacionais”. Para o ex-governador, rasgou seda: “José Serra cria um fato político que transcende os limites do município”.
Enquanto prosperava essa troca de amabilidades sob a luz dos holofotes, nos desvãos da internet o tom era mais pesado, ainda que com conteúdo semelhante. Depois de meses amuados, também os ciber-brucutus do serrismo se sentiram “reanimados” pela perspectiva de derrotar os adversários. Os radicais se alvoroçaram.
Parece perfeito: um político que se oferece para fazer aquilo que um segmento da sociedade almeja e diz o que essas pessoas querem ouvir. Serra deseja ser candidato para derrotar o “lulopetismo” e há quem torça para que a eleição de São Paulo seja isso. Qual o problema?
O problema é que nem ele, nem seus amigos veem a eleição de prefeito como um fim (mas os eleitores sim).
Ou faria sentido “enfrentar o lulopetismo” tomando conta da prefeitura? Administrando a Guarda Municipal, a merenda escolar, o transporte público? Lidando com camelôs e perueiros? Distribuindo uniformes escolares? Tentando acabar com os congestionamentos no trânsito? Construindo piscinões?
Pode haver — e há — quem queira ver sangue no embate PSDB vs. PT. A dúvida é se o ringue apropriado é uma prefeitura — mesmo a de São Paulo, que é, apenas, maior que as outras.
Na hora em que a campanha levar o ex-governador ao Jardim Elba, em Sapopemba, o que ele vai dizer aos moradores? Que vai conter o “avanço do PT”? Como? Brigando com o governo federal, com Dilma e seus programas?
Ou vai fazer como em 2010, prometendo que manterá e melhorará iniciativas como o Bolsa-Família, o Prouni, o Minha Casa, Minha Vida? Que vai fazer tudo aquilo com que Fernando Haddad se comprometerá, só que com mais “competência”, pois tem mais “experiência”?
E na hora em que seu vigor anti-lulopetista arrefecer? Na hora em que voltar a ser o Serra de 2010, o “Zé que vai continuar a obra do Lula”?
Só há um jeito de Serra manter a contundência oposicionista que tanto agrada a seus amigos: convencer-se de que a eleição está perdida. Só nessa hipótese será coerente com o que esperam dele.
*Marcos Coimbra, sociólogo, preside o Instituto Vox Populi e escreve para o ‘Correio Braziliense’.

  • Sexta-feira, 02 Março 2012 / 14:14

Serra prefere Dilma à Aécio

                                                                Fernando Rodrigues*
            Numa das diversas conversas mantidas entre Gilberto Kassab (PSD) e dirigentes petistas nos últimos meses, o prefeito de São Paulo fez uma confidência para o presidente nacional do PT, Rui Falcão.
“Eu tive um contato com ele [Kassab] no ano passado”, diz Falcão. Na ocasião, segundo o relato do petista, Kassab declarou: “Eu acho que o Serra não vai mais ser candidato a presidente da República (…). Para a [presidente] Dilma, a melhor coisa que poderia acontecer é o Serra prefeito de São Paulo. Porque se tiver Dilma e Aécio [Neves, do PSDB], Serra é Dilma [na disputa presidencial de 2014]“.
Falcão fez esse relato ontem, em entrevista à Folha e ao UOL. Em 2011, quando ouviu a análise de Kassab, o presidente do PT afirma ter recebido a previsão com ceticismo. “Eu brinquei. Falei: ‘Conta a do português agora’”.
Ao revelar o conteúdo de sua conversa com Kassab, o presidente do PT faz uma intriga pública que já é há tempos ouvida nos bastidores da sucessão paulistana.
Demonstra também que a cúpula petista tentará desqualificar politicamente o prefeito.
Adversário desde o início da aliança do PT com Kassab em São Paulo, Falcão diz que o relacionamento recente da direção petista com o prefeito foi só institucional.
“Ele é presidente de um partido.”
Como Kassab nessas conversas com o PT sempre reafirmava que apoiaria Serra se o tucano decidisse concorrer à sua sucessão, Falcão acha que tudo foi já estava previamente acertado.
“Ele [Serra] formalizou algo que nós já esperávamos. Esse roteiro é mais que previsível. Durante um tempo ele diz que não é candidato. No momento seguinte, é procurado por lideranças do seu partido. Diz que vai pensar. Em seguida, confirma o que já se sabia anteriormente”.
Falcão acha que a eleição paulistana será em parte nacionalizada, como sempre tem sido.
Nesse caso, afirma que o PT gostará de debater o tema das privatizações.
O petista diz haver diferenças entre a venda de empresas estatais e o modelo adotado pelo governo Dilma, de apenas fazer concessão para a iniciativa privada atuar em alguns setores.
Sobre assuntos polêmicos, Falcão reafirmou que o PT tem em suas diretrizes a descriminalização do aborto, mas que esse não é um tema central para o partido defender no Congresso Nacional.
Indagado sobre a hipótese de o PT apoiar a candidatura de Gabriel Chalita (PMDB) em São Paulo, Falcão disse que essa foi uma ideia “infeliz” do líder petista na Câmara, Jilmar Tato.
*Fernando Rodrigues é colunista a ‘Folha’.

  • Quinta-feira, 01 Março 2012 / 11:49

Editor propõe reedição contra Serra

   De Vera Magalhães, do Painel da ‘Folha’:
   ”O editor Luiz Fernando Emediato propôs ao jornalista Amaury Ribeiro Jr. o relançamento do livro “A Privataria Tucana”, com denúncias contra a filha e amigos de José Serra (PSDB), que acaba de se lançar pré-candidato a prefeito de SP. “Vamos corrigir erros de pequena monta e acrescentar dados que ficaram de fora”, diz ele.
Verônica Serra, filha do candidato, nega as acusações de que tem negócios ilegais no exterior.
E José Serra já classificou o livro como “lixo”.

  • Quarta-feira, 29 Fevereiro 2012 / 8:24

Serra acha que futuro do país depende de sua vitória

     Da repórter Daniela Lima, da ‘Folha’:
     ”O ex-governador José Serra (PSDB) afirmou ontem que entrou na corrida à Prefeitura de São Paulo para deter o avanço do PT como força hegemônica na política nacional e disse que o futuro do país depende do resultado da eleição deste ano na capital.
Numa carta em que formalizou para o PSDB seu desejo de concorrer à prefeitura, Serra disse que decidiu se candidatar depois de refletir sobre o “avanço da hegemonia de uma força política” e definiu a eleição em São Paulo como um embate entre “duas visões distintas de Brasil”.
“Duas visões distintas de administração dos bens coletivos, duas visões distintas de democracia, duas visões distintas de respeito aos valores republicanos”, escreveu.
Serra e os tucanos estão preocupados com a possibilidade de isolamento do PSDB se o PT vencer a eleição municipal em São Paulo.
Por indicação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT lançou o ex-ministro da Educação Fernando Haddad como candidato a prefeito. De perfil moderado, Haddad é a aposta dos petistas para conquistar o eleitorado paulistano e tirar a prefeitura da órbita do PSDB.
A vitória na capital, onde eleitores mais conservadores sempre rejeitaram candidatos petistas, seria um passo importante para o PT, que há 18 anos tenta tirar os tucanos do governo do Estado.
Para fortalecer a campanha de Haddad, Lula tentou replicar a estratégia que levou à eleição de sua sucessora, a presidente Dilma Rousseff, em 2010, construindo um amplo arco de alianças em torno de seu candidato, e procurando o prefeito Gilberto Kassab para negociar a adesão de seu partido, o PSD.
O namoro de Kassab com o PT contribuiu para a decisão de Serra de entrar na disputa municipal. O ex-governador avaliou a aproximação entre o prefeito -seu afilhado político- e Lula como “um desastre” para o futuro da oposição em São Paulo.
A aproximação de Lula e Kassab poderia resultar numa aliança entre o PT e o PSD no plano nacional, o que liquidaria as chance de manter o prefeito no alcance da oposição e do próprio Serra.
A partir daí, o tucano passou a reconsiderar sua candidatura a prefeito. Kassab abandonou as negociações com o PT e declarou apoio à candidatura de Serra.
Em visita a obras em Pernambuco, a presidente Dilma Rousseff indicou que prefere se manter distante da disputa eleitoral. “Sou presidente da República, não sou prefeita de São Paulo nem tenho nenhum pronunciamento a fazer a esse respeito”, afirmou, questionada sobre o cenário em São Paulo. “Essa é uma questão que tem que ser tratada a nível municipal”.
Com a carta entregue ontem, Serra oficializou sua inscrição nas prévias convocadas pelo PSDB para definir seu candidato. Ele disputará a preferência dos militantes do partido com o secretário José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Trípoli.
Após receber a carta de Serra, a executiva municipal do PSDB se reuniu para adiar as prévias para o dia 25 de março. Elas estavam marcadas para o dia 4, mas, com suporte do governador Geraldo Alckmin, o grupo serrista conseguiu mudar a data para que Serra tenha tempo de se incorporar ao processo.
A reunião foi tensa e dirigentes do PSDB ligados Aníbal e Trípoli acusaram Serra de “rachar” o partido. Após o embate, o presidente da executiva, Júlio Semeghini, admitiu que será preciso “reconstruir a unidade” da sigla”.

  • Quarta-feira, 29 Fevereiro 2012 / 8:20

Notas paulistas

       Deu na ‘Folha’:
       “A senadora petista Marta Suplicy criticou ontem a maneira como o PT vem conduzindo o “processo eleitoral de São Paulo” e afirmou que o partido errou ao iniciar negociações com o prefeito Gilberto Kassab (PSD) para as eleições municipais de outubro.
“É preciso reconhecer que erramos. Fomos precipitados”, afirmou em sua página no Twitter. Sem citar Kassab, a senadora condenou o fato de o PT ter ficado “flertando com adversário enquanto nossos tradicionais aliados migraram para o lado deles”.
Marta, que se colocava como pré-candidata do PT à prefeitura até o final do ano passado, desistiu da candidatura em favor de Fernando Haddad, após ser pressionada pelo ex-presidente Lula”.
                                      * * *
“Disposto a sobreviver à polarização PT versus PSDB, o pré-candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, deputado Gabriel Chalita, fez ontem duros ataques ao tucano José Serra e prometeu uma campanha crítica ao governo Kassab.
Chalita tocou numa ferida de Serra: lembrou que, na eleição de 2004, o tucano prometeu concluir o mandato, mas deixou o cargo menos de dois anos depois.
“Não muda nada a candidatura Serra. Até porque sempre trabalhei com a hipótese de que seria candidato. Serra faz exatamente oposto do que diz. Ele disse que não sairia da prefeitura e saiu”, alfinetou Chalita.
Ex-tucano, ele acusou Serra de adotar “a política de subsolo” na disputa contra Dilma Rousseff. “O que Serra fez na campanha [de 2010] foi muito sujo [...] Se ele persistir nesse estilo de política, do subsolo e da intriga, vai ser ruim para ele”, atacou”.
                                     * * *
“Adversários na corrida pela prefeitura paulistana, José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) se encontraram pela primeira vez na pré-campanha anteontem à noite.
Durante jantar de aniversário do presidente do PC do B, Renato Rabelo, em um restaurante na capital, o tucano e o petista falaram de futebol e posaram para fotos.
Palmeirense, Serra previu que o São Paulo, de Haddad, será o principal rival de seu time na atual temporada. O ex-governador foi levado ao evento por Gilberto Kassab (PSD), a convite do ministro Aldo Rebelo (Esporte). O ex-ministro José Dirceu observou a conversa à distância”.

  • Quarta-feira, 15 Fevereiro 2012 / 9:55

Serra embaralha prévia no PSDB

     Deu na ‘Folha’:
     “O governador Geraldo Alckmin indicou ontem que a definição do candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo terá que esperar José Serra decidir seu futuro político.
Na última semana, os dois tucanos passaram a negociar as condições para uma possível candidatura de Serra a prefeito, como revelou ontem a Folha. O novo cenário deixou alarmados os quatro pré-candidatos inscritos para as prévias convocadas pelo partido para o dia 4 de março.
Questionado sobre a articulação, Alckmin disse que não havia “fato novo”, mas afirmou que Serra é “um ótimo candidato”. “Se ele quiser ser, é um ótimo candidato. Essa é uma decisão pessoal do Serra que nós devemos aguardar”, afirmou Alckmin.
Uma das condições apresentadas pelo ex-governador para considerar a disputa é que Alckmin desarme a disputa interna, pacificando o partido para sua campanha.
Serra recebeu uma romaria de tucanos nos últimos dias. Avaliou que seria “um desastre” para qualquer projeto político do PSDB uma aliança entre o PT e o PSD, do prefeito Gilberto Kassab.
Para o ex-governador, isso seria a vitória de um projeto do ex-presidente Lula e transformaria a oposição numa “minoria absoluta”.
A notícia de que Serra passou a costurar sua candidatura levou o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, a convocar senadores e membros da cúpula partidária para discutir o novo cenário.
Guerra deixou claro que caberá a Alckmin conduzir o processo em São Paulo, o que é um consenso entre os tucanos. Na avaliação de serristas, só uma intervenção direta do governador seria capaz de desmobilizar as prévias.
“Se o Serra quiser ser candidato, terá que disputar as prévias. Estamos trabalhando nisso há seis meses”, afirmou o secretário estadual de Energia, José Aníbal, um dos quatro candidatos às prévias.
O secretário de Cultura, Andrea Matarazzo, que é amigo de Serra e também está inscrito para as prévias, disse apenas que “quem define a questão é o PSDB e o governador”. O deputado Ricardo Trípoli disse que as prévias não podem ser canceladas.
O prefeito Gilberto Kassab teve diferentes reações diante da possível candidatura de Serra. Em público, disse desconhecer a articulação tucana e ampliou a pressão por uma definição até março.
“Uma candidatura colocada tardiamente leva uma desvantagem muito grande em relação aos outros candidatos”, afirmou ontem.
Aos petistas, com quem também está negociando, o prefeito prometeu manter o cronograma de conversas e disse não ter recebido nenhum sinal de que Serra será candidato à sua sucessão.
Em conversas reservadas com aliados, Kassab disse falar com Serra “todo dia” e reafirmou que, se o ex-governador for candidato, não terá como não apoiá-lo.
Disse ainda que considera o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, uma boa opção de vice. É o mesmo nome que ele apresentou aos petistas.
Dirigentes do PSDB também defendem a definição de uma estratégia até março.
Eles se dividem entre os que acham que o melhor é realizar as prévias e depois negociar a desistência apenas com o vencedor, e os que avaliam que o processo tem de ser cancelado antes que a votação seja realizada, para evitar um vexame público para os tucanos”.

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