• Sexta-feira, 17 Setembro 2010 / 9:49

Um livrão no Planalto

                                             José Sarney*

             Há três dias, a Fundação Joaquim Nabuco lançou, no Palácio do Planalto, um livro que se destina a ser raro e fazer escola: dois volumes de entrevistas com os chefes de comunicação da Presidência da República, de JK a Lula.
É, no fundo, a primeira publicação sobre os segredos do poder presidencial, como se tomam decisões e os bastidores de como elas chegam ao público. Foi uma inovadora iniciativa do ex-porta-voz André Singer, com fotos de Orlando Brito. As entrevistas são excelentes e revelam a tensão permanente entre o governo e os comunicadores, jornalistas em síntese. O Brasil não tem o hábito de fazer história com fontes primárias. Em geral, são degraus se repetindo uns aos outros. Autobiografias de presidentes, nem pensar.
Campos Sales escreveu um livro medíocre que é mais o relato da campanha republicana paulista. O diário de Getúlio é uma sequência de fofocas diárias sem nenhuma visão prospectiva, sem as fontes nem as razões de decisão. O de Juscelino, escrito a quatro mãos, tem altos e baixos. O primeiro volume, sobre sua infância e vida, é primoroso. Os demais são relatos bem escritos, porém mais relativos a Brasília que a ele mesmo. Epitácio Pessoa guardou seu ressentimento na geladeira, como dizia Tancredo, e colocou-o para fora nos livros de defesa irada do seu governo.
Nos EUA, a literatura de como se tomam as decisões na Casa Branca (título de livro de Theodore Sorensen) é farta. Há uns 25 anos, Michael Nielson, professor da Vanderbilt University e jornalista do “Washington Post”, publicou um trabalho de profundidade sobre o assunto: “A Presidência e o Sistema Político”.
Valeu-se de muitas informações de porta-vozes. Chegou a algumas conclusões: os presidentes que perseguiram e desejaram o poder saíam mais fortes do que entravam (veja-se Lula, cá, Roosevelt e Wilson, lá). A inflação dá a base de popularidade dos presidentes. Quanto mais baixa, mais popular.
Arthur Schlesinger Jr., a exemplo de seu pai em 1948 e 1962, classificou, em 1996, depois de ouvidos 719 historiadores, acadêmicos e cientistas políticos, o desempenho dos presidentes dos EUA -bons, regulares e ruins. Os bons quase sempre eram displicentes quanto à burocracia, se engajavam na liderança e exerciam o poder com energia e desenvoltura. “Idealismo” e “flexibilidade”, avaliados previamente pelo sociólogo Gary Maranell, já não eram importantes para o julgamento final do governo. No fundo, o que pesa mesmo é o que ficou para a história. O circunstancial não conta.
Quem sabe, depois deste livro, cada porta-voz ficará tentado a escrever suas memórias da Presidência. Será bom para o Brasil e sua história, baseada em fonte direta.
*José Sarney é presidente do Senado e escreve na ‘Folha’.

  • Sexta-feira, 06 Agosto 2010 / 8:39

Uma eleição sem jeito de

                                                            José Sarney*

      O PMDB tocou no ponto-chave do problema da América Latina e, por consequência, brasileiro: aprofundar a democracia. A Constituição de 88, boa no capítulo dos direitos individuais e sociais, criou barreiras para atingirmos esse objetivo.
Sem a consciência de que a democracia é um modo de vida, crescem poderes autônomos de setores da administração pública, do Judiciário, do Legislativo, criando áreas de privilégios, que, embora não sejam pessoais, têm a força de transformá-los em grupos superiores ao povo.
Não se pode ter democracia aprofundada com as medidas provisórias que acabam com o Legislativo; e sem elas passou a ser impossível governar. Resultado, no Congresso desapareceu o debate, só passam matérias anódinas ou por consenso: as bondades, que não são aquelas que viu Pero Vaz de Caminha, mas as que denunciam os jornais, como trens da alegria, privilégios, prerrogativas de funções e mais e tal.
Estamos presenciando a regressão do que é a democracia. Com o exagero de controles, desapareceram as campanhas, a capilaridade na discussão de problemas e ideias, para restarem blogs, notícias de jornais e a avassaladora dominância da televisão. O eleitor, o povo mesmo, é mero coadjuvante.
Amarraram tanto as regras, impuseram tantos entraves, que o processo político passou a ser sobretudo um processo jurídico. Tenho um amigo candidato que me diz ter mais advogados do que eleitores.
Ora, a democracia é um estado de consciência que se exercita pela educação. Pela prática. Não pode ser concebida como uma sala de aula em que só se faz o que o professor ensina e manda fazer.
É assim que pensam os caudilhos, nada mais, com todas as letras, que o autoritarismo. Não há só ditadura de homens, mas também de instituições. Duverger disse que a ditadura do Congresso era pior do que a do Executivo e que a da Justiça era pior ainda que a dos outros Poderes.
Já se queixam da ditadura do Tribunal de Contas, da Controladoria da União, do Banco Central, da Polícia Federal, da CBF, do Ministério Público, da Beija-Flor, da Vai-Vai, enfim, ditadura do papai, da mamãe -e até estes da ditadura dos filhos.
A verdade é que estamos no período das eleições e não vemos eleições. Elas estão restrita aos tribunais e começaram ontem a dar sinais de vida, com o primeiro debate na TV dos presidenciáveis.
Na cultura da internet, vivemos uma eleição virtual. Ela existe, funciona, mas ninguém vê. No mais, por falar em internet, a grande notícia é que ela matou a Playboy, a grande marca hedonista. Para ver peladas, passe o dia visitando sites.
*José Sarney é presidente do Senado e escreve na ‘Folha’.

  • Sexta-feira, 30 Julho 2010 / 9:14

O segredo do sono

                                                        José Sarney*

   O professor Sidarta Ribeiro, da UFRN, deixou a cabeça de todo mundo confusa. É que, por experiência pessoal, descobriu que estudar demais dá um sono danado. Resolveu fazer um curso de imersão total de inglês e, à proporção que estudava, o corpo reagia e dormia mais. Chegou ao marco de 16 horas.
Eu, que tenho insônia desde os 30 anos, fiquei grilado. É que o professor concluiu que dormindo é que se aprende, sonhando é que se fixa na memória o que se aprendeu.
Fiquei sem saber por que tinha aprendido tanta coisa ao longo da vida, se minha experiência era estar sempre acordado e me envaidecendo da memória de elefante que eu julgava ter e a que o tempo tem se encarregado de arrancar as grandes orelhas e a tromba.
Aí me deu de também fazer teorias. Para dormir sempre fui ajudado pelas minhas diazepinas; será que essas, que dizem prejudicar a memória, podem, ao contrário, ajudá-la e ao sono?
A Bíblia está cheia de sonhos desvendados e muitas vezes Deus falou com o profetas no sono e aos santos, em sonhos acordados, deu visões do paraíso.
Não só os homens mas os bichos dormem e sonham sem precisar aprender inglês. Meu avô tinha um cachorro, Seu Beti. Na hora da sesta, deitava-se e ficava latindo baixinho, intermitente e todos diziam: “Está sonhando”. Meu tio Ferdinand respondia: “E é com carne e osso”. No Nordeste há um ditado que diz, quando uma pessoa é dorminhoca, que “dorme mais do que gato de pensão”. É que nestas hospedagens caseiras sempre existe um gato dormindo debaixo da mesa ou na cozinha.
A verdade é que eu que não durmo e tenho uma inveja danada desses dormidores, inclusive do gato.
Mas, folclore à parte, os neurocirurgiões cerebrais descobriram agora uma neuronavegação que permite entrar em qualquer zona da cabeça, mesmo em áreas de difícil acesso, e “fazer maravilhas”, como dizia Cervantes da catedral de Sevilha. É claro que isso vem dos novos equipamentos de precisão que permitem uma pontaria exata para realizar os milagres.
E, com essas novas descobertas sobre o sono, o sonho, dormir, acordar, ir às áreas de ódio, de amor, de sexo, de guerra, de bolivarianos, de bem, de mal, de ficha suja e limpa, não haveria um novo campo para a política?
Os tribunais condenariam os diversos tipos de transgressões a uma cirurgia de precisão indo aos pontos responsáveis por condutas indesejáveis. Ou então, mandar que sejam gatos de pensão ou fazer boi dormir.
Talvez não tivéssemos essa guerra de fronteira Venezuela-Colômbia ou a impugnação do nome do Muricy Ramalho para técnico da seleção.
* José Sarney, presidente do Senado, escreve para a ‘Folha’.

  • Quarta-feira, 21 Julho 2010 / 19:21

História não é maconha, para ser queimada

                                                                   Élio Gaspari*

    A professora Silvia Hunold Lara, da Unicamp, pede que o Congresso socorra a história do Brasil. Há cerca de um mês, uma comissão de sábios entregou ao Senado um anteprojeto de reforma do Código de Processo Civil que prevê a incineração, depois de cinco anos, de todos os processos mandados ao arquivo. Querem reeditar uma piromania de 1973, revogada dois anos depois pelo presidente Ernesto Geisel.
Se a história do Brasil for tratada com o mesmo critério que a Polícia Federal dispensa à maconha, irão para o fogo dezenas de milhões de processos que retratam a vida dos brasileiros, sobretudo daqueles que vivem no andar de baixo, a gente miúda do cotidiano de uma sociedade. Graças à preservação dos processos cíveis dos negros do século 19 conseguiu-se reduzir o estrago do momento-Nero de Rui Barbosa, que determinou a queima dos registros de escravos guardados na Tesouraria da Fazenda.
Queimando-se os processos cíveis, virarão cinzas os documentos que contam partilhas de bens, disputas por terras, créditos e litígios familiares. É nessa papelada que estão as batalhas das mulheres pelos seus direitos, dos posseiros pelas suas roças, as queixas dos esbulhados. Ela vale mais que a lista de convidados da ilha de Caras ou dos churrascos da Granja do Torto.
A teoria do congestionamento dos arquivos é inepta. Eles podem ser microfilmados ou preservados digitalmente. Também podem ser remetidos à guarda de instituições universitárias. O que está em questão não é falta de espaço, é excesso de descaso pela história do povo. Pode-se argumentar que os processos com valor histórico não iriam ao fogo, mas falta definir “valor histórico”.
Num critério estritamente pecuniário, quanto valeria o contrato de trabalho assinado nos anos 50 por uma costureira negra de Montgomery, no Alabama? Certamente menos que um manuscrito de Roger Taney, o presidente da Corte Suprema dos Estados Unidos que deu o pontapé inicial para a guerra civil. Engano. Uma simples fotografia autografada de Rosa Parks, a mulher que desencadeou o boicote às empresas de ônibus de Montgomery e lançou à fama um pastor de 29 anos chamado Martin Luther King, vale hoje US$ 2.500. O manuscrito encalhado de Taney sai por US$ 1.000.
O trabalho dos sábios incineradores está com o presidente do Senado, José Sarney, cuidadoso curador de sua própria memória e membro da Academia Brasileira de Letras. Como presidente da República, autorizou a queima dos arquivos da Justiça do Trabalho. Com isso, mutilou a memória das reclamações de trabalhadores, de acordos, greves e negociações coletivas.
A piromania é fruto do desinteresse, não da fatalidade. O STF, os Tribunais de Justiça de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Rondônia, bem como o TRT de Rio Grande do Sul, acertaram-se com arquivos públicos e universidades para prevenir o incêndio.
Há mais de uma década, a desembargadora Magda Biavaschi batalha na defesa dos arquivos trabalhistas, mas pouco conseguiu. Lula ainda tem mandato suficiente para agir em relação à fogueira trabalhista e para alertar sua bancada na defesa dos arquivos cíveis. Milhares de processos estimulados pelas lideranças sindicais dos anos 70, quando ele morava no andar de baixo, já viraram cinzas.
* Élio Gaspari é jornalista e escreve para ‘O Globo’ e a ‘Folha’.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:53

Carecas e sexo

Do senador José Sarney, para a ‘Folha’:
“Os estadistas de hoje têm uma função a mais: tratar de dar conselhos de saúde, avaliação de antioxidantes celulares, cuidar de hormônios em bois e frangos, higiene corporal e frequência sexual.
A primeira vez em que me surpreendi com o fato foi quando vi o presidente Chávez, da Venezuela, misturar traição à pátria com banho. Os venezuelanos tinham que tomar banho em três minutos: o primeiro para água e sabão, o segundo para esfregamento e enxaguamento, o terceiro para tirar a água e enxugar-se. Mais do que isso era trair a pátria e o socialismo bolivariano, pois consumia energia elétrica. Se a água era fria, mesmo procedimento, para não roubar o tempo ao trabalho nacional.
Depois, seguindo o seu exemplo, o nosso Evo Morales, presidente da Bolívia, por quem tenho simpatia pessoal pelo que representa de sua etnia, promoveu a 1ª Conferência Mundial dos Povos sobre as Mudanças Climáticas e a Mãe Terra, em Tiquipaya, perto de Cochabamba, evento em que fixaria a posição socialista nas questões ambientais.
Lá, o presidente da Bolívia começou a dissertar sobre como o capitalismo está destruindo o homem. Como exemplo, recomendou que ninguém coma carne de frango, porque o frango que comemos está carregado de hormônio e isso faz com que “os homens tenham desvios de serem homens”. Por isso tantos homossexuais.
Falou, também, dos carecas, esquecendo a modinha brasileira que é deles “que elas gostam mais”.
Disse mais: que a Europa tem muitos carecas porque “comem coisas comercializadas pelo mundo capitalista”. A homossexualidade e os sem cabelos são culpa dos transgênicos, vasilhames de plásticos e batatas holandesas, que entraram na história como Pilatos no Credo. Muitos dos presentes, alguns deles vindos de outras partes do mundo e querendo prestigiar o evento, começaram a rir e sair.
Conjugando todas suas teorias, terminou sua fala com o refrão: “Planeta ou morte, Mãe Terra ou capitalismo”. O frei Boff, um dos conferencistas presentes, ouviu as excêntricas interpretações.
Nos juntamos a essa nova estrada do socialismo bolivariano, sem ser parte dele, com o nosso simpático ministro Temporão, bom profissional, excelente formação médica, nos dando a dica de como combater a hipertensão, preveni-la e afastá-la. Basta dançar, praticar exercícios físicos e fazer o que entusiasmou o auditório: sexo cinco vezes por dia, ou por semana, sem tratar, por ser assunto sensível, da sedução e tudo o mais que exige o amor. Mas também sintetizou: “Prevenir a hipertensão só depende de você”.
E eu, que sou hipertenso, com 80 anos, vou procurá-lo para que o Ministério da Saúde distribua o remédio”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:51

Caixa 2 de Arruda tem ‘Sarney’

Do repórter Leandro Colon, do ‘Estadão’:
“Um documento da contabilidade de caixa 2 da campanha do ex-governador José Roberto Arruda lista o nome “Sarney”. A anotação manuscrita foi feita pelo próprio Arruda, como comprova perícia feita a pedido do Estado. À frente do nome “Sarney”, o documento registra a anotação de uma quantia e quanto teria sido efetivamente pago: “250/150 PG”.
O apontamento isolado do nome “Sarney” não permite indicar a quem da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), supostamente se refere. Segundo a perícia, as letras “PG” foram escritas pelo tucano Márcio Machado, um dos arrecadadores do caixa 2 do governador cassado que, depois de vencida a eleição, virou secretário de Obras do Distrito Federal.
Em janeiro de 2007, no mês em que Arruda (ex-DEM, hoje sem partido) tomou posse, o secretário Márcio Machado esqueceu em cima da mesa de uma emissora de televisão, em Brasília, duas planilhas. A primeira, publicada pelo Estado no dia 4 de dezembro do ano passado, continha os nomes de 41 empresas que teriam doado para o esquema de caixa 2 da campanha de 2006 do então candidato do DEM ao governo do Distrito Federal. Machado admitiu que era o autor das anotações.
A segunda planilha, com nove nomes, é que foi submetida ao laboratório de perícia de Ricardo Molina. O perito afirma que foi escrita pela mão do ex-governador Arruda a relação de cinco desses nove nomes onde, na quinta anotação, aparece “Sarney – 250/150 PG”. Para chegar a essa conclusão, Molina comparou o documento da contabilidade do caixa 2 com uma carta escrita recentemente por Arruda, também de próprio punho, no dia 11 de fevereiro. A carta, com horário registrado das 17 horas e intitulada “Aos amigos do GDF”, foi escrita minutos depois de Arruda ter a prisão decretada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
“Conclusões seguras”. A análise da perícia técnica diz que os trechos escritos “permitem conclusões seguras” sobre os nomes listados nesta ordem: “1-Izalci-300/200-OK”, “2-Chico Floresta-80-OK”, 3-Ronaldo-Via-OK-500/2×200-1×150″, “4-J.Edmar-1.000/100PG+120+800″ e “5-Sarney-200/150PG”. E acrescenta: “Os nomes listados nos números de 1 a 5 foram certamente produzidos pelo punho escritor do governador Arruda.” O trabalho da perícia, assinada no dia 7 de abril, concluiu de maneira categórica: “Acima de qualquer dúvida razoável, podemos afirmar que a escrita cursiva emanou do punho do governador José Roberto Arruda.”
Em dezembro do ano passado, quando o Estado publicou a primeira reportagem sobre as anotações do caixa 2 de Arruda, Márcio Machado admitiu a autoria da tabela com os nomes das 41 empresas, mas disse que não saberia dizer quem era o responsável pelo documento que menciona “Sarney”. Agora, o perito Ricardo Molina desfaz a dúvida: “Existe, portanto, uma conexão de fato entre os dois documentos questionados.”
Comparando os “PGs” da planilha de Machado, a perícia concluiu que a anotação “PG” à frente dos valores ligados a “Sarney” também é do arrecadador de Arruda que virou secretário de Obras. Por causa do escândalo do “mensalão do DEM”, o PSDB exigiu a saída do tucano do governo e da presidência regional do partido no DF.
Em dezembro, Machado disse ao Estado, por meio de seu advogado, que a planilha era uma projeção de doações que seriam solicitadas às empresas por meio do tesoureiro oficial da campanha, José Eustáquio Oliveira. O tucano diz que não se recorda dos números nem acompanhou essas doações. Os dois documentos – o de Arruda e o de Machado – estão em poder do Ministério Público”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:44

Os octogenários

Maria da Conceição Tavares comemora hoje seus 80 anos.
Ela tem o que comemorar.
Fará uma festa de arromba, na Casa do Minho, para 200 pessoas, a maior parte deles ex-alunos como é o caso de José Serra e Dilma Rousseff.

                                                            * * *
José Sarney comemora hoje seus 80 anos.
Ele não tem o que comemorar.
Passará o dia escondido em São Luís, e até mesmo uma missa na Capela de Santo Antonio foi suspensa a pedido da família. Tudo para não expor o filho Fernando, às voltas com a Polícia Federal, e para preservar a filha Roseana, candidata à reeleição ao governo do Maranhão.
                                                            * * *
Viva a diferença!!!

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:44

Cabral está uma pilha de nervos

De Jorge Bastos Moreno, no ‘Nhenhenhém’:
“Vejam só:
? Pai, cuidado com a Dilma. Continue mostrando o que ela representa, mas evite críticas pessoais. Ela gosta do senhor e o senhor, dela.
Quem disse isso a quem?
O jovem e inteligente Yuri ao pai Ciro Gomes?
Clarissa ao Garotinho?
Roseana a Sarney?
Nada disso!
É do presidente do DEM, Rodrigo Maia, ao ex-prefeito Cesar Maia.
Cabral, cadê seu Prozac?”
                             * * *
“Acham que acaba aí?
Em momento de grande adversidade pessoal, a família Maia tem recebido a solidariedade do sucessor do patriarca.
E Rodrigo comentou esse gesto de grandeza do prefeito do Rio:
? Não adianta! O Eduardo Paes é cria do meu pai. Politicamente, a gente não tem mais nada a ver. Pessoalmente, é difícil desfazer o laço.
Cabral, e a sibutramina?”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:44

Senado unânime derrota Nuzman

 Do repórter Afonso Morais, para o site ‘Congresso em Foco’:
“A decisão foi unânime. Nove senadores rejeitaram a proposta do presidente dos Comitês Olímpico Brasileiro (COB) e do Rio 2016 (CORio 2016), Carlos Arthur Nuzman, para alterar duas leis federais que regulamentam a proteção aos símbolos olímpicos. Como o Congresso em Foco publicou (dia 19), a intenção de Nuzman era aumentar de forma exagerada a lista de restrições, proibindo a utilização, mesmo que claramente não comercial, de termos como Olimpíadas e Jogos Olímpicos, a não ser com autorização expressa do COB e pagamento de royalties. Levada ao pé da letra, a restrição proposta do Nuzman poderia proibir mesmo a realização de Jogos Olímpicos escolares ou a já tradicional Olimpíada de Matemática. Além disso, o presidente do COB estendia a lista de palavras restritas, incluindo termos como “Rio”, “Rio de Janeiro”, “2016″ e até “medalhas” e “patrocinador”.
Durante audiência pública realizada na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal, alguns parlamentares ironizaram a sugestão polêmica do COB para restringir o uso de palavras usadas no cotidiano. Ao final, a presidente da sessão, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), comunicou que a Comissão de Educação enviará ofício ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-MA), informando que a reunião foi realizada e que as alterações propostas nas Leis 12.035 (Ato Olímpico) e 9.615 (Lei Pelé) não foram aprovadas.(…)
O problema foi a forma utilizada por Nuzman – uma carta a Sarney – e a extensão exagerada das restrições que ele propunha. Durante a reunião, alguns senadores criticaram a maneira escolhida por Carlos Nuzman de encaminhar o documento. ?Foi atípica e inusitada a forma que o COB conduziu sua proposta para criar um projeto de lei?, reclamou Álvaro Dias (PSDB-PR).
E questionou a ausência do dirigente esportivo, que mandou um representante, o diretor de Marketing do COB, Leonardo Gryner, à audiência. ?É uma demonstração de desinteresse. Nuzman nem veio defender pessoalmente sua proposta. A carta que enviou ao presidente Sarney reiterava pedido de urgência, mas ele preferiu comparecer a outra comissão e hoje não apareceu na CE. A proposta deveria ser ignorada como ele ignorou a audiência?, atacou Álvaro Dias.  O ministro do Esporte, Orlando Silva, como Nuzman convidado para a audiência, também declinou do convite e nem mandou representante”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:42

Tancredo, há 25 anos

De Élio Gaspari:
“Há um quarto de século, morreu Tancredo Neves. Na noite de 14 de março de 1985, os brasileiros foram dormir esperando assistir às cenas de sua posse na manhã seguinte e acordaram com o último dos generais deixando o palácio pela porta dos fundos enquanto José Sarney vestia a faixa presidencial. Tancredo só chegou a Brasília morto.
Ele foi uma resultante. Somava marqueses da ditadura, cardeais da moderação democrata-cristã, comissários de uma esquerda mais ou menos convicta. Morto Tancredo, a coligação perdeu o nexo e, aos poucos, deslizou para o colapso financeiro da hiperinflação e o desastre político do collorato.
Passados 25 anos, persiste o mito de que Tancredo Neves era um conservador. Com aquele jeito, falando baixo, sempre de terno, só podia ser. Além disso, seu conservadorismo seria um bálsamo capaz de aliviar o passado de Sarney e o futuro de Fernando Henrique Cardoso. Um mito conveniente.
Felizmente, o jornalista Mauro Santayana organizou o livro “Tancredo: O Verbo Republicano”, com os textos dos últimos discursos e entrevistas de Tancredo Neves. Santayana assessorou-o por quase 20 anos. Na tarde de 14 de março de 1985, passou cerca de duas horas com ele, revendo o discurso que faria na manhã seguinte, ao tomar posse. Semanas depois, quando sabia-se que Tancredo não sairia vivo do hospital, Santayana entregou os originais a Risoleta Neves, mulher do presidente eleito.
A primeira metade do discurso de Tancredo contém uma das mais belas páginas da oratória política nacional. Elegante no estilo, profético no conteúdo. Em alguns momentos impressiona pela atualidade, mas, se isso indica a clarividência de Tancredo, ilustra também a mediocridade do debate nos 25 anos que se seguiram. Alguns trechos:
“Temos construído esta nação com êxitos e dificuldades, mas não há dúvida, para quem saiba examinar a história com isenção, de que o nosso progresso político deveu-se mais à força reivindicadora dos homens do povo do que à consciência das elites. (…) A pátria dos pobres está sempre no futuro e, por isso, em seu instinto, eles se colocam à frente da história”.
“A legislação sindical brasileira se encontra envelhecida. (…) A unidade sindical não pode ser estabelecida por lei, mas surgir naturalmente da vontade dos filiados. (…) Os sindicatos não podem submeter-se à tutela do governo nem subordinar-se aos interesses dos partidos políticos”.
“Já vivemos, nas grandes cidades brasileiras, permanente guerra civil (…). É natural que todos reclamem mais segurança nas ruas, e é dever do Estado garantir a vida e os bens dos cidadãos. Essa garantia, sabemos todos, não será oferecida com o aumento do número de polícias, ou com a multiplicação dos presídios. É muito mais fácil entregar ferramentas aos homens do que armá-los, e muito mais proveitoso para a sociedade dar pão e escola às crianças abandonadas, do que, mais tarde, segregar adultos criminosos. A história nos tem mostrado que, invariavelmente, o exacerbado egoísmo das classes dirigentes as tem conduzido ao suicídio total”.
“Temos de ampliar o mercado interno, o único com que podem contar permanentemente os empresários brasileiros. Não se amplia o mercado interno sem que haja mais empregos e mais justa distribuição da renda nacional”.

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