• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:53

Carecas e sexo

Do senador José Sarney, para a ‘Folha’:
“Os estadistas de hoje têm uma função a mais: tratar de dar conselhos de saúde, avaliação de antioxidantes celulares, cuidar de hormônios em bois e frangos, higiene corporal e frequência sexual.
A primeira vez em que me surpreendi com o fato foi quando vi o presidente Chávez, da Venezuela, misturar traição à pátria com banho. Os venezuelanos tinham que tomar banho em três minutos: o primeiro para água e sabão, o segundo para esfregamento e enxaguamento, o terceiro para tirar a água e enxugar-se. Mais do que isso era trair a pátria e o socialismo bolivariano, pois consumia energia elétrica. Se a água era fria, mesmo procedimento, para não roubar o tempo ao trabalho nacional.
Depois, seguindo o seu exemplo, o nosso Evo Morales, presidente da Bolívia, por quem tenho simpatia pessoal pelo que representa de sua etnia, promoveu a 1ª Conferência Mundial dos Povos sobre as Mudanças Climáticas e a Mãe Terra, em Tiquipaya, perto de Cochabamba, evento em que fixaria a posição socialista nas questões ambientais.
Lá, o presidente da Bolívia começou a dissertar sobre como o capitalismo está destruindo o homem. Como exemplo, recomendou que ninguém coma carne de frango, porque o frango que comemos está carregado de hormônio e isso faz com que “os homens tenham desvios de serem homens”. Por isso tantos homossexuais.
Falou, também, dos carecas, esquecendo a modinha brasileira que é deles “que elas gostam mais”.
Disse mais: que a Europa tem muitos carecas porque “comem coisas comercializadas pelo mundo capitalista”. A homossexualidade e os sem cabelos são culpa dos transgênicos, vasilhames de plásticos e batatas holandesas, que entraram na história como Pilatos no Credo. Muitos dos presentes, alguns deles vindos de outras partes do mundo e querendo prestigiar o evento, começaram a rir e sair.
Conjugando todas suas teorias, terminou sua fala com o refrão: “Planeta ou morte, Mãe Terra ou capitalismo”. O frei Boff, um dos conferencistas presentes, ouviu as excêntricas interpretações.
Nos juntamos a essa nova estrada do socialismo bolivariano, sem ser parte dele, com o nosso simpático ministro Temporão, bom profissional, excelente formação médica, nos dando a dica de como combater a hipertensão, preveni-la e afastá-la. Basta dançar, praticar exercícios físicos e fazer o que entusiasmou o auditório: sexo cinco vezes por dia, ou por semana, sem tratar, por ser assunto sensível, da sedução e tudo o mais que exige o amor. Mas também sintetizou: “Prevenir a hipertensão só depende de você”.
E eu, que sou hipertenso, com 80 anos, vou procurá-lo para que o Ministério da Saúde distribua o remédio”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:50

Rio abandona os soropositivos

Um dos trunfos do governador José Serra na disputa pela presidência da República, será a sua atuação frente ao ministério da Saúde, no governo Fernando Henrique Cardoso.
E seu maior êxito não foi a campanha anti-tabagista, nem mesmo a implantação dos genéricos, mas sim o programa de combate a AIDS, que fez do Brasil uma referência para o resto do mundo.
Agora, no Rio de Janeiro, o ministro Temporão, seu  padrinho Sergio Cabral e mais o prefeito Eduardo Paes estão de  mãos dadas. Todos abandonaram os pacientes soropositivos.
O ’Globo Online’ publica uma manchete, assinada por Fernanda Baldioti, com um relato impressionante: 
?O sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, já dizia que quem tem Aids tem pressa. No Rio, a corrida dos pacientes soropositivos da rede pública é para superar a falta de medicamentos e de profissionais para atendê-los. Os antiretrovirais, que inibem a reprodução do vírus no sangue, são encontrados sem transtornos. A dificuldade é para conseguir remédios que combatem efeitos colaterais do coquetel e os que tratam infecções oportunistas. Outro entrave que esses pacientes precisam enfrentar é a longa demora para a realização de exames de CD4 (que verificam como está o sistema imunológico) e de carga viral.
No Posto de Assistência Médica (PAM) Antonio Ribeiro Netto, mais conhecido como PAM Treze de Maio, o Programa DST/Aids conta atualmente com três infectologistas para atender a mais de 1.500 pacientes que recebem medicação.
-Temos que optar entre o paciente que está mal e o que está bem e quer fazer um acompanhamento de rotina. Não podemos recusar novos doentes, mas como atender nessas condições? – indaga um médico do PAM que prefere não se identificar.
Segundo o presidente da Comissão de Saúde da Câmara dos Vereadores, Carlos Eduardo (PSB), que realizou uma vistoria na unidade na última quinta-feira, faltam 27 tipos de medicamentos, sendo sete deles comumente usados por pacientes soropositivos. Desde dezembro, o PAM não recebe Amoxicilina com Clavulanato, Azitromicina e Eritromicina (antibióticos que podem ser receitados para infecções oportunistas), Fluconazol (usado para infecções como cândida, sintoma de baixa de imunidade), Metronidazol (creme vaginal), Paracetamol (usado para febre e dor) e Sinvastatina (combate o aumento da gordura do sangue, um dos efeitos colaterais do coquetel).
- A situação deste posto reflete como está a rede. Esses medicamentos não faltam só no PAM Treze de Maio. Além disso, somente nesta unidade, os médicos são responsáveis por uma média de 500 pacientes, enquanto o ideal é que eles atendessem no máximo 360. O programa brasileiro de Aids é referência no mundo inteiro. O Rio vai na contramão disso – afirma o vereador.
Leia aqui a reportagem combate sobre o desleixo de nossos governantes.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:47

Temporão e o desastre do SUS

De Élio Gaspari no artigo ‘Temporão precisa dedetizar o cartão do SUS’:
“Entre o mundo encantado da propaganda e o abismo dos fracassos, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, tem um abacaxi de R$ 590 milhões sobre a mesa. Ele se chama Cartão Nacional de Saúde, ou cartão SUS. O ministro pode descascá-lo ou comê-lo inteiro, como preferir.
Pela propaganda do seu ministério, o cartão “é um instrumento que possibilita a vinculação dos procedimentos executados no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) ao usuário, ao profissional que os realizou e também à unidade de saúde onde foram realizados”. “É”, coisa nenhuma. Talvez fosse, seria ou será. Por enquanto, o cartão SUS é apenas um desastre que merece ser estudado por pesquisadores da má administração pública e da esperteza dos fornecedores de equipamentos de informática.
A ideia de um cartão que armazenasse todas as informações médicas de um cidadão surgiu no tucanato. A ideia era boa, mas estava condenada a percorrer os caminhos onde estão os intere$$es das empresas fornecedoras de serviços e equipamentos de informática à Viúva. Ao verbo da promessa seguiu-se uma verba para fornecedores de equipamentos. Foram R$ 89,2 milhões, arrematados por duas empresas, numa licitação acusada de direcionamento. Pelo plano, 10 mil máquinas iriam para 44 cidades de um projeto-piloto e a novidade racionalizadora começaria a funcionar em 2001. Passados dez anos, a Viúva gastou R$ 327 milhões e a Unesco botou R$ 74,3 milhões na iniciativa. Total: R$ 401 milhões, desprezando-se os R$ 48,1 milhões guardados no orçamento deste ano.
O repórter Dimmi Amora mostrou o que aconteceu com esse ervanário. Uma inspeção feita em 7 das 44 cidades do projeto-piloto revelou que, das 1.937 máquinas distribuídas, só 7 funcionavam. Prensaram-se 1,1 milhão de cartões, mas pelo menos 346 mil estão engavetados.
Triunfal, o Ministério da Saúde informa que o doutor Temporão “ordenou, em 2008, a reformulação do cartão, principalmente na adaptação tecnológica”. Talvez o ministro fizesse melhor chamando a polícia, sem reformular coisa alguma, muito menos na “adaptação tecnológica” de um projeto que clama pela ajuda humanitária da medicina orçamentária. No final de 2005, quando o plano já tinha naufragado, o Ministério da Saúde estendeu-o para as cidades de Fortaleza e Aracaju com um contrato de R$ 11,8 milhões, sem licitação.
Depois de se gastar meio bilhão de reais numa coisa que não funciona, o melhor que se tem a fazer é investigar o que aconteceu, se possível com a ajuda da Polícia Federal. É possível que os equipamentos e os programas vendidos em Brasília só funcionem na cabeça de hierarcas e fornecedores. Também é possível que a máquina burocrática tenha repelido um mecanismo que aprimora os controles e a transparência. Isso pode ter acontecido por puro desinteresse, mas também pelo interesse de evitar que os gastos sejam controlados. O mais provável é que os dez anos de fracassos sejam uma mistura de todos esses fatores.
Temporão pode ir à luta, expondo o desastre à luz do sol. Pode também anunciar uma reformulação, pretendendo reinventar o problema. Nesse caso, o mais provável é que daqui a alguns anos Dimmi Amora seja obrigado a contar que a conta chegou a R$ 1 bilhão. Cartão SUS na mão da patuleia, nem pensar”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:43

Temporão, ministro sem foco

José Gomes Temporão, o ministro da Saúde, chegou àquela pasta por ?indicação? do governador Sergio Cabral, que nunca havia estado com ele antes.
Na verdade, Lula queria fazer Temporão ministro, mas utilizou Sergio Cabral como barriga de aluguel.
Indicado ou não por Cabral, o fato é que, hoje, a situação do ministro é a seguinte, segundo nota publicada por Lauro Jardim, no ?Radar?:
?José Gomes Temporão sairá do Ministério da Saúde dentro de quinze meses sem deixar marca. Temporão atirou para muitos lados e não acertou em nenhum.
Essa é uma espécie de consenso dentro do governo. Privadamente, Dilma Rousseff e Lula concordam com tal avaliação?.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 23:23

Dúvidas sobre a gripe do porco

Para que os Srs. José Gomes Temporão, ministro da Saúde; e Sergio Côrtes, secretário de Saúde do Rio de Janeiro, possam responder.
O Rio teve até agora 14 vítimas da gripe suina, sendo que 36% delas estavam grávidas.
Pergunta-se: por que todas as grávidas que morreram – três em Caxias e duas na Zona Oeste do Rio – eram pobres?
Teria o virus Influenza A (H1N1) a sofisticação em distiguir o poder aquisito das gestantes?
Por que será que as grávidas de classe alta, ou média alta, que procuram os hospitais particulares não morrem?
Por que o governo de São Paulo alertou que as grávidas faziam parte do grupo de risco, antes que o ministério da Saúde fizesse a advertência?
O ministro Temporão diz que o adiamento das aulas é um disparate. Depois dessa declaração, o governo do Rio adiou as aulas por uma semana, e depois por mais uma. Quem tem razão nesse aspecto? Eles não trabalham juntos?
Por que Temporão segurou tanto o Tamiflu e agora o liberou?
Quantas doses do medicamento o governo tem hoje estocadas, quantas ele tinha desde a gripe aviária, quantas usou na época,  e quantas conseguiu comprar nos últimos meses?

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 22:33

Cabral e a gripe suina

Ninguém mais leva a sério o governador Sergio Cabral.
Quem acessar a Radio do Moreno, ouvirá uma entrevista de 6’26″ com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, sobre a gripe suina.
Ao final da entrevista, Moreno pergunta ao ministro:
- Sem querer fazer terrorismo com o meu amigo Sergio Cabral mas, as pessoas que viajam muito para o exterior, elas correm um risco maior de serem contaminadas com a gripe suina, não é ministro?
Responde Temporão:
- De uma certa forma sim. Como o virus está presente em 113 países… mas o risco principal é para quem viaja para o México, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália, Chile e Argentina. Nesses paises o virus está circulando livremente e…
Moreno interrompe:
- O governador Sergio Cabral está fora de perigo, porque ele só vai pra Paris.
Temporão não se contém e dá uma enorme gargalhada.

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