Cabral comanda ato pró-Dilma

Dos repórteres Cássio Bruno e Natanael Damasceno, de ‘O Globo’:
“Acompanhada de dois ministros Márcio Fortes (Cidades) e Carlos Lupi (Trabalho), a pré-candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, reuniu-se ontem com 86 dos 92 prefeitos do Estado do Rio, incluindo os de oposição, como DEM e PSDB. No discurso, a petista prometeu compromisso e continuidade, mesmo admitindo ser inexperiente em disputas eleitorais. Dilma também criticou adversários, dizendo que o Brasil estava de joelhos diante dos credores no governo Fernando Henrique.
O almoço foi numa churrascaria em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, para 400 convidados, entre prefeitos, deputados e vereadores. A maioria usou carros oficiais. A festa, que custou pelo menos R$ 24 mil, foi paga por PT e PMDB, e funcionou como demonstração de força política do governador Sérgio Cabral, pré-candidato à reeleição pelo PMDB. A imprensa não pôde acompanhar.
- Quero agradecer ao governador Sergio Cabral porque sei que a liderança dele foi decisiva para essa reunião disse Dilma.
A petista não quis falar sobre as negociações de apoio do ex-governador Anthony Garotinho (PR), pré-candidato ao governo e adversário de Cabral. E afirmou:
- De fato nunca disputei uma eleição. Mas tenho longa trajetória de serviço ao Brasil. Comecei minha vida pública como secretária de Fazenda de Porto Alegre. Conheço os dramas e tragédias da falta de recursos.
Dilma ressaltou que as prefeituras foram estratégicas durante o governo Lula nas parcerias com os estados em obras de infraestrutura.
Ao falar sobre investimentos, a petista fez duras críticas ao governo FH:
- O Brasil não é mais aquele país de joelhos diante dos credores internacionais. Pagamos a dívida com o FMI, e, hoje, o Brasil é credor. Todas as vezes que falarem que o governo Lula só deu continuidade ao governo anterior, é mentira. No governo anterior, o Brasil precisava pedir licença ao FMI para aumentar o salário mínimo. Hoje, aumentamos porque queremos.
Não compareceram ao evento os prefeitos Rosinha Garotinho (Campos), do PMDB; José Camilo Zito (Duque de Caxias), do PSDB; Jorge Roberto Silveira (Niterói), do PDT; Heródoto Bento de Mello (Nova Friburgo), do PSC; Luiz Carlos Fernandes Fratani (São Fidélis), do PMDB; e Jorge Serfiotis (Porto Real), do DEM”.
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1. Nenhuma linha sobre a ilegalidade do ato político, com a presença do governador-candidato durante horário do expediente.
2. A manchete da página 9 é a seguinte: ‘Cabral leva prefeitos até Dilma, em almoço fechado’. Se foi fechado, como os repórteres de ‘O Globo’ tiveram acesso? Foi fechado pra quem? Lá está a foto de Dilma discursando e o texto do jornal reproduz trechos do discurso da candidata.
3. Cabral disse que o povo do Rio é grato a ministra, mas ela também falou de sua gratidão: “Quero agradecer ao governador Sergio Cabral porque sei que a liderança dele foi decisiva para essa reunião”.

 

Cabral: ”Lula escolheu Dilma pois quer o melhor para o povo” 
 

Essa é a versão da repórter Paola de Moura, do ‘Valor Econômico’ para o mesmo ato:
“Em evento numa churrascaria da Baixada Fluminense, a candidata à Presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, atraiu gregos e troianos. Organizado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB) e pelo candidato ao Senado Lindberg Farias (PT), a reunião com prefeitos do Rio teve a participação de governantes dos partidos da aliança PMDB-PT, mas também da oposição, como DEM, PSDB e PP.
Dos 92 prefeitos do Rio, 86 compareceram ao evento que teoricamente era de agradecimento ao governo Lula e à Dilma, chamada de mãe do PAC, pelos investimentos no Estado. Do DEM havia pelo menos três governantes, José Rechuan Júnior, de Resende, José Luiz Mandiocão, de Rio Bonito, e Adilson Faracao, de São José do Vale do Rio Preto. Do PSDB, pelo menos dois: Darci dos Anjos Lopes, de Seropédica, e Ivaldo Barbosa dos Santos, o Timor.
Outro partido que ainda não faz parte da coligação nem do candidato pelo PSDB à presidência da República, José Serra, nem de Dilma, mas também mandou muitos representantes foi o PP do senador Francisco Dornelles. Pelo menos oito deles compareceram ao evento: Rafael Miranda, de Cachoeiras de Macacu, Guga de Paula, de Cantagalo, Sérgio Soares, de Itaboraí, Carlos Pereira, de Tanguá, Gilson Siqueira, de Cardoso Moreira, Luis Carlos Ypê, de Itatiaia, Antonio Jogaib, de Porciúncula, e Roberto de Almeida, de Miguel Pereira.
Segundo o Lindberg Farias, o próprio Dornelles prometera se empenhar para que os prefeitos do interior fossem ao evento. Apesar da presença oposição e da tentativa de agradecimento, o almoço parecia mais uma festa de apoio à candidata Dilma Rousseff. Cerca de 400 pessoas se amontoavam na churrascaria a ponto de alguns dos prefeitos, como o de Búzios, Mirinho Braga (PDT), e de Itaboraí, Sérgio Soares (PP), saírem antes dos discursos. A principal reclamação era de que havia gente demais e o acordo era que apenas prefeitos compareceriam.
Do lado de fora, foi possível ouvir, pelo menos por três vezes, os gritos “Olê, olê, olá, Dilma, Dilma”. Em seu discurso, o governador Sérgio Cabral disse que o Brasil nunca teve o que tem hoje e que o Rio saiu de uma situação crítica com parceria do governo federal. No fim, afirmou “Lula escolheu Dilma porque quer o melhor para o povo brasileiro”.
A candidata retribuiu e dizendo que o Rio é um exemplo com suas UPAs e UPPs. E para agradar a platéia, lembrou que começou sua vida como secretária de Fazenda de Porto Alegre e que sabe como é gerenciar um município sem verba, porque, segundo ela, em 1989, não havia dinheiro disponível para os municípios.
Dilma ainda lembrou das críticas do PSDB. “Quando eles falarem que conseguimos tudo o que fizemos porque somos continuidade do governo deles, é mentira. O Brasil estava de joelhos para o FMI, tinha que pedir permissão para aumentar o salário-mínimo, para aplicar em saneamento. E se tivesse um sopro de crise, quebrava”.
Depois do evento a ministra foi para Porto Alegre. Da última vez que esteve no Rio, Dilma se encontrou com o candidato a governador, Anthony Garotinho, do PR, opositor a Cabral. Desta vez, o encontro não foi cogitado porque, segundo Garotinho publicou ontem em seu blog, o PR e o PT ainda não resolveram questões sobre o palanque duplo da ex-ministra”.