• Quarta-feira, 04 Agosto 2010 / 17:11

Poste é alvo de disputa do DEM e PCdoB

           Do repórter Jacques Waller, do ‘Jornal do Commercio’, de Recife:
“Além da corrida eleitoral, comunistas e democratas resolveram esquentar a campanha disputando um poste. Na manhã de ontem, um suporte para banners localizado no estacionamento da sede do comitê conjunto da candidata a deputada estadual Priscila Krause e do candidato a deputado federal Mendonça Filho (ambos do DEM), em Olinda, foi arrancado do chão a mando da direção do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).
De acordo com a secretária do comitê dos democratas, Cristiane Barbosa, às 9h20 funcionários da empresa Forma Propaganda cavaram a base do poste e o amarraram a um caminhão-guincho do tipo muque. Eles tinham ordem para retirar o suporte do local e levá-lo para o comitê da candidata a deputado federal Luciana Santos e do candidato a deputado estadual Luciano Moura (ambos PCdoB), distante cerca de 50 metros dali, na mesma avenida.
Há dois anos, nas últimas eleições, o imóvel foi sede do comitê do PCdoB na cidade. Na época, os comunistas instalaram o suporte. Há cerca de quatro meses, no entanto, o partido se mudou, mas deixou o poste. Na última segunda, o DEM pendurou um banner no suporte informando da inauguração do comitê de seus candidatos.
- Quando foi hoje de manhã, apareceu o caminhão para arrancar o poste. Perguntei aos funcionários da empresa e eles disseram que foi o PCdoB que mandou – disse a secretária.
O caso foi parar na delegacia de Rio Doce, onde foi registrado um boletim de ocorrência. O PCdoB está sendo investigado por invasão de domicílio, tentativa de furto e danos à propriedade privada.
De acordo com o advogado contratado pelo DEM para cuidar do caso, Alexandre Cabral, hoje o partido decidirá se processará o PCdoB. Como o caso foi bater na polícia, a empresa que retirou o poste se comprometeu a colocá-lo de volta no lugar.
- Depois veremos que providência será tomada, disse.
O poste foi, realmente, recolocado no final da tarde.
- O que incomodou foi a truculência da ação, a invasão da propriedade e os danos. Meus clientes não querem saber se o PCdoB reclama o direito do poste. O imóvel foi alugado com ele e, se fosse o caso, eles deviam ter contatado o proprietário para reaver o item, destacou Cabral.
Já o advogado do PCdoB, Ricardo Campos, confirmou que o partido contratou uma empresa para remover o suporte e reafirmou que o equipamento pertence ao partido. Mais ainda, Campos garantiu que o partido entrará na Justiça para reaver o equipamento. A empresa foi retirar um bem que é nosso. Ainda esta semana buscaremos uma liminar que nos permita levar o equipamento de lá, disse o advogado. Argumentou ainda que o poste não pode ser considerado uma benfeitoria e, por isso, podia ser removido.
- O poste não incorpora nada ao imóvel. É como instalar um lustre. Depois que o inquilino sai, ele quer o lustre de volta.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 4:01

Adriana Ancelmo e o Rei Arthur

Do jornalista Claudio Humberto, no ‘Jornal do Commercio’:
“Coincidência. O escritório da mulher do governador do Rio, a advogada Adriana Ancelmo, defende “há tempos” a Service Clean, empresa do grupo do empresário Arhur Cesar de Menezes Soares Filho, o “rei da terceirização”, ganhador de licitações, e amigão de Sérgio Cabral”.
                     * * *
Isso não pode acabar bem.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:43

PSB assume ônus no caso Ciro

Do ‘Jornal do Commércio’:
“Em meio à pressão do Palácio do Planalto para que o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) retire sua candidatura à Presidência da República, o presidente nacional do PSB, governador Eduardo Campos, disse ontem, em Brasília, que a decisão sobre o ingresso ou não do parlamentar cearense na disputa cabe exclusivamente ao PSB.
Eduardo Campos afirmou que, apesar de o seu partido respeitar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não cabe ao petista determinar os caminhos a serem seguidos pelo PSB. Colocar candidatura ou tirar candidatura é uma tarefa da direção nacional do partido, ouvindo a sua base. Não é uma tarefa do presidente da República, que, ao nosso ver, é o coordenador do processo de sua sucessão. Mas não cabe ao Lula decidir o que nós vamos fazer ou não com o Ciro, nem cabe a outros partidos. Cabe a nós, afirmou.
Segundo Eduardo, Ciro Gomes vai cumprir a decisão do comando do PSB, qualquer que seja o desfecho. Mesmo depois da carta divulgada pelo deputado, na qual demonstrou sua insatisfação com a pressão de Lula para retirar seu nome da disputa. Ciro deixa claro a todos que estará disposto a seguir a decisão partidária desde que essa seja uma decisão nossa. E ele sabe que essa será uma decisão nossa, reforçou o governador.
O PSB vai reunir sua direção nacional no dia 27 de abril, quando decidirá se terá ou não candidato próprio ao Palácio do Planalto. Até lá, segundo Eduardo Campos, haverá conversas com os diretórios socialistas nos Estados para definir se uma eventual aliança com o PT no cenário nacional terá reflexos nas políticas regionais. O nosso PSB continua a sonhar com a Presidência da República. Se vai ser possível, quem vai dizer são as circunstâncias políticas, avisou.
Questionado sobre a demora na definição sobre a candidatura de Ciro Gomes, Eduardo disse que o partido não tem pressa porque tem até junho, mês das convenções partidárias, para tomar a sua decisão mesmo com a queda das intenções de voto no deputado, segundo indicou a pesquisa Datafolha divulgada na semana passada. Nós temos até junho para decidir. Quem tem prazo, não deve ter pressa. Nós temos prazo e vamos ter o tempo da política, disse”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:40

Rio já tem plástico ‘Fora Cabral’

 Do jornalista Claudio Humberto, no ‘Jornal do Commércio’:
“Adesivo que circula nos para-brisas no Rio, em letras garrafais: “Fora, Cabral”.
Não é referência a Pedro Álvares, com certeza”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:25

Memórias de Jarbas na briga com Arraes

Da repórter Cecília Ramos, do ‘Jornal do Commércio’, do Recife:
“Amigos brigam. Amizades terminam. Mas quando os personagens são dois importantes nomes da política de Pernambuco e do Brasil a história começa a ficar mais interessante. Os ex-governadores Miguel Arraes (PSB) e Jarbas Vasconcelos (PMDB) passaram de aliados a inimigos ferrenhos sem sequer terem o direito à última briga presencial e definitiva, de troca de insultos, acusações. Nada. E por essas curiosidades da vida, o motivo teria sido o governador Eduardo Campos (PSB), neto de Arraes. Jarbas, em meio a definições do seu futuro político próximo, que inclusive tem Eduardo, de novo, no destino, contou sua versão para um dos rompimentos políticos mais emblemáticos do Estado.
A versão, diga-se, casa com o que o JC já ouviu também pelo outro lado. Os detalhes (que, sim, fazem a diferença) sofrem variações. Mas sobre o mesmo tema: o motivo era pôr ou não Eduardo, então jovem deputado estadual, na chapa de Jarbas a prefeito. Óbvio que anterior a essa celeuma, houve desgaste de lado a lado. Era uma segunda-feira de setembro de 1992, 17h, quando Dudu foi à minha casa, no Rosarinho. Ele usava uns ternos claros, lembro como se fosse hoje. Tirou e colocou na cadeira. Ai disse que Doutor Arraes e Luciano Siqueira (hoje vereador), que comandava o PCdoB, queriam ele (Eduardo) como vice-prefeito (na chapa de Jarbas). E que não era ele, Dudu, que queria, mas que precisava ouvir minha opinião.
Ai eu disse a ele que Doutor Arraes ia ser candidato em 94, e assim foi. E que naquele momento, eu me apresentando como candidato a prefeito do Recife e Dudu como vice, pareceria que ele estava de conchavo. Eu estava botando um neto de Arraes para ser meu vice para eu ficar amarrado e não poder concorrer com Arraes ao governo em 94. E Dudu balançava a cabeça, concordando com todas minhas ponderações. E eu disse: Dudu, você é novo. Está com uma bela atuação na Assembleia, vai dar saltos mais altos… E outra coisa, Arraes tem dificuldade (de voto) no Recife. Não ganhava. Como eu ia justificar eu agarrado com o neto dele? E Dudu concordou. Só que eu soube que depois que ele saiu lá de casa e seguiu para a casa do avô, em Casa Forte, e disse que eu vetei ele. Pronto. Foi a desgraceira. Dali em diante não falei mais com Dudu. E a relação com Arraes ficou péssima de 92 até ele falecer em 2005.
A reflexão que Jarbas fez do episódio é o de que não sente orgulho disso. Foi muito ruim, guardo lembranças surreais, como quando eu ganhei para Arraes no governo e ele não foi transmitir o cargo e não botou ninguém, ficou lá o Palácio abandonado. Ou quando ele não me cumprimentava. Ora, eu, prefeito, e ele governador (1985), a gente almoçava no Palácio toda quinta. Ele mandava fazer um cabrito para mim. Doutor Arraes tinha muita sensibilidade.
Jarbas, então deputado federal, conta que viajou até Paris em 1977, para conhecer Arraes, a convite do próprio, que estava exilado na Argélia. A partir daí, começou a relação de admiração mútua, porém conflituosa. Jarbas organizou o comício que marcou o retorno de Arraes do exílio, em 1979. Duas coisas me marcaram em Arraes, antes de eu conhecê-lo pessoalmente: o que o governo dele fez na Zona da Mata, de cumprir a lei federal para pagar salário ao trabalhador rural, e a saída de Arraes do Palácio, preso em abril de 1964. Arraes caiu com extraordinária dignidade. Muitos ali teriam intransigido.
Jarbas diz que Arraes sempre teve um pé atrás com ele. Arraes dava uma dimensão muito grande essa coisa de espaço político. Eduardo herdou. Jarbas disse ter convivido muito pouco com Eduardo. Quantos anos Dudu tem?. Informado que era 44, fez as contas. Jarbas tem 67 e ambos aniversariam em agosto. São 23 anos de diferença entre ele e eu. E de mim para Arraes, 27 anos, mas éramos de outra geração. Os caminhos de Jarbas e Eduardo, porém, sempre se cruzaram. Na gestão Jarbas na prefeitura, em 1985, o hoje governador foi oficial de gabinete do então secretário de Governo, Fernando Correia (conselheiro do TCE). Eu vim conhecer Dudu, quem ele era mesmo, em 92 (ano da briga).
Por conta desse histórico, há implícito que a disputa de outubro pode ser um acerto de contas, caso Jarbas seja o candidato. A chance de Eduardo dar um troco à campanha ao governo em 1998. Eu ganhei para Arraes com 1 milhão e 80 mil votos de diferença. Tive no Recife 400 mil votos e Arraes 80 mil. E ganhei no interior por 200 e poucos mil votos. Foi uma campanha bonita, relembra Jarbas, com a votação de cor. Indagado se acha, então, que esta eleição pode ter gosto de revanche, Jarbas fez um silêncio, mas depois disse: Não sei. E o que Dudu acha disso eu também não sei. Não me importa”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:25

Jarbas: angustia e indefinição

Da repórter Cecília Ramos, para o ‘Jornal do Commércio’, do Recife:
“Era uma terça-feira à tarde, quando a reportagem do JC chegou ao gabinete do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), no Congresso, sem avisar. Informado pela secretária, atendeu de pronto. Estava sozinho, lendo uns papéis sobre a mesa. Era o clipping feito por sua assessoria com notícias sobre ele e outras que o interessam. A primeira página estampava uma matéria com uma foto do senador ao lado da do governador Eduardo Campos (PSB). ?Repare só… Olha quem está aqui??, disse, apontando para a foto-montagem e soltando um sorriso. Conversa vai e conversa vem sobre o cenário político, ele topou conceder uma entrevista que começou naquele dia, tomou a tarde seguinte e o pedaço de uma manhã.
Em pleno almoço-entrevista, já na quarta, em um restaurante de Brasília, Jarbas pediu: ?Posso fazer uma confissão boba? Todo mundo sabe que eu sou amante de futebol. Mas você sabia que eu, duas vezes prefeito, duas vezes governador, nunca fui para uma copa do mundo por conta de eleição?? E contou nos dedos que perdeu a da Alemanha, Espanha, França… E este ano, a Copa na África do Sul? Respondeu com os ombros indicando não saber. ?Este mês é decisivo para mim.? E falou que gostaria de cuidar mais da sua vida, parar de fumar, viajar mais. Depois, retomou o assunto político. Se empolgava ao falar, ano por ano, desde 1970, de todas as suas vitórias e derrotas. ?Em 2002 eu já não queria disputar o governo?, pontuou.
Jarbas está a poucos dias de decidir ser ou não candidato ao governo. Estava disposto a falar. Contou sobre como está sua cabeça, hoje. Fez mea culpa sobre a ?oposição desarticulada? em Pernambuco, ao mesmo tempo que mostrou porque é uma liderança no grupo. Sem amarras e até de forma saudosa, falou (e muito) da sua relação de admiração e disputas com o ex-governador Miguel Arraes (falecido em agosto de 2005) e com o neto do mito, o governador Eduardo Campos (PSB), a quem Jarbas deve enfrentar em outubro, se for candidato. Eles não se falam, como aliados, desde a noite de uma segunda-feira de setembro de 1992. Foi o ano do rompimento de Jarbas com o grupo de Arraes e o pivô teria sido Eduardo. Ou melhor, ?Dudu? ? como Jarbas chamou o adversário em boa parte da entrevista. ?Não me orgulho disso (da briga) e nem acho um negócio arretado. Foi ruim.?
Memória política à parte, o senador teceu comentários fortes sobre o governo Eduardo. Mas o foco do senador, ao menos por hora, pareceu cravar, desde já, um discurso que justifique sua candidatura ao governo do Estado. Jarbas está indo para o sacrifício, pois, além de não ter o desejo de disputar, a oposição vive uma adversidade brutal, fora do poder nos três níveis e sem organização. Eduardo é considerado favorito e tem o presidente Lula como cabo eleitoral. O que resta? Tentar convencer o presidenciável do PSDB, José Serra, principal interessado no projeto Jarbas, a declinar da ideia de empurrar o senador para o pleito. O senador poderia ser mais útil fora da eleição de Pernambuco. Ele é a voz da oposição a Lula em um Estado onde o petista é rei. E se isso não colar, a oposição vai defender a candidatura de Jarbas como um projeto nacional para ajudar o presidenciável que ela julga ser o melhor para o País.
?Este é um mês de definição para mim, de expectativa, de angustia?, desabafou”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:16

Campos prepara anuncio sobre Ciro

Do ‘Jornal do Commércio’, do Recife:
“Há expectativa de que o governador Eduardo Campos (PSB) viaje a Brasília, esta semana, para uma conversa definitiva sobre o futuro do presidenciável do PSB, Ciro Gomes. A data ainda está sendo definida. Na semana passada, Eduardo disse, em entrevista à imprensa, no Palácio das Princesas, que ?resolveria? a questão ?após a Páscoa?. E reforçou que o destino do correligionário ?quem decide é o PSB e ninguém mais?. O governador confirmou, porém, que esteve com Ciro no último dia 22 de março, em Brasília, mas não revelou o conteúdo da conversa.
Nesse último encontro, o dirigente socialista e a cúpula do partido teriam tentado mostrar ao deputado as dificuldades de lançá-lo candidato a presidente, como o pouco tempo de TV e falta de recursos para a campanha. O PSB tentou fechar aliança com o PP, que preferiu a presidenciável do PT, Dilma Rousseff, e o PTB, que optou pelo pré-candidato tucano, José Serra”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:07

Câncer mata filho de Arraes

Do ‘Jornal do Commercio’, do Recife:
 ”O empresário e físico Carlos Augusto Arraes, 59 anos, terceiro dos dez filhos do ex-governador Miguel Arraes (falecido em 2005) foi enterrado ontem no Cemitério de Santo Amaro, no Recife, no jazigo da família. Ele foi vítima de complicações decorrentes de um câncer, diagnosticado em 2007, que atingiu o fígado e a coluna. Tinha se internado no início do mês para tratar de uma pneumonia química, no Hospital São Vicente, no Rio de Janeiro.
O irmão Marcos Arraes lembrou a luta de Carlos Augusto. Estava internado há 20 dias. Esteve no Recife pela última vez em outubro do ano passado. Para combater o câncer, procurou tratamento na China, Inglaterra e Estados Unidos. Chegou a se submeter a um transplante de fígado.
Apesar de nunca ter disputado um mandato ou ocupado cargo público, os familiares revelaram que Augusto teve participação ativa na carreira política do pai, atuando nos bastidores. Aconselhava Arraes e integrava o grupo que definia as estratégias das campanhas. Morava no Rio desde que voltou do exílio, em 1979, mas fazia questão de votar no Recife, onde sempre aparecia para ajudar Arraes. Teve papel importante no apoio financeiro às campanhas, em função da relação que mantinha com grupos empresariais. Trabalhava com exportação e importação.
Com o governador Eduardo Campos, Augusto tinha uma convivência próxima. Hospedava o sobrinho em sua casa, e seus dois filhos têm a mesma idade dos dois filhos mais velhos de Eduardo. Quando a doença do tio se agravou, o governador prometeu acompanhar de perto a educação dos primos.
Muitos políticos foram ao velório e ao enterro de Augusto. O prefeito de São Lourenço da Mata, Ettore Labanca, lembrou qualidades do amigo de infância. Era muito inteligente. Tinha muitos amigos. Sempre trabalhou para sustentar a família, mas nunca quis se envolver diretamente na política. Emocionado, Eduardo Campos não quis conversar com a imprensa. Augusto deixa a mulher, Sandra Leote Arraes, e dois filhos. Um deles chama-se Miguel Arraes de Alencar Neto”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:50

As lágrimas de Cabral

Esse é o título do editorial, de hoje, do ‘Jornal do Commercio’, do Recife. Eis o seu texto:
“Impressionante o desempenho do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, diante das câmeras. Ele afirmou, se derramando em lágrimas, que o seu Estado vai parar se for feita a divisão igualitária dos recursos do pré-sal, que lá não haverá nem Copa do Mundo nem Olimpíadas. Significa dizer a partir da simplificação dramática daquele governador que o Rio de Janeiro é um espaço humano e geográfico hipotético, que só existirá dentro de mais duas décadas, quando se espera que o petróleo tirado das camadas profundas do Atlântico comece a jorrar. Não ficou explicado como o Estado existiu até agora, ocupando um dos mais importantes lugares da Federação, perdendo quase sempre apenas para São Paulo.
A encenação do governador deve se estender por estes dias, com a conclamação do povo a atos de protesto e até de desobediência civil, como se de fato como apregoa Sérgio Cabral o resto do País estivesse roubando o que é do Rio. Simplificadamente, seria interessante esclarecer o povo brasileiro e em especial aos que estão contra uma distribuição mais equitativa do que vier de benéfico através da exploração do pré-sal, que as jazidas são da União, que os Estados não gastam recursos próprios na prospecção e produção do petróleo, que o sistema federativo implica em políticas públicas nacionais, tendo por foco que estamos em uma República brasileira, e não de Estado tal ou qual.
Nesse sentido, será sempre oportuno acompanhar todo o processo de discussão decorrente dessa dádiva da natureza a nosso País, a partir da abordagem feita pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, desde o primeiro instante defensor de uma redistribuição dos royalties do pré-sal levando em consideração a necessidade de tratar desigualmente os desiguais, como deve ser feito em qualquer política pública que tenha por meta a redução e até eliminação das desigualdades entre pessoas e regiões.
A posição do governador pernambucano sempre foi a de diálogo, de debate, e mesmo depois de a Câmara Federal dar um ganho de causa tão expressivo com 369 votos favoráveis , aos defensores de uma melhor distribuição dos royalties, mesmo agora, quando deveria estar se exaltando pela vitória parcial mas importantíssima de sua tese, Eduardo Campos defende a construção, no Senado, de uma visão com maior equilíbrio, de forma a o Rio de Janeiro não perder essa fatia que o seu colega dá como motivo de lágrimas.
A generosidade pernambucana não pode, contudo, ir além da defesa intransigente de uma redistribuição de um bem que poderá contribuir para eliminar as profundas diferenças entre as regiões. Até porque aí está a lição histórica do êxodo dos excluídos para os grandes centros mais privilegiados como Rio e São Paulo em busca das condições que lhes são negadas em suas regiões de origem. Norte e Nordeste são, neste aspecto, as partes da Federação que precisaram no passado de políticas públicas diferenciadas, com a criação de tratamento fiscal distinto e, mesmo assim, continuamos exportando cérebros e mão de obra para o Sudeste, exatamente pelo aprofundamento das diferenças que podem ser atenuadas através de emendas como a que a Câmara aprovou.
Há vários aspectos delicados nesse confronto entre Estados, alimentado em parte pelas características muito próprias de um ano eleitoral, quando candidatos tendem a dramatizar para arrecadar votos. Um desses aspectos é a pressão para o presidente da República vetar o projeto, o que seria feito supostamente em nome da garantia de um colégio eleitoral poderoso, como é o Rio de Janeiro. Entretanto, sempre será oportuno lembrar que o Nordeste, Norte e Centro-Oeste são, também, colégios eleitorais respeitáveis, o que implica em trocar barganhas e lágrimas pelo diálogo e bom senso”.

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