• Segunda-feira, 19 Julho 2010 / 13:46

Le Monde: Ninguém quer o JB

A edição eletrônica do ‘Le Monde’, um dos mais influentes jornais do mundo, publica hoje um artigo, assinado por sua correspondente, no Rio, Annie Gasnier, intitulado: “O ‘Jornal do Brasil’ não interessa a ninguém”.
Diz o artigo:
  “Nas bancas de jornais do Rio de Janeiro, perto de seus concorrentes, o seu título sobre um azul celeste e formato que é a metade dos diários europeus, lhe dá um ar de modernidade. Mas nada disso foi suficiente. Depois de 119 anos, o Jornal do Brasil, um dos jornais mais influentes no Brasil no século XX, vai desaparecer das bancas.
A partir de 1º de setembro, o jornal que todos chamavam por suas iniciais, o JB, deixará de ser impresso para se tornar um jornal eletrônico, ao preço de apenas 5€ mensais.
“Coerente com sua tradição de pioneirismo, o jornal, mais uma vez, está à frente de seu tempo”, diz a publicidade para os leitores. O proprietário Nelson Tanure explicou, em um longo artigo na semana passada: “Nós abandonamos o papel para entrar no mundo moderno”, acrescentando que essa decisão se justifica também do ponto de vista ecológico. Seu JB não vende seus mais de 17 mil edições por dia, 22 mil aos domingos.
Seus concorrentes falam do “fim de uma agonia”, e recordam a sua rápida decandência. O jornal nasceu nos primeiros dias da República, com um tom nostálgico do Império, que não iria durar. Respeitado, inovador, iniciou e desenvolveu a valorização do fotojornalismo. Quando os militares fecharam o Congresso, em dezembro de 1968, deixou a censura perplexa ao publicar o seu mapa do tempo:  “Tempos negros. Temperatura sufocante. Ar irrespirável. O país é varrido por fontes ventos”.
Durante anos, o Jornal do Brasil foi o cotidiano da capital, editado e impresso no Rio de Janeiro, e muitos dos grandes nomes e das penas assinaram suas colunas: o Barão de Rio Branco, Rui Barbosa, Eça de Queirós ou, ainda, Carlos Drummond de Andrade.
Dedois de algumas décadas, o JB conheceu graves problemas financeiros que perduraram por 15 anos. Em 2001, o título pertencente a família Nascimento Brito foi adquirido por Nelson Tanure, um homem de negócios de Salvador, na Bahia, especialista em adquirir e recuperar empresas à beira da falência. O passivo era de 340 milhões de euros. Pouco depois de sua aquisição, as vendas subiram de 76 000 para 100 000. No Brasil, depois de 2004, a circulação dos jornais aumentou 31%.
Nelson Tanure sonhou em construir um império editorial. Ele comprou o jornal econômico Gazeta Mercantil e lançou o canal de televisão JBTV. Os investimentos foram mal sucedidos, o que acentuou o declínio do JB que hoje deve 450 milhões de euros.
O jornal está à venda, mas ninguém se interessa por ele. Sem comprador, o seu principal acionista diz que acabará com a empresa em dezembro – uma sociedade em ainda possui 180 funcionários, incluindo 60 jornalistas. Ele tem investimentos em uma empresa de telefonia”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 22:53

Decandência anunciada

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 20:59

‘Folha’ queria ser o JB

A Folha.com – sabe-se lá por que  – se institula o “primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa”.
Engano dela… para ser elegante.
A primeira publicação online do país foi o ‘Jornal do Brasil’ – a partir de setembro, lamentávelmente, apenas em sua versão eletrônica.
A ‘Folha’ sempre acreditou em marketing e, certamente por isso, insistiu na mentira.
Na época em que o velho JB comemorou seu centenário, eu era o seu editor-chefe. Isso foi em 1991.
Quatro anos depois, com o trabalho competente e inestimável do editor-executivo Rosental Calmon Alves, o ‘Jornal do Brasil’ tornou-se exatamente o que a ‘Folha’ gostaria de ter sido.
No dia 28 de maio de 1995,  assinei um artigo na primeira página do jornal -  o único na primeira página durante todo o período em que o editei – saudando aquele  feito.
Dirá a ‘Folha’ que o JB foi o primeiro jornal brasileiro na Internet, mas eles foram o primeiro em tempo real.
Também não é verdade.
Quando lançamos nossa versão online, já trabalhávamos – há tres meses – com notícias em tempo real,  principalmente o noticiário referente a Bolsa de Valores.
De qualquer forma e, para que não reste mais dúvidas, aqui está a primeira página do JORNAL DO BRASIL daquele data, com o artigo assinado. Caso a ‘Folha’ tenha qualquer outro documento que desminta o texto que  segue, basta enviá-lo.
                   * * *
O JB no ciberespaço

O JORNAL DO BRASIL prova que mantém viva sua tradição de pioneirismo. A partir de hoje, lançamos oficialmente o primeiro jornal online do Brasil, e nos juntamos assim ao seleto grupo de publicações, em todo o mundo, que estão diariamente acessíveis, via computador na rede Internet, a mais de 30 milhões de pessoas no planeta.
Na verdade, muita gente já conhece a edição eletrônica que desde a noite do dia 8 de fevereiro funcionava em caráter experimental. As mais de 500 mensagens enviadas por computador nestes 110 dias, a partir da própria edição online, atestam a aceitação e a qualidade do serviço.
Em sua fase inicial, o JB Online tem duas seções principais. Na primeira, está a edição sucinta do jornal do dia, com textos e fotos, onde o leitor poderá, através do sistema hipertexto, navegar ou surfar por toda a edição eletrônica. A outra seção é um serviço extra para o leitor do JB. A cada dia, algumas reportagens do jornal impresso terão uma indicação de que um complemento está disponível na edição online: poderá ser a extensão da reportagem, um texto correlato ou a versão completa de algum documento.
Não deixaremos de publicar nada com o lançamento do JB Online (leia reportagem na página 1 do caderno Negócios & Finanças). Mas aproveitaremos esse novo meio para colocar à disposição dos nossos leitores informações adicionais, como o quadro detalhado do comportamento da bancada federal do Rio nas votações das reformas constitucionais, cuja reportagem está na página 5 de hoje, ou mesmo serviços, como é o caso do programa da Receita Federal para declaração do Imposto de Renda em disquete, que passamos a oferecer diariamente no JB Online.
Enquanto entramos no chamado ciberespaço, continuamos nossos esforços para melhorar o seu JB. A partir de hoje, o leitor ganha um B mais atraente e dinâmico, com uma paginação mais ágil e moderna. Em um espaço maior, o B se diversifica sem abandonar o debate cultural; apresenta um roteiro simplificado, facilitando a consulta do leitor; amplia a cobertura crítica de televisão; e passa a publicar, a exemplo do primeiro caderno, uma página de pequenas notas, ampliando o número de informações. Seu novo visual rejuvenesce o primeiro e mais importante caderno de tendências, modismo e comportamento, que imprime diariamente suas marcas na cultura do país.

Dacio Malta
Editor

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:26

Gabeira elege prioridade: transportes

Do repórter Leandro Mazzini, do ‘Jornal do Brasil’
“Recém-saído de uma disputa para a prefeitura do Rio com bom recall, o deputado verde Fernando Gabeira está confiante na sua candidatura ao governo do estado. Nesta entrevista, revela que escolheu o transporte como ferida a ser sanada no estado, sem deixar de priorizar a preocupação com o meio ambiente: encomendou um estudo sobre a elevação do nível do mar e fará um grande plano para combater as catástrofes naturais. Ainda diz que a chapa com Cesar Maia (DEM) para o Senado não está descartada.
                   * * *
- Por que o senhor é candidato ao governo do Rio?
- Sou pré-candidato ao governo do Rio e tenho várias razões para ser. Primeiro, porque o amplo setor que eu represento não se identifica com os candidatos já apresentados. Não se identifica nem com o Garotinho (PR) nem com o Sérgio Cabral (PMDB). Segundo porque eu tenho tarefas que especificamente preciso desenvolver. Tarefas na área de preparação do Rio para o aquecimento global, que é uma combinação que surpreendeu o prefeito (as chuvas recentes), mas é uma combinação que está prevista para o futuro, de mar alto e grandes tempestades.
- Sobre o mar? O que o senhor prevê nesse cenário?
- A previsão de o Rio ser afetado pela elevação do mar é que torna a cidade mais vulnerável. Foi feito um estudo pelo Instituto Pereira Passos (da prefeitura) que apresenta os pontos de vulnerabilidade da cidade. Tenho trabalhado com o tema a partir de Pernambuco. Visitei as praias, Jaboatão, Recife e Paulista, e procurei os holandeses. Coloquei dinheiro no orçamento para uma pesquisa específica com a ajuda dos holandeses sobre como deter o avanço do mar em caso de elevação. Estou na fase de preparação desse processo. E estou também numa fase de discussão com os bombeiros do Brasil inteiro em torno de uma nova Defesa Civil adequada ao novo momento. Estive presente em todos os desastres no Brasil – Santa Catarina, Maranhão, Itaperuna, Santo Antônio de Pádua, Campos, estudando e pesquisando uma maneira de preparar as cidades para as grandes enchentes, as grandes tempestades, o que é um processo difícil longo, mas que pode contribuir para salvar algumas vidas.
- Como o senhor vai fazer isso no Rio, se governador?
- O aspecto mais importante é ter uma relação com os parlamentares diferente das relações anteriores. Cessar com o processo toma-lá-da-cá, e tentar discutir trabalhos conjuntos para que todo mundo cresça politicamente sem necessariamente fazer compra de votos. Existe uma terceira razão: achar um rumo para o Rio de Janeiro. O que significa? Que a economia do Rio é muito baseada no petróleo. Nós produzimos 85% do petróleo do Brasil e temos 90% das reservas. Mas o petróleo tem duas características importantes. Primeiro, ele é poluente, e eu trabalho pela proteção do meio ambiente. Segundo, ele acaba, não é renovável. Então é fundamental que você tenha uma política de médio e longo prazos que faça com que o Rio encontre um caminho de crescimento sem utilizar os recursos do petróleo. Então essa é uma questão fundamental, buscar um processo de crescimento que na economia você já comece a trabalhar os recursos do petróleo para um outro modelo de produção de conhecimento em ciência e tecnologia, e também de turismo, que pode liberar o Rio do petróleo. É claro que a gente vai ter que resolver também uma série de nós nesse processo de desenvolvimento. Um nó importante é o da segurança pública. Temos dado passos decisivos com as UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora). A questão da segurança tem que ser abordada não só com as UPPs, que são corretas, mas também com plano estadual, como existe em Minas e em São Paulo.
- O recrudescimento da violência no Rio, vindo das comunidades, principalmente, provém do tráfico de drogas?
- Existem dois tipos de ocupação militar. Uma ocupação que é feita pelo tráfico de drogas e outra que é feita sob o argumento de proteger do tráfico de drogas, que é o das milícias. Então as comunidades do Rio são ocupadas ora pelo tráfico de drogas, ora pelas milícias. Acho que os dois são focos de violência, sendo que o tráfico de drogas é o mais sério. Acho que a ocupação militar mais importante é a ocupação do tráfico de drogas, que está sendo, agora, bastante atacado em algumas áreas da Zona Sul, menos na Rocinha. A Rocinha é um mistério que a gente só entende quando faz eleição ali. Quando faz campanha eleitoral ali você entende o porquê.
- Como o senhor vai tratar a questão da violência a partir do momento que defende a liberalização das drogas, justo o ponto que fomenta a violência?
- Exatamente como tratei… O governador Sérgio Cabral, quando se manifestou a favor da liberalização da droga., naquele momento em que ele se manifestou eu disse que o processo não é liberar a droga no momento. O processo é reformar a polícia, ter uma polícia de alto nível que possa realmente dar uma resposta. Em todos os lugares onde eu vi a droga liberada foi liberada a partir de uma polícia muito desenvolvida. Vi a liberação da droga como um controle mais sofisticado. É o caso da Holanda, e o caso de alguns setores da Inglaterra. Uma área da Inglaterra chamada Bridgestone, em Londres, onde foi feito isso. Lá em Londres, a determinação de liberar partiu da própria polícia, que disse que não tinha tempo para ficar quatro horas prendendo usuário. Então, sou favorável à reforma da polícia. Mais que aumento de salário, é formação, equipamento, uma série de coisas que a sociedade brasileira se recusou a dar durante muito tempo…
- Há lastro no orçamento para isso?
- O orçamento do estado, só de salários, se não me engano, são R$ 4,5 bilhões. É preciso fazer um estudo orçamentário para buscar isso, porque a minha intenção é dar o aumento, ainda, porque se a PEC 300 for aprovada, o aumento será complementado pelo governo federal. Se a PEC não for aprovada, pretendemos dar o aumento, mas para isso há que se fazer um remanejamento no orçamento.
- Qual vai ser a sua grande bandeira na campanha?
- Na economia, usar os recursos do petróleo para nos libertarmos dele. Mas hoje o grande problema sentido pela população do Rio de Janeiro, e não é a população rica, é o transporte. Portanto, o metrô, como o trem e o ônibus, colocam os habitantes da região metropolitana numa situação muito delicada. Então vamos trabalhar muito a questão do transporte. A bandeira vai ser “melhorar os transportes em todas as direções”. A primeira direção: fazer com que as pessoas usem menos tempo; segunda: que elas gastem menos dinheiro; terceira: que elas tenham mais conforto; quarta: que elas tenham mais confiança; e uma quinta: que não custa nenhum tostão, que a simples entrada de um novo governador pode determinar, que elas sejam respeitadas, porque hoje elas não são.
- E o bilhete único implantando recentemente no Rio?
- Ele é incompleto.
- Por quê?
- Porque ele prevê apenas duas horas. E duas horas não dá para fazer o que necessita.
- A Fetranspor realmente domina os transportes no Rio? Há excesso de ônibus?
- Existe. A Fetranspor é pouco racional porque você não consegue dominá-la completamente e a influência dela sobre os políticos é muito clara.
- O que faria de imediato?
- Existe uma questão municipal, que é do prefeito. Vou trabalhar o transporte interestadual, o transporte metropolitano. Então é outro tipo de diálogo. O prefeito do Rio de Janeiro tem autonomia para resolver essa questão.
- Como está o diálogo com Cesar Maia?
- Não foi totalmente resolvido. Depois do lançamento da candidatura do Serra vão ser iniciadas as conversações para ver que solução haverá.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:25

Sergio Cabral, ninguém merece

O governador Sergio Cabral está chegando a perfeição.
Veja só o que saiu publicado na última página da revista Domingo, do ‘Jornal do Brasil’.
Chama-se lista D e quem assina é Marco Antonio Barbosa.
Ele publica 10 frases, sobre as chuvas no Rio e as suas consequencias, com o título ‘Palavras na Correnteza’.
A primeira é a do governador Sergio Cabral, em entrevista a ‘Globo News’:
“Os casos de morte fatal foram poucos”.
Não tratarei aqui de pleonasmo, e nem de outras questões gramaticais. Afinal, Cabral é assim mesmo. Não há quem o conserte.
Mas 220 mortos e outros 100 encobertos pela terra e pela lama é pouco?  Ou “foram poucos”?
Nem o seu colega, governante em Sucupira – fanfarrão como ele e sempre com mania de grandeza – diria tamanha idiotice.
Odorico Paraguaçu passou todo o seu mandato sonhando em conquistar um único cadáver.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:15

Uma história escabrosa

Assessoria de imprensa é uma praga.
E quanto maior, pior ela é.
Há quem diga que, uma grande assessoria ? entenda-se grande como  aquela que tem muitos clientes ? tenha hoje mais poder político do que muita redação de jornal.
Tudo isso é para contar uma história que, em princípio, pode parecer apenas curiosa, embora seja uma tragédia, e que precisa ser muito bem explicada. Ou pela agencia junto ao seu cliente e aos veículos de imprensa, ou pelos jornais e revistas que participam dessa maracutaia – ou são vítimas dela.
Fui a um jantar, essa semana, em um restaurante do Rio, onde comemorava-se o aniversário de uma amiga. Não direi o nome do estabelecimento, pois aqui ele é vítima, consciente ou inconscientemente.
Ao sair de casa, já em cima da hora, não encontrei o endereço que havia anotado, mas lembrava  o nome do restaurante. Fui para a internet e o localizei. 
Ele possui um belo site, inclusive com o cardápio, carta de vinhos e preços, coisa rara nos restaurantes do Rio.
Um dos ítens do site, trata da Imprensa, onde são reproduzidas reportagens ou críticas publicadas em jornais e revistas.
Só que em cima de cada uma das matérias, é exibido um quadro curioso, onde está listado o nome do veículo, a seção em que foi publicado, o número da página e a data, a tiragem da edição, a centimetragem ocupada e o valor (custo) da  reportagem.
Assim, uma matéria na  ?Folha?, na seção Dinheiro/Mercado Aberto, custou R$ 78.048,00; no Rio Show, do ?Globo?, saiu por R$ 42.845,00; para a publicação de uma foto legenda no ?Jornal do Brasil?, com um cliente da casa, foram gastos R$ 17.792,00; duas páginas na ?Viver Brasil? custou  R$ 37.608,80; e, na ?Veja Rio?, uma crítica custou R$ 23.671,50, enquanto para a publicação do chamado ?tijolinho? ? onde informa-se alguns pratos, endereço, telefone, manobrista, cartões de crédito, como chegar, etc ? paga-se R$ 1.908,99.
Como todas as reportagens e críticas são elogiosas, fica-se com a impressão de que o  jornalista falou bem – e o veículo em que ele trabalha publicou o seu texto -  pois o restaurante pagou pelo espaço.
Será verdade?
Espera-se que não. Se for, não dará mais para confiar nas críticas a outros bares e restaurantes da cidade, tanto do Rio, quanto de São Paulo.
O que poderá ter acontecido? Das duas uma.
1 ? Ou a agencia paga aos veículos para que seu cliente tenha uma crítica e/ou reportagem favorável;
2 ? Ou ela não paga um tostão, mas cobra do cliente esses valores, com o argumento de que o espaço (centimetragem) ocupado custaria aquele tanto.
Alguém está sendo enganado nessa história: ou os leitores ou os clientes.
O fato é que a agencia está atingindo, de maneira totalmente irresponsável, aquilo que os veículos mais perseguem ou preservam ? a sua credibilidade.
O fato é gravíssimo, pois tem-se a impressão de que tudo isso seja verdade, já que outras três reportagens, não específicas sobre o restaurante, mas em que ele foi citado, não custou um único centavo nem no ?Globo?, nem  no ?Jornal do Brasil?, e nem na ?Vejinha?.
A responsável pela lambança chama-se FSB Comunicações  – intermediária da mutreta, ou empresa incompetente ao extremo para dar assessoria a um restaurante, pois atinge não só o seu cliente, como também os mais importantes veículos de imprensa do país.
Como a FSB atende a centenas de contas em todos os ramos de negócios -alguns muito poderosos ? pode-se supor que todos eles pagam para que suas empresas sejam alvo de reportagens favoráveis em jornais e revistas.
A FSB pode provocar danos irreparáveis a saúde dos veículos de comunicação.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 23:16

A mentira de Sarney

O presidente do Senado Federal, José Sarney, mentiu em sua nota oficial, quando, na defesa do filho Fernando, disse que ?todo o Brasil é testemunha de minha tolerância e minha posição a respeito da liberdade de imprensa, nunca tendo processado jornalista algum?.
Essa não é a primeira vez que Sarney tenta calar um jornal. Em 20 de janeiro de 1994, ele fez o mesmo com o ?Jornal do Brasil?, numa ação patrocinada pelo escritório de advocacia do professor José Meira, de Recife.
Na época, todos os jornais e revistas criticavam o senador pelo Amapá por desmandos, acusações de corrupção, compra e venda de apartamentos, reformas milionárias na Ilha de Curupu, envolvimento com a máfia dos anões do Orçamento. Mas ele escolheu, na época, apenas um jornal para brigar: o ?Jornal do Brasil?, exatamente a mesma tática que faz agora quando processa apenas ?O Estado de S.Paulo?, embora a totalidade da imprensa do país esteja a favor da sua renuncia.
Para ele, é mais fácil brigar com apenas um, achando que, assim, intimidará os demais.
Assim foi com o ‘Jornal do Brasil’, a começar pela escolha do escritório: embora o jornal tenha sede no Rio, ele exerça seu mandato em Brasília, tenha domicílio em São Luís, e registro eleitoral em Macapá, ele escolheu uma quinta cidade para defender sua causa: Recife.
O que ele reclamava, na época, é o mesmo que reclama hoje: ?Lastreados em fantasias e conjecturas, desencadeou o órgão de imprensa, mantido pelo Réu (JB), contra o Autor, a mais sórdida e ignominiosa campanha infamante, jamais movida a um homem público no Brasil?.
Uma das notícias que Sarney reclamava era uma nota publicada no Informe JB, de 16/11/93:
?O ex-presidente José Sarney negou à revista Caras, a nova publicação da Editora Abril, que tenha adquirido uma propriedade em Sintra, Portugal, como se divulgou em 1989.
O desmentido de Sarney provocou o seguinte comentário do senador e ex-governador Epitácio Cafeteira: ?Pior que roubar e não pode carregar?.
Em certo trecho ele acusa o atual senador Fernando Collor:
?Repetiram o expediente do então candidato Fernando Collor de Mello que usou dos mesmos entulhos para sua campanha e a ele se ingualaram na ?autoridade moral? de acusar inocentes. Por esses fatos, Collor está processado criminalmente?.
Na ação, onde pede vultuosa soma a título de indenização por danos morais, Sarney se define como ?político e literato de origem humilde, criado em Estado nordestino, onde se cultiva os sentimentos de honra e de família com a mesma religiosidade da fé cristã. Mas, o destino deu-lhe renome mundial, hoje é cidadão do mundo, ex-Presidente do Brasil, mas honrado e respeitado (…) Poeta e escritor, é membro da Academia Brasileira de Letras. Enraizadamente apegado a suas querências, é bom filho, bom pai, bom marido e amigo leal dos seus amigos?.
A defesa do ?Jornal do Brasil?, que ganhou a ação, foi feita pelo advogado Sergio Bermudes; Ele começa constestando o nome e a profissão do senador Sarney.  Tudo aqui é ?fingimento, hipocricia, mendacidade. O nome desse tartufo, sempre empenhado em apequenar-se, desconsiderando-se a si mesmo e a todos, não é nem nunda foi o que ostentam a inicial e a procuração, como também a qualidade de senador da República, por sua natureza transitória, não constitui profissão de ninguém (…) Se o nome do autor é José Ribamar Ferreira de Araujo Costa, ou José Sarney Costa, ou quejando, não pode ele apresentar-se em Juízo só como José Sarney, a  menos que faça a prova cabal da alteração do seu registro civil com a amputação de prenomes e apelidos que, como notório, sempre teve. Por igual, o exercício de um mandato não atribui ao titular a condição de profissional do respectivo cargo. Que o autor indique a sua ocupação habitual, sem se prevalecer de situação efêmera, para desatender a lei?.
Bermudes diz que ?de tal modo se descompôs a sua administração (na Presidência da República), que ele encerrou seus dias acuado nos seus palácios, sem coragem de aparecer diante do povo, que se vingava com vaias, protestos e manifestações iradas de descaso do governante, que desonrou o mandato jamais conquistado. (…) Recorde-se, como amostra muito expressiva da fundada cólera da nação, que o demandante não teve a coragem de sair às ruas de Brasília, para a última comemoração do 7 de Setembro, refugiando-se no abrigo das instalações do Ministério do Exército?.
Cita mais de 30 manchetes contra Sarney, geralmente ligadas a corrupção, e publicadas em outros jornais. E diz em certo trecho:
?Não foi o ?Jornal do Brasil? quem o feriu e magoou. Foi a sua própria conduta improbidosa, o seu desdém pela justificação dos seus atos, o seu comportamento, ora ostensivamente ilícito, ora no mínimo nebuloso, a sua falta de escrúpulos, o seu descato às normas constitucionais e legais, o seu empenho em pemanecer no poder a qualquer custo, não para realizar um programa, mas pelo simples apego às suas benesses, que provocaram a notória e incontida enxurrada de clamores e reprovações contra as quais, causador da sua própria ruina, ele não se pode queixar. Consoante a sentença do provébio bíblico, engula ele os frutos do seu mau proceder, ao invés de fingir-se ultrajado, como nunca se sentiu realmente, tanto que se absteve de defender-se  e explicar-se, de vir à luta contra todos os órgãos de imprensa, que se viram forçadas a não ocultar do público os seus desmandos, os seus abusos, o seu descaso pelos deveres de bem governar, as suas omissões, a tibieza de quem, de propósito, optou por ser apenas figurante da história, quando nada lhe faltava para se tornar personagem dela?.
Nada mais atual.

  • Sábado, 22 Maio 2010 / 4:13

Colunista do NYT pede crédito ao Irã

Deu no ‘Jornal do Brasil’ – talvez por descuido:
“Roger Cohen, um dos mais respeitados colunistas do New York Times, defendeu quinta-feira o acordo turco-brasileiro sobre o urânio enriquecido do Irã e criticou a determinação rabugenta das grandes potências, lideradas pelo governo americano, para adotar medidas punitivas contra o Irã e mergulhar ainda mais no fracasso.
Cohen argumenta que EUA e Irã são inimigos não naturais com muitas coisas com as quais poderiam concordar se quebrassem o gelo, e lamenta que a história envenenada entra no caminho; assim como aqueles que se beneficiam do veneno.
“Enquanto americanos veem iranianos como desonestos, mentirosos, fanáticos, violentos e incompreensíveis, explica Cohen, iranianos consideram os americanos beligerantes, incrédulos, imorais, materialistas, calculistas, além de ameaçadores e exploradores”. Para Cohen essas caricaturas representam o Grau Zero na mais traumatizada e atormentadora relação do planeta.
- Eu acreditava que Obama estava pronto para pensar de forma diferente em relação ao Irã. Parece que não, lamenta. Presidentes precisam liderar grandes iniciativas de política externa, não ser ameaçados por considerações políticas domésticas, nesse caso a fúria do Capitólio sobre o Irã em ano de eleição.
Cohen pede que os americanos olhem friamente para o feito dos líderes brasileiro e turco no Teerã, como ele se relaciona a um quase acordo americano, e o que tudo isso diz sobre um mundo passando por mudanças de poder significativas.
Para Cohen, Brasil e Turquia representam o mundo pós-ocidental emergente e seus esforços de mediação no Irã deveriam ter sido levados a sério pelos EUA: A secretária de Estado Hillary Clinton devia consequentemente ficar menos feliz em matar com elogio débil os “esforços sinceros de Brasília e de Ancara”, delatou.
Ano passado, na ONU, Obama pediu nova era de responsabilidades compartilhadas… Turquia e Brasil responderam e foram criticados. Obama acabou de fazer as próprias palavras iluminadas parecerem vazias finaliza”.

  • Sábado, 22 Maio 2010 / 4:13

Autoridade pública e moralidade olímpica

De Leandro Mazinni, no ‘Jornal do Brasil’:
“Os tucanos não querem saber de o cargo de Autoridade Pública Olímpica ficar nas mãos de apadrinhado de Lula até 2016. O deputado federal Otávio Leite apresentou emenda à MP que cria o órgão, para que o mandato dure até dezembro deste ano”.

                                                   * * *

O ministro do Esporte, Orlando Silva, deixou de concorrer a uma cadeira na Câmara, pelo PCdoB, acreditando que poderá manter a boquinha das Olimpíadas nos próximos seis anos. Se conseguir o seu intento, o ministro da Tapioca – como é conhecido - não terá de prestar contas a ninguém.

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