• Domingo, 05 Fevereiro 2012 / 13:00

A crise no PMDB do Rio

    Do repórter Cássio Bruno, de ‘O Globo’:
    “A grave crise com o PT, no Rio, estremeceu o PMDB fluminense.
O partido é palco de uma queda de braço entre o governador Sérgio Cabral e o presidente regional do PMDB, Jorge Picciani. Disposto a afastar a qualquer custo os petistas da aliança no estado, Picciani tentou emplacar o filho Leonardo, deputado federal, como vice na chapa do atual prefeito Eduardo Paes (PMDB), que disputará a reeleição em outubro. O posto, por enquanto, é do vereador do PT, Adilson Pires.
Picciani defende a candidatura de Paes para o governo do estado em 2014. Assim, se reeleito, o prefeito teria de renunciar ao cargo na metade do segundo mandato, abrindo espaço para Leonardo. Aliado da presidente petista, Dilma Rousseff, Cabral quer lançar seu vice, Luiz Fernando Pezão (PMDB), como candidato ao governo. Picciani está sem mandato. Ex-presidente da Assembleia Legislativa, ele foi derrotado nas eleições de 2010 para o Senado.
— Picciani perdeu poder.
Ele e o Cabral se encontram sempre, almoçam, mas, na prática, tem cotoveladas — conta um peemedebista.
As “cotoveladas” estão ocorrendo nos principais colégios eleitorais do estado. Os dois travam uma batalha ao apoiarem candidatos diferentes a prefeito em cidades com Niterói, São Gonçalo, Macaé, Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Itaboraí.
Em Niterói, Picciani fará campanha para o atual prefeito, Jorge Roberto Silveira (PDT). Cabral, por sua vez, prefere caminhar com seus secretários Rodrigo Neves (Assistência Social) ou Sérgio Zveiter (Trabalho e Renda). Picciani já chamou Neves de “puxa-saco”.
Em Caxias, Picciani quer eleger Washington Reis (PMDB), e o governador sinaliza para Alexandre Cardoso (PSB), secretário estadual de Ciência e Tecnologia.
Em Nova Iguaçu, o presidente do partido apoia o deputado federal Nelson Bornier (PMDB) à prefeitura.
Cabral não gosta de Bornier.
Em 2006, o parlamentar pediu votos para Geraldo Alckmin (PSDB) à presidência e , em 2010, para o também tucano José Serra.
O governador — que ficou ao lado de Lula e Dilma nas duas campanhas, respectivamente —, ensaiou apoio a Vicente Loureiro, subsecretário estadual de Projetos de Urbanismo. Loureiro foi secretário no município justamente na gestão de Bornier.
O ápice do embate aconteceu com as recentes declarações de Picciani. O presidente regional do PMDB disse que Cabral poderia renunciar ao mandato em 2014 para disputar novamente o Senado. Com isso, abriria brecha para que o filho, Marco Antônio, fosse candidato a deputado federal, e Pezão, ao governo do estado.
Cabral ficou irritadíssimo.
Diante da crise, o PT recorreu ao diretório nacional. Os petistas devem apoiar o PMDB em pelo menos 20 cidades. O partido de Cabral e Picciani selou acordo para caminhar com os petistas em apenas quatro municípios.
Procurado pelo GLOBO, Picciani preferiu o silêncio. Cabral, em nota, evitou polemizar: — O presidente Picciani é amigo e companheiro”.
                             * * *
Na queda de braço com Cabral, Picciani levará a melhor.

  • Quinta-feira, 26 Janeiro 2012 / 10:49

Cabral procura apoio de Temer

    Da colunista Monica Bergamo, da ‘Folha’:
    “O governador do Rio, Sérgio Cabral, almoçará com o vice-presidente, Michel Temer, em Brasília, no dia 3. Vão discutir a aliança do PMDB com o PT nas cidades fluminenses para as eleições de outubro, que enfrenta resistências de grupos de ambas as legendas”.
                                * * *
Cabral, na verdade, vai conhecer o Jaburu, palácio que ele adoraria residir um dia, embora tudo leve a crer que ele não sairá nunca do Leblon.
Até que é um fim de carreira bastante aprazível.
O que Cabral fará no Jaburu, é buscar apoio do PMDB Nacional para a posição de Jorge Picciani, presidente do PMDB no Rio.
E isso não será difícil.
Na sua forma truculenta de ser, Picciani está defendendo o partido.

  • Terça-feira, 17 Janeiro 2012 / 17:44

PT do Rio e a doce ilusão

    Do colunista Ilimar Franco, no Panorama Político, do ‘Globo’:
    “O presidente nacional do PT, Rui Falcão, se reúne hoje com o presidente do PT do Rio, Jorge Florêncio, e com o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) para discutir a relação com o PMDB. Os ânimos ficaram exaltados depois que o
presidente estadual do PMDB, Jorge Picciani, disse que o partido não apoiará candidatos do PT em várias cidades. Lindbergh reagiu lançando seu nome à sucessão do governador Sérgio Cabral. A turma do deixa-disso diz que a
opinião de Picciani não é a do PMDB, mas o deputado Alessandro Molon (PT-RJ), que quer concorrer à prefeitura do Rio, cobra um posicionamento de Cabral e de Eduardo Paes. “Os dois deveriam ter vindo a público discordar”, disse ele”.

  • Segunda-feira, 16 Janeiro 2012 / 16:29

Eleição para prefeito esvazia Parlamento

     Dos repórteres Cássio Bruno e Juliana Castro, de ‘O Globo’:
     “Com apenas um ano de mandato, deputados estaduais e federais do Rio já estão de olho nas próximas eleições municipais, em outubro. Levantamento feito pelo GLOBO mostra que pelo menos 29 (mais de um terço) dos 70 políticos em exercício na Assembleia Legislativa (Alerj) são pré-candidatos a prefeito em cidades do estado, principalmente em suas bases eleitorais. Além disso, 16 dos 46 parlamentares federais fluminense podem seguir esse caminho e deixar as cadeiras para os suplentes, se forem eleitos.
Na Alerj, há casos em que bancadas inteiras devem concorrer. Uma delas é do PR. Os cinco representantes do partido têm interesse de disputar o pleito. Comandada pelo deputado federal Anthony Garotinho, ex-governador do Rio, a sigla foi a que mais perdeu deputados para o recém-criado PSD: quatro baixas. A nova
legenda, que possui hoje 13 parlamentares, o maior número da Casa, vai lançar três deles como pré-candidatos.
Os três deputados estaduais do PSB também têm pretensão de disputar as prefeituras, assim como os dois do PV e os dois do PRB. Os únicos deputados de PTB, PRTB, PTdoB são outros da lista. Dos seis parlamentares do PT na Alerj, quatro tiveram os nomes indicados para concorrer.
Já entre o grupo que poderá se dividir entre o trabalho em Brasília e a campanha em cidades fluminenses estão quatro dos oito deputados federais do PMDB do Rio. Já o PSDB e o DEM, aliados nacionalmente, ficarão em lados opostos na disputa pela prefeitura do Rio, com Otavio Leite e Rodrigo Maia, respectivamente.
São Gonçalo, na Região Metropolitana, tem sete deputados estaduais e federais com a intenção de concorrer à prefeitura. Quatro deles, no entanto, estudam ainda a possibilidade de se unir em uma aliança formada por PMDB, PSC e PPS contra o indicado da atual prefeita, Aparecida Panisset (PDT) – que não pode se reeleger este ano. Com 653 mil pessoas aptas a votar, a cidade é o segundo maior colégio eleitoral do estado, atrás apenas da capital.
- Em São Gonçalo, a eleição é de dois turnos. Achamos que nos unindo estaremos no segundo turno – diz o presidente do PMDB do Rio, Jorge Picciani.
Na primeira eleição, PSD terá 17 candidatos próprios. No primeiro teste nas urnas desde sua criação, no ano passado, o PSD terá 17 candidaturas próprias no estado, das quais sete são prefeitos tentando reeleição em Cambuci, Carmo, Mangaratiba, Japeri, Rio Claro, Sapucaia e Natividade. Além dos três deputados estaduais pré-candidatos a prefeito, o partido indicará o deputado federal Dr. Paulo César à disputa em Cabo Frio, na Região dos Lagos.
- Se o DEM e o PR quiserem nos apoiar em algum municípios serão bem vindos, mas nós não vamos apoiá-los – avisa Indio da Costa, presidente regional do PSD, legenda que apoia o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes, ambos do PMDB.
A disputa de forças no estado ficará por conta de Cabral e Garotinho, este com o apoio do DEM e do ex-prefeito Cesar Maia. O grupo do governador tem fechado pelo menos 65 candidatos na cabeça de chapa do PMDB contra 60 do PR.
As estratégias são distintas. Cabral não deverá pedir votos nas ruas para os aliados, com exceção de Paes, que disputará a reeleição. Garotinho vai percorrer todos os municípios ao lado dos apadrinhados.
- O Garotinho vai aparecer nas campanhas e será o puxador de votos de prefeitos e vereadores – conta o secretário-geral do PR no Rio, Fernando Peregrino.
- Vamos preservar o Cabral e selecionar as cidades em que ele aparecerá. No programa eleitoral na TV e no rádio, o governador gravará para todos os candidatos do PMDB e aliados – afirma Picciani”.

  • Domingo, 15 Janeiro 2012 / 22:56

Picciani, PT reclama do PT

     Do colunista Ilimar Franco, no Panorama Político do ‘Globo’:
     “Apesar de não terem gostado das declarações recentes do presidente do PMDB do Rio, Jorge Picciani, dirigentes do PT também não aprovaram o tom da nota do partido para rebatê-las. Dizem que o texto foi escrito “com o fígado”.

  • Sábado, 14 Janeiro 2012 / 12:03

O estrago de Picciani

    Do colunista Ilimar Franco, no Panorama Político, do ‘Globo’:
    “Como o presidente do PMDB do Rio, Jorge Picciani, anunciou que não vai apoiar os candidatos a prefeito do PT em Niterói e Maricá, setores do partido estão defendendo o rompimento da aliança para reeleição do prefeito Eduardo Paes (PMDB). A direção do PT não gostou das declarações do peemedebista, mas tenta colocar panos quentes e acalmar os ânimos. Além de Niterói e Maricá, os petistas querem o apoio do PMDB em Petrópolis, Mesquita, Belford Roxo e Silva Jardim. E também reivindicam que o governador Sérgio
Cabral não suba em palanque onde os partidos forem adversários, como fará a presidente Dilma”.

  • Quinta-feira, 12 Janeiro 2012 / 14:17

Picciani detona o PT do Rio

      Os repórteres André Zahar e Rozane Monteiro, de ‘O Dia’, publicaram domingo uma entrevista com o
presidente do PMDB, o ex-deputado Jorge Picciani, que arrasa com o PT no Rio e coloca em perigo a aliança dos petistas com o candidato Eduardo Paes.
Picciani foi quem detonou, em 2010, a candidatura de Alessandro Molon, do PT, à Prefeitura do Rio – candidato que estava sendo apoiado pelo governador Sergio Cabral.
O presidente regional do PT fluminese distribuiu, no dia seguinte, uma nota oficial, atacando Picciiani: “Acreditamos que as opiniões desrespeitosas expressas pelo presidente do PMDB não sejam compartilhadas pelo governador Sérgio Cabral e pelo prefeito Eduardo Paes”.
Lêdo engano.
Eis a entrevista de Picciani e depois a nota do presidente do PT, Jorge Florêncio de Oliveira.

- O PMDB vai apoiar candidatos do PT em quais municípios?
— O PMDB apoiará candidatos do PT em Paracambi, Paraty… Em Quissamã, nosso candidato Arnaldo Mattoso talvez seja vice também. Foi feito um acordo político. Todo mundo quer ser candidato, mas quando faz acordo, tem que valer.
- E em Niterói?
- Vamos apoiar o prefeito Jorge Roberto (Silveira), do PDT. Ele apoiou o PMDB na eleição majoritária — para governador e senador em 2010 —, doente e com o problema do Morro do Bumba (favela onde mais de 40 pessoas morreram em deslizamento). Isso nos levou a assumir o compromisso de apoiar a reeleição.
- Mas o governo dele está mal avaliado…
- O argumento de que ele não está bem não é político. Eu sou avalista dos acordos do partido. Não mudo de opinião em função das adversidades. Vai nos caber ajudá-lo a melhorar a administração.
- Na prática, o que significa ajudar a melhorar a administração em Niterói?
- Numa aliança, você sugere melhorias. Ele teve dois episódios (que o prejudicaram), um pessoal e um político. Houve o desabamento do Bumba e ele teve um câncer. A questão do Jorge Roberto também tem um simbolismo grande porque o Cabral fez campanha duríssima a favor do (atual secretário estadual de Assistência Social e pré-candidato do PT) Rodrigo Neves (em 2008). Perdeu e estabelecemos uma relação administrativa que avançou para a relação política. Sou amigo pessoal do (secretário estadual de Trabalho e pré-candidato do PSD) Sérgio Zveiter. Sou amigo pessoal da família. O Cabral me perguntou: “Picciani, e o Zveiter?” Eu disse: “Não tenho esse compromisso”. Uma coisa é o Jorge Picciani, outra é o presidente do PMDB, que não sentou em momento nenhum com o Sérgio Zveiter, o Rodrigo Neves, nem com seus partidos e fez nenhum compromisso.
- A dupla Zveiter e Rodrigo Neves é a aliança desejada pelo governador Sérgio Cabral para Niterói?
- É uma vontade pessoal, nos cabe respeitar. São pessoas com quem ele está convivendo, que são secretários dele. Agora, o governador não interfere nas questões partidárias. Ele pode opinar, tem representantes dele nas decisões da Executiva e depois desses anos todos deve confiar nas minhas posições. Ele me visitou no hospital para me oferecer se eu queria ir para ministro. Eu disse: “Não quero ter função pública, vou presidir o partido”. Eu presido o partido, e o patrimônio desse partido, da política, é cumprir os compromissos. Mas algumas alianças podem ser desfeitas. Não vamos levar o partido ao suicídio. Se cometerem erros que não podem ser justificados, não temos que afundar num barco que não remamos.
- Em Angra dos Reis, o candidato continua sendo o prefeito Tuca Jordão, do PMDB?
- Vamos definir este mês. Avança para a candidatura do deputado federal Fernando Jordão (também do PMDB, rompido com Tuca).
- A expectativa é eleger quantos prefeitos?
- Trabalho com 45. Falta combinar com o eleitor. (risos)
- Na capital, a conta de 18 partidos com o prefeito Eduardo Paes inclui PV e PPS?
- O PV tem um ato de vontade nossa, mas nenhum indicativo deles. Temos a possibilidade de trazer o PPS, desmontando um pouco a aliança de 10 anos com PSDB e PV.
- Qual é a chance de o PPS apoiar o Eduardo Paes?
- Mais de 90%. Foram feitas todas as conversas. O (vereador) Paulo Pinheiro, que era contra, saiu (para o PSOL).
- Como o senhor avalia as pesquisas sobre o Rio?
- Se somar todos (adversários), dá 30%. Sem o (senador Marcelo) Crivella (PRB), o Eduardo dá de três para um (na soma dos outros). A eleição será no primeiro turno.
- O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) pode dar trabalho?
- É um bom candidato, mas só vai ajudar a dar mais brilho à vitória do Eduardo no primeiro turno.
- Ele pode repetir a onda Fernando Gabeira (PV) nas eleições de 2008?
- Não creio. Apesar de ser um rapaz com qualidades, ele é menos abrangente. O Gabeira tinha liberdade para aliança. O Marcelo fica engessado, antes de falar tem que perguntar ao partido.
- Como o senhor vê a aliança entre Cesar Maia (DEM) e Anthony Garotinho (PR) na capital?
- É legítima, eles têm adversários comuns.
- Quem dará mais trabalho: Marcelo Freixo ou Rodrigo Maia?
- Não temos muita preocupação. O Marcelo vai dar mais brilho à vitória do Eduardo, e os outros sairão menores do que entraram.
- Como o senhor vê a criação do PSD?
- A relação com o PMDB no Rio é quase umbilical. Tem uma decisão nacional da direção do PMDB de não entrar na Justiça (contra quem saísse do partido). Os (vereadores) que ficaram, se quiserem apoiar adversários, eu vou cortar legenda. Respeito as manifestações, mas depois de bater a convenção, todos, desde os generais aos soldados, estarão condicionados. Não são obrigados a fazer a campanha. Se o governador não se sentir bem em apoiar um candidato, não vai. Mas fazer campanha contra o PMDB ou candidatos apoiados pelo PMDB, não acredito que os soldados nem os generais farão.
- E se tiver um rebelde?
- Aí, tem que ver caso a caso. O partido tem um estatuto, uma comissão de ética…
- … que vale para soldados e generais?
- Principalmente para os generais.
- Como o governador vai fazer campanha nos locais onde a base está rachada?
- O sentimento pessoal será sempre respeitado, mas a gente nunca vai imaginar que ele fará campanha em todos os municípios. Ele fará onde o PMDB tem candidato, onde apoia candidato e onde se sentir à vontade. Não há uma regra, mas o partido tem que ter uma estratégia. A partir daí, eu, o Cabral, o (vice-governador Luiz Fernando) Pezão, quem tiver voto vai fazer campanha. O que vai no coração do Cabral ele não conta.
- Como assim “no coração do Cabral”?
- Vou dar um exemplo. Em Nova Iguaçu, ele diz: “Apoiei tanto o (deputado federal Nelson) Bornier na eleição anterior (para prefeito), e ele foi fazer campanha para o (José) Serra (PSDB). Eu pedi tanto para fazer para a (presidenta) Dilma (Rousseff)”. É uma campanha que ele (Cabral) começa sem muita vontade de fazer. Mas, quando engrenar, o que vai contar é o seguinte: é importante o PMDB ganhar em Nova Iguaçu. Então, o Cabral passa a ter simpatia de novo pelo Bornier.
- O que acontece se o senador Lindbergh Farias (PT)decidir ser candidato a governador em 2014?
- Está no direito dele. O que eu ouço nos bastidores é que ele é candidato pelo PT ou pelo PSB. Não tenho nenhuma dúvida de que ele vai ser candidato. O PMDB vai estar aberto para aliança. Se ele quiser ser o vice do Pezão, não tem problema. Se quiser ser candidato, vamos respeitar e derrotá-lo.
- O cenário para 2014 passa muito pela Baixada. Lá, PMDB e PT estão separados em vários municípios.
- A eleição para prefeito, com exceção da capital, tem zero influência na de governador. Quem vai decidir a eleição de governador não é o Pezão, é o Cabral. Nós vamos ganhar em 45 cidades, mas, mesmo que perdêssemos tudo, faríamos o governador. Se o Cabral fosse candidato à reeleição, se elegeria de novo. O Cabral vai chegar na sucessão dele muito melhor. Teremos avançado muito mais na área de segurança, com menores índices de criminalidade. O Cabral fará o sucessor, e o Lindbergh tentará se tornar ainda mais conhecido para tentar a reeleição no Senado e nos derrotar depois.
- O senhor considera o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, uma alternativa a Pezão?
- Ele não é político, é uma pessoa da área de segurança. A grande sabedoria do Cabral é lhe dar autonomia e apoio. O partido é aberto a qualquer pessoa de bem, mas a minha opinião pessoal é que não se mistura segurança com política. O Pezão está identificado com o Governo Cabral. Na hora em que se tornar o candidato da continuidade, se tivermos índices que acham que o governo deve continuar, o Beltrame ajuda dizendo que, se for convidado, vai permanecer. Mas, se o governo for mal, não tem Beltrame, não tem ninguém. Se estiver mal, vão escolher a mim, que enfrento só pedreira. Eu sou candidato, só não sei a quê. Vamos esperar.
- Em 2014, só terá uma vaga em disputa no Senado. O senhor se candidataria?
- Eu seria candidato ao Senado, mas temos uma precedência, o senador (do PP Francisco) Dornelles. Se ele quiser continuar, vamos apoiá-lo. Se não quiser, abre-se uma discussão no PMDB. Se o Cabral não quiser, saio candidato. Se ele quiser, eu busco outro caminho. Minha preferência é disputar o Senado.
- Voltando ao PSD, onde tem acordo?
- Fizemos um acordo político que vale para 2012 e 2014 com o (prefeito de São Paulo e presidente do PSD Gilberto) Kassab, com o Indio (da Costa, presidente estadual do PSD no Rio) e com o (deputado) André Corrêa (secretário-geral do partido no Rio e líder do governo na Assembleia Legislativa).
- Como fica a situação em Macaé, onde o secretário de Agricultura, Christino Áureo, é pré-candidato pelo PSD?
- Em Macaé, temos candidato próprio. É o André Braga. O Christino Áureo é um rapaz ótimo, meu amigo de muitos anos, um quadro técnico maravilhoso, com nível para ser ministro da Agricultura. Ele botou na cabeça que é o ‘bola da vez’ para ganhar, mas as pesquisas mostram que não tem nenhuma chance. Quem conhece ele, não gosta. Eu sou exceção, que gosto, mas não voto em Macaé. Forte lá é o nosso adversário, o (deputado federal) Dr. Aluizio, do PV. Ele é o ‘bola da vez’. Vamos ter que bater nele até ele virar pó, senão não ganhamos. A eleição lá é muito difícil.
- O PSD discute o nome do deputado estadual Wagner Montes para o Senado. O acordo vale para senador também?
- O Wagner Montes sempre é pré-candidato a tudo. Nós fizemos um acordo de os partidos ficarem juntos.
- Mas quem foi para o PSD foi porque não tinha legenda para concorrer ao cargo que queria.
- O Wagner, se quisesse ter sido senador, poderia pelo PDT. Mas ali a convivência é muito difícil. O PDT vive um momento muito difícil. Uma das razões para eu querer apoiar o Jorge (Roberto, prefeito) em Niterói é resgatar o Jorge. Para nós, o PDT é fundamental na eleição de 2014. Se você deixa esfacelado, o PDT vai para o lado do adversário. O suplente do Lindbergh é do PDT. O Rodrigo Neves hoje é Cabral, mas, se ganhar, fortalece o Lindbergh. Eu aqui trato de partido, não tem a ver com gostar ou não gostar, ser mais simpático. Esse Rodrigo Neves tenta puxar o meu saco o tempo todo, só que o Cabral gosta e eu não gosto. São temperamentos diferentes. Cabral é muito mais educado, mais refinado. Eu estou na política, e a minha responsabilidade é levar o partido à vitória dentro da compreensão de que quem tem cacife ou não para fazer o sucessor é o sucesso do Governo Cabral. Dá tranquilidade para o Cabral governar ter um partido com quem tem experiência, seriedade e respeita acordo. Isso permite ao governo não ter que se meter nesta seara. Da mesma forma, ter alguém aqui que não usa o partido para se meter nas questões do governo é bom para o governo também.
- As alianças com o PT esbarram em 2014?
- Não. Eu penso o seguinte: queria apoiar o prefeito de Maricá, o Quaquá, que é do PT. Ele foi muito bacana comigo na campanha. Mas fizeram uma pesquisa, e ele tem 5% de intenções de voto, 70% de rejeição. Já o candidato do PMDB tem 35% de intenções. Aí, a simpatia tem que acabar. Não havia um acordo partidário, havia uma simpatia minha. Sou duro na negociação, senão não conduzo o partido. A questão do PT, se você pega cidade por cidade, é que não tem quadros. Lindbergh foi prefeito duas vezes em Nova Iguaçu. Quem ele preparou? Em Nilópolis, quem tem? Em Mesquita, o Artur Messias, que foi prefeito duas vezes, é meu amigo pessoal. Quem preparou para sucedê-lo? Não preparou. Então, eu vou levar o PMDB a um desastre? Não é porque eu não quero. Em Belford Roxo, o Cabral tem botado 100, 200 milhões em asfalto, e os índices (do prefeito Alcides Rolim) são desesperadores. O que vamos fazer? Brigar com todo o PMDB? Em Caxias, veio o líder do PMDB (na Alerj), deputado André Lazaroni, meu amigo querido, falar: “É minha mãe”. Eu adoro a Dona Dalva (Lazaroni, pré-candidata do PT), mas cadê? 0,2% na pesquisa. Eu falei: “Não deixa ela passar esse sofrimento. Lança ela vereadora no Rio e eu faço ser puxadora de votos do PMDB. Tira tua mãe do partido e vamos ver”. Em Petrópolis, o prefeito (Paulo) Mustrangi (PT) é excelente pessoa. Na Região Serrana, todos os políticos estão com fama de ladrão, ele não… mas é de uma inaptidão, não sai na rua, se esconde em casa. Sempre me tratou da melhor maneira. Me fez perder voto, porque está mal, mas sempre foi muito educado. Como vamos apoiar se temos um candidato com quatro vezes mais voto? Em Teresópolis, roubaram a cidade, destruíram a cidade, como vamos apoiá-los? Ele (Jorge Mário, expulso do PT) veio aqui, e disse: “Tenho quatro partidos me assediando, quero ir para o PMDB. Eu disse: “Arruma outro, vamos te cassar”.
- São Gonçalo tem uma situação peculiar, tem dois pré-candidatos do PMDB. Como se decide?
- A eleição lá é dificílima. Temos o deputado federal Edson Ezequiel e a deputada estadual Graça Matos. Em qualquer pesquisa, um ou outro está na frente. O deputado federal Neilton Mulim, do PR, apoiado pelo Garotinho, está em segundo, o deputado estadual do PSB Rafael do Gordo, em terceiro, o deputado estadual José Luiz Nanci, do PPS, em quarto, o Adolfo Konder, do PDT, apoiado pela prefeita (Aparecida Panisset), em quinto, e a Alice Tamborindeguy, do PP, crescendo. Fizemos um acordo (com PSB e PPS) para escolher o candidato com mais chance, mas tem que ser por consenso. Tem cidade onde você pode fazer intervenção, expulsar, mandar prender. Em São Gonçalo, não. A eleição é de dois turnos. Se perdemos (no primeiro), apoiamos o candidato da prefeita. Mas também queremos que ela nos apoie. São Gonçalo é diferente de tudo. É o município mais perigoso para a gente.
- O Marco Antônio Cabral, filho do governador, sai candidato em 2014?
- Eu acho que tem que ser puxador da legenda para (deputado) federal. Eu, como presidente do partido, o quero como candidato, mas vai depender das condições políticas da época e de onde o pai estiver. Acho que ele seria um sucesso em termos de voto, e eu estou aqui para cuidar do melhor para o PMDB. O Cabral não vai gostar (de eu falar) disso, não.
- É verdade que o governador não gostou quando o senhor falou isso pela primeira vez?
- Eu sempre faço a ressalva, eu falo o que eu penso, não combinei nada com eles. Eu digo sempre, aonde eu vou, quando me perguntam, eu falo as coisas que eu acho. Mas eu não combinei com ninguém, não. Mas eu continuo achando que não terá alternativa. Ele (Cabral), para eleger o Pezão, tem que se desincompatibilizar, ou (para concorrer) a vice-presidente ou a senador… E, com isso, vai resolver naturalmente a questão do anseio de uma militância imensa do partido que quer o Marco Antônio candidato”.

A nota do PT

“Frente a entrevista do Presidente Regional do PMDB, o candidato derrotado ao senado nas eleições de 2010 Jorge Picciani, que nos causou profundo estranhamento, algumas considerações se fazem necessárias:
- Picciani utiliza, durante toda a entrevista, números questionáveis para justificar suas opiniões. Em momento algum cita a fonte das pesquisas, cujos resultados curiosamente atendem sempre aos seus interesses.O PT-RJ nega-se a comentar os números do Instituto Data Picciani.
- Fica explícito, na entrevista, o desejo do presidente do PMDB de antecipar o processo eleitoral de 2014. Ao estabelecer critérios contraditórios na construção de alianças com o PT e com outros partidos, Picciani orienta-se pelo receio de enfrentar novamente nas urnas o senador pelo PT-RJ Lindbergh Farias, eleito com a maior votação do estado em 2010.
- O PT-RJ realizou um conjunto de debates e seminários visando a disputa das eleições municipais de 2012, reafirmando sua condição de partido democrático e comprometido com a melhoria objetiva das condições de vida do povo. Pretendemos com isso, ampliar nosso número de prefeitos e vereadores, bem como aumentar o diálogo e a colaboração entre os partidos que fazem parte do projeto nacional protagonizado pela presidenta Dilma Rousseff
- Entendemos, no entanto, que uma aliança política é sustentada por um projeto comum, respeito mútuo e diálogo democrático. Acreditamos que as opiniões desrespeitosas expressas pelo presidente do PMDB
não sejam compartilhadas pelo governador Sérgio Cabral e pelo prefeito Eduardo Paes.
- Por fim, esperamos que o presidente do PMDB modifique o comportamento truculento e impróprio no trato com os aliados, que já lhe causou a derrota para o senado em 2010 e, mais uma vez, provoca uma situação constrangedora.
Jorge Florêncio de Oliveira
Presidente do Diretório Estadual/PT-RJ”

  • Quinta-feira, 29 Julho 2010 / 10:23

Cesar Maia e a sardinha senatorial

    Do ex-prefeito Cesar Maia, em seu blog:
“1. As pesquisas de opinião, na eleição para o Senado com dois votos, têm algumas dificuldades para amarrar a intenção de voto duplo. A começar pela proporção de entrevistados que são registrados como tendo anulado o voto, votado em branco, ou não respondido. Vamos chamar a soma deles de Não Voto (NV). O NV pode ser dado nos dois votos ou apenas em um dos votos. É improvável que o entrevistado anule o primeiro voto e não anule o segundo. Ou seja, no total de NV a proporção no segundo voto é maior, mesmo que pouco maior, que no primeiro voto.
2. Com isso, a porcentagem de NV sobe a valores muito grandes, especialmente no início da campanha eleitoral. Lembre-se que o total de eleitores é de 200%, em função dos dois votos. Por exemplo: se forem 4 candidatos apenas e não houver NV, e cada um tiver 25% tanto no primeiro quanto no segundo voto, teremos 100% no primeiro e 100% no segundo.
3. Os Institutos perguntam sobre o primeiro voto e depois sobre o segundo. Deveriam publicar os resultados dessa forma. Uns fazem, mas outros não. É muito importante ter essa informação separada para efeito de análise. Afinal, no dia da eleição o TRE só informará o resultado somado.
4. Se o NV fosse igual no primeiro e no segundo votos, dever-se-ia dividi-lo ao meio. Mas não é assim, embora, por aproximação, se possa dizer que não deve ser tão diferente no primeiro e no segundo votos.
5. Vejamos o NV na última pesquisa Datafolha para o Senado. RJ 72% \ SP 70% \ BA 102% \ MG 56% \ PE 83% \ DF 91% \ PR 75 % \ RS 72%. Em nenhum caso a soma dos votos dados com o NV chega a 200%, e cada soma específica, incluindo os candidatos todos, dá um total diferente do outro por Estado.
6. Os Institutos -quando coincidem pesquisas para presidente, governador e senador num Estado- deixam o Senador para a última pergunta. E mais ainda se resolvem, depois de cada uma delas, perguntar sobre nível de conhecimento, etc. Aí Senador vai, na melhor hipótese, para a quinta pergunta e o segundo voto para a sexta.
7. Quando se testa colocar a pergunta para Senador como a primeira da entrevista, os números mudam muito nesta etapa da eleição. O NV cai a praticamente a metade. Num Estado determinado em que se fez este teste simultâneo houve uma queda de 36 pontos. Ou seja, foram mais ou menos 18 pontos a mais na primeira pergunta e 18 pontos a mais na segunda pergunta dados aos nomes apresentados.
8. Uma revisão das séries de pesquisas para o Senado em 2002 mostra que, menos de uma semana antes da eleição, 2 candidatos próximos do segundo passaram a quinto e sexto e os que estavam nessa posição passaram a terceiro e quarto. Uma subida/descida de dois lugares que não se justifica por mudança de voto naquele momento. Mas se explica pela dificuldade de pesquisar Senador em eleição com dois votos, começando a pesquisa para presidente, depois para governador, e só então para Senador.
9. É bom que nos Estados todos os candidatos ao Senado contratem suas pesquisas, começando pela de Senador. Para não terem surpresas depois (a favor ou contra)”.

                                               * * *

Tem muito candidato ao Senado que está coligado mas, às vésperas da eleição,  pregará o voto único. No Rio, a maior chance para que isso ocorra será na coligação de Sergio Cabral, que tem Jorge Picciani e Lindberg Farias. É óbvio que os dois não se elegem. E um deles – Lindberg ou Picciani – terá chance remotíssima de vitória , se conseguir destruir o outro.

  • Quarta-feira, 21 Julho 2010 / 19:18

Lula quer distância de Picciani

   Do Painel da ‘Folha’:
“O presidente (Lula) também enviou emissários ao Rio para tentar evitar que a disputa pelas duas vagas ao Senado atrapalhe a vida de Sérgio Cabral (PMDB) ou de Dilma. Lula tem dito que ficará longe da campanha de Jorge Picciani (PMDB), mas que ajudará Lindberg Farias (PT) e Marcelo Crivella (PRB)”.

  • Terça-feira, 20 Julho 2010 / 12:56

Picciani e Lindberg se merecem

  Jorge Picciani está gastando fortuna incalculável para chegar ao Senado.
Duas carretas desembarcaram toneladas de papel em seu escritório.
Só que os santinhos que ele distribuirá, entre os candidatos a deputado pelo PMDB, não inclui o nome de Linberg Farias, seu companheiro de chapa.
Ele acusa Lindinho de fazer o mesmo com o material direcionado ao PT.
Os dois tem razão. Eles se merecem.

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