• Segunda-feira, 26 Julho 2010 / 11:08

Gonzalez de Serra, Santana de Dilma

    A ‘Folha’ de hoje publica os perfis dos marqueteiro das principais campanhas presidenciais: Luiz Gonzalez, de José Serra; e João Santana, de Dilma Rousseff.
Vamos a eles. 
                    * * *
   De Catia Seabra:
“Tomada 1. 28 de junho. Em meio à crise para a escolha de um vice, o presidente de honra do DEM, Jorge Bornhausen (SC), procura Luiz Gonzalez, coordenador de comunicação da campanha de José Serra à Presidência.
“Você acha que é possível vencer a eleição sem três minutos e meio da TV?”, pergunta Bornhausen, numa alusão ao tempo do DEM.
“Não”, admite o jornalista.
“Então, deixo 50% das minhas apreensões com você”, reage o democrata.
Duas horas depois, Bornhausen é recebido por Serra em sua casa.
Tomada 2. Madrugada do dia 30. Reunido com aliados para avaliar uma alternativa a Álvaro Dias (PSDB-PR), Serra abre o e-mail:
“Gonzalez considera o Indio da Costa uma boa alternativa”, comenta.
Naquela tarde, Indio é anunciado vice de Serra.
Descrita por um dos participantes da reunião, a cena dimensiona a influência de Gonzalez sobre o candidato.
Com sua indefectível camisa Lacoste, é consultado sobre tudo: da agenda à elaboração dos discursos.
Na campanha, controlará R$ 50 milhões. Essa concentração de poder -até geográfica- desperta tanto incômodo no mundo político que chegou a ser objeto de bombardeio em reunião promovida pelo ex-presidente FHC.
Excluídos, tucanos insistem para que Serra amplie o núcleo de decisões. Debitando a derrota de 2006 também na conta de Gonzalez, o acusam de centralizador.
Para amigos, uma fama tão injusta como é para Serra.
Numa clara resposta, Gonzalez convidou o publicitário Átila Francucci para direção de criação da campanha.
Mas, avesso à interferência na comunicação, é capaz de fugir do escritório se informado que uma missão política está a caminho.
Até para escapar do rótulo de conservador, renovou a estrutura da campanha. Mas é amparado numa equipe de 20 anos que busca organizar a rotina de Serra.
Dono de temperamento forte e raciocínio rápido, aproximou-se de Serra em 2004, na disputa contra Marta Suplicy. Em campanha, adapta o relógio biológico ao do notívago Serra.
Fora da temporada eleitoral, foge de exposição pública. Prefere pilotar sua moto até o litoral norte de São Paulo. Além da casa em Maresias, outro destino é Madri, onde aluga um flat. Em São Paulo, vive num apartamento de 700 metros quadrados.
Jornalista, com passagem pela TV Globo, estreou no marketing político na disputa presidencial de 1989, integrando a equipe de Ulisses Guimarães. Foi em 1994, com a eleição de Mário Covas, que chegou ao mundo tucano.
Sócio da produtora GW, já investiu numa empresa de busca pela internet. Quebrou. Com a fundação da Lua Branca -desde 2006 em nome dos filhos- experimentou seu maior salto.
Nascida em meio andar de um prédio, a agência é responsável por três contas do governo de São Paulo, com contratos que somam até R$ 156 milhões ao ano. Em 2008, registrou um lucro líquido de R$ 8,9 milhões.
Gonzalez evita aparições. Com humor mordaz, costuma minimizar o papel do marqueteiro em campanha. “Infelizmente, candidato não é sabonete.”
                    * * *
   De Ana Flor:
“11 de agosto de 2005. Horas depois de o marqueteiro do presidente Lula em 2002, Duda Mendonça, admitir à CPI dos Correios ter recebido dinheiro de caixa dois do PT em paraísos fiscais, o telefone do ex-sócio de Duda, João Santana, toca. O publicitário está no interior da Argentina, numa campanha local.
Do Brasil, o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, expõe o pedido do presidente para que Santana vá a Brasília. A suspeita de envolvimento de Lula no mensalão atingira seu auge.
24 de agosto. Santana entra no Palácio da Alvorada e encontra um Lula abatido. Na conversa, avaliam que o pronunciamento presidencial de dias antes fora um desastre. Santana o convence a fazer uma nova fala, desta vez em 7 de Setembro. Seria o primeiro texto sob a influência do novo marqueteiro.
Nas semanas seguintes, pesquisas nas quais Santana sempre calcou seu trabalho mostrariam que a saída da crise estava no apoio dos movimentos sociais. É o embrião do “Mexeu com Lula, mexeu comigo”.
A lealdade durante a maior crise de Lula, enquanto companheiros históricos de partido claudicavam, fez do baiano de 57 anos uma das pessoas mais próximas do presidente. Eles se falam quase todos os dias e jantam uma vez por semana.
Depois de fazer a campanha que reelegeu Lula, Santana recebeu do presidente a missão de pilotar um de seus maiores desafios: eleger ao Planalto sua pupila e novata nas urnas Dilma Rousseff.
A ligação de Santana com o PT é anterior à publicidade. Como jornalista da “Isto É”, em Brasília, no início dos anos 90, foi um dos autores da reportagem com o motorista Eriberto França, que ajudou na queda de Fernando Collor em 1992. Foi em sua casa, por exemplo, a reunião com congressistas do PT e de outros partidos de esquerda para sabatinar Eriberto. Ganhou o Prêmio Esso.
No início dos anos 2000, sócio de Duda, o publicitário se aproxima de Antônio Palocci numa campanha em Ribeirão Preto. Acaba como ponte entre Duda, tachado de malufista, e o PT. Às vésperas da campanha de Lula em 2002, os dois baianos romperam a sociedade.
Até ser chamado por Lula, em 2005, se dedica a campanhas na Argentina. Pelas mãos de Lula, fez a vitoriosa campanha de Maurício Funes em El Salvador.
Como Duda, Santana foi acusado de remeter dinheiro a paraísos fiscais e envolvido em denúncias de caixa dois de campanha. Diferentemente do ex-sócio, detesta holofotes e cultiva a discrição.
Não tem contas no governo Lula, mas a empresa da qual é sócio chegou a ser denunciada por privilégios nas contas de El Salvador.
Um dos momentos mais delicados dos trabalhos para o PT foi o comercial com perguntas de natureza pessoal sobre Gilberto Kassab (DEM) feito pela campanha de Marta Suplicy à prefeitura, em 2008 (“É casado? Tem filhos?”). Depois de perder a disputa, Santana tomou para si a responsabilidade.
Um de seus prazeres é compor jingles – vestígio dos anos 70, quando era conhecido como “Patinhas”, criou a banda Bendengó e compôs com Moraes Moreira.
Com Dilma, teve embates na campanha de 2006, mas, apesar do temperamento forte, aprenderam a conviver”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:37

Eleição custará mais de R$ 1 bi

Do repórter Ivan Iunes, do ‘Correio Braziliense’:
“As duas principais candidaturas presidenciais podem consumir, juntas, quase R$ 1 bilhão até outubro. A estimativa de tesoureiros e coordenadores é de que as eleições de 2010 sejam as mais vitaminadas da história brasileira. Somente os recursos destinados diretamente às campanhas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) somariam cerca de R$ 500 milhões. Outros R$ 500 milhões seriam repassados aos estados e ao DF para candidaturas majoritárias que garantam palanques aos dois principais postulantes ao Planalto. Para ter alguma chance de vitória, o patamar mínimo de gastos seria de, pelo menos, R$ 100 milhões, valor almejado pelo deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). ?Se você somar as candidaturas presidenciais e os apoios aos estados, dificilmente os dois partidos, juntos, gastarão menos de R$ 1 bilhão?, afirmou o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira.
Pela previsão dos partidos, a conta final de PSDB e PT nas eleições de outubro sairá, pelo menos, R$ 170 milhões mais cara do que a de 2006. Para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os petistas gastaram R$ 168 milhões. A candidatura do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin custou aos cofres tucanos R$ 161 milhões. Os outros candidatos, somados, apresentaram números mais tímidos, de R$ 2,6 milhões, sendo que apenas Cristovam Buarque foi responsável por R$ 1,7 milhão.
As maiores cifras previstas para outubro serão utilizadas em televisão. Dilma e Serra estudam utilizar cerca de R$ 50 milhões, cada um, para tentar convencer o eleitorado no horário eleitoral. A produção petista ficará a cargo de João Santana, o mesmo da reeleição de Lula, em 2006, e autor dos últimos vídeos publicitários da legenda. Os tucanos também investirão no mesmo marqueteiro utilizado por Alckmin em 2006, Luiz González. Somente com o aluguel de um jato particular, a estimativa de gastos é de até R$ 3,5 milhões por mês. Cada candidato terá, pelo menos, uma aeronave à disposição.
O dinheiro gasto nas duas campanhas também servirá para coordenar os trabalhos em comitês regionais(2). A campanha de Dilma terá um responsável por estado e no Distrito Federal, subordinados ao coordenador nacional. O comitê central ainda não foi definido, mas deve ser instalado em um prédio no Setor Comercial Sul, próximo à sede nacional do partido no DF. ?A campanha nos estados tem interação com a eleição para governador e as estruturas acabam se somando, mas teremos um coordenador político responsável por essa interação?, antecipou o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra.
A estrutura da campanha à Presidência dos tucanos terá oito coordenadores regionais distribuídos pelo país. Cada centro de comando ficará responsável, em média, por três estados. Maior colégio eleitoral do país, São Paulo terá escritório próprio, responsável por coordenar também as ações no Rio de Janeiro. O quartel-general será instalado no DF. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), admite que o orçamento será maior do que o utilizado em 2006, mas trabalha com um teto de até R$ 200 milhões. ?Nossa última campanha gastou cerca de R$ 80 milhões (fora os repasses do comitê nacional). Certamente passaremos de R$ 100 milhões nesta campanha, mas acredito que R$ 200 milhões seja um valor superestimado?, avaliou.
Os tesoureiros responsáveis por controlar o caixa de campanha até outubro ainda não foram definidos pelos dois partidos. Os tucanos trabalham com os ex-deputados federais fluminenses Ronaldo Cézar Coelho e Márcio Fortes. O cofre da candidatura petista ainda não tem dono definido. O atual tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, foi descartado pelo envolvimento recente em denúncias de gestão fraudulenta no período em que foi diretor da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop)”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:55

Dilma tentará atrair mulheres

Da repórter Alana Rizzo, no ‘Estado de Minas’:
“Pérolas e contas. Ministra e candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff é famosa pela habilidade com os números. Agora tenta mostrar intimidade também com o universo cor de rosa. Dilma insiste que pode ser mais feminina. Trocou os tons sóbrios pelas cores vivas. Personalizou discursos e reúne amigas seja em blogs ou em almoços. Ainda assim, não conseguiu se aproximar das mulheres. Última pesquisa divulgada, a CNI/Ibope, mostra que a chefe da Casa Civil está a 12 pontos percentuais de diferença de seu adversário nas urnas, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), no conjunto das eleitoras. Ele tem 37% das intenções de voto feminino, contra 25% de Dilma. Integrantes da campanha da ministra articulam para os próximos meses ações para agradar as brasileiras e tirar, de uma vez por todas, a imagem de durona da ministra.
Mulheres olham a biografia de um candidato, diz o coordenador da campanha de Michelle Bachelet à Presidência do Chile, Ricardo Solari. Médica, a presidente ocupou os cargos de ministra da Saúde e da Defesa no governo do ex-presidente Ricardo Lagos. Assim como a ministra Dilma, lutou contra a ditadura militar em seu país. A chilena foi exilada. Quando retornou, participou de uma organização não governamental para ajudar os filhos do regime militar. Ela transmite a imagem de uma política preocupada com os mais pobres e necessitados, explica Solari.
Dilma é economista. Foi secretária municipal da Fazenda em Porto Alegre, secretária estadual de Minas e Energia e em 2002 foi indicada para o cargo de ministra de Minas e Energia. Com a crise do mensalão e a saída de José Dirceu da Casa Civil, assumiu o posto. É conhecida pelo temperamento forte. Chegou a dizer que era a única durona no meio de homens fofos, em referência aos colegas de governo.
Mantém a defesa das mulheres, mas ultimamente evita o tom feminista. Vamos ter um Brasil formado por homens e mulheres livres, homens e mulheres cidadãs igualmente responsáveis para construir não apenas um país, mas uma civilização brasileira. Para isso, as mulheres são imprescindíveis, disse durante evento em comemoração ao Dia Internacional das Mulheres. Na data, Dilma tentou se aliar às mães trabalhadoras, destacando feitos do governo. Com mais créditos que demos por este país afora, com menos juros e impostos menores, cada vez mais mulheres puderam comprar lava-roupas, micro-ondas, aspirador de pó e conquistar tempo livre, tempo para terem suas atividades como cidadãs e como seres humanos plenos.
Solari afirma que nem só de “Margaret Tatchers” sobrevivem as mulheres na política. Para ele, a “alma feminina” é fundamental. João Santana, marqueteiro de Dilma, sabe disso e vem preparando a ministra para deixar florescer o seu lado maternal. Fotos com crianças, entrevistas sobre sua vida pessoal e a expectativa de ser avó fazem parte da estratégia.
Na política, as mulheres têm dois desafios. Primeiro, fazer o eleitor identificar nela a capacidade para o cargo e depois, enfrentar as questões típicas do gênero, diz o coordenador da campanha de Bachelet, comemorando o fato de o Brasil ter hoje duas candidatas ao cargo mais importante. Além de Dilma, a senadora Marina Silva (PV-AC) também é candidata à Presidência. Tradicionalmente, as mulheres candidatas herdaram votos de homens, principalmente os maridos. Na América Latina, 10 mulheres já ocuparam o cargo de presidenta. Sete delas foram eleitas, sendo que cinco contaram com o apoio dos padrinhos. Três ocuparam a presidência interinamente.
Em seus discursos, Dilma garante que o Brasil está preparado para ter uma mulher presidente. “E as mulheres, em geral, também estão preparadas para isso”. A ministra sabe o desafio que tem pela frente. Assim como ela, as eleitoras são exigentes. A pesquisa CNI/Ibope revelou que em todas as áreas analisadas deste governo: taxa de juros, combate ao desemprego, segurança pública, combate à inflação, fome e pobreza, impostos, meio ambiente, saúde e educação, o índice de reprovação das mulheres foi maior”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:49

“Lula é Lula, Dilma é Dilma”

Do repórter Fabio Fabrini, em ‘O Globo’:
“Ex-guerrilheiro que militou com Dilma Rousseff contra a ditadura militar e tem com ela uma ligação de 42 anos, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) afirma que terá papel de destaque na coordenação da campanha da ministra à Presidência, mesmo que seja candidato ao governo de Minas Gerais.
Ele vincula sua candidatura ao Palácio da Liberdade a uma decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
E, a despeito disso, já trabalha na construção da candidata à Presidência que se apresentará ao eleitor. Para o petista, a Dilma que emergirá nas eleições presidenciais, a partir de julho (início oficial da campanha), deve ser como ela é, sem tentar esconder a fama de durona nem reproduzir a linguagem do presidente e sua forma de cativar o público.
? Isso de fazê-la parecida com Lula é ilusão. Ela não é operária, não passou fome e não nasceu no Nordeste. Nunca vai ser igual. Se for assim, vai soar falso ? avalia Pimentel, que tem se reunido semanalmente com Dilma e integra o ?estado-maior? da campanha governista.
Assim é chamada a comissão provisória que traça a estratégia eleitoral. Além dele, participam do núcleo o ex-ministro Antônio Palocci; o chefe do Gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho; o presidente do PT, Ricardo Berzoini; e os ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Franklin Martins (Comunicação Social).
Desempenho de Dilma foi testado por eleitores Com o marqueteiro João Santana ? que fez a campanha de Lula em 2006 e cuidará da imagem da candidata ?, Dilma tem treinado a postura e o discurso.
Na visão de Pimentel, as origens e o temperamento da ministra não serão problema: o que falta é escolher temas mais populares para tratar publicamente, deixando de lado o tom técnico.
Foi ideia dele testar o desempenho de Dilma com eleitores, ainda em 2008. Um conjunto de entrevistas a programas de TV, dos tempos em que a ministra ainda não era pré-candidata, foi mostrado a 18 grupos país afora.
Em 12 minutos, a chefe da Casa Civil apresenta-se a seu modo: não só diz ser mineira de classe média, mas de classe média alta; explica que o pai era búlgaro; e acrescenta que foi educada nos melhores colégios de BH.
? Nada ajudava, mas o resultado foi positivo. Passou uma ideia de mulher verdadeira, de um político que não se faz de coitado para conseguir voto ? diz Pimentel.
Nas reuniões, fala-se da agenda e dos temas a serem trabalhados na précampanha.
O ex-prefeito diz que a ministra é boa estrategista.
Segundo ele, veio de Dilma a sugestão de explorar a entrevista do presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, que disse que os tucanos acabariam com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e mudariam a política econômica. A reação de Dilma às críticas de Guerra detonaram uma crise entre os partidos esta semana.
? Aquilo foi uma bola bem colocada para chutarmos.
Em 1968, ano da publicação do Ato Institucional no5, Pimentel era um secundarista engajado no movimento estudantil quando conheceu Dilma. Estudava no Colégio Estadual Central, reduto de subversão à ditadura, por onde ela passara antes de iniciar o curso de economia na UFMG.
Eles militavam no Comando de Libertação Nacional (Colina), organização que aderira à luta armada.
O ex-ministro Nilmário Miranda (Direitos Humanos) se lembra da ascendência da ministra sobre os demais estudantes.
Com pouco mais 15 anos, ela era referência da Política Operária (Polop) no Estadual Central. Pimentel conviveu com ela mais tarde, já no Colina. Dilma estava casada com o primeiro marido, Cláudio Galeno Linhares, que viraria amigo do ex-prefeito e, décadas depois, seu assessor na Prefeitura de BH. O apartamento do casal era aberto a reuniões com militantes.
? Durante muito tempo, Dilma foi o contato de minha célula estudantil com a cúpula da organização.
Frequentei muito a casa dela e também a da mãe. O ambiente era de crescimento cultural, trocávamos livros e discutíamos ? diz Pimentel, acrescentando que Dilma se destacava pela capacidade intelectual e de liderança: ? Há 40 anos, o espaço da mulher era muito menor e ela já era chefe de uma organização.
Ela tinha uma capacidade de análise invulgar.
Aliança do PT com Aécio, em 2008, é criticada Com o desmantelamento do Colina pela repressão, Dilma e Pimentel fugiram para o Rio, no início de 1969. Em seguida, ele partiu para o Rio Grande do Sul, já na VPR, e ela, para São Paulo, na VAR-Palmares. Ambos foram presos no ano seguinte. Em 1972, a ministra foi solta. Proibida de continuar o curso na UFMG pelo Decreto 477, mudouse para o Rio Grande do Sul. O ex-prefeito foi solto no ano seguinte, cursou economia e cuidou dos negócios da família. Os dois se reencontraram em 2002, na coordenação da campanha de Lula à Presidência.
Libertado sob condicional, Pimentel manteve militância discreta até 1978. No início dos anos 80, fundou o PT em Minas.
? Em BH, fui fiador do aluguel da primeira sede do partido.
Até se candidatar a vice-prefeito da capital na chapa de Célio de Castro, em 2000, deu aulas na UFMG e foi secretário municipal de Fazenda. Assumiu a prefeitura dois anos depois, quando Célio (morto em 2008) adoeceu. Em 2004, reelegeu-se.
Apesar da militância histórica e da proximidade com Dilma, o ex-prefeito tem relação conflituosa com setores petistas e da base aliada. É apontado como um dos articuladores do chamado ?Lulécio? em 2006, estratégia para que os mineiros votassem em Lula para presidente e Aécio Neves para governador.
Em 2008, a aliança com Aécio para eleger Marcio Lacerda (PSB) prefeito de BH estremeceu mais a relação com parte da militância.
O acordo favoreceu o racha no PT, que hoje se divide entre as pré-candidaturas de Pimentel e do ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social).
? A composição política feita pelo Pimentel só dividiu o partido. Em nível nacional, o PSDB é oposição ao PT. Aliança com os tucanos não soma ? critica a prefeita de Betim, Maria do Carmo Lara”.

  • Quinta-feira, 06 Maio 2010 / 3:59

Marqueteiro de Dilma perde poder

 Da repórter Ana Flor, da ‘Folha’:
“Um novo arranjo na estratégia de comunicação da pré-campanha de Dilma Rousseff à Presidência, no qual o marqueteiro João Santana teve sua área de atuação limitada aos programas de TV do partido e do horário eleitoral, causou desconforto no bunker petista.
Há menos de um mês, o deputado estadual Rui Falcão (PT-SP), jornalista, assumiu a coordenação geral da área de comunicação, trazendo para a campanha novos profissionais.
Falcão passou a atuar na estratégia de imprensa. Ele coordena o planejamento de entrevistas da candidata em viagens e em Brasília e despacha diariamente com a coordenadora de imprensa, Helena Chagas.
A entrada do deputado, amigo de Dilma há décadas, representou, na prática, uma divisão de poder na comunicação.
Como marqueteiro, Santana sempre foi uma espécie de coordenador geral de comunicação, apesar de ser oficialmente responsável pelo marketing.
Sua influência, em geral, vai muito além da TV, com o poder de moldar o discurso, na estratégia política e nos modos dos candidatos que assessora, modificando desde a forma de vestir e vocabulário, até o tipo de público para o qual deve falar.
A voz corrente na campanha, entretanto, é que Santana não deixará o posto, mesmo desgostoso com a nova organização. Ele não apenas é o preferido de Lula, mas também tem relação próxima com Dilma.
Em 2006, quando foi o marqueteiro da reeleição de Lula, a então ministra foi responsável por uma das coordenações da campanha. Ali, ambos estreitaram o relacionamento.
Há aqueles que acreditam que, com o início do horário eleitoral, a influência do marqueteiro voltará a crescer. Além da importância dos programas, Santana sabe utilizar de maneira hábil as pesquisas qualitativas que realiza.
João Santana e Rui Falcão atuaram juntos na campanha de Marta Suplicy (PT) à Prefeitura de São Paulo, em 2008, quando ela perdeu para Gilberto Kassab (DEM).
A campanha enfrentou uma crise na reta final, por causa de um comercial de televisão com perguntas de natureza pessoal sobre Kassab.
Na época, Santana assumiu responsabilidade pela peça e disse que a candidata não tinha conhecimento do teor.
Hoje, os dois fazem parte do grupo de cardeais de Dilma, que se reúne às terças-feiras em Brasília para definir estratégias de campanha.
Os coordenadores são o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e pelo deputado Antonio Palocci (PT-SP), e inclui o presidente do PT, José Eduardo Dutra e os deputados José Eduardo Cardozo (PT-SP) e Cândido Vaccarezza (PT-SP).
Na nova estratégia de imprensa, a campanha já ganhou um escritório em São Paulo, para dar apoio a agendas de Dilma no Estado, e está ampliando a estrutura em Brasília.
Na pré-campanha, a equipe usa três casas no Lago Sul, em Brasília. Além da imprensa, há profissionais que fazem programas de rádio e cuidam da manutenção do blog atual da candidata. A internet está a cargo da empresa Pepper”.

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