• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 4:01

Jarbas e Campos dividem TV

Em Pernambuco, a reeleição do governador Eduardo Campos, do PSB, parece barbada.
Além da máquina administrativa, ele tem a seu favor o apoio do Presidente Lula e mais um governo bem avaliado.
O curioso é que seu adversário Jarbas Vasconcellos terá o mesmo tempo de TV, segundo projeções baseadas nas bancadas que cada partido tem no Congresso.
Campos teria 7 minutos e 53 segundos, cabendo a Jarbas 7 minutos e 42 segundos.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:43

Campos atrai oposição em PE

Do repórter Murillo Camarotto, do ‘Valor Econômico’:
“O governo é como a luz: sempre atrai as mariposas”. De autoria desconhecida, o clichê foi a solução encontrada pelo presidente nacional do PPS, Roberto Freire, para avaliar a difícil situação por que passa a oposição em Pernambuco, da qual faz parte. Outra frase feita, esta atribuída ao deputado federal Inocêncio Oliveira (PR-PE), também se mostra pertinente na mesma trama: “Terno branco, sapato de duas cores e oposição só é bonito nos outros”.
Composta por PSDB, DEM, PMDB e PPS, a oposição ao governador Eduardo Campos (PSB) vive hoje uma situação delicada, segundo admitem seus próprios caciques. Além da altíssima popularidade de Lula, grande aliado de Campos, os oposicionistas estão tendo que lidar com uma verdadeira sangria em sua base de sustentação, especialmente nos municípios do interior.
Com os investimentos estaduais chegando às suas cidades, prefeitos do PSDB vêm declarando abertamente que irão apoiar a reeleição de Campos, em detrimento da orientação do partido. O mesmo vinha ocorrendo com prefeitos do DEM que, após serem advertidos, deixaram de se manifestar publicamente, porém não mudaram de opinião quanto ao apoio ao governador.
Líder da oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco, a deputada estadual Terezinha Nunes (PSDB) acusa o governo de trocar obras por apoio político e com isso passar o rolo compressor na Casa. O governo, por sua vez, nega a relação entre os investimentos e as adesões dos prefeitos rivais, mas admite, nos bastidores, que tem mantido conversas com o objetivo de atrair esses apoios.
O prefeito de Carpina, a 56 quilômetros do Recife, Manoel Botafogo (PSDB), conta que foi convidado por Campos para uma conversa no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo pernambucano, em setembro do ano passado. Durante o encontro, o governador teria pedido apoio à sua reeleição, apesar de saber que Botafogo também estará no palanque do pré-candidato tucano à Presidência, José Serra. “Ele pediu apoio para ele e pra mais ninguém”, conta o prefeito.
Apesar da conversa, o prefeito diz que o grande motivo para o apoio declarado é o volume de investimentos do governo estadual no município, que passam dos R$ 6 milhões. Os principais projetos são uma escola técnica e um ginásio poliesportivo, além da pavimentação de ruas. “O governador é um grande parceiro da Prefeitura”, avalia Botafogo.
Na vizinha Lagoa do Carro, a prefeita Judite Botafogo (PSDB) – irmã de Manoel Botafogo – conta história semelhante. Os projetos de abastecimento de água, construção de casas populares e recapeamento do calçadão da cidade foram determinantes para a definição do apoio. A prefeita diz que também foi convidada a visitar o governador, porém o encontro acabou não ocorrendo e a conversa sobre o apoio à reeleição se deu “por telefone mesmo”.
Assim como ocorreu com o irmão, o pedido se limitou à reeleição de Campos. “Colocamos, de imediato, que não poderíamos deixar esse apoio se estender para outras esferas (eleições para deputados, senador e presidente)”, contou a prefeita.
Segundo fontes do governo, pelo menos 20 prefeitos da oposição já se comprometeram a pedir votos para Campos, apesar de apenas 13 terem sido revelados. Entre os dissidentes também há prefeitos do próprio PMDB, partido do provável adversário de Campos nas eleições, o senador Jarbas Vasconcelos. Caso conte mesmo com 20 prefeitos da oposição, Eduardo Campos terá ao seu lado cerca de 146 prefeitos, de um total de 184 em Pernambuco.
Apesar de comemorarem o feito, os palacianos tratam do tema com bastante cautela, receosos em passar a pecha de oportunista à estratégia de atração de apoios.
Os investimentos realizados nos municípios acabam, inevitavelmente, sendo os grandes responsáveis pela atração de apoio, em detrimento de convicções partidárias já pouco consistentes. “O político vive de obra em sua cidade. O partido é importante, mas não resolve”, explica um prefeito do DEM, que prefere não ter seu nome publicado. “É impossível fazer oposição a um governo que fez tanto pelo município”, completa.
Na mesma linha segue o prefeito de Limoeiro, cidade a 80 quilômetros do Recife, Ricardo Teobaldo (PSDB). Após mencionar as obras realizadas na cidade, com destaque para o asfaltamento de ruas, ele não titubeia em dizer que estará no palanque de Campos, apesar de se dizer fiel ao senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB. “Voto com Sérgio em tudo”, disse o prefeito, que também pedirá votos para Serra.
Além dos prefeitos dissidentes, o PSDB de Pernambuco convive também com deputados estaduais na contramão, casos de Carlos Santana e Emanuel Bringel. Advertidos pelo partido, os dois preferiram não falar mais sobre o assunto.
“No caso dos prefeitos, não tem jeito, a gente vai tentar convencê-los a mudar de lado. Mas os deputados, esses sim, ficarão sem legenda para as eleições caso se posicionem contra o partido. Não vamos permitir transgressão”, alertou a líder Terezinha Nunes.
Segundo Sérgio Guerra, uma das esperanças da oposição é de que o lançamento oficial da candidatura de Jarbas, que deve ser definida até o final deste mês, possa representar uma reviravolta no comportamento dos prefeitos dissidentes.
Dos quatro prefeitos tucanos que falaram com o Valor, todos fazem juras de fidelidade a Guerra, que já foi do PSB, partido do governador. No entanto, solicitado a explicar os motivos da debandada dos correligionários, o senador, que mantém boa relação com Campos, foi seco: “Não sou coronel”.
Jarbas Vasconcelos é a única esperança da oposição, que não dispõe de outros nomes de peso dispostos a enfrentar Campos e seu “rolo compressor”. Duas vezes governador e bastante popular na Região Metropolitana do Recife, Jarbas é tido como o único capaz de conter uma vitória folgada do governo, evitando que, além do Palácio, Campos faça também os dois senadores e uma grande bancada na Câmara e na Assembleia.
Maior prejudicado pela debandada, o próprio Jarbas chegou a admitir publicamente o desmonte da oposição no Estado, fazendo, inclusive, mea-culpa sobre a situação. Segundo ele, a atividade no Senado não permitiu um maior cuidado com a rede de apoios em Pernambuco. Apesar disso, seus aliados acreditam que a falta de apoio das prefeituras não fará grande diferença nas urnas. Um desses aliados é Roberto Freire, afastado da política pernambucana já há alguns anos. Ele também se diz confiante em uma virada da oposição e, mais uma vez, parafraseou: “Ninguém ganha eleição de véspera”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:25

Memórias de Jarbas na briga com Arraes

Da repórter Cecília Ramos, do ‘Jornal do Commércio’, do Recife:
“Amigos brigam. Amizades terminam. Mas quando os personagens são dois importantes nomes da política de Pernambuco e do Brasil a história começa a ficar mais interessante. Os ex-governadores Miguel Arraes (PSB) e Jarbas Vasconcelos (PMDB) passaram de aliados a inimigos ferrenhos sem sequer terem o direito à última briga presencial e definitiva, de troca de insultos, acusações. Nada. E por essas curiosidades da vida, o motivo teria sido o governador Eduardo Campos (PSB), neto de Arraes. Jarbas, em meio a definições do seu futuro político próximo, que inclusive tem Eduardo, de novo, no destino, contou sua versão para um dos rompimentos políticos mais emblemáticos do Estado.
A versão, diga-se, casa com o que o JC já ouviu também pelo outro lado. Os detalhes (que, sim, fazem a diferença) sofrem variações. Mas sobre o mesmo tema: o motivo era pôr ou não Eduardo, então jovem deputado estadual, na chapa de Jarbas a prefeito. Óbvio que anterior a essa celeuma, houve desgaste de lado a lado. Era uma segunda-feira de setembro de 1992, 17h, quando Dudu foi à minha casa, no Rosarinho. Ele usava uns ternos claros, lembro como se fosse hoje. Tirou e colocou na cadeira. Ai disse que Doutor Arraes e Luciano Siqueira (hoje vereador), que comandava o PCdoB, queriam ele (Eduardo) como vice-prefeito (na chapa de Jarbas). E que não era ele, Dudu, que queria, mas que precisava ouvir minha opinião.
Ai eu disse a ele que Doutor Arraes ia ser candidato em 94, e assim foi. E que naquele momento, eu me apresentando como candidato a prefeito do Recife e Dudu como vice, pareceria que ele estava de conchavo. Eu estava botando um neto de Arraes para ser meu vice para eu ficar amarrado e não poder concorrer com Arraes ao governo em 94. E Dudu balançava a cabeça, concordando com todas minhas ponderações. E eu disse: Dudu, você é novo. Está com uma bela atuação na Assembleia, vai dar saltos mais altos… E outra coisa, Arraes tem dificuldade (de voto) no Recife. Não ganhava. Como eu ia justificar eu agarrado com o neto dele? E Dudu concordou. Só que eu soube que depois que ele saiu lá de casa e seguiu para a casa do avô, em Casa Forte, e disse que eu vetei ele. Pronto. Foi a desgraceira. Dali em diante não falei mais com Dudu. E a relação com Arraes ficou péssima de 92 até ele falecer em 2005.
A reflexão que Jarbas fez do episódio é o de que não sente orgulho disso. Foi muito ruim, guardo lembranças surreais, como quando eu ganhei para Arraes no governo e ele não foi transmitir o cargo e não botou ninguém, ficou lá o Palácio abandonado. Ou quando ele não me cumprimentava. Ora, eu, prefeito, e ele governador (1985), a gente almoçava no Palácio toda quinta. Ele mandava fazer um cabrito para mim. Doutor Arraes tinha muita sensibilidade.
Jarbas, então deputado federal, conta que viajou até Paris em 1977, para conhecer Arraes, a convite do próprio, que estava exilado na Argélia. A partir daí, começou a relação de admiração mútua, porém conflituosa. Jarbas organizou o comício que marcou o retorno de Arraes do exílio, em 1979. Duas coisas me marcaram em Arraes, antes de eu conhecê-lo pessoalmente: o que o governo dele fez na Zona da Mata, de cumprir a lei federal para pagar salário ao trabalhador rural, e a saída de Arraes do Palácio, preso em abril de 1964. Arraes caiu com extraordinária dignidade. Muitos ali teriam intransigido.
Jarbas diz que Arraes sempre teve um pé atrás com ele. Arraes dava uma dimensão muito grande essa coisa de espaço político. Eduardo herdou. Jarbas disse ter convivido muito pouco com Eduardo. Quantos anos Dudu tem?. Informado que era 44, fez as contas. Jarbas tem 67 e ambos aniversariam em agosto. São 23 anos de diferença entre ele e eu. E de mim para Arraes, 27 anos, mas éramos de outra geração. Os caminhos de Jarbas e Eduardo, porém, sempre se cruzaram. Na gestão Jarbas na prefeitura, em 1985, o hoje governador foi oficial de gabinete do então secretário de Governo, Fernando Correia (conselheiro do TCE). Eu vim conhecer Dudu, quem ele era mesmo, em 92 (ano da briga).
Por conta desse histórico, há implícito que a disputa de outubro pode ser um acerto de contas, caso Jarbas seja o candidato. A chance de Eduardo dar um troco à campanha ao governo em 1998. Eu ganhei para Arraes com 1 milhão e 80 mil votos de diferença. Tive no Recife 400 mil votos e Arraes 80 mil. E ganhei no interior por 200 e poucos mil votos. Foi uma campanha bonita, relembra Jarbas, com a votação de cor. Indagado se acha, então, que esta eleição pode ter gosto de revanche, Jarbas fez um silêncio, mas depois disse: Não sei. E o que Dudu acha disso eu também não sei. Não me importa”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:25

Jarbas: angustia e indefinição

Da repórter Cecília Ramos, para o ‘Jornal do Commércio’, do Recife:
“Era uma terça-feira à tarde, quando a reportagem do JC chegou ao gabinete do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), no Congresso, sem avisar. Informado pela secretária, atendeu de pronto. Estava sozinho, lendo uns papéis sobre a mesa. Era o clipping feito por sua assessoria com notícias sobre ele e outras que o interessam. A primeira página estampava uma matéria com uma foto do senador ao lado da do governador Eduardo Campos (PSB). ?Repare só… Olha quem está aqui??, disse, apontando para a foto-montagem e soltando um sorriso. Conversa vai e conversa vem sobre o cenário político, ele topou conceder uma entrevista que começou naquele dia, tomou a tarde seguinte e o pedaço de uma manhã.
Em pleno almoço-entrevista, já na quarta, em um restaurante de Brasília, Jarbas pediu: ?Posso fazer uma confissão boba? Todo mundo sabe que eu sou amante de futebol. Mas você sabia que eu, duas vezes prefeito, duas vezes governador, nunca fui para uma copa do mundo por conta de eleição?? E contou nos dedos que perdeu a da Alemanha, Espanha, França… E este ano, a Copa na África do Sul? Respondeu com os ombros indicando não saber. ?Este mês é decisivo para mim.? E falou que gostaria de cuidar mais da sua vida, parar de fumar, viajar mais. Depois, retomou o assunto político. Se empolgava ao falar, ano por ano, desde 1970, de todas as suas vitórias e derrotas. ?Em 2002 eu já não queria disputar o governo?, pontuou.
Jarbas está a poucos dias de decidir ser ou não candidato ao governo. Estava disposto a falar. Contou sobre como está sua cabeça, hoje. Fez mea culpa sobre a ?oposição desarticulada? em Pernambuco, ao mesmo tempo que mostrou porque é uma liderança no grupo. Sem amarras e até de forma saudosa, falou (e muito) da sua relação de admiração e disputas com o ex-governador Miguel Arraes (falecido em agosto de 2005) e com o neto do mito, o governador Eduardo Campos (PSB), a quem Jarbas deve enfrentar em outubro, se for candidato. Eles não se falam, como aliados, desde a noite de uma segunda-feira de setembro de 1992. Foi o ano do rompimento de Jarbas com o grupo de Arraes e o pivô teria sido Eduardo. Ou melhor, ?Dudu? ? como Jarbas chamou o adversário em boa parte da entrevista. ?Não me orgulho disso (da briga) e nem acho um negócio arretado. Foi ruim.?
Memória política à parte, o senador teceu comentários fortes sobre o governo Eduardo. Mas o foco do senador, ao menos por hora, pareceu cravar, desde já, um discurso que justifique sua candidatura ao governo do Estado. Jarbas está indo para o sacrifício, pois, além de não ter o desejo de disputar, a oposição vive uma adversidade brutal, fora do poder nos três níveis e sem organização. Eduardo é considerado favorito e tem o presidente Lula como cabo eleitoral. O que resta? Tentar convencer o presidenciável do PSDB, José Serra, principal interessado no projeto Jarbas, a declinar da ideia de empurrar o senador para o pleito. O senador poderia ser mais útil fora da eleição de Pernambuco. Ele é a voz da oposição a Lula em um Estado onde o petista é rei. E se isso não colar, a oposição vai defender a candidatura de Jarbas como um projeto nacional para ajudar o presidenciável que ela julga ser o melhor para o País.
?Este é um mês de definição para mim, de expectativa, de angustia?, desabafou”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:38

Jarbas: prazo de Serra acabou

“Um dos poucos integrantes do PMDB que resistiram a aderir ao governo Lula, o senador Jarbas Vasconcelos (PE), aliado de primeira hora do PSDB e do governador José Serra, está preocupado e desesperançado com o futuro da oposição, caso persista a demora do grupo para anunciar que o tucano paulista é o adversário da petista Dilma Rousseff na eleição presidencial. ?O prazo acabou. Estamos sendo atropelados pelos fatos. O crescimento de Dilma surpreendeu a eles e a nós. Essa é a verdade. Não faz mal dizer que estamos debilitados e desarticulados?, disse Jarbas ao ‘Globo’, na quarta-feira, em entrevista a Maria Lima e Gerson Camarotti, poucas horas depois de Serra passar por Brasília e não fazer o esperado gesto de anunciar sua candidatura. O senador diz que o PSDB devia estar com seu candidato na rua. E vê outro problema na estratégia da oposição: vincular uma eventual vitória de Serra à dobradinha com o tucano Aécio Neves. ?Se Aécio recusa, ficará a impressão de que Serra só ganha se for com Aécio. Mas os fatos mudaram, e Aécio poderia mudar também?, diz.
- Há uma ansiedade generalizada na oposição.Qual o prazo para Serra se declarar candidato?
- O prazo de Serra acabou. Estamos sendo atropelados pelos fatos. O crescimento de Dilma surpreendeu a eles e a nós. É a verdade, não faz mal dizer que estamos debilitados e desarticulados.Isso não são fatores que irão incapacitar uma vitória daqui a sete meses. Havia uma inércia que se justificava até o final do ano. Mas se Dilma teve esse crescimento, é preciso repensar. Ela cresceu mais do que a gente esperava. Se Lula e os dirigentes nacionais do PT se surpreenderam, por que a gente não pode se surpreender? E quem se surpreende tem que tomar uma ação.
- A dubiedade de Serra para o público pode atrapalhar?
- A persistir, sim. Estamos em março e já tivemos dano por causa das indefinições, que não posso mensurar. Se ele resolvesse isso ontem (quartafeira passada) seria importante para montar palanques pelo país. Ele tem que resolver neste fim de semana, chamar pessoas não só de São Paulo. A gente está com dois problemas: primeiro a demora, e segundo, um erro estratégico de vincular uma vitória de Serra a uma candidatura do governador de Minas (Aécio Neves) como vice. Ele tem negado essa hipótese reiteradamente.Então, se ele não for vice, fica parecendo que a chapa estará debilitada.Em política, é um erro jogar tudo em cima de uma pessoa.Fica parecendo que só se ganha se for com Aécio.Isso pode ser uma debilidade a mais.
- Essa resistência do Aécio é legítima ou atrapalha?
- Acho Aécio um grande homem público, que tem liderança consolidada, governa o segundo maior colégio eleitoral do país. Respeito suas opções de querer ser candidato ao Senado.
Só que os fatos mudaram. Se os fatos mudaram, ele poderia mudar! É jovem, tem 50 anos, poderia deixar esse projeto de lado e judar. Seria um gesto de muita sabedoria e muito alcance político de um líder, que ele é.
- Mas como reverter isso?
- Aécio poderia chegar e dizer: ?Disse que Minas não iria tolerar ser vice, optei por ser candidato ao Senado, mas os fatos mudaram, e mesmo tendo dito a companheiros que não queria ser vice, volto atrás pelo meu país?. Seria um gesto de líder. Ele não deixaria de ser líder por voltar atrás. Isso o consolidaria como verdadeiro líder. Com 50 anos, ele pode não só ser senador no futuro, mas presidente do Brasil. Esta é a hora de ele fazer um gesto pelo Brasil. A gente está ameaçado.
- O que é uma ameaça?
- Lula é Lula, e Dilma é Dilma. Lula não se dobra, Lula dobra o PT. O PT vai dobrar Dilma. Qual a história que ela tem dentro do PT? O PT não colocou Lula no canto da parede porque Lula é Lula. E Dilma é Dilma com sua insignificância.
- Lula se responsabilizará por Dilma na Presidência?
- Vou dizer uma coisa dura: considero irresponsabilidade, insanidade de Lula isso que ele está fazendo com o país com a apresentação de Dilma. Usar sua força, seu prestígio, sua capacidade de comunicação para entregar o país a uma pessoa que não tem experiência política, eleitoral, administrativa.
Lula vai ficar como um irresponsável perante a História se ela lograr êxito, ganhar a eleição e governar.
- Porque nunca foi testada?
- Vai ser uma incógnita, uma interrogação. O que acontecerá ao Brasil se Dilma ganhar? Uma coisa é Lula meter os pés, dar coices em cima do PT, relevar o PT. Dilma vai fazer isso? Qual a sua experiência com esses movimentos sociais? Era uma mulher que gritava, grosseira, mas grande parte da grosseria dela, da sua má educação, é para esconder suas deficiências.  Assumiu a fama de durona para esconder suas debilidades, que não são poucas.Na oposição, com a demora na definição, há um movimento para desestabilizar a candidatura Serra, lançar alternativa… É compreensível! Não dá é para demorar mais. Sei que há focos de resistência que eram uma, duas pessoas, e hoje são mais, está crescendo. Serra não é nenhum bobo. Ao contrário, está percebendo e vai resolver.E não só a candidatura dele, mas os palanques estaduais.
- O senhor seria candidato ao governo de Pernambuco?
- Sempre admiti ir para o front em Pernambuco, ser candidato. Mas não posso ser candidato apenas por uma questão provinciana. Teria que voltar a ser dentro de um projeto nacional em que acredito. Temos sete meses à frente, mas Serra não pode esperar mais. Este não é mais um problema só dele. É problema dos estados.
- Está na hora de juntar a tropa e dar ordem de comando?
- Sim. E a ordem tem que ser de Serra.  A possibilidade de desistir é zero. Jamais Serra abandonaria o barco.
- No fim do ano passado, o senhor defendia que Serra podia ter mais tempo…
- Serra estava surgindo com 40%. Aí entrou 2010, aconteceram problemas que independeram de Serra, do PSDB, as enchentes de São Paulo. O mensalão do DEM estourou no fim do ano e se agrava com a prisão do governador. Há um conjunto de fatos negativos. Serra deveria ter se definido em janeiro.
- Por que janeiro?
- Primeiro porque reanima.Dilma tem candidatura consolidada. Deveria ter um comitê que não fosse só de pessoas de São Paulo, mas de pessoas que possam ver os palanques nos estados. Ficamos sem saber que rumo tomar. Lula em plena campanha eleitoral, com a omissão da Justiça Eleitoral. Lula acha que pode tudo, que está acima do bem e do mal, até de Deus. Acha que nada pega nele.
- E a oposição continua sem candidato…
- Vou fazer essa leitura compreensiva: nós não temos candidato. Temos é uma candidata da base permanentemente acompanhando Lula em todo tipo de inauguração, lançamento de pedra fundamental, inauguração de obra pela metade.
- Serra está sendo purista?
- Entramos em março, e Serra está com excesso de cuidado, de prurido ao não se lançar. Do outro lado, há um governo que quer ganhar de qualquer jeito. O que Lula está fazendo não tem limites.
- O que a oposição vai fazer?
- A gente tem que enfrentar mesmo com debilidades.A oposição está debilitada? Está. Está desarticulada? Está. Isso é de hoje? Estamos desarticulados há alguns anos.Nessa legislatura tivemos zero de articulação na Câmara e no Senado.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:11

Lula: Dilma terá dois mandatos

O presidente Lula disse em entrevista exclusiva ao ‘Estadão’ que não escolheu Dilma Rouseff como candidata à Presidente, pensando já em voltar ao poder em  2014:?Ninguém aceita ser vaca de presépio e muito menos eu iria escolher uma pessoa para ser vaca de presépio.Todo político que tentou eleger alguém manipulado quebrou a cara.? Na entrevista aos repórteres Vera Rosa, Tânia Monteiro, Rui Nogueira, João Bosco Rabello e Ricardo Gandour, Lula disse que uma eventual gestão Dilma, não será mais à esquerda do que o seu governo, mas afirmou que as diretrizes do programa petista podem ser mais ?progressistas?: ?O partido, muitas vezes, defende princípios e coisas que o governo não pode defender?.
Veja a entrevista de Lula:
- Na entrevista ao ‘Estado’, em agosto de 2007, perguntamos se o sr. já pensava em lançar uma mulher como candidata à sua sucessão. Sua resposta foi: “No momento em que eu disser isso, uma flecha estará apontada para esse nome, seja ele qual for.” Naquela época, o sr. já tinha decidido que seria a ministra Dilma? Quando o sr. decidiu?
- Quando aconteceram todos os problemas que levaram o companheiro José Dirceu a sair do governo, eu não tinha dúvida de que a Dilma tinha o perfil para assumir a Casa Civil e ajudar a governar o País. Na Casa Civil ela se transformou na grande coordenadora das políticas do governo. Foi quase uma coisa natural a indicação da Dilma. A dedicação, a capacidade de trabalho e de aprender com facilidade as coisas foram me convencendo que estava nascendo ali mais do que uma simples tecnocrata. Estava nascendo ali uma pessoa com potencial político extraordinário, até porque a vida dela foi uma vida política importante.
- Mas a escolha da ministra só ocorreu porque houve um “vazio” no PT, como disse o ex-ministro Tarso Genro, com os principais candidatos à sua cadeira dizimados pela crise do mensalão, não?
- Não concordo. Não tinha essa coisa de “principais candidatos”. Isso é coisa que alguém inventou.
- José Dirceu, Palocci…
- Na minha cabeça não tinha “principais candidatos”. Estou absolutamente convencido de que ela é hoje a pessoa mais preparada, tanto do ponto de vista de conhecimento do governo quanto da capacidade de gerenciamento do Brasil.
- Naquele momento em que sr. chamou a ministra de “mãe do PAC”, na Favela da Rocinha (Rio), ali não foi apresentada a vontade prévia para fazer de Dilma a candidata?
- Se foi, foi sem querer. Eu iria lançar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), na verdade, antes da eleição (de 2006). Mas fui orientado a não utilizar o PAC em campanha porque a gente não precisaria dele para ganhar as eleições. Olha o otimismo que reinava no governo! E o PAC surgiu também pelo fato de que eu tinha muito medo do segundo mandato.
- Por quê?
- Quem me conhece há mais tempo sabe que eu nunca gostei de um segundo mandato. Eu sempre achei que o segundo mandato poderia ser um desastre. Então, eu ficava pensando: se no segundo mandato o presidente não tiver vontade, não tiver disposição, garra e ficar naquela mesmice que foi no primeiro mandato, vai ser uma coisa tão desagradável que é melhor que não tenha.
- O sr. está enfrentando isso?
- Não porque temos coisas para fazer ainda, de forma excepcional, e acho que o PAC foi a grande obra motivadora do segundo mandato.
- O sr. não está desrespeitando a Lei Eleitoral, antecipando a campanha?
- Não há nenhum desrespeito à Lei Eleitoral. Agora, o que as pessoas não podem é proibir que um presidente da República inaugure as obras que fez. Ora, qual é o papel da oposição? É criticar as coisas que nós não fizemos. Qual é o nosso papel? Mostrar coisas que nós fizemos e inaugurar.
- Mas quem partilha dessa tese diz que o sr. praticamente pede votos para Dilma nas inaugurações…
- Eu dizer que vou fazer meu sucessor é o mínimo que espero de mim. A grande obra de um governo é ele fazer seu sucessor. Não faz seu sucessor quem está pensando em voltar quatro anos depois. Aí prefere que ganhe o adversário, o que não é o meu caso.
- Há quem diga que o sr. só escolheu a ministra Dilma, cristã nova no PT, com apenas nove anos de filiação ao partido, porque, se eleita, ela será fiel a seu criador. Isso deixaria a porta aberta para o sr. voltar em 2014. O sr. planeja concorrer novamente?
- Olha, somente quem não conhece o comportamento das mulheres e somente quem não conhece a Dilma pode falar uma heresia dessas. Ninguém aceita ser vaca de presépio e muito menos eu iria escolher uma pessoa para ser vaca de presépio. Não faz parte da minha vida nem no PT nem na CUT. Eu já tive a graça de Deus de governar este país oito anos. Minha tese é a seguinte: rei morto, rei posto. A Dilma tem de criar o estilo dela, a cara dela e fazer as coisas dela. E a mim cabe, como torcedor da arquibancada, ficar batendo palmas para os acertos dela. E torcendo para que dê certo e faça o melhor. Não existe essa hipótese .
- O sr. não pensa mesmo em voltar à Presidência?
- Não penso. Quem foi eleito presidente tem o direito legítimo de ser candidato à reeleição. Ponto pacífico. Essa é a prioridade número 1.
- O sr. não vai defender a mudança dessa regra, de fim da reeleição com mandato de cinco anos?
- Não vou porque quando quis defender ninguém quis. Eu fui defensor da ideia de cinco anos sem reeleição. Hoje, com a minha experiência de presidente, eu queria dizer uma coisa para vocês: ninguém, nenhum presidente da República, num mandato de quatro anos, concluirá uma única obra estruturante no País.
- Então o sr. mudou de ideia…
- Mudei de ideia. Veja quanto tempo os tucanos estão governando São Paulo e o Rio Tietê continua do mesmo jeito. É draga dali, tira terra, põe terra. Eu lembro do entusiasmo do Jornal da Tarde quando, em 1982, o banco japonês ofereceu US$ 500 milhões para resolver aquilo. A verdade é que, para desgraça do povo de São Paulo, as enchentes continuam. Eu não culpo o Serra, não culpo o Kassab e nenhum governante. Eu acho que a chuva é demais. No meu apartamento, em São Bernardo, está caindo mais água dentro do que fora. Choveu tanto que vazou. Há dias o meu filho me ligou, às duas horas da manhã, e disse: “Pai, estou com dois baldes de água cheios.” Eu fui a São Paulo no dia do aniversário da cidade e disse que o governo federal está disposto a sentar com o governo do Estado, com o prefeito, e discutir uma saída para ver se consegue resolver o problema, que é gravíssimo. Não queremos ficar dizendo: “Ah, é meu adversário, deu enchente, que ótimo”. Quem está falando isso para vocês viveu muitas enchentes dentro de casa.
- Pelas diretrizes do programa do PT, um eventual governo Dilma Rousseff parece que será mais à esquerda que o seu…
- Eu ainda não vi o programa, eu sei que tem discussão. Mas conheço bem a Dilma e, como acho que ela deve imprimir o ritmo dela, se ela tomar uma decisão mais à esquerda do que eu, eu tenho que encarar com normalidade. E, se tomar uma posição mais à direita do que eu, tenho que encarar com normalidade. Tenho total confiança na Dilma, de que ela saberá fazer as coisas corretas para este país. Uma mulher que passou a vida que a Dilma passou – e é sem ranço, sem mágoa, sem preconceito – venceu o pior obstáculo.
- A experiência de poder distanciou o sr. do pensamento mais utópico do PT, não?
- Veja, o PT que chegou ao poder comigo, em 2002, não era mais o PT de 1980, de 1982.
- Não era porque houve a Carta ao Povo Brasileiro…
- Não é verdade. Num Congresso do PT aparecem 20 teses. Tem gosto para todo mundo. É que nem uma feira de produtos ideológicos. As pessoas compram o que querem e vendem o que querem. O PT, quando chegou à Presidência, tinha aprendido com dezenas de prefeituras, já tínhamos as experiências do governo do Acre, do Rio Grande do Sul, de Mato Grosso do Sul… O PT que chegou ao governo foi o PT maduro. De vez em quando, acho que foi obra de Deus não permitir que eu ganhasse em 1989. Se eu chego em 1989 com a cabeça do jeito que eu pensava, ou eu tinha feito uma revolução no País ou tinha caído no dia seguinte. Acho que Deus disse assim: “Olha, baixinho, você vai perder várias eleições, mas, quando chegar, vai chegar sabendo o que é tango, samba, bolero.” O PCI italiano passou três décadas sendo o maior partido comunista do mundo ocidental, mas não passava de 30%. Eu não tinha vocação para isso. E onde eu fui encontrar (a solução)? Na Carta ao Povo Brasileiro e no Zé Alencar. Essa mistura de um sindicalista com um grande empresário e um documento que fosse factível e compreensível pela esquerda e pela direita, pelos ricos e pelos pobres, é que garantiu a minha chegada à Presidência.
- Mesmo assim, o sr. teve de funcionar como fator moderador do seu governo em relação ao partido…
- E vou continuar sendo. Eu não morri.
- Mas a Dilma poderá fazer isso?
- Ah, muito. Hipoteticamente, vocês acham que o PSTU ganhará eleição com o discurso dele? Vamos supor que ganhe, acham que governa? Não governa.
- As diretrizes do PT, que pregam o fortalecimento do Estado na economia, não atrapalham?
- Quero crer que a sabedoria do PT é tão grande que o partido não vai jogar fora a experiência acumulada de ter um governo aprovado por 72% na opinião pública depois de sete anos no poder. Isso é riqueza que nem o mais nervoso trotskista seria capaz de perder.
- Os críticos do programa do PT dizem que o Estado precisa ter limites como empreendedor. Por que mais Estado na economia?
- Vou fazer uma brincadeira: o único Estado forte que eu quero é o Estadão (risos). Não existe hipótese, na minha cabeça, de você ter um governo que vire um governo gerenciador. O governo tem dois papéis e a crise reforçou a descoberta deste papel. O governo tem, de um lado, de ser o regulador e o fiscalizador; do outro lado, tem de ser o indutor, o provocador do investimento, que discute com o empresário e pergunta por que ele não investe em tal setor.
- Por que é preciso ressuscitar empresas estatais para fazer programas como a universalização da banda larga? O governo toca o Luz Para Todos com uma política pública que contrata serviços junto às distribuidoras e não ressuscita a Eletrobrás.
- Mas nós estamos ressuscitando a Eletrobrás. O Luz Para Todos só deu certo porque o Estado assumiu. As empresas privadas executam sob a supervisão do governo, que é quem paga.
- Não pode fazer a mesma coisa com a banda larga?
- Pode. Não temos nenhum problema com a empresa privada que cumpre as metas. Mas tem empresa privada que faz menos do que deveria. Então, eu quero, sim, criar uma megaempresa de energia no País. Quero empresa que seja multinacional, que tenha capacidade de assumir empréstimos lá fora, de fazer obras lá fora e fazer aqui dentro. Se a gente não tiver uma empresa que tenha cacife de dizer “se vocês não forem, eu vou”, a gente fica refém das manipulações das poucas empresas que querem disputar o mercado. Então, nós queremos uma Eletrobrás forte, para construir parceria com outras empresas. Não queremos ser donos de nada.
- A banda larga precisa de uma Telebrás?
- Se as empresas privadas que estão no mercado puderem oferecer banda larga de qualidade nos lugares mais longínquos, a preço acessível, por que não?
- Mas precisa de uma Telebrás?
- Depende. O governo só vai conseguir fazer uma proposta para a sociedade se tiver um instrumento. Não quero uma nova Telebrás com 3 ou 4 mil funcionários. Quero uma empresa enxuta, que possa propor projetos para o governo. Nosso programa está quase fechado, mais uns 15 dias e posso dizer que tenho um programa de banda larga. Vou chamar todos e q-uero saber quem vai colocar a última milha ao preço mais baixo. Quem fizer, ganha; quem não fizer, tá fora. Para isso o Estado tem de ter capacidade de barganhar.
- O sr. teme que o PSDB venha na campanha com o discurso de gastança, de inchaço da máquina, que o seu governo contratou 100 mil novos servidores?
- Vou dar um número, pode anotar aí: cargos comissionados no governo federal, para uma população de 191 milhões de habitantes. Por cada 100 mil habitantes, o governo tem 11 cargos comissionados. O governo de São Paulo tem 31 e a Prefeitura de São Paulo tem 45.
- Deixar o governo de Minas para o PMDB de Hélio Costa facilita a vida de Dilma junto à base aliada?
- A aliança com o PMDB de Minas independe da candidatura ao governo de Estado. O Hélio Costa tem me dito publicamente que a candidatura dele não é problema. Ele propõe o óbvio, que se faça no momento certo um estudo e veja quem tem mais condições e se apoie esse candidato. Acho que os companheiros de Minas, tanto o Patrus Ananias quanto o Fernando Pimentel se meteram em uma enrascada. Estava tudo indo muito bem até que eles transformaram a disputa entre eles em uma fissura muito ruim para o PT. Como a política é a arte do impossível, quem sabe até março eles conseguem resolver o problema deles.
- A desistência da pré-candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) facilitaria a vida de Dilma?
- O Ciro é um companheiro por quem tenho o mais profundo respeito. Eu já gostava do Ciro e aprendi a respeitá-lo. Um político com caráter. E, portanto, eu não farei nada que possa prejudicar o companheiro Ciro Gomes. Eu pretendo conversar com ele, ver se chegamos à conclusão sobre o melhor caminho.
- Ele diz que o “santo Lula” está errado.
- É preciso provar que o santo está errado. É por isso que eu quero discutir.
- O sr. ainda quer que ele seja candidato ao governo de São Paulo?
- Se eu disser agora, a minha conversa ficará prejudicada.
- O senador Mercadante pode ser o plano B?
- Não sei. Alguém terá de ser candidato.
- O Ciro tem dito que a aliança da ministra Dilma com o PMDB é marcada pela frouxidão moral.
- Todo mundo conhece o Ciro por essas coisas. Mas acho que ele não disse nada que impeça uma conversa com o presidente.
- O que se teme no Temer? Ele é o nome para vice?
- O Michel Temer, neste período todo que temos convivido com ele, que ele resolveu ficar na base e foi eleito presidente da Câmara, tem sido um companheiro inestimável. A questão da vice é uma questão a ser tratada entre o PT, a Dilma e o PMDB.
- O sr. não teme que Dilma caia nas pesquisas após sair do governo?
- Ela vai crescer.
- Mas sozinha?
- Ela nunca estará sozinha. Eu estarei espiritualmente ao lado dela (risos).
- Há quem tenha ficado assustado com a foto do sr. abraçando o Collor, depois de tudo o que passou na campanha de 1989.
- O exercício da democracia exige que você faça política em função da realidade que vive. O Collor foi eleito senador pelo voto livre e direto do povo de Alagoas, tanto quanto foi eleito qualquer outro parlamentar. Ele está exercendo uma função institucional e merece da minha parte o mesmo respeito que eu dou ao Pedro Simon, que de vez em quando faz oposição, ao Jarbas Vasconcelos, que faz oposição. Se o Lula for convidado para determinadas coisas, não irá. Mas o presidente tem função institucional. Portanto, cumpre essa função para o bem do País e, até agora, tem dado certo. Fui em uma reunião com a bancada do PT em que eles queriam cassar o Sarney. Eu disse: muito bem, vocês cassam o Sarney e quem vem para o lugar?
- O sr. acha que o eleitor entende?
- O eleitor entende, pode entender mais. Agora, quem governa é que sabe o tamanho do calo que está no seu pé quando quer aprovar uma coisa no Senado.
- O governo depende do Sarney no Senado? O único punido até agora foi o Estado, que está sob censura.
- O Sarney foi um homem de uma postura muito digna em todo esse episódio. Das acusações que vocês (o jornal) fizeram contra o Sarney, nenhuma se sustenta juridicamente e o tempo vai provar. O exercício da democracia não permite que a verdade seja absoluta para um lado e toda negativa para o outro lado. Perguntam: você é contra a censura? Eu nasci na política brigando contra a censura. Exerço um governo em que eu duvido que alguém tenha algum resquício de censura. Mas eu não posso censurar que os Poderes exerçam suas funções. Eu não posso censurar a imprensa por exercer a sua função de publicar as coisas, nem posso censurar um tribunal ou uma Justiça por dar uma decisão contrária. Deve ter instância superior, deve ter um órgão para recorrer.
- O sr. e o PT lideraram o processo de impeachment de Collor e nada, então, se sustentou juridicamente porque o STF absolveu o ex-presidente. O sr. está dizendo que o jornal não deveria publicar as notícias porque não se sustentariam juridicamente? Os jornais publicam fatos…
- Não quero que vocês deixem de publicar nada. Minha crítica é esta: uma coisa é publicar a informação, outra coisa é prejulgar. Muitas vezes as pessoas são prejulgadas. Todos os casos que eu vi do Sarney, de emprego para a neta, daquela coisa, eu ficava lendo e a gente percebia que eram coisas muito frágeis. Você vai tirar um presidente do Senado porque a neta dele ligou para ele pedindo um emprego?
- O caso da neta é o corporativismo, o fisiologismo, os atos secretos…
- O que eu acho é o seguinte: o DEM governou aquela Casa durante 14 anos e a maioria dos atos secretos era deles. E eles esconderam isso para pedir investigação do outro lado. É uma coisa inusitada na política.
- O sr. acha que os fatos do “mensalão do DEM”, no Distrito Federal, são fatos inverídicos também?
- No DEM tem um agravante: tem gravação, chegaram a gravar gente cheirando dinheiro.
- No mensalão do PT tinha uma lista na porta do banco com o registro dos políticos indo pegar a mesada…
- Vamos pegar aquela denúncia contra o companheiro Silas Rondeau, que foi ministro das Minas e Energia. De onde se sustenta aquela reportagem dizendo que tinha dinheiro dentro daquele envelope? Como se pode condenar um cara por uma coisa que não era possível provar?
- O sr. tem dito, em conversas reservadas, que quando terminar o governo, vai passar a limpo a história do mensalão. O que o sr. quer dizer?
- Não é que vou passar a limpo, é que eu acho que tem coisa que tem de investigar. E eu quero investigar. Eu só não vou fazer isso enquanto eu for presidente da República. Mas, quando eu deixar a Presidência, eu quero saber de algumas coisas que eu não sei e que me pareceram muito estranhas ao longo do todo o processo.
- Quem o traiu?
- Quando eu deixar a Presidência, eu posso falar.
- Por que é que o seu governo intercede em favor do governo do Irã?
- Porque eu acho que essa coisa está mal resolvida. E o Irã não é o Iraque e todos nós sabemos que a guerra do Iraque foi uma mentira montada em cima de um país que não tinha as armas químicas que diziam que ele tinha. A gente se esqueceu que o cara que fiscalizava as armas químicas era um brasileiro, o embaixador Maurício Bustani, que foi decapitado a pedido do governo americano, para que não dissesse que não havia armas químicas no Iraque.
- O sr. continua achando que a Venezuela é uma democracia?
- Eu acho que a Venezuela é uma democracia.
- E o seu governo aqui é o quê?
- É uma hiper-democracia. O meu governo é a essência da democracia”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:16

Jarbas: “Serra está certo”

O Senador Jarbas Vasconcellos, do PMDB de Pernambuco, diz em entrevista ao ‘Globo’ que José Serra está certo em anunciar agora que será candidato, pois não poderá ficar discutindo com Lula. O ideal é o debate com Dilma Rousseff.
Eis a entrevista concedida aos repórteres Adriana Vasconcelos e Gerson Camarotti:
- A oposição parece perdida diante da alta popularidade do presidente Lula…
- Concordo.Esta constatação não é de agora. Estou completando três anos de mandato e o que encontrei no Senado foi perplexidade, desorganização, ausência total de articulação. Na única vez que partidos de oposição e dissidentes da base governista se uniram, conseguimos derrubar a CPMF.
- Como superar esta desarticulação?
- O país está passando por um período de profunda mediocridade. O presidente é muito responsável por isso, na proporção que tece loas ao fato de ser quase analfabeto, não ter instrução e ter vindo de baixo. O nível de debate, não só no Congresso como no Brasil e na intelectualidade, é de uma pobreza franciscana. As pessoas alcançam formação pelo berço ou pela escola. Evidentemente, Lula não teve no berço e não teve na escola. O berço independeu dele. A escola foi porque não quis.Formação é importante para qualquer coisa, não só para ser presidente da República. Ele governa de forma autoritária.
- É este o problema?
- Ele resolve as coisas no Congresso pelo fisiologismo ou jogando o prestígio dele. O grande mérito do Lula foi, ao assumir, há sete anos, não ter feito loucuras, aventuras com o país.Manteve a política econômica de Fernando Henrique Cardoso.Foi importante porque o país tinha medo de Lula, do PT. Lula imprimiu, a partir daí, a frase ?nunca antes na história do Brasil? e grande parte da população acha que foi ele quem acabou com a inflação, controlou contas públicas e colocou o Brasil no rol do primeiro mundo. O PT e Lula votaram contra o Plano Real, o Proer e a Lei de Responsabilidade Fiscal.
- Ele se apropriou das conquistas do governo passado?
- Quando diz nunca antes no Brasil, a sensação para o pobre é que foi ele quem criou o real, acabou com a inflação, estabilizou a moeda. Mas não custaria nada, e não peço nem que faça penitência admitindo que ficou contra tudo isso, admitir que o país estava ajustado.
- Apesar dos tropeços do governo, nada parece colar nele…
- Só não cola se deixarmos de dizer. Se uma parcela, mesmo minoritária ou insignificante, diz, esta parcela tende a crescer, aumentar. O pior é se omitir. Como na campanha presidencial passada, quando as forças de oposição e o próprio candidato se omitiram de enfrentar e debater o processo de privatização do governo Fernando Henrique.
- Na sua opinião, qual a melhor opção para a oposição?
- O político brasileiro mais qualificado para presidir o país chama-se José Serra.
- Mas ele resiste em assumir a candidatura antes de março.
- Concordo com a estratégia de Serra. Sei que tem levado a uma ansiedade muito grande. Mas, oficializando a candidatura, vai bater boca com Lula. Vão querer transferir para Serra uma coisa que a oposição não está fazendo: combater Lula. Serra não tem que bater boca com Lula. Tem que bater boca com Dilma , que não está preparada e esconde por trás da arrogância sua falta de conhecimento e de experiência política.
- A queda de Serra nas últimas pesquisas não preocupa?

- Uma pesquisa não pode incomodar uma pessoa que é a mais qualificada para governar o país. Por que Serra tinha patamares altos? Não havia outros candidatos. Na proporção que apareceram Marina Silva, Ciro Gomes e Dilma se consolidaram, é natural que Serra saia de 40% para pouco acima de 30%.
- Mas a candidata do PT está crescendo e tem como cabo eleitoral alguém com 80% de popularidade.
- A questão é saber se Lula transfere votos e em que proporção. A primeira, não contesto , transfere. Mas transferência está cada vez difícil. O grosso do eleitorado de Lula está no Nordeste, mas Dilma perde para Serra em Pernambuco. Há um ano, ( Lula) não transferiu o suficiente para que Marta Suplicy ganhasse a prefeitura de São Paulo. O outro candidato não era nenhum fenômeno, o Kassab (Gilberto, do DEM). Foi com uma candidata experiente, ex-prefeita e ex-ministra. Experiência que Dilma nunca teve. Lula foi para São Paulo, botou a cara, foi para o vídeo, fez carreata, comício e Marta foi derrotada.
- Enquanto Serra resiste em assumir a candidatura, o governador Aécio Neves (MG) tenta a vaga de candidato do PSDB.
- A notícia que tenho é que não existe problema entre Serra e Aécio.
- O senhor acredita numa chapa purosangue do PSDB?
- Não adianta falar disso agora.Pode ter chapa puro-sangue , mas lá para frente.
- Seria a forma de conquistar o eleitorado mineiro?
- Aécio fazendo força é uma coisa. Aécio dizendo apenas que Serra é candidato, é outra.É preciso analisar que Aécio está deixando o governo e que o vice dele (Antonio Anastasia) não terá eleição fácil pela frente. E como será? Ele sendo candidato só ao Senado vai ser suficiente para eleger o Anastasia?
- Vê a hipótese de Serra recuar e a oposição ficar sem candidato? Aécio disse que fica à disposição até o fim do ano.
- Não. Ele é candidatíssimo.Segundo ele, está acertado com Aécio. Existem atritos de periferia dos dois entornos, mas não entre eles. Jantei com ele esta semana (segunda-feira).
Está muito tranquilo, seguro.
- Quando assumirá isso publicamente?
- O que Serra puder protelar, empurrar para frente, ele vai. Não sei se até o final de janeiro ou fevereiro.
- Como enfrentar uma campanha na qual a oposição identificou uso da máquina e que promete ser das mais caras?
- Dá para enfrentar e ganhar. Não estou dizendo que temos superestrutura. Ao contrário. A gente tem o principal, o candidato. O governo tem candidato fraco. Lula levou o país a um falso ufanismo, fazendo as pessoas acreditarem que ele resolveu tudo. Na proporção em que o país toma conhecimento de que não foi bem assim, de que Lula não é candidato, não fica tão difícil. Lula bateu um patamar de 80% e acha que pode tudo. Mas tudo termina. A ditadura acabou. A questão não é só paciência, mas enfrentamento.Saber como enfrentar.
- Não ter candidato definido não dificulta alianças regionais?
- Serra está atento a isso. Pediu para eu ser candidato em Pernambuco, estado estratégico para a oposição.Disse que não estava no projeto, mas não descarto, porque vejo em primeiro lugar o projeto nacional.
- Existe alguma chance de o PMDB não ir com Dilma?
- São remotas, mas vejo chance de isso acontecer. O PMDB tem três blocos: um com Lula, outro, minoritário, com o PSDB, e agora um terceiro defendendo candidatura própria. Se a coisa pegar fogo em alguns estados, complica a coisa da aliança nas convenções em junho.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:44

Estrelas em declínio

Pelo menos quatro das maiores estrelas do Senado ? Sergio Guerra, Tasso Jereisatti, Renan Calheiros e Aloísio Mercadante ? estão correndo o risco de não se reelegerem para o Senado. O ?Estadão? de hoje publica reportagem sobre esse assunto assinada por Eugênia Lopes:
?Como se não bastasse a crise que desmoralizou o Senado neste ano, as eleições de 2010 ameaçam tirar o brilho de antigas estrelas da política nacional, que enfrentam dificuldade para se reeleger. Os obstáculos atingem em cheio senadores de todos os partidos que estão sendo obrigados a fazer arranjos políticos para garantir, ao mesmo tempo, sua sobrevivência e a eleição nos Estados.
Na oposição, há casos emblemáticos como os dos senadores tucanos Sérgio Guerra (PE), atual presidente do PSDB, e Tasso Jereissati (CE), ex-presidente da sigla, que correm o risco de não voltar ao Senado. Os percalços eleitorais também abrangem senadores governistas, como Renan Calheiros (PMDB-AL), que provavelmente terá de encarar como adversários na corrida pelo Senado o ex-governador Ronaldo Lessa (PSB) e a candidata à Presidência pelo PSOL em 2006, Heloisa Helena.
O enfraquecimento de cabeças coroadas da política é mais visível no Nordeste, onde tradicionalmente os governadores são responsáveis pela eleição de senadores. Depois de governar Pernambuco por oito anos consecutivos, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), que tem mais cinco anos de mandato, é pressionado a sair candidato ao governo do Estado. O motivo é que a candidatura do peemedebista seria o caminho mais tranquilo para alavancar a eleição tanto de Sérgio Guerra quanto do ex-vice-presidente Marco Maciel (DEM-PE).
Com dificuldade para se reeleger ao Senado, os dois torcem para que Jarbas dispute o governo do Estado e, com isso, ganhem um palanque forte. Afinal, ambos terão como adversários o ex-prefeito de Recife, o petista João Paulo, e o deputado Armando Monteiro (PTB). Com mandato desde 1971, Maciel é o que tem mais “recall” junto ao eleitorado. Já o senador tucano é o que dispõe da maior estrutura partidária no Estado, mas sem o palanque de Jarbas enfrenta dificuldade de se reeleger para o Senado.
“Todos os candidatos de oposição serão mais competitivos se Jarbas for candidato ao governo”, admite Guerra. O senador peemedebista prefere, no entanto, manter o suspense até o carnaval, data em que confidenciou a amigos que irá bater o martelo sobre sua candidatura. Se Jarbas resolver não entrar na disputa eleitoral, Guerra vai tentar seu quarto mandato de deputado. Para “guardar lugar”, já lançou sua filha Helena Guerra à Câmara.
Governador do Ceará por oito anos, Tasso elegeu para o Senado quem bem entendeu durante a década de 90 e até 2002, quando ele e sua afilhada política Patrícia Saboya (PDT) conquistaram as duas vagas no Senado. Mas agora a situação é tão delicada que a ex-mulher do pré-candidato à Presidência pelo PSB, deputado Ciro Gomes, vai disputar uma vaga de deputada estadual. Na sua vaga de deputado pelo Ceará, Ciro pretende eleger Pedro Brito (PSB), ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos. Tasso tenta obter o apoio velado de Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro e atual governador do Ceará, para voltar ao Senado.
O cenário cearense ficou complicado depois que o ministro da Previdência, José Pimentel (PT), entrou na disputa por uma das duas cadeiras de senador. A outra é pleiteada pelo deputado Eunício Oliveira (PMDB), ex-ministro das Comunicações de Lula. Teoricamente, Cid apoiará as candidaturas de Eunício e Pimentel.
Ocorre que historicamente os Gomes sempre estiveram juntos de Tasso. “Na história política do Ceará nenhum governador se elegeu sem deixar de fazer os senadores”, diz Oliveira, que aposta no apoio do governador para conquistar o Senado.
Homem forte no Senado do governo Lula, Renan também se prepara para enfrentar uma eleição dificílima. Com a provável candidatura da senadora Marina Silva (PV-AC) à Presidência, Heloísa Helena teria desistido de tentar disputar a sucessão presidencial. A expectativa é que obtenha “um caminhão de votos” na eleição para o Senado. A candidatura do ex-governador Lessa também é forte: quase se elegeu em 2006 para o Senado. Perdeu para Fernando Collor de Mello (PTB).
Depois de chegar ao Senado com mais de 10 milhões de votos, o líder do PT, senador Aloizio Mercadante (SP), não deverá ter reeleição fácil. A situação dele se agravou depois que o vereador Gabriel Chalita migrou do PSDB para o PSB para disputar uma das vagas por São Paulo. Com a aliança entre o PSDB e o PMDB em torno da candidatura ao Senado do ex-governador Orestes Quércia, Mercadante estaria contando em ser o “segundo voto” dos tucanos. Mas agora o “segundo voto” deve migrar para Chalita?.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 22:37

Jarbas tem lapso de memória

 O senador Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE) exagerou ontem ao criticar o Presidente Lula, ao tentar enquadrar a bancada de senadores do PT, em defesa de José Sarney.
Segundo Jarbas, o fato foi uma “ingerência sem limites, vista anteriormente apenas durante a ditadura militar”.
Jarbas sabe que a acusação é injusta, infeliz e despropositada.
Durante a ditadura, um terço do Senado era eleito de forma indireta.
E ficaram conhecidos como os senadores  biônicos.
Jarbas sabe disso, tanto que foi um dos maiores críticos dessa anomalia.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 22:27

Tião, Jarbas ou Pedro Simon

 José Sarney está convencido de que se pedir licença da presidência do Senado, ele não voltará ao cargo.
E pior:no período de licença, a pressão contra ele e seus familiares, nas investigações que estão por vir, será tão ou mais insuportável do que atualmente.
O melhor seria a renuncia.
E a Casa elegeria um novo presidente.
Se ele fôr fora dos quadros do PMDB, que tem a maioria no Senado, o eleito poderá ser Tião Viana, do PT.
Se a maioria peemedebista ? leia-se Renan e Cia. – optar por um dos 17 senadores que assinaram a nota em favor de Sarney, é possível que a oposição busque, dentro do próprio PMDB, a candidatura de Jarbas Vasconcellos ou de Pedro Simon.

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