• Segunda-feira, 06 Fevereiro 2012 / 15:02

Jacques Wagner e a PM da Bahia

     O governador da Bahia, Jacques Wagner, concedeu uma entrevista aos repórteres Graciliano Rocha e Fabio Guibu, da ‘Folha’. Wagner se disse surpreendido com o movimento e disse que os métodos usados pelos grevistas são “coisa de bandido”.
Eis a entrevista:
- Esta greve poderia ter sido evitada?
- Isso é mais levante do que greve, pelo jeito como foi feito: caboclo põe dois “berros” [armas] na cintura, tira população de dentro de ônibus, agride as pessoas, interrompe o trânsito. Têm por obrigação legal garantir a ordem pública e estão fazendo o contrário. Esse movimento tem esse caráter nacional: tem uma direção nacional, uma cartilha cujo objetivo é a votação da PEC-300.
- Mesmo com motivação nacional, houve uma adesão forte dos PMs daqui por melhores salários.
- Quem não quer ganhar mais? Todo mundo quer, mas precisa saber da legalidade e das consequências. Não é pouca coisa o aumento de 30% acima da inflação que policiais tiveram em cinco anos.
- No momento em que a greve foi deflagrada, o sr. estava em Cuba. O sr. foi surpreendido?
- Eu estava monitorando. A assembleia [de grevistas] foi dia 31 à tarde, cheguei na madrugada do dia 2. Havia autoridade aqui. Tinha o governador em exercício e o secretário de Segurança. A primeira ligação que eu recebi foi informando que a assembleia deu mais gente do que eles achavam que ia dar. A avaliação que as estruturas de segurança tinham [do movimento] não se confirmou na assembleia. Isso é fato.
- O governo não negocia com a Aspra (entidade que lidera a greve) por isso?
- É a associação que tem o menor número de associados.
- Mas tem o controle do movimento. O sr. já foi sindicalista. Não é um equívoco não negociar com quem lidera?
- Não acho que a categoria tenha apreço por essa liderança. Ninguém do governo vai receber o [presidente da Aspra, Marco] Prisco. Ele está com ordem de prisão decretada.
- Em 2001, quando a PM parou por duas semanas e também houve uma onda de violência na Bahia, o sr. era de oposição e apoiou o movimento.
- Eu não.
- O partido do sr. apoiou.
- Vários parlamentares apoiaram, eu não apoiei. Eu entrei para negociar e ajudar a sair da greve.
- Pode haver invasão da Assembleia, onde estão acampados os líderes do movimento?
- Invasão, não, porque é um prédio de outro poder [Legislativo]. Mas o próprio poder está incomodado com a presença de pessoas com ordem de prisão sentadas ali.
- O Estado baiano ou as Forças Armadas irão prender essas pessoas?
- Tem uma ordem judicial para ser cumprida. A estrutura militar e policial está montando uma estratégia para cumprir a ordem.
- O sr. pode anistiar os grevistas?
- Não vou assinar anistia nenhuma a quem cometeu crime, invadiu ônibus, matou mendigos ou moradores de rua, como foi feito. A figura da anistia não existe, ela só existe quando se encerra um regime de exceção. Não estamos em um regime de exceção. Anistia é presente e estímulo a esse processo.
- O sr. tem informações concretas que grevistas mataram pessoas?
- Óbvio que não tenho prova. Como a estratégia deles é a criação de pânico, é muito estranho que nesses dias morram moradores de rua na proximidade da associação deles. Você pode perguntar se estou sendo leviano. Estou falando de uma suspeita; será acusação se a gente conseguir provas.
- O governo pode fazer alguma concessão para encerrar o impasse?
- Não tem acordo. Não dá para a gente ficar alimentando isso como método de reivindicação salarial. Isso não existe. Qual é a segurança que posso lhe dar amanhã se é a polícia quem está tirando cidadão de ônibus? Isso é coisa de bandido. Estou falando até como ex-grevista.
- Os militares darão segurança ao Carnaval de Salvador?
- Ainda estamos a 10 ou 11 dias do Carnaval. Não há hipótese de esse planejamento da PM para o Carnaval não ser cumprido. Até lá estará acabado esse processo [de greve].
- O sr. vai cortar o ponto de quem aderiu à greve?
- Há uma separação gritante entre os marginais, que estão cometendo esses troços, de quem está querendo ganhar mais e aderiu. Tenho de separar o joio do trigo. Quem cometeu crime vai responder na Justiça. Para os outros, não, [o corte de ponto] será instrumento da negociação do comando da PM com eles.

  • Domingo, 05 Fevereiro 2012 / 12:55

Desocupa

                                      Caetano Veloso*

 
       Quando cheguei à Bahia, na véspera do Natal, fui logo para Santo Amaro ver minha mãe e meus irmãos. Voltei para Salvador para ver meus netos e meu filho mais velho. Meus filhos menores chegaram logo em seguida. Não atentei muito para a cidade de Salvador, seus aspectos atuais e seus clamores. Mas cedo em janeiro já recebi e-mail de um camarada meu daqui com um protesto (e um convite para ir à rua me manifestar) contra a construção de um imenso camarote para o carnaval, gigante que cobria a recém-inaugurada pracinha da praia de Ondina. Parece que a construção dessa praça tinha sido patrocinada pela mesma empresa que agora construía o camarote. Por muitas razões – a menor delas não sendo o fato de Ondina ter sido meu bairro por muitos anos, onde Moreno cresceu e onde Dedé ainda passa os verões -, tive pena de não poder ir à manifestação. Mas fiquei (e ainda estou) fascinado com o nome que o movimento, nascido na internet, ganhou: DESOCUPA SALVADOR.
Era um modo de exigir que o monstro que cobria a praça fosse retirado, mas era também um comentário abrangente sobre a proliferação de camarotes para assistir à grande festa. Pelo menos foi o que pensei e senti logo no primeiro momento. Mas, como veio a se revelar pouco depois, essa abrangência era muito maior e, para além do carnaval e da pracinha, referia-se ao desconforto que os habitantes da cidade sentem em relação ao modo como ela vem sendo tratada pela prefeitura e pelo governo estadual. Há uma queixa no ar que fala sobre o mal-estar que as surpreendentes eleição de Jacques Wagner e reeleição de João Henrique provocam. Não conheço ninguém que exprima desrespeito por Wagner, mas já ouvi, em resposta à observação de que João Henrique se reelegeu porque a herança maldita da reeleição para cargos executivos que FH nos deixou faz com quem seja praticamente impossível quem já está no poder não ganhar de quem tenta substituí-lo: “Jacques Wagner ganhou impedindo a reeleição de Paulo Souto – e agora vemos que Paulo Souto era melhor do que Jacques Wagner.” Ninguém respeita João Henrique. Há é um vácuo de liderança com a saída de cena de Antônio Carlos Magalhães. É uma pena. ACM incorporava a velha política, em que o povo seguia líderes personalistas que agiam como se fossem donos dos estados ou regiões. Nada do que ele foi capaz de realizar, com seu talento para escolher quadros técnicos de bom nível e dar-lhes poder seguro para atuar (não importando se isso ferisse o império da lei ou danificasse a imagem do judiciário local), deve ser negado. E o povo deve tornar-se progressivamente capaz de escolher por razões de confiança testável, seguindo ideais de melhora na organização da vida, em vez de agir como um órfão que busca um novo pai.
A eleição de Jacques Wagner já significou algo disso. Mas não há quem não diga, hoje, que ela se deveu ao “fator Lula” – que, ao fim e ao cabo, tem demasiadas semelhanças com o personalismo antiquado. Na internet o número de pessoas que se organizam para ir às ruas e às praças é pequeno. Porém crescente. Claro que quem pensa em protestar contra a construção de um camarote de carnaval não é quem elegeu João Henrique. Essas reeleições automáticas se devem justamente à falta de diálogo consciente a respeito das coisas públicas: nascem da inércia da maioria desavisada, aquela que vota em alguém cujo nome conhece. É neguinho que não resiste à força da celebridade política – e da remota porém perene esperança de que, votando em quem já tem fama de ter poder, habilita-o a contar com alguma ajuda futura.
Mas o DESOCUPA não é tão desvinculado do ânimo popular desorganizado. Mostrando o Pelourinho a Criolo, Ganja Man, Duane e minha querida Mariana Aydar, acompanhei Paulinha Lavigne, que tinha vindo com eles à cidade. Um ladrão nervoso arrancou uma corrente de ouro do pescoço de Paulinha, deixando uma marca vermelha e sumindo na pequena multidão (embora com bem menor presença da classe media, as terças-feiras da Bênção ainda são animadas no Pelô). Uma baiana, vendedora de acarajé, percebendo mais ou menos o que se passara, gritou para mim: “Você tem voz, fale no jornal, diga na entrevista, isso aqui está abandonado.” Ela estava triste e revoltada – e descreveu como a decadência já vem vindo há um bom tempo. Prometo a mim mesmo fazer uma entrevista com Clarindo, o elegante dono da Cantina da Lua, para publicar aqui. Mantenho a promessa.
O que me comove é a coincidência poética de, por causa do camarote, as manifestações soteropolitanas terem todas tomado o nome de “desocupa”. Acho que é o único lugar do mundo em que o termo foi invertido. Na semana em que eu soube que Marco Polo morreu (ele tinha uma barraca de coco no Porto da Barra, mas nos anos 1970 nos chamou para mostrar a cidade pelo mar, como ele a usava, em seu barco; ao ver como a tudo em Salvador se pode ir de barco – e ele morava numa casa encravada na pedra do forte de São Diogo -, eu lhe disse: “Mas você vive aqui como se fosse em Veneza. Como é seu nome?” – “Marco Polo”, me respondeu aquele filho de um policial preto que não tinha ideia de quem eram os grandes homens cujos nomes escolhia para batizar os filhos), toca-me que “desocupar” seja a palavra de ordem. É algo muito baiano. Profundamente. Tem a ver com preguiça, tem a ver com respeito, tem a ver com inventividade. Hoje a polícia está em greve. Mas essa palavra me enche de melancólico otimismo.
*Caetano Veloso, cantor e compositor, escreve para ‘O Globo’.

  • Quarta-feira, 01 Fevereiro 2012 / 12:19

Juca Ferreira agora é Dilma

   Do colunista Ancelmo Góis, do ‘Globo’:
   “Jaques Wagner fará grande festa amanhã, Dia de Iemanjá, em Salvador, para apresentar o mais novo baiano filiado ao PT.
É Juca Ferreira, ex-ministro da Cultura, que saiu do PV e passou a namorar o partido de Dilma.
Juca vai ao cortejo de Iemanjá e jogará oferendas no mar.
A Rádio Acarajé diz que seu pedido à orixá é sua volta ao Ministério da Cultura, hoje ocupado por Ana de Hollanda”.

  • Segunda-feira, 02 Agosto 2010 / 19:59

Sonhar… não custa nada

     Com as campanhas nas ruas, as promessas estão a mil.
Os repórteres Daniela Lima e Fernando Galloa, da ‘Folha’, publicaram um breve resumo das promessas dos candidatos em cinco importantes estados.

BAHIA
Jaques Wagner
, que disputa a reeleição pelo PT, apresenta como proposta um pacote de obras de infraestrutura, mas não detalha de onde virão os recursos. As promessas do governador vão desde a recuperação de rodovias e hidrovias até a ampliação de aeroportos.
Paulo Souto (DEM) diz que vai construir seis hospitais gerais e um instituto de oncologia sem detalhar onde ou com que dinheiro.

SÃO PAULO
O candidato que lidera a corrida, Geraldo Alckmin (PSDB), disse que “São Paulo não terá um preso em cadeia. Todos [ficarão] em Centros de Detenção Provisória”.
Já o candidato do PT, Aloizio Mercadante, prega a implantação de três linhas de trens de alta velocidade (até 200 km/h): uma de Ribeirão Preto a Campinas, e outras duas ligando Bauru e Sorocaba a São Paulo.

RIO DE JANEIRO
No programa de governo, o governador Sérgio Cabral (PMDB), promete ampliar o alcance das UPPs (Unidades de Policiamento Pacificadoras) de 1,2 milhão para 2,1 milhões de habitantes, com base em cálculo questionado por especialistas.
Já o deputado Fernando Gabeira (PV) propõe universalizar o atendimento de saúde e parceria com a rede privada para tratamentos de alta e de média complexidade.

MINAS GERAIS
Os candidatos ao governo de Minas apostaram em propostas genéricas para convencer o eleitorado.
Hélio Costa (PMDB) falou em criar uma força-tarefa para combater o crack, mas disse que sua equipe ainda está discutindo o problema.
Antonio Anastasia (PSDB) centrou o discurso na continuidade. Candidato do ex-governador Aécio Neves (PSDB), prometeu ampliar programas do antecessor.

RIO GRANDE DO SUL
Os candidatos que encabeçam a disputa no Estado dizem que, se eleitos, vão garantir a destinação de 12% da receita para a saúde.
Tanto Tarso Genro (PT) quanto José Fogaça (PMDB) afirmam que cumprirão o percentual, previsto em lei.
O Conselho Estadual de Saúde afirma que o governo do Estado nunca cumpriu a norma, e que o investimento em saúde fica restrito a, em média, 5% ao ano.

  • Sábado, 24 Julho 2010 / 8:45

Wagner vence na Bahia

     Da ‘Folha’:
“Com 44% das intenções de voto, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), seria reeleito no primeiro turno, se a eleição fosse hoje. Somados, os seus adversários alcançam 37%.
De acordo com o Datafolha, o petista lidera a disputa com 21 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Paulo Souto (DEM), que tem 23%. Em terceiro lugar aparece Geddel Vieira Lima (PMDB), com 12%.
Os candidatos Luiz Bassuma (PV) e Professor Carlos (PSTU) têm 1% cada um. Marcos Mendes (PSOL) e Sandro Santa Bárbara (PCB) não pontuaram. Não opinaram 13% dos eleitores, e outros 6% disseram que votarão nulo ou em branco.
Esta é a primeira eleição para o governo da Bahia após a morte do ex-senador Antonio Carlos Magalhães (1997-2007). Herdeiro do carlismo, Souto lidera o ranking de rejeição: 30% dos eleitores dizem não votar nele de jeito nenhum. Outros 20% rejeitam Geddel, e 16% não admitem votar em Wagner.
Na pesquisa espontânea, em que o eleitor não vê a lista de candidatos, o governador tem vantagem ainda maior sobre os oponentes. Wagner é citado por 26% dos entrevistados. Souto tem 7%, e Geddel, 4% das menções.
O petista amplia a liderança entre os mais ricos. Dos entrevistados com renda familiar acima de cinco salários mínimos, 58% dizem que votarão nele. Na mesma faixa, Souto aparece com 16%, e Geddel, com 7%.
Na faixa abaixo dos dois salários mínimos, Wagner recua para 42%. Souto tem 24%, e Geddel, 12%.
O governador também apresenta vantagem maior entre os baianos mais jovens. Ele alcança 53% no eleitorado de 16 a 24 anos de idade. Entre os jovens, Souto cai para 19%, e Geddel, para 12%”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:49

Nordeste dará uma surra no DEM

Líder da bancada do DEM, Agripino está com dificuldades em se reeleger

Líder da bancada do DEM, Agripino está com dificuldades em se reeleger

De Maria Inês Nassif, do ‘Valor Econônico’:
“Um lento processo de esvaziamento do DEM no Nordeste, a região que manteve o partido, desde a sua criação, em 1985, com grande bancada no Senado, pode ser consumado em outubro. Do total de 14 senadores do partido, oito encerram seus mandatos – cinco eleitos pelo Nordeste e três pelo Centro-Oeste. Os senadores Gilberto Goellner (MT), Antonio Carlos Júnior (BA) e Adelmir Santana (DF) são suplentes e não disputarão em outubro.
O DEM pode reduzir sua bancada para oito ou nove, na previsão do diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antonio Augusto de Queiroz – o que significaria eleger dois ou três apenas nessas eleições. Ou vai perder apenas um ou dois senadores – o que significaria ficar com 12 ou 13, na avaliação do presidente nacional do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ). Os dois concordam, no entanto, que a sangria do partido ocorre no seu reduto tradicional, o Nordeste.
A longa duração do mandato de senador – que corresponde a dois mandatos de deputados – manteve o partido forte no Senado quando já havia entrado em declínio na Câmara. Em 1998, o então PFL elegeu 105 deputados, a maior bancada; quatro anos depois, com a vitória do petista Luiz Inácio Lula da Silva, obteve 84 deputados nas urnas; em 2006, fez 65 deputados e, até a posse, já havia perdido três. Tornou-se a quarta bancada. No Senado, o declínio foi mais lento: a bancada de 19 senadores do período 1995-1998 baixou para 17 no período seguinte (1999-2002) e hoje são 14.
“Em 2000 administrávamos 1200 cidades; em 2004, 700 e poucas; hoje são apenas 497. Estamos perdendo nas cidades menores e com menor renda”, diz Maia. Para ele, quanto maior for a população beneficiada pelo programa Bolsa Família em relação ao número de eleitores – caso das comunidades menores -, menor é a chance de acesso da oposição a esse eleitor. “A máquina do governo impede o acesso da oposição aos eleitores mais pobres”, afirma o presidente do partido. Para Queiroz, esse processo ocorreu porque a opção do DEM pela oposição foi contra a natureza do partido, cuja razão de ser, até então, era a de “suprir de recursos e benefícios” do governo seus redutos eleitorais.
“Estamos pagando uma decisão partidária, de ser oposição ao governo Lula”, concorda Maia. “Todo mundo sabia que o resultado seria o de retração do partido nos Estados em que historicamente éramos bem posicionados, com os do Nordeste.” Para o dirigente, a forma de reverter essa tendência será não apenas a opção pela candidatura do tucano José Serra à Presidência, reeditando a aliança que deu certo nos dois governos de Fernando Henrique Cardoso, como se empenhar pelo máximo desempenho do candidato no primeiro turno. É em 3 de outubro que o eleitor define a composição do Congresso. Quanto mais o partido conseguir se identificar, perante o eleitor, com um candidato a presidente com perspectiva de poder, maior será a sua chance de reverter a tendência de esvaziamento, segundo esse raciocínio”.

AS DIFICULDADES DE CASA UM

Demóstenes Torres é um dos que tem chances na reeleição

Demóstenes Torres é um dos que tem chances na reeleição

“Será difícil para o DEM manter uma forte bancada no Senado, na avaliação do diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antonio Augusto de Queiroz. Para ele, apenas o senador Demóstenes Torres (GO) é franco favorito nas eleições de outubro e tem reeleição garantida, e só o senador Heráclito Fortes (PI) desponta com chances objetivas de obter um segundo lugar, entre os cinco senadores do ex-PFL que disputam a reeleição. Este ano, serão renovados dois terços do Senado – são duas vagas por Estado. Segundo levantamento feito pelo diretor do Diap, terão dificuldades para renovar o mandato os senadores Marco Maciel (PE), Agripino Maia (RN) e Efraim Morais (PB).
Para Queiroz, o DEM tem também chances reduzidas de eleger senadores em outros Estados. As exceções ficam por conta de Santa Catarina, onde um candidato forte a governador, o senador Raimundo Colombo, pode ajudar a eleger um senador, e o Rio, onde disputará o ex-prefeito César Maia. O presidente do DEM, Rodrigo Maia, garante que as pesquisas internas do partido indicam uma bancada semelhante à atual na próxima legislatura. “Podemos perder dois senadores, mas temos três novos com condições de ganhar”, diz.
Se for confirmada a tendência de declínio do partido nos Estados em que disputa a reeleição ao Senado, os atuais parlamentares terão uma campanha muito dura. Em Pernambuco, o senador Marco Maciel está em primeiro lugar nas pesquisas de opinião – na última, estava pouco acima de João Paulo (PT), que desistiu em favor do ex-ministro Humberto Costa (PT), também considerado um forte concorrente. Mas Queiroz considera que esse é só o começo. Maciel tem como adversária uma chapa fechada e muito forte: o governador Eduardo Campos (PSB) é o favoritíssimo candidato à reeleição e os dois candidatos ao Senado na chapa dele são Costa e o ex-presidente da CNI Armando Monteiro (PTB). Este último disputa na faixa de eleitorado do senador do DEM.
Nas últimas eleições, o avanço do PT e do PSB tem acontecido, como no resto do Nordeste, sobre o eleitorado do ex-PFL. Em 1998, o partido elegeu 46 prefeitos; em 2000 eles eram 19. Os oito deputados federais do Estado eleitos em 1998 foram reduzidos a dois em 2006.
Não é favorável também a situação do DEM no Piauí, onde Heráclito Fortes disputa mais um mandato. Em 2002, quando fazia campanha para o Senado, ele tinha o apoio de cinco deputados federais eleitos em 1998. Hoje são apenas dois. Nas eleições municipais de 2008, o DEM viu seus 59 prefeitos serem reduzidos a nove. “O partido diminuiu por conta do Bolsa Família e do poder da caneta. O Estado é pobre e depende de transferências do governo federal”, diz.
Wellington Dias (PT), que saiu do governo para disputar o Senado, está em primeiro lugar nas pesquisas, 10 pontos à frente de Heráclito. Conta a favor do senador do DEM o fato do terceiro concorrente, Mão Santa, ser candidato sem partido: ele saiu do PMDB e montou um partido só para ele, o PSC, sem expressão.
No Rio Grande do Norte, o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia, disputa a reeleição numa coligação que foi considerada como genial porque teria potencial de isolar a governadora que deixou o cargo, Vilma Maia (PSB), candidata ao Senado, e de esvaziar o palanque de Dilma no Estado. Maia disputa numa chapa encabeçada pela senadora Rosalba Ciarlini (DEM), com chances de se eleger governadora, e pelo senador Garibaldi Alves (PMDB). Para Queiroz não existe hipótese, todavia, de a mesma coligação levar as duas vagas ao Senado. “A tendência é de renovação de 50%: ou Agripino perde, ou Alves perde. A candidatura de Vilma vai começar a crescer”, afirma.
Foi-se o tempo em que o Rio Grande do Norte era um paraíso para o DEM. Em 2000, elegeu 35 prefeitos no Estado; em 2004, apenas 17. Em 1998 fez três federais; em 2006, apenas um.
O candidato à reeleição pela Paraíba, o senador Efraim Morais reconhece que a situação não é boa para o DEM no seu Estado. No ano 2000 foram eleitos 59 prefeitos; hoje são 38. O partido fechou uma coligação com o ex-prefeito Ricardo Coutinho (PSB). A outra vaga do Senado será disputada pelo ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB). “A tendência é que Cunha Lima leve uma vaga e o candidato da coligação liderada pelo governador José Maranhão (PMDB) fique com a segunda”, avalia Queiroz. Por enquanto, Morais figura na segunda colocação, atrás de Cunha Lima e na frente dos candidatos do PMDB, Vital do Rego Filho e Manoel Júnior, segundo informa Maia, com base nas pesquisas internas do DEM nacional .
O senador Demóstenes Torres é o favorito da disputa em Goiás num Estado em que o DEM está longe de ser forte. A explicação dele para isso é o fato de ser conhecido. Foi procurador-geral do Estado, secretário de Segurança do governo Marconi Perillo (PSDB), o favorito na disputa desse ano ao governo e também candidato ao governo. Depende mais de sua imagem nacional e de sua identificação regional com Perillo do que propriamente da estrutura partidária.
Por circunstâncias variadas, os atuais suplentes do DEM cujo mandato termina esse ano não vão disputar. O chamado Mensalão do DEM, que pôs na cadeia o único governador que conseguiu eleger em 2006, José Roberto Arruda, eliminou as chances do partido em pleitos majoritários no Distrito Federal, pelo menos nessas eleições. O senador Adelmir Santana disse ao Valor que considera a hipótese de se candidatar; Maia, todavia, não leva isso em conta. No Mato Grosso, o senador Gilberto Goellner foi eleito suplente do senador Jonas Pinheiro, que morreu em 2008. Não vai se candidatar.
O senador Antônio Magalhães Júnior (BA) é filho e suplente do senador Antonio Carlos Magalhães, que morreu em 2007. A direção do DEM disse que ele não será candidato por razões pessoais. Queiroz não acredita que o DEM – que concorrerá com o ex-prefeito de Feira de Santana José Ronaldo de Carvalho, ou com o deputado José Carlos Aleluia – consiga uma das vagas. O DEM também tem dúvidas quanto a isso. Para o diretor do Diap, uma das vagas ficaria com o candidato da chapa do governador Jaques Vagner (PT) e a outra, de César Borges (PR).
É uma realidade dramática a da Bahia, que foi quase uma capitania hereditária de ACM. Em 1998, o então PFL elegeu um senador, que se somou aos dois eleitos em 1994, e uma bancada de 20 deputados federais e 23 estaduais, além do governador. Em 2006, perdeu as eleições para o governo e para o Senado e elegeu 13 federais e 16 estaduais. 125 prefeitos assumiram em 2001. Em 2008, foram eleitos só 43. (MIN)”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:32

Serra, na Bahia, apoia transposição

Da repórter Cristine Prestes, do ‘Valor Econômico’:
“O ex-governador José Serra (PSDB-SP), candidato tucano à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, iniciou ontem sua campanha eleitoral enfatizando a manutenção do Bolsa Família e a continuidade da transposição do Rio São Francisco em seu governo, caso seja eleito presidente da República. O tucano esteve ontem em Salvador na primeira viagem de sua agenda eleitoral após o lançamento de sua pre-candidatura às eleições deste ano.
Serra visitou ontem à tarde o Hospital Santo Antônio, das Obras Sociais Irmã Dulce, acompanhado de políticos do PSDB e do DEM, que compõem a base aliada dos tucanos, como o candidato ao governo da Bahia Paulo Souto, presidente estadual do partido, e o deputado federal ACM Neto. Em entrevista a jornalistas no Memorial Irmã Dulce, Serra fez questão de garantir que o principal programa social do governo Lula – o Bolsa Família – será mantido e reforçado com outras iniciativas além da transferência de renda associada à manutenção de crianças na escola, como emprego e saúde.
O tucano disse estar feliz em ver que o hospital, fruto da obra de caridade da freira Irmã Dulce, realiza implantes cocleares (chamados de “ouvido biônico”) em crianças com surdez, procedimento que afirma ter incluído entre os realizados quando foi ministro da Saúde entre 1998 e 2002, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, quando teria aumentado em 100% os repasses destinados à saúde ao Estado da Bahia. Serra afirmou que “a questão da saúde no Brasil precisa melhorar muito”, pois não teria avançado nos últimos anos, principalmente no primeiro mandato de Lula. “Tenho muito respeito por José Gomes Temporão (atual ministro da Saúde), mas não depende dele”, disse.
Outro programa do atual governo que, segundo Serra, será mantido é a transposição do São Francisco, que prevê a transferência de águas do rio que corta o Nordeste do país para outras bacias hidrográficas da região. “A transposição continua, mas temos que olhar outros canais onde o rio não passa e não tem água, e isso é o mais importante no que se refere à Bahia”, disse. O tucano também afirmou que, além da saúde, a segurança pública precisa dar um salto de qualidade no Brasil.
A visita de Serra à Bahia ocorre em um momento de revés ao governador do Estado, Jaques Wagner (PT-BA). No domingo, o senador César Borges (PR-BA) decidiu fechar com o PMDB do candidato ao governo baiano Geddel Vieira Lima e interrompeu as negociações com o petista, que disputará a reeleição. Tucanos consideram a coligação uma vitoria, pois fortalece a candidatura de Geddel e pode levar ao segundo turno a disputa pelo governo da Bahia, onde Wagner lidera com cerca de 40% das intenções de voto, segundo as últimas pesquisas – o que dá chances ao candidato aliado Paulo Souto. A decisão de Borges também é avaliada pelos tucanos como um aumento do conflito na campanha de Dilma Roussef, candidata petista à Presidência, que terá dois palanques na Bahia – de Wagner e de Geddel, por conta da aliança nacional entre PT e PMDB”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:27

PR-BA troca Wagner por Geddel

De Renata Lo Prete, no ‘Painel’:
‘Jacques Wagner (PT) chegou a afirmar em entrevista que estava “fechado” o apoio do PR à sua reeleição na Bahia. No mesmo dia, o partido anunciou que disputará o Senado, com César Borges, na chapa que terá Geddel Vieira Lima (PMDB) como candidato a governador.
Ao PR interessava aliança na chapa proporcional, mas o PT não queria. Borges também achava que os petistas pretendiam atrapalhar sua reeleição ao Senado colocando outro nome de peso na chapa. “Não venham com Waldir Pires pra cima de mim”, avisou a Wagner.
Já robustecido pelo tempo de TV do PR, Geddel está perto de arrastar também o PPS, para ira do PSDB, que na Bahia apoiará o candidato do DEM, Paulo Souto”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:04

Lula coloca Cabral de joelhos

   Do colunista Luiz Carlos Azedo, no ‘Correio Braziliense’:
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou de joelhos o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), ao pôr a participação especial do Rio de Janeiro (e demais estados produtores) nos royalties de petróleo na moagem do novo marco regulatório da camada pré-sal. Agora Lula diz que não tem nada a ver com isso, pois pretendia deixar essa discussão para depois das eleições. Cabral conta com o veto do presidente Lula à emenda Ibsen Pinheiro(PMDB-RS)-Humberto Souto(PPS-MG), que distribui igualmente os royalties entre todos os estados e municípios, para evitar um colapso econômico e administrativo em seu estado e o próprio desastre eleitoral. Lula negaceia o veto.
                 * * *
A posição de Lula alimenta o fogo amigo contra Cabral.
O bombardeio vem da Bahia, que abriga um grande polo petroquímico,explora petróleo e começa a concorrer com a indústria naval do Rio de Janeiro. Amigo do presidente da República, com quem viajou para o Oriente Médio, o governador Jaques Wagner (PT) juntou-se aos governadores de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e do Ceará (PSB), Cid Gomes, para contestar a participação especial do Rio de Janeiro, do Espírito Santo e de São Paulo na distribuição dos recursos do pré-sal.O petista defende a tese de que os royalties devem ser distribuídos de acordo com a população e a riqueza ou a pobreza de cada estado, medidas pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
                  * * *
Wagner diz que São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo querem ficar com a maior parte dessa riqueza. Eu não vejo o porquê, já que o petróleo foi descoberto por uma empresa que pertence a todos os brasileiros, argumenta. Segundo ele, o petróleo está afastado da costa e, portanto, não implica em nenhum prejuízo ambiental. Minha posição é essa desde o começo: uma distribuição que seja justa para todo o povo brasileiro e não apenas para três estados. Agora tem essa discussão sendo feita no Senado e eu espero que o bom senso prevaleça de tal forma que a gente possa ter essa riqueza fazendo bem para todos os brasileiros, dispara.

                    * * *  
Ontem, o presidente Lula colocou em xeque a estratégia eleitoral do governador Sérgio Cabral(PMDB) para a reeleição ao pressioná-lo a entregar uma das vagas de candidato ao Senado a Marcelo Crivella (PRB). O senador é aliado do presidente Lula, disputou e perdeu as eleições para a prefeitura do Rio de Janeiro. A outra vaga seria do PT, a ser ocupada pelo prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, ou a ex-governadora Benedita da Silva. Cabral não pode atender o pedido de Lula sem cortar uma das pernas. A vaga está prometida ao presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani (PMDB), peso pesado da política fluminense”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:12

Lula sabe que não é bem assim

Diz o Presidente Lula:
“O que pode acontecer é que uma candidata à Presidência tenha dois governadores apoiando. Mas imaginar que ela pode subir em dois palanques é impossível. O que vai acontecer é que, em alguns estados, ela não vai poder ir”.
Se fôr verdade, isso acontecerá com certeza na Bahia (Jacques Wagner, do PT, e Geddel Vieira Lima, do PMDB); talvez no Rio (Sergio Cabral, PMDB, e Anthony Garotinho é dúvida, pois ele não é do PT mas sim do PR); e Minas Gerais (se continuar o impasse de Helio Costa, do PMDB, contra Patrus Ananias ou Fernando Pimentel, do PT).
Mas se Lula não sobe em dois palanques rivais, como ele irá fazer, por exemplo, para subir no palanque de Marcelo Crivella, já que a aliança do PT do Rio de Janeiro  – que abriu mão da candidatura Lindenbeg  – é com o PMDB. E os dois tem candidatos ao Senado: Jorge Picciani e Benedita da Silva?
O que vale para governador, não vale para senador?
Lula sabe que não é bem assim.
Como faltam mais de 100 dias para essa definição, ele que pode continuar jogando pesado.
Mais na frente… ele afina.

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