• Sexta-feira, 17 Setembro 2010 / 10:20

Frei Betto: “Lula não merecia Erenice”

     Do repórter Flávio Freire, de ‘O Globo’:
“Amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde que ele era líder sindical no ABC, o frei dominicano Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, criticou ontem a conduta da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, seis anos depois de ter deixado o governo federal, em que atuou no programa Fome Zero.
Após ter postado no microblog Twitter que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não merece a companhia de corruptos e nepotistas, ele disse ao GLOBO que Erenice não havia conseguido, até ontem à noite, desmentir as acusações que pesam contra ela.
Na nota oficial (distribuída por Erenice em seguida às primeiras denúncias contra a então ministra), ela disse que era tudo calúnia. Mas não conseguiu desmentir as denúncias feitas, assim como não conseguiu provar que o filho não trabalha no governo. Acho até que ela demorou para sair disse Frei Betto, para quem as acusações contra Erenice são baseadas em indícios muito fortes.
Perguntado se faltou atenção, por parte do presidente Lula, quando nomeou Erenice para o cargo, Frei Betto saiu em sua defesa: Coloco as minhas três mãos no fogo pelo presidente.
Para Frei Betto, Erenice deveria ter feito como Henrique Hargreaves, que deixou a chefia da Casa Civil no governo de Itamar Franco, em 1993, enfrentando denúncias de corrupção, mas voltou ao posto em fevereiro de 1994, depois que elas não foram comprovadas”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:46

A força do PP e a crise de Itamar

 De Renata Lo Prete, do Painel, da ‘Folha’:
“Dono de pouco mais de um minuto e meio de tempo de televisão cobiçado tanto pelo PSDB quanto pelo PT, o PP consultou seus diretórios a respeito do alinhamento na disputa presidencial. Na aritmética, deu Dilma (21 dos 27 Estados se manifestaram a favor da candidata de Lula). O partido está com os tucanos em praças de peso, como Minas e Rio Grande do Sul.
Mais importante do que essas contas, porém, será o destino do presidente da sigla, Francisco Dornelles, senador pelo Rio de Janeiro. “Se ele virar vice na chapa de Serra, não há palanque regional que impeça a nossa aliança com o PSDB”, resume um dirigente.
Com o atual esboço de alianças, Dilma teria hoje uma vantagem de pouco mais de dois minutos sobre o tempo de TV de Serra. Com o PP, o tucano ficaria perto de equilibrar o jogo.
Em situação privilegiada, a campanha de Dilma vê menos importância em se aliar formalmente ao PP e mais em evitar que Serra o faça. O objetivo é o mesmo em relação ao PTB.
Consideradas as circunstâncias do PP e da campanha de Serra, a chance de Francisco Dornelles vir a ser vice do tucano está hoje na casa dos 20%. Não é muito, mas, descontada a opção dos sonhos Aécio Neves, nenhum dos nomes até agora cogitados reúne probabilidade maior do que essa. No caso de Itamar Franco (PPS-MG), a possibilidade é quase nula.
Itamar, que respirara aliviado com a retirada de José Alencar (PRB) do mercado eleitoral, voltou a se preocupar com sua candidatura ao Senado. Quem conhece o mapa dos votos em Minas acha que, se o PT lançar Fernando Pimentel, é grande o risco de o ex-presidente perder a cadeira para o ex-prefeito de BH. A outra, se Aécio quiser, é dele e ninguém tasca”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:43

Itamar critica discurso de Serra

Do repórter Ezequiel Fagundes, do ‘Estado de Minas’: 
“Apesar de estar no PPS, o ex-presidente da República Itamar Franco pode não acompanhar seu partido no apoio à candidatura presidencial do ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB). Ontem, em Ouro Preto, depois de participar da solenidade do 21 de Abril, na condição de convidado especial do governo de Minas, Itamar deu sinais claros de que está fechado com a candidatura do governador Antonio Anastasia à reeleição, mas não economizou críticas à candidatura tucana à Presidência da República.
Itamar Franco condenou a estratégia adotada por Serra em sua primeira visita a Minas como candidato da oposição. Em discurso para aliados, em Belo Horizonte, na segunda-feira, Serra disse que vê pontos positivos e avanços no governo do presidente Lula. ?Antes de mais nada é preciso arranjar um discurso. Só não gosto quando o candidato de oposição, se não quer falar mal do governo, tudo bem, não fale mal, mas também não precisa elogiar. Porque, se eu elogio, se o voto é obrigatório, se eu falo que o outro candidato é bom, então o eleitor pode falar: ?Para que vamos mudar??. Isso é um contra-senso porque o eleitor que está em dúvida vai dizer então, o que não vai mudar?. Estou achando que faltam propostas para o país?, disse Itamar, em entrevista ao Estado de Minas.
Por outro lado, o ex-presidente afirmou categoricamente que vai se empenhar para reeleger Anastasia na eleição de outubro. Itamar confirmou ainda a sua intenção de concorrer a uma cadeira no Senado. ?Nossa posição é a de defesa intransigente da candidatura do governador Anastasia. Agora, em relação ao Senado, está dependendo de algumas acomodações. Em princípio, o meu partido quer, e eu estou sempre muito animado?, declarou”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:30

Miro: “País quer propostas”

Do Deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) para ‘O Globo’:
“Referência da esquerda entre os principais nomes da política, Lula exerce o poder como um presidente conciliador e deixará ao país um modelo de equilíbrio entre as forças e interesses nacionais, que poderá representar um novo momento em nossas vidas.
A boa novidade começa a se exibir, depois que nossa história, no pós-guerra, viveu sobressaltada pelo suicídio de Getúlio, renúncia de Jânio, deposição de João Goulart, a frustração do Plano Cruzado e o impeachment de Collor.
Hoje temos candidatos à Presidência da República com a honradez testada no exercício de cargos públicos que ensejavam práticas de corrupção, de demagogia, de ofensas eleitoreiras a adversários, e a elas não se entregaram.
Tal plantel de pessoas honradas remete-nos a uma campanha eleitoral civilizada, com a exibição de programas de governo a orientar o voto dos cidadãos.
Os fracassos e as culpas estarão ausentes do cardápio de campanha como se antevê no bate-boca preliminar entre Dilma e Serra, que chega a ser ingênuo diante das imprecações que candidatos dirigiam aos concorrentes, em tempos idos.
?O Brasil pode mais?, de Serra, pareceu uma grande novidade até mesmo para Lula, que chamou o tucano para a briga, como que ofendido pelo óbvio.
É claro que o Brasil pode mais e, espera-se, sempre deverá buscar este ?mais?, por todos os séculos dos séculos.
E como que a demonstrar que também é de briga, Serra atribui a Dilma uma ofensa aos exilados, por conta de um desabafo da candidata, seguidamente apontada como terrorista.
?Eu não fugi à luta? me parece mais a explicação de quem exerceu o direito de insubordinação diante da ditadura.
Mineira, com trajetória política no Rio Grande do Sul, Dilma não cometeria o desatino do sarcasmo diante da deposição de João Goulart, marco da ditadura de 1964.
A sofreguidão no aproveitamento de frases de efeito revela a falta de melhor munição dos contendores, ambos candidatos a continuar o governo Lula, com os avanços possíveis graças à plataforma de lançamento que herdarão para suas metas.
Porque assim tem sido. Da ênfase anti-inflacionária do Plano Real de Itamar Franco, Fernando Henrique e Lula foram seguidores, e quem os suceder o mesmo fará, sem alcançar a perfeição, como Lula não alcançou como demonstram as altas taxas de juros.
O Bolsa Família foi precedido pelo ticket do leite e pelo Bolsa Escola, porque ?quem tem fome tem pressa?, como explicavam Betinho e Dom Mauro Morelli, a bater em portas, com a ajuda de Zuenir Ventura, para mobilizar governos contra os bolsões de miséria.
Passada a refrega dos fraseados, os candidatos terão que explicar como resolverão problemas que se tornam crônicos.
Os trabalhadores acompanham atemorizados a situação dos aposentados, com os proventos reduzidos em comparação ao saláriomínimo.
As famílias continuam surpreendidas pela falta de cobertura dos planos de saúde. As cidades, à míngua de obras e ser viços, se equilibram entre enchentes, gripes, dengue e assaltos. Sobram impostos e faltam soluções.
Deixamos a era do risco de violações governamentais a direitos fundamentais. A sociedade conquistou a liberdade de uma vez por todas. Temos instituições a assegurála, qualquer que seja o governo.
Os brasileiros merecem conhecer desde logo as propostas dos candidatos, para conferi-las, debatêlas, criticá-las. É o que esperamos de todos.
E, para temperar a polêmica sobre a frase de Dilma, mesmo com a indelicadeza de lhe retirar a originalidade, os candidatos podem cantar em coro, do nosso Hino, ?verás que um filho teu não foge à luta?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:24

Itamar não quer falar com Marina

De Ilimar Franco, no seu Panorama Político:
“O ex-presidente Itamar Franco deu uma dura no presidente do PV mineiro, o deputado José Fernando Aparecido. Foi pelo telefone: Fernando, pára de dizer que vou receber a senadora Marina Silva aqui em Minas, porque não vou”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:22

Ana Hickman na festa de Serra

Já está explicada a presença de Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso na festa do PSDB, amanhã, em Brasília,  quando será lançada a candidatura de José Serra à Presidência.
O partido contratou para ser mestre de cerimônia do evento a apresentadora e modelo Ana Hickmann.
Essa contratação explica também a ausência do ex-presidente Itamar Franco.
O chamado ‘Encontro dos Partidos’ tem tudo para ser inesquecível.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:16

Aécio: “Dilma é uma incógnita”

o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, é entrevistado pelos repórteres Mario Sabino e Fábio Portela, nas páginas amarelas da ‘Veja’:
- A que exatamente a população deu a aprovação de 92%?
- As pessoas sabem o que é bom para elas, sua família, sua cidade, seu estado e seu país. A aprovação vem naturalmente quando elas percebem que a ação do governo está produzindo professores que ensinam, alunos que aprendem, policiais que diminuem o número de crimes e postos de saúde que funcionam. Quando você faz um choque de gestão e entrega bons resultados ano após ano, não há politicagem que atrapalhe a percepção de melhora por parte da população. Quem tem 92% de aprovação está sendo bem avaliado por todo tipo de eleitor, até entre os petistas.
- Os eleitores entendem o conceito de ?choque de gestão??
- Quase todo mundo percebe quando a política está sendo exercida como uma atividade nobre, sem mesquinharias, com transparência e produzindo resultados práticos positivos. A política, em si, é a mais digna das atividades que um cidadão possa exercer. Os gregos diziam que a política é a amizade entre vizinhos. Quando traduzimos para hoje, estamos falando de estados, municípios e da capacidade de construir, a partir de alianças, o bem comum. Vou lutar por reformas que possam tornar a política de novo atraente para as pessoas de bem, que façam dessa atividade, hoje vista com suspeita, um trabalho empenhado na elevação dos padrões materiais, sociais e culturais da maioria. É assim que vamos empurrar os piores para fora do espaço político. Não existe vácuo em política. Se os bons não ocuparem espaço, os ruins o farão.
- A máquina do serviço público é historicamente pouco eficiente. Como o senhor fez para mudar essa realidade?
- Nós estabelecemos metas para todos os servidores, dos professores aos policiais. E 100% deles passaram a receber uma remuneração extra sempre que atingissem as metas acordadas. O governo começou a funcionar como se fosse uma empresa. Os resultados apareceram com uma rapidez impressionante. A mortalidade infantil em Minas caiu mais do que em qualquer outro estado, a desnutrição infantil das regiões mais pobres chegou perto do patamar das regiões mais ricas, todas as cidades do estado agora são ligadas por asfalto, a energia elétrica foi levada a todas as comunidades rurais e mesmo as mais pobres passaram a ter saneamento. Na segurança pública conseguimos avanços notáveis com a efetiva diminuição de todos os tipos de crime.
- O desafio do PT sobre comparação de resultados de governos, então, lhe conviria?
- Gostaria muito de contrapor os resultados obtidos pela implantação da meritocracia com o messianismo daqueles que apenas fazem promessas e propagam a própria bondade. Quando você estabelece instrumentos de controle e consegue medir os resultados das ações de governo, você espanta os pregadores messiânicos. Eles fogem das comparações. Mas para ter resultados é preciso que se viva sob um sistema meritocrático. Isso significa que as pessoas da máquina estatal têm de ser qualificadas, e não simplesmente filiadas ao partido político. O aparelhamento do estado que vemos no governo federal é um mal que precisa ser erradicado.
- Quais são as chances de o senhor ser candidato a vice-presidente da República na chapa de José Serra?
- Serei candidato ao Senado. Eu tenho a convicção de que a melhor forma de ajudar na vitória do candidato do meu partido, o governador José Serra, é fazer nossa campanha em Minas Gerais. Eu respeito, mas divirjo da análise de que a minha presença na chapa garantiria um resultado positivo para o governador Serra. Isso não é verdade. Talvez criasse um fato político efêmero, que duraria alguns dias, mas logo ficaria claro que, no Brasil, não se vota em candidato a vice-presidente.
- Nas últimas eleições, quem venceu em Minas venceu também a eleição presidencial. Acontecerá o mesmo neste ano?
- Espero que sim, e acho que o governador Serra tem todas as condições para vencer em Minas Gerais e no Brasil. Eu vou me esforçar para ajudá-lo, repito, porque tenho um compromisso com o país que está acima de qualquer projeto pessoal. Esse compromisso inclui trabalhar para encerrar o ciclo de governo petista. Lula teve muitas virtudes. A primeira delas, aliás, foi não alterar a política econômica do PSDB. Ele fez bons programas sociais? Claro, é um fato. Mas o desafio agora é fazer o Brasil avançar muito mais, e é isso que nosso presidente fará.
- A ministra Dilma Rousseff, candidata do PT ao Planalto, tem dito que o presidente Lula reinventou o país. Esse é um exemplo de discurso messiânico?
- Sem dúvida. Se um extraterrestre pousasse sua nave no Brasil e ficasse por aqui durante uma semana sem conversar com ninguém, só vendo televisão, ele acharia que o Brasil foi descoberto em 2003 e que tudo o que existe de bom foi feito pelas pessoas que estão no governo atual. Os brasileiros sabem que isso é um discurso vazio. Não teria havido o governo do presidente Lula se não tivesse havido, antes, os governos do presidente Fernando Henrique e do presidente Itamar Franco. Sem o alicerce do Plano Real, nada poderia ter sido construído.
- A ministra Dilma cresceu nas pesquisas e viabilizou-se como candidata competitiva. Isso preocupa o PSDB?
- A ministra Dilma chegou ao piso esperado para um candidato do PT, qualquer que fosse ele. A partir de agora, ela terá de contar com a capacidade do presidente Lula de lhe transferir votos. Mas o confronto olho no olho com o governador Serra vai ser muito difícil para ela.
- Na sua opinião, como será o tom da campanha presidencial?
- Acho que, em primeiro lugar, a candidata Dilma terá de explicar logo como será sua relação com seu próprio partido, o PT, em um eventual governo. O PT tem dificuldades históricas de ter uma posição generosa em favor do Brasil. Quando a prioridade do Brasil era a retomada da democracia, o PT negou-se a estar no Colégio Eleitoral e votar no presidente Tancredo Neves. O PT chegou a expulsar aqueles poucos integrantes que contrariaram o partido. Prevaleceu uma visão política tacanha, e não o objetivo maior que tinha de ser alcançado naquele momento. Se dependesse do partido, talvez Paulo Maluf tivesse sido eleito presidente pelo Colégio Eleitoral. Ao final da Constituinte, o PT recusou-se a assinar a Carta. Quando o presidente Itamar Franco assumiu o governo, em um momento delicado, de instabilidade, e o PT foi convocado a participar do esforço de união nacional, novamente se negou, sob a argumentação de que não faria alianças que não condiziam com a sua história. Se prevalecesse a posição do PT, nós não teríamos a estabilidade econômica, porque o partido votou contra o Plano Real. O presidente Lula, com sua autoridade, impediu que o partido desse outros passos errados quando chegou ao governo. Mas o que esperar de um governo do PT sem o presidente Lula?
- Qual é o seu palpite?
- Eu acho que, pelo fato de a ministra Dilma nunca ter ocupado um cargo eletivo, há uma grande incógnita. Caberá a ela responder, durante a campanha, a essa incógnita. Dar demonstrações de que não haverá retrocessos, de que as conquistas democráticas são definitivas. A ministra precisa dizer de forma muito clara ao Brasil qual será a participação em seu governo desse PT que prega a reestatização, que defende uma política externa meramente ideológica, que faz gestos muitos vigorosos no sentido de coibir a liberdade de expressão. 
- E o PSDB, falará de quê?
- Nosso maior tema será lembrar aos brasileiros que somos a matriz de todos os avanços sociais e econômicos do Brasil contemporâneo. Nós temos legitimidade para dizer que somos parte integrante do que aconteceu de bom no Brasil até agora. Se hoje o país está numa situação melhor, foi porque nós tivemos uma participação decisiva nesse processo. Houve a alternância do poder, que é natural e saudável, mas está na hora de o PSDB voltar ao poder. Está na hora de o país ter um governo capaz de fazer a máquina pública federal funcionar sem aparelhamento. É preciso implantar a meritocracia na administração federal, e o PT simplesmente não quer, não sabe e não pode fazê-lo. Às promessas falsas, ao messianismo, aos insultos pessoais, aos ataques de palanque, vamos contrapor nossos resultados nos estados e a receita de como obtê-los também no nível federal.
- O senhor acha que os brasileiros são ingratos com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso?
- Eu acho que hoje não se faz justiça a ele, mas tenho certeza absoluta de que a história reconhecerá seu papel crucial. Como também acho que se fará justiça ao presidente Itamar Franco, que permitiu a Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda, fazer e aplicar o Plano Real.
- Se vencer a disputa presidencial, Serra diz que tentará acabar com a reeleição.
- Eu prefiro mandatos de cinco anos, sem reeleição. Defendo isso desde 1989. Mas, hoje, pensar nisso é irreal. A reeleição incrustou-se na realidade política brasileira de maneira muito forte. A prioridade deveria ser uma reforma política que incluísse o voto distrital misto. Isso aproximaria os eleitores dos deputados e ajudaria a depurar o Parlamento.
- O senhor, um político jovem, bem avaliado, duas vezes governador de um grande estado, ainda deve almejar chegar à Presidência, não?
- Eu tenho muita vontade de participar da construção de um projeto novo para o Brasil, em que a nossa referência não seja mais o passado, e sim o futuro. Sem essa dicotomia que coloca em um extremo o PT e no outro o PSDB, e quem ganha é obrigado a fazer todo tipo de aliança para conseguir governar. Assim, paga-se um preço cada vez maior para chegar a sabe-se lá onde. O PT deixou de apresentar um projeto de país e hoje sua agenda se resume apenas a um projeto de poder. Eu gostaria de uma convergência entre os homens de bem, para construir um projeto nacional ousado, que permita queimar etapas e integrar o Brasil em uma velocidade muito maior à comunidade dos países desenvolvidos, de modo que todos os brasileiros se beneficiem desse processo.
- Mas o Brasil já está direcionado nesse rumo, não?
- Está, mas é preciso acelerar a nossa chegada ao nosso destino de grandeza como povo e como nação. Eu fico impaciente com realizações aquém do nosso potencial. O Brasil pode avançar mais rapidamente com um governo que privilegie o mérito, que qualifique a gestão pública, para que ela produza benefícios reais e duradouros para a maioria das pessoas, que valorize o serviço público e cobre dele resultados. Um governo que tenha autoridade e generosidade para fazer acordos. Meu avô Tancredo Neves costumava dizer que há muito mais alegria em chegar a um entendimento do que em derrotar um adversário. Eu vou ser sempre um construtor de pontes. Quanto a chegar à Presidência da República, tenho a convicção de que isso é muito mais destino do que projeto.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:11

A tucana Marina

Marina está se revelando uma tucana de primeira grandeza.
Vejam a nota, de hoje, na coluna de Mônica Bergamo, na ‘Folha’:
“A senadora Marina Silva, pré-candidata do PV (Partido Verde) à Presidência, deve apoiar Aécio Neves (PSDB-MG) e Itamar Franco (PPS-MG) caso os dois concorram ao Senado em Minas Gerais.
“Vamos apoiar os dois”, diz o vereador Alfredo Sirkis, coordenador da campanha de Marina. “O PV vai lançar candidato apenas ao governo estadual em Minas.”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:48

Ciro: “Aécio salvou Lula”

De Maria Inês Nassif, do ‘Valor Econômico’:
“O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), teve um papel fundamental no desmonte de uma “articulação golpista” em 2005 que, por meio da CPI dos Correios que investigava denúncias do mensalão, pretendia levar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao impeachment. É o que revela, em entrevista ao Valor, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Aécio mandava um avião buscar Ciro, então ministro da Integração Nacional de Lula, e os então deputados Gustavo Fruet (PSDB-PR) e Eduardo Paes (PSDB-RJ), integrantes da CPI. “Íamos para o hangar lá em Belo Horizonte e brigávamos muito, mas chegávamos a um acordo que era avalizado pelo Aécio. Ele nos ajudou a salvar o mandato de Lula”, garante Ciro.
Candidato a presidente pelo PSB, Ciro não quer abrir mão da candidatura para preservar espaço para críticas ao segundo mandato do presidente petista, quando ocorreu uma erosão “dramática” das contas externas, afirma. “Esse debate foi abolido da cena política por oportunismo político-eleitoral, inclusive do Serra”, acusa.
Com discurso superlativo, aponta o dedo para “figuras tenebrosas” e “almas penadas” da política: são os mesmos a quem se aliou o presidente anterior, Fernando Henrique Cardoso. Cita os deputados do PMDB Eduardo Cunha (RJ), Michel Temer (SP) e Eliseu Padilha (RS), e o deputado Felipe Bornier, do PHS do Rio.
Ao ser perguntado das chances de desistir da candidatura à Presidência para disputar o governo de São Paulo, Ciro primeiro é enfático – é candidato a presidente, para ganhar ou perder – e depois faz a ressalva: só se for em torno de um projeto. O projeto de Brasil e a negociação entre as forças políticas contrárias ao “clientelismo” e ao “patrimonialismo” são a chave para entender as entrelinhas do deputado cearense. A chave auxiliar – uma ironia para alguém que transferiu o seu domicílio eleitoral para São Paulo – é uma severa crítica à política paulista. Abaixo, a entrevista ao Valor:
- O senhor recuou ou continua candidato a presidente?
- Continuo candidato. E, dessa, saio vitorioso ou derrotado: nem desistência, nem recuo são possíveis. Uma motivação da minha candidatura é o imperativo moral do flanco onde eu faço política – e sou eu, pelas circunstâncias, quem tem melhor condição de não permitir que a agenda do país se reduza ao plebiscito despolitizado, com personalismos exacerbados, uma disputa entre a turma do Lula, à qual eu pertenço, contra a do Fernando Henrique Cardoso. O imperativo moral é apresentar o que importa.
- E o que importa?
- Importa, a partir do avanço que o país está experimentando – aliás, extraordinário -, apresentar uma agenda complexa para o país. O Brasil vem melhorando sob todos os ângulos, mas apenas se você olhar pelo retrovisor, porque olhando para o futuro e comparando o país com os estandes internacionais, mesmo em renda similar à brasileira, o Brasil está ainda por fazer.
- O senhor acha que a crise é uma oportunidade?
- Nas grandes questões contemporâneas que se projetam para o próximo meio século, o Brasil pode ser protagonista. Em bioenergia, biocombustíveis especialmente, na questão ambiental, na questão étnico-religiosa, o país tem sementes extraordinárias de um ambiente civilizatório. Mas, mesmo conseguindo sair da estagnação a que fomos condenados pelo mito neoliberal – a crença que nos esmagou a imaginação -, ainda não nos libertamos totalmente dele. O neoliberalismo não foi para a lata do lixo porque poderosos sustentam o defunto e inibem o enterro.
- Essa é uma elaboração que parte da crítica ao governo. É essa a base de sua candidatura?
- Não, eu sou entusiasmado pelo Lula. Eu vi o Brasil decadente e hoje o vejo progredindo. A experiência mais ruinosa, sob o ponto de vista das contas públicas foi patrocinada pelo FHC. Quando eu era ministro da Fazenda [no governo Itamar Franco] e ajudei a fazer o Plano Real, o Brasil tinha uma carga tributária de 27% do PIB. FHC elevou a carga tributária para 35% do PIB; a dívida pública brasileira, que era de 35% do PIB, alcançou 68%; desmobilizamos US$ 100 bilhões de patrimônio; a taxa de investimento foi a menor; perdemos um terço dos mestres e doutores do ensino público superior brasileiro; fez-se os dois maiores acordos com o FMI. O Brasil deu o ouro e a prata nos governos FHC. A taxa de crescimento do país naqueles oito anos foi de 2%, 3%; nas contas externas, produziu-se um buraco de US$ 180 bilhões de dólares em oito anos. Com o Lula, a dívida desceu de 68% para para 40% do PIB; nos primeiros quatro anos de mandato, o Brasil fez US$ 46 bilhões de superávit; saímos da taxa de reserva negativa para reservas líquidas superiores a 100% do passivo externo público e privado; a carga tributária não subiu e quase dobrou a taxa de crescimento.
- Se há entusiasmo tão grande de sua parte, por que disputar contra a candidata de Lula?
- Neste segundo mandato, as contas externas brasileiras estão erodindo de forma dramática. Esse debate foi abolido da cena política por oportunismo político-eleitoreiro, inclusive do [José] Serra [candidato do PSDB à Presidência], principal voz de oposição e que sumiu com essa discussão. Além de desalinhamento de câmbio, a perda de dinamismo das nossas exportações é flagrante. A proporção de manufaturados nas exportações brasileiras está despencando.
- Os problemas se concentram na área econômica?
- Olhando pelo retrovisor, tudo melhorou: a educação, a saúde, a questão da universidade. Mas na saúde pública, por exemplo, não foi feito nada estratégico. A educação pública brasileira está melhorando, mas ainda é uma tragédia. E o imperativo moral é impedir o plebiscito que o PT e o PSDB acertaram para confinar o país nas suas miudices e projetar um futuro. Se melhorou, o passado não deve voltar.
- E qual é o projeto?
- Nós temos que apresentar um projeto nacional de desenvolvimento. É preciso que se garanta minimamente que a eleição seja o debate do futuro do país, e não esse debate despolitizado. Isso tem feito mal demais ao Brasil. A briga vem do provincianismo paulista.
- Como uma situação paulista pode contaminar o país?
- O FHC foi para a Presidência com uma obra extraordinária iniciada, o Plano Real. O PT foi contra o Real; recusou-se a dar apoio ao Itamar Franco no momento delicadíssimo do impeachment do Collor; não assinou a Constituição de 1988. Quando o FHC chegou ao poder, encontrou na intransigência do PT o pretexto para angariar a maioria na escória da política brasileira. Era o exercício do clientelismo e conservadorismo sem qualquer limite ético. Quando andou a roda da história e o PT ganhou a Presidência, contra Lula, o PSDB de São Paulo puxou o PSDB nacional para uma intransigente, mesquinha ruptura com o governo.
- Isso não justifica a aliança do governo com o PMDB?
- No segundo mandato, o PSDB deu ao Lula a crença de que, para governar, é preciso se alinhar – e com quem? O Brasil é tão medíocre nesta questão que são as mesmas pessoas – não são só os mesmo valores – que trabalham ao largo de qualquer moralidade. O Renan Calheiros [PMDB-AL], que foi ministro da Justiça do FHC, é lugar-tenente do Lula no Senado. Eduardo Cunha [PMDB-RJ], que já conhecia como ligado ao esquema do PC Farias, é quem está dando as cartas aqui, com a delegação do Michel Temer [PMDB-SP], também ex-aliado do FHC. Eliseu Padilha, ex-ministro do FHC, é o presidente da Comissão de Justiça da Câmara. O Felipe Bornier [PHS-RJ] é presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. É a seleção é às avessas: quanto mais decência e qualificação têm as pessoa, mais distante estarão dos cargos importantes no parlamento.
- Se São Paulo é responsável por isso, por que o senhor transferiu seu título para lá?
- Porque o Lula pediu.
- Mas, em São Paulo, estará fortalecendo essa política?
- A política estadual não precisa ser assim. O Aécio não é assim: ele elegeu um companheiro do PSB para a prefeitura de Belo Horizonte. O Aécio estende a mão e vai lá todo mundo. As diferenças não vão sumir, mas a forma de fazer política não é destrutiva. No Ceará, há tempo a gente se entende, daí se diminui a importância relativa dessas figuras tenebrosas, almas penadas não saem nunca do poder. Mas, em São Paulo, é picareta para um lado, picareta para outro.
- O senhor é contra alianças mais amplas?
- Não sou contra, eu vi debilidade do governo Sarney. Eu conheço a tradição federativa, a tradição multipartidária brasileira; eu reconheço que a aliança é necessária. A questão é: para quê? Se a aliança é só para conservar o poder e suas bases são o assalto à máquina pública, não faz sentido.
- Então, quanto mais ampla for uma aliança, mais relativizado é o poder desses setores?
- Mais do que isso, é parte da luta para acabar com a hegemonia moral e intelectual desses setores. Isso será um avanço institucional para o país. Qual é a razão dessas maiorias malucas [no Congresso]? Mera conservação do poder. Estritamente mercado secundário de minuto de televisão, inclusive na base da grana.
- Na política paulista, como quebrar essa hegemonia?
- Eu não estou na política paulista. Esse negócio de domicílio eleitoral é uma invenção da ditadura, não existia isso antes. Sou o deputado federal mais votado no país pela mão do eleitorado cearense. Esse mandato pertence aos cearenses.
- Se fosse para quebrar a hegemonia do PSDB paulista, o senhor seria candidato ao governo?
- Ajudar a construir o design dessa bomba, eu acho uma das mais gratas tarefas. Não precisa ser derrotando ninguém, pode ser articulando entendimento.
- É isso que você e o Aécio tentam fazer, quando conversam?
- Eu, Aécio, Tasso, Geraldo Alckmin.
- Alckmin tem peso no PSDB para fazer entendimento?
- O Alckmin está esperando para ver se o Serra deixa ele ser candidato a governador. Porque as coisas são assim: o Serra acabou de trair o seu próprio partido e elegeu o DEM para a prefeitura de São Paulo, contra o PSDB. E para ele tudo pode. O Nordeste praticamente varreu o ex-PFL e Serra elegeu Kassab em São Paulo. E aí, eu pergunto: quem elegeu o DEM em São Paulo vem me falar em modernidade?
- Com Lula o senhor chegou a vislumbrar a possibilidade de um entendimento para excluir o patrimonialismo das alianças?
- Lula diz que concorda comigo, que o sonho dele, quando deixar a Presidência, é organizar um movimento como o da Frente Ampla do Uruguai; que não compreende como estou num partido e ele em outro. Tudo bem, eu sei que, também eu, se for presidente, terei que tocar a rotina do país, mas é preciso que o povo ajude a diminuir o custo impagável dessa hegemonia frouxa, dessa hegemonia moral, que o conservadorismo do PT com o PMDB impuseram na agenda do país.
- Qual o interesse na formação de maiorias, se não se aprova matérias de interesse do governo?
- Acho que o interesse é só o horário eleitoral. Fora isso, não vejo nenhuma outra razão, porque não tem nenhuma agenda correndo no Congresso. Se tivesse, os parlamentares não seriam tão irresponsáveis. Veja a PEC 300, que institui o piso nacional para policiais. A emenda foi aprovada em primeiro turno, enganando os policiais, porque é impossível aprovar uma coisa dessa no segundo turno. É lambança, é só teatro. Lula mandou para a Câmara R$ 1,7 bilhão para um projeto de construção de um milhão de moradias. Eduardo Cunha apresentou emenda criando um crédito pleno de R$ 86 bilhões. Esculhambação que, sozinha, derruba o Brasil. Aí o Paulo Paim [PT-RS], no Senado, junto com o Renan, Sarney e tal, aprova o fim do fator previdenciário; ato contínuo, define o percentual de reajuste pelo salário mínimo. Quebra a Previdência. Votação unânime. Daí vem para a Câmara. Na hora em que pautar, vota-se a favor. E o Lula tem que vetar. Essa é a coalizão do Lula – e isso é coalizão? É de uma aliança para governabilidade que nós estamos tratando, ou é um mercado secundário de minuto de televisão?
- O Congresso é todo ele irresponsável, então?
- Não. O presidencialismo de impasse faz do Congresso Nacional um apêndice. Você precisa ver a quantidade de gente séria, trabalhadora, decente, que desiste, vai embora. O problema não é do Congresso, é da coalizão hoje dominante. Esse mesmo Congresso cassou Collor e fez a Constituinte.
- O senhor quer dar protagonismo para parlamentares decentes?
- Não é isso. Nossas regras de representação dizem respeito a pessoas que têm o monopólio de alterar essas regras. Por que essa representação vai alterar a institucionalidade que lhe legitima? Isso não acontece em lugar nenhum. É hora do Brasil se livrar de seus temores elitistas e começar a adotar a prática dos países avançados de convocar plebiscitos e referendos para superar determinados impasses.
- Até 2005, o senhor era o candidato de Lula à sua sucessão. O que é que aconteceu para o presidente ter lançado a ministra Dilma?
- Até 2007. Cada vez que Lula dizia isso para mim, eu dizia que o PT teria de ter candidato. O PT não ter candidato é o escorpião sobre o sapo.
- Sem entrelinhas: o senhor pode ser candidato ao governo de São Paulo?
- Quando Lula me fez o convite, deixei a decisão para o meu partido. O Eduardo Campos [presidente do PSB e governador de Pernambuco] me disse: “Se você quer ser candidato a presidente, por que não fica com domicílio em São Paulo e ajuda a gente a arrumar as coisas por lá?” Eu concordei. E fui para o Ceará para me explicar: Lula me pediu, o partido determinou que eu fizesse, se tentasse ser candidato com domicílio lá poderia ser impugnado por causa de meu parentesco com o Cid [Gomes, governador do Estado e irmão de Ciro]. Candidato a deputado não sou e no Ceará sou inelegível para tudo o mais.
- O senhor pode se candidatar ao governo de São Paulo na hipótese de Aécio Neves ser candidato do PSDB a presidente?
- Não. Eu disse ao presidente é que eu faço política por amor. Se, amanhã, alguém me diz: “o projeto está aqui mas nós vamos perder essa eleição porque Serra, em São Paulo, vai levar 6 milhões de votos e isso definirá a sua vitória a presidente”, aí é outra coisa. Mas eu não vejo esse cenário.
- E por que a situação com Aécio poderia ser diferente?
- Vou fazer uma justiça a Aécio. Quando a CPI dos Correios começou a arquitetar o golpe contra o presidente Lula, o Aécio teve um envolvimento estratégico. No meio da crise, eu, Dilma, Márcio Thomaz Bastos [então ministro da Justiça] e Jaques Wagner [então ministro das Relações Institucionais] nos reuníamos diariamente às 7h para definir uma estratégia que era “Infantaria e Diplomacia” – eu dei o nome. Nós iríamos fazer o diálogo, a diplomacia. Fizemos uma lista daqueles nomes importantes da República e escalamos quem falaria com cada um. Bastos e [Antonio] Palocci ficaram escalados para conversar com o Fernando Henrique e com o Serra, e eu, com Geraldo Alckmin, Aécio Neves, Fernando Gabeira [PV-RJ], José Carlos Aleluia [DEM-BA] – esta era a estratégia de diplomacia. E como infantaria, nós estimulamos um movimento para ocupar as ruas. O trabalho da diplomacia era dizer: “Daqui para trás: nós estamos vendo um componente golpista nisto, o presidente da República não será alcançado e nós não vamos tolerar isso”. Acabamos fazendo a manifestação na rua, só para mostrar que não estávamos blefando. O Aécio entendeu. Passou não só a concordar, mas a agir para desarmar a bomba. Muitas vezes ele mandou um avião para me buscar em Brasília às 9h da manhã, mandava o avião para pegar fulano, ciclano e beltrano da CPI e íamos para o hangar lá em Belo Horizonte. Lá brigávamos muito, mas chegávamos a acordos avalizados pelo Aécio. Ele nos ajudou a salvar o mandato do Lula. Invoco o testemunho de Gustavo Fruet [PSDB-PR] e Eduardo Paes [na época, PSDB-RJ]. O Aécio nos ajudou a desmontar a indústria da infâmia movida a partir do PSDB de São Paulo.
- Existe a hipótese de Aécio ser candidato a presidente?
- Acho que sim. Com grandes chances. Se ele for o candidato, é porque Serra terá recuado voluntariamente, e daí Serra garante a ele o eleitorado em São Paulo. O segundo colégio é Minas, e Aécio tira 70% ou mais; o terceiro é o Rio, e ele entra melhor que o Serra; depois é o Nordeste. O Sul está hostil para nós. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o eleitorado é contra o PT, eu ainda entro, mas o Aécio entra com mais leveza. O problema é o Serra e o carreirismo dele, só pensa em si. O problema do PSDB é o seguinte: eles [os tucanos] vivem embaixo de uma redoma, quando saem da rede de proteção da mídia, encontram um Brasil que não conhecem.
- FHC também?
- O Fernando Henrique tem um ciúme infantil do Lula, uma inveja feminil do Lula”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:32

Fortes: “Serra precisa de Minas”

Dos repórteres Heloísa Magalhães, Paola de Moura e Chico Santos, do ‘Valor Econômico’:
“Secretário-geral do Ministério da Fazenda na gestão Karlos Rischbieter (1979), aos 34 anos, presidente do BNDES no governo José Sarney (1987-89), deputado federal por três mandatos, Marcio Fortes é uma das peças-chave da estratégia tucana para 2010. Desde o ano passado mudou-se do Rio para São Paulo para presidir a Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa) e ficar mais próximo das articulações do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), à Presidência.
No partido desde 1994, Fortes ocupou a estratégica secretaria geral do partido e pela proximidade com o mundo dos negócios – foi presidente da João Fortes Engenharia, criada por seu pai – abriu caminho para tornar-se tesoureiro da campanha de Serra em 2002.
Aos 65 anos, Fortes deverá se desincompatibilizar da Emplasa para entrar na campanha fluminense como vice do deputado Fernando Gabeira (PV) na disputa pelo governo do Rio com a missão de garantir um palanque forte para Serra no Estado.
Olhando do centro do ninho tucano, Fortes afirma que o fiel da balança das eleições presidenciais deste ano será Minas Gerais. Por isso, não vê outra opção para vice-presidente de Serra que não seja o governador Aécio Neves. Diz que, caso o mineiro realmente não aceite compor a chapa, outra solução terá que ser encontrada em Minas Gerais para assegurar a vitória do PSDB.
“Desde o governo de [João] Figueiredo [1979/85] a maior parte dos vices é mineira”, diz, citando Aureliano Chaves, Itamar Franco e José Alencar. Não descarta que Aécio Neves venha a mudar de ideia, embora o governador de Minas Gerais afirme que não vai formar chapa com Serra. “Ele nega de pé junto, mas seus amigos dizem que ele ainda pode aceitar”, afirma Fortes.
Avalia que a presença do mineiro na chapa tem um peso decisivo na disputa pelo voto mineiro: “Aécio já demonstrou não ter vocação para pedir votos para os outros”, diz Fortes referindo-se à vitória apertada de Marcio Lacerda, para Prefeitura de Belo Horizonte, em 2008.
Embora Minas tenha o segundo colégio eleitoral do Brasil, para Fortes, o Estado é mais decisivo do que São Paulo, mesmo respondendo por menos da metade dos eleitores que tem o Estado vizinho. “Os mineiros votam em bloco”, afirma. E destaca que os focos das alianças tucanas também levam em conta três outros Estados que serão decisivos nas eleições de outubro para equilibrar a força petista no Nordeste: Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul.
Mas Fortes acha que, mesmo que Serra desista da candidatura, o que não descarta mas acha pouco provável, Aécio Neves não teria chance de ser eleito presidente. Para ele, o governador mineiro ainda não é suficientemente conhecido no país para uma disputa com a candidata do PT, Dilma Rousseff.
O crescimento da ministra nas pesquisas não o impressiona. Lembra que a Dilma vem tendo exposição nacional maciça ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sucessivos eventos e inaugurações pelo país enquanto “o coitado do Serra só inaugura ciclovia no Tietê”, diz, num lapso da geografia urbana de São Paulo. A ciclovia, inaugurada no domingo, é na Marginal do Rio Pinheiros. Diz que a ministra vai cair nas pesquisas após a desincompatibilização porque não poderá mais participar de eventos do governo.
Fortes conta que a campanha de Serra à Presidência deve ser focada na história política do governador, sua atuação como administrador e como Ministro da Saúde e do Planejamento. Os tucanos não têm a intenção de incluir na campanha o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que nas pesquisas mostra alto índice de rejeição, e muito menos traçar comparações entre os anos FHC com os de Lula como fez o ex-presidente em recente artigo publicado na imprensa.
O ex-deputado disse ainda que engajamento de FHC no esforço para a legalização das drogas, neste momento, atrapalha Serra, já que a maior parte da população brasileira é contra a medida.
Fortes diz que seu nome surgiu na coligação entre o PSDB e o PV para formar a chapa com Gabeira, em parte, porque conhece muito bem o Estado. Gostou da ideia, mas deixa claro que sua participação tem o objetivo maior de garantir palanque no Rio para que Serra vença.
Afirma que, no Rio, a candidatura Gabeira será fundamental para Serra, ainda que seu palanque seja de Marina Silva (PV). “Na televisão, Gabeira não pode pedir voto para Serra, mas eu posso. Assim como Serra pode pedir para para o Gabeira. E nada impede que ambos participarem juntos de eventos públicos”.
Fortes aposta que Gabeira irá para o segundo turno com o governador Sérgio Cabral (PMDB). Para ele, a candidatura de Anthony Garotinho (PR) vai se “esvaziar” ao longo da campanha. “Se eu fosse o Cabral resolvia isso logo, negociaria uma aliança com Garotinho para aumentar as chances de levar a eleição no primeiro turno, pois o governador não tem voto no interior. Sabe quantas vezes Cabral foi a Petrópolis, que fica a menos de 70 quilômetros do Rio, desde que assumiu? Nenhuma. Ele não visita o interior”, diz.
Orgulha-se de conhecer o Rio. “Ninguém conhece mais o Estado do Rio de Janeiro do que eu”, diz. Lembra que como presidente do Banerj (1990/91) viajou por todo o Estado, além de ter sido duas vezes secretário (municipal de Obras, de 1993 e 1994) e estadual de Indústria, Comércio e Turismo (1996/2000)”.

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