• Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 19:05

Cabral e as 28 voltas ao mundo

Sergio Cabral está à frente do governo do Rio há apenas dois anos e quatro meses, mas nesses 865 dias suas viagens ao exterior somaram 28 voltas ao planeta, segundo o cálculo feito pela repórter Dimmi Amora,  e que ?o Globo? publicou no mês passado. Pelo número de viagens que se tem notícia, e pelas vezes que o vice Luiz Fernando de Souza Pezão assumiu ? 17 oficialmente ? descobre-se que Cabral fez algumas viagens sem transmitir o cargo, como foi o caso da viagem, no Carnaval de 2007, a Ilha de San Barth, um paraíso de milionários e para onde não existem vôos comerciais.
Para se ter uma idéia do número de viagens do governador, só nesses quatro meses de 2009, Cabral passou o correspondente a um mês no exterior. É possível que no balanço de 2009, ocorra um erro de um, dois ou três dias, não mais que isso. O problema é que o governo do Estado, ao que parece, não quer preservar a memória da atual administração. O governador tem duas assessorias de imprensa, uma oficial e outra terceirizada, mas nenhuma delas guarda sua coleção de agendas.
- O melhor caminho é ver o noticiário do governo no site. O que era agenda, virou notícia ? diz um assessor graduado de Cabral.

Aniversário em Paris

Assim, a primeira viagem que se tem notícia do governador esse ano foi no seu aniversário. Ele completou 46 anos no dia 27 de janeiro, e foi, óbviamente, comemorar a data em  Paris. Dia 27 caiu numa terça-feira. Ele tinha agenda em Davos, na Suiça, na quinta, e aproveitou para passar a semana inteira fora. Viajou dia 22 e voltou dia 30.
Fevereiro teve Carnaval e não se conhece viagens do governador. O que não quer dizer que ele não tenha viajado. No primeiro ano de governo, quando estava há menos de 50 dias no cargo, ele foi deliciar-se nas maravilhas de San Barth, paraíso predileto da Princesa Diana quando queria se refugiar dos  paparazzis. Viagens rápidas acontecem,  e muitas delas não se tem notícia, como pode ter ocorrido, por exemplo, nos feriados da  Semana Santa.
No dia 21 de março, o governador viajou para Dever, nos Estados Unidos, onde participou de uma feira internacional de esportes. Seu compromisso era discursar, durante 5 minutos, no dia 26, uma quinta-feira, sobre a candidatura do Rio2016. Para isso ficou oito dias fora do país.
Na mesma semana que chegou dos Estados Unidos, Cabral viajou para Londres. Foram mais sete dias viajando para uma agenda de 60 minutos, acompanhando o Presidente Lula na visita ao canteiro de obras onde serão realizadas as Olimpíadas de 2012. Eduardo Paes também foi, mas chegou a Londres para o compromisso, pela manhã,  e voltou ao Brasil na noite do mesmo dia.

 
A longa interinidade

Nesses 28 meses, o vice Luiz Fernando de Souza, o incansável Pezão, já completou 100 dias de interinidade no Governo do Rio. Como são contados apenas os dias úteis, é possível que esse número aumente em até 60%. Isso quer dizer que o governador Sergio Cabral esteve ausente do seu local de trabalho, 20% do total de dias de seu mandato. Em 2009, esse índice foi maior. É como se ele trabalhasse, durante todo esse período, como parlamentar em Brasília, cuja semana é de apenas três, no máximo quatro dias.
Há anos, Cabral está acostumado a essa vida. Nos quatro anos que exerceu o mandato de senador, por exemplo, ele primou pela ausência. Nos oito primeiros meses de 2006, por exemplo, ele faltou a 52% das sessões. Isto somado as 178 faltas durante a Legislatura, desde 2003, Cabral esteve no plenário em pouco mais de um terço das votações (35,8%).
Uma das viagens de Cabral, no ano passado, foi para atender ao convite do Presidente Lula, que foi assistir, em Londres, a um jogo da Seleção Brasileira contra a Inglaterra, no estádio de Wembley. 
O desejo do governador de voar é tamanho, que as vezes ele se comporta como chefe do Executivo de um estado pequeno, de menos importância. Por isso, aceita convites até para vôos inaugurais de empresas aéreas. Um já o levou a Nova York, e outro a Londres.

As conversas caseiras


Mas Cabral não usa as viagens ao exterior apenas para ser fotografado, anunciar entrevistas coletivas e dar declarações somente para suas assessoras. Em algumas ele aproveita para encontrar-se com deputados estaduais. É fora do país que ele acerta os ponteiros com as bancadas na Assembléia. Em uma viagem que fez aos Estados Unidos, em março de 2007, por exemplo, ele decidiu fazer o trajeto Washington/Nova York, em um ônibus fretado, para poder conversar, à vontade,  com quatro deputados estaduais e um federal. 
Oficialmente, Cabral esteve em Portugal, na Colômbia, na França, nos Estados Unidos, na Argentina, na Itália e na Suiça. Isto em 2007. No ano seguinte ele foi de novo a Suiça, a Coréia, ao Japão, a França, a Grécia, a Alemanha, a China, ao Reino Unido e a Turquia. Este ano, esteve na Suiça, nos Estados Unidos, no Reino Unido e na França. No total, foram 14 países. Isso sem contar duas idas a Bruxelas, onde um dos filhos estudava equitação. E mais as quatro visitas particulares: a ilha de San Barth, no Caribe; duas a França e uma aos Estados Unidos. Como em muitas viagens Cabral preferiu Paris para fazer escala, tanto na ida quanto na volta, estima-se que ele esteve na Cidade Luz nesses dois anos pelo menos 22 vezes.

 
Mais viagens que Lula

Em março de 2008, no dia em que embarcou para o Japão, os repórteres Raphael Gomide e Sergio Torres, da sucursal carioca da ?Folha de S. Paulo?, publicaram uma reportagem sobre as viagens de Sergio Cabral ao exterior.
Eis algumas das curiosidades descobertas pela dupla de repórteres:
1.Em 2007, Cabral esteve no exterior mais dias do que Lula. O governador viajou 62 dias e o presidente 61.
2.Os 62 dias do governador no exterior em 2007 superam as viagens de Lula em três anos, se comparados individualmente: 2004 (40 dias), 2005 (55 dias) e 2006 (33 dias).
3.O período passado por Cabral no exterior supera ainda a média anual de viagens de Lula nos primeiros cinco anos de mandato (50,4 dias) e as de Fernando Henrique Cardoso, que viajou 351 dias, em oito anos de mandato (média de 43,8 dias por ano).
4.Nas viagens de trabalho, o governador gastou em média 5,8 dias em cada país visitado. Em abril, por exemplo, ficou mais tempo fora do país do que no Rio de Janeiro.
5.Até o fim de setembro de 2007, Cabral havia passado 54 dias (20,5%) de 264 no exterior, ou um a cada cinco dias fora do Brasil em seu mandato.
6.A preferência pelo exterior levou o gabinete do governador do Estado do Rio a gastar muito mais recursos fora do Brasil do que no Rio de Janeiro.
7.O interesse do governador nas relações exteriores o levou a criar a Subsecretaria de Relações Internacionais, que integra a Casa Civil.
Fernando Henrique Cardoso, por viajar muito para o exterior, era ridicularizado pela turma do ?Casseta e Planeta?  que o chamada de ?Viajando Henrique Cardoso?. Já o presidente Lula que adquiriu, em seu primeiro mandato, um Airbus para servir a Presidência da República, é ridicularizado ainda hoje com o seu ?Aerolula?. Já o governador  Sergio ?Wally? Cabral continua  sendo poupado pela imprensa de seu Estado.
Um dia, quando os jornais se animarem, poderão fazer a ele pelo menos três perguntas:
1. Por que ele levou, em sua visita oficial a Paris, a metade do secretrariado,  além de dirigentes de outros órgãos como o comandante do Corpo de Bombeiros e a diretora do Museu da Imagem e do Som?
2. Quanto custou a viagem a ilha de San Barth, em 2007, e as diárias no Hotel George V, em Paris, no mês passado?
3. Qual foi a conversa que Cabral teve com Bush pai durante o seu encontro no Texas? Deve ter sido coisa de doido…
Até hoje, os resultados das viagens do governador ao exterior não são conhecidos.
Talvez, por uma questão de estilo, ele dê pouca publicidade a deliciosa tarefa de rodar 28 vezes o planeta em busca de oportunidades para o Rio de Janeiro.

  • Domingo, 16 Maio 2010 / 4:08

Cabral cutuca Eduardo Campos

De Jorge Bastos Moreno no seu Nhenhenhém, no ‘Globo’:
“A decisão de Jarbas Vasconcelos de ser candidato contra o governador Eduardo Campos, em Pernambuco, foi festejada com fogos no Palácio Laranjeiras. Menos por Jarbas ser do PMDB, mesmo partido de Cabral, e mais por essa candidatura representar uma ameaça concreta a quem comandou a briga do Nordeste contra o Rio no pré-sal”.
                      * * *
Cabral continua brincando com fogo.
O seu alvo, o governador Eduardo Campos, tem com ele todas as informações sobre o jatinho que levou o governador do Rio, e amigos, no carnaval de 2007, de Recife até a  paradisíaca Ilha de San Barth.

  • Quinta-feira, 21 Janeiro 2010 / 1:47

Gabeira tem filme contra Cabral

 Fernando Gabeira ainda não oficializou sua candidatura, mas já preparou um filmete sobre as viagens de Sergio Cabralao exterior.
Mas Gabeira foi suave com o governador.
Quando Cabral tinha 2 anos e quatro meses de governo, ?O Globo? fez uma reportagem, e calculou que, até aquela época, o governador já havia dado 28 voltas ao redor do mundo. Imagem hoje.
Além disso, Gabeira esqueceu que colocar, no seu roteiro,  a mais escabrosa das viagens de Cabral: a ilha de Saint Barth, no Caribe, paraíso de milionários para onde não existem vôos comerciais. Esse passeio ? quando o governador tinha menos de três meses de governo – custou, miseravelmente, mais de 250 mil dólares, e até hoje não se sabe quem custeou os  gastos.
Vejam o filme de Gabeira:

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