• Quarta-feira, 14 Julho 2010 / 4:07

Datafolha ameaça Sensus

Do deputado Brizola Neto em seu ‘Tijolaço‘:
“A Folha de S. Paulo, hoje, arreganha seus dentes, ameaçadora, contra o Instituto Sensus. Deixa claro que vai tentar desmoralizar qualquer resultado de pesquisa eleitoral que contradiga o diktat do Datafolha.
O que o PSBD não conseguiu com sua investida mentirosa contra a pesquisa que apontou empate entre Dilma e Serra, o jornal está fazendo, usando argumentos ?técnicos? para desmerecer não apenas o Sensus, mas todos os outros intitutos de pesquisa.
Hoje, na reportagem ?Sensus altera formulários de pesquisas?, que não está disponível na internet, o jornal deixa claro o mecanismo de pressão, repetindo o discurso do PSDB.
?O método de, no jargão do meio, ?esquentar? o entrevistado com, perguntas prévias, é motivo de controvérsia entre os institutos de pesquisa e foi questionado pelo PSDB (não foi, não, o PSDB questionou a distribuição da amostra e quebrou a cara, o médoto foi questionado pela Folha), que chegou a vistoriar, com autorização da Justiça, os questionários arquivados na sede do instituto?.
Aí vem o diretor do Datafolha, Marcos Paulino, dizendo que abordar outros assuntos antes da declaração de intenção de voto ?pode influenciar a resposta dos candidatos?.
O jornal porém, afirma que ?o Vox Populi e o Ibope também têm o costume de usar perguntas prévias antes de averiguar a intenção de voto?.
Ora, então temos que, dos quatro grandes institutos de pesquisas brasileiros só o Datafolha sustenta que poderia haver uma distorção por um questionário que começasse por perguntas mais gerais para chegar à especifica.
Ou seja, o Datafolha está certo e todos os outros errados.
Seria bom, também, o Datafolha revelar aos leitores que não faz entrevistas domiciliares, mas abordagens de rua, que não tem tanta possibilidade de serem checadas. Explico: os outros institutos entrevistam a pessoa da casa X, da rua A, do bairro tal, da cidade qual. O Datafolha aborda uma pessoa na rua e ao final pede o endereço e o telefone, que são declarados, sem checagem física.
Deixando claro que está pronto a invalidar qualquer resultado que não coincida com o do seu Datafolha, o jornal já avisa que, como o Sensus -  para evitar a campanha de que está sendo vítima-  mudou a ordem das perguntas na pesquisa que será divulgada segunda-feira pela Confederação Nacional de Transportes, ?pode ficar comprometida a comparação com o resultado anterior, já que os formulários são diferentes?.
Impressionante como o grupo Folha nem mesmo disfarça o uso do seu poder para coagir”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:41

Ibope será o tira-teima

O Ibope tem pronta uma pesquisa sobre a sucessão presidencial.
Ela poderá por um fim a disputa entre os números do Sensus e do Datafolha.
No primeira, Serra e Dilma estão empatados.
No segunda, Serra tem 10 pontos na frente.
Noves fora,  o tucano poderia aparecer com à frente da petista.
E os dois institutos acabariam tendo razão.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:16

As pesquisas brasileiras

Do sociólogo Marcos Coimba, presidente do Vox Populi, para o ‘Correio Braziliense’:
 ”Até agora, as eleições presidenciais de 2010 já bateram dois recordes: a) são as que mais cedo começaram em nossa história política e b) são, de todas as que fizemos, aquelas onde mais tivemos pesquisas. Desde sua largada, há mais de três anos, não deve ter havido um só mês em que pelo menos uma não tenha sido divulgada.
Daqui para frente, esse ritmo só tende a aumentar. De abril a junho, quando serão realizadas as convenções dos partidos, a frequência se intensificará, com periodicidade cada vez menor. Depois de julho e, especialmente, do dia 18 de agosto em diante, quando se inicia a propaganda eleitoral na televisão e no rádio, uma verdadeira enxurrada de números vai desabar sobre o eleitorado. Sem contar que as eleições nos estados também estarão quentes e merecerão as próprias pesquisas.
A maior parte das pessoas fica confusa com tantas porcentagens, tabelas, análises por segmento e cruzamentos de dados. O que parece claro a um estatístico ou especialista chega a ser incompreensível para o cidadão comum, a quem, em última instância, as pesquisas de divulgação pública se destinam.
Como são normais as variações entre as pesquisas, o quadro se complica. Os resultados do mesmo instituto podem variar de um levantamento para outro, nem sempre em sentido igual. Entre institutos, as oscilações de resultados são ainda mais comuns.
Quem torce por um candidato olha qualquer pesquisa em que ele não aparece bem como se tivesse sido deliberadamente falsificada. Assim, ora acha que um instituto é ótimo, ora péssimo, em função de como seu preferido se sai. Volta e meia, vê-se alguém tecer uma longa argumentação para provar que um instituto foi ?comprado? e ser desmentido a seguir, quando uma nova divulgação põe por terra sua hipótese conspiratória.
Parte dos problemas decorre do modo como algumas pesquisas são apresentadas. É o caso, tipicamente, das que são feitas por institutos ligados a veículos. Por interesse comercial ou solidariedade da redação com os colegas do departamento de pesquisa, seus levantamentos são divulgados pela empresa patrocinadora como se fossem melhores, mais verdadeiros que outros. Não o são, e o pior é que fingir que só um é ?bom? prejudica a credibilidade de todos.
Um dos mais importantes pesquisadores das pesquisas políticas no Brasil (senão o maior), o professor Marcus Figueiredo, do IUPERJ, do Rio de Janeiro, vem avaliando o desempenho do setor nos anos após a redemocratização. Seus estudos nos ajudam a visualizar melhor o que é o trabalho dos institutos e o que a opinião pública pode esperar deles.
A primeira coisa é que, de 1989 até agora, o desempenho médio dos principais institutos que se dedicam ao tema (Ibope, Vox Populi e Datafolha, até 2002, junto com a Sensus, daí em diante), nas eleições presidenciais, é melhor que dos congêneres americanos, entre 1956 e 1996. Nossa margem de acerto é significativamente melhor que a deles. A média das diferenças entre as intenções de voto estimadas pelos institutos para os candidatos e os resultados oficiais foi, no Brasil, nas cinco eleições que fizemos, de 1,4 ponto percentual, enquanto lá foi de 1,9. Eles foram bem, mas nós fomos muito bem.
Em segundo, que as variações de desempenho entre os institutos, nesse período, nas eleições para presidente, foram irrelevantes. Em 1989, a média das diferenças entre o que os três institutos previam, candidato a candidato, e o que aconteceu na urna foi de 1,6 ponto, sendo que nenhum dos três se afastou dessa média em mais que 0,8 ponto. Ou seja, todos previram a mesma coisa e todos tiveram o mesmo nível de acerto. Em 1994, a discrepância média foi ainda menos relevante, situando-se em 0,9 ponto percentual, com números quase idênticos para os três. E assim em 1998 (diferença média de 1,6 ponto), 2002 (de 1,1) e 2006 (de 1,9).
Não é fácil convencer pessoas apaixonadas de que o trabalho dos institutos é desapaixonado. Mas é certo que a opinião pública pode esperar deles, nas eleições de 2010, o mesmo que mostraram nas últimas: um trabalho bem feito, que ajuda o cidadão a saber como andam as intenções de voto a cada momento.
Serão muitos números, nenhum mais correto que outro, alguns até incoerentes. Mas todos pintando o mesmo quadro, o longo processo através do qual 135 milhões de pessoas formam suas escolhas a respeito de quem querem que governe o Brasil nos próximos anos”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:52

Serra candidato elogia Lula

Da Folha:
“O governador de São Paulo, José Serra, assumiu ontem, publicamente, a candidatura à Presidência da República.
O tucano chamou a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), para o embate ao afirmar que o eleitor fará “um juízo mais pessoal a respeito dos candidatos”. Em entrevista ao apresentador José Luiz Datena, da TV Bandeirantes, elogiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, dizendo que aposta no confronto de biografias, tentou minimizar sua influência no processo eleitoral.
“Tem que ver quem é que vai ser presidente [...] O presidente é insubstituível”, justificou.
Minutos depois, insistiu: “Não há ninguém que governe com alguém paralelamente mandando. Nem acho que o Lula pretenda fazer isso. Mas isso não funcionaria no Brasil e em nenhum lugar no mundo”.
Dois dias depois de afirmar que não comentaria pesquisas até as eleições, Serra atribuiu o bom desempenho de Dilma à exposição da petista. E rechaçou a comparação dos governos Lula e FHC na campanha:
“Há uma introdução a ela favorável neste momento. Mas a partir de um certo momento a população vai julgar não quem já foi presidente ou quem é, mas quem é candidato”.
Na entrevista, concedida no heliponto do Palácio dos Bandeirantes, Serra adiantou o discurso da campanha: “O Lula fez dois mandatos, está terminando bem o governo. O que nós queremos para o Brasil? Que continue bem e até melhore”.
Embora não tenha anunciado formalmente, Serra confirmou para abril o lançamento oficial da candidatura e, questionado, disse que não a negava. Só não faria campanha enquanto estivesse no governo.
O governador, que faz tratamento de combate ao estresse, disse que, na campanha, o eleitor poderá conhecer sua história e a de Dilma. Tratado como candidato a presidente, agradeceu quando Datena -que elogiou o “bom aspecto” do governador- desejou-lhe “boa sorte na corrida presidencial”.
Assustado com a repercussão da entrevista -que incomodou concorrentes da Bandeirantes- Serra tentou reduzir sua importância. “Não falei nada de especial. Não vejo razão para essa histeria coletiva”, disse. “Tudo já foi dito antes.”
Há 15 dias, a Folha informou que Serra anunciara a aliados a disposição de concorrer. Mas ontem foi a primeira vez que o governador admitiu abertamente que será candidato.
Em conversas, Serra fez questão de explicar que não estava previamente programada a aparição de crianças no programa. Na abertura da entrevista, alunos da creche do Palácio cantaram “Parabéns a Você” em comemoração ao 68º aniversário de Serra, ontem.
Nas conversas, o tucano disse temer que a entrevista reforce a pressão para que se manifeste publicamente sobre candidatura nos últimos 12 dias de governo, quando pretende fazer uma série de inaugurações.
Serra insistiu que não planejara lançar candidatura ontem. Segundo disse a aliados, pretendia, originalmente, levar Datena à AME (Ambulatório Médico de Especialidades) em Heliópolis. Mas, como atrasara devido a uma consulta, ficou constrangido e não se recusou a responder às perguntas”.

                     * * *

Como se sabe, nunca é possível agradar a todos.
No ‘Painel’, de Renata Lo Prete, ela diz que um tucano, de fora de São Paulo, se mostrou decepcionado com a entrevista:
“Mas esse programa só passa em São Paulo, né?”.
O fato certamente deve ter irritado a Rede Globo. Já que era para ser anunciado em uma entrevista à televisão, por que não escolher a emissora de maior audiência no país.
Mas Serra fez o certo. Sabe que, mesmo tendo menor audiência, a repercussão seria a mesma.
E Luiz Datena é um velho amigo, Basta ir no YouTube e ver a quantidade de entrevistas que o apresentador da Bandeirantes já fez com o governador de São Paulo.
O programa de Datena tem em média 2 pontos de audiência.  Ontem teve 1,6 e, no pico chegou a 3,4, segundo o Ibope.
No YouTube, a entrevista completa, de 25 minutos e 6 segundos, está dividida em quatro blocos. Assista a seguir.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:46

Ibope dará alívio a Serra

 Ibope dará, amanhã, um pequeno fôlego para José Serra.
Segundo Renata Lo Prete, da Folha, o instituto “deverá indicar José Serra (PSDB) com cinco pontos de vantagem sobre Dilma Rousseff (PT)”.
No mesmo jornal, Monica Bergamo diz que “o Ibope confirmará a tendência apontada pelo Datafolha em fevereiro: Dilma Rousseff (PT-RS) sobe, José Serra (PSDB-SP) cai. A distância entre eles, que no Datafolha era de quatro pontos (32 para o tucano e 28 para a petista), também será confirmada pelo Ibope, com ligeira diferença em favor de Serra.
Na opinião de um tucano, a pesquisa virá em boa hora. Era grande o temor de que Dilma ultrapassasse Serra nas pesquisas bem no período em que ele se lançará candidato à Presidência da República”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:28

Problemas de Serra são Rio e MG

Para o ex-prefeito Cesar Maia, especialista em pesquisas eleitorais, o maior problema hoje de José Serra, pré-candidato do PSDB à Presidência da República é Rio e Minas. Veja a sua análise:
“1. Todos os cruzamentos e projeções em 2009 mostravam que Dilma cresceria na base da superexposição e companhia de Lula, e que chegaria, no início de 2010, aos 30%, de onde partiria a polarização com Serra. A pesquisa Datafolha sugere que o PSB não vai dar sustentação a Ciro Gomes, e que esse não será candidato. E que Marina (com programa de TV recente) será paisagem nessa campanha, que tende a ser decidida no primeiro turno.         
2. O DataFolha (24-25/02) dá a Serra 38% das intenções de voto, a Dilma 31%, e a Marina 10%. O Ibope (6-7/02) deu a Serra 41%, Dilma 28% e Marina 10%. O Sensus (25-29/01) deu a Serra 41%, Dilma 29% e Marina 10%.  O Vox-Populi (14-17/01) deu a Serra 38%, Dilma 29% e Marina 8%. Portanto, tudo dentro rigorosamente da dita margem de erro. O óbvio e esperado crescimento de Dilma em pesquisas se deu no correr de 2009, pela superexposição e transferência possível de Lula.             
3. Em 2010, o quadro está estabilizado. Elas por elas com Serra 40%, Dilma 30% e Marina 10%. O fato de Ciro e Dilma -quando se inclui Ciro- ficarem estacionados, é mais uma prova disso.      
4. Curiosamente, o DataFolha diz que cresceu o percentual de eleitores indecisos na pergunta não estimulada: eles são hoje 58%, contra 47% no Datafolha anterior. E informa que a vantagem de Serra no Sudeste teria caído de 22 para 14 pontos. Isso ainda há que se comprovar na série, pois a margem de erro por região é pelo menos o dobro da nacional. Mas esse deve ser um alerta para Serra em Minas+Rio, que respondem por 20% do eleitorado.        
5. A aproximação no segundo turno da pesquisa DF só corrobora que a eleição será mesmo plebiscitária e tende a ser decidida no primeiro turno, sem Ciro, claro. Quando o eleitor se aperceber disso, fará o voto útil ainda no primeiro turno, minimizando a intenção de voto em Marina”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:13

Ibope: Serra lidera todos os cenários

Reportagem de Guilherme Scarance, no ?Estadão?, diz que ?o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), lidera todos os cenários da corrida à Presidência, indica pesquisa Ibope/Diário do Comércio divulgada nesta semana. De acordo com a sondagem, encomendada pela Associação Comercial de São Paulo, os resultados do tucano, no primeiro turno, variam de 36% a 41% das intenções de voto.
No principal cenário, o tucano tem 36% e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, 25%. A pesquisa, feita entre os dias 6 e 9, com 2.002 entrevistados, mostra que os candidatos seguem estáveis em relação aos dados de dezembro, com exceção da petista, que cresceu oito pontos. Serra oscilou dois pontos para baixo.
Em terceiro lugar, nessa lista, aparece o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), com 11% (em dezembro, eram 13%), seguido da senadora Marina Silva (PV-AC), com 8% (antes, 6%). Votariam em branco ou anulariam o voto 11% e 9% se disseram indecisos ou não responderam. A margem de erro é de dois pontos.
O melhor desempenho de Serra, quando abre 13 pontos de distância em relação a Dilma, é no cenário sem Ciro. Nesse quadro, o tucano aparece com 41% e a petista, com 28%. Marina, em terceiro, teria 10%. Em branco ou nulo somaram 12% e os últimos 9% não souberam ou não quiseram responder.
Para a diretora-executiva de atendimento e planejamento do Ibope, Márcia Cavallari, “os cenários estimulados pela pesquisa mostram que, com a saída de Ciro da disputa, aumenta a probabilidade de a eleição acabar no primeiro turno”.
No o segundo turno, o governador paulista venceria a adversária do PT por 47% a 33%. Voto em branco e nulo totalizaram 12% e 8% dos entrevistados não souberam responder.
Ainda segundo o Ibope, a maior parte das pessoas ouvidas prevê que o PSDB vencerá a corrida ao Planalto. Quando indagados sobre quem será o próximo presidente, independentemente da intenção de voto, 45% responderam Serra e 26% citaram a titular da Casa Civil.
O instituto indagou, ainda, se os entrevistados conheciam os candidatos “bem”, “mais ou menos” ou “só de ouvir falar”.
De acordo com os resultados, 44% declararam que conhecem “bem” o governador paulista. Ciro, Dilma e Marina obtiveram o seu maior porcentual na categoria dos entrevistados que os conhecem “só de ouvir falar”: 46%, 43% e 41%, respectivamente.
No detalhamento do grau de conhecimento dos candidatos, o Nordeste desponta como ponto fraco tanto de Dilma quanto de Serra. Só 7% dos moradores da região dizem conhecer bem a petista. No caso do tucano, são 11%.
Ainda nesse quesito, o melhor placar de Serra foi no Sudeste, onde o conhecem bem 42%. Dilma obteve o melhor índice no Sul e Norte/Centro-Oeste, com 17%.
No critério da rejeição, o deputado do PSB encabeça a lista – 41% não votariam no deputado de jeito nenhum. Em seguida, vêm Marina (39%), Dilma (35%) e Serra (29%)?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:11

Dilma ainda precisa de Ciro

O  blog do jornalista José Roberto Toledo ao analisar os números do Ibope, conclui que Dilma Rousseff ainda precisa de Ciro Gomes. Veja o que ele diz:
” Esqueça o blablablá sobre uma eventual disputa entre Ciro Gomes, o PT e Lula. Como mostra o Ibope, a permanência do nome de Ciro entre os presidenciáveis mais ajuda Dilma Roussef do que atrapalha. Ao menos por enquanto.
No cenário sem o candidato do PSB, o maior beneficiário da saída de Ciro continua sendo José Serra, principal rival de Dilma. Dos 11% de Ciro na mais recente pesquisa Ibope, nada menos do que cinco pontos vão para o candidato tucano quando o candidato do PSB não é citado entre os presidenciáveis. Dilma fica com apenas três desses pontos, e Marina Silva, com dois.
A saída precipitada de Ciro da disputa só levaria a duas especulações, nenhuma delas boa para Dilma: de que o tucano poderia ganhar no primeiro turno (ele tem 41% contra 38% de Dilma e Marina somadas), e de que Marina poderia abrir mão de sua candidatura para ser vice de Serra e atalhar seu caminho para o Planalto.
No que depender dos números das pesquisas, Ciro só sai da disputa (se sair) quando e se Dilma estiver cabeça a cabeça com Serra”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:46

O Brasil não é o Chile

Tem muita gente festejando a vitória da direita no Chile.
Mais uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa.
Leia o artigo do jornal Merval Pereira, hoje, em  ‘O Globo’:
“Há muitas dessemelhanças entre o processo político dos dois países para que se considere o que aconteceu no Chile, a derrota do candidato de uma presidenta que também tinha 80% de popularidade, como um prenúncio do que pode acontecer na eleição brasileira este ano, com uma provável derrota da candidata Dilma Rousseff, apoiada pelo popularíssimo Lula. Mas existem também várias coincidências que devem ser levadas em consideração pelo governo, especialmente no que se refere à união da coalizão governista.
A diferença começa pelas próprias coalizões da política brasileira, que não obedecem a programas partidários, mas a apoios pontuais e interesses fisiológicos. Se usadas as terminologias que identificam os agrupamentos políticos do Chile, a coalizão governamental brasileira deveria ser identificada, no máximo, como de centro-esquerda, pois abriga da extrema-direita à extremaesquerda.
No entanto, o governo Lula é considerado ?de esquerda?, e a escolha de uma candidata ?de esquerda? como Dilma Rousseff não afasta da coalizão os partidos ?de direita?, como o PP e o PR.
A coalizão do PSDB que apoiará a provável candidatura do governador de São Paulo, José Serra, reúne também o PPS e o DEM, pode atrair também o PTB e setores do PMDB, e é identificada pelos petistas como ?de direita?, ou de ?centro-direita?, embora o próprio Lula já tenha comemorado o fato de que todos os candidatos este ano são ?de esquerda?.
No Chile, a Concertação também reúne partidos ?de centro? como a Democracia Cristã de Eduardo Frei, e socialistas.
Ela é identificada como de ?centro-esquerda?, enquanto a Coalizão pela Mudança, que elegeu Sebastián Piñera, é considerada de ?centro-direita?.
Uma semelhança importante na campanha chilena com o Brasil é que os comunistas fundaram uma nova frente ?allendista?, chamada Juntos Podemos Mais, e lançaram Jorge Arrate. Já Marco Enriquez-Ominami, outro dissidente da Concertação, se lançou pela Nova Maioria para o Chile, formada pelo Partido Ecologista e pelo Partido Humanista, e obteve cerca de 20% dos votos no primeiro turno.
No Brasil, a senadora Marina Silva, do Partido Verde, é uma dissidência petista importante, embora até o momento não tenha atingido índices tão altos de apoio eleitoral.
Mas a possível, embora não provável, candidatura de Ciro Gomes pelo Partido Socialista Brasileiro, poderia fazer uma divisão importante na coalizão governamental.
Há ainda a possibilidade de o PSOL, sem chegar a um acordo com o PV, lançar novamente a candidatura de Heloísa Helena, que obteve 12% na eleição de 2006. Os três candidatos saídos da coalizão governista têm, portanto, poder de atrair até 30% do eleitorado, o que torna a disputa imprevisível no segundo turno.
Isso porque o provável candidato do PSDB, José Serra, tem aparecido nas pesquisas de opinião como catalisador de parte desses votos, que não se transferem integralmente para a candidata oficial. Sem a presença de Ciro na cédula, as pesquisas mostram Serra com possibilidade de vencer já no primeiro turno.
Outra semelhança entre os dois países está na forte presença da questão dos direitos humanos na campanha eleitoral.
Dois dos candidatos tiveram seus pais assassinados pela ditadura Pinochet. EnriquezOminami e Eduardo Frei, cujo pai, o ex-presidente Eduardo Frei Montalva, foi envenenado na prisão em 1982.
E mesmo tendo saído no meio da campanha eleitoral a decisão judicial, depois de um processo de dez anos, de prender os responsáveis pelo seu assassinato, a influência desse fato não impediu que o chamado ?candidato da direita? vencesse a eleição.
O fato é que ?a direita? hoje do Chile nada tem a ver com ?a direita? que deu o golpe em 1973 contra Salvador Allende, e a vitória de Piñera não fez com que um neto de Pinochet conseguisse se eleger deputado federal.
Octavio Amorim Neto, cientista político da Fundação Getulio Vargas, do Rio, acha que a vitória de Piñera pode significar o início da virada do pêndulo na América Latina, mas a confirmação dessa mudança de tendência dependerá sobretudo da vitória da oposição no Brasil este ano. ?Aí sim se poderia dizer que houve uma virada do pêndulo mais para o centrodireita?, diz ele.
A grande lição para a Dilma é que ela tem que estar com a aliança muito unida, especialmente com o PMDB, porque qualquer vacilo pode comprometer a transferência de votos.
Para Octavio Amorim Neto, Lula está certo em querer manter a polarização com o PSDB e de temer a dissidência da senadora Marina Silva. Ele lembra que no primeiro turno de 2006 a diferença dele para o Alckmin não foi grande, 46% a 42%. ?Isso sendo o Lula.Imagine com a Dilma, que é uma candidata que nunca foi testada?.
Já Francisco Carlos Teixeira, professor de história contemporânea da UFRJ, vê semelhanças com a situação brasileira, embora destaque que o eleitorado chileno é mais concentrado na capital.
Uma outra diferença fundamental, para Teixeira, foi a atuação da presidenta Michelle Bachelet, que só explicitou seu apoio nos últimos dias do segundo turno.
No Chile, ao contrário do Brasil, há a tradição de o presidente não se intrometer na sua sucessão, o que dificulta ainda mais a transferência de votos.
A situação econômica no Chile piorou mais do que no Brasil com a crise internacional, mas vinha de um passado de muitos anos de progresso.
Até mesmo o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, que vem assegurando que Lula não conseguirá transferir sua imensa popularidade para a candidata petista Dilma Rousseff, é cauteloso ao fazer ilações entre o que aconteceu no Chile e o caso brasileiro.
Ele acha que apenas um ponto ficou provado, apesar de todas as diferenças: mesmo presidentes populares como são Lula e Bachelet não conseguem transferir votos se o candidato não é bom”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:56

Chovendo no molhado

A declaração de Lula de que os chamados ?formadores de opinião já não decidem mais, porque o povo não quer mais intermediário?, não tem nada de novo.
Quando foi reeleito para o segundo mandato,  e praticamente todos os jornais do país anunciavam que ele seria derrotado, o presidente do IBOPE, Carlos Augusto Monteiro já alertava:
- Os jornais podem falar o que bem entenderem. O fato é que existe mais povo, do que formador de opinião.

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