• Domingo, 06 Fevereiro 2011 / 10:29

PCdoB reclama de que?

     Do colunista Ilimar Franco, de ‘O Globo’:
“Convidado para assumir a Autoridade Pública Olímpica, o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, quer acumular com a organização da Copa de 2014. O PCdoB está cada vez mais irritado com esse encaminhamento”.
                   * * *
Esse irritação só pode ser por questões de poder (ou caixa).
Conflito ideológico é que não é.
Afinal, não foi o comunista Orlando Silva, o ministro da Tapioca, que foi a Londres buscar instruções para o Rio2016 com o facínora Tony Blair?

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 4:43

A Igreja e as esquerdas

 

Marina Silva, beneficiária

Marina Silva, beneficiária

    Maria Inês Nassif, do ‘Valor Econômico’, assina a reportagem mais interessante do dia:
“O PT foi fundado, em 1980, de uma costela dos movimentos populares ligados à Igreja da Teologia da Libertação. A ligação entre ambos, todavia, não é mais a mesma. Houve uma “despetização” desses movimentos. O setor progressista católico botou o pé para fora do partido que hoje está no governo da União e se move com mais desembaraço nos movimentos sociais do que fora do circuito de poder, e nos movimentos políticos suprapartidários, como o que resultou na aprovação do projeto Ficha Limpa, no dia 19 de maio.
As bases católicas progressistas ainda votam de forma majoritária no PT, mas não se misturam com o partido e são proporcionalmente menores que nos anos 80 e 90. Primeiro, porque a própria instituição perdeu a sua centralidade, com a redemocratização. “Nos anos 70 e 80, a Igreja era o guarda-chuva para a sociedade civil na defesa de direitos, um abrigo para os movimentos sociais e um centro de atividade política. Quando abriu o regime, não precisou mais exercer esse papel, porque floresceram outras institucionalidades”, analisa o padre José Oscar Beozzo, da Teologia da Libertação – o veio de reflexão da Igreja de esquerda latino-americana que foi condenado à proscrição nos papados de João Paulo II e Bento XVI, acusado de tendências materialistas, mas que resiste nas bases sociais católicas de forma mais tímida e “de cabelos mais brancos”, segundo Beozzo, e com mais dificuldades de reposição de quadros, na opinião de Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, um de seus teóricos.
Na democracia, a atividade partidária não precisa estar mais abrigada na Igreja, nem a Igreja tem a obrigação de ser o grande protagonista de movimentos políticos civis: “No movimento do Ficha Limpa, houve um trabalho conjunto com setores laicos. É melhor trabalhar assim”, afirma Beozzo. “Sem a capilaridade da Igreja, dificilmente o movimento conseguiria reunir 1,6 milhão de assinaturas para a proposta de iniciativa popular”, relativiza o juiz Márlon Reis, um dos organizadores do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral.
De outro lado, também foi gradativamente se reduzindo o espaço de atuação da Igreja progressista nas bases sociais. Isto se deve à evasão dos setores mais pobres das igrejas católicas, que rumam celeremente para templos evangélicos, e à política sistemática de esvaziamento dos setores católicos progressistas por Roma. A igreja da Teologia da Libertação ocupa um espaço, junto às classes menos favorecidas, a que os tradicionalistas não conseguem acesso. Quando esse setor tem seu acesso reduzido a estas bases, a adesão ao catolicismo também diminui. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, 89,2% declaravam filiação ao catolicismo em 1980; em 2000, eram 73,8%. Em 1990, esse índice era de 83% – um ritmo de queda muito aproximado a 1% ao ano nos dez anos seguintes. As religiões evangélicas eram a opção de 6,7% da população em 1980; já trafegavam numa faixa de 15,4% dos brasileiros em 2000. Segundo dados do Censo, subiu de 1,6% para 7,3% os brasileiros que se declaram sem religião.
O IBGE parece confirmar a teoria de Frei Betto em relação à origem dos que saem do catolicismo em direção às igrejas evangélicas: enquanto, na população total, 73,8% se declaravam católicos no Censo de 2000, esse número subia para 80% nas regiões mais ricas e entre pessoas de maior escolaridade.
Segundo Beozzo, a Igreja Católica encolheu nas comunidades onde viscejava o trabalho pastoral da igreja progressista. “Hoje a igreja é minoritária nas comunidades. Para cada três igrejas católicas, existem 40 pentecostais.” Além da perda de fiéis para as igrejas católicas nas periferias urbanas, a Igreja católica tem perdido também para os que se declararam sem religião. É a “desafeição no campo religioso” a que se refere Beozzo.
Para Frei Betto, todavia, as perdas respondem diretamente à ofensiva da hierarquia católica contra a Teologia da Libertação. Essa é uma posição que foi expressa também pelo bispo emérito de Porto Velho, dom Moacyr Greghi, na 12ªInterclesial, no ano passado, quando as comunidades eclesiais de base surpreenderam ao reunir cerca de 3 mil delegados num encontro cujo tema era “CEBs: Ecologia e Missão – Do ventre da terra, o grito que vem da Amazônia”. “Onde existirem as CEBs, os evangélicos não entram e os católicos não saem de nossa igreja”, discursou dom Moacyr.
Segundo teólogos, padres e especialistas ouvidos pelo Valor, processos simultâneos mudaram as feições da ação política da igreja. A alta hierarquia católica fechou o cerco contra a Teologia da Libertação, quase que simultaneamente à redemocratização do país e à emergência de instâncias livres de participação democrática – partidos, sindicatos, organizações não-governamentais e movimentos organizados.
O PT, principal beneficiário dos movimentos de base da Igreja, se autonomizou e absorveu quadros originários das CEBs, das pastorais e das ações católicas especializadas (JEC e JUC, por exemplo). Ao tornar-se poder, pelo voto, incorporou lideranças católicas, mas também decepcionou movimentos que estavam à esquerda do que o partido conseguia ir administrando o país e mediando interesses de outras classes sociais. “As bases estão insatisfeitas, mas têm medo de fazer o jogo da oposição, que está à direita do governo”, analisa Frei Betto. “Tem uma parte dessa militância que tem pavor da volta do governo tucano”, relata o candidato do P-SOL à Presidência, Plínio de Arruda Sampaio.
O espaço do PT nas bases católicas ficou menor depois da ascensão do partido ao poder e da crise do chamado Escândalo do Mensalão, em 2005 – quando foi denunciado um esquema de formação de caixa 2 de campanha dentro do partido. Hoje, a relação dos católicos progressistas com a legenda não é mais obrigatória e os militantes de movimentos católicos de base são menos mobilizados e em menor número. Os partidos de esquerda acabaram incorporando um contingente da base católica que continua partidarizada, embora o PT ainda seja majoritário.
“O PT continua sendo o partido que tem mais preferência dos militantes das Comunidades Eclesiais de Base, mas existem partidários do P-SOL e tem gente que saiu do PT para militar com a Marina Silva, do Partido Verde”, conta o padre Benedito Ferraço, um ativo militante . Em alguns Estados, como o Maranhão, onde existia uma militância histórica do antigo MDB autêntico, da época da ditadura, ainda se encontram bases católicas progressistas pemedebistas, segundo padre Ferraço. O candidato do P-SOL, Plínio de Arruda Sampaio, que milita junto a setores da Igreja na defesa da reforma agrária – e assessora a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sobre o tema – tem a adesão de líderes de movimentos da Igreja ligados à questão agrária. Contabiliza o apoio do ex-presidente da Comissão Pastoral da Terra, o bispo emérito Dom Tomás Balduíno. Marina – que, embora tenha abraçado a religião evangélica, tem na sua origem política a militância nas CEBs – recebeu a adesão do guru da Teologia da Libertação, Leonardo Boff.
Na avaliação do ex-vereador Francisco Whitaker, membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, as bases da igreja progressista têm saído da militância petista, mas engrossam mais as fileiras dos “sem-partido” do que propriamente as legendas mais à esquerda ou opções mais radicais pela ecologia, embora isso aconteça. “Hoje, a militância partidária é apenas uma das possibilidades”, afirma Whitaker, que foi um dos líderes do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral que esteve à frente da campanha pelo projeto dos Ficha Limpa.
Whitaker e Frei Betto – este, junto com Boff, é um dos expoentes da Teologia da Libertação – apontam também um outro fator para a “despetização” das bases da Igreja: a absorção de quadros originários das CEBs e das pastorais sociais pelo próprio governo. “O movimento de base foi muito desarticulado, ou porque os seus líderes foram cooptados pelo governo do PT, ou porque foram incorporados à máquina partidária”, diz Frei Betto. Isso quer dizer que o militante católico absorvido pelas máquinas partidárias e do governo deixou de ser militante e passou a ser preferencialmente um quadro petista.
A incorporação à máquina não é apenas a cargos de confiança em Brasília. “As representações estaduais do Incra e da Funasa, por exemplo, absorveram muita gente que veio dos movimentos de base da Igreja Católica”, conta Frei Betto. Também a máquina burocrática do partido atraiu os militantes que antes atuavam nas bases comunitárias de influência católica.
A “laicaização” do PT foi mais profunda, todavia, após 2005. “O mensalão bateu forte nas bases católicas”, avalia Whitaker. Sob o impacto do escândalo, centenas de militantes petistas aproveitaram o Fórum Social Mundial, que naquela ano acontecia em Porto Alegre, para anunciar a primeira debandada organizada de descontentes, que saíram denunciando a assimilação, pelo PT, das “práticas e a maneira de fazer política usuais no Brasil”, conforme carta aberta divulgada por Whitaker. “Eu tomei a decisão de integrar o partido dos sem-partido”, conta o ex-vereador. A aposta, naquele momento, era que esses dissidentes criassem um forte partido ligado à esquerda católica. O P-SOL nasceu, mas pequeno e fraco – uma reedição, em tamanho reduzido, da aliança entre esquerda católica e grupos marxistas que, 15 anos antes, havia criado o PT.
Os “sem-partido”, no cálculo de quem saiu, são em maior número. Whitaker chama essa “despetização” de “saída para a sociedade”: o contingente se incorporou ao movimento dos Ficha Limpa, agora reforça a briga pela aprovação da Emenda Constitucional de combate ao trabalho escravo e tem atuação na luta pela reforma agrária. Tem forte atuação também – e quase definitiva – na organização dos Fóruns Sociais Mundiais (FSM) que ocorrem todo ano, de forma quase simultânea ao Fórum Econômico Mundial de Davos, como uma opção de debate econômico dos excluídos das generosidades do capitalismo mundial. Exercem uma militância de certa forma invisível na política institucional, mas muito atuante nas bases, de questionamento da legitimidade das dívidas interna e externa.
O secretário-executivo da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, Daniel Seidel, afirma que esse setor católico vive hoje em estado de ebulição, depois de um período de recuo, imposto especialmente pela ofensiva de Roma contra os setores mais progressistas da Igreja da América Latina. No caso brasileiro, esse novo período de eferverscência é atribuído a Dom Dimas Lara, secretário-geral da CNBB, de um lado; e de outro lado, ao papel desempenhado pelas Assembleias Populares, um formato de organização das bases mobilizadas da Igreja. As Assembleias têm definido uma ação política fora dos partidos e engrossado as mobilizações dos movimentos populares. São um espaço para onde tem convergido a atuação da Igreja cidadã: é onde se definem questões de atuação conjunta com outras igrejas, leigos, movimentos sociais e partidos políticos, embora jamais vinculados a eles.
Embora a “saída para a sociedade” tenha se dado num quadro de frustração com o governo, existe cautela em relação a ações contra o governo Lula. “Tem uma parte das bases católicas que acha que, ruim com ele (Lula), pior sem ele. Essa parte tem pavor da volta de um governo tucano”, analisa Arruda Sampaio. “Embora as bases estejam insatisfeitas, têm medo de denunciar o governo e fazer o jogo da oposição”, diz Frei Betto. Isso ocorre também com os movimentos sociais que já estão descolados da Igreja, como o MST, que foram criminalizados nos governos de FHC, não concordam com os rumos tomados pelos governos de Lula, mas ainda assim preferem a administração petista, numa situação eleitoral de polarização entre o PT e o PSDB”.

Plínio de Arruda Sampaio, beneficiário

Plínio de Arruda Sampaio, beneficiário

EX-MILITANTES ESTÃO COM MARINA E PLÍNIO

 ”A Igreja progressista já não produz quadros para a política na quantidade que o fazia antigamente, mas a política brasileira pós-redemocratização está repleta de suas crias.
No início do governo, no comando do programa Fome Zero, Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, contabilizou-s em artigo no “Correio Braziliense”: Marina Silva, ex-militante das Comunidades Eclesiais de Base da Igreja; Benedita da Silva, líder comunitária cujo primeiro marido, o Bola, militou no movimento Fé e Política; o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que foi da Juventude Estudantil Católica (JEC) de Anápolis (GO); Dilma Rousseff, companheira de cárcere de Frei Betto e de outros religiosos, no presídio Tiradentes; José Graziano, formado politicamente na JEC; Olívio Dutra e Gilberto Carvalho, que vieram da Pastoral Operária; José Dirceu, que no período de clandestinidade foi abrigado no convento São Domingos; e o jornalista Ricardo Kotscho, com quem Frei Betto criou grupos de oração, base do trabalho evangelizador da Teologia da Libertação .
Muita água rolou por baixo da ponte, mas nessas eleições presidenciais pelo menos dois candidatos beberam dela. A evangélica Marina Silva, candidata a presidente pelo PV, é uma. “Nós crescemos na batina do dom Moacyr (Grechi)”, afirma a candidata. Militante desde cedo das comunidades eclesiais de base do Acre, atribuiu à Igreja católica, em especial de dom Moacyr, o fato de o Estado ter encontrado caminhos políticos diferentes ao do narcotráfico. Foi o pessoal do dom Moacyr que ganhou eleições para governos e Senado e forneceu quadros para secretarias e estrutura burocrática,
O candidato do P-SOL, Plínio de Arruda Sampaio, foi um incansável militante, dentro e fora da Igreja, pela reforma agrária. Era um quadro do PT até o racha de 2005. Acha que, em algum momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve liderança incontestável nas bases da Igreja, mas hoje não lidera mais “gregos e troianos”.
A deputada e ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina (PSB), embora não seja candidata à Presidência, é um exemplo de política que se criou nas bases da Igreja. Em Pernambuco, onde dava os seus primeiros passos na luta política, a Igreja progressista ajudava a organizar sindicatos rurais numa região em que as ligas camponesas – movimentos sociais muito atuantes antes do golpe de 64 – foram destroçadas pela ditadura. “Havia uma grande repressão às ligas e aos camponeses, mas a Igreja tinha uma relativa liberdade de transitar por esses espaços e aproveitava disso para organizar sindicatos”, conta a deputada. Erundina veio para cá ameaçada pela repressão militar. Elegeu-se prefeita em 1989 – e foi a sua relação com a Igreja progressista que a protegeu nos momentos mais difíceis”. (M.I.N)

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 4:02

Merval: “Serra saiu-de mal na polêmica”

De Merval Pereira, em ‘O Globo’:
“Depois de um período em que navegou em mar de almirante, quase sem cometer erros e claramente ditando o rumo da pré-campanha, o candidato tucano, José Serra, ressuscitou o político ranzinza que estava adormecido dentro dele e saiu ontem com três pedras na mão para responder a uma pergunta da jornalista Míriam Leitão na entrevista que concedeu à rádio CBN.
A pergunta, sobre se manteria a autonomia do Banco Central, nada tinha de ofensiva, e mesmo a referência ao fato de que muita gente acha que Serra quererá ser também o presidente do Banco Central, se for eleito presidente, referia-se a um comentário frequente, que o candidato tem que esclarecer porque se trata de uma característica que lhe atribuem, a centralização das decisões, que pode ser crucial para a definição do eleitorado.
As críticas de Serra à política de juros já são conhecidas, assim como sua visão de que o Banco Central é um órgão assessor da política econômica como qualquer outro, e não é intocável, também.
É previsível que num eventual governo Serra a autonomia do Banco Central não será formalizada. Aliás, nem Lula tornou essa autonomia lei, e mesmo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em cujo governo chegou-se a cogitar essa formalização, hoje dá graças a Deus de não ter levado adiante o projeto de sua equipe econômica.
Ele relembra a crise da desvalorização do Real em 1999 e diz que, se o Banco Central fosse independente, com a diretoria com mandato, não teria sido possível mudar a política do economista Francisco Lopes, nem tirá-lo da presidência do BC em tão pouco tempo para colocar em seu lugar Armínio Fraga.
A tendência num governo Serra é que as diretorias dos bancos estatais sejam compostas na maior parte por funcionários de carreira, valorizando as corporações, fortalecendo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, por exemplo, sem aparelhar politicamente suas gestões.
Assim também o Banco Central provavelmente não terá status ministerial e perderá a importância que tem hoje, reduzindo a margem para conflitos internos.
A ideia é dar consistência à equipe econômica, harmonizando a atuação do BC com o Ministério da Fazenda, o que evitaria divergências de políticas que existem hoje, com uma parte do governo aumentando os gastos públicos e incentivando a demanda, e o Banco Central tendo que atuar aumentando os juros para conter a inflação.
Embora não tenha entrado em detalhes na entrevista à CBN, pelo que tem revelado em conversas, Serra não vai baixar a taxa de juros na base do voluntarismo, mas vai usar diversos métodos para reduzir a necessidade de manter os juros mais altos do mundo, como ressaltou ontem na entrevista.
O papel da Bolsa de Valores será fundamental, e nesse contexto o pré-sal é um bom exemplo: um eventual governo Serra incentivaria que a Petrobras se capitalizasse na Bolsa.
Segundo seus assessores, Serra tem claro que hoje, quando o que precisamos é crescer e financiar novos investimentos, a Bolsa ganha dimensão especial. Ressaltou na entrevista que os investimentos têm sido pequenos nos últimos anos, especialmente em infraestrutura.
Uma das ideias que estão sendo estudadas é cobrar menos impostos de quem aplica na Bolsa do que em papéis do Tesouro. A visão é a de que temos muita liquidez interna, e está tudo aplicado em títulos do governo, em vez de em investimentos.
Boa parte das empresas que o BNDES e o Banco do Brasil estão financiando ganharia taxa de juros Selic nas suas aplicações e pagaria pelo empréstimo TJLP, bem mais baixa.
O tom da política econômica de Serra seria uma regulação forte, e isso ele destacou na entrevista da CBN, criticando o aparelhamento das agências reguladoras.
Serra é favorável ao que chama de Estado ativo, mas não nos mesmos moldes dos anos 50, quando o Estado desempenhou papel fundamental na economia brasileira, coordenando investimentos e intervindo na economia.
Esse modelo de desenvolvimento centrado no Estado perdeu força nos anos 1980, mas está sendo reavivado hoje pelo governo Lula.
Serra ontem se disse favorável a um Estado musculoso e não inchado. Em outras ocasiões, nos últimos anos, ele tem explicitado suas ideias sobre o sucessor do Estado intervencionista, que segundo ele não pode ser o Estado inerte, mas o Estado regulador, com a criação das necessárias agências e a aprovação de legislação que defina precisamente parâmetros para o funcionamento dessas entidades.
Em lugar de uma estatal, um governo Serra estimularia que as grandes empresas privadas produzam aqui, como foi feito com os celulares e a indústria automobilística.
Uma das maneiras de controlar o câmbio seria incentivar as empresas a segurarem o dólar no exterior, para comprar equipamentos e importar.
A diferença entre os candidatos seria basicamente que Dilma é mais interventora, e Serra, mais regulador, embora na entrevista de ontem ele tenha deixado uma sensação de intervenção no trabalho do Banco Central que deu margem a críticas da candidata oficial.
A estratégia de Lula, de tentar colocar o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, como vice de Dilma, visava justamente a isso: dar um recado ao mercado de que haveria continuidade na autonomia do Banco Central.
Ontem, embora tenha garantido que não haverá virada de mesa com ele no governo, Serra saiu-se mal na primeira polêmica da campanha, mostrando-se irritadiço com as desconfianças do mercado.
Está apenas dando margem ao governo de explorar os receios de que ele seja na verdade mais intervencionista do que Dilma. O que é improvável, mas como mote de campanha eleitoral produz seus efeitos”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 4:01

Dilma irá a festa de Meirelles

De Sonia Racy, do ‘Estadão’:
“Dilma dá demonstração explícita de apreço ao presidente do BC. Ela faz parte do grupo de brasileiros que vai a NY participar da homenagem a Henrique Meirelles, vencedor do prêmio Homem do Ano da Câmara Brasil-Estados Unidos.
Bem como Antonio Palocci e Marta Suplicy”.
                  * * *
José Serra ficará mesmo por aqui.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:49

Dirceu ataca Henrique Meirelles

Pelo que se sabe, Henrique Meirelles permaneceu na presidência do Banco Central a pedido do Presidente Lula.
Isso foi o que os jornais publicaram e nenhum dos dois procurou desmentir.
Meirelles não tinha condições de ser vice de Dilma Rousseff e, aparentemente, a candidatura ao Senado, pelo PMDB de Goiás, não o interessou.
Lula certamente não acertou a permanência de Meirelles, no BC, num eventual governo Dilma – a não ser que a própria candidata tenha feito um aceno.
Ou quem sabe o candidato José Serra…
           * * *
O fato é que o ex-ministro José Dirceu ataca hoje em seu blog, violentamente, o presidente Henrique Meirelles, que falou em dar uma tacada – para cima óbviamente – na taxa de juros, para não ter de aumentá-la, mês a mês, até as eleições.
Veja o que diz Dirceu:
“O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, ficou no governo, não quis ser candidato, mas se comporta como se fosse. Agora dá conselhos ao próximo governo. Previne que ele não deve manipular o câmbio – é, exatamente aquele que os tucanos mantiveram fixo até o Brasil quebrar.
Além disso, dr. Meirelles deita falação sobre gastos públicos – exato, aqueles que os tucanos nunca controlaram; sobre dívida pública, que os tucanos dobraram em seus oito anos de governo; e sobre poupança, que caiu sem parar no tucanato.
Dr. Meirelles continua o de sempre, agora fazendo coro com a oposição por corte de gastos públicos e aumento da poupança. Fala como se essa elevação fosse uma questão de vontade política e como se os tucanos tivessem praticada essa política no governo FHC. Na maior parte do seu tucanato, todos se lembram, era câmbio fixo, ausência de superávits e aumento da dívida pública, que comno eu disse acima, dobrou naqueles oito anos.
Mas como reduzir a relação dívida PIB e aumentar a poupança com aumento dos juros e da taxa Selic? Sim, porque é isso que ele e seus diretores no BC passaram para o jornalista Kennedy Alencar na Folha de S.Paulo, e para outros nos diversos jornais: quer dar uma ?paulada? nos juros, taxas que chegaram a 27,5% descontada a inflação no governo de FHC sob a regência de Gustavo Franco na presidência do BC.
Só espero que não seja uma paulada no governo Lula e no Brasil”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:15

Temer, valeu 1º de abril!!!

O presidente da Câmara, Michel Temer, teve conhecimento, há pouco, da melhor notícia que ele poderia receber num dia 1º de abril - conhecido como o ‘Dia da Mentira’.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, anunciou que, atendendo a pedido do Presidente Lula, desistiu de disputar as eleiçóes de outubro, e continuará no cargo, “visando a garantir a continuidade e a estabilidade da economia”.
A primeira medida de Meirelles, na próxima reunião do Copon, será aumentar a taxa de juros.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:11

A saia curta de Meirelles

Situação difícil é a do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
Não sabe se fica no BC ou se sai.
Lula não pode prometer nada a ele.
E fez pior: pediu que continuasse a frente do BC até o final do governo.
Se Meitelles não sair hoje, ele não será senador por Goiás.
Ser vice de Dilma, cargo que sonha, ele não tem a menor chance.
E se ficar, Lula não pode garantir que Dilma o manterá no caso de uma eventual vitória.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:08

Meirelles vai deixar Banco Central

Do repórter Kennedy Alencar, da ‘Folha’:
“O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, pedirá hoje ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para deixar o cargo a fim de concorrer nas eleições de outubro. Segundo a Folha apurou, Lula repetirá que prefere que ele fique, mas não imporá sua vontade.
Ou seja: a tendência é a saída. Nesse caso, o substituto mais provável é o atual diretor de Normas do Banco Central, Alexandre Tombini. A reportagem apurou, no entanto, que Lula ainda analisa a hipótese de optar por Luciano Coutinho, o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Tombini seria um substituto para mandato-tampão até o final do atual governo. O desenvolvimentista Coutinho, não. Significaria uma sinalização de como seria o BC na hipótese de ser eleita como sucessora de Lula sua candidata, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).
Ao deixar o posto, Meirelles manteria abertas três possibilidades nas eleições. Ele alimenta o sonho de ser candidato a vice na chapa de Dilma. Também pode disputar o Senado por Goiás ou, menos provável, concorrer ao governo do Estado.
Também contribui para a saída de Meirelles a sinalização do Banco Central de que haverá aumento dos juros na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), nos dias 27 e 28 de abril.
O atual presidente do BC não gostaria de ser o pai de novo ciclo de alta dos juros justamente no ano eleitoral. A Selic está hoje em 8,75% ao ano.
Filiado ao PMDB, Meirelles já ouviu da cúpula do partido que o preferido da legenda para compor a chapa com Dilma é o presidente nacional da sigla, o deputado federal Michel Temer (SP). No entanto, Meirelles ainda pretende insistir.
Como o prazo para a oficialização das candidaturas é o final de junho, há tempo para Meirelles sonhar em ser vice”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:08

Datafolha anima o PMDB

De Renata Lo Prete, no Painel, da ‘Folha’:
Os líderes do partido não admitirão publicamente, mas, com a possível exceção de José Serra, ninguém está mais feliz do que o PMDB diante dos resultados do novo Datafolha sobre a eleição presidencial.
A pesquisa, que mostra a ampliação da vantagem do tucano sobre Dilma Rousseff, saiu do forno no exato momento em que, no Planalto e no PT, ganhava força o discurso segundo o qual, com a intenção de voto na ministra crescendo de vento em popa, talvez fosse possível não ceder tanto ao PMDB, especialmente na escolha do vice. Agora, a ideia de trocar Michel Temer por Henrique Meirelles deve voltar para a geladeira.
Um auxiliar de Lula tenta enxergar aspecto positivo na surpresa provocada pela pesquisa Datafolha: “Do lado de cá, já tinha gente montando o ministério”.
No PT, há quem se preocupe com o apoio manifestado por Aloizio Mercadante aos grevistas da Apeoesp. Segundo o raciocínio dos apreensivos, a tática serve para atazanar o presidenciável José Serra, mas poderá se revelar contraproducente no confronto local com Geraldo Alckmin (PSDB), cuja folgada liderança é confirmada pelo novo Datafolha.
Eduardo Suplicy já visitou Mercadante e hoje, munido do Datafolha no qual registra números mais vistosos que os do colega, será ouvido pela direção do PT-SP. Mas o que o senador quer mesmo, desconfiam petistas, é um encontro com Lula.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:08

Tombini vai substituir Meirelles no BC

Do repórter Vicente Nunes,do ‘Correio Braziliense’:
Nos corredores do Banco Central (BC), alguns já o chamam de presidente. Mas, como bom técnico, que consegue separar muito bem a emoção do trabalho, Alexandre Tombini, 46 anos, faz o possível para não levar a conversa adiante. Ainda que aguarde ansiosamente a sua nomeação para a presidência da instituição à qual dedica pelo menos 12 horas por dia, sabe que, em se tratando de um posto tão cobiçado, só cantará vitória quando o presidente Lula tiver assinado a sua nomeação. Sabe também que, até o último instante, o comandante do BC é Henrique Meirelles, a quem faz toda a reverência por ser hoje o mais cotado para chegar ao posto máximo de sua carreira.
Mantido o calendário traçado por Meirelles, o gaúcho Tombini assumirá a presidência do BC em 31 de março. É nesse dia que o atual titular do posto anunciará a sua renúncia para voltar à vida pública, abandonada em 2002 depois de ser o deputado federal mais votado por Goiás. Meirelles, filiado ao PMDB, deve se lançar na disputa por uma vaga no Senado, mas com todas as atenções voltadas para a vaga de vice na chapa presidencial liderada por Dilma Rousseff. Só mesmo uma reviravolta muito grande mudará os rumos dessa história. Neste momento, as chances de Meirelles ficar no BC são próximas de zero, tamanha é a sua disposição para voltar à política, diz um integrante do governo.
A escolha de Tombini para suceder Meirelles foi feita há pelo menos um ano e passou pelo crivo de Lula. Pesou a favor dele o fato de não compartilhar da visão tão conservadora do grupo dos chamados falcões, o mais visível deles o diretor de Política Econômica, Mário Mesquita, que também está deixando o BC. Tombini, na visão de Lula, é mais moderado, apesar de comprometido com o sistema de metas de inflação. Esse pensamento é compartilhado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que fez do diretor de Normas a sua referência quando se trata de Banco Central.
Formado em Economia pela Universidade de Brasília (UnB), com PhD pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, Tombini assumirá com a missão nada agradável de dar início ao quarto ciclo de alta da taxa básica de juros (Selic) do governo Lula. Muitos acreditam, inclusive, que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de adiar por 45 dias o arrocho teve como objetivo reforçar a sua gestão. Ao liderar o aperto monetário, indicará que nada mudou no BC no seu compromisso de manter a inflação ancorada no centro da meta definida pelo governo, de 4,5%. A credibilidade construída nos últimos anos pela instituição será até reforçada.
Independentemente de esse ter sido ou não o objetivo do atraso na alta dos juros, não há hoje no BC ninguém que duvide da capacidade de Tombini para manter a inflação sob controle. Mesmo sendo este um ano de eleição, de fortes pressões políticas, ele não queimará a reputação de excelente técnico só para dizer que foi presidente do BC em um mandatotampão, afirma um graduado funcionário do banco. Para ele, Tombini vem sendo preparado pelo próprio Meirelles para sucedê-lo, com a promessa de não meter os pés pelas mãos. Não tenho dúvidas, inclusive, de que, fora do BC, Meirelles será o sustentáculo de Tombini, saindo em defesa da instituição ao menor ataque contra a política monetária, acrescenta. O jogo já está combinado.
Sensato, o quase presidente do BC sabe que não tem a estatura de Meirelles ante os mercados, sobretudo o internacional. Por isso, não se arriscará a aventuras, enfatiza um de seus melhores amigos. O próprio Lula, que todos sabem ser contrário ao aumento dos juros, já teria lhe recomendado que seguisse à risca a atual cartilha do BC, de previsibilidade. Na visão de Lula, tudo que o governo não precisa neste ano é de marola provocada pelo Banco Central. A manutenção da estabilidade será vital para que Dilma, talvez acompanhada de Meirelles em seu palanque, arregimente apoios importantes no sistema bancário e entre o empresariado.
Na diretoria de Normas do BC não faltam adjetivos a Tombini: experiente, com sólida formação macroeconômica, vivência internacional trabalhou por um bom tempo no Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington e, principalmente, educado e respeitoso. Não foi à toa que teve carreira tão meteórica no BC, ocupando, atualmente, a sua terceira diretoria, ressalta um de seu comandados. Entre junho de 2005 e abril de 2006, foi diretor de Estudos Especiais, de onde saiu para responder pela diretoria de Assuntos Internacionais e, depois, para a de Normas. Não há o que temer, Tombini será a continuidade do que se vê hoje no BC, diz o amigo José Luiz Rodrigues, sócio-diretor da consultoria JL Rodrigues.
Zeina Latif, economista-chefe do banco holandês ING, complementa: Tombini tem uma reputação muito boa e foi um importante contraponto ao grupo mais conservador do BC. Para Alexandre Póvoa, economista-chefe da Modal Asset Management, Tombini é um nome muito forte, com capacidade para fazer uma transição tranquila, sem sustos. É esse pensamento que sustenta a tese de que, se realmente chegar à presidência do Banco Central, Tombini recorrerá ao amigo Carlos Hamilton, recém empossado na diretoria de Assuntos Internacionais, para que assuma a vaga aberta por Mário Mesquita.
Se optar por esse caminho, responderá por um feito histórico: pela primeira vez, todo o primeiro escalão do BC Aldo Luiz Mendes, diretor de Política Monetária, não é servidor de carreira da instituição, mas construiu a vida profissional no Banco do Brasil terá saído do setor público. Será a vitória dos barnabés”.

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