A conta de Kassab

     Do colunista Luiz Carlos Azedo, do ‘Correio Braziliense’:
     “Protagonista da maior reviravolta política no Congresso no ano passado, a fundação do seu PSD, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, se vê agora diante da fatura a ser paga aos governadores que o ajudaram a estruturar a legenda: abrir mão de candidaturas próprias nas capitais. Mesmo que venha a
conquistar o tempo de televisão e os recursos do fundo partidário proporcionais à bancada na Câmara, onde a sigla tem 47 deputados. Esse não é um grande problema para Kassab.
Deputado de primeiro mandato, o líder do PSD na Câmara, Guilherme Campos (SP), é um ilustre desconhecido na política nacional. Esse é o perfil da maioria da bancada, que integra o chamado baixo clero da Câmara e vota maciçamente com o governo. Não haverá problemas com os governadores que ajudaram Kassab a esvaziar o DEM. Nem objeção ao eventual ingresso de Kassab na equipe do governo federal em 2013 para apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff no ano seguinte.
Porém, nem por isso é bom subestimar o peso político desse grupo de parlamentares: isoladamente, eles já formam a quarta bancada da Câmara. Se ingressarem no bloco PSB-PTB-PCdoB, que tem 62 deputados, ou simplesmente se aliarem a ele, formarão um agrupamento político maior do que o PT e o PMDB, que contam com 85 e 78 deputados, respectivamente. Poderão até implodir o acordo entre o PT e o PMDB para se revezarem no comando da Casa se o objetivo de conquistar mais espaço na Esplanada for frustrado”.