• Quarta-feira, 01 Fevereiro 2012 / 12:13

Lula, a voz do Brasil

                                               Frei Betto*

      Lula é, hoje, a voz do Brasil. De modo especial, a voz dos que não têm voz. Nenhum brasileiro tem, no exterior, tanta audiência. Os chefes de Estado prestam atenção no que ele diz, inclusive Dilma Rousseff.
Universidades dos cinco continentes o homenageiam com o diploma de doutor “honoris causa”. Empresários, dentro e fora do Brasil, querem conhecer seu ponto de vista sobre a conjuntura. Organismos internacionais se interessam pelo modo como o seu governo combateu a fome e reduziu a desigualdade social no Brasil.
A vida é imprevisível. Frágil como uma folha seca. E o futuro a Deus pertence. Súbito, Lula vê-se afetado por um câncer na laringe. Até parece que a natureza decidiu atingi-lo em seu calcanhar de Aquiles. Como ocorreu ao pianista João Carlos Martins, cujos dedos das mãos, afetados por uma sucessão de problemas de saúde, quase o obrigaram a se afastar da música. Hoje, ele é reconhecidamente um exímio regente.
O câncer parece perseguir os chefes de Estado: Lugo, Chávez, José Alencar… Lula é feito da mesma matéria-prima de Alencar. Os dois foram dotados de um imbatível otimismo frente à vida, sustentado por consistente fé cristã. Como Alencar, Lula se sabe predestinado – não no sentido messiânico que o termo possa sugerir, e sim como resultado de uma convergência de fatores que o levaram à vida pública e, graças à sensibilidade social trazida de berço, se empenha em minorar a desigualdade social e promover uma ampla política de inclusão dos empobrecidos.
Todo o poder de comunicação de Lula se centra na voz. Ele nasceu brindado pelo dom da oratória. Lembro do início de nossa amizade, nas grandes assembleias metalúrgicas do ABC, no estádio da Vila Euclides, nos primeiros anos da década de 1980. Lula, antes de sair de casa, elencava num pedaço de papel os temas a serem abordados em seu discurso de encerramento da concentração operária. Era sempre o último a falar. Seu discurso marcava a culminância da assembleia.
Ocupado o palanque, iniciava-se a sucessão de pronunciamentos: diretores do sindicato dos metalúrgicos, líderes operários, advogados trabalhistas, políticos… À medida que o ato avançava, os pontos elencados por Lula brotavam da boca dos oradores que o precediam. Eu me sentia aflito por ele, preocupado se, ali no palanque, ele teria ideia de outros temas que ninguém tivesse abordado.
Terminada a lista de oradores, a palavra de coroamento da manifestação cabia a Lula. Todos prestavam silenciosa atenção, como se cada uma de suas frases devesse ser absorvida pela multidão. Então, Lula surpreendia. Não por arrancar da cartola retórica, como um mágico, temas inéditos. A pauta era a mesma. A novidade consistia no modo como a abordava.
Não falava com a cabeça, e sim com o coração. Não proferia teorias nem se perdia na ênfase de frases demagógicas. Discursava a partir de experiências oriundas de sua trajetória pessoal, criava parábolas, contava “causos”. Exortava, advertia, expressava metáforas bem humoradas, destilava ironias em torno da ditadura, caricaturava ministros e empresários, cobrava de cada grevista empenho na mobilização, atiçava os brios éticos da massa trabalhadora. Seu pronunciamento soava mais moral do que político. Sua voz inflamava a assembleia.
Agora, a voz padece. Descansa. Exige cuidados. Lula, como ocorre às águias ao atingirem 40 anos de idade, se recolhe à montanha para adquirir novo vigor. E, em breve, retomar seu voo por uma política, no Brasil e no mundo, centrada no fim da miséria e da pobreza – onde a sua vida teve início.
*Frei Betto é escritor e publicou esse artigo no ‘Granma’, orgão oficial do Partido Comunista de Cuba. A publicação foi em novembro do ano passado, mas hoje ele foi reproduzido na versão eletrônica do jornal cubano.

  • Segunda-feira, 23 Janeiro 2012 / 11:04

Imprensa provoca Dilma e Cuba

      A imprensa tem cobrado um posicionamento da Presidente Dilma Rousseff, para que ela interceda junto as autoridades cubanas, e permita a vida da “blogueira” Yoani Sánchez ao Brasil.
A totalidade dos jornais noticia o fato, afirmando que esse será um teste para Dilma, como se a Presidente necessitasse ser testada – principalmente em matéria de direitos humanos.
Desde o final da semana, com a morte de um preso cubano, que se dizia dissidente, embora tenha sido condenado à prisão por espancar sua própria esposa, a mesma imprensa exige agora que Dilma receba, em Havana, onde estará no final do mes, um grupo de “dissidentes”.
A Presidente da República fará uma visita de Estado, e todos os que quiserem ser recebidos por ela devem protocolar um pedido formal na Presidência da Republica ou no Ministério das Relações Exteriores. Não existe outro meio. Pedidos ou apelos através de notíciários de jornal, radio ou TV, ou mesmo blogs, não são o meio adequado para se ter uma audiencia com a Chefe do Governo.
A propósito da blogueira, que reclama da ditadura cubana embora tenha total liberdade para escrever o que bem entenda, esse blog já tratou algumas vezes.
Já estranhou inclusive o fato do ‘Granma’, órgão oficial do Partido Comunista cubano – ou seja, o principal instrumento de propaganda do regime  – manter um site traduzido em apenas quatro idiomas, enquanto o blog da Sra Yoani Sánchez seja traduzido para 18 línguas.
Hoje, a Associação Cubana de Residentes no Brasil – José Martí divulgou uma nota sobre a “blogueira”.
Eis um trecho da nota:
“Consideramos necessário desmascarar frente à opinião pública brasileira a imagem de uma pessoa que não representa os interesses dos cubanos residentes em Cuba ou fora dela. A fama da figura de Yoani Sánchez foi fabricada artificialmente, financiada e promovida pelos interesses dos Estados Unidos. Isso fica claramente demonstrado nos documentos oficiais do governo norteamericano resgatados por “Wikileaks”. Para que não fiquem dúvidas de que esta senhora é uma agente a serviço da potência que continuamente agride, por todas as vias, nossa Pátria e sua Revolução, potência esta que ocasionou milhares de vítimas, grandes sofrimentos e perdas econômicas a nosso povo devido a um bloqueio ilegal, brutal  e imoral desde mais de meio século.As posições de evidente traição a seu país se refletem em seu blog, nas declarações que faz continuamente e que são difundidas pelos meios de imprensa brasileiros representativos dos setores de direita, que atacam a nossa Pátria, servindo aos interesses norteamericanos e tratando de entorpecer  as relações entre nossos países. A qualidade moral desta senhora se pode medir pelo fato de que não trabalha, como o fazem as pessoas normais que vivem em Cuba; não tem outras rendas além daqueles que recebe da Oficina de Interesses dos EE.UU em Cuba; tem um dos blogs mais caros do mundo, hospedado em um sitio europeu, com  tradução imediata a 18 idiomas e acessível em todas partes do mundo. Tudo isso, em um país como Cuba que, devido ao bloqueio tem sérias limitações de acesso à Internet, a banda larga e seu tempo de utilização é muito caro dependendo dos satélites. Quem tem facilitado à senhora Yoani estas super-facilidades que a converteram na blogueira mais conhecida do mundo, enquanto outros blogueiros cubanos têm grandes dificuldades para conectar-se com o estrangeiro? De onde saem os recursos para sustentar a rede de Yoani, e a ela própria, que diz ser “uma humilde cidadã cubana”? Os cubanos residentes no Brasil associados da ANCREB, que amamos esta terra, assim como à Pátria que nos viu nascer, rechaçamos esta nova provocação anticubana e aqueles que a promovem para denegrir a nossa Pátria e a sua Revolução.  É necessário desmascarar esta provocação e seu protagonista. Em uma próxima declaração brindaremos mais argumentos e elementos de como ela é utilizada contra seu próprio povo”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:27

Caso Zapata: a versão de Cuba

A quem interessar possa. Esse artigo – “Para quem é útil a morte”‘ – foi publicado no CubaDebate, um site “contra o terrorrismo midiático”, e dias depois no ‘Granma’, assinado por Enrique Ubieta González:
“A contra-revolução cubana possui uma carência de mártires proporcional à sua falta de escrúpulos. É difícil morrer em Cuba, não porque tenhamos uma expectativa de vida semelhante à do Primeiro Mundo -ninguém morre de fome, apesar da carência de recursos, nem de doenças curáveis -  mas porque aqui impera a lei e a honra. Os mercenários cubanos podem ser presos e julgados, segundo as leis vigentes – aliás, em nenhum país as leis podem ser violadas. Por exemplo: nos Estados Unidos, receber o dinheiro e trabalhar para uma embaixada de país considerado inimigo, pode acarretar severas sanções de privação da liberdade – mas eles sabem mesmo que, em Cuba, ninguem desaparece, ou é assassinado pela polícia. Não há “recantos escuros” para interrogatórios “não convencionais”, para presos-desaparecidos, como os de Guantánamo ou os de  Abu Ghraib. E ainda, a gente entrega sua vida por um ideal que dá prioridade à felicidade dos demais, mas por um ideal que dá prioridade à própria vida.
Nas últimas horas, entretanto, algumas agências de notícias e  governos se apressaram em condenar Cuba pela morte, sob custódia, em 23 de fevereiro, de Orlando Zapata Tamayo. Toda morte é dolorosa e lamentável. Mas a cobertura da mídia, neste momento, mostra um entusiasmo,  como se quizesse dizer, finalmente surgiu um “herói”.
Assim, merece uma breve explicação, sem qualificativos desnecessários, quem foi  Zapata Tamayo. Apesar de toda a maquiagem, trata-se de um prisioneiro comum, que iniciou a sua atividade criminosa, em 1988. Acusado de crimes de “violação de domicílio” (1993), “lesões menos graves” (2000), “fraude” (2000), “lesões e posse de uma faca” (em 2000 provocou feridas e fratura linear no crânio do cidadão Leonardo Simón, empregando um facão) , “alterações da ordem” e “desordem pública” (2002), entre outras causas, sem nada  relacionado à política. Em 9 de março de 2003 doi libertado após pagar fiança, e no dia 20 desse próprio mês cometeu outro delito. Tendo em conta seus antecedentes e condição penal, desta vez foi condenado a 3 anos de prisão, mas nos anos seguintes a sentença inicial foi ampliada, de forma significativa, por causa de seu comportamento agressivo na prisão.
Na lista dos chamados presos políticos, elaborada em 2003 pela manipulada e já desaparecida  Comissão de Direitos Humanos da ONU, para condenar Cuba, o nome de Tamayo não aparece – tal como afirma a agencia espanhola EFE,  sem ter verificado os fatos e as fontes – apesar de que sua última detenção ocorreu na mesma época dos mercenários. Caso tivesse existido uma intencionalidade política prévia, Tamayo não teria sido  libertado 11 dias antes.
Ansioso para mobilizar o maior número possível de elementos suspostos ou reais nas fileiras da contra-revolução por um lado, e por outro,  convencidos das vantagens materiais que representava uma  “militância”  atiçada pelas embaixadas estrangeiras, Zapata Tamayo adotou um “perfil político”, numa época em que seu cadastro penal já era extenso.
Atuando  no novo papel , foi estimulado, uma e outra vez, pelos seus mentores políticos, a iniciar greves de fome, as quais foram minando seu corpo. A medicina cubana o acompanhou. Nos diferentes hospitais onde
foi tratado, existem especialistas altamente qualificados, os quais não pouparam recursos para o seu tratamento. Ele recebeu alimentação intravenosa. A família foi informada de cada passo. Sua vida foi prolongada por muitos dias mediante respiração artificial. Para tudo isso existe provas documentais.
Mas existem perguntas sem resposta que não são médicas. Quem e por que  estimularam Zapata a manter uma atitude que era obviamente suicida? A quem serve a sua morte? O resultado fatal alegra os hipócritas. Zapata era o candidato perfeito: um homem “dispensável” para os inimigos da Revolução, e facilmente persuadido a persistir em um esforço absurdo e em exigências impossíveis (televisão, cozinha e telefone celular pessoal na cela) de que nenhum dos verdadeiros líderes teve a coragem de manter. Cada um dos instigadores da greve anterior anunciavam uma provável morte, mas os que atacam sempre desistem antes que ocorram incidentes de saúde irreversíveis. Instigado e encorajado a prosseguir até a morte, estes mercenários esfregavam as mãos com essa expectativa, apesar dos esforços dos médicos. Seu nome agora é exibido, com cinismo, como um troféu coletivo.
Como abutres ficaram a espreita - os mercenários do quintal e a direita internacional -perambulando  em torno do moribundo.  A sua morte virou uma festa. O espetáculo é nojento. Porque os que estavam escrevendo não ficaram comovidos perante a morte de um ser humano, num país sem mortes extrajudiciais – mas fazem tremular essa morte quase com alegria e a utilizam com fins políticos premeditados. Zapata Tamayo foi manipulado e, de certa forma, conduzido à auto-destruição de forma premeditada, para satisfazer necessidades políticas dos outros. Por acaso esta não é uma acusação contra aqueles que se apropriam agora de sua ‘causa’? Esse caso é consequencia direta política assassina contra  Cuba, que encoraja a emigração ilegal, o desprezo e a violação da lei e da ordem estabelecida? Eis aí a única causa desta morte não desejada.
Mas,  por que existem governos que aderem à campanha de difamação, se eles sabem - porque sabem mesmo - que em Cuba não se executa, nem se tortura ou nem se usa métodos extrajudiciais?  Em qualquer país europeu podem ser encontrados casos de violação flagrante, por vezes, de princípios éticos, não tão bem atendidos como no nosso. Alguns, como aqueles irlandeses que lutavam pela sua independência, nos anos 80,  na década de 80, morreram em meio a total indiferença dos políticos. Por que governantes não condenam e denunciam explicitamente o confinamento injusto sofrido por cinco cubanos nos Estados Unidos por combater o terrorismo, e são rápidos para condenar Cuba, se a pressão da mídia ameaça sua imagem de político? Cuba já disse uma vez: podemos enviar-lhes  todos os mercenários e suas famílias, mas devolvam os nossos cinco heróis. A chantagem política jamais poderá ser usada contra a Revolução Cubana.
Esperamos que os adversários imperiais saibam que nossa Pátria jamais poderá ser intimidada, nunca se curvará, e nem se afastará do seu heróico e digno caminho utilizando as agressões, a mentira ou a infâmia.”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:27

Cuba e as prisões nos EUA

 Esse texto o leitor não encontrará em nenhuma publicação brasileira. Ele está hoje na edição, em portugues, do jornal cubano ‘Granma’ – órgão oficial do PC de Cuba.
A reprodução desse artigo é certamente uma resposta àqueles que condenam o regime cubano pela morte do dissidente Orlando Zapata.
O que ninguém disse, ainda, é que se Zapata não estivesse sendo atendido pelo Estado, ele não aguentaria 85 dias de greve de fome.
Mas veja qual é a realidade nos EUA, segundo o ‘Granma”:
“? Um em cada quatro presos no mundo está num cárcere dos Estados  Unidos. Na composição da população penal constata-se a predominância racista: um em cada 15 adultos negros permanece
preso; um em cada nove, entre 20 e 34 anos, e um em cada 36, hispânicos. Dois terços dos condenados à prisão perpétua são negros ou latinos e no estado de Nova Iorque, apenas 16,3% desses réus são da raça branca.
? A cada ano morrem 7 mil pessoas em cárceres estadunidenses, muitas são assassinadas ou suicidam-se.
? Por exemplo, os guardas nas prisões dos Estados Unidos usam regularmente pistolas Taser. De acordo com um relatório duma organização, 230 cidadãos estadunidenses morreram pelo uso deste tipo de armas desde 2001. Na denúncia, citou-se o caso de uma prisão no condado de Garfield, Colorado, acusada de utilizar regularmente estas pistolas ou pulverizadores de pimenta contra os presos, e de atá-los depois a cadeiras em posturas raras durante várias horas.
? Recentemente, informou-se que 72 pessoas perderam a vida nos últimos cinco anos nos centros de detenção de imigrantes.

? Um relatório divulgado pelo Departamento da Justiça dos Estados Unidos no mandato final de W. Bush assinalava que havia 22.480 presos em prisões estatais e federais que eram portadores do HIV ou aidéticos confirmados, e estimava-se que 176 réus estatais e 37 federais morreram por causas relacionadas à Aids.
Por exemplo, de acordo com uma informação do Los Angeles Times de 20 de setembro de 2007, foram registrados 426 óbitos nas prisões da Califórnia em 2006, devido a um tratamento médico tardio. Deles, 18 óbitos foram considerados como “evitáveis” e outros 48 como “possivelmente evitáveis”. Um recluso diabético de 41 anos, Rodolfo Ramos, morreu depois de ter sido abandonado sozinho e coberto por suas próprias fezes durante uma semana. Os funcionários da prisão não lhe deram tratamento médico, apesar
de saber de sua doença.
? Ao menos em 40 estados da União, os tribunais tratam como adultos norte-americanos de entre 14 e 18 anos. Uns 200 mil menores são julgados como adultos em tribunais nos Estados Unidos, apesar de já ter sido demonstrado que este proceder é errado.
? Em treze centros de detenção de menores nos Estados Unidos verifica-se elevados índices de abuso sexual e, em média, um em cada três jovens presos denunciou ter sido vítimas de abuso sexual.
? Nas prisões, há aproximadamente 283 mil doentes mentais, quatro vezes mais que nos hospitais psiquiátricos.
? Os 4,5% dos presos em cárceres estatais e federais foram vítimas uma ou mais vezes de abusos sexuais. Os 2,9% disseram que foram vítimas destes abusos, nos quais esteve envolvido o pessoal das penitenciárias, enquanto 0,5% afirmou ter sido atacado sexualmente por outros presos e pelo pessoal
penitenciário.
? Ações brutais e torturas contra presos são próprias das prisões dos Estados Unidos. Há uns poucos anos, um filme britânico, ‘Torture: America?s Brutal Prisons’ (Tortura: As prisões brutais dos Estados Unidos), mostra cenas horrorosas captadas por câmaras de vigilância na Flórida, Texas, Arizona e Califórnia, onde os guardas batem severamente nos presos ? até matam vários deles ? com pistolas Taser e elétricas, ataques de cachorros, borrifadas de químicos e dispositivos perigosos para imobilizar. Contudo, o mais alarmante é que o isolamento prolongado, que é uma maneira de abuso mental aos presos, os prejudica demais. Muitos presos enlouquecem (se já não eram doentes mentais) ou suicidam-se, por esta punição desumana.
Encontram-se em unidades de segregação restritiva e muitos deles também já foram isolados ? mas o governo não divulga esses dados. A maioria dos presos isolados em solitárias nos Estados Unidos
há mais de cinco anos que permanece assim”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:21

‘Granma’ dá destaque a Lula

No aeroporto, Lula foi recebido pelo Chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla

No aeroporto, Lula foi recebido pelo Chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla

É óbvio que Hugo Chávez sempre esteve muito mais próximo de Cuba e de Fidel do que o presidente Lula.
Hoje, as reflexões de Fidel, os discursos de Raul Castro e as linhas de Chávez, tem o mesmo peso e o mesmo destaque na imprensa cubana.
Mas na edição de hoje do ‘Granma’ – o jornal oficial do Governo – a foto da 1ª página é da chegada de Lula a Havana, e não de Chávez.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:13

Fidel está cada dia melhor

Toda a vez que Fidel Castro cala, a direita berra.
Desde o dia 10 de julho ele não publica suas Reflexões. Já são quase duas semanas de silêncio.
E isso sempre provoca especulações com relação a saúde do comandante.
Hoje ele reapareceu nas páginas do jornal cubano ‘Juventud Rebelde’, o diário da juventude cubana.  Fidel continua calado, mas aparece em uma foto, ao lado do presidente do Equador, Rafael Corrêa, que esteve em Havana fazendo um check-up e passando uns dias descansando.
A reunião foi sexta-feira passada, e Fidel nunca demonstrou estar tão bem.
Desde que deixou a chefia do Governo, nas suas poucas aparições ao lado de chefes de Estado, do escritor Gabriel Garcia Marques, ou lendo o ?Granma?, órgão oficial do Partido Comunista de Cuba, Fidel sempre trajava um agasalho esportivo da Adidas, a patrocinadora dos atletas cubanos.
Pela primeira vez, ele aparece de camisa branca, de mangas curtas, e aparentando muito boa saúde para os seus 83 anos completados no início do mês.

 

 

 

 

 

 

 

 

                       

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  • Domingo, 07 Março 2010 / 2:36

TV cubana explica morte de Zapata

 

Do jornal cubano ‘Granma’:    
“O noticiário da Televisão Cubana exibiu em seu telejornal de maior audiência, no dia 1º de março, depoimentos dos médicos que atenderam a Orlando Zapata Tamayo, e da mãe, Reina Tamayo, que reconheceu o atendimento dado ao filho pela instituição sanitária. Veja a transcrição da reportagem de 9 minutos e 14 segundos, traduzida pelo jornalista Gladys Rubio.
Jornalista: “A morte do recluso Orlando Zapata Tamayo em 23 de fevereiro, no hospital “Hermanos Ameijeiras”, de Havana, devida a mais de 80 dias de jejum voluntário, provocou críticas ao governo cubano por parte de algumas agências de notícias e certos governos, que acusam as autoridades da Ilha de não ter feito coisa alguma para salvar a vida dele.
Berta Antúnez Perne, membro do grupo contrarrevolucionário: “Assassinaram um homem pouco a pouco”.
Ramón Saúl Sánchez, líder terrorista residente nos EUA:
“Recebeu maus-tratos e eventualmente morreu, outro crime do regime de Cuba”.
Jornalista:
“Adotou e foi instigado a tomar uma decisão que o levaria à morte: uma greve de fome, em troca de um fogão, telefone e televisão na cela. O jejum de Zapata Tamayo começou em 8 de dezembro de 2009 e ele morreu em 23 de fevereiro”.
Dr. Gimel Sosa Martín, do Hospital Nacional de Internos:
“O paciente está tendo um conjunto de complicações próprias da inanição prolongada, por passar muito tempo sem ingerir alimento algum”.
Jornalista:
“Fica demonstrado que um jejum prolongado deixa a ciência de mãos atadas”.
Dr. Jesús Barreto Penié, mestre em Nutrição Clínica:
“Nesse caso, a gente pode manter o paciente mais ou menos bem alimentado aplicando técnicas de nutrição artificial, quer seja por via parenteral, mas isso não é suficiente para garantir a sobrevivência a longo prazo, ao não se utilizar a via do tubo digestivo, fundamentalmente, os intestinos delgado e grosso, que têm funções vitais que são precisamente garantidas pelo contato com os alimentos ingeridos.
Quando uma pessoa passa dias ou semanas sem alimentos, o intestino deixa de funcionar, e uma dessas funções é a imunológica. O intestino é o órgão imunológico mais importante e o que permite essa função imunológica é o contato com os alimentos, daí que provoque atrofia da mucosa intestinal, estreiteza do intestino, e inclusive, acaba assemelhando-se a quase um papel e aí aparecem as complicações, como hemorragias digestivas, perfurações nos intestinos, e o mais perigoso e mais sério, que pode ser a causa de morte de muitos pacientes, começam a proliferar as bactérias que coabitam no intestino delgado e, particularmente, no grosso, e a passar para o sangue, ocasionando múltiplas infecções, que matam o paciente.”
Dra. María Esther Hernández, chefe do Departamento de Psicologia do Ministério do Interior, na província de Camagüey: “Explicamos-lhe quais as consequências de sua decisão e o perigo que corria sua vida. Explicamos-lhe outras maneiras de encontrar solução de sua situação, outras vias de comunicação e ele sempre teve a mesma conduta”.
Dr. Dailé Burgos, intensivista do Hospital Nacional de Internos: “Nesse centro se continuou o tratamento médico iniciado a Zapata no Hospital “Amalia Simone”, de Camagüey. Este paciente esteve nas salas abertas e depois foi transferido para a unidade de cuidados progressivos e a de cuidados intensivos, pelo depauperamento ocasionado pelo seu jejum voluntário, que o levou à inanição, e posteriormente, para a nutrição artificial, parenteral, isto é, nutrição por via venosa, já que o paciente se recusou a ingerir alimentos. Neste hospital de Camagüey, deu-se acompanhamento de perto, inclusive com o apoio psicológico para adverti-lo do risco que corria sua vida com este jejum prolongado, e considero que, com certeza, foi bem acompanhado seu caso e bem tratado, até com remédios de última geração, quanto à alimentação e bem acompanhado pelas unidades de terapia desse centro”.
Dr. Mariano Izquierdo, chefe dos Serviços Médicos DEP-CH:
“O paciente por decisão própria não quis alimentar-se. Quando isto acontece, o organismo começa a auto-agredir-se, isto é, a pessoa começa a consumir-se porque busca, a partir do seu próprio organismo, como resistir ante essa falta de alimento por via oral. Isso foi o que lhe aconteceu a Orlando, seu organismo começou a esgotar as proteínas, as gorduras, e depois de 47 ou 48 dias sem ingerir alimentos é muito difícil voltar a recuperar o paciente por via oral”.
Jornalista:
“Nestas imagens aparece Reina Luisa Tamayo, mãe de Orlando Zapata, acompanhada dos oficiais durante as múltiplas visitas que realizou ao filho, no Hospital Nacional de Internos, onde foi atendido com todo o rigor médico. Segundo explicam os especialistas entre o time médico e a família de Zapata Tamayo estabeleceu-se um clima de cooperação”.
Dr. Gimel Sosa Martín, do Hospital Nacional de Internos:
“Do início, a relação com a família sempre foi boa, uma relação afetuosa, amável, a família sempre cooperou conosco, com os médicos, não só do hospital, mas também com todos os médicos que colaboraram neste caso”.
Imagem e voz de Reina Tamayo, mãe de Orlando Zapata, frente ao pessoal médico:
“Bom, muito obrigada… nós temos muita confiança… temos visto a preocupação e tudo o que estão fazendo para salvá-lo”.
Jornalista:
“Esta é uma conversação telefônica entre Yaniset Rivero, membro da organização contrarrevolucionária do Diretório Democrático Cubano, com sede em Miami, e o contrarrevolucionário Juan Carlos González Leyva, membro de um grupelho em Cuba. Na gravação torna-se evidente que a vida de Orlando Zapata não lhes preocupa, seu verdadeiro interesse não é que a mãe acompanhe o filho, senão que priorize a campanha para desacreditar o governo cubano”:
? JCGL: Minha mãe ensinou-me que um cachorro tem quatro patas e busca um só caminho.
? YR: Quem lhe deu ordem ao senhor para que essa carta que eu lhe disse para…
? JCGL: Sim, sim, mas ela já o viu ontem , o viu, e ela não vai curá-lo…ela ou decide a conferência coletiva ou decide ir a vê-lo, você compreende, ela tem que decidir.
? YR: Não, mas por isso é necessário que você fale com ela.
? JCGL: Eu vou vê-la esta tarde e vou-lhe falar claramente porque eu sou um camponês bruto: olha, ou você aceita a coletiva ou vai visitá-lo.
Jornalista:
“A campanha organizada contra o governo cubano tinha como objetivo acusar as autoridades da Ilha de não oferecer atendimento médico a Orlando Zapata. Por tal motivo, a contrarrevolução estava decidida a manipular qualquer prova do contrário e a ocultá-la. Por isso, as palavras da mãe de Orlando Zapata sobre o atendimento esmerado que seu filho estava recebendo jamais foram divulgadas. Essa verdade não era conveniente para a campanha de difamação contra Cuba”.
Voz de Reina Luisa Tamayo:
“Vieram-nos buscar tarde para participar da reunião com os especialistas que vieram, para analisar a saúde de Zapata e nos explicaram que a situação era muito crítica, crítica, que estavam fazendo todo o possível para salvar Zapata, mas que cada dia se agudiza algo mais no seu organismo, já tinham até preparado um rim para colocá-lo caso que colapsasse, que eles estavam lutando mas a situação era crítica, crítica”.
Jornalista:
“A seguir, outra prova de que Orlando Zapata recebeu atendimento médico”.
Voz de Reina Luisa Tamayo:
“Pude ver os médicos que estavam ali antes de eu entrar , estavam os médicos do Centro de Pesquisas Médico-Cirúrgicas (Cimeq), os melhores médicos tentando salvá-lo…”.
Jornalista:
“Com exeção de seus familiares e dos médicos, nenhum de seus aliados nas atividades políticas contra o governo de Cuba foi ao hospital para pedir a Orlando Zapata que abandonasse o jejum, ninguém lhe pediu que desistisse porque sua vida corria perigo, essas imagens não existem”.
“No mar das Antilhas, uma ilha aparece forte e bela, com uma história de respeito pelos seres humanos, os de seu país e os do mundo todo. Não aceita chantagens nem mentiras. Sempre amando, mas com o punho prestes para defender a verdade e a vida”.

  • Quarta-feira, 24 Fevereiro 2010 / 2:21

A morte de um dissidente cubano

 É claro que nem tudo o que a internet publica é verdade.
Mas é a fonte de informação mais rápida que existe hoje.
E, com todos os cuidados necessários, parte do que estará nesse post, foi obtido na internet.

                                                         * * *

Os jornais de hoje anunciaram a morte de um disidente cubano, preso desde 2003, depois de ter feito uma greve de fome de 82 dias, segundo ?O Globo?, e de 85 dias, segundo a ?Folha?.
Orlando Zapata Tamayo era bombeiro hidráulico -  num país onde quase todos tem o curso superior -, tinha 42 anos e era um dos 75 presos políticos na Ilha de Fidel.
Aí a primeira contradição.
A Anistia Internacional, órgão de maior credibilidade em matéria de presos políticos, contabilizou, em março do ano passado, que dos ?57 prisioneiros de consciência atualmente detidos em Cuba, 54 pertenciam a um grupo de 75 pessoas que foram encarceradas durante uma massiva campanha repressiva contra a dissidência em março de 2003. A maioria foi acusada de ?atos contra a independência do Estado?, por supostamente receber fundos ou material de organizações não governamentais sediadas nos Estados Unidos e financiadas por esse governo. Foram condenadas entre 6 e 28 anos de prisão após breves julgamentos, sem garantias, por realizarem atividades que as autoridades consideraram subversivas e prejudiciais para Cuba”.
   “Essas atividades – continua a Anistia – se resumiam em publicar artigos ou conceder entrevistas a meios de comunicação financiados pelos Estados Unidos; contatar organizações internacionais de direitos humanos, entidades ou particulares considerados hostis a Cuba. Até o momento 21 foram libertados, alguns em liberdade condicional, por razões médicas?.
É claro que 57 presos políticos é um número excessivo. Se fosse um único preso por crime de consciencia já seria demais. Mas 57 não são 75. E se ?21 foram libertados por razões médicas?, porque o regime cubano deixaria morrer na prisão um homem que faz uma greve de fome de 85 dias? Zapata deveria ter razões médicas suficientes para ganhar a liberdade. A não ser que o seu crime não fosse apenas de consciência.

                                                         * * *

A maior crítica do regime cubano chama-se Yoani Sánchez, 35 anos, detentora de seis prêmios internacionais pelo seu site Generacion Y, ?um blog inspirado em pessoas como eu, com nomes que começam ou contém um ípsilon. Nascidos na Cuba dos anos 70 e 80, marcados pelas escolas rurais, bonequinhos russos, saidas ilegais e frustração?.
Yoani fez cinco faculdades e especializou-se em literatura latinoamericana contemporânea: ?Apresentei uma tese incendiária intitulada ?Palavras sob pressão. Um estudo sobre a literatura da ditadura na América Latina?. Ao terminar a universidade havia compreendido duas coisas: a primeira, que o mundo da intelectualidade e da alta cultura me repugnava e, a mais dolorosa, que já não queria ser linguista.
Em setembro de 2000 fui trabalhar numa obscura oficina da Editorial Gente Nueva, enquanto chegava a certeza – compartilhado pela maioria dos cubanos – de que com o salário ganho legalmente não poderia manter minha família. De maneira que, sem concluir meu serviço social, pedi baixa e me dediquei ao trabalho melhor remunerado de professora de espanhol – freelancer – para alguns turistas alemães que visitavam La Habana. Era a etapa (prolongada até os dias de hoje) em que os engenheiros preferiam dirigir um taxi, os professores fazem o impossível para trabalhar no arquivo de um hotel e, nos balcões das lojas um turista pode ser atendido por uma neurocirurgiã ou um físico nuclear?.
Diz Yoani: ?Em 2002 o desencanto e a asfixia econômica me levaram a emigrar para a Suiça, de onde regressei – por motivos familiares e contra a opinião de amigos e conhecidos – no verão de 2004.
Nesses anos descobri a profissão que me acompanha até hoje: a informática. Me dei conta que o código binário era mais transparente que a rebuscada intelectualidade e que se nunca havia me ido bem no Latim ao menos poderia empreender com as compridas cadeias da linguagem html. Em 2004 fundei, com um grupo de cubanos – todos radicados na Ilha – a revista de reflexão e debate ‘Consenso’. Tres anos depois continuo trabalhando como web master, articulista e editora do portal ‘Desde Cuba’.
Em abril de 2007 me enredei na aventura de ter um Blog chamado ?Generación Y? que defini como ?um exercício de covardia? pois me permite dizer neste espaço o que me está vedado em minha ação cívica. Vivo em Havana, com o jornalista Reinaldo Escobar – com quem divido minha vida há quase quinze anos”. Seu blog pode ser lido em espanhol, inglês, polaco, francês, alemão, italiano, lituano, japonês, chinês, português, checo, bulgaro, holandês, finlandês, hungaro e coreano. O ‘Granma’, orgão oficial do Parrtido Comunista, pode ser acessado em apenas seis línguas. 
A responsável pelo site Generacion Y, certamente, deve cometer diáriamente diversos ?crimes de consciência?. Mas continua, sabe-se lá por que, em liberdade.
Ontem, por exemplo, com a morte de Zapata, os jornais anunciaram que ela não estava atendendo ao telefone, pois decretou luto pela morte do dissidente.
 

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Greve de fome é a cessação voluntária da alimentação por parte de um indivíduo. Ela é considerada um método de resistencia não violenta de pressão, e geralmente é vista como um protesto político.
Do ponto de vista médico, nos primeiros três dias, o corpo se utiliza da energia da glicoce. Depois, o fígado começa a transformação da gordura corporal em um processo chamado de cetose. Três semanas depois, inicia-se o período crítico com perda de energia e da médula osséa, com perigo de morte. Nos exemplos clássicos, a greve de fome mata o sujeito entre o 52º e o 74º dia.
O Guinness Book registra que a maior greve de forme do mundo, sem alimentação forçada, durou 94 dias. Mas esse fato ocorreu há 90 anos, em outubro de 1920. E o texto confuso relaciona nove pessoas, na prisão de Cork, o que certamente é um erro. Podem ter morrido nove pessoas, mas não todas ao mesmo tempo.
Zapata teria sido o segundo dissidente cubano a morrer devido a uma greve de fome. O primeiro foi o poeta Pedro Luis Botiel, em 1972, que ficou 53 dias sem comer.

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Isso tudo é para dizer o seguinte. É óbvio que existem contradições e exageros no noticiário sobre a morte do dissidente cubano:
1 ? O número de dias que durou a greve. Se o normal é a pessoa morrer após o 52º dia e no máximo até 74º, como ele conseguiu ficar 85 dias? Seria ele o novo recordista do Guinness, ou pelo menos, o recordista do século XXI?
2 ? Zapata morreu em um hospital, portanto estava sendo monitorado. Houve tentativa de alimentação forçada, ele recebia soro? Não se sabe.
3 ? Como é possível que o regime cubano deixe morrer um dissidente, se outros se encontram soltos e falam abertamente contra o regime. Não é apenas o caso da blogeira Yoani. ‘O Globo’ de hoje publica uma entrevista com “um dos principais dissidentes do país, Oswaldo Payá” que chama de “covarde” o Presidente Lula, já que ele é “o verdadeiro cúmplice do regime cubano”. Isso não seria um “crime de consciência”. Afinal, o regime é fechado ou não é?
4 – O blog Generacion Y tem hoje um depoimento de quem se apresenta como a mãe de Zapata. A declaração foi feita na porta do hospital onde seu filho morreu, ontem às 15 horas. A luz é precária, e ele foi gravado pela blogueira que tem cinco cursos superiores, seis premios internacionais e que, depois de ter morado na Suiça decidiu voltar Havana para combater o regime.
Yoane explica que ?esta tarde (23/2), horas depois da morte de Orlando Zapata Tamayo, Reinaldo (seu marido) e eu pudemos aproximar-nos do departamento de Medicina Legal na rua Boyeros. Um cordão de homens da segurança do estado vigiava o lugar, porém conseguimos aproximar-nos de Reina, mãe do falecido, e fazer-lhe estas perguntas. Dor, indignação em nós?tristeza profunda nela. Aqui deixo a gravação, alternativa e sem luz, porém testemunho pungente da angústia de uma mãe?.
Yoani Sánchez foi quem postou o vídeo, também, no YouTube.

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