• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:38

Jobim: “Nada muda na Defesa”

De Eumano Silva, da revista Época:
“O ministro da defesa, Nelson Jobim, desfruta uma situação única no governo Lula. Homem de confiança do presidente numa das áreas mais sensíveis da Esplanada, Jobim mantém estreitas relações com o candidato da oposição ao Planalto, José Serra (PSDB). A dupla militância permite a previsão de que, em assuntos de Defesa, o Brasil manterá as diretrizes atuais caso a eleição seja vencida por Serra ou pela ex-ministra Dilma Rousseff. ?Fiz reuniões com PT, PMDB, DEM e com o ex-presidente Fernando Henrique?, diz Jobim, ao explicar as mudanças na área militar, como a subordinação ao poder civil, aprovadas no Congresso. Nesta entrevista a ÉPOCA, Jobim faz um balanço dos acordos internacionais do país e das medidas para tentar organizar a aviação no Brasil”.
                                                        * * *
“? Como vai ficar a defesa nacional do Brasil no futuro?
? Os políticos e os governos civis viam a defesa com certa distância. Na época da Constituinte, a defesa se confundia com repressão política. Com isso, militares tinham de tomar certas decisões que, a rigor, eram decisões de governo civil. Exemplo: quais as hipóteses de emprego (das Forças Armadas) que politicamente interessam ao país? Isso é um misto de política internacional com defesa. Cabe ao poder civil definir o que os militares devem fazer em termos de defesa. Os militares decidem a parte operacional.
? Isso aconteceu no governo Lula?
? Tudo é um processo. Não acontece assim, bum! Começou no governo Fernando Henrique, com a criação do Ministério da Defesa, em 1999, nas condições possíveis naquele momento. No governo Lula, avançou-se um pouco no início, com o ministro Viegas (José Viegas, primeiro ministro da Defesa de Lula). Os avanços mais doutrinários são consolidados pelo vice-presidente (José Alencar) que o sucedeu e, depois, pelo Waldir Pires. Quando assumi, decidi que precisávamos realizar uma mudança de concepção para dar mais musculatura ao Ministério da Defesa.
? Como assim?
? O orçamento, por exemplo. Antes, as Forças (Marinha, Exército e Aeronáutica) se acertavam entre si dentro do limite fixado pelo Ministério do Planejamento. O ministro (da Defesa) não tinha participação. Também foi aprovado na Câmara o projeto de alteração da Lei Complementar nº 97. O Estado-Maior de Defesa passa a ser o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas. Será chefiado por um oficial de quatro estrelas escolhido pelo presidente, indicado pelo ministro da Defesa. Vai ter a mesma precedência dos comandantes de Força. Ao assumir, vai para a reserva. Hoje, ele volta para a Força de origem.
? Qual é o problema?
? Dá constrangimentos. Às vezes, precisa tomar decisão contrária ao interesse da Força de origem e tem dificuldade. Outra mudança é na política de compras, que hoje é fixada pelas Forças, mas será fixada pelo ministério em função do que o poder civil considera relevante. Precisamos de monitoramento e controle, mobilidade e presença. O monitoramento deve ser feito, por satélite, na Amazônia Legal e na Plataforma Continental, onde o Brasil tem soberania.
? São planos de longo prazo?
? Ah, uns 20 anos…
? O senhor, então, não espera grandes mudanças se o próximo presidente for Dilma Rousseff ou José Serra? ? Eu não espero.
? A Defesa está acima das questões políticas?
? Tudo que estou falando foi discutido com todos os partidos. Fiz reuniões com o PT, o PMDB e com o DEM. Fui ao Instituto Fernando Henrique Cardoso. Estava cheio de gente lá, todos os ministros dele, todos meus colegas, e várias outras pessoas, intelectuais também.
? Não há ideologia nessa área?
? Eu quis descolar, mostrar que não é um programa do governo. É um programa do Estado.
? O que mais mudou?
? Tem uma mudança doutrinária. Saímos do conceito de operações combinadas para o conceito de operações conjuntas. Na combinada, cada Força tem seu comando próprio. Na conjunta, tem um comando só para as três Forças. O comandante da operação vai depender do teatro de operações. Se for a Amazônia, o comandante da operação vai ser do Exército. Se for no mar, vai ser um almirante.
? O que, de fato, interessa ao Brasil em termos de defesa?
? O Brasil não é um país com pretensões territoriais, não vamos atacar ninguém. Então, devemos ter um poder dissuasório. Temos três coisas fundamentais. Uma é energia, que tem o pré-sal e também energia alternativa, energia limpa, entre elas a energia nuclear. Segundo, o Brasil tem as maiores reservas de água potável do mundo: a Amazônia e o Aquífero Guarani. E, terceiro, temos a maior produção de grãos. São coisas que, progressivamente, o mundo vai demandar mais.
? Na América do Sul, quais são as maiores preocupações?
? A estabilidade política e econômica. Quanto mais desenvolvido o país, mais estável será. Quando o Brasil paga mais pelo excedente de energia elétrica do Paraguai, ajuda a criar condições para que o Paraguai se estabilize. Um país que tem a dimensão do nosso não pode botar o pé em cima dos outros.
? Qual é sua opinião sobre a relação do Brasil com a Venezuela?
? É boa. A Venezuela viveu sempre do óleo. A elite se apropriou dessa riqueza e não investiu no país. Ficou um conjunto de pessoas muito pobres. Aí, surgiu o presidente Hugo Chávez, que lidera esse setor. Está conseguindo avançar. Agora, o Chávez é um homem, digamos, de uma retórica forte. Isso não atrapalha. Faz parte do hispano-americano. É preciso ter paciência. Boa sorte à Venezuela.
? E com os Estados Unidos?
? Estamos muito bem. Com a vitória do presidente Obama, mudou muito. Concluímos um acordo de defesa para criar novas perspectivas de cooperação bilateral. Vai nos permitir, por exemplo, vender aviões da Embraer para eles sem licitação.
? O Irã é o maior ponto de divergência entre Brasil e Estados Unidos?
? A posição do presidente Obama não é nesse sentido. Há setores nos EUA, principalmente no governo Bush, que demonizam o islã. O islã é pacífico. A posição do Brasil é assegurar a legitimidade do enriquecimento do urânio para fins pacíficos. Nós temos tecnologia para isso e temos urânio. Ainda precisamos completar a parte industrial.
? Qual é sua opinião sobre o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares?
? É assimétrico. Divide os países em nucleares e não nucleares. Os nucleares assumiram compromisso de reduzir as armas e transferir tecnologia nuclear com fins pacíficos para os não nucleares. Não fizeram nem uma coisa nem outra. O Brasil só desenvolveu tecnologia de urânio com luta própria, com cientistas militares brasileiros.
? Quais são os interesses do Brasil na área de defesa em Israel?
- Temos interesses em Veículos Aéreos Não Tripulados, os Vatns, para fazer monitoramento. Algumas empresas israelenses produzem. Estou examinando a possibilidade de produzirmos no Brasil, com uma empresa brasileira associada a uma israelense.
? E a compra dos caças para a Força Aérea Brasileira (FAB), quando se resolve?
? Pretendo terminar em abril uma exposição de motivos para o presidente, com uma opção. O presidente convoca o Conselho de Defesa Nacional, que emite um parecer e, aí, o presidente decide.
? Como estão as buscas dos desaparecidos na Guerrilha do Araguaia?
? A segunda etapa já começou.
? A irmã de um guerrilheiro desaparecido encontrou ossadas. Isso ajuda?
? Sim. Qualquer pessoa que encontrar ossos tem de chamar a polícia e identificar. Se isso estiver no âmbito de execução da sentença penal que estamos cumprindo com as buscas, vamos ter de aproveitar isso. Não há um conflito.
? O senhor foi nomeado para resolver o caos aéreo do Brasil. Considera a missão cumprida?
? Vou falar o que fizemos. A primeira medida foi substituir a direção da Infraero, despartidarizar. Formulamos a Política Nacional de Aviação Civil. Ela foi aprovada. Pretendemos oferecer um tratamento diferente para a aviação regional. Vamos enviar um projeto de lei ao Congresso. Em 2005, instituímos liberdade de rota e liberdade tarifária. Esse sistema funciona para a aviação doméstica, mas não para a regional, que precisa de estímulos. Vamos investir nos aeroportos regionais.
? Nossa estrutura de aeroportos estará preparada para as Olimpíadas do Rio em 2016?
? Sim. Tem um calendário da Infraero para as obras necessárias. Temos um crescimento anual médio de 10% na aviação civil. Na Copa do Mundo, terá um aumento de 2% em dois meses. Mas nossa preocupação não é só com a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Tem muito mais gente viajando, os preços caíram. Em 2002, o quilômetro voado custava R$ 0,71. Em 2009, custa R$ 0,49.
? E em relação aos passageiros?
? Incentivamos uma resolução da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) sobre a responsabilidade das empresas em relação a atrasos, overbooking. É o que a Anac podia fazer dentro da legislação. Paralelamente, nós mandamos para o Congresso um projeto que cria um dever de indenização por parte das empresas se os atrasos forem devidos a qualquer agente. Se o atraso for decorrente da Infraero, a empresa se ressarce do que entregou ao passageiro.
? E se for culpa da meteorologia?
? Nesse caso, não tem ressarcimento.
? Dá trabalho ser ministro da Defesa?
? Na época das demissões da Infraero, recebi críticas de amigos meus porque eu demiti pessoas indicadas por eles. Fiz exatamente o que eu precisava fazer. Como não sou candidato a coisa nenhuma e sempre gostei de confusão, não teve problema”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:21

Lei da anistia na pauta do STF

 De Alana Rizzo, Diego Abreu e Josie Jeronimo, para o ‘Correio Braziliense’:
“A ação que questiona a Lei da Anistia em vigor no Brasil desde 1979 pode tumultuar os últimos meses de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trazendo de volta à cena as divergências entre alguns ministros. A análise pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) dos quatro volumes do processo está marcada para a próxima quarta-feira. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), autora da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº153, questiona a concessão da anistia para todos os crimes, inclusive a tortura, no período da ditadura militar. O julgamento terá um valor histórico, pois pode reabrir, após mais de 30 anos, o debate sobre a ação de militares durante o período.
Cabe observar que uma manifestação tolerando os abusos cometidos pelo regime de exceção pode ameaçar o próprio legado do presidente, eclipsando os palpáveis avanços alcançados, diz o relatório da Secretaria de Direitos Humanos, ligada à Presidência da República, incluído na ação.
Recentemente, Lula orientou os ministros a evitarem polêmica e, adotando um tom mais conciliador, o ministro Paulo Vannuchi, responsável pela secretaria, pregou o bom senso na discussão. Não é justo que os integrantes das Forças Armadas carreguem o peso por violências que foram praticadas somente por algumas dúzias. Segundo o ministro, o voto do relator do caso, Eros Grau, pode não resolver de maneira direta a questão, mas deve indicar o dever de o Estado fazer uma narrativa oficial sobre os fatos ou permitir a abertura dos arquivos secretos. Ele (Eros Grau) é uma pessoa que foi preso político, foi torturado. Ele não terá uma posição do tipo: esse assunto vai ser encerrado. Não é pão, pão, queijo, queijo, mas tem um rumo, incorpora argumentos à demanda.
Vannuchi e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, protagonizaram o racha no governo sobre o assunto. Parecer jurídico da pasta que comanda os militares diz que, caso o Supremo julgue procedente a ação, poderá conduzir a resultado oposto àquele buscado e a Corte estaria criando divergência atualmente inexistente no que se refere à lei. No entendimento do ministério, os crimes cometidos àquela época já estariam prescritos”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:19

Aloysio: “Dilma está aturdida”

O ex-ministro de FHC e principal articulador político da gestão José Serra (PSDB) no governo de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira diz que os ataques da ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff (PT) ao tucano são uma forma de encobrir os problemas do governo Lula na gestão do PAC. Aloysio deixou o cargo de secretário estadual da Casa Civil junto com Serra para disputar uma vaga no Senado, e diz que irá se empenhar na campanha presidencial.
Ao repórter Sérgio Roxo, de ‘O Globo’, ele deu a aeguinte entrevista:
- O que o senhor achou da declaração da ex-ministra Dilma Rousseff de que aceita um embate no campo ético com o PSDB?
- Estamos prontos para uma comparação em qualquer terreno. Nós damos de 10 a 0 em qualquer terreno.
- E o fato de a Dilma ter falado que Serra planejou o apagão quando era ministro do Planejamento?
- É uma forma de encobrir o fiasco da sua função de gestora do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em que a maior parte das obras ficara inconclusa.
- O senhor acredita que o tema da campanha serão sempre esses ataques?
- Acho que não. Daqui a pouco começam (outros assuntos). Ela (Dilma Rousseff) deve estar um pouco perdida sem a tutela do presidente Lula, agora que não é mais ministra. Deve estar um pouco aturdida com a nova situação.
- As citações de questões éticas feitas por Serra no discurso de despedida são uma forma de confronto com adversários?
- Quem vestiu a carapuça é que tem que se explicar. O governador José Serra fez no seu discurso um apanhado do conjunto de princípios que regem a sua vida pública. Entre esses princípios está esse, do respeito ao dinheiro público, à gestão ética, à transparência, à responsabilidade.
- Qual será o seu papel na campanha de Serra?
- Estou absolutamente envolvido na campanha dele, convencido de que ele é o melhor para o Brasil neste momento. Vou me empenhar como se fosse minha própria campanha.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:11

Sem mesquinharia

Do advogado Marcello Cerqueira, pré-candidato do PPS ao Senado, para ‘O Globo”:
“O comandante do Exército russo reuniu seu estado-maior e advertiu: A terceira guerra mundial está a caminho e nossos adversários serão os chineses. Um general mais prudente perguntou: Mas, comandante, os chineses são mais de um bilhão e meio e nós apenas cento e cinquenta milhões de russos. Riu-se o comandante: Israel tem apenas cinco milhões de judeus e vence cento e cinquenta milhões de palestinos. Volta o general prudente: E nós temos cinco milhões de judeus? À falta dos cinco milhões de judeus e pacifistas por natureza, fluminenses e capixabas, além de paulistas, vão ter de negociar a tunda que sofremos com a chamada emenda Ibsen Pinheiro, na aprovação da qual o governo federal demonstrou sua política ambígua e de consequências sinistras para os estados produtores de óleo. De logo, o Estado do Rio e seus municípios produtores perdem não menos de 7,5 bilhões de reais e o Espírito Santo 98% das compensações financeiras.
E a ninguém escapa que a responsabilidade pela chamada emenda Ibsen Pinheiro foi resultado da posição que assumiram os ministros Dilma e Lobão, na indiferença pela supressão dos royalties já devidos aos estados-membros produtores, agravados pela curiosa declaração do presidente Lula de que não desejava tal discussão (a dos royalties) no período eleitoral. Ora, se assim não queria, então por que enviou o anteprojeto com o carimbo de urgência urgentíssima? E mais do que isso: a alguém escapa que sem o apoio, ou pelo menos a leniência do governo, a malsinada emenda teria alcançado o formidável número de votos que colheu (369 a favor contra 72)? Sabem os leitores de alguma votação na Câmara, em todo o período do presidencialismo compromissado do governo Lula, em que o governo tenha perdido? De vida atribulada, o deputado autor da emenda, consciente ou inconscientemente não importa, serviu de espoleta para os ministros que referi. É certo que ele tem sua responsabilidade, mas ela não decorre de sua vontade. Antigo parlamentar, sei que as maiorias não se formam à margem do governo-patrão.
A questão do marco regulatório do pré-sal envolve interesses estratégicos do país e não pode ser tratada com a leveza que está sendo conduzida. Não pode. Não pode sem antes ser objeto de ampla discussão com toda a sociedade. E o assunto é de tal vulto e de tal alcance, que irá romper o dique das forças que o governo ainda represa. Os problemas represados com o assistencialismo e apesar da enorme capacidade de comunicação do presidente da República, permanentemente em campanha eleitoral, acabarão por alertar o eleitor que o modelo chegou ao seu termo.
Não é verdade que o Senado Federal pode resolver a contenda e devolver aos estados produtores o direito às áreas pré-licitadas. Sem o de acordo da Câmara dos Deputados, o Senado fará mera figuração. Pela sistemática constitucional, as mensagens do presidente da República são enviadas primeiro para a Câmara dos Deputados, funcionando o Senado da República como Câmara meramente revisora. O anteprojeto porventura alterado pelo Senado pode ser derrubado quando voltar à Câmara que, querendo, restabelecerá o seu texto original. Nessa comédia de erros e desacertos, o presidente da República anuncia que vai, como é do seu ofício, mais uma vez arbitrar a contenda. É possível, mas os eleitores já viram como pode atuar um governo despreocupado pela vida real e talvez já sinta a ameaça de uma sucessão presidencial em que se apresente a burocracia mais arrogante.
Quando o Brasil comprou o Acre dos bolivianos, em 1903, a região amazônica era rica em seringais. Reza a lenda que os grandes proprietários acendiam charutos com notas de mil-réis, importavam vinhos e queijo da Europa, mandavam passar suas camisas em Lisboa, e o fabuloso Teatro Amazonas aí está para atestar a riqueza da época.
Hoje, a União federal gasta com o Acre mais de três vez do que lá arrecada. Na projeção, desde a quebra da borracha, o Acre terá custado ao país cerca de 100 bilhões de reais. A solução correta seria abandonar o Acre à sua sorte? Não. Naturalmente, não.
É isso que querem fazer com a riqueza finita do petróleo? Ontem a borracha e no futuro o petróleo.
O Congresso, o governo federal e os governos dos estados não produtores devem ter juízo. E pensar grande, sem mesquinharia. Pensar no Brasil”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:10

Dilma condena “Estado omisso”

No tempo em que o PSDB estava no poder,  “vivíamos a época do Estado mínimo. Não tinha planejamento estratégico, não tinha aliança com o setor privado, não incrementou investimento público, não financiou investimento privado. Hoje por tudo isso, podemos dizer que, antes de ser um Estado mínimo, ele foi um Estado omisso” – da ministra Dilma Rousseff, durante o lançamento do PAC 2, ao comparar a gestão de Lula com a do antecessor FHC.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:04

Ciro: “Só o PSB pode impedir”

   O deputado Ciro Gomes é o entrevistado de hoje no Programa 3 a 1, da TV Brasil, às 23horas. Ele reafirma sua candidatura à Presidência da República e diz que só existe “uma força que me impeça de ser candidato: o Partido Socialista Brasileiro”.
Ciro se diz mais preparado para exercer a Presidência do que a ministra Dilma Rousseff.
Ele será entrevistado pelos jornalistas Luiz Carlos Azedo, apresentador do programa, e mais Raymundo Costa, do ‘Valor Econômico’, e Denise Rothenburg, do ‘Correio Braziliense’.
Eis algumas das declarações de Ciro na entrevista de hoje a noite:
“Sou amigo do Lula, fui seu ministro e um dos primeiros a defendê-lo quando ele precisou. Ele jamais me pedirá para retirar minha candidatura?.
            ***
” A caminhada será difícil, mas eu vou seguir. Me sinto mais qualificado hoje do que meus oponentes.”
            ***
“Sou candidato a presidente por isso não posso aceitar ser vice da Dilma?.
            ***
“Eu entrego o que prometo. Ofereço minha decência e experiência ao povo. Vou apresentar um projeto ao povo brasileiro.”
            ***
“O governo Lula representa um avanço para o Brasil. Afirmo isso olhando no retrovisor, vendo o que não deu certo para melhorar para o futuro.”
            ***
“O Brasil não pode entrar numa tradição como a que está acontecendo na Venezuela.”
            ***
“Meireles é ótimo, mas só quer perseguir a menor inflação.”
            ***
?O Banco Central contrange o crédito.”
            ***
“O governo mais irresponsável fiscalmente foi o do Fernando Henrique Cardoso. Os números mostram isso.”
            ***
“Sou aliado do PT. Mas sou um aliado que exige respeito. O PT tem mania de tratar seus aliados como seus empregados. Eu exigo respeito.”
            ***
“Acho que o PT teme que eu ultrapasse a Dilma na campanha. E se o PT teme que eu vou passar a Dilma, eu que estou trabalhando nas unhas, então ela vai perder para o Serra.”
            ***
“O Lula me pediu para transferir meu título eleitoral para São Paulo. Falei para ele: Presidente, é uma honra, mas não estou preparado para governar o estado de São Paulo.”
            ***
“O preço do meu isolamento é a liberdade.”
            ***
“A Dilma tem grandes dotes, mas pode cometer erros na campanha eleitoral porque ela nunca foi candidata.”
            ***
“A Dilma é uma grande pessoa, grande administradora, ética, mas estou mais preparada que ela.”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:00

Roberto Carlos quer distância de Arruda

 Mais uma prova do amadurecimento de Roberto Carlos está hoje estampado no ‘Estadão’, em matéria assinada por Roberta Pennafort:
“Convidado pelo governo do Distrito Federal para fazer o show de comemoração pelos 50 anos de Brasília, o cantor Roberto Carlos deve recusar o chamado. Segundo seu empresário, Dodi Sirena, “seria delicado” aceitar o convite do governador José Roberto Arruda no momento em que é alvo de denúncias de corrupção.
O convite foi insistente e Roberto gostou pelo fato de uma pesquisa ter mostrado que a população queria vê-lo. “Mais até do que cantores internacionais, como a Madonna”, contou Sirena. “É uma honra celebrar os 50 anos da capital, mas, por outro lado, o Brasil inteiro está indignado com essa situação. Houve desvio de um dinheiro que é nosso, do contribuinte. A gente prefere não se expor. Não descarto totalmente, mas as chances são remotas”, afirmou o empresário.
Sirena admitiu rever a decisão caso um novo convite seja feito pelo governo federal. Segundo ele, se o pedido vier do “governo Lula” e não da administração Arruda, Roberto Carlos poderia participar das comemorações do aniversário da cidade.
O show seria em abril. No período, o cantor estará em turnê internacional. Seria preciso que fizesse um pequeno intervalo nas apresentações para participar das celebrações”.

  • Sábado, 22 Maio 2010 / 4:12

Cesar Maia e as eleições no Rio

Do blog do ex-prefeito Cesar Maia:
“1. Vamos usar a pesquisa Vox Populi relativa a maio, embora com amostra muito curta de apenas 800 eleitores no Estado todo. Ela não afeta os patamares anteriores: Cabral lidera com 41%. Em janeiro, no Vox Populi, tinha 39%. Gabeira vem em seguida com 19% (18% antes) e Garotinho 18% (20% antes). Ambos mantendo o patamar dos 20%. Portanto, em 5 meses nada mudou. É um quadro que aponta para o segundo turno, na medida em que Cabral ocupa a mídia quase sozinho, e com a boa vontade de sempre. E concentra comerciais à vontade na TV e Radio, além de uma chuva de placas. Vai descer na campanha. Quanto (?), dependerá da performance dos demais.
2. Lembre-se que, em 2006, neste momento, Cabral se aproximava de 45%, Crivella tinha menos de 20% e Denise Frossard menos de 15%. Denise venceu na Capital e em Niterói e fechou o primeiro turno com 23% e Cabral com 37%, indo ambos para o segundo turno.
3. O imbróglio na aliança entre PSDB-DEM-PPS-PV foi superado. Os fatos mostraram que o problema era interno ao PV e provavelmente em função do segundo turno, na medida em que Gabeira aponta para Serra e Sirkis para Dilma, pela presença do ministro da cultura no governo Lula.
4. O DEM nunca criou óbice para a candidatura da vereadora Aspásia Camargo. Se o PPS cedesse sua vaga de senador ao PV, estaria tudo bem. Aspásia, quando militante do PP, ocupou a secretaria executiva do ministério de meio ambiente de FHC, cujo titular era Gustavo Krause do PFL (hoje DEM), numa relação harmoniosa. O único alerta dado foi o fato de ela liderar o movimento de desfusão (Autonomia Carioca), e que isso poderia prejudicar Gabeira fora da Capital. Nada mais.
5. O Vox Populi não divulgou pesquisa para Senador”.

  • Quarta-feira, 31 Março 2010 / 3:12

A eleição em marcha

Do sociólogo Marcos Coimbra, presidente da Voz Populi, para o ‘Correio Braziliense’:
“Aliviados de suas responsabilidades cotidianas, espera-se que Dilma e Serra possam se concentrar na formulação do que pretendem fazer na Presidência
Depois de uma longa jornada, que começou ainda em 2007, as próximas eleições presidenciais entram em uma nova fase. De hoje ao fim da semana, Serra e Dilma, os principais contendores, deixam seus cargos. Daí em diante, nos seis meses que nos separam do pleito, a disputa entre eles fica diferente.
Com Serra agora no papel de candidato e Dilma fora do Planalto, acabam-se os embates prévios. Até 3 de outubro, ambos estarão em condições parecidas, dedicando-se, em tempo integral, às suas campanhas. Nenhum dos dois pode dizer que tem outros compromissos.
Na longuíssima pré-campanha que vivemos, tivemos algumas coisas demais e outras de menos. Sobraram, por exemplo, pesquisas, enquanto faltaram ideias. Tanto o governador quanto a ministra se esmeraram em inaugurações e palanques festivos. Quase nada se ouviu a respeito de propostas para o Brasil.
A avalanche de cerimônias de entrega de obras a que assistimos sugere como tende a ser a disputa: uma briga de imagens na televisão. De um lado, sobre aquilo que o governo Lula fez e que dá corpo à proposta básica da candidatura de Dilma, de continuar o que está em curso. De outro, do que Serra fez em São Paulo, das obras e iniciativas que o qualificam como administrador e que mostram que é um governante de grandes feitos e preocupação social.
Se ficar nesse campo, a eleição será regida pelo verbo fazer, tornando-se uma briga em torno das realizações (e omissões) de um contra as do outro. Como nos embates que alguns vetustos personagens da cena política brasileira travaram nos últimos anos, nos confrontos entre tratores, quem faz mais?.
Por mais importantes que sejam as obras, seria uma pena se o debate sucessório se restringisse a essas comparações. No fundo, salvo uma ou outra diferença de ênfase, há muita concordância sobre o que o país precisa e o que deve ser feito na infraestrutura, na energia, no saneamento e na habitação, assim como no que toca as grandes necessidades que temos em áreas como saúde publica, educação e segurança.
Em outras palavras, os dois PACs do governo Lula (mudando o nome) seriam parecidos com o que o PSDB faria se estivesse no poder. Como não são grandes as discrepâncias entre o que se chamou de Brasil em Ação no governo Fernando Henrique e o que Lula fez no seu, considerando-se que um sucedeu ao outro e quanto as condições do Brasil mudaram de lá para cá.
Aliás, o Brasil em Ação e o PAC se assemelham até nos problemas, pois ambos enfrentaram as dificuldades que existem no país na transição entre as intenções e os resultados das políticas públicas. Cobrar do atual governo por ter feito menos que o prometido (ou por ter prometido demais) só seria justo se a cobrança fosse estendida à administração anterior.
É claro que ainda falta tempo até a eleição e que, aliviados de suas responsabilidades cotidianas, espera-se que Dilma e Serra possam se concentrar na formulação do que pretendem fazer na Presidência. Que o façam logo e que não creiam que basta mostrar suas ações na televisão para satisfazer a necessidade que os eleitores têm de saber o que propõem.
Estamos nas comemorações dos 25 anos da Nova República, celebrando um quarto de século de normalidade democrática. Apesar de vários percalços e do muito que deixou de ser feito, podemos nos orgulhar, como sociedade, de ter conseguido enfrentar três grandes desafios com razoável sucesso. A consolidação da democracia foi o primeiro, permitiu que os outros fossem alcançados e foi obra do conjunto das forças políticas do país. A normalização da economia veio a seguir e foi o maior legado do governo Fernando Henrique. Com Lula, enfrentamos o terceiro, a incorporação pacífica de uma imensa massa de desprivilegiados à cidadania e à economia.
As três agendas estão superadas e o país precisa de uma nova. Com a palavra, Serra e Dilma, assim como Marina e Ciro (que, mesmo se não emplacar a candidatura, pode contribuir em muito para o debate)”.

Copyright © 2010. Todos os direitos reservados.