• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:45

Cristovam, o xerife e o estadista

O senador Cristovam Buarque, do PDT, deu uma entrevista a repórter Raquel Ulhôa, do ‘Valor Econômico’, a quem admitiu vir a se candidatar ao governo de Brasília, embora preferissse concorrer a reeleição para o Senado: “Eu queria terminar a vida como estadista e o GDF é tarefa para xerife”, comentou.
Eis a entrevista:
- O senhor já decidiu se será candidato a governador?
- Acho que a melhor posição que eu posso exercer na política a serviço do Brasil e do Distrito Federal é no Senado. Tenho mais de cem projetos em andamento, um deles é o mais revolucionário do Brasil: cria a carreira nacional do magistério. Não gostaria vê-los parados. As crises do Senado passaram a idéia de que aqui é casa de mordomia, boa vida. Fica parecendo que estou fugindo da luta por interesse pessoal. Eu continuo olhando para o Senado, mas não posso fazer isso de costas para a população. E, quando a população diz que estou querendo abandonar Brasília, fica difícil.
- O que vai pesar em sua decisão?
- Primeiro, o ex-governador Joaquim Roriz não ser candidato. Se ele não for, não precisam de mim para ganhar eleição. Os candidatos quer representam o passado estão tão enfraquecidos, salvo o Roriz, que qualquer um que a gente apresentar vence. E a renovação virá, que é o que o povo quer. O segundo fato que, se acontecer, me libera para disputar o Senado, é as esquerdas se unirem. Se a gente fizer uma frente com oito, nove partidos, incluindo o PT, vamos ter força suficiente até para bater o Roriz. Acho que ele não vai ser candidato, mas só deve decidir isso lá para junho.
- Essa aliança depende do PT?
- No dia 21, o PT vai escolher um candidato (entre Agnelo Queiroz e Geraldo Magela, que disputarão prévias). Espero que saia unido e no outro dia venha conversar conosco, com sete partidos que estão trabalhando juntos (PDT, PSB, PCdoB, PPS, PV, PRB e PMDB).
- Esses sete apoiariam o candidato do PT?
- Nós vamos discutir isso, mas o PT é o mais forte. Eu, pessoalmente, defendo que seja do PT e unifique as forças de esquerda. Qual é o meu medo? Que o PT escolha o candidato e, para se unificar, se feche contra os outros partidos. Ou seja, forme uma chapa só deles: o que perder as prévias vai indicar o vice ou o candidato ao Senado. Isso nos dividirá. Por que, para ficarmos unidos, nós, desses sete partidos, queremos que os outros três cargos majoritários (vice e dois de senador) sejam dessegrupo. O PT seria apenas cabeça de chapa.
- Por que o senhor acha que Roriz vai acabar não se candidatando?
- Primeiro, porque vai se expor a um bombardeio da Justiça e da mídia. Além disso, seria governador pela quinta vez, em condições muito negativas. Ele é um homem fortíssimo. Erra quem menospreza o Roriz. Mas ele está num partido sem tempo de televisão, sem militância na rua.Terá dificuldade de comprar cabo eleitoral. A Justiça vai estar de olho. O que ele poderia é ter voto de gratidão, de quem recebeu lote no primeiro governo dele, que terminou em 94. Mas acho que essa gratidão não vai pesar tanto, porque os que receberam já estão velhos e os filhos não têm a mesma gratidão.
- Então seu destino em outubro está nas mãos do PT e do ex-governador Roriz?
- Se a esquerda se dividir e Roriz estiver na disputa, eu vou ter que ser candidato, porque pelo menos não vai ficar a marca de que o Roriz ganhou sem eu brigar com ele. Ele pode até ganhar, mas ninguém vai poder me acusar de virar as costas. Essa é minha tragédia hoje. Olhar para o Senado de costas para o povo.
- O PMDB era aliado de Arruda. Com ele nesse grupo dos sete, dá para falar em união das esquerdas?
- A palavra esquerda é realmente muito forte. Na verdade, é a união das forças que desejam a mudança. Você pode dizer que o PMDB era o partido do Roriz até pouco tempo. Mas o PMDB conseguiu tirar o Roriz dele. E essa crise do Arruda, eu trabalho como sendo crise de pessoas, não de partidos. Até o Democratas está se recuperando bem, na medida que tirou Arruda, Paulo Octávio (ex-vice-governador) e deputados envolvidos.
- Esse escândalo que levou Arruda para a cadeia atingiu também a Câmara Legislativa. A política aqui está contaminada?
- Você já comparou nossa Câmara, com toda sua fragilidade – não estou desculpando -, a todas as 5.563 Câmaras de Vereadores do Brasil para saber se a nossa é pior?
- O senhor está tratando-a como Câmara de Vereadores mesmo?
- Assim como trato o governador como prefeito. Governador aqui é um prefeito. Quando fui governador, cheguei a discutir a possibilidade de a polícia ser comandada do Palácio do Planalto. Sabe por que? Por uma questão de estadismo. Um dia, pode haver um governador, comandando a PM, com mais tropa que o exército em Brasília, que queira invadir o palácio. Essas mudanças têm que ser discutidas. Realmente, são duas coisas diferentes: a capital e a cidade. Brasília hoje é muito maior que a capital. Brasília tem uma peculiaridade. Todo mundo que faz política aqui entrou na política recentemente. Eu não conseguiria ser eleito governador na primeira eleição que disputasse em nenhum outro Estado. Brasília ainda é um faroeste. Um lugar a ser desbravado. Em algumas áreas evoluiu, como em medicina e na ciência e tecnologia. Na política, a gente chegou atrasada. Aqui não tinha líderes, até porque os governantes eram nomeados. Eram interventores. Ficamos mais tempo da história sem direito a voto do que com voto. Temos existência pequena.Tivemos apenas quatro governadores e quatro Câmaras Legislativas até aqui. A primeira não foi ruim. Mas o fisiologismo chegou lá também. A política virou questão de marketing, compra.
- O fato de ser a capital estimula a corrupção, o fisiologismo?
- Não. É por ser nova, não ter tradição nem lideranças consolidadas. Aqui não teve um Miguel Arraes, um Leonel Brizola, um Antonio Carlos Magalhães, que levaram décadas para criar suas carreiras. Eu saí de uma reitoria para ser governador. Eu me filiei só em 90. Isso é fruto do fato de a cidade ainda estar sendo desbravada em todas as áreas,inclusive na política.
- O senhor acha que o escândalo atual vai forçar uma mudança, uma ruptura em relação à prática política de Brasília?
- Essa é minha esperança: que Brasília, daqui a quatro anos, seja a cidade com o melhor sistema governamental do ponto de vista ético. Não acredito que seja possível o eleitor repetir erros e que os governantes cometam os erros que Arruda cometeu, mesmo que tenham vocação para cometer esses erros. Por uma questão de sobrevivência. Brasília vai poder construir uma novidade na forma de administrar. Aliás, acho até que na campanha. Espero não ser candidato a governador, mas, se for,penso em algumas inovações. Exemplo: divulgar todas as contribuições imediatamente na internet e não receber contribuição para a campanha acima de R$ 10 mil ou R$ 20 mil. Ao estabelecer um teto por doador você não fica com débito. Quando vier um empresário disputar uma licitação de R$ 500 milhões, não vai poder cobrar nada. Se doou R$ 200 mil já começa a querer cobrar. Coisas como essa podem inovar Brasília.
- Uma intervenção federal não poderia ser uma solução para o momento em que nenhuma instituição é confiável?
- A possibilidade de intervenção está na Constituição. Esse negócio de dizer que é a falência da democracia não é verdade. A intervenção se dá dentro da democracia. Seria falência se fosse o comandante da PM que indicasse o governador ou um empresário rico. Mas não, é a justiça. Mas minha opção é que o governador para esse final de mandato seja eleito pela Câmara Legislativa. Mas, para ter legitimidade, o eleito tem queter cara, cabeça, coração e mão de interventor. Isso é uma das coisas que também me fazem temer ser candidato. Eu queria chegar nessa idade como estadista. O próximo governador vai ser um xerife. A principal prioridade não vai ser a educação. Vai ser a ética. A grande tarefa é construir uma máquina exemplar de governo, em que mesmo ladrão não consiga roubar e nem os desonestos possam ser corruptos. Essa vai ser a obrigação. Por isso não sou entusiasmado em ser candidato a governador.Não é o que eu gostaria de deixar como marca: construir um governo ético. Queria deixar como marca a mudança na sociedade e não na máquina do governo. Repito: não gostaria de terminar a vida como xerife, queria terminar como estadista.
- Sua proposta significa uma intervenção legalizada pela Câmara.
- É isso. E por que essa sutileza? Por que a intervenção não é um abalo na democracia, mas é um abalo na classe política. É o fracasso da política. E o fracasso da política é ruim pedagogicamente. A ideia que  vai passar é que foi preciso a Justiça intervir, porque os líderes daqui não foram capazes de encontrar uma saída. Falo da autonomia de 2 milhões de habitantes. É uma população do porte de outros Estados. A gente vai cortar a autonomia do Acre, de Rondônia? Por que cortar autonomia da população do DF?
- Mas essa Câmara, que tem entre seus deputados pessoas envolvidas no escândalo, tem condições de eleger uma pessoa com o perfil que o senhor defende?
- Essa é uma pergunta que não dá para responder ainda. Ninguém dizia, há duas ou três semanas atrás, que eles iriam aceitar o processo de impeachment do Arruda. E votaram por 17 a 0. E eu acho que vão cassar o Arruda.
- Há quem diga que ele pode apoiar um candidato em outubro. Acredita que ele ainda tenha alguma influência política no GDF?
- Tem. A gente fala muito dos lotes. Mas esquece que, como Brasília é Estado e prefeitura, o número de cargos comissionados é muito grande.Acho que são 35 mil num total de 150 mil servidores, mais ou menos.Aqui o governador se fortalece dando aumento salarial e distribuindo lotes. Um candidato apoiado por ele não teria chance de ganhar, mas teria muitos votos”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:06

PF aperta cerca contra PO

 Dos repórteres Lucas Ferraz e Fernanda Odilla, da ?Folha?:
?Ações recentes da Polícia Federal indicam que a investigação do mensalão do Distrito Federal fecha cada vez mais o cerco contra o governador interino, Paulo Octávio (DEM). Ele nega ter sido beneficiado, mas é acusado de receber propina do esquema de corrupção revelado pela Operação Caixa de Pandora, deflagrada em novembro do ano passado.
Tentando dar ar de normalidade ao governo, que assumiu interinamente na última quinta-feira com a prisão do governador José Roberto Arruda (sem partido), o político e empresário enfrenta também quatro pedidos de impeachment na Câmara Distrital.
Dois aliados de Paulo Octávio tiveram suas casas devassadas pela PF no fim de semana: o ex-policial Marcelo Toledo e o ex-secretário de governo José Humberto Pires, alvos de mandados expedidos pelo ministro Fernando Gonçalves, que preside o inquérito no STJ (Superior Tribunal de Justiça).
Toledo havia sido flagrado em vídeo repassando dinheiro a um assessor de Arruda e dizendo que parte da propina era entregue a Paulo Octávio -que nega ter recebido. O ex-policial é um dos donos da Voxtec Engenharia e Sistemas, que faturou em negócios com o governo do DF, no ano passado, pelo menos R$ 6,6 milhões.
O advogado de Marcelo Toledo, Raul Livino, disse que ainda não conversou com seu cliente sobre a aparição no vídeo. Já José Humberto Pires, homem de confiança de Arruda e suspeito de participar da arrecadação e da distribuição de propina, foi sócio de Paulo Octávio em um empreendimento imobiliário chamado Ilhas do Lago, às margens do lago Paranoá, área nobre da capital.
A Folha obteve uma cópia de relatório da PF sobre o material apreendido no dia da deflagração da operação, em novembro, na Conbral, uma das empresas das quais José Humberto Pires é sócio. O documento afirma que na empresa havia parte das notas marcadas para investigar as ramificações do esquema de corrupção.
“Tanto na Conbral quanto na residência de Domingos Lamoglia foram encontradas cédulas cujos números de série coincidem com aqueles contidos nas cédulas distribuídas por Durval Barbosa [delator do esquema], sob monitoramento da Polícia Federal”, diz o texto da Diretoria de Inteligência da PF.
A análise do material apreendido na Conbral também revela transações milionárias entre empresas que, segundo a investigação, estão sob a influência de Pires. Em um delas, há movimentação de R$ 7 milhões em uma perfumaria. “Teria a empresa capacidade econômico-financeira para movimentar valores tão altos?”, indaga o documento.
Investigadores suspeitam que essas empresas foram usadas para movimentar dinheiro do esquema de corrupção. Durval, o ex-secretário que delatou o mensalão do DEM, disse que ficava guardado na Conbral o dinheiro de propina.
A sociedade entre Paulo Octávio e Pires terminou tão logo as unidades do Ilhas do Lago foram vendidas, segundo o advogado do governador, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. O governador interino nega ter participação nos negócios da Conbral. “Não acho que o Paulo Octávio seja alvo [da PF]. Não há nenhum pedido contra ele”, afirmou Kakay.
Segundo o advogado, o governador interino, como empresário do setor imobiliário, aparece como sócio em “diversos empreendimentos”. A Folha ligou várias vezes para Pires, mas ele não ligou de volta?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:04

Cabral e Arruda, grandes amigos

 O governador Sergio Cabral ficou sinceramente abalado com a prisão do amigo José Roberto Arruda.
De todos os governadores do país, Arruda sempre foi o mais íntimo de Cabral, depois de Aécio Neves óbviamente.
A amizade surgiu quando os dois ainda eram tucanos. Cabral depois trocou o PSDB pelo PMDB, e Arruda foi para o DEM.
No primeiro ano de governo, Cabral e Arruda fizeram, juntos,  pelo menos duas viagens ao exterior.
A primeira foi para a Colômbia, onde eles foram conhecer o programa do governo que diminuiu os índices de criminalidade, em Bogotá. Nessa viagem, o governador do Rio levou o seu secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Tudo em vão: a criminalidade no Rio só fez aumentar.
No mesmo ano, eles foram a Londres assistir a inauguração do novo estádio de Wembley, onde a Seleção Brasileira enfrentou a da Inglaterra. O jogo não passou de 1 a 1.
A última vez que estiveram juntos, em publico, foi no dia 14 de janeiro, durante a solenidade que Lula promoveu em Brasília, com a presença dos 12 governadores cujos estados servirão de sede para a Copa do Mundo.
Na edição do dia 15, ‘O Globo’ noticiou assim o encontro de Cabral e Arruda:
“Alguns governadores, como o de São Paulo, José Serra (PSDB), e do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que ficaram na mesma fileira que Arruda, passaram perto e não o cumprimentaram.(…) Percebendo que teria que se sentar a duas cadeiras de Arruda, Cabral voltou e o cumprimentou, colocando as mãos sobre o ombro dele, tentando disfarçar o constrangimento”.
Se Arruda não estivesse preso, possívelmente eles se encontrariam de novo na madrugada de domingo para segunda-feira, durante o desfile das Escolas de Samba.
É que o governo do Distrito Federal financiou a Beija-Flor, última escola que desfilará no primeiro dia, com o enredo “Brilhante ao sol do novo mundo, Brasília do sonho à realidade, a capital da esperança”, em comemoração aos 50 anos da Capital, no próximo dia 21 de abril.
Dessa Cabral escapou.
E deve estar dando graças a Deus por livrar-se de mais um constrangimento.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:31

Mais escândalos contra Arruda

Não tem recesso na Câmara Distrital que livre o ainda governador de Brasília, José Roberto Arruda, de novos escândalos.
Em reportagem publicada no ?Estadão?, os repórteres Rodrigo Rangel e Leandro Colon, descobriram que a sogra, a mulher e os filhos do governador compraram recentemente cinco imóveis no valor de R$ 1,3 milhão.
Eis a reportagem:
?A recente expansão do patrimônio imobiliário do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM), se estende a agregados da família. São imóveis comprados – com valores declarados bem abaixo dos preços de mercado – desde a vitória de Arruda nas eleições de 2006. Só em 2009, a atual sogra do governador, a professora aposentada Wilma Vitoriana de Mello Peres, comprou dois apartamentos em Águas Claras, o mais novo paraíso dos investimentos no mercado imobiliário de Brasília.
Dois filhos do governador – um deles estudante – compraram outros dois apartamentos na região recentemente. E a primeira-dama, Flávia Arruda, registrou em março a propriedade de um imóvel no mesmo prédio em que a mãe fez negócio. Juntos, esses cinco imóveis valem, pelo menos, R$ 1,3 milhão.
Esses apartamentos se juntam ao levantamento publicado pelo Estado no dia 6 de dezembro e que revelou um crescimento de mais de 1.000% no patrimônio de Arruda em relação aos valores informados por ele nas declarações de renda entregues à Justiça Eleitoral nas duas últimas eleições. A reportagem revelou ainda o hábito de o governador registrar bens em nome dos filhos. Agora, descobre-se que, desde a vitória nas eleições de 2006, mais imóveis foram comprados em nome dos filhos, além dos bens adquiridos pela sogra e a atual mulher.
Arruda á apontado pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, como o líder do suposto esquema de propinas que ficou conhecido como mensalão do DEM. O ex-secretário de Relações Institucionais do DF, Durval Barbosa, seria o responsável pela arrecadação de dinheiro entre empresas que mantinham contratos com o governo e pela distribuição dos pagamentos a integrantes do esquema.
Wilma Peres é casada com Heraldo Paupério, advogado que Arruda bancava até pouco tempo para defender Barbosa, que deflagrou o escândalo de corrupção no governo do DF. Gravação feita por ele indica que os serviços de Paupério eram pagos com dinheiro do esquema.
Os apartamentos registrados em nome da sogra do governador foram comprados em abril e agosto de 2009, de acordo com levantamento feito pelo Estado nos cartórios de registro do DF. Wilma e Paupério negaram-se a revelar à reportagem a origem do dinheiro usado nessas aquisições. Pelos valores declarados oficialmente, os dois imóveis – um apartamento de três quartos e uma quitinete – teriam custado R$ 219 mil. O valor de mercado, porém, é superior.
A quitinete, que no papel teria sido adquirida por R$ 49 mil, vale R$ 140 mil. O apartamento também está subvalorizado. Ao cartório, Wilma informou ter fechado o negócio por R$ 170 mil: sinal de R$ 120 mil mais R$ 49 mil financiados em 23 prestações de R$ 2.169. Apartamentos semelhantes, no mesmo prédio, são vendidos a R$ 350 mil, segundo imobiliárias. Wilma teria comprado os imóveis para investir. Até a semana passada, ambos estavam vazios. A quitinete, segundo funcionários do prédio, foi entregue a um corretor para que fosse alugada.
No mesmo edifício, a primeira-dama Flávia Peres Arruda também adquiriu uma quitinete. A escritura foi lavrada em março de 2009. Flávia declarou ter pago R$ 50 mil, menos da metade do valor de mercado.
Há outros dois apartamentos em nome de filhos de Arruda. Um deles, de 120 metros quadrados, foi registrado em abril de 2008 por Fernando Sant”Ana Arruda, de 23 anos. Valor registrado em cartório: R$ 170 mil. No mesmo condomínio, outra filha do governador, Bruna Sant”Ana Arruda, de 32 anos, comprou apartamento em dezembro de 2006. Ao cartório, Bruna informou ter pago R$ 157 mil. Cada um vale hoje R$ 350 mil. Fernando Arruda é estudante. Bruna, formada em Direito, trabalha como assessora no Tribunal de Justiça do DF.
A exemplo da sogra Wilma Peres, Fernando e Bruna adquiriram os apartamentos para investimento. O de Bruna estava vazio na semana passada. “Faz um bom tempo que esse apartamento está desocupado”, disse um funcionário do residencial. O apartamento registrado em nome de Fernando está alugado. O valor do aluguel no prédio é de, em média, R$ 1.300 por mês. Os dois filhos de Arruda declararam ter comprado os apartamentos da Cooperativa Habitacional Econômica Primavera, criada em 1992 por empregados do Metrô do Distrito Federal. Nas investigações da Operação Caixa de Pandora, o Metrô é apontado pelo denunciante Durval Barbosa como uma das fontes de renda do esquema montado por Arruda”.

                                                                               * * *
Em outra reportagem, Leandro Colon conseguiu localizar, no Rio, por telefone, o advogado Heraldo Paupério, marido da sogra de Arruda e antigo advogado de Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal e delator do esquema de corrupção em Brasília.
Quem atendeu o telefonema, na quarta-feira, em um hotel do Rio, foi Wilma, a sogra de Arruda, que nervosa passou o telefone para o marido. Eis a entrevista:
- Como avalia o escândalo do mensalão do DEM?
- Não temos nada a ver com essa problemática que está existindo. Eu não misturo relações profissionais com pessoais. Eu conheço José Roberto Arruda há muitos anos. Sempre achei que ele fosse uma pessoa normal. Não desgosto dele, não tenho porque ter raiva. Mas minha relação com ele é familiar.
- A sua mulher, Wilma Peres, comprou dois apartamentos este ano, um deles de três quartos. Com quais recursos adquiriu o imóvel?
- Isso é uma coisa que interessa a ela e à Receita Federal, e não à imprensa.
- Na escritura de um dos imóveis, diz que ela pagou R$ 170 mil, mas ele vale R$ 350 mil…
- Isso tudo? Que maravilha, sensacional. Na época em que foi comprado (há 9 meses), valia infinitamente menos.
- Como ela pode comprar esses imóveis com salário de professora aposentada?
- Isso não interessa a vocês. Por que vai interessar a vocês?
- Porque ela é sogra de um governador sob suspeita…
- Mas ela não tem nada a ver com o governador. Não depende dele. Ela trabalhou a vida inteira. Só interessa para você que é curioso.
- Numa conversa com Durval, Arruda fala de uma dívida de R$ 100 mil com o senhor…
- É uma maravilha. É um problema deles, não meu.
- O Durval diz ao Arruda que havia pago R$ 400 mil ao senhor. O senhor recebeu esse dinheiro?
- Nossa mãe de Deus, que maravilha. Isso é problema dele, é conversa dele. Você tem que me respeitar. Não interessa. Você é curioso demais. Eu era
advogado do doutor Durval. E até por questão de ética não posso falar nada quanto a isso.
- Ainda advoga para o Durval?
- Não, porque eu não tinha conhecimento de que ele iria fazer uma delação premiada. E acho que com isso ele deixou de confiar em mim. E me senti à
vontade para renunciar.
- O senhor está decepcionado com o Arruda?
- Eu fui delegado de polícia, promotor e agora sou advogado. Eu só acredito em verdade quando é escrita em decisão judicial transitada em julgada.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:29

Governo do DF emprega mais que União

Para quem adora o discurso contra o uso da máquina estatal para atender a correligionários, ou ao aparelhamento do Estado, ou outro nome qualquer que queiram dar, essa reportagem de Fernanda Odilla e Larissa Guimarães, da  ?Folha? é um prato cheio:
?O governo de José Roberto Arruda (sem partido) tem mais funcionários sem concurso ocupando cargos de confiança que a União. Levantamento da Folha mostra que o governo do Distrito Federal tem 8.660 comissionados, e a União, 5.560.
Mesmo tendo cerca de um quinto dos funcionários na ativa do que tem o governo federal (184 mil contra 913 mil), o governo do DF tem 12% a mais de pessoas que não fizeram concurso e ocupam cargos de chefia, assessoramento e direção.
Esse exército é um dos trunfos de Arruda para se manter no poder, já que 63 dos 84 órgãos do DF contrariam a lei ao entregar a trabalhadores sem concurso mais da metade dos cargos comissionados.
A bancada do PT na Câmara Legislativa pediu investigação à Procuradoria-Geral da República sobre o uso de funcionários comissionados em manifestações pró-Arruda na cidade. “Arruda transformou o governo do DF num grande comitê eleitoral”, afirma o deputado distrital Paulo Tadeu (PT).
Na maioria das administrações regionais (espécies de subprefeituras no DF), até funções como recepcionista e arquivista entram na folha de pagamento com cargo de chefia, diretoria e assessoramento.
Todas as 25 administrações têm mais de 90% dos cargos de confiança nas mãos de funcionários sem vínculo empregatício, de acordo com levantamento junto ao “Diário Oficial” do DF de setembro deste ano.
A legislação prevê que pelo menos 50% do total de cargos comissionados precisa ser ocupado por servidores concursados. Hoje o DF tem 16.555 ocupantes de cargos de confiança -52% nas mãos de comissionados- e a União tem 19.330.
A análise do quadro de pessoal de cada órgão também indica que a maioria (75%) não segue a lei. “A proporção de 50% deveria ser respeitada em órgão por órgão porque cada um tem vida e estrutura própria”, afirma o promotor Ivaldo Lemos, autor de oito ações contra o cabide de empregos.
O governo Arruda justifica que considera o número global, e não por unidade. Informa ainda que o balanço é publicado trimestralmente e que ajustes estão sendo feitos.
Além das administrações, 12 secretarias também registram maior número de funcionários sem vínculos com cargos de confiança. A pasta que mais emprega sem concurso é a de Trabalho. O secretário de Trabalho, Rodrigo Delmasso, argumenta que o órgão foi recriado em 2008 e, por ser novo, teve de recorrer a não concursados.
Segundo ele, já está em andamento um concurso para a contratação de 350 servidores.
Os cargos de confiança costumam ser preenchidos por indicação política e, para manter o emprego, os ocupantes dessas funções têm se manifestado publicamente em defesa do governador Arruda. O funcionário do governo Valter Soares Leite, por exemplo, é chefe de gabinete em uma das administrações regionais e defensor ferrenho de Arruda.
Segundo ele, a indicação para o cargo partiu do próprio governador. “Faço campanha para ele há 12 anos”, afirma.
Leite diz acreditar que Arruda é vítima de perseguição política e que, assim como outros funcionários em cargo de confiança, espera que o governador “saia desse momento delicado”. “Aqui na administração temos muito comissionados, mas todos são qualificados para o trabalho”, justifica?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:19

A verdade sobre o painel do Senado

No dia 1º de novembro, o governador José Roberto Arruda deu uma entrevista ao repórter Kennedy Alencar, para o programa ?É Notícia?, da Rede TV.
Revendo o terceiro bloco do programa, no site da emissora, é espantoso como Arruda ? dizendo que a mentira o incomodava ? continua mentindo.
E o pior. Mente, e deixa a entender que o criminoso foi um morto: o senador Antonio Carlos Magalhães.
Vamos aos fatos.
Em 2001, o  senador e empresário Luiz Estevão sofria um processo de cassação no Senado, pois sua empresa era a construtora do prédio super faturado onde funcionaria a Justiça do Trabalho, em São Paulo, presidida pelo famoso juiz Lalau.
A punição contra o juiz era ponto de honra para ACM, que estava numa cruzada contra a corrupção. E a punição de Estevão era do maior interesse de Arruda, pois os dois disputavam votos na mesma cidade e eram antigos rivais.
Arruda, engenheiro de profissão, foi quem sugeriu a ACM a violação do painel. Não fez sozinho, pois necessitava do aval do presidente do Senado para solicitar a ilegalidade aos funcionários da Casa.
Portanto, a idéia foi de Arruda, e as providências foram tomadas por ele. Tanto que o envelope, com o voto de cada um dos senadores, foi entregue a ele, e não a ACM. Ele mesmo confessa que leu o relatório primeiro e, depois, foi ao gabinete do presidente.
Portanto, seu crime não foi apenas o de ler um papel que deveria ser sigiloso. Ele foi o arquiteto do crime, e mentiu durante cinco dias dizendo que nada sabia sobre o assunto.
Arruda é homem bastante inteligente e a violação do painel do Senado, na verdade, foi um golpe de mestre.
Ele queria ter apenas uma certeza: a de que Luiz Estevão seria cassado.
E por isso violou o painel.
Estevão era poderoso, articulado e temido por todos, além de pertencer a maior bancada do Senado. Portanto, tinha chances, através do voto secreto, de livrar-se da cassação.
Se Estevão fosse absolvido, Arruda subiria a tribuna, com a relação dos votantes, e diria que recebeu o envelope de um anônimo em seu gabinete.
Ao exibir os votos, estaria provada a violação do painel, e a absolvição de Estevão seria anulada.
Nova votação seria marcada, com tempo suficiente para pressionar, politicamente, aqueles que votaram com Estevão.
Como o senador foi cassado, Arruda perdeu o interesse pelo voto de cada um, já que seu intento já havia sido alcançado.
Por isso, levou o papel imediatamente ao presidente Antonio Carlos Magalhães, político experiente, mas que adorava um fuxico.
Foi a indiscrição do todo poderoso ACM que fez o caldo entornar.
O poder de Antonio Carlos não o bastava. Era preciso exibi-lo. E durante meses ele fez comentários sobre aquela votação.
E Arruda, que mentiu descaradamente durante dias sobre o assunto, acabou – junto com ACM – tendo de renunciar ao mandato de senador, onde era líder do governo FHC, para evitar a cassação por seus pares.
Portanto, o crime de violação do painel foi idealizado, solicitado, e recebido por um único homem: José Roberto Arruda.
Na época ele mentiu, em parte. Hoje, com ACM morto, sua mentira foi ampliada.
Mentir para ele é fácil.
Chorar também.
O difícil será conquistar um novo mandato.
Arruda simboliza hoje o que existe de pior na política brasileira.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:19

Arruda contra o mau olhado

De um gaiato de plantão:
“Esse negócio que arruda afasta mau olhando é tudo mentira.
E olha que não é só o caso do governador de Brasília.
Lembra da Geysa, a menina expulsa da Universidade porque usava mini-saia? O sobrenome dela é Arruda…

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:18

O futuro de Arruda

As conseqüências da expulsão de José Roberto Arruda do DEM:
1. Ele não poderá se candidatar a reeleição. O candidato precisa estar filiado a um partido político no mínimo 12 meses antes do pleito. Portanto, Arruda não tem mais tempo para procurar outro partido, se que é que algum partido ? mesmo os de aluguel ? aceitasse a sua filiação nesse momento.
2. Caso renuncie ao mandato, Arruda corre o sério risco de ser preso, pois perde o foro privilegiado.
3. Seu governo, embora continue de direito, acabou de fato na sexta-feira, dia 27. Portanto, as duas mil obras em andamento em Brasília, que seriam inauguradas até abril, quando a cidade comemora 50 anos, terá outro cidadão como mestre de cerimônia.
4. Cristovão Buarque que era candidato a reeleição para o Senado, será forçado a se candidatar a governador do DF.
5. Mas o maior beneficiário de toda essa confusão é Joaquim Roriz, o mestre de Arruda, que poderá voltar a governar o Distrito Federal pela quinta vez.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:18

Arruda está morto

O ex-prefeito Cesar Maia, em seu blog, não publica hoje uma única linha sobre o escândalo em que se envolveu o governador de Brasília, José Roberto Arruda.
Existe um ditado que diz: ?Quem cala consente?.
No caso de Arruda, o ditado deve ser lido exatamente ao contrário.
O silêncio de Cesar quer dizer: ?Quem cala condena?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:18

Kassab acha denuncia grave

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, disse a ‘Folha’ que as acusações contra seu companheiro de partido, o governador josé Robero Arruda, são “graves e consistentes”. Ao repórter Rubens Valente ele concedeu a seguinte entrevista:
- Que atitude o governador Arruda deve tomar?
- As denúncias são muitos graves. Elas têm consistência. É evidente que o governador vai, ao longo do dia, fazer esclarecimentos ou manifestações que julgar adequados. Ele tem obrigação de fazer esses esclarecimentos. E tenho certeza -e é a nossa expectativa- é que o fará. Mas as denúncias são muito graves.
- Como o partido recebeu essas denúncias, como foi a discussão interna no partido sobre isso?
- Eu não pertenço à direção. Vi pelos jornais que [os dirigentes] estão reunidos. Mas imagino que o partido esteja atento porque, em algum momento, vai precisar se posicionar. E que seja o mais rápido possível.
- O sr. acha que Arruda tem condições políticas de permanecer no cargo?
- Eu acho que já se passaram dois dias e os esclarecimentos dele, a sua manifestação, não podem tardar muito.
- As explicações dadas até agora foram suficientes?
- Não tenho conhecimento de nenhuma explicação.
- A alegação é que as investigações têm fundo político.
- Eu não tive acesso a essas explicações, mas é muito importante [que sejam feitas].

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