• Quarta-feira, 04 Abril 2012 / 16:49

Kassab e o PSD na eleição

                              Marcos Coimbra*

Existem políticos cuja ascendência deriva de sua capacidade de estabelecer laços afetivos com o eleitorado. Por razões às vezes misteriosas, conseguem que milhões de pessoas gostem deles, sem, aparentemente, despender qualquer esforço. Têm aquilo que Max Weber chamava carisma.
Em nossa história, conhecemos alguns. Os mais velhos se lembram de Juscelino. E há hoje um exemplo maior: Lula.
Outros adquirem liderança sem contar com o carinho da população, apenas através do exercício do poder. Mandam e são obedecidos. Mais que respeitados, são temidos, pois as pessoas supõem que, assim como fazem o bem quando querem, podem fazer o mal — e o fazem.
Na Bahia, havia quem sentisse genuíno amor por Antonio Carlos Magalhães, mas sua força vinha, principalmente, do controle que mantinha da vida do Estado. O cidadão comum acreditava que aborrecê-lo custava caro.
A imagem de alguns está lastreada na inteligência e no saber. Não despertam afeições ou submetem pela autoridade. São técnicos habilidosos, que estudaram as respostas aos problemas que a sociedade enfrenta. As pessoas os seguem por pragmatismo: porque funcionam.
Há uns anos, Jaime Lerner entrou por essa porta na vida política. Foi prefeito de Curitiba, governador, e chegou a ser cogitado para a presidência. Até hoje, é citado como especialista em gestão.
Grandes são os políticos que reúnem todos esses elementos. Quando carisma, autoridade e competência — em graus variáveis — se combinam, surgem os líderes verdadeiros, os que influenciam o resultado das eleições.
E quando faltam os três? Que tamanho tem um político que não consegue que as pessoas o queiram, sigam ou admirem?
O prefeito de São Paulo é um desses. Hoje — apesar de ser percebido como articulador astuto —, a população da cidade não acha que ele seja um bom administrador, não deseja a continuidade de seu trabalho e não pretende levar em conta sua indicação na escolha do sucessor. Pelo que dizem nas pesquisas, se pudessem, não votariam para que permanecesse.
Que influência eleitoral pode ter um político com essa imagem? Que papel pode ter Gilberto Kassab nas eleições na cidade? E em outros municípios? Modesto, para dizer o mínimo.
E o PSD?
Depende. Fundamentalmente de uma coisa: se terá tempo de televisão. E as chances de que o obtenha são incertas.
Admitir que o PSD faça jus ao tempo a que teria direito se tivesse eleito a bancada que hoje possui equivale a considerar que o dono exclusivo do mandato é o eleito e não a legenda. Algo que a legislação em vigor e as decisões do STF e do TSE não reconhecem. Pelo contrário.
Os peesedistas sustentam que a criação de um novo partido equivale à fusão de dois ou mais existentes, situação em que a legislação admite que o que surgir terá seu tempo somado. Os casos são, porém, diferentes: na fusão, nenhum partido diminui.
O tempo total de televisão é finito, o que quer dizer que, se o PSD ganhar algum, outros perderão. Ou seja: o tempo deles deixaria de ser calculado do modo que a legislação prescreve, pelo tamanho das bancadas no início da legislatura — e não a cada momento, exatamente para coibir o troca-troca de partidos.
Mas, com a tradição de complacência de nossos tribunais em questões desse tipo, é possível que o PSD acabe tendo o tempo que deseja.
Só assim terá significado nos arranjos eleitorais deste ano. Senão, será apenas uma curiosidade identificar o candidato que recebe “o apoio de Kassab”.
*Marcos Coimbra, sociólogo, preside o Instituto Vox Populi e escreve para o ‘Correio Braziliense’.

  • Sexta-feira, 02 Março 2012 / 14:14

Serra prefere Dilma à Aécio

                                                                Fernando Rodrigues*
            Numa das diversas conversas mantidas entre Gilberto Kassab (PSD) e dirigentes petistas nos últimos meses, o prefeito de São Paulo fez uma confidência para o presidente nacional do PT, Rui Falcão.
“Eu tive um contato com ele [Kassab] no ano passado”, diz Falcão. Na ocasião, segundo o relato do petista, Kassab declarou: “Eu acho que o Serra não vai mais ser candidato a presidente da República (…). Para a [presidente] Dilma, a melhor coisa que poderia acontecer é o Serra prefeito de São Paulo. Porque se tiver Dilma e Aécio [Neves, do PSDB], Serra é Dilma [na disputa presidencial de 2014]“.
Falcão fez esse relato ontem, em entrevista à Folha e ao UOL. Em 2011, quando ouviu a análise de Kassab, o presidente do PT afirma ter recebido a previsão com ceticismo. “Eu brinquei. Falei: ‘Conta a do português agora’”.
Ao revelar o conteúdo de sua conversa com Kassab, o presidente do PT faz uma intriga pública que já é há tempos ouvida nos bastidores da sucessão paulistana.
Demonstra também que a cúpula petista tentará desqualificar politicamente o prefeito.
Adversário desde o início da aliança do PT com Kassab em São Paulo, Falcão diz que o relacionamento recente da direção petista com o prefeito foi só institucional.
“Ele é presidente de um partido.”
Como Kassab nessas conversas com o PT sempre reafirmava que apoiaria Serra se o tucano decidisse concorrer à sua sucessão, Falcão acha que tudo foi já estava previamente acertado.
“Ele [Serra] formalizou algo que nós já esperávamos. Esse roteiro é mais que previsível. Durante um tempo ele diz que não é candidato. No momento seguinte, é procurado por lideranças do seu partido. Diz que vai pensar. Em seguida, confirma o que já se sabia anteriormente”.
Falcão acha que a eleição paulistana será em parte nacionalizada, como sempre tem sido.
Nesse caso, afirma que o PT gostará de debater o tema das privatizações.
O petista diz haver diferenças entre a venda de empresas estatais e o modelo adotado pelo governo Dilma, de apenas fazer concessão para a iniciativa privada atuar em alguns setores.
Sobre assuntos polêmicos, Falcão reafirmou que o PT tem em suas diretrizes a descriminalização do aborto, mas que esse não é um tema central para o partido defender no Congresso Nacional.
Indagado sobre a hipótese de o PT apoiar a candidatura de Gabriel Chalita (PMDB) em São Paulo, Falcão disse que essa foi uma ideia “infeliz” do líder petista na Câmara, Jilmar Tato.
*Fernando Rodrigues é colunista a ‘Folha’.

  • Quarta-feira, 29 Fevereiro 2012 / 8:20

Notas paulistas

       Deu na ‘Folha’:
       “A senadora petista Marta Suplicy criticou ontem a maneira como o PT vem conduzindo o “processo eleitoral de São Paulo” e afirmou que o partido errou ao iniciar negociações com o prefeito Gilberto Kassab (PSD) para as eleições municipais de outubro.
“É preciso reconhecer que erramos. Fomos precipitados”, afirmou em sua página no Twitter. Sem citar Kassab, a senadora condenou o fato de o PT ter ficado “flertando com adversário enquanto nossos tradicionais aliados migraram para o lado deles”.
Marta, que se colocava como pré-candidata do PT à prefeitura até o final do ano passado, desistiu da candidatura em favor de Fernando Haddad, após ser pressionada pelo ex-presidente Lula”.
                                      * * *
“Disposto a sobreviver à polarização PT versus PSDB, o pré-candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, deputado Gabriel Chalita, fez ontem duros ataques ao tucano José Serra e prometeu uma campanha crítica ao governo Kassab.
Chalita tocou numa ferida de Serra: lembrou que, na eleição de 2004, o tucano prometeu concluir o mandato, mas deixou o cargo menos de dois anos depois.
“Não muda nada a candidatura Serra. Até porque sempre trabalhei com a hipótese de que seria candidato. Serra faz exatamente oposto do que diz. Ele disse que não sairia da prefeitura e saiu”, alfinetou Chalita.
Ex-tucano, ele acusou Serra de adotar “a política de subsolo” na disputa contra Dilma Rousseff. “O que Serra fez na campanha [de 2010] foi muito sujo [...] Se ele persistir nesse estilo de política, do subsolo e da intriga, vai ser ruim para ele”, atacou”.
                                     * * *
“Adversários na corrida pela prefeitura paulistana, José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) se encontraram pela primeira vez na pré-campanha anteontem à noite.
Durante jantar de aniversário do presidente do PC do B, Renato Rabelo, em um restaurante na capital, o tucano e o petista falaram de futebol e posaram para fotos.
Palmeirense, Serra previu que o São Paulo, de Haddad, será o principal rival de seu time na atual temporada. O ex-governador foi levado ao evento por Gilberto Kassab (PSD), a convite do ministro Aldo Rebelo (Esporte). O ex-ministro José Dirceu observou a conversa à distância”.

  • Sábado, 18 Fevereiro 2012 / 12:28

Kassab renova apoio a Serra

         Deu no ‘Globo’:
         ”O prefeito de São Paulo e presidente do PSD, Gilberto Kassab, negou ontem que já tenha fechado um acordo com o PT para a sucessão em São Paulo e reafirmou sua posição de apoiar o ex-governador José Serra, caso o tucano decida disputar a prefeitura paulistana.
- Se Serra disser que será candidato a prefeito, o mundo já sabe que o apoiarei – disse Kassab ontem ao GLOBO, por meio de sua assessoria.
A possibilidade de entrada do ex-governador na eleição embolou as negociações de alianças que vinham sendo feitas até aqui. As conversas entre Kassab e o PT estacionaram. O prefeito tem dito publicamente que, se o tucano entrar na eleição, o PSD marchará com ele.
- Se o Serra efetivamente for candidato, é muito difícil o Kassab não ficar com ele – afirmou o vice-governador paulista, Guilherme Afif Domingos (PSD), um dos políticos mais próximos do prefeito paulistano.
Essa posição de Kassab, entretanto, não é unânime no partido. O grupo do PSD mais alinhado ao governo da presidente Dilma Rousseff prefere que a aliança seja feita com o ex-ministro da Educação Fernando Haddad.
Apesar de declarar publicamente apoio a Serra, Kassab, a petistas,sinalizou que ainda considera o cenário de apoiar o ex-ministro Fernando Haddad (PT) e tem repetido, nas conversas mais reservadas, que, da última vez que esteve com Serra, o tucano foi enfático ao afirmar que não seria candidato.
Recentemente, Gilberto Kassab mandou avisar ao próprio Lula, por intermédio de um interlocutor, que não trabalhava mais com a hipótese da candidatura Serra. O próprio prefeito disse, na noite de quinta-feira, que não acredita mais que Serra será candidato.
Para um dos principais articuladores da aliança PT-PSD na cidade de São Paulo, o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), as negociações já avançaram muito entre os dois partidos, e, agora, Kassab já “atravessou o Rubicão”. A citação do petista é uma referência histórica à travessia do Rio Rubicão por Júlio César, em perseguição a Pompeu, que tornou inevitável um conflito armado na Roma Antiga, e transformou a expressão numa referência a qualquer pessoa que toma uma decisão arriscada de maneira irrevogável.
- O movimento que Kassab fez no ano passado o credencia para ser um grande aliado do PT nas eleições de 2012 e 2014. O Kassab já atravessou o Rubicão. Já está do lado de cá. Agora, a sorte está lançada. Com Serra ou sem Serra na disputa, estão criadas as condições para a aliança Haddad-Kassab – disse Vaccarezza ao GLOBO.
Mas, ao mesmo tempo, o grupo petista que era resistente à aliança com Kassab desde o início e que está mais envolvido na questão política local passou a utilizar o jogo duplo do prefeito como um trunfo para sepultar o processo de aproximação avançada. Publicamente, a própria senadora Marta Suplicy (PT-SP) já tinha manifestado constrangimento de subir no palanque de Haddad numa parceria com Kassab.
Ontem, o presidente do diretório municipal do PT, vereador Antônio Donato, disse que não conversou com Kassab, mas, diferentemente de Vaccarezza, ainda acredita numa candidatura Serra e diz que, neste caso, fica impedida a aliança do PT com o PSD na capital paulista.
- Não tem chance de essa aliança (com o PT) existir com Serra na disputa. O Kassab não conversou comigo. Mas, se o Serra for candidato, o Kassab vai com ele. O cenário mais provável é o da candidatura de Serra. E, nesse cenário, se encerra o debate da aliança com Kassab – aposta o vereador paulistano.
Em qualquer cenário para a disputa de 2012, Kassab já sairá com ganho político, segundo seus interlocutores. Isso porque, depois desse processo de negociação com os dois lados, imobilizará tanto o PT como o PSDB de ataques e críticas à sua gestão durante a campanha municipal – gestão que está mal avaliada pela população”.

  • Quarta-feira, 15 Fevereiro 2012 / 9:55

Serra embaralha prévia no PSDB

     Deu na ‘Folha’:
     “O governador Geraldo Alckmin indicou ontem que a definição do candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo terá que esperar José Serra decidir seu futuro político.
Na última semana, os dois tucanos passaram a negociar as condições para uma possível candidatura de Serra a prefeito, como revelou ontem a Folha. O novo cenário deixou alarmados os quatro pré-candidatos inscritos para as prévias convocadas pelo partido para o dia 4 de março.
Questionado sobre a articulação, Alckmin disse que não havia “fato novo”, mas afirmou que Serra é “um ótimo candidato”. “Se ele quiser ser, é um ótimo candidato. Essa é uma decisão pessoal do Serra que nós devemos aguardar”, afirmou Alckmin.
Uma das condições apresentadas pelo ex-governador para considerar a disputa é que Alckmin desarme a disputa interna, pacificando o partido para sua campanha.
Serra recebeu uma romaria de tucanos nos últimos dias. Avaliou que seria “um desastre” para qualquer projeto político do PSDB uma aliança entre o PT e o PSD, do prefeito Gilberto Kassab.
Para o ex-governador, isso seria a vitória de um projeto do ex-presidente Lula e transformaria a oposição numa “minoria absoluta”.
A notícia de que Serra passou a costurar sua candidatura levou o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, a convocar senadores e membros da cúpula partidária para discutir o novo cenário.
Guerra deixou claro que caberá a Alckmin conduzir o processo em São Paulo, o que é um consenso entre os tucanos. Na avaliação de serristas, só uma intervenção direta do governador seria capaz de desmobilizar as prévias.
“Se o Serra quiser ser candidato, terá que disputar as prévias. Estamos trabalhando nisso há seis meses”, afirmou o secretário estadual de Energia, José Aníbal, um dos quatro candidatos às prévias.
O secretário de Cultura, Andrea Matarazzo, que é amigo de Serra e também está inscrito para as prévias, disse apenas que “quem define a questão é o PSDB e o governador”. O deputado Ricardo Trípoli disse que as prévias não podem ser canceladas.
O prefeito Gilberto Kassab teve diferentes reações diante da possível candidatura de Serra. Em público, disse desconhecer a articulação tucana e ampliou a pressão por uma definição até março.
“Uma candidatura colocada tardiamente leva uma desvantagem muito grande em relação aos outros candidatos”, afirmou ontem.
Aos petistas, com quem também está negociando, o prefeito prometeu manter o cronograma de conversas e disse não ter recebido nenhum sinal de que Serra será candidato à sua sucessão.
Em conversas reservadas com aliados, Kassab disse falar com Serra “todo dia” e reafirmou que, se o ex-governador for candidato, não terá como não apoiá-lo.
Disse ainda que considera o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, uma boa opção de vice. É o mesmo nome que ele apresentou aos petistas.
Dirigentes do PSDB também defendem a definição de uma estratégia até março.
Eles se dividem entre os que acham que o melhor é realizar as prévias e depois negociar a desistência apenas com o vencedor, e os que avaliam que o processo tem de ser cancelado antes que a votação seja realizada, para evitar um vexame público para os tucanos”.

  • Sexta-feira, 27 Janeiro 2012 / 16:46

A trinca e o coringa

                                             Eliane Catanhêde*

         O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi salvo na última hora pelo desabamento de prédios no Rio. Não fosse a tragédia, as principais imagens e conversas políticas pelo país afora seriam sobre Kassab levando ovos no dia do aniversário da capital paulista.
Com Kassab virando omelete, o PSDB dividido irrecuperavelmente e Dilma fazendo bonito nas pesquisas, o PT recupera fôlego e sai a galope para a prefeitura, onde joga o seu futuro. Como já dito aqui, se Fernando Haddad -que fez 49 anos- se eleger prefeito da principal capital do país, estará automaticamente na lista de presidenciáveis de 2018.
Quando FHC diz que Aécio Neves é a opção “óbvia” para a Presidência, empurra Aécio para uma arena inglória. Em 2014, será a chance de o PSDB paulista fazer com Aécio o que ele fez com Serra e Alckmin em 2002, 2006 e 2010: jogá-lo aos leões -ou leoas. Dilma não terá mais só a aura de Lula. Tenderá a ter também a sua própria popularidade e, no rastro dela, a união dos governistas.
O jogo que está sendo jogado é, sobretudo, para 2018, com um trio que tem o impulso da renovação natural e se destaca desde já: Aécio pelo PSDB, Haddad pelo PT e Eduardo Campos (PSB) como um pêndulo entre os dois, mas na verdade querendo ele próprio concorrer.
Os três apontam para o futuro da política, mas há diferenças: Aécio é neto de Tancredo, e Campos, de Miguel Arraes. Enquanto eles têm a articulação política no sangue e a liderança nos seus partidos, Haddad tem que comer na mão de Lula, aprender os primeiros passos com Dilma e evitar acidentes “em casa” – no PT.
Kassab circula bem entre PSDB, PSB e PT, como um coringa que pode reforçar a cartada de um dos três. Deve, porém, ajustar sua (ótima) capacidade política e sua (medíocre) popularidade. A questão geracional ajuda a definir o jogo e os jogadores, mas não é o único fator. É apenas uma imposição da política, como da vida.
*Eliane Catanhêde é colunista da ‘Folha’.

  • Sábado, 21 Janeiro 2012 / 10:40

Kassab, o equilibrista

     Dos repórteres Bernardo Mello Franco e Catia Seabra:
    “Ao negociar com lados opostos e se equilibrar entre PT e PSDB na eleição paulistana, o prefeito Gilberto Kassab persegue um objetivo maior do que exercer influência na eleição do sucessor.
Sua prioridade é construir uma blindagem contra ataques na campanha e garantir a própria sobrevivência política a partir do ano que vem, quando estará sem mandato.
Todos os movimentos do fundador do PSD obedecem a uma meta declarada: eleger-se governador de São Paulo. Se possível já em 2014, quando o tucano Geraldo Alckmin deve disputar a reeleição.
Para manter o sonho vivo, Kassab não pode deixar a prefeitura pela porta dos fundos. Nem descartar uma aliança com os petistas, rivais históricos desde o tempo em que ele andava com os antecessores Celso Pitta e Paulo Maluf.
O prefeito terminou o ano passado com a pior avaliação popular desde que iniciou o seu segundo mandato, em 2009. Para cada eleitor que considera sua gestão ótima ou boa (20%), outros dois a classificam como ruim ou péssima (40%), segundo a última pesquisa Datafolha.
A oito meses da eleição, ele sabe que não terá tempo hábil para reconstruir a imagem por conta própria, mesmo despejando dinheiro em propaganda ou em obras rápidas e de visibilidade, como o recapeamento de ruas. Por isso, tenta amarrar os principais partidos da disputa com a possibilidade de apoiá-los, o que constrangeria os dois lados a ponto de evitar que seus candidatos cheguem à campanha com um discurso de oposição.
Em conversas com petistas e tucanos, Kassab tem repetido as mesmas críticas a Alckmin, indicando que vê o governador como seu adversário em 2014 -e vice-versa.
Ao presidente do PSDB, Sérgio Guerra, reclamou dos atritos no relacionamento com o governador, que se recusa a apoiar o próprio vice, Guilherme Afif Domingos (PSD), caso o tucano José Serra não participe da eleição.
Kassab chegou a prometer a Alckmin apoiar sua reeleição em troca de uma aliança para ser o candidato em 2018. Como o governador não aceitou, ele afirmou a Guerra que partiria para um plano B.
“Disse a ele que não poderia deixar de avaliar outras alternativas para as eleições”, relatou o prefeito à Folha. Com os petistas, ele adota o mesmo tom pragmático. Diz que planejava manter a aliança com o PSDB, mas esbarrou no veto de Alckmin, o que o levou a procurar o ex-presidente Lula e oferecer apoio a Fernando Haddad (PT).
O prefeito reclama que o governador já o trata como adversário, porque os dois disputam o mesmo eleitorado conservador e podem se enfrentar na próxima corrida ao Palácio dos Bandeirantes.
A aproximação já domesticou o discurso dos petistas, que prometiam fazer uma campanha de oposição radical à sua gestão. “Temos que permanecer abertos ao diálogo”, diz o presidente estadual do PT, Edinho Silva.
Kassab fez uma defesa pública da negociação, dizendo não ver “incoerência” num possível apoio a Haddad.
Como PSDB e PMDB participam de seu governo, o prefeito pretende cobrar lealdade do candidato tucano, mesmo que não o apoie, e do peemedebista Gabriel Chalita.
Qualquer que seja a sua opção eleitoral, Kassab conta com uma política de boa vizinhança dos principais concorrentes à sua cadeira.
Ou seja: aceita que os pré-candidatos se ataquem entre si, mas sem direcionar a mira para a sua administração”.

  • Quinta-feira, 19 Janeiro 2012 / 13:55

Haddad não conta com Kassab

      Fernando Haddad, o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, concedeu ontem uma entrevista aos repórteres Fábio Takahashi e Renato Machado, da ‘Folha’:
- Em setembro o sr. disse que a gestão Kassab era provinciana. Como avalia agora a possibilidade de aliança com o partido dele, o PSD?
- Eu comentei que não tinha conseguido fazer a quantidade de parcerias que desejava com São Paulo. Os problemas na cidade não são simples.Como pré-candidato, tenho conhecimento da máquina federal que me faz crer que oportunidades podem ser oferecidas aos paulistanos, algumas das quais eles nem sequer conhecem.
- E a possibilidade de aliança com o prefeito?
- O que Kassab disse ao presidente [Lula], e eu ouvi do próprio presidente, é que seu projeto continua sendo o anunciado: oferecer apoio ao Serra ou receber apoio ao Afif. Elereiterou isso, inclusive nos jornais. Este é o plano dele. Foi um gesto de generosidade dele elogiar o PT, mas não podemos deixar de ter clareza de que o projeto que está em curso não é esse. É isso o que me chegou. A recomendação que fiz ao PT foi fazer um balanço da nossa relação com os partidos da base da presidente Dilma. O movimento de negociar com o PSD é muito novo e precário.
- O sr. se sentiria incomodado com um vice do PSD?
- Estou estudando a cidade. Neste momento, estou abrindo a discussão com setores simpáticos não petistas para debater mobilidade, saúde, educação, urbanismo. O segundo momento é o gesto em direção aos partidos da base da presidente Dilma. Qualquer que seja o cenário, procurar uma aproximação com esses partidos.
- O que o sr. acha da possibilidade de ter Gabriel Chalita [PMDB] como seu vice?
- Estarei sempre aberto para discutir com o PMDB. Mas eles já estão em uma posição mais adiantada [de lançar Chalita]. À parte da amizade que temos, vamos manter a interlocução permanente.
- O sr. já foi acusado de ser um “estrangeiro”, confundiu Itaim Paulista com Itaim Bibi…
- É uma crítica que desqualifica o debate. O que vai ajudar São Paulo é discutir ideias.
- O Enem (exame do ensino médio) teve sucessivas falhas. Como responder às críticas?
- Os problemas foram pontuais. Não estou falando de 2009, um ano atípico. Estou falando das questões pontuais de 2010 e 2011. Foram localizadas, de fácil superação. Farei do Enem, do ProUni [bolsas para alunos pobres nas universidades privadas], do Sisu [seleção de vagas nas federais] bandeira de luta pela democratização do acesso dos estudantes da escola pública às universidades. Me orgulho muito e não terei dificuldade em discutir um assunto que me enche de paixão e de orgulho”.

  • Quarta-feira, 18 Janeiro 2012 / 12:23

PSD e a ideologia

     Para que serve o PSD do prefeito Gilberto Kassab?
Provavelmente para fazer negócios.
Tudo leva a crer que, apesar do seu gigantismo, o partido não passa de mais uma legenda de aluguel.
Segundo a ‘Folha’ de hoje, o PSD trabalha em São Paulo, com trés cenários na sucessão do próprio Kassab:
“Seu plano A, lançar o vice-governador Guilherme Afif Domingos com um vice tucano enfrenta a oposição de Alckmin e do PSDB.
O plano B, apoiar Serra, esbarra na resistência do ex-governador de se candidatar.
Diante disso, e com o aval de Lula, a hipótese de aliança com o PT ganha força”.
                             * * *
Ou seja: como uma prostituta, o PSD topa tudo.

  • Sexta-feira, 13 Janeiro 2012 / 9:52

A conta de Kassab

     Do colunista Luiz Carlos Azedo, do ‘Correio Braziliense’:
     “Protagonista da maior reviravolta política no Congresso no ano passado, a fundação do seu PSD, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, se vê agora diante da fatura a ser paga aos governadores que o ajudaram a estruturar a legenda: abrir mão de candidaturas próprias nas capitais. Mesmo que venha a
conquistar o tempo de televisão e os recursos do fundo partidário proporcionais à bancada na Câmara, onde a sigla tem 47 deputados. Esse não é um grande problema para Kassab.
Deputado de primeiro mandato, o líder do PSD na Câmara, Guilherme Campos (SP), é um ilustre desconhecido na política nacional. Esse é o perfil da maioria da bancada, que integra o chamado baixo clero da Câmara e vota maciçamente com o governo. Não haverá problemas com os governadores que ajudaram Kassab a esvaziar o DEM. Nem objeção ao eventual ingresso de Kassab na equipe do governo federal em 2013 para apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff no ano seguinte.
Porém, nem por isso é bom subestimar o peso político desse grupo de parlamentares: isoladamente, eles já formam a quarta bancada da Câmara. Se ingressarem no bloco PSB-PTB-PCdoB, que tem 62 deputados, ou simplesmente se aliarem a ele, formarão um agrupamento político maior do que o PT e o PMDB, que contam com 85 e 78 deputados, respectivamente. Poderão até implodir o acordo entre o PT e o PMDB para se revezarem no comando da Casa se o objetivo de conquistar mais espaço na Esplanada for frustrado”.

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