• Sábado, 24 Julho 2010 / 8:45

Wagner vence na Bahia

     Da ‘Folha’:
“Com 44% das intenções de voto, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), seria reeleito no primeiro turno, se a eleição fosse hoje. Somados, os seus adversários alcançam 37%.
De acordo com o Datafolha, o petista lidera a disputa com 21 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Paulo Souto (DEM), que tem 23%. Em terceiro lugar aparece Geddel Vieira Lima (PMDB), com 12%.
Os candidatos Luiz Bassuma (PV) e Professor Carlos (PSTU) têm 1% cada um. Marcos Mendes (PSOL) e Sandro Santa Bárbara (PCB) não pontuaram. Não opinaram 13% dos eleitores, e outros 6% disseram que votarão nulo ou em branco.
Esta é a primeira eleição para o governo da Bahia após a morte do ex-senador Antonio Carlos Magalhães (1997-2007). Herdeiro do carlismo, Souto lidera o ranking de rejeição: 30% dos eleitores dizem não votar nele de jeito nenhum. Outros 20% rejeitam Geddel, e 16% não admitem votar em Wagner.
Na pesquisa espontânea, em que o eleitor não vê a lista de candidatos, o governador tem vantagem ainda maior sobre os oponentes. Wagner é citado por 26% dos entrevistados. Souto tem 7%, e Geddel, 4% das menções.
O petista amplia a liderança entre os mais ricos. Dos entrevistados com renda familiar acima de cinco salários mínimos, 58% dizem que votarão nele. Na mesma faixa, Souto aparece com 16%, e Geddel, com 7%.
Na faixa abaixo dos dois salários mínimos, Wagner recua para 42%. Souto tem 24%, e Geddel, 12%.
O governador também apresenta vantagem maior entre os baianos mais jovens. Ele alcança 53% no eleitorado de 16 a 24 anos de idade. Entre os jovens, Souto cai para 19%, e Geddel, para 12%”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:32

Serra, na Bahia, apoia transposição

Da repórter Cristine Prestes, do ‘Valor Econômico’:
“O ex-governador José Serra (PSDB-SP), candidato tucano à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, iniciou ontem sua campanha eleitoral enfatizando a manutenção do Bolsa Família e a continuidade da transposição do Rio São Francisco em seu governo, caso seja eleito presidente da República. O tucano esteve ontem em Salvador na primeira viagem de sua agenda eleitoral após o lançamento de sua pre-candidatura às eleições deste ano.
Serra visitou ontem à tarde o Hospital Santo Antônio, das Obras Sociais Irmã Dulce, acompanhado de políticos do PSDB e do DEM, que compõem a base aliada dos tucanos, como o candidato ao governo da Bahia Paulo Souto, presidente estadual do partido, e o deputado federal ACM Neto. Em entrevista a jornalistas no Memorial Irmã Dulce, Serra fez questão de garantir que o principal programa social do governo Lula – o Bolsa Família – será mantido e reforçado com outras iniciativas além da transferência de renda associada à manutenção de crianças na escola, como emprego e saúde.
O tucano disse estar feliz em ver que o hospital, fruto da obra de caridade da freira Irmã Dulce, realiza implantes cocleares (chamados de “ouvido biônico”) em crianças com surdez, procedimento que afirma ter incluído entre os realizados quando foi ministro da Saúde entre 1998 e 2002, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, quando teria aumentado em 100% os repasses destinados à saúde ao Estado da Bahia. Serra afirmou que “a questão da saúde no Brasil precisa melhorar muito”, pois não teria avançado nos últimos anos, principalmente no primeiro mandato de Lula. “Tenho muito respeito por José Gomes Temporão (atual ministro da Saúde), mas não depende dele”, disse.
Outro programa do atual governo que, segundo Serra, será mantido é a transposição do São Francisco, que prevê a transferência de águas do rio que corta o Nordeste do país para outras bacias hidrográficas da região. “A transposição continua, mas temos que olhar outros canais onde o rio não passa e não tem água, e isso é o mais importante no que se refere à Bahia”, disse. O tucano também afirmou que, além da saúde, a segurança pública precisa dar um salto de qualidade no Brasil.
A visita de Serra à Bahia ocorre em um momento de revés ao governador do Estado, Jaques Wagner (PT-BA). No domingo, o senador César Borges (PR-BA) decidiu fechar com o PMDB do candidato ao governo baiano Geddel Vieira Lima e interrompeu as negociações com o petista, que disputará a reeleição. Tucanos consideram a coligação uma vitoria, pois fortalece a candidatura de Geddel e pode levar ao segundo turno a disputa pelo governo da Bahia, onde Wagner lidera com cerca de 40% das intenções de voto, segundo as últimas pesquisas – o que dá chances ao candidato aliado Paulo Souto. A decisão de Borges também é avaliada pelos tucanos como um aumento do conflito na campanha de Dilma Roussef, candidata petista à Presidência, que terá dois palanques na Bahia – de Wagner e de Geddel, por conta da aliança nacional entre PT e PMDB”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:27

PR-BA troca Wagner por Geddel

De Renata Lo Prete, no ‘Painel’:
‘Jacques Wagner (PT) chegou a afirmar em entrevista que estava “fechado” o apoio do PR à sua reeleição na Bahia. No mesmo dia, o partido anunciou que disputará o Senado, com César Borges, na chapa que terá Geddel Vieira Lima (PMDB) como candidato a governador.
Ao PR interessava aliança na chapa proporcional, mas o PT não queria. Borges também achava que os petistas pretendiam atrapalhar sua reeleição ao Senado colocando outro nome de peso na chapa. “Não venham com Waldir Pires pra cima de mim”, avisou a Wagner.
Já robustecido pelo tempo de TV do PR, Geddel está perto de arrastar também o PPS, para ira do PSDB, que na Bahia apoiará o candidato do DEM, Paulo Souto”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:19

‘O Globo’ isenta Cabral de culpa

O Globo? publica hoje um caderno, de 12 páginas, dedicado exclusivamente as chuvas que castigaram o Rio, e que mataram, até agora, 119 pessoas.
Quem lê as reportagens, tem a certeza de que a tragédia foi municipal, com um pequeno viés federal, já que na administração de Geddel Vieira Lima, no Ministério da Integração Nacional, a Bahia recebeu R$ 143,7 milhões para prevenção e preparação para desastres, enquanto o Rio ganhou somente R$ 6,1 milhões. Pior que isso, só mesmo São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul  ? curiosamente estados administrados pelo PSDB -  que, juntos, receberam R$ 2,6 milhões. 
O jornal isenta completamente o governo do Estado.
Sergio Cabral não tem nenhuma responsabilidade pelo o que ocorreu no Rio, nem em Niterói, nem em São Gonçalo, e nem nas outras cidades do Estado.
Mas se ?O Globo? acredita nisso, não tem porque dar destaque, na página 11, a seguinte informação:  ?Presidente ressalta 40 anos de desmando administrativo, mas esquece que casal Garotinho governou por 8 anos e se aliou a Dilma?.
Se Cabral não tem culpa, por que o casal Garotinho teria?
E eles não governaram o Estado durante 40 anos. Quem são os outros responsáveis?
Se eles são responsáveis, por que Sergio Cabral está absolvido?
Qual o problema do casal Garotinho ter se aliado a Dilma?
O que esse fato tem a ver com a chuva?
Cabral também não é aliado da candidata do PT?
Dilma tem o poder de fazer chover ou fazer parar de chover?
Tudo isso é para isentar o governador, que não fez absolutamente nada, e não tomou nenhuma providência.
Ele, que tanto gosta de helicóptero, poderia pelo menos ter sobrevoado a cidade para constatar os estragos causados pela chuva.
Mas Cabral preferiu acatar a determinação do prefeito Eduardo Paes: ficou em casa.
De vez em quando dava uma entrevista, por telefone, onde a tônica era responsabilizar os que morreram na tragédia, sempre chamados de  irresponsáveis.
Quem ouviu Cabral repetir diversas vezes o termo ?irresponsável?, pensou até que ele estava fazendo uma autocrítica.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:12

Lula sabe que não é bem assim

Diz o Presidente Lula:
“O que pode acontecer é que uma candidata à Presidência tenha dois governadores apoiando. Mas imaginar que ela pode subir em dois palanques é impossível. O que vai acontecer é que, em alguns estados, ela não vai poder ir”.
Se fôr verdade, isso acontecerá com certeza na Bahia (Jacques Wagner, do PT, e Geddel Vieira Lima, do PMDB); talvez no Rio (Sergio Cabral, PMDB, e Anthony Garotinho é dúvida, pois ele não é do PT mas sim do PR); e Minas Gerais (se continuar o impasse de Helio Costa, do PMDB, contra Patrus Ananias ou Fernando Pimentel, do PT).
Mas se Lula não sobe em dois palanques rivais, como ele irá fazer, por exemplo, para subir no palanque de Marcelo Crivella, já que a aliança do PT do Rio de Janeiro  – que abriu mão da candidatura Lindenbeg  – é com o PMDB. E os dois tem candidatos ao Senado: Jorge Picciani e Benedita da Silva?
O que vale para governador, não vale para senador?
Lula sabe que não é bem assim.
Como faltam mais de 100 dias para essa definição, ele que pode continuar jogando pesado.
Mais na frente… ele afina.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:06

Cabral faz ameaça a Dilma

 ’O Globo’ de hoje, publica hoje, em sua Passarela Impressa, um enredo assinado por Chico Otavio, Flávio Tabak e Maiá Menezes, intitulado “Um bloco para atrair Garotinho”.
Vejam as alas e ouçam o samba. Depois cuidaremos dos destaques:
“Encorajado pela apresentação da Unidos da Tijuca, que acabava de passar empolgando o público com o enredo “É segredo”, um aliado próximo do governador Sérgio Cabral (PMDB) revelou que já começaram as negociações para convencer o ex-governador Anthony Garotinho (PR), até aqui o mais ferrenho opositor de Cabral, a sair do páreo em troca de alguma vantagem política.
A notícia circulou na porta do camarote do governador, na Passarela do Samba, logo depois da saída da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que passou quase quatro horas no Sambódromo, tempo suficiente para assistir, entre rápidos aplausos e braços cruzados, à passagem de três escolas de samba. Dilma desembarcara na cidade por volta das 20h, mas, antes de seguir para o camarote, teve uma reunião política com Cabral e seu staff no Palácio Laranjeiras. Garotinho, por outro lado, nega as negociações.  O encontro serviu para um acerto de ponteiros depois do mal-estar provocado pelo encontro de Dilma com Garotinho, ocorrido no fim do mês passado, no Rio. Além de explicar as razões da aproximação, a ministra aproveitou a oportunidade, em pleno carnaval, para acertar com Cabral uma agenda de campanha no estado. Segundo testemunhas, o encontro teria sido “extremamente cordial”.
- Não acredito que as convenções partidárias vão confirmar as candidaturas previamente colocadas. Até lá, muita água vai passar por debaixo da ponte. Há muito balão de ensaio – disse um dos articuladores de Cabral.
Um dos trunfos do grupo de Cabral, no esforço de convencer Garotinho a abandonar o páreo, é o pouco tempo de TV que o ex-governador terá (cerca de dois minutos) numa disputa cada vez mais voltada para a mídia eletrônica. Cabral venceu as eleições passadas tendo em seu palanque o casal Garotinho, na época no PMDB.
Outra novidade esperada é a concretização de uma aliança inédita, no Rio, entre peemedebistas e petistas. Para isso, Cabral contaria com o aval do presidente Lula. Mas o governador sabe que, mesmo após a derrota de Lindberg Farias no PT fluminense, o que afastou o prefeito de Nova Iguaçu da disputa sucessória, ainda terá de acomodar os aliados, já que pelo menos três deles (Marcelo Crivella, do PRB, com apoio de Lula; Jorge Picciani, PMDB; e Benedita da Silva, do PT), cobram apoio de Cabral na disputa das duas vagas ao Senado Federal.
Depois de encerrar, à 1h40m de ontem, sua participação no carnaval 2010, a ministra só voltará ao trabalho amanhã. No Sambódromo, procurou evitar temas políticos. Nem mesmo a provocação, em tom de brincadeira, de Cabral, que tomou o microfone de uma repórter de TV para “entrevistar” Dilma, a convenceu a politizar sua passagem pelo carnaval carioca.
- Ministra, como a senhora se sente ao receber aplausos na Passarela do Samba? – perguntou um sorridente governador.
- Olha, Sérgio, nesse momento eu não prestei atenção. Eu não vi – respondeu.
A ministra estava certa. Não houve aplausos para ela.
Eleito com o aval de Garotinho, de quem hoje é adversário ferrenho, Cabral vinha correndo isoladamente na campanha para a reeleição, até ser surpreendido pela entrada no páreo do deputado federal Fernando Gabeira, que será candidato pelo PV, numa aliança com o PSDB.
Cabral conta com a ajuda do presidente Lula para pressionar o PR a desistir de lançar candidato. O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, será o novo presidente do partido. Cabral havia pedido uma conversa com o presidente Lula sobre o quadro eleitoral no Rio e trataria do tema durante o carnaval, mas ele desistiu de acompanhar os desfiles.
De acordo com aliados do governador, a maior preocupação de Cabral é com a entrada de Gabeira no cenário: há um temor de que, em um segundo turno, haja uma nacionalização a campanha.
- O presidente ligou para o governador, e a conversa foi marcada para depois do carnaval – disse o vice-governador Luiz Fernando Pezão, acrescentando que Cabral está convencido de que Dilma ficará em apenas um palanque no Rio.
Garotinho faz questão de dizer que ainda não sabe se concorrerá ao governo do estado. Por trás da indecisão está a sua filiação ao PR, em 2009, partido da base do governo Lula. Em troca de seu apoio e dos mais de 20% das intenções de voto que apresenta nas pesquisas, Garotinho quer estar ao lado de Dilma ou, no mínimo afastá-la de Cabral. Garotinho nega que o Planalto está tentando barrá-lo da sucessão.
- Ninguém pode retirar o que não está colocado. A ministra Dilma foi muito clara comigo no encontro que tivemos. Ela disse: “Estou aqui conversando com você, e o presidente Lula sabe que eu não faria nada sem que ele soubesse” – afirma o ex-governador. – Caso se confirmem, hipoteticamente, a minha candidatura, a do Cabral e a do Gabeira, acho pouco provável que ele (Cabral) vá ao segundo turno. A tendência que os setores populares fiquem comigo, e os mais conservadores, com o Gabeira. Aí fica difícil um espaço para ele.
Enquanto Cabral e Garotinho ainda costuram alianças e negociam vagas em suas futuras chapas, o deputado federal Fernando Gabeira (PV) já começa a esboçar o formato de sua campanha ao governo. A coligação PV/PSDB/DEM/PPS foi formalizada no dia 8 de fevereiro. Durante os dias que restam de folia, Gabeira quer ir ao Maracanã para torcer pelo Flamengo na Taça Guanabara, e escrever idéias que serão apresentadas aos eleitores.
- Trarei algumas metas que serão apresentadas na coligação, como utilizar os recursos do petróleo para nos libertarmos dele. Também escreverei sobre como avançar na segurança, que hoje está mais concentrada na Zona Sul (da capital) – diz o deputado”.

                                   * * *
Agora vamos aos destaques do enredo, e os comentários onde o samba atravessa:
1 – Diz o enredo:  “Um aliado próximo do governador Sérgio Cabral (PMDB) revelou que já começaram as negociações para convencer o ex-governador Anthony Garotinho (PR), até aqui o mais ferrenho opositor de Cabral, a sair do páreo em troca de alguma vantagem política”. Que os repórteres utilizem uma declaração em ‘off’, nada contra. É pena que a direção nacional do PR já divulgou uma nota, antes do Carnaval, informando que a candidatura de Garotinho é inegociável. E Cabral sabe disso. O triste é que a fonte declara que  Cabral estaria disposto a pagar, pela desistência do seu  “mais ferrenho opositor?, que  ganharia  “em troca alguma vantagem política”. Só mesmo rindo. Ou chorando.  Então o governador acha possível comprar uma candidatura com dinheiro ou com cargos?  É muita cara de pau, para se dizer o mínimo. A última ação de Cabral contra Garotinho, foi a de expulsar a filha Clarissa Garotinho, da presidência  da Juventude do PMDB,  e entronizar o filho do governador.
2 – Diz a fonte de ‘O Globo’: “Não acredito que as convenções partidárias vão confirmar as candidaturas previamente colocadas. Até lá, muita água vai passar por debaixo da ponte. Há muito balão de ensaio”. A declaração é de tal descaramento, que a fonte deve ter sido, não um assessor, mas sim o próprio governador. Ninguém é tão ousado quanto ele.
3. Mais uma da fonte: “Um dos trunfos do grupo de Cabral, no esforço de convencer Garotinho a abandonar o páreo, é o pouco tempo de TV que o ex-governador terá (cerca de dois minutos) numa disputa cada vez mais voltada para a mídia eletrônica”. Em princípio, isso  é verdade, mas por isso mesmo Cabral não deveria temer o adversário, já que terá mais de oito vezes o tempo de Garotinho na TV. Só que o ex-governador, ao que tudo indica, não ficará apenas com esses  dois minutos. Ele pode chegar a cinco, ou até mesmo um pouco mais, se tiver o apoio do PDT. O ministro Carlos Lupi já esteve com ele, e foi ao seu encontro a pedido da ministra Dilma Rousseff. Aliás, a candidata do PT à Presidência não tem porque dispensar, pelo menos 20% dos votos do Rio que Garotinho detém hoje.
4. O enredo: “Outra novidade esperada é a concretização de uma aliança inédita, no Rio, entre peemedebistas e petistas”.  Essa aliança já houve no segundo turno da última eleição. No primeiro turno, Sergio Cabral deve ter sido o único candidato a governador do país que tenha ficado  em cima do muro. Ele imaginava que Geraldo Alckmin pudesse vencer a eleição. Hoje sabe-se que Lula usa Cabral, já que nos dois outros grandes Estados do país – São Paulo e Minas – os governadores são do PSDB. Mas o Presidente sabe que Cabral não é pessoa confiável.  Por isso trabalha sempre com um pé atrás.
5. E continua o samba: “Mas o governador sabe que, mesmo após a derrota de Lindberg Farias no PT fluminense, o que afastou o prefeito de Nova Iguaçu da disputa sucessória, ainda terá de acomodar os aliados, já que pelo menos três deles (Marcelo Crivella, do PRB, com apoio de Lula; Jorge Picciani, PMDB; e Benedita da Silva, do PT), cobram apoio de Cabral na disputa das duas vagas ao Senado Federal”. Cobram nada. Eles cobram o apoio é de Lula. O apoio de Cabral não serve para absolutamente nada, a não ser arranjar dinheiro para pagar suas campanhas. Lula vai apoiar Crivella e o/a candidato/a do PT.  Jorge Picciani seria a única exigência de Cabral. Vamos ver a quem o governador  trairá. Será que ele vai trair o candidato preferencial  de Lula? Ou vai trair o PT que o apóia? Ou trairá o seu próprio candidato? Falta pouco tempo para cair a máscara carnavalesca do governador.
6. O jornal: “Depois de encerrar, à 1h40m de ontem, sua participação no carnaval 2010, a ministra só voltará ao trabalho amanhã”. ?Só amanhã?? Queriam que ela  voltasse quando? Hoje, na Terça-Feira Gorda? E o governador? Será que ele volta amanhã? Ele nunca voltou nem na quarta, nem na quinta, nem na sexta. Com sorte na próxima segunda. A não ser que, nesse meio tempo,  Lula o chame para ir a Brasília. Aliás, Lula está estressando Sergio Cabral, pois não conversa com ele. Amanhã, quarta-feira de Cinzas, o Presidente receberá até o governador em exercício de Brasília, Paulo Octavio. E Cabral ainda não tem nada marcado. Mas verdade seja dita: se Lula marcar audiência para Cabral amanhã, ou mesmo nessa semana, o  estresse será ainda maior: já pensou ter de trabalhar em plena quarta-feira de Cinzas?
7. O enredo mostra o puxa-saquismo  desnecessário de Cabral com Dilma Rousseff ? que nos bastidores é ridicularizada por ele, por não ser carismática. Fingindo-se de repórter de TV, disse Cabral:
“- Ministra, como a senhora se sente ao receber aplausos na Passarela do Samba? – perguntou um sorridente governador.
- Olha, Sérgio, nesse momento eu não prestei atenção. Eu não vi – respondeu.
A ministra estava certa. Não houve aplausos para ela”. Sem comentários.
8. O enredo de novo: “De acordo com aliados do governador, a maior preocupação de Cabral é com a entrada de Gabeira no cenário: há um temor de que, em um segundo turno, haja uma nacionalização a campanha”. É claro que haverá. Mas Lula não tem quase 80% de popularidade? Por que o temor de Cabral? Se Lula tem a capacidade de transferir votos para Dilma, por que não teria a mesma capacidade para transferi-los para Cabral? O governador não deveria ter medo de nada. Só que a verdadeira preocupação de Cabral é outra:  ele teme, e com razão, é não ir para o segundo turno.
9. Diz ‘O Globo’:  “- O presidente ligou para o governador, e a conversa foi marcada para depois do carnaval – disse o vice-governador Luiz Fernando Pezão, acrescentando que Cabral está convencido de que Dilma ficará em apenas um palanque no Rio”. Esse seria o óbvio, mas com alguns reparos. O Presidente não ligou para Cabral. Cabral foi quem cobrou a vinda do Presidente, e esse deu, como desculpa,  uma hipotética  hipertensão da Primeira-Dama, Dona Mariza. Que uma conversa foi marcada para depois do Carnaval, não existe dúvidas, até porque não poderia ser antes. Cabral queria que fôsse na semana passada, mas Lula disse que estava ocupado. E o encontro ainda não tem data marcada. Se tivesse dia e hora acertado eles informariam. E mais: Cabral não está convencido que Dilma ficará em apenas um palanque no Rio. Isso é o seu desejo, e não o seu convencimento. Por isso ele quer conversar com Lula. Mas se Dilma vai, na Bahia, ao palanque de Jacques Wagner e de Geddel Vieira Lima – seus amigos – por que no Rio seria diferente? Apenas para atender ao capricho do governador? Dilma não é mulher de atender a caprichos de quem quer que seja.
Agora a nota 10 do enredo.
Todo esse texto acima saiu publicado na primeira edição do ‘Globo’. Na segunda edição, o jornal publica algo inacreditável, e aí não tem fonte. É o próprio Cabral que se mostra como puxador do samba, quando canta sua chantagem descarada.  Depois de se referir ao encontro de Dilma com Garotinho,  diz o enredo:  “Cabral disse que há uma equação eleitoral que “não fecha”, e deu a entender que Dilma poderá perder seu apoio”.
Em seguida, a chantagem do puxador:
- Acho o seguinte: quando há dois palanques, pode ser um problema. Aqui, a equação não fecha. Como é que ela (Dilma) vai no mesmo dia para um palanque da situação e, depois, para um da oposição? Vai acabar perdendo o voto até da minha mulher.
Outra vez para firmar, vamos repetir o refrão:
 - Acho o seguinte: quando há dois palanques, pode ser um problema. Aqui, a equação não fecha. Como é que ela (Dilma) vai no mesmo dia para um palanque da situação e, depois, para um da oposição? Vai acabar perdendo o voto até da minha mulher.
Como Lula e Dilma não são bobos, eles não irão reclamar.
Mas o fato de não reclamarem, não quer dizer que eles não tenham ouvido a chantagem.
E, nesse caso, fica mais do que provado que o governador não é mesmo confiável.
Ele é capaz de tudo.
Quem viver verá…

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:39

Pezão é o único que funciona

 O ?Estadão? de hoje reconhece o que todos já sabem: Pezão é o único político que funciona no governo Cabral. Em reportagem assinada por Luciana Nunes Leal, fica claro que o incansável vice-governador ?assume cada vez mais atibuições?. Eis o texto:
?Com 1,90m de altura, 130 quilos e sapato número 48, o vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando de Souza Pezão, de 54 anos, não passa despercebido. Por causa do tamanho, mas também pelas atribuições que assumiu na gestão do governador Sérgio Cabral (PMDB).
Secretário de Obras e comandante do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) no Estado, Pezão começou o ano cumprindo a missão de visitar as áreas atingidas por enchentes e deslizamentos que mataram 52 pessoas na Ilha Grande e em Angra dos Reis.
A ausência de Cabral no cenário da tragédia provocou uma série de críticas ao governador, que viu os estragos de perto somente no dia seguinte, 2 de janeiro. Amigo para todas as horas, Pezão assume a responsabilidade: “Eu disse para o Cabral não ir, era muito mais importante ele ficar no telefone, tomando providências, falando com o presidente Lula, com os ministros.”
Formado na política do interior, Pezão foi duas vezes prefeito de Piraí, município de 26 mil habitantes, no sul do Estado, onde nasceu. Começou a militância no PMDB, foi do PSDB, do PDT, do PSB e voltou ao primeiro partido. Durante muitos anos, acompanhou o ex-governador Anthony Garotinho, hoje adversário. Foi dirigente da associação de prefeitos do Estado, da Confederação Nacional de Municípios (CNM) e secretário de Governo na gestão de Rosinha, mulher de Garotinho, hoje prefeita de Campos. “O Garotinho diz que eu o traí. Logo que me tornei vice, ele queria que eu rompesse com o Cabral, porque o governador criticava muito a Rosinha. Tenho uma grande gratidão por Garotinho e Rosinha, mas não havia motivo para romper com Cabral”, diz Pezão.
A briga com Garotinho foi feia. “Antes da posse (de Cabral), descobri que estavam aliciando pessoas do governo e prejudicando a Rosinha. Eu disse ao Pezão que a pior espécie de ser humano é o ingrato. Vi que ele não era meu amigo, mas amigo do governador, independentemente de quem fosse. Foi horrível”, conta Garotinho, que disputará o governo do Rio pelo PR. “Não me relaciono mais com Pezão, mas a Rosinha ficou afastada dessa questão, ele fez campanha para Rosinha em Campos.”
Pezão não quer saber de briga com o antigo aliado. Desde a posse, em janeiro de 2007, o vice-governador ganha cada vez mais visibilidade, por causa das várias tarefas que comanda e por substituir Cabral em um grande número de compromissos – inclusive na primeira atenção às vítimas do drama de Angra dos Reis. Também faz a articulação política com prefeitos e deputados. Sem falar nos quase 150 dias que ocupou o cargo de governador, por causa de viagens de Cabral ao exterior. Nas solenidades, o governador invariavelmente gasta boa parte dos discursos com brincadeiras e elogios ao vice.
Graças à lua de mel do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com Cabral, os investimentos da União no Rio de Janeiro foram retomados e, em 2009, Pezão administrou na Secretaria de Obras uma verba de R$ 5,6 bilhões, somando recursos federais e estaduais, investidos principalmente em projetos do PAC. Aproximou-se a ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência e coordenadora nacional do PAC. E também ganhou a simpatia do presidente. Em todas as viagens ao Rio, Lula faz questão de prestigiar Pezão, conversa com o vice e o cita em seus discursos.
Pezão tem guardados os discursos em que Lula citou o programa de inclusão digital adotado em Piraí, durante sua administração. Foram enviados pela assessoria da Presidência. Em julho de 2009, Lula visitou Piraí, onde participou da entrega de computadores a estudantes. “Eu até me surpreendo, o Lula tem um carinho comigo que me marcou muito. E olha que o PT sempre foi meu adversário na minha cidade, me batia muito. O único calo que eu tinha neste pé grande era o PT”, brinca o vice.
Depois da primeira semana tumultuada de 2010, Pezão planeja se recolher por uns dias. Vai se hospedar num spa em Teresópolis. Conta que está acima do peso, ansioso, dormindo mal. “Senão, eu não aguento a campanha. Meu peso ideal é uns 110 quilos”, diz o vice. Os planos são de ficar pelo menos uma semana afastado do trabalho. Mas não inteiramente. Na quarta-feira, Pezão estará em Brasília, em reuniões com Lula”.

                                          * * * * *  
O ?Estadão? publica ainda uma entrevista com Pezão, onde ele, por lealdade, tentar livrar a responsabilidade de Sergio Cabral no episódio da tragédia em Angra. Mas sem sucesso:
 ?Eu estava na casa do Cabral (em Mangaratiba, a 60 quilômetros de Angra dos Reis), passei o réveillon com ele, ia ficar lá os três dias. De madrugada, por volta de 2h30, o prefeito de Angra estava me ligando, a ligação caía. Conseguimos nos falar às 6h30. Sérgio Côrtes (secretário de Saúde e Defesa Civil) e eu pegamos o helicóptero e fomos para lá. Cabral estava dormindo, deixei avisado para o Cabral. Quando a gente estava chegando na ilha, ele ligou. Ele perguntou: “Você quer que eu vá?” Eu disse “não, vamos aguardar”. A gente não sabia se ia ter telefone na ilha, como iam estar as coisas lá. O Cabral ficou se comunicando com o presidente Lula, com Geddel (Vieira Lima, ministro da Integração Nacional). Sou um pouco culpado disso tudo. O presidente Lula disse que vinha, o Geddel disse que vinha, eu disse que não precisava. O Lula falou comigo, falou com o Cabral.
- A informação é de que o presidente Lula procurou pelo governador e não conseguiu falar com ele.
- Mentira. O Lula falou comigo, eu disse que o Cabral estava lá em Mangaratiba e ele ligou para a casa do Cabral. É que lá tem uma dificuldade de pegar celular. Não pega nas horas que a gente precisa. Achei (as críticas) uma injustiça. O Serra apareceu 48 horas depois (das enchentes em São Paulo), estava na Bahia. Ninguém fala nada?.

                                           * * * * *
Só para lembrar: Cabral divulgou uma nota sobre a tragédia de Angra, 17 horas após o desastre que matou mais de 50 pessoas.
Quando ele apareceu na cidade, disse que não tinha ido antes porque ?as autoridades que trabalham já estavam no local”, como se ele não tivesse o que fazer.
Se Cabral estava dormindo, ele não poderia  ter telefonado para saber se deveria ir ou não até a Ilha Grande,  até mesmo porque o governador disse, no dia seguinte,  que não foi pois ?não sou demagogo e não faria política em cima de uma tragédia?.
Pezão disse que Lula telefonou para Cabral, mas reconheceu que na casa do governador ?tem uma dificuldade de pegar celular. Não pega nas horas que a gente precisa?. O curioso é que o celular de Pezão funcionou.
Quanto a crítica feita a José Serra, de que ele só foi ver as enchentes de São Paulo 48 horas depois, faz parte do jogo, já que Pezão apóia Dilma Rousseff.
A diferença é que Serra estava na Bahia, a quase dois mil quilômetros de distância de São Paulo.
Enquanto isso, Cabral dormia a pouco mais de 60 quilômetros da tragédia de Angra.
Se estivesse ao menos com a televisão ligada,  sua nota oficial sairia, o mais tardar, por volta do meio-dia, e não perto das 6 horas da tarde.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:53

O otimismo do Lindinho

‘O Globo’ de hoje publica matéria de Maiá Menezes, com a visão de Lindberg Farias sobre o pré-acordo do PT com o PMDB para a eleição presidencial. Eis o seu texto:
“O noivado entre PT e PMDB, com sacrifícios regionais, é, na avaliação de uma de suas possíveis vítimas, o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), sinal de que os partidos vão deixar que os estados decidam de forma independente. Ele sustenta que, se antes a argumentação era de que só haveria alianças após aparadas as arestas locais, agora a vaga de vice na chapa da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, está garantida independentemente das situações nos estados.
? O pré-acordo é uma espécie de noivado, e o PMDB deu esse passo antes de resolver os problemas estaduais porque optou por ser o aliado preferencial da candidatura da Dilma. Com o pré-acordo, Temer praticamente assegura a vaga de vice na chapa.
Houve clara opção pelo acordo nacional. O próprio PMDB não consegue resolver seus problemas.
Na Bahia, Geddel (Vieira Lima) insiste em ser candidato ? disse Lindberg, afirmando que ?as direções de PT e PMDB entenderam que problemas regionais entre dois partidos são diferenças naturais e não podem frear o acordo nacional?.
Sobre sua candidatura, Lindberg, opositor do governador Sérgio Cabral (PMDB), pré-candidato à reeleição, afirma: ? Eu me sinto cada vez mais candidato. Da mesma forma que na Bahia o PMDB lança Geddel contra o governador Jaques Wagner, no Rio o PT tem de lançar candidato.”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:48

Cabral, o fanfarrão

Sergio Cabral é bom mesmo de imprensa.
Hoje na coluna de Ilimar Franco está dito que “na condição de parceiro de primeira hora,  (o PMDB) vai cobrar reciprocidade em alguns estadoschave, como o Rio, onde o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), quer disputar com o governador Sérgio Cabral”.
Pura plantação.
Por que só o Rio?
Por que não Germano Rigotto com Tarso Genro, no Rio Grande do Sul?
Por que não Quércia apoiando Dilma?
Por que não Geddel Vieira Lima ao lado de Jacques Wagner, na Bahia?
Por que não Patrus Ananias e o PT mineiro com Helio Costa?

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:15

Lindberg: “PMDB é insaciável”

 O prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, pré-candidato ao governo do Rio, reclamou do PMDB para fazê-lo desistir de sua candidatura ao governo Rio, e disse que o partido é insaciável.
‘O Dia” de hoje publica uma matéria na qual Lindberg comenta um suposto acordo entre ele e o governador da Bahia, Jacques Wagner, que condicionaria a sua desistencia ao governo do Estado à saida do peemedebista Geddel Vieira Lima da disputa do governo baiano:
- O PMDB quer que o PT fique de joelhos – disparou ele.
“O que existe é que, apesar do esforço do PT, inclusive com todo o desgate para preservar o PMDB no Senado, eles mostram que são insaciáveis. Lançam Geddel e querem minha retirada no Rio. De fato, o lançamento de Geddel é uma provocação. O que eu disse é que se a candidatura de Geddel sair, não aceito nem conversar ser candidato”.
Lindberg disse ainda que se não tiver o apoio do PT para para se candidatar ao governo, permanecerá na prefeitura de Nova Iguaçu. Porém, garantiu que a candidatura própria tem apoio de 60% do partido:
“O que eu acho é que o governo federal está cedendo demais. O PT pagou um preço muito alto nessa crise do Senado, desmoralizando importantes lideranças. E o PMDB não se cansa. Lança Geddel, quer minha saída. Quer tudo. Vamos resistir”. O principal nome do PMDB do Rio que trabalha contra a candidatura de Lindberg, é o próprio governador Sergio Cabral, que pretende a união com o PT já no primeiro turno.

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