Preguiçoso tem lapso de memória

     O ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia é, antes de mais nada, um preguiçoso.
Tanto que abandonou o governo Fernando Henrique Cardoso na metade de seu segundo mandato.
O blog que mantém no Globo Online é outra prova de sua preguiça: a última postagem data de 10 de maio. Há 80 dias ele não escreve uma única linha.
Na quarta-feira, Lampréia deu uma declaração curta – de apenas linha – ao repórter Fernando Mello, da Veja. Segundo ele, o professor Marco Aurélio Garcia, atual chefe da Assessoria Especial da Presidencia, o procurou no Itamaraty para atuar como “ponte” entre o governo brasileiro e as Farc. Sobre o episódio, Garcia divulgou a seguinte nota:
 “Em 1999, enquanto atendia a solicitação do Instituto Rio Branco para proferir palestra aos alunos do curso de formação de diplomatas, fui convidado pelo então Ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, para uma reunião privada em seu Gabinete, cujo tema principal era a posição de apoio do Brasil à ditadura Fujimori. Naquela ocasião expressei minha crítica à posição do Governo brasileiro, em especial à postura adotada naqueles dias pelo Itamaraty, em relação às eleições fraudulentas no Peru. O Ministro Lampreia tomou a iniciativa de consultar-me, ainda, sobre outros temas da realidade da América do Sul. Em resposta a meu interlocutor, expressei o ponto de vista de que o Brasil deveria desempenhar um papel mais ativo na região e citei, como exemplo, a atuação do Grupo de Contadora, que fora de grande utilidade para pacificar situações de conflito como as de El Salvador, Nicarágua e Guatemala.
Em nenhum momento ofereci préstimos pessoais ou do Partido dos Trabalhadores para negociações com as FARC, até porque, naquela conjuntura, não existiam, como não existem até hoje, quaisquer relações com aquela organização. O que efetivamente sugeri ao Ministro Lampreia – e ressalto uma vez mais que o fiz a pedido dele – é que o governo brasileiro deixasse de ser omisso e procurasse contribuir para equacionar os conflitos na região.
A conversa que mantive com Lampreia foi extremamente cordial, a despeito de diferenças de apreciação normais que tínhamos sobre a situação no continente. Acredito que o ex-ministro tenha tido um lapso de memória, pois estávamos a sós, sem tomador de notas na sala. A única explicação razoável que tenho para as afirmações do ex-ministro é que tenha tido um lapso de memória”.