• Sexta-feira, 30 Março 2012 / 3:09

Candidatos, tremei!

                                                             Eliane Cantanhêde*

        Passada a Semana Santa, Lula entrará com tudo na política. Não cabe aí o verbo “voltar”, porque não se volta para o lugar em que sempre esteve. Ele apenas emerge dos bastidores, onde vinha atuando apesar de radioterapia, quimioterapia, infecção pulmonar e internações, para reassumir os palcos.
Com sua já altíssima popularidade potencializada ainda mais pela doença, seu carisma inegável e sua liderança única não apenas no PT mas em toda a base aliada do governo, Lula desequilibra qualquer jogo político. Onde entra, é para ganhar.
Seus dois alvos são as suas duas maiores invenções: Fernando Haddad, que patinava nos 3% nas últimas pesquisas, e Dilma Rousseff, que demonstra não ter a menor paciência nem para a política nem para os políticos -sobretudo os aliados.
Para Haddad, Lula é fundamental e não terá o menor prurido de submeter o PT a derrotas e constrangimentos em outras ou até em todas as capitais e grandes cidades, desde que reúna o máximo de apoios e de tempo de TV em São Paulo.
O PSB é o melhor exemplo do que pode acontecer com os demais: a seção paulista até gostaria de ficar com Serra, mas o comandante Eduardo Campos acertou com Lula que o partido prefere ir com Haddad em troca do apoio do PT nos outros Estados.
Já para Dilma, Lula é uma faca de dois gumes. Fundamental como respaldo político, mas também um entrave para os rumos que ela quer e já vem dando a seu governo.
Dilma sabe muito bem o tanto de coisas que encontrou fora do eixo, mas pisa em ovos quando tem de desfazer, refazer ou dar guinadas no que encontrou, para não evidenciar erros nem parecer crítica ao ex-chefe, padrinho e antecessor.
De toda forma, os efeitos mais ostensivos da “volta” de Lula serão menos em Brasília, onde ele era e continua sendo consultor, e mais em São Paulo, onde tende a ser o principal fator da eleição de outubro.
José Serra e Gabriel Chalita, tremei!
*Eliane Cantanhêde é colunista da ‘Folha’.

  • Quarta-feira, 29 Fevereiro 2012 / 8:20

Notas paulistas

       Deu na ‘Folha’:
       “A senadora petista Marta Suplicy criticou ontem a maneira como o PT vem conduzindo o “processo eleitoral de São Paulo” e afirmou que o partido errou ao iniciar negociações com o prefeito Gilberto Kassab (PSD) para as eleições municipais de outubro.
“É preciso reconhecer que erramos. Fomos precipitados”, afirmou em sua página no Twitter. Sem citar Kassab, a senadora condenou o fato de o PT ter ficado “flertando com adversário enquanto nossos tradicionais aliados migraram para o lado deles”.
Marta, que se colocava como pré-candidata do PT à prefeitura até o final do ano passado, desistiu da candidatura em favor de Fernando Haddad, após ser pressionada pelo ex-presidente Lula”.
                                      * * *
“Disposto a sobreviver à polarização PT versus PSDB, o pré-candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, deputado Gabriel Chalita, fez ontem duros ataques ao tucano José Serra e prometeu uma campanha crítica ao governo Kassab.
Chalita tocou numa ferida de Serra: lembrou que, na eleição de 2004, o tucano prometeu concluir o mandato, mas deixou o cargo menos de dois anos depois.
“Não muda nada a candidatura Serra. Até porque sempre trabalhei com a hipótese de que seria candidato. Serra faz exatamente oposto do que diz. Ele disse que não sairia da prefeitura e saiu”, alfinetou Chalita.
Ex-tucano, ele acusou Serra de adotar “a política de subsolo” na disputa contra Dilma Rousseff. “O que Serra fez na campanha [de 2010] foi muito sujo [...] Se ele persistir nesse estilo de política, do subsolo e da intriga, vai ser ruim para ele”, atacou”.
                                     * * *
“Adversários na corrida pela prefeitura paulistana, José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) se encontraram pela primeira vez na pré-campanha anteontem à noite.
Durante jantar de aniversário do presidente do PC do B, Renato Rabelo, em um restaurante na capital, o tucano e o petista falaram de futebol e posaram para fotos.
Palmeirense, Serra previu que o São Paulo, de Haddad, será o principal rival de seu time na atual temporada. O ex-governador foi levado ao evento por Gilberto Kassab (PSD), a convite do ministro Aldo Rebelo (Esporte). O ex-ministro José Dirceu observou a conversa à distância”.

  • Segunda-feira, 06 Fevereiro 2012 / 14:48

Temer fará campanha contra Haddad

      Da colunista Renata Lo Prete, no Painel da ‘Folha’:
      ”Em conversa recente, Dilma Rousseff sugeriu a Michel Temer que ambos evitem se envolver nas disputas municipais, de modo a preservar o governo. Com a polidez habitual, o vice disse partilhar da preocupação da presidente, mas ponderou que terá de se fazer presente ao menos em São Paulo, onde o PMDB pretende lançar Gabriel Chalita”.

  • Sexta-feira, 20 Janeiro 2012 / 11:15

Cabral, traidor ou trapalhão?

    Do Painel da ‘Folha’:
    “Os elogios de Sérgio Cabral a Fernando Haddad, anteontem, agitaram o PMDB. O governador foi mais enfático que Dilma na defesa do ministro, virtual oponente do peemedebista Gabriel Chalita, também ligado à educação, em São Paulo”.
                                          * * *
Do colunista Ilimar Franco, no Panorama Político, do ‘Globo’:
“O PMDB paulista não gostou dos rasgados elogios do governador Sérgio Cabral ao ministro Fernando Haddad (Educação). O PMDB tem candidato contra o petista para a prefeitura de São Paulo, o deputado federal Gabriel Chalita”.

  • Quinta-feira, 19 Janeiro 2012 / 13:55

Haddad não conta com Kassab

      Fernando Haddad, o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, concedeu ontem uma entrevista aos repórteres Fábio Takahashi e Renato Machado, da ‘Folha’:
- Em setembro o sr. disse que a gestão Kassab era provinciana. Como avalia agora a possibilidade de aliança com o partido dele, o PSD?
- Eu comentei que não tinha conseguido fazer a quantidade de parcerias que desejava com São Paulo. Os problemas na cidade não são simples.Como pré-candidato, tenho conhecimento da máquina federal que me faz crer que oportunidades podem ser oferecidas aos paulistanos, algumas das quais eles nem sequer conhecem.
- E a possibilidade de aliança com o prefeito?
- O que Kassab disse ao presidente [Lula], e eu ouvi do próprio presidente, é que seu projeto continua sendo o anunciado: oferecer apoio ao Serra ou receber apoio ao Afif. Elereiterou isso, inclusive nos jornais. Este é o plano dele. Foi um gesto de generosidade dele elogiar o PT, mas não podemos deixar de ter clareza de que o projeto que está em curso não é esse. É isso o que me chegou. A recomendação que fiz ao PT foi fazer um balanço da nossa relação com os partidos da base da presidente Dilma. O movimento de negociar com o PSD é muito novo e precário.
- O sr. se sentiria incomodado com um vice do PSD?
- Estou estudando a cidade. Neste momento, estou abrindo a discussão com setores simpáticos não petistas para debater mobilidade, saúde, educação, urbanismo. O segundo momento é o gesto em direção aos partidos da base da presidente Dilma. Qualquer que seja o cenário, procurar uma aproximação com esses partidos.
- O que o sr. acha da possibilidade de ter Gabriel Chalita [PMDB] como seu vice?
- Estarei sempre aberto para discutir com o PMDB. Mas eles já estão em uma posição mais adiantada [de lançar Chalita]. À parte da amizade que temos, vamos manter a interlocução permanente.
- O sr. já foi acusado de ser um “estrangeiro”, confundiu Itaim Paulista com Itaim Bibi…
- É uma crítica que desqualifica o debate. O que vai ajudar São Paulo é discutir ideias.
- O Enem (exame do ensino médio) teve sucessivas falhas. Como responder às críticas?
- Os problemas foram pontuais. Não estou falando de 2009, um ano atípico. Estou falando das questões pontuais de 2010 e 2011. Foram localizadas, de fácil superação. Farei do Enem, do ProUni [bolsas para alunos pobres nas universidades privadas], do Sisu [seleção de vagas nas federais] bandeira de luta pela democratização do acesso dos estudantes da escola pública às universidades. Me orgulho muito e não terei dificuldade em discutir um assunto que me enche de paixão e de orgulho”.

  • Sexta-feira, 13 Janeiro 2012 / 9:58

SP: PSDB começa perdendo

                                                         Eliane Catanhêde*
  

     Acabou a solenidade do Minha Casa, Minha Vida, a presidente petista Dilma Rousseff correu para uma conversa de três horas com o padrinho Lula, enquanto o governador tucano Geraldo Alckmin foi trocar ideias com o prefeito Gilberto Kassab.
Os dois movimentos reforçam a polarização PT-PSDB. Apesar das aparências, da convivência cordial de Dilma e Alckmin e da imensa confusão de alianças e de atores na eleição de São Paulo, é um contra o outro. Os demais girando como satélites.
O PT mudou muito, mas é o PT. O PSDB está totalmente rachado, mas é o PSDB.
As duas novidades são a entrada em cena do PSD de Kassab, que oscila entre ambos, e a tentativa do PMDB de lançar a candidatura de Gabriel Chalita para recuperar liderança política em São Paulo.
É por isso que, ao oferecer um nome -qualquer nome- do seu PSD para Lula como vice do petista Fernando Haddad, Kassab confundiu ainda mais o cenário e deixou os dois lados atordoados. Serviu como pausa para pensar.
Se o PT já engoliu a candidatura Haddad só porque Lula quis, é muito difícil assimilar um vice indicado por Kassab. Lula até gostaria de reunir o máximo de forças políticas e isolar os tucanos, mas o prefeito é a alma da campanha petista. Sem Kassab, quem será o alvo? Qual será o discurso?
No caso do PSDB ocorre o mesmo, em sentido contrário. A eleição, a vitória e a gestão de Kassab na prefeitura são indissociáveis dos tucanos, o que vale mais para o ex-governador José Serra, mas vale também para Alckmin, queira ele ou não.
Quem é mesmo o seu vice? Guilherme Afif Domingos, que é do PSD, pré-candidato de Kassab à sua sucessão.
Como, então, o PT poderia usar seus palanques para defender ou no mínimo ignorar Kassab? E como o PSDB poderia se esgoelar para criticar a gestão dele?
O plano A de Kassab segue sendo lançar o cabeça de chapa e ter apoio de Alckmin, que é quem dá as cartas tucanas no Estado e na capital e está atolado em várias candidaturas, três delas de secretários de seu governo. Preferia Bruno Covas, recuou e virou uma esfinge.
Kassab, portanto, é o centro do universo neste momento em São Paulo. Não apenas por ser formalmente o prefeito, mas por aliar índices medíocres de popularidade à capacidade política de criar um novo partido tão eclético e por ameaçar desequilibrar para um lado ou para o outro a polarização PT-PSDB.
O excesso de interrogações ainda é, assim, o forte da campanha paulistana. O que há de concreto é uma transição geracional, com nomes e caras novas, e um novo peso local para Lula. A capital nunca foi seu forte, mas isso parece coisa do passado.
Mais uma vez, o jogo nacional começa a se definir por São Paulo e pela disputa PT-PSDB. E o PSDB parece claramente em desvantagem.
*Eliane Catanhêde é colunista da ‘Folha’.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:55

Partidos querem 3º candidato

De Renata Lo Prete, no Painel, da ‘Folha’:
“Políticos do governo e da oposição aguardam ansiosos a resposta do TSE a três consultas sobre a possibilidade de incluir candidatos a senador numa chapa sem necessidade de coligação nacional entre os partidos que a integram. Na prática, trata-se de decidir se um candidato a governador pode “carregar” mais de dois candidatos ao Senado. Em busca de argumentação jurídica que sustente o voto dos ministros, técnicos do tribunal apelidaram sua obra de “emenda Rio”. Nesse Estado, se a resposta do TSE for favorável, Sérgio Cabral (PMDB) -e por tabela Dilma Rousseff (PT)- poderá contar com a trinca Lindberg Farias (PT), Jorge Picciani (PMDB) e Marcelo Crivella (PRB) -este último hoje sem lugar na chapa.
No campo adversário, a brecha permitiria a Fernando Gabeira (PV), que terá um tucano como vice, compor a chapa para o Senado com Cesar Maia (DEM), um nome do PPS e mais a “verde” Aspásia Camargo.
Os efeitos da eventual licença do TSE vão além do Rio. Em São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que já tem como candidatos ao Senado Orestes Quércia (PMDB) e um tucano a ser definido, finalmente encontraria um lugarzinho para acomodar Romeu Tuma (PTB)”.
                       * * *
E serve também para a Oposição paulista,
Na chapa de Mercadante, a candidata ao Senado será Marta Suplicy, do PT.
A segunda vaga está sendo disputada pelo vereador-pagodeiro Netinho de Paula, do PCdoB, e pelo ex-secretário Gabriel Chalita, do PSB.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:45

Visão tucana para 2010

 Quem chamou a atenção para a entrevista que o publicitário Luiz González deu ontem ao ?Valor? foi o ex-prefeito Cesar Maia.
O principal marqueteiro do PSDB acredita que José Serra ganhará a ?guerra das biografias?.
Vale a pena ler a íntegra da entrevista concedida ao repórter Caio Junqueira:
 ?Luiz González, 56 anos, paulistano, neto de espanhóis da Galícia, deverá ser o principal estrategista da campanha do governador de São Paulo, José Serra, a presidente em 2010. É o marqueteiro preferido dos tucanos paulistas. Sua ascensão no marketing político foi concomitante à consolidação do PSDB no governo estadual. Já se vão 15 anos desde que fez a campanha de Mário Covas, em 1994, mesmo ano em que trabalhou para Serra, que disputava o Senado. Quatro anos depois, ajudava Covas a se reeleger. Em 2000, perdeu com Alckmin na prefeitura, mas o fez governador dois anos depois. Voltaria a trabalhar para Serra na campanha à prefeitura em 2004 e ao governo do Estado em 2006, quando atuou para Alckmin na disputa presidencial. No ano passado, elegeu Gilberto Kassab (DEM) prefeito.
Foi em sua agência Lua Branca, detentora de contratos de publicidade tanto com a Prefeitura de São Paulo quanto com o governo paulista, que ele recebeu o Valor para uma entrevista, explicitou sua estratégia que, a exemplo do governo, é de polarização entre Serra e Dilma – “Só que o embate não vai ser entre Lula x FHC, mas entre a biografia de um realizador e a de uma desconhecida”. A seguir, trechos da entrevista:
- O senhor não teme a transferência de votos de Lula para Dilma?
- Aqui em São Paulo ou em Caetés (cidade pernambucana em que Lula nasceu)? Em Caetés haverá mais. A pergunta é: quanto Lula vai transferir nos lugares onde a informação é menos variada, chega mais devagar e as pessoas dependem mais do Estado? Quanto isso pesa mais do que a admiração que as pessoas possam ter por um cara como o Serra e a expectativa de que com ele o lugar onde o eleitor vive melhora? Lula fez campanha para Marta. Foi para o palanque e resultou em quê? Nada. Não levantou meio ponto porque o eleitor aqui é atento.
- Mas e no resto do país?
- Alckmin era desconhecido nacionalmente, enfrentava um mito que tinha disputado as cinco últimas eleições e que havia feito um governo em que a economia ia bem. Agora está invertido. A Dilma é desconhecida, o Serra é mais conhecido e tem mais biografia. Dilma precisa mostrar o que o governo fez. Pode subir até certo ponto, mas para subir para valer tem que expor a pessoa. 
- Foi a privatização que derrotou o Alckmin?
- Eu nunca saí de um estúdio tão festejado como naquele dia do debate da Bandeirantes. Não só os políticos mas também os coleguinhas. E eu sabia que tinha dado errado. Tinha falado pra ele: não faz isso. Foi ali que ele perdeu a eleição. Colocou o dedo na cara do Lula, foi desrespeitoso. O público fala: “Quem é esse cara? Tô desconhecendo”. E teve também a reação do Lula no segundo turno. Fez a famosa reunião no Palácio do Planalto com 17 ministros, despachou um para cada Estado e escalou quatro para aparecerem no “Bom Dia Brasil”, “Jornal Hoje”, “Jornal Nacional” e “Jornal da Globo”. Várias entrevistas do PT metendo a ripa no Alckmin e do nosso lado ninguém. O Tasso (Jereissati) estava no interior do Ceará, o Sérgio Guerra, em Pernambuco, o César Maia sumiu. Consegui o Heráclito Fortes para dar uma coletiva. Se você dá uma entrevista às 15h eu tenho que dar outra às 15h30. Esse é o jogo. E o nosso foi um desastre.
- A força do Lula no Nordeste também não foi decisiva?
- Não foi apenas no Nordeste. Uma grande derrota que ele sofreu foi no Amazonas. Perdemos em Minas, que tem 10 milhões de eleitores, por 1 milhão de votos. No Amazonas, que tem 2 milhões, perdemos por 900 mil votos. Amazonas virou Minas, que é o terceiro colégio eleitoral do país, porque os dois candidatos da base do Alckmin, Arthur Virgílio e Amazonino Mendes, brigaram o tempo todo e nenhum deles conseguiu defender o candidato da acusação de que ele acabaria com a Zona Franca. 
- Em 2010, o comando de Lula sobre a campanha não fará a diferença?
- Uma coisa é o Lula outra é essa mulher [Dilma] que ninguém sabe de onde veio. Estou colocando como caricatura o discurso, mas no fundo é o seguinte: será que as pessoas estão dispostas a aguentar o PT mais quatro anos sem o Lula? Sem o Lula ficam só os Waldomiros [Waldomiro Diniz, ex-assessor do Planalto flagrado em vídeo recebendo propina]. O Lula foi preservado nessa coisa toda, e sem ele como é que fica? 
- O senhor aposta numa campanha pela biografia, mas não acha que o governo vai se pautar por temas como Bolsa Família, crédito popular, valorização do salário mínimo?
- Mas para cuidar disso aí você prefere esse cara aqui ou essa mulher [Dilma] que ninguém conhece? Tudo isso vai continuar e vai melhorar porque onde esse cara [Serra] põe a mão dá certo. Veja só, como ministro: 300 hospitais reformados. Como deputado: tirou o seguro-desemprego do papel. Como ministro da Saúde: fez os genéricos. Como governador: fez três vezes mais metrô que todo mundo. Onde ele põe a mão dá certo. Vai dar certo com aposentadoria, com salário mínimo, água encanada porque ele é um realizador, tem credibilidade, melhora a vida das pessoas por onde passa. E do lado de lá? Quem é? Ninguém sabe.
- E o PAC e o pré-sal?
- Eles vão mostrar o PAC, nós vamos mostrar que o PAC não existe. Está tudo parado. A vantagem da campanha política é que o contraditório é exercido todos os dias. Cada um fala o que quer, ouve o que não quer e o eleitor julga. Por isso a campanha não é publicitária, é jornalística. Quanto tem para o pré-sal? São 5 bilhões de barris a US$ 40 dólares o barril. US$ 200 bilhões. Por que não põe US$ 100 bilhões na saúde agora? Ah, não existe? Pensei que tivesse. Não estão falando que a Petrobras está sendo capitalizada com 5 bilhões de barris?
- A aposta, então, é que na disputa entre biografias o Serra leve?
- O Serra é o favorito, tem grandes chances de ganhar. A Dilma passou a ter problemas com a entrada do Ciro [Gomes] e daA Marina. Será uma surpresa se ela decolar. O governo acha que vai ser um plebiscito Lula versus não-Lula, ou Lula versus FHC, mas nós não vamos deixar. Não é isso. É a biografia do Serra contra a da Dilma. E daí o nosso japonês é melhor do que o japonês dos outros. Serra foi deputado constituinte, senador, secretário de Estado, ministro duas vezes, prefeito, governador. Tudo o que ele fez alicerça o que vai prometer. Isso dá credibilidade, confiança. E é uma figura nacional.
- Como contrabalançar o Norte e o Nordeste?
- Uma questão central na campanha é que Serra não pode perder Sul e Sudeste. Não é à toa toda essa movimentação em São Paulo. Eles não são trouxas, precisam de alguém que tire votos do Serra aqui. Uns cinco, seis pontos. Todo esse jogo com o [Gabriel] Chalita é entre PSB e PT porque tem que tirar uns 4 milhões de votos do Serra aqui. O Nordeste é fundamental, é importante, mas acho que nunca se pode perder suas cidadelas. O negócio é que não se pode perder de muito lá e ganhar bem aqui. Serra é tido no Nordeste como o melhor ministro da Saúde que o Brasil já teve.
- O PMDB é crucial?
- Se o PMDB for para o governo nos prejudica bastante porque tempo de TV é importante.
- O fato de o PMDB ter as maiores bancadas no Congresso e o maior número de prefeitos não é importante também?
- Não. Isso não é garantido, pois ninguém sabe se eles vão ajudar mesmo. Alguns só ajudam se receberem recurso material, outros até ajudam adversários. O PMDB de Pernambuco é diferente do de Goiás, que é diferente do Rio. Há a possibilidade remota, mas existente, de eles fecharem com o Serra. Aí nossa chance aumenta muito. A possibilidade em que acredito: o PMDB não vai para ninguém. Aí zera e a eleição fica polarizada entre Serra e Dilma. Mas até o início da campanha ela vai sofrer com matérias que ela não emplaca. Alguém do PT em off criticando, dizendo que o gênio dela é ruim, que ela briga com todo mundo. Só bastidores. Ela vai sofrer com isso.
- E o Ciro?
- Não emplaca. Primeiro porque não vai ter tempo de TV. Vai ter PSB e mais o tempo igualitário, que vai dar uns dois minutos e meio. Sabe qual a leitura do público? ´Aquele pequenininho lá não vai governar porque não consegue agregar. Tem dois que são pra valer e dois nanicos´. Segundo porque ele é verborrágico e alguém vai provocá-lo. Pode ser o Serra ou até mesmo a Dilma, porque pode se travar uma disputa entre ela e o Ciro pelo segundo lugar. Para nós é o melhor cenário. Isso se o Ciro não tiver cometido nenhum deslize verborrágico, o que eu não acredito.
- E a Marina?
- É uma candidata interessante, bacana, com história bacana, com aura de seriedade. A única coisa que a prejudica neste momento é o pouco tempo de TV. É pouco para expor as ideias, convencer, seduzir e apaixonar. O eleitor também avalia a capacidade de fazer alianças pelo tempo de TV. A tradução do pouco tempo é esse: o cara não tem força. Ela tende a murchar também.
- Aqui em São Paulo o PSDB faz sucessor sem atropelos?
- São Paulo sempre é uma eleição complicada. É um lugar com opinião pública forte, gente informada, urbanizada, antenada. Mas acho difícil para a oposição mesmo porque não sei quem é o candidato.
- O Palocci pode ser competitivo em São Paulo?
- Será um erro se ele sair. Tem uma série de coisas de quando ele foi prefeito de Ribeirão Preto que ainda não foram resolvidas, assim como o caso do caseiro Francenildo que também não foi resolvido na opinião pública.
- E a disputa entre os tucanos? Alckmin lidera as pesquisas, mas o meio político prefere Aloysio Nunes Ferreira, com dois pontos nas pesquisas. É difícil alavancar o Aloysio? 
- Você pergunta o que é mais difícil, não a minha preferência. Mesmo porque, essa é uma questão partidária e não me caberia opinar. Mas é óbvio que é mais difícil pegar alguém com 3 ou 5 pontos e lutar morro acima para levar a 20, 25 pontos e forçar o segundo turno do que pegar um candidato com 50 pontos, ex-governador do Estado.
- O que é mais determinante ao voto?
- Tem uma tese do professor João Albuquerque, da USP, defendendo que 15% votam por identificação, o mesmo percentual, por oposição e 70% por expectativa de benefício futuro. A questão central é como se cria uma identificação com o candidato e se desperta no eleitor a confiança de que ele é capaz de melhorar sua vida. 
- A internet vai ser importante em 2010?
- A cada eleição a internet fica mais importante. E, em 2010, pode até ser a ferramenta mais comentada, pelas novidades que trará. Mas não acredito que será a mais importante. Nas condições de 2010, acho que a TV ainda será mais importante do que a internet, por mais amplas e diversificadas que sejam as ações na internet e por mais tradicionais que sejam na TV. Mário Covas dizia que se ele tivesse pouco dinheiro pagaria advogado e programa de TV e depois contrataria o resto. Se fosse para hierarquizar os veículos que eu usaria, diria que o mais importante é o horário eleitoral, free media [presença dos candidatos no rádio, TV, jornais e revistas], programa eleitoral no rádio e, por fim, a internet.
- Por que?
- Pela abrangência. O Brasil tem pouco mais de 131 milhões de eleitores. A televisão chega a praticamente todos. Existem 57 milhões de domicílios no Brasil. Há pelo menos um aparelho de TV em 95% desses domicílios – 170 milhões de brasileiros a assistem diariamente. Estima-se que haja até 60 milhões de internautas, com 11 milhões de conexões em banda larga. Ou seja: a televisão chega a muito mais gente. Outra questão é a distribuição geográfica. A TV chega a todo o país de maneira mais uniforme: 96% dos domicílios urbanos têm TV. Na zona rural a presença cai, mas ainda é alta: 78% das residências rurais têm TV. Essa presença avassaladora e bem distribuída não acontece, ainda, com a internet. A internet está mais presente nas regiões Sul e Sudeste, com 60% dos internautas. Mas as regiões Norte e Nordeste que têm, juntas, 34% do eleitorado, só têm 22% dos internautas. 
- Essa concentração da internet no Sul e Sudeste favorece alguma candidatura?
- Acho que a internet vai servir de maneira distinta às candidaturas. Serve mais ao PT do que ao PSDB. Como o PT tem mais dificuldade no Sul e no Sudeste, onde a internet tem mais penetração, o instrumento vale mais. Da mesma forma, se o corte for cidade grande versus cidade pequena, o PT tem mais dificuldade nas capitais e cidades grandes. O PSDB tem mais dificuldade nos grotões. Desse ponto de vista, o que o PSDB precisa é de carro de som nas pequenas cidades. Além disso, a televisão é um veículo impressionista. É um veículo de emoção, que surpreende o telespectador em sua casa. Nessas características essenciais, é insubstituível.
- O que o senhor achou da reforma eleitoral recém-aprovada?
- Lamentável. O Congresso perdeu a oportunidade de limpar as regras eleitorais, de deixar o pleito mais livre. Por exemplo: não se pode usar imagem externa nas inserções ao longo da programação, nos comerciais. Mas se pode usar imagem externa nos programas grandes, em bloco. Qual o motivo? 
- Quais são os outros problemas da reforma?
- A reforma instituiu um “liberou geral” nas coligações. Agora é possível, na mesma circunscrição eleitoral, fazer coligações que se contradizem. Essa emenda do “liberou geral” para as coligações atende a estratégia governista. Nos últimos anos, prevaleceu a norma que impedia o uso de um espaço eleitoral no rádio e na TV por um candidato a outro cargo. Mesmo assim, em 2006 Lula “invadiu” grande parte das campanhas estaduais, principalmente onde o candidato a governador do PT era fraco. Foi parcialmente punido por isso, com perda de tempo de TV. Nem todas as “invasões” foram descobertas a tempo de se acionar o TSE. Na eleição de 2010, as campanhas estaduais estão autorizadas a veicular “imagem e voz” do candidato a presidente, ou de militante político nacional. Traduzindo: é a licença para Lula e Dilma” invadirem” os tempos de propaganda de candidatos a governador, senador e deputados. Vai ser uma festa. Infelizmente, a oposição deixou passar. Vamos ver o que o TSE diz sobre o assunto?.

  • Segunda-feira, 05 Julho 2010 / 4:37

O senador das princesas

  O pagodeiro e hoje vereador Netinho, que fez enorme sucesso com o grupo Negritude Jr. e, depois, na TV com um programa onde proporcionava uma dia de princesa a moradoras da periferia de São Paulo, é agora candidato ao senado pelo PCdoB, na coligação de Aloísio Mercadante.
A repórter Marli Olmos, do ‘Valor Econômico’, publica um excelente perfil do político Netinho, candidato ao mais importante cargo legislativo, no mais rico e mais importante estado da Federação, e que já consagrou Enéas e Clodovil como campeões de votos  e, até hoje, mantém vivo e forte o deputado Paulo Maluf.
  “Selly Martinez ajeita a coroa na cabeça e faz pose. Com os dedos das duas mãos imita o desenho de um coração. Aproxima o corpo à imagem do seu ídolo, olha para a câmera e abre um sorriso. Num piscar de olhos, sai impressa a foto: ela ao lado de Netinho de Paula. O artista não está ali. Trata-se de uma montagem. Mesmo assim, 600 fãs fizeram fila para ter um retrato igual a esse no dia em que o PCdoB referendou a candidatura do cantor de pagode a uma vaga do Senado.
O artista em carne e osso compareceria à convenção na tarde daquele sábado. Mas, como seria impossível atender a todos os fãs que sonhavam com um retrato ao lado do ídolo, a solução encontrada pelo PCdoB foi a máquina da Funclick, empresa especializada em serviços de foto-lembrança. Havia três opções de moldura: duas ao lado de Netinho e uma entre Netinho e Aloizio Mercadante. O fã clube mostrou ampla preferência pela foto ao lado apenas do cantor de pagode.
Para levar o retrato para casa o eleitor tinha que deixar endereço de email e número de telefone celular. Além da cópia em papel, recebeu a imagem também por internet. Mas quem mais ganhou foi o PCdoB, que, em poucos instantes, montou um banco de dados de eleitores não apenas para o astro do dia como também para os candidatos a deputado. Em apenas 50 minutos 110 pessoas foram registradas.
Selly Martinez foi à convenção numa caravana de mulheres de Diadema (SP) – todas com coroa na cabeça, numa alusão ao quadro “Dia de princesa”, que se tornou famoso no programa de auditório comandado por Netinho em duas emissoras de televisão.
A legião de fãs de Netinho de Paula idealiza eleger um senador com poderes de estender a toda a população carente as graças que os escolhidos para participar de seus programas já receberam.
Tereza Canas, na fila do retrato-lembrança durante a convenção, diz que gostaria que o candidato ao Senado arrumasse uma casa para a amiga dela, manicure, que acaba de fazer cirurgia na coluna.
“Não tenho a intenção de mistificar nada. O que eu fui na televisão e como músico eu tenho agora que ser como político”, diz o candidato. “A TV limita as ações. Me constrangia muito só poder gravar com uma princesa em cada programa. Quando entrava com ela na limusine via que milhares de meninas tinham ficado para trás”. Segundo diz, foi isso que o conduziu à política: “Somente a política é capaz de tratar da população em escala.”
A estreia do cantor na política foi nas últimas eleições municipais. Com 84.406 votos, Netinho de Paula foi o primeiro mais votado da coligação PT / PCdoB / PSB / PRB e o terceiro na lista de todos os mais de mil candidatos.
Já naquela ocasião uma pesquisa feita pelo PCdoB forneceu dicas a respeito da forma como a população de baixa renda projeta o artista na política. A maior parte dos votos conquistados por Netinho foi de mulheres jovens (até 24 anos), da classe C, com o 2º grau (completo ou incompleto). Vale lembrar que no quadro “Dia de Princesa” só podiam participar moças com até 25 anos. Regiões Sul e Leste do município, onde moram as classes mais baixas, concentraram 55 mil dos 84,4 mil votos que o elegeram vereador.
O dia de princesa foi inventado pelo próprio Netinho: “Era um sonho de infância”. “Imagina se um dia eu estivesse lá na Cohab e passasse um carro que me levasse para um shopping! Só de pensar passo mal. A gente era muito pobre demais!”
Aos 19 anos, casada e com um filho de 1 ano e 4 meses, a princesa Fernanda mora na casa do sogro e diz ser muito mal tratada lá. São histórias assim que chegavam à produção do “Show da gente”, transmitido pelo SBT nas tardes de sábado até o início do ano. Elenice – 21 anos e duas filhas – escreveu carta contando que o marido está preso. E desde então falta tudo às meninas. Ela tem casa, mas faltou terminar o banheiro.
Num dos programas, James, motorista da limusine, conduz Netinho até a casa de Elenice, que o recebe chorando e conta sua história triste. “O negrão chegou e vai te ajudar”, diz o artista. Dali, ambos seguem para um shopping, onde a jovem toma o chamado “banho de loja” – promovido pelas marcas patrocinadoras – e vai ao cabeleireiro.
Antes de seguir para o estúdio da emissora, a bordo de um helicóptero, a dupla ainda passa pelo cemitério onde o pai de Elenice – uma referência para ela – está enterrado e deixa uma coroa de flores. Ao final do dia de mimos, a princesa recebe ajuda financeira para poder concluir a construção do banheiro.
“Eu tenho orgulho de levar essa alegria e apresentar um mundo diferente que a sociedade ignora”, diz Netinho. O contrato com o SBT terminou, mas o apresentador espera retomar o comando de um programa no mesmo formato, mesmo se eleito senador. “As gravações ocupariam apenas dois dias da semana”, explica.
A estratégia de campanha planejada por Netinho é aproximar-se do “povo do gueto”, conta, numa alusão ao seriado “Turma do gueto”, escrito por ele e exibido durante dois anos pela Rede Record. “Não será uma campanha milionária porque meus amigos não são grandes doadores”.
Prestes a completar 40 anos, no dia 11, Netinho de Paula, afirma vislumbrar na eleição uma oportunidade de a juventude chegar ao Senado, de a Casa ser renovada. “Acho que também serei o primeiro negro a disputar uma vaga no Senado por São Paulo”, afirma.
Dos seis projetos que ele apresentou até agora como vereador, somente um foi aprovado. Trata-se do que institui a frente parlamentar em defesa da educação integral nas escolas do município. Seguem em tramitação o que propõe cursos pré-vestibulares a estudantes de baixa renda, o que defende como dever do município a educação de crianças de zero a seis anos em período integral, o que determina que as quadras poliesportivas situadas em equipamentos municipais sejam cobertas e o que cria a comissão extraordinária de comemoração do centenário de nascimento de Adoniran Barbosa. O projeto de lei 595/09, que fixa parâmetros para a criação de centros de referência da juventude chegou a ser aprovado na Câmara, mas vetado pelo prefeito.

Quem foi a convenção do PCdoB quis foto ao lado de Netinho, mas dispensou a presença de Mercadante

Quem foi a convenção do PCdoB quis foto ao lado de Netinho, mas dispensou a presença de Mercadante

José de Paula Neto nasceu no bairro de Santo Amaro e foi criado em Carapicuíba, na Grande São Paulo, em um apartamento do conjunto habitacional popular Cohab. Começou a trabalhar aos sete anos, vendendo doces numa estação de trem. A mãe, dona Romilda, morreu, quando ele tinha 11 anos. Depois disso, o garoto foi trabalhar numa gráfica, com o pai. A família deixou, depois, a Cohab. Mas Netinho voltou, para morar no mesmo apartamento da infância, ao casar-se, aos 16 anos.
Foi nessa época que o grupo Negritude Junior surgiu. Os amigos da Cohab se encontravam para batucar instrumentos. “A gente gostava de ir atrás das fanfarras das escolas”, conta. Netinho tornou-se o vocalista do grupo, mas em 2001 decidiu partir para uma carreira solo. Nas suas contas, gravou pelo menos seis CDs com o Negritude e mais cinco sozinho, num total próximo de 4 milhões de cópias.
O candidato da periferia também ajudou a fundar a ONG Casa da gente, em Carapicuiba, que atende 700 crianças, com complemento escolar, aulas de música e cursos profissionalizantes, além de suporte às famílias. Os recursos saem dos shows e colaboradores.
Embora a maior parte das suas músicas fale de romance e amor, o candidato ao Senado cita algumas que, segundo ele, criam “uma identidade com a questão social”. Caso de “Cohab City”: ” Tô chegando na Cohab/Pra curtir minha galera/Dar um abraço nos amigos/E um beijinho em minha cinderela.”
“O Senado tem sido uma Casa muito distante do povo”, afirma. Se eleito, o candidato escolheu como prioridade defender investimentos voltados para o ensino público em período integral e também profissionalizante, “permitindo a capacitação e inclusão dos menos favorecidos no mercado de trabalho em igualdade de condições”. Ele também pretende trabalhar pela moradia popular, saúde e cultura e combater a discriminação “em todas as suas formas, incluindo a discussão das cotas raciais”.
No dia da convenção que oficializou o lançamento da chapa ao Senado, com a ex-prefeita Marta Suplicy e Netinho de Paula, e também o apoio do PC do B à candidatura do senador Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo, a militância mal conseguia se acomodar. Um telão foi instalado no hall da universidade Uninove para quem não teve a chance de entrar no auditório.
Se nos tempos de apresentador as tardes de sábado representavam o momento de o cantor aparecer na televisão, o sábado da convenção trouxe muito mais. No mesmo dia foi publicada uma pesquisa do Ipespe para o “Diário de São Paulo”, indicando Netinho no segundo lugar das intenções de voto dos paulistas ao Senado, ao lado do ex-governador Orestes Quércia (PMDB). Ambos apareceram com 17% , na frente do senador Romeu Tuma (PTB), com 16% e logo depois da ex-prefeita Marta Suplicy (PT), primeira colocada com 38%.
Netinho ficou bem à frente de diversos outros candidatos: o vereador Gabriel Chalita (PSB), que ainda não assumiu oficialmente a candidatura, com 9% das intenções de voto, a ex-vereadora Soninha Francine (PPS), que aguarda uma consulta do PPS ao Tribunal Superior Eleitoral, com 8%, o ex-ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), com 6%, e o empresário Ricardo Young (PV), que foi citado por 1% dos eleitores.
Netinho diz que sente orgulho por estar na coligação da “turma que colocou o Brasil no eixo”. Estima que tem muito a aprender e também a contribuir. Numa recente entrevista para o site do PCdoB, o artista disse acreditar que é capaz de “aproximar Dilma de uma parcela da sociedade que não está a fim de discutir política, que não tem confiança nos políticos. Esse público da periferia que não entende o recado dos políticos, que só recebe da mídia os escândalos”.
Quando, durante a convenção na Uninove, os três candidatos – Netinho, Marta e Mercadante – apareceram no palco de mãos dadas e ergueram os braços, o público só gritou um nome: “Netinho! Netinho”. Durante os discursos, Nádia Campeão, presidente do PCdoB paulista, implorou silêncio, quase em vão. As fãs continuavam eufóricas: “Netinho!”… “Lindo!”
A cada grito, o candidato mostrava o largo sorriso. Um jeito dócil que contrasta com as histórias de violência que já vieram a público. Em fevereiro de 2005 Netinho foi acusado de agredir com socos a mulher, Sandra Mendes de Figueiredo, após uma briga conjugal. Na ocasião, ele foi impedido pela Justiça de retornar à casa do casal. No final do mesmo ano, o cantor foi novamente acusado de dar um soco na orelha do humorista Rodrigo Scarpa de Castro, do programa Pânico na TV, durante um evento.
Netinho é violento? “Como todo o mundo é com coisas que tiram a gente do sério”, responde o candidato. “Eu já tive, sim, atos violentos na minha vida. Mas a vantagem é que eu tive muito mais atos dóceis”.

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