• Quarta-feira, 25 Janeiro 2012 / 10:50

Dilma, esqueça Yoany Sánchez

       O ex-deputado Fernando Gabeira, um dos sequestradores do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, é proibido de entrar nos Estados Unidos.
Certa vez, a Câmara quis incluí-lo na delegação de parlamentares brasileiros que, anualmente, participam da Assembléia Geral da ONU.
Mas não obteve êxito.
Quando o filme “O que é isso, companheiro?”, baseado no livro de Gabeira, foi indicado para o Oscar, nova tentativa e nada feito.
Isso tudo ocorreu no governo Fernando Henrique Cardoso.
                                * * *
No segundo governo Lula, o ministro de Comunicação Social do Governo chamava-se Franklin Martins -  assim como Gabeira, participante ativo no sequestro do embaixador norte-americano.
Franklin, mesmo como ministro, nunca conseguiu acompanhar Lula nas viagens do Presidente aos EUA.
O Governo norte-americano negou, sistemáticamente, o visto diplomático à autoridade, mesmo estando ele em missão oficial.
                                * * *
Agora cobram uma posição de Dilma Rousseff em favor de Yoany Sanchez, “dissidente” cubana que quer vir ao Nordeste fazer propaganda anti-castrista.
Se nem FHC, nem Lula conseguiram êxito na defesa de seus nacionais, junto aos EUA, por que diabos Dilma deve defender a vinda de uma estrangeira ao Brasil?
A tentativa de emparedar Dilma não é apenas uma falta de respeito ou cobrança fútil da mídia brasileira com a Chefe do Governo, e mais do que isso: é uma tentativa de desmoralizá-la perante a opinião pública.
Dilma vai a Cuba tratar assuntos de Estado, e não se imiscuir em assuntos internos da Ilha.
Poderia até, em conversas informais, tratar da questão dos presos políticos, de uma maneira mais ampla - assim como já fizeram, com êxito, a Espanha e o Vaticano.
Mas não cuidar de um assunto isolado - de uma blogueira que reclama não poder sair do país, mas que já viveu anos na Europa, e hoje está em Cuba, a soldo sabe-se lá de quem, sem trabalhar, com liberdade suficiente para escrever o que bem entende, e com tradução em 18 idiomas.

  • Sexta-feira, 17 Setembro 2010 / 9:54

Erenice quis partir pra briga

     De Renata Lo Prete, no ‘Painel’ da ‘Folha’:
“As horas finais de Erenice Guerra na Casa Civil evidenciaram as resistências que a ministra, elevada ao cargo a pedido da antecessora, Dilma Rousseff, despertava em quadros do governo historicamente próximos ao presidente. Vários lulistas instalados no Planalto colecionaram atritos com Erenice. Agora, nos bastidores, sentem-se à vontade para relatá-los.
Ao longo da jornada eleitoral, a “turma” de Lula tem prevalecido sobre a de Dilma. Depois do afastamento de Fernando Pimentel, o comando da campanha ficou nas mãos de pessoas ligadas ao presidente, ainda que bem relacionadas com a candidata.
A breve Romero Jucá (PMDB-RR), derrubado da Previdência com 122 dias de cargo, foi o único a durar menos do que Erenice no ministério de Lula. Ela caiu após 170 dias na Casa Civil.
O chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, esteve com o ministro Franklin Martins na casa de Erenice pela manhã, na reunião “preparatória” do pedido de demissão levado mais tarde ao Planalto.
Quando os dois chegaram à residência oficial, ela estava com o filho Israel, protagonista das denúncias que a derrubaram, e com o marido, José Roberto Camargo Campos.
Além da sucessão de notícias negativas, a paciência de Lula com Erenice foi se esgotando porque ela, no dizer de um auxiliar do presidente, “queria ir pra briga”.
Gilberto Carvalho chegou a conversar com Miriam Belchior sobre a perspectiva de ela herdar a pasta. Foi a ele que a petista, ex-mulher de Celso Daniel, disse temer se tornar alvo.
                       * * *
José Dirceu, cuja loquacidade preocupa o comando da campanha de Dilma, tinha marcado entrevista coletiva ontem em Foz do Iguaçu (PR). Desmarcou”.
                       * * *
Aliás, Zé Dirceu não fez ontem nenhum comentário sobre o caso Erenice.
Quem sabe, ele fala hoje…

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:07

Franklin perde terreno no PT

De Renata Lo Prete, no Painel da ‘Folha’:
“Já foi melhor a situação de Franklin Martins na campanha de Dilma Rousseff. Vem de longe a má vontade da máquina do PT com o ministro da Comunicação Social. A novidade é que agora ele está em baixa também com os “pragmáticos” integrantes do núcleo decisório da candidatura. Alega-se que Franklin, com sua atitude permanentemente combativa em relação aos veículos da grande imprensa, não ajuda num momento em que é preciso “construir pontes” para Dilma, notadamente com a Rede Globo, emissora de maior audiência do país. O ex-ministro Antonio Palocci tem sido encarregado dessa tarefa. Antes de integrar o governo Lula, Franklin trabalhou na Globo, de onde saiu em circunstâncias pouco amistosas”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:52

Nas eleições, todos pagarão

Do colunista Merval Pereira:
“O deputado federal Ibsen Pinheiro tem dito muitas coisas absurdas nos últimos dias, e parece inebriado pela súbita popularidade de que desfruta desde que apresentou um projeto de lei alterando adistribuição dos royalties do petróleo, provocando com isso uma desagregação federativa que está difícil de resolver.
Como aquele juiz de futebol que adorava ser xingado pela multidão,Ibsen a cada dia consegue dizer mais barbaridades do que no dia anterior, e parece especialmente satisfeito em afrontar o Rio de Janeiro e seus cidadãos.
Deve ter razões especiais, ou, como disse o senador Francisco Dornelles, está perdendo a sanidade mental e precisa da compaixão dos fluminenses. Mas ele tem razão quando insinua que seu projeto não teria a aprovação esmagadora que obteve na Câmara se o governo não quisesse, ou se pelo menos tivesse interesse em não aprová-lo.
O presidente Lula se colocou como o garantidor de um acordo que mantinha a distribuição dos royalties do petróleo como estavam até o momento nas áreas já licitadas, inclusive em 30% do pré-sal.
Pelo acordo, feito no relatório do deputado Henrique Alves, os estados produtores ficariam com 25% das receitas obtidas com a cobrança de royalties do pré-sal, em vez dos 18% anteriormente propostos.
Os municípios produtores teriam direito a 6% dos royalties; os municípios afetados pelas operações de embarque e desembarque de petróleo ficariam com 3%, e todos os demais estados e municípios da federação passariam a receber 44% dos royalties.
Em contrapartida, os royalties da União seriam reduzidos de 30% para 22%.
A emenda de Ibsen Pinheiro colocou abaixo o acordo com a oposição e abriu o apetite dos estados e municípios contra os estados produtores.
Esse acordo original foi alcançado graças ao trabalho conjunto dos três governadores de estados produtores, Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, Paulo Hartung, do Espírito Santo, e José Serra, de São Paulo, e saiu de uma reunião no Palácio da Alvorada, onde os ministros das Minas e Energia, Edison Lobão, e a chefe do Gabinete Civil, Dilma Rousseff, defenderam propostas semelhantes à do deputado Ibsen Pinheiro sobre a distribuição dos royalties do pré-sal.
Foi o governador José Serra quem sugeriu, obtendo o apoio dos governadores e do próprio presidente Lula, que não se mexesse na distribuição dos royalties num ano eleitoral.
O presidente Lula, aliás, disse em entrevista na sua viagem ao Oriente Médio que já antevia que em ano eleitoral muita gente ia querer fazer gracinha com o assunto.
O ministro Nelson Jobim, da Defesa, que também participou da reunião, redigiu pessoalmente uma mudança no projeto do governo, que garantia que nada seria alterado.
Mas sabia-se naquela reunião que o Congresso poderia fazer alterações. E mais que isso, que setores fortes do governo tinham entendimento distinto sobre a distribuição dos royalties.
O ministro Edison Lobão, por exemplo, chegou a ter uma discussão ríspida com o governador Sérgio Cabral, já relatada aqui na coluna, em que garantiu que havia conversado com ele sobre as alterações.
Não é verdade, reagiu Cabral, garantindo que já avisara ao ministro que não aceitava a mudança da repartição dos royalties dos estados produtores.
Os três governadores tinham como objetivo central naquela noite garantir que a divisão dos royalties se mantivesse inalterada, o que conseguiram, até que a emenda Ibsen Pinheiro alterasse o acordo.
O governador Sérgio Cabral agiu emocionalmente o tempo todo, inclusive naquela reunião do Alvorada,quando teve que ser acalmado várias vezes por Lula e teve discussão também com o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, que defendia a mudança para o sistema de partilha, dando como exemplo de sucesso a Líbia de Kadafi, arrancando uma risada de Cabral.
Depois, quando foi apresentado o projeto, o governador do Rio chegou a dizer que um grupo de parlamentares de vários partidos está com uma postura de como quem quer defender seu estado e quer roubar o Rio de Janeiro. Isso é um absurdo.
Quando, ao final de muitas idas e vindas, o projeto do deputado Ibsen Pinheiro foi aprovado, Cabral chegou a chorar em público, e convocou uma passeata de protesto.
Sua decidida defesa dos interesses do estado pode lhe trazer reconhecimento do eleitorado, mas a confiança que depositou no presidente Lula, sem ser correspondido, pode prejudicar sua imagem.
Até o momento, não tem demonstrado capacidade de negociação dentro do Congresso, se fiando muito no apoio do governo federal.
O governador paulista, José Serra, que se envolveu no primeiro momento da discussão, saiu de cena no decorrer do debate, dando a parecer que a definição da questão não interessava muito a seu estado.
A articulação paulista na Câmara foi pior que a do Rio, e muitos deputados, inclusive do PSDB, votaram a favor da emenda Ibsen.
Serra teve uma primeira reação inteiramente equivocada ao dizer que não sabia detalhes da questão dos royalties, pois só lera pelos jornais, e teve que tentar recuperar a posição no dia seguinte, quando deu uma declaração firme contra a alteração da distribuição, se reincorporando à luta ao lado do Rio e do Espírito Santo.
Já a ministra Dilma Rousseff não ficou em cima do muro, mesmo correndo o risco de ir contra a maioria dos estados.
Diferentemente do presidente Lula, ela antecipou sua posição a favor da manutenção do sistema atual de divisão dos royalties.
Quando o presidente Lula lavou as mãos e disse que cabia ao Congresso resolver a pendenga, ele já sabia que não tem muito a fazer.
Ou, como insinua o deputado Ibsen Pinheiro, não quer ter muito a fazer.
Todos os personagens dessa quase Secessão tupiniquim pagarão um preço político nas próximas eleições”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:46

Lula quer diálogo com a mídia

   Do jornalista Valdo Cruz, da ‘Folha’:
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca um nome para ocupar o Ministério das Comunicações que possa estabelecer um “canal de diálogo” com os donos e diretores de empresas de comunicação.
O ministério ficará vago em abril com a saída do cargo de Hélio Costa (PMDB-MG) para disputar o governo mineiro.
Segundo um auxiliar de Lula, ele tem se queixado do que classifica de “atitude agressiva” de alguns setores da mídia e avalia nomear um ministro das Comunicações com “capacidade de interlocução” com a mídia.
A relação de Lula com a imprensa desde que chegou ao poder nunca foi amistosa. Ele costuma dizer que não lê jornais e chegou a afirmar que o “papel da imprensa não é o de fiscalizar, e sim de informar”.
Na semana passada, disse que, “neste país, eles [empresários da mídia] não estavam acostumados a ter um presidente da República que não precisa almoçar com eles, jantar com eles e tomar café com eles para governar este país.”
A ideia, segundo assessores de Lula, é que o sucessor de Hélio Costa seja alguém que faça uma “conexão com as TVs e jornais impressos” na busca não só de dialogar com os empresários mas também transmitir o pensamento do presidente acerca de críticas feitas pela mídia contra seu governo.
Lula está preocupado principalmente em defender sua candidata, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Sua equipe tem debatido estratégias para tentar melhorar a relação de Dilma com a imprensa.
Até agora, Lula ainda não citou nomes que poderiam se encaixar nesse perfil, mas já avisou a cúpula do PMDB, responsável pela indicação política para o Ministério das Comunicações, de sua intenção.
Segundo a Folha apurou, os peemedebistas vão tentar buscar um nome que agrade o presidente e possa exercer a função pretendida por Lula.
O presidente avalia que esse novo ministro poderia dividir com Franklin Martins (Comunicação Social) o trabalho de diálogo com a imprensa.
Deslocar Martins para o ministério de Hélio Costa está fora de cogitação, por ele hoje desempenhar também um papel de conselheiro político do presidente no Palácio do Planalto.
A intenção inicial do PMDB era apoiar a indicação do nome preferido do ministro Hélio Costa, que gostaria de fazer seu atual chefe de gabinete, José Artur Filardi, seu substituto à frente do ministério.
No discurso da semana passada, Lula também criticou os editoriais dos jornais. “De vez em quando é bom ler [editoriais de jornais] para a gente ver o comportamento de alguns falsos democratas, que dizem que são democratas, mas que agem querendo que o editorial deles seja a única voz pensante no mundo”, disse”.

          * * *
Já ?O Globo? informa que ?a substituição dos ministros candidatos, que terão de se desincompatibilizar do cargo até o dia 2 promete ser uma fonte de problemas, se depender de setores do PMDB. Embora o presidente Lula tenha dito que não pretende nomear ministros políticos para os últimos nove meses do mandato, o PMDB não parece disposto a se enquadrar. A bancada do PMDB no Senado detectou um movimento da turma da Câmara, ligada ao presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), para tentar emplacar o ex-deputado Moreira Franco (PMDB-RJ) no lugar do senador Hélio Costa (PMDB-RJ) no Ministério das Comunicações.
Os senadores do PMDB, por outro lado, já deram duas opções ao presidente Lula para a substituição de Hélio Costa: o chefe de gabinete do ministro, José Artur Filardi Leite; e Antonio Domingos Teixeira Bedran, conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:14

DF: intervenção inevitável

Do repórter Daniel Pereira, do ‘Correio Braziliense’:
   “Momentos antes de receber o governador em exercício Paulo Octávio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu, na última quinta-feira, com cinco ministros e um conselheiro para discutir a crise no Distrito Federal. Estavam à mesa Nelson Jobim (Defesa), Franklin Martins (Comunicação Social), Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Luiz Paulo Barreto (Justiça) e Luís Adams (AGU), além de Sepúlveda Pertence, comandante da Comissão de Ética Pública e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma hora de conversa, o grupo chegou à conclusão de que Octávio avisaria Lula da renúncia ao cargo, o que não ocorreu. Ainda.
Além disso, concluiu que a saída para a crise no DF é a intervenção federal. No encontro, nem Lula nem os ministros se disseram a favor da medida. Pelo contrário, comentaram como a intervenção seria traumática para Brasília e desgastante políticamente para o Palácio do Planalto. Feita a ressalva, concordaram que não há alternativa viável na praça. Para o presidente e os ministros, Brasília foi tomada por ?um esquema pesado de corrupção? e tem ?uma linha sucessória contaminada política e administrativamente?, segundo o relato de um dos participantes da reunião. Por isso, só restaria ao STF acatar o pedido de intervenção apresentado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Antes de desenhar um cenário de falência do Executivo e do Legislativo locais, Lula e auxiliares se debruçaram sobre dados do GDF. Um dos presentes afirmou que o governo do Distrito Federal emprega 3 mil comissionados que não prestaram concurso público. Proporcionalmente, seria como se a União pagasse salários a quase 200 mil comissionados, em vez dos cerca de 20 mil atuais. Repetindo: 20 mil atuais ? ou 10 vezes menos.
?Havia um grande escoadouro de recursos públicos?, disse, assombrado, um ministro ao Correio. O espanto poderia ser maior, já que, na verdade, são 7,8 mil os comissionados pendurados no GDF que não prestaram concurso público. ?A gente ouvia falar da existência de um grande esquema, mas não tinha a dimensão do tamanho dele?, acrescentou o ministro.
Políticos e empresários de Brasília são contrários à intervenção federal. Como o presidente da República, alegam que a suspensão da autonomia do DF representaria um retrocesso. O problema é que não agem a fim de desmontar o quadro de falência institucional desenhado por Lula e por Roberto Gurgel. Pegue-se a bancada de senadores do Distrito Federal. Cristovam Buarque (PDT), que é ex-governador, não abre mão da candidatura à reeleição, um caminho mais fácil e cômodo. Não quer saber de bola dividida. Sempre presente nas discussões de escândalos nacionais, submergiu justamente quando o debate interessa ao eleitorado que lhe garantiu o direito de exercer mandatos.
Já Gim Argello (PTB) trabalha em silêncio. Ou parado. Sumiu do mapa. Finge de morto na esperança de que esqueçam seu passado, e os serviços prestados a Joaquim Roriz (PSC), dando-lhe a oportunidade de, em outubro, vender-se como a solução para o governo. De Adelmir Santana (DEM) não se ouve uma palavra. O escândalo do panetone, ao que parece, assola Roraima. Ou Rondônia. Entre os deputados federais, a situação é a mesma. Prevalecem projetos pessoais. Não há tentativa de construção de uma solução institucional que salve Brasília. É a boa e velha lei de Murici: no aperto, cada um cuida de si.
Mantida a toada, só dois ?agentes? têm condições, em teoria, de convencer o Supremo a rechaçar a intervenção. Um deles é o presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, Nívio Geraldo Gonçalves. Ele, no entanto, já disse que não assumirá o comando do Executivo se o governador, o vice e o presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima, forem rifados do posto. Com José Roberto Arruda preso, Paulo Octávio à beira da renúncia e a omissão de senadores e deputados federais, o destino político da capital está hoje nas mãos dos distritais. Cabe à turma dos maços de dinheiro em meias, bolsas e paletós guiar os brasilienses rumo à redenção.
É por essas e outras que não será surpresa se ? num futuro próximo ? as vozes contrárias à intervenção façam romaria em defesa da medida. E com ?o prefeito de joelhos, o bispo de olhos vermelhos e o banqueiro com um milhão?, como na clássica saga da Geni de Chico Buarque”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:34

O irmão do Franklin

 Publicado hoje no site do ex-ministro José Dirceu:
“Uma infâmia – não tenho outro qualificativo – o que a imprensa,  jornalões e demais veículos da grande mídia fizeram nos últimos tempos contra o administrador de empresas Victor de Souza Martins, diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP)  e irmão do ministro da Comunicação Social, Franklin Martins.
Vitor foi acusado de usar seu cargo na ANP para aumentar a parcela de royalties paga a prefeituras que contratavam a  Análise Consultoria, empresa dele e de sua mulher. Na agência, Vitor e outros dois diretores são responsáveis por definir se um município deve ou não receber royalties do petróleo (compensação que as empresas produtoras pagam à União, aos Estados e municípios).
Vitor negou a acusação e afirmou que a Análise não assinou contrato com nenhuma prefeitura ou empresa desde que ele tomou posse na ANP, em 20 de maio de 2005. Mas tudo foi denunciado num clima de escândalo, com o fato aparecendo superdimensionado na grande imprensa.
A campanha foi ldierada pelos principais telejornais da Rede Globo e pelo jornal dos Marinhos, O Globo. Agora descobre-se que foi tudo forjado e o agente aposentado da Polícia Federal  (PF), Wilson Ferreira Pinna, lotado na ANP e apontado como autor do dossiê contra Vítor, exonerado.
A mídia, entretanto, a começar pelos veículos das Organizações Globo, ignorou solenemente  o fato. O Estadão deu uma pequena nota, a Folha de S.Paulo uma maior, mas recheada de incorreções que um dos diretores da ANP, Haroldo Lima, corrige hoje em carta ao jornal e a Rede Globo, o jornalão da família, inclusive, nenhuma linha.
É o caso de se perguntar: como fica o ultraje a Vítor de Souza Martins? Quem responde pela honra e imagem dele, arranhadas? Quem esta por detrás dessa trama? A oposição, que tanta corda deu à denúncia – só a esta, nada ao esclarecimento – sabia que era uma montagem? E as Organizações Globo, que estimularam, como ficam?
Será que temos uma central de dossiês falsos e de denúncias, articulada entre a imprensa, delegados, promotores e juízes ? Para  onde caminha o pais com tanto denuncismo e a perseguição sem limites que a imprensa conservadora move e que cresce a cada dia, na medida em que fica impune?”

                                                                               * * *
‘O Globo’ publicou dias seguidos, inclusive na manchete do jornal, uma suposta irregularidade.
Esse blog, repetidas vezes, também, rebateu todas as matérias do ‘Globo’, baseando-se em um único fato: todas elas apresentavam o diretor da ANP, como sendo o irmão do ministro da Comunicação Social da Presidência, Franklin Martins, embora ele tenha quase uma dezena de irmãos, e tenha sido nomeado para o cargo antes de Franklin virar ministro.
A campanha era tão primária, tão mal feita, tão irresponsável, que não foi difícil defender Victor Martins no escuro. Mesmo sem conhecê-lo.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 19:57

A popularidade do Presidente

Para os que acusam Lula de ter comprado a mídia do interior do país, conquistando assim 81,5% de popularidade, o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, tem como contestar:
- Basta recorrer ao último Datafolha, que atribui 67% de ótimo e bom para o governo federal nas regiões metropolitanas e 71% no interior. A diferença está situada dentro da margem de erro da pesquisa. Os números são praticamente os mesmos. O resto é preconceito.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 19:56

Regionalização é de Dulci

Justiça seja feita.
A regionalização da publicidade para a mídia, empreendida pelo Governo Federal, não começou na gestão do ministro Franklin Martins.
Quem deu o ponta pé inicial, e implantou grande parte do que é feito hoje, foi o ministro Luiz Dulci, da secretaria-geral, quando acumulou a Secom depois da saída do ex-ministro Luiz Gushiken – que Deus o guarde.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 19:28

Guta por Maria Augusta VII

E você então parte para o exílio?
Sim. Tem um lance, aí. Quando os meninos descobriram que eu não sabia nada, foi quando a gente foi levado para uma sala que já era para entrar no ônibus. E aí eu disse assim: ?Para onde a gente está indo?? Dirceu olhou para minha cara e disse: ?Acho que para o Rio, né? Do Rio, a gente sai.? Eu disse: ?Sai para onde?? E Vladimir diz assim: ?Péra aí, você não sabe o que está acontecendo?? Eu disse: ?Não. A gente não vai morrer?? Foi aquela gargalhada geral. Paguei o maior mico! Contaram-me que tinha havido o seqüestro. E eu: ?Não acredito! Eu estava me preparando para morrer!? Mas, aí, veio aquela angústia porque a gente não sabia muito o que ia acontecer. A partir daí, fomos num avião da Aeronáutica de São Paulo para o Rio. E no Rio… não sei se vocês sabem a história… foi uma baixaria! Os caras nos deram porrada. Que raiva dos militares, pelo fato do nosso pessoal estar com o americano. Já tinham detectado a casa, já tinham fotografado o Franklin Martins ? grandão daquele jeito!. E não podiam fazer nada porque tinham recebido ordem de não invadir a casa. Mostravam as fotos para a gente. Diziam: ?Aqui, o Franklin, está lá.? Apavorante. Agora a gente morre mesmo! Mas terminou que… depois foi revelado o negócio: era o ministro das Relações Exteriores, o Magalhães Pinto, que interveio no sentido de proteger a vida do embaixador americano. E depois a gente veio a saber que havia um comando suicida da Aeronáutica. Foi um problema de trânsito que impediu que eles chegassem a tempo… estavam com tanto ódio que iam explodir junto com
a gente, mas não iam deixar a gente embarcar no avião de jeito nenhum. Ainda bem que eles não
chegaram. A gente embarcou e foi para o México. E fomos liberados no México. Aí termina esse capítulo. Você passou por vários países? Qual a grande marca do exílio para você? Aprendi muito lá fora, muito. Primeiro, a gente passou dois anos em Cuba. Fizemos um treinamento militar intenso. Foi muito bom. Eu que gosto, então, foi ótimo! Especializei-me em arma longa, que adoro. Não tem mais utilidade nenhuma, mas é bom para ficar na formação da gente. Fica no meu currículo. Cuba foi uma experiência muito interessante. Embora a gente estivesse vivendo uma situação um pouco à parte, meio privilegiada, fazíamos treinamento mesmo, militar, para voltar para luta armada. E participamos do corte de cana, da campanha dos 10 milhões, em 1971. E conheci um pouco de Cuba, aquela forma de organizar a sociedade que eles inventaram. Depois, saímos. Meu propósito era voltar até o Chile. [...] Cheguei no Chile, a organização já estava se esfacelando, já era chamada de MR-8. E Isso impediu a volta, o que foi uma frustração enorme para mim. Sempre achei que eu tinha sido tirada para alguma coisa, não para simplesmente sobreviver ?eu tinha que dar minha contribuição, minha parte. Não voltar foi uma frustração muito grande. E aí houve também um amadurecimento… porque foi uma frustração e, ao mesmo tempo,uma decisão consciente. A gente sabia que voltar em 73 era suicídio. Então, deu uma boa amadurecida na gente! Você ter que abrir mão de sonho que construiu e pelo qual sofreu tanto, é muito difícil. Aí foi quando fui para Suécia. Ainda fiz uma última tentativazinha porque, na época, eu estava com um companheiro que era argentino e comandante do Erpia argentino, então, o comando estava liberado. A gente tentou entrar no comando para participar da luta na Argentina. Mas quando chegamos ao Peru, a Isabelita caiu. Mais uma vez, me salvei por essas coincidências da vida. Acho que tenho uma sorte muito grande. Mas voltamos para
a Suécia… foi quando tive meu primeiro filho. Acho que essa vida me ajudou muito a segurar a barra. Meu filho nasceu com uma lesão cerebral muito grave e, aí eu digo que são os privilégios da vida que também é uma outra experiência, te ensina também a ver a vida de outra forma. Fiquei os últimos anos na Suécia, resolvi voltar a estudar… sempre gostei de estudar. Formei-me lá. Carlinhos voltou comigo já com dois anos e meio. Quinta-feira, ele faz 28. Obviamente, ele rompeu todos os prognósticos… de que não iria passar da primeira infância… depois, de que não ia passar da adolescência… passou tudo. É um cara super saudável… deficiente, tem as dificuldades dele, mas é um ser humano muito legal também. Tive mais dois aqui.Todos de pais diferentes, é óbvio! E continuo namoradeira. Acho que é uma vida muito legal, gosto muito.Tenho muito orgulho dela. Quero manter uma coerência. A minha preocupação, digamos, é não abrir mão desse sonho. A gente não tem nada que valha a pena, não tem nada material que você possa dizer assim…não tem. Nada pelo que valha a pena trocar esse sonho. E acho que dá para ser feliz, apesar das frustrações. Cada vez que acontece um revés eu sempre penso que a gente já viveu momentos piores e que nada é linear na vida da gente. Há os atalhos que você pega. Mas acho que é para voltar mais forte. Vejo assim. Quero continuar assim.
Você, que deu total apoio à criação deste projeto, como vê essa proposta de recuperar a memória do movimento estudantil no Brasil?
Acho que é fundamental. É uma parte da história que ficou pra trás. Tenho muita pena de não termos tido recursos para ter feito antes. Não é para você supervalorizar o momento ? todos os momentos da história deviam ter esses registros. A gente não teve, por que não fazer daqui para a frente? Acho que a gente deve fazer o mesmo com os caras-pintadas, por exemplo. [...] Olha só onde está o Lindberg Faria hoje! São pessoas que vão construindo suas histórias com essas experiências. Então, defendo com unhas e dentes. Temos de fazer esses registros. Particularmente, fiz isso nas escolas de meus filhos ? quando me convidavam para falar sobre essa época, quando ainda era moda falar de 1968, ia depor numa boa. Acho que é importante a gente contar a história, sempre.

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