• Segunda-feira, 07 Fevereiro 2011 / 8:26

Paulo Melo, o ex-morador de rua

      Deu na ‘Folha’:
“Problemas na Justiça não foram empecilho para que pelo menos cinco presidentes de Assembleias Legislativas pelo país fossem escolhidos por seus pares para comandar as Casas.
Os novos presidentes respondem a processos por compra de votos e improbidade administrativa.
Um deles é o deputado estadual Paulo Melo (PMDB), eleito presidente da Assembleia do Rio de Janeiro na quarta-feira passada.
Em seu sexto mandato, ele vai comandar pela primeira vez a Assembleia, agora apoiado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB).
O Ministério Público Eleitoral o acusou de usar o cadastro de contribuintes da Prefeitura de Saquarema (100 km da capital), da qual sua mulher é prefeita, para fazer campanha. A ação ainda está em tramitação.
A assessoria do deputado Paulo Melo negou as acusações e afirmou que o deputado utiliza o procedimento de mala direta para se comunicar com os eleitores há 11 anos, antes da sua mulher entrar na política”.
                 * * *
Se fosse só isso, será uma maravilha.
                 * * *
Outra reportagem, assinada por Italo Nogueira, tem o seguinte título: ‘Agora milionário, ex-morador de rua comanda Legislativo’.
Eis o seu texto:
“Ex-morador de rua, o deputado estadual Paulo Melo (PMDB) vai comandar pela primeira vez a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), com o apoio do governador Sérgio Cabral (PMDB). Melo foi eleito com 121 mil votos, para seu sexto mandato.
A ascensão do deputado chamou a atenção do Ministério Público. Promotores investigaram por três anos o crescimento de seu patrimônio. Atualmente seus bens somam R$ 3,4 milhões, incluindo 12 terrenos, dois prédios comerciais e apartamentos em Saquarema, na região dos Lagos, sua cidade natal.
O inquérito foi arquivado por falta de provas. Segundo ele, sua fortuna foi construída com um escritório de despachantes do Detran -”Cheguei a ter mais de 50 funcionários”- e empreendimentos imobiliários.
Filho de um pedreiro e uma parteira, Melo vendia cocada feita pela mãe e pedia esmolas a turistas para ajudar a família, na infância.
Aos 11, fugiu para a capital, dormiu na rua e fez bicos. Ele diz ter pernoitado na escadaria do Palácio Tiradentes, sede da Assembleia. Acabou recolhido a um abrigo.
Melo se estabeleceu ao trabalhar numa concessionária de carros. Depois, passou a despachante do Detran.
Os contatos empresariais e o trabalho social que iniciava com crianças de rua o levaram à política. Em 1988, foi eleito vereador de Saquarema. Em 1990, deputado estadual pela primeira vez.
Em Saquarema, manteve por anos um centro social, que foi alvo da procuradoria.
O deputado foi acusado de improbidade administrativa por manter convênio de R$ 400 mil com a prefeitura quando a mulher dele, Franciane, era a vice-prefeita. O processo foi suspenso pelo Superior Tribunal de Justiça.
Ao presidir a CPI do Propinoduto, na qual indiciou cinco fiscais de renda do Estado, foi acusado de poupar Anthony Garotinho.
“Conduzi no processo jurídico. Não perdoei ninguém. Seria teatro chamá-lo”, diz”.

  • Quarta-feira, 25 Agosto 2010 / 9:19

O exemplo argentino

    Em matéria de política, há quem quem diga que a Argentina está sempre um passo à frente do Brasil.
Muitos se utilizam até do slogan de uma marca de vodka para brincar com o fenômeno: “Eu sou você amanhã…”
O que a presidenta da Argentina anunciou ontem, é de deixar os barões da imprensa brasileira com os cabelos em pé.
Vejam a reportagem de Gustavo Hennemann para a ‘Folha’:
“Em guerra com a imprensa de seu país, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou ontem que apresentará um projeto de lei para transformar a produção e a comercialização de papel-jornal em setor “de interesse nacional”.
A intenção do governo é criar um marco regulatório específico, que estabeleceria uma comissão parlamentar para fiscalizar as operações da empresa Papel Prensa, única produtora nacional de papel-jornal.
Conforme as normas sugeridas por Cristina, a fábrica seria obrigada a oferecer as mesmas quantidades e preços a todos os jornais do país.
A Papel Prensa produz três quartos do papel-jornal consumido no país e é parcialmente controlada pelos jornais “Clarín” (com 49% das ações) e “La Nación” (22,49%), críticos do governo. Outros 27,46% são do Estado argentino.
O governo acusa os dois jornais de exercerem hegemonia no mercado por terem vantagens competitivas, como preço e disponibilidade, sobre os demais veículos.
O projeto de lei também quer estimular o aumento da produção nacional para que a Argentina não precise mais importar papel-jornal.
Segundo Cristina, o Estado, como sócio minoritário, está disposto a investir na Papel Prensa para aumentar sua capacidade, mas sem aumentar sua fatia do capital.
No mesmo evento, Cristina afirmou que processará os dois jornais por crimes contra a humanidade supostamente vinculados à negociação da participação na Papel Prensa, nos anos 70.
A presidente apresentou ontem um relatório que acusa os dois veículos de terem comprado sua parte, em 1976, com ajuda do regime militar.
Conforme o governo, os membros da família Graiver -antigos sócios majoritários da Papel Prensa- eram perseguidos e sofriam pressões dos militares na época em que transferiram suas ações.
Segundo Cristina, o consórcio formado por “Clarín”, “La Nación” e “La Razón” (este último extinto) se aproveitou da fragilidade da família para comprar as ações e pagou um valor quatro vezes menor à cotação de mercado.
Apenas cinco dias depois de assinar o último contrato de venda, a matriarca da família Graiver, Lidia Papaleo, foi presa e acusada de subversão.
Hoje, Papaleo afirma que foi pressionada por executivos dos jornais e por militares para que vendesse as suas ações.
O documento lido ontem pela presidente será apresentado à Justiça junto com a denúncia de crimes contra a humanidade para tentar anular a negociação.
Em editoriais ontem, os jornais afirmaram que o governo está “inventando uma história” para se apropriar da Papel Prensa e, assim, aumentar seu controle sobre os meios de comunicação. Hoje, 170 jornais do país compram o papel da empresa.
Os dois veículos dizem que os membros da família Graiver só começaram a ser perseguidos seis meses após a transação.
O regime os prendeu e torturou depois de descobrir que eles administravam o dinheiro da guerrilha argentina Montoneros.
Segundo os dois jornais, Papaleo foi cooptada pelo atual governo e alterou sua versão anterior dos fatos, que nunca havia vinculado a venda da empresa à repressão militar.
Há mais de um ano, o “Clarín” e o “La Nación” afirmam que Cristina quer se apropriar da fábrica de papel-jornal e que seus funcionários cometem abusos em reuniões da direção da empresa”.

  • Quarta-feira, 25 Agosto 2010 / 9:09

Tiririca piora o que já é ruim

    O repórter Fernando Gallo, da ‘Folha’, entrevistou Francisco Everaldo Oliveira Silva, o palhaço Tiririca, candidato à Câmara dos Deputados pelo PR de São Paulo.
A propaganda de Tiririca é um afronta a consciência democrática dos cidadãos, já que ele confessa, abertamente, que quer ser deputado para defender os desfavorecidos, a começar pelos da sua família.
Seu slogan é “Vote em Tiririca, pois pior que está não fica”.
Puro engano. Vai piorar. E muito.
Eis a entrevista:

- Quais são as suas propostas de campanha?
- Tô trabalhando pelos nordestinos, pelas crianças e desfavorecidos.
- Mas tem algum projeto concreto que você queira levar para a Câmara?
- De cabeça, assim, não dá pra falar. Mas tem uma equipe trabalhando por trás. A gente tem os projetos que tão elaborados, tá tudo beleza.
- Sabe o que o PR propõe, como se situa na política?
- Cara, com sinceridade, ainda não me liguei nisso aí. O meu foco é nessa coisa da candidatura, e de correr atrás. Caso seja eleito, aí a gente vai ver.
-  Na propaganda eleitoral você diz que não sabe o que faz um deputado. É piada?
- Eu fiz mais na piada. Porque é esse lance mesmo do Tiririca.
- Mas o Francisco sabe o que faz um deputado?
- Com certeza. Estudei para esse lance, conversei muito com a minha mãe. Eu sei que elabora as leis e faz vários projetos acontecerem, né?
- O que você conhece sobre a atividade de deputado?
- Pra te falar a verdade, não conheço nada. Mas tando lá vou passar a conhecer.
- Até agora você não conhece nada sobre a Câmara?
- Não, nada.
- O slogan “pior do que tá não fica” é um deboche?
- Não. É a realidade. Pior do que tá não fica.
- Você pretende se vestir de Tiririca na Câmara?
- Não, de maneira alguma.
- Teme ser tratado com deboche?
- Não, cara. Tô entrando de cabeça, de coração. Tô querendo fazer alguma coisa. Mesmo porque eu sou bem resolvido na minha profissão. Tenho minha vida feita.
- Em quem votou para deputado na última eleição?
- Nunca votei. Sempre justifiquei meu voto.

  • Quarta-feira, 25 Agosto 2010 / 8:58

Serra contraria tucanos de todo o país

     Dos repórteres Silvio Navarro e Catia Seabra, da Folha’:
“A decisão da oposição de priorizar a disputa em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Paraná, na esteira da queda de José Serra (PSDB) nas pesquisas, gerou uma profusão de críticas de aliados que enfrentam eleições duras ou que embarcaram nelas para dar palanque ao tucano.
A principal queixa é pela falta de recursos. A primeira remessa de material só chegou ao Norte e ao Nordeste no final de semana.
A campanha tem um problema para administrar em Pernambuco, onde o PSDB abandonou Jarbas Vasconcelos (PMDB). Ele entrou na disputa para ajudar Serra no Estado natal de Lula.
“Tive problemas com o PSDB. De 17 prefeitos, 14 apoiam o governador”, disse Jarbas. “Aqui eles [tucanos] só têm criado dificuldade.”
Vice de Raimundo Colombo (DEM) na chapa ao governo de SC, Eduardo Moreira Pinho (PMDB) protestou no Twitter. “Estão provocando demais nossa paciência. Se Serra despencar também em Santa Catarina, será tarde.”
A estratégia contraria até o vice de Serra. Indio da Costa (DEM) está entre os que mais reivindicam verbas para o RJ.
Candidato a senador, Antero Paes de Barros (MT) afirma que é preciso ampliar o alvo, incluindo Rio e Bahia.
“Para mim, a prioridade é o Espírito Santo”, limitou-se a dizer Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), que concorre ao governo capixaba.
“O Pará é muito grande. Estamos levando o nome de Serra às cidades. Mas não podemos deixar material lá. Temos que levar material e trazer de volta”, disse Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que tenta a reeleição ao Senado.
Líder na corrida pela reeleição em Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB) aproveitou a agenda de Dilma ontem no Estado para enviar um emissário oferecendo apoio -ele estava com Serra.
Houve reclamação também no Tocantins, onde Siqueira Campos (PSDB) está em empate técnico com Carlos Gaguim (PMDB).
Segundo tucanos, os protestos incomodam Serra, também contrariado ao saber de reunião hoje entre Sérgio Guerra, Aécio Neves (MG) e o ex-presidente FHC”.

  • Terça-feira, 24 Agosto 2010 / 7:05

Herchcovitch vai vestir Dilma

     Da repórter Ana Flor, da ‘Folha’:
“Criticada até poucos meses atrás pelo excesso de babados, cores fortes e tecidos sintéticos, a candidata ao Planalto Dilma Rousseff (PT) passou a ter a consultoria de um dos maiores nomes da moda no Brasil para remodelar seu guarda-roupas.
Alexandre Herchcovitch, estilista que desfila coleções no Brasil e no exterior (e criador de casaco polêmico usado por Dunga na Copa), assinou contrato com a campanha na última sexta-feira para ser o “personal stylist” de Dilma. Sua missão será burilar o guarda-roupas da candidata com peças suas inéditas e de outro estilistas.
As roupas de Dilma começaram a mudar na pré-campanha, em abril, quando blusas de mangas muito curtas e babados passaram a ser alvo de críticas até da campanha.
Nas últimas semanas, entretanto, a mudança se acentuou: com as gravações de TV, a candidata passou a usar cores neutras e terninhos, mantendo um estilo mais clássico.
Transformações já haviam sido feitas no penteado e na maquiagem, realizadas pelo cabeleireiro Celso Kamura, amigo de Herchcovitch.
O estilista, que teve o primeiro contato com a candidata na sexta-feira, terá as tarefas de identificar no guarda-roupas de Dilma o que deve ficar, encontrar modelos de outros estilistas e criar peças exclusivas.
“É um trabalho parte de consultor e parte de estilista”, diz. Segundo ele, a preferência, a pedido de Dilma, será por marcas brasileiras.
Ele fez um estudo da imagem de Dilma para identificar as cores que a privilegiam. Concluiu que o melhor são cores claras e tons naturais. Uma das primeiras instruções que ele deu a sua equipe foi a de encontrar tecidos naturais em tom vermelho, que a petista precisa ter no armário.
“Meu trabalho é fazer com que a roupa seja um coadjuvante à altura”, diz ele.
Hoje, o estilista irá a Brasília para fazer uma primeira seleção no armário de Dilma, que, a partir do fim da semana, começará a receber novas peças -ele também selecionará sapatos e acessórios.
É a primeira vez que Herchcovitch faz uma consultoria particular. Nem ele nem a campanha quiseram informar o valor cobrado pelo trabalho”.
                   * * *
Segundo Sonia Racy informa no ‘Estadão’, o estilista foi quem “se ofereceu para vesti-la. A candidata (Dilma) adorou”.

  • Sábado, 21 Agosto 2010 / 7:53

Dilma vence Serra no 1º turno

      De Fernando Rodrigues, da ‘Folha’:
“Na primeira pesquisa Datafolha depois do início da propaganda eleitoral no rádio e na TV, a candidata a presidente Dilma Rousseff (PT) dobrou sua vantagem sobre seu principal adversário, José Serra (PSDB), e seria eleita no primeiro turno se a eleição fosse hoje.
Segundo pesquisa Datafolha realizada ontem em todo o país, com 2.727 entrevistas, Dilma tem 47%, contra 30% de Serra. No levantamento anterior, feito entre os dias 9 e 12, a petista estava com 41% contra 33% do tucano.
A diferença de 8 pontos subiu para 17 pontos. Marina Silva (PV) oscilou negativamente um ponto e está com 9%. A margem de erro máxima do levantamento é de dois pontos percentuais.
Os outros candidatos não pontuaram. Os que votam em branco, nulo ou nenhum são 4% e os indecisos, 8%.
Nos votos válidos (em que são distribuídos proporcionalmente os dos indecisos entre os candidatos e desconsiderados brancos e nulos), Dilma vai a 54%. Ou seja, teria acima de 50% e ganharia a disputa em 3 de outubro.
Os que viram o horário eleitoral alguma vez desde que começou, na terça-feira, são 34%. Entre os que assistiram a propaganda, Dilma tem 53% e Serra, 29%.
Nos primeiros programas, Dilma apostou na associação com Lula, que tem 77% de aprovação, segundo o último Datafolha (leia texto sobre propaganda na pág. A6).
A petista cresceu ou oscilou positivamente em todos os segmentos, exceto entre os de maior renda (acima de dez salários mínimos).
Dilma tinha 28% de intenção de voto entre os mais ricos e manteve esse percentual. Mas sua distância para Serra caiu porque o tucano recuou de 44% para 41% nesse grupo, que representa apenas 5% do eleitorado.
Já entre as mulheres, Dilma lidera pela primeira vez. Na semana anterior, havia empate entre ela e Serra, em 35%. Agora, a petista abriu 12 pontos de frente nesse grupo: 43% contra 31% de Serra.
Marina tinha 11% e está com 10% entre as mulheres. A verde continua estável desde março no Datafolha. Tem mostrado alguma reação só entre os mais ricos, faixa em que tinha 14% há um mês, foi a 17% e agora atingiu 20%.
A liderança de Dilma no eleitorado masculino é maior do que entre o feminino: tem 52% contra 30% de Serra. A candidata do PV tem 8%.
Outro número bom para Dilma é o empate técnico no Sul. Ela chegou a 38% contra 40% de Serra. Há um mês, ele vencia por 45% a 32%.
Serra não lidera de forma isolada em nenhuma região. No Sudeste, perde de 42% a 33%. No Norte/Centro-Oeste, Dilma tem 50%, e ele, 27%.
No Nordeste a petista teve uma alta de 11 pontos e foi a 60% contra 22% do tucano.
Houve também um distanciamento de Dilma na disputa de um eventual segundo turno. Se a eleição fosse hoje, ela teria 53% contra 39% de Serra. Há uma semana, ela tinha 49% e ele, 41%.
Na pesquisa espontânea, em que eleitores declaram voto sem ver lista de candidatos, Dilma foi de 26% para 31%. Serra foi de 16% a 17%”.

  • Sábado, 21 Agosto 2010 / 7:51

O efeito cascata

     De Renata Lo Prete, no Painel da ‘Folha’:
“Ao consolidar a perspectiva de desfecho da eleição no primeiro turno, os 17 pontos abertos por Dilma Rousseff (PT) no novo Datafolha tendem a impactar de imediato a arrecadação de recursos para a campanha de José Serra (PSDB) e dificultar ainda mais sua exposição na propaganda eleitoral nos Estados, além de engrossar o coro dos aliados que já recriminam publicamente o candidato e a condução da campanha.
Mas é incerto que essas queixas resultem em mudança radical no discurso do candidato ou na propaganda. Mais até do que na campanha de Geraldo Alckmin em 2006, o conteúdo da TV não é assunto sobre o qual os aliados tenham poder de decisão”.

  • Sábado, 21 Agosto 2010 / 7:45

Serra pede 15 dias de confiança

       Da repórter Catia Seabra, da ‘Folha’:
“Apesar da reação de tucanos e aliados, está mantida a linha de comunicação da campanha de José Serra à Presidência, incluindo o eventual uso de imagens do presidente Lula na TV.
A estratégia tem, no entanto, prazo de validade: a Semana da Pátria.
A menos que haja grave turbulência até lá, a campanha trabalha com um prazo de até 15 dias para avaliação da eficácia do programa.
Haverá correção de rota se a candidatura não apresentar, até o feriado de Sete de Setembro, fôlego para chegada ao segundo turno.
Serra avaliza o trabalho do coordenador de comunicação, Luiz Gonzalez. Mas já dá sinais de desconforto, consultando aliados sobre a qualidade dos programas.
“Precisamos de pelo menos 10 dias para que haja uma maturação”, afirma o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), escalado para pedir um voto de confiança aos aliados.
Inconformados, tucanos alertam para o risco de exaltação da imagem de Lula, patrocinador de Dilma Rousseff (PT). O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é um dos mais insatisfeitos.
“O programa homogeiniza todo mundo: “Somos todos herdeiros de Lula”. Não sou filho de Lula. Nem a Dilma é minha madrasta”, protestava Roberto Jefferson (PTB).
A intenção, porém, é persistir no confronto de biografias, o que inclui a associação com a trajetória de Lula.
O ex-prefeito Cesar Maia (DEM) confirma que a disposição é “checar o resultado em duas semanas mais”. Segundo ele, a intenção de Gonzalez é mostrar que “Serra e Lula são “estadistas’”. Mas que Dilma não está no mesmo patamar.
“Se o eleitor entender isso, será que ele quer um novo “estadista” ou exatamente o contrário, um pau mandado do Lula? Se for a segunda hipótese, é bumerangue. Se for a primeira, será um gol do Gonzalez.”
A dificuldade, porém, será conter o PSDB. Ministro do governo FHC, Sérgio Amaral afirma que Serra tem sensibilidade social, mas lamenta que a candidatura não seja capaz de vocalizar esse compromisso para além das fronteiras de São Paulo.
O ex-ministro José Gregori defendeu a estratégia. Mas usou a expressão “esperança” para se referir às chances de Serra. “Minha esperança é que possamos desmontar o marketing de Lula.”

  • Sábado, 21 Agosto 2010 / 7:42

Política e cultura

                                                 Cesar Maia*

       Brizola dizia que governo investir em cultura cria sempre problema, pois, aí, cada cabeça uma sentença: sempre se desagrada mais do que se agrada.
Parece que, em geral, essa tem sido a motivação dos presidentes da República nestas últimas décadas. Às vezes um ministro silencioso, outras vezes um alegre… e tudo vai ficando na mesma: o patrimônio cultural se deteriorando, os museus do mesmo jeito, e episódicos programas, projetos e eventos. As leis de incentivo fiscal têm sido um alívio para os governos: demonstram que gastam e repassam ao setor privado. Ou se empurra para as empresas estatais.
Eventos ocasionais e em dias-calendário de festas religiosas e folclóricas geram um dissenso muito menor. A defesa do patrimônio histórico e cultural se faz com zelo, mas os recursos para recuperar esse mesmo patrimônio são escassos. Há PAC de tudo, só não há de cultura.
As escolas de música vão sendo fechadas país afora, e o apoio se concentra em percussão, como um sinal da relação de cultura com inclusão social. A formação de plateia para concertos, óperas e balés pouco existe e nada cresceu.
Os promotores têm o cadastro praticamente invariável. No Rio, representa mísero 0,1% da população com mais de 14 anos. Os concertos para a juventude ocupam mais de 60% do uso de salas como a Cité de La Musique em Paris ou a Sala de Luxemburgo.
Do outro lado da rua, os discípulos governistas do filósofo marxista Louis Althusser, morto em 1990, pretendem um Estado expandido (“Aparelhos Ideológicos de Estado”) e, entre estes, a cultura, as letras e as belas artes.
Esses querem regulamentar a cultura, quebrar a sua diversidade intrínseca e ditar regras sobre o que deve ou não deve ser feito. E ficam pensando em conselhos e conferências de todos os tipos, na busca de respostas à passividade dos governos com seu ativismo ideológico.
E, no meio da omissão e do ativismo, segue a cultura como uma subárea dos governos federais, cujas ações são muito mais para acalmar e ganhar tempo, sem que nada de substantivo ocorra. O ministério é, às vezes, dado como presente na compensação partidária de composição de governo. Ou tem um efeito simbólico com nomes de destaque, para despertar otimismo na “classe”.
Às vezes nem isso.
Lá se vai a campanha eleitoral em etapa avançada com a entrada da TV, as entrevistas no “JN”, os debates…
E até aqui nenhum dos candidatos reservou um minúsculo minuto do tempo que tem à disposição para falar de sua política cultural. Nem um minuto. “E La Nave Va”.
*Cesar Maia, ex-prefeito do Rio, escreve para a ‘Folha’.

  • Terça-feira, 17 Agosto 2010 / 9:53

Comitê de Serra prepara mais uma baixaria

  Da repórter Catia Seabra, da ‘Folha’:
“O comando da campanha de José Serra (PSDB) produziu artilharia pesada contra a adversária e hoje líder nas pesquisas, Dilma Rousseff (PT). O comitê de Serra tem prontos um jingle de rádio e um comercial de TV, para ataque contra a petista.
Dedicado ao eleitor nordestino, o jingle cita o ex-ministro José Dirceu. Em ritmo de forró, diz que o governo Lula vai acabar e Dilma trará de volta o ex-ministro da Casa Civil e os “radicais”.
Concluído nesta semana, o comercial de TV lança dúvidas sobre a capacidade administrativa da ex-ministra. Na peça, uma apresentadora lista medidas encampadas por Serra, como os genéricos e a luta contra a Aids.
Ao mostrar o rosto de Dilma, pergunta se o eleitor lembra algo que ela tenha feito de benéfico. E conclui dizendo algo como “Serra é certeza. Dilma é dúvida” (o texto ainda estava sendo trabalhado nos últimos dias).
Reservadas para rádio e para as inserções comerciais, as críticas mais ácidas podem ir ao ar nos próximos dias, mas devem ficar longe do programa de estreia. O programa, que vai ao ar hoje, será destinado à apresentação do candidato em contato com o povo e dizendo que seu foco são pessoas.
Na tentativa de mostrar sensibilidade social, Serra apresentará quatro beneficiários de políticas públicas defendidas por ele, na Paraíba, em Minas e no Maranhão.
Nesse esforço de humanização do candidato, o tucano transitará por cerca de 30 silhuetas de pessoas. Então, dançará “puladinho”, num cenário que reproduz um churrasco numa laje, ao som de “quando o Lula da Silva sair, é o Zé que eu quero lá”. Por fim, aparecerá jogando futebol com crianças.
Em ritmo de pagode, o novo jingle bate na tecla de que Lula não é mais o presidente: “Para o Brasil seguir em frente, sai o Silva e entra o Zé”.
Como o uso do primeiro nome e a opção pela manga da camisa arregaçada, dando ideia de dinamismo, fizeram parte da campanha de Geraldo Alckmin em 2006, a repetição da fórmula tem causado apreensão no tucanato. Ontem, líderes do PSDB insistiam para que Serra fosse, desde já, mais agressivo.
A dúvida sobre a capacidade de Dilma e a exaltação da biografia de Serra estarão nas inserções. A cargo do publicitário Átila Francucci, serão reduzidas, em sua maioria, a 15 segundos. Com menor tempo de TV, o comitê Serra investe na ideia de volume, dividindo os 30 segundos convencionais à metade. Com isso, o número de aparições passa dos 3,5 diários para 5 ou 6.
Para garantir maior presença, Serra deverá ocupar ainda o tempo dedicado às inserções dos candidatos a deputados. Em São Paulo, protagonizará todas as inserções, pedindo voto no 45.
A intenção é ocupar ao menos um terço do tempo destinado aos deputados nos outros Estados. Serra também terá aparições no programa dos candidatos a senador”.

Copyright © 2010. Todos os direitos reservados.