• Segunda-feira, 22 Outubro 2012 / 22:34

Fidel está vivo e lúcido

A semana passada começou com a notícia de que Fidel Castro havia sofrido morte cerebral e “sua morte será anunciada nas próximas 72 horas”.
Já mais para o final da semana, nova versão: Fidel tinha sido vítima de uma derrame e estava agonizando.
Nenhuma coisa, nem outra.
Fidel neste sábado recebeu a visita do ex-vice-presidente vezuelano Elias Jaua, que disse ter encontrado o comandante “muito bem de saúde e muito lúcido”.
Tanto que conversaram por cinco horas sobre agricultura, história, política, turismo e cultural.
E Fidel ainda teve a gentileza de levá-lo pessoalmente até o Hotel Nacional de Cuba, onde estava hospedado.
* * *
Fidel esta com 86 anos e desde as vésperas de seus 80 anos o comandante tem problemas de saúde.
A imprensa mundial, não só a brasileira, tem matado Fidel a cada 15 dias.
Que fique claro o seguinte: Fidel – e isso é óbvio – vai morrer um dia. E isso não mudará nada – nem na vida, nem no regime cubano. A sucessão está feita e a abertura continua avançando.
Sua saúde pode ser ainda um segredo de estado, mas sua morte, quando ela ocorrer, não o será.
O que vai demorar não será o anuncio de sua morte, mas sim a data do sepultamento.
O velório será longo o suficiente para que possa reunir o maior numero possível de chefes de Estado que irão a Havana não só para homenagear o comandante, mas principalmente demonstrar sua solidariedade a Cuba – que há 50 anos sofre com o bloqueio odioso e covarde imposto pelo governo dos Estados Unidos.

  • Quarta-feira, 28 Março 2012 / 18:00

Os tempos difíceis da Humanidade

                                                               Fidel Castro Ruz*

 
       O mundo está cada vez mais desinformado no caos de acontecimentos que se sucedem a ritmos jamais imaginados.
Nós que vivemos um pouco mais de anos e experimentamos certa avidez pela informação, podemos testemunhar o volume da ignorância com que enfrentávamos os acontecimentos.
Enquanto no planeta um número crescente de pessoas carece de habitação, pão, água, saúde, educação e emprego, as riquezas da Terra são malbaratadas e desperdiçadas em armas e intermináveis guerras fratricidas, o que se converteu –— e se desenvolve cada vez mais – em uma crescente e abominável prática mundial.
Nosso glorioso e heroico povo, apesar de um desumano bloqueio que já dura mais de meio século, não arriou jamais suas bandeiras; lutou e lutará contra o sinistro império. Esse é nosso pequeno mérito e nosso modesto aporte.
No polo oposto de nosso planeta, onde está situada Seul, capital da Coreia do Sul, o presidente Barack Obama se reúne em uma Cúpula de segurança nuclear, para impor políticas relacionadas com a disposição e o uso de armas nucleares.
Tratam-se, sem dúvidas, de fatos insólitos.
Pessoalmente não me apercebi destas realidades por simples casualidade. Foram as experiências vividas durante mais de 15 anos desde o triunfo da Revolução cubana – depois da batalha de Girón, o criminoso bloqueio ianque para render-nos pela fome, os ataques piratas, a guerra suja e a crise dos foguetes nucleares em outubro de 1962 que pôs o mundo à beira de uma sinistra hecatombe –, quando cheguei à convicção de que marxistas e cristãos sinceros, os quais tinha conhecido muitos, independentemente de suas crenças políticas e religiosas, deviam e podiam lutar pela justiça e a paz entre os seres humanos.
Assim o proclamei e assim o mantenho sem vacilação alguma. As razões que hoje posso esgrimir são absolutamente válidas e ainda mais importantes, porque todos os fatos transcorridos há quase 40 anos o confirmam; hoje e com mais razão do que nunca, porque marxistas e cristãos, católicos ou não; muçulmanos, xiitas ou sunitas; livres pensadores, materialistas dialéticos e pessoas pensantes, ninguém seria partidário de ver desaparecer prematuramente nossa irrepetível espécie pensante, na espera de que as complexas leis da evolução deem origem a outra parecida e que seja capaz de pensar.
Prazerosamente saudarei na manhã desta quarta-feira (28) sua Excelência o papa Bento XVI, como fiz com João Paulo II, um homem a quem o contato com as crianças e os cidadãos humildes do povo suscitava, invariavelmente, sentimentos de afeto.
Decidi por isso solicitar-lhe uns minutos de seu muito ocupado tempo quando soube pela boca de nosso chanceler, Bruno Rodríguez, que ele gostaria desse modesto e simples contato”.
*Fidel Castro Ruz foi presidente de Cuba.

  • Quinta-feira, 26 Janeiro 2012 / 10:46

A fruta que não caiu

                                                  Fidel Castro*

      Cuba se viu forçada a lutar por sua existência frente a uma potência expansionista, situada a poucas milhas de suas costas, que proclamava a anexação de nossa ilha, cujo único destino era cair em seu seio como fruta madura. Estávamos condenados a não existir como nação.
Na gloriosa legião de patriotas que durante a segunda metade do século 19 lutou contra o repugnante colonialismo imposto pela Espanha ao longo de 300 anos, José Martí foi quem com mais clareza percebeu tão dramático destino. Assim fez constar nas últimas linhas que escreveu quando, às vésperas do duro combate previsto contra uma aguerrida e bem apetrechada coluna espanhola, declarou que o objetivo fundamental de suas lutas era: “… impedir a tempo, com a independência de Cuba, que os Estados Unidos se estendam pelas Antilhas e caiam, com mais essa força, sobre nossas terras da América. Tudo quanto fiz até hoje, e farei, é para isso.”
Sem compreender esta profunda verdade, hoje não se poderia ser nem patriota, nem revolucionário.
Os meios de informação massiva, o monopólio de muitos recursos técnicos, e os enormes fundos destinados a enganar e embrutecer as massas, constituem, sem dúvida, obstáculos consideráveis, mas não invencíveis.
Cuba demonstrou que — a partir de sua condição de fábrica colonial ianque, unida ao analfabetismo e à pobreza generalizada de seu povo — era possível enfrentar o país que ameaçava com a absorção definitiva da nação cubana. Ninguém pode sequer afirmar que existia uma burguesia nacional oposta ao império, tão próxima a ele se desenvolveu que inclusive pouco depois do triunfo enviou 14 mil crianças sem proteção alguma aos Estados Unidos, embora tal ação estivesse associada à pérfida mentira de que seria suprimido o pátrio poder, que a história registrou como operação Peter Pan e foi qualificada como a maior manobra de manipulação de crianças com fins políticos de que se tem notícia no hemisfério ocidental.
O território nacional foi invadido, apenas dois anos depois do triunfo revolucionário, por forças mercenárias — integradas por antigos soldados batistianos e filhos de latifundiários e burgueses — armadas e escoltadas pelos Estados Unidos com barcos de sua frota naval, incluídos porta-aviões com tripulações prontas para entrar em ação, que acompanharam os invasores até nossa ilha. A derrota e a captura da quase totalidade dos mercenários, em menos de 72 horas, e a destruição de seus aviões que operavam a partir de bases na Nicarágua e seus meios de transporte naval, constituiu uma derrota humilhante para o império e seus aliados latino-americanos que subestimaram a capacidade de luta do povo cubano.
A URSS frente à interrupção do fornecimento de petróleo por parte dos Estados Unidos, a ulterior suspensão total da cota histórica de açúcar no mercado desse país, e a proibição do comércio criado ao longo de mais de cem anos, respondeu a cada uma dessas medidas fornecendo combustível, adquirindo nosso açúcar, comerciando com nosso país e, finalmente, fornecendo as armas que Cuba não podia adquirir em outros mercados.
A ideia de uma campanha sistemática de ataques piratas organizados pela CIA, as sabotagens e as ações militares de bandos criados e armados por ele, antes e depois do ataque mercenário, que culminariam em uma invasão militar dos Estados Unidos em Cuba, deram origem aos acontecimentos que levaram o mundo à beira de uma guerra nuclear total, da qual nenhuma de suas partes e nem a própria humanidade teria podido sobreviver.
Aqueles acontecimentos, sem dúvida, custaram o cargo a Nikita Kruchov, que subestimou o adversário, desconsiderou critérios que lhe foram informados e não nos consultou para sua decisão final, a nós que estávamos na primeira linha. O que podia ser uma importante vitória moral se converteu assim em um custoso revés político para a URSS. Durante muitos anos, as piores malfeitorias continuaram sendo realizadas contra Cuba e não poucas, como o criminoso bloqueio, são cometidas ainda.
Kruchov teve gestos extraordinários com nosso país. Naquela ocasião, critiquei sem vacilação o acordo inconsulto com os Estados Unidos, mas seria ingrato e injusto deixar de reconhecer sua extraordinária solidariedade em momentos difíceis e decisivos para nosso povo em sua histórica batalha pela independência e a revolução frente ao poderoso império dos Estados Unidos. Compreendo que a situação era sumamente tensa e ele não desejava perder um minuto, quando tomou a decisão de retirar os projéteis e os ianques se comprometeram, muito secretamente, a renunciar à invasão.
Apesar das décadas transcorridas que já somam meio século, a fruta cubana não caiu em mãos ianques.
As notícias que na atualidade chegam da Espanha, França, Iraque, Afeganistão, Paquistão, Irã, Síria, Inglaterra, as Malvinas e outros numerosos pontos do planeta, são sérias, e todas auguram um desastre político e econômico pela insensatez dos Estados Unidos e seus aliados.
Limitar-me-ei a uns poucos temas. Devo assinalar segundo todos contam, que a escolha de um candidato republicano para aspirar à presidência desse globalizado e abrangente império, é por sua vez, — digo isso seriamente — a maior competição de idiotices e ignorância que jamais se escutou. Como tenho coisas a fazer, não posso dedicar tempo a esse assunto. De resto, sabia que seria assim.
São mais ilustrativas algumas informações que desejo analisar, porque mostram o incrível cinismo que a decadência do Ocidente gera. Uma delas, com pasmosa tranquilidade, fala de um preso político cubano que, segundo se afirma, morreu depois de greve de fome que durou 50 dias. Um jornalista do Granma, Juventud Rebelde, noticiário radiofônico ou qualquer outro órgão revolucionário, pode equivocar-se em qualquer apreciação sobre qualquer tema, mas jamais fabrica uma notícia ou inventa uma mentira.
Na nota do Granma se afirma que não houve tal greve de fome; era um recluso por delito comum, condenado a quatro anos por agressão, que provocou lesões no rosto de sua esposa; que a própria sogra solicitou a intervenção das autoridades; os familiares mais ligados estiveram a par de todos os procedimentos que foram empregados em seu atendimento médico e estavam agradecidos pelo esforço dos especialistas médicos que o atenderam. Foi assistido, afirma a nota, no melhor hospital da região oriental, como se faz com todos os cidadãos. Morreu por causa de falência múltipla de órgãos secundária, associada a um processo respiratório séptico severo.
O paciente tinha recebido todas as atenções que se aplicam em um país que possui um dos melhores serviços médicos do mundo, os quais são oferecidos gratuitamente, apesar do bloqueio imposto pelo imperialismo a nossa Pátria. É simplesmente um dever que se cumpre em um país onde a Revolução tem o orgulho de ter respeitado sempre, durante mais de 50 anos, os princípios que lhe deram sua invencível força.
Mas seria realmente bom que o governo espanhol, dadas as suas excelentes relações com Washington, viaje aos Estados Unidos e se informe do que ocorre nas prisões ianques, a conduta desapiedada que aplica aos milhões de presos, a política que se pratica com a cadeira elétrica e os horrores que se cometem com os detentos nas prisões e com os que protestam nas ruas.
Segunda-feira, 23 de janeiro, um duro editorial do Granma intitulado “As verdades de Cuba” em uma página inteira desse órgão, explicou detalhadamente a insólita falta de vergonha da campanha mentirosa desencadeada contra nossa Revolução por alguns governos “tradicionalmente comprometidos com a subversão contra Cuba”.
Nosso povo conhece bem as normas que têm regido a conduta impecável de nossa Revolução, desde o primeiro combate, e jamais manchada ao longo de mais de meio século. Sabe também que não poderá ser jamais pressionada nem chantageada pelos inimigos. Nossas leis e normas serão cumpridas indefectivelmente.
É bom dizer com toda a clareza e franqueza. O governo espanhol e a União Europeia em ruínas, mergulhada em uma profunda crise econômica, devem saber a que se ater. Produz lástima ler em agências de notícias as declarações de ambas quando utilizam suas descaradas mentiras para atacar Cuba. Ocupem-se primeiro de salvar o euro se puderem, resolvam o desemprego crônico de que em número crescente padecem os jovens, e respondam aos indignados sobre os quais a polícia arremete e golpeia constantemente.
Não ignoramos que agora na Espanha governam os admiradores de Franco, que enviou membros da Divisão Azul junto às SS e as SA nazistas para matar soviéticos. Quase 50 mil deles participaram da cruenta agressão. Na operação mais cruel e dolorosa daquela guerra: o cerco de Leningrado, onde morreram um milhão de cidadãos russos, a Divisão Azul fazia parte das forças que trataram de estrangular a heróica cidade. O povo russo não perdoará nunca aquele horrendo crime.
A direita fascista de Aznar, Rajoy e outros servidores do império deve conhecer algo das 16 mil baixas que tiveram seus antecessores da Divisão Azul e as Cruzes de Ferro com as quais Hitler premiou os oficiais e soldados dessa divisão. Nada há de estranho no que faz hoje a polícia gestapo com os homens e mulheres que demandam direito ao trabalho e ao pão, no país com mais desemprego da Europa.
Por que mentem tão descaradamente os meios de informação de massa do império?
Os que manejam esses meios se empenham em enganar e embrutecer o mundo com suas grosseiras mentiras, pensando talvez que constitui o recurso principal para manter o sistema global de dominação e saque imposto e de modo particular as vítimas próximas à sede da metrópole, os quase seiscentos milhões de latino-americanos e caribenhos que vivem neste hemisfério.
A república irmã da Venezuela se converteu no objetivo fundamental dessa política. A razão é óbvia. Sem a Venezuela, o império teria imposto o Acordo de Livre Comércio a todos os povos do continente que nele habitam desde o sul dos Estados Unidos, onde se encontram as maiores reservas de terra, água doce e minérios do planeta, assim como grandes recursos energéticos que, administrados com espírito solidário para os demais povos do mundo, constituem recursos que não podem nem devem cair nas mãos das transnacionais que impõem um sistema suicida e infame.
Basta, por exemplo, olhar o mapa para compreender o criminoso despojo que significou para a Argentina arrebatar-lhe um pedaço de seu território no extremo sul do continente. Ali os britânicos empregaram seu decadente aparato militar para assassinar bisonhos recrutas argentinos, vestidos com roupas de verão quando já estavam em pleno inverno. Os Estados Unidos e seu aliado Augusto Pinochet deram à Inglaterra um desavergonhado apoio. Agora, na véspera das Olimpíadas de Londres, seu primeiro-ministro David Cameron também proclama, como fez Margaret Thatcher, seu direito a usar os submarinos nucleares para matar argentinos. O governo desse país desconhece que o mundo está mudando, e o desprezo de nosso hemisfério e da maioria dos povos aos opressores aumenta a cada dia.
O caso das Malvinas não é único. Alguém por acaso sabe como terminará o conflito no Afeganistão? Há poucos dias soldados norte-americanos ultrajavam os cadáveres de combatentes afegãos, assassinados pelos bombardeiros sem pilotos da Otan.
Há três dias, uma agência europeia publicou que “o presidente afegão Hamid Karzai, deu seu aval a uma negociação de paz com os talibãs, sublinhando que esta questão deve ser resolvida pelos cidadãos de seu país”, logo acrescentando: “…o processo de paz e reconciliação pertence à nação afegã e nenhum país ou organização estrangeira pode tirar esse direito dos afegãos.”
Por sua parte, uma informação publicada por nossa imprensa comunicava de Paris que “a França suspendeu hoje todas as suas operações de formação e ajuda ao combate no Afeganistão e ameaçou antecipar a retirada de suas tropas, logo que um soldado afegão matou quatro militares franceses no vale Taghab, na província de Kapisa [...] Sarkozy deu instruções ao ministro da Defesa, Gérard Longuet, para transladar-se imediatamente a Cabul, e vislumbrou a possibilidade de uma retirada antecipada do contingente.”
Desaparecida a URSS e o bloco socialista, o governo dos Estados Unidos concebia que Cuba não podia sustentar-se. George W. Bush já tinha preparado um governo contrarrevolucionário para presidir nosso país. No mesmo ano em que Bush iniciou sua guerra criminosa contra o Iraque, solicitei às autoridades de nosso país o fim da tolerância que se aplicava aos chefetes contrarrevolucionários que naqueles dias demandavam histericamente a invasão de Cuba. Na realidade, sua atitude constituía um ato de traição à Pátria.
Bush e suas atitudes estúpidas imperaram durante oito anos e a Revolução Cubana perdurou já mais de meio século. A fruta madura não caiu no seio do império. Cuba não será uma força a mais com a qual o império se estenda sobre os povos da América. O sangue de José Martí não terá sido derramado em vão.

 

*Fidel Castro Ruz é ex-presidente de Cuba e escreve suas ‘Reflexões’ no ‘Grama’ – orgão oficial do Partido Comunista de Cuba.

  • Quarta-feira, 04 Janeiro 2012 / 10:06

Arquivo de Prestes tem análises

   Do repórter Pedro Soares, da ‘Folha’:
   “Doado ontem ao Arquivo Nacional, no Rio, o acervo pessoal de Luiz Carlos Prestes (1898-1990) contém mais do que informações sobre a ação política do líder comunista e denúncias de torturas.
Traz relatos de notícias do Brasil na ditadura militar e a sua análise dos fatos, além de vasta correspondência pessoal com mulher e filhos.
Numa carta de 1981, endereçada ao filho adotivo Pedro, que vivia em Cuba e era seu “porta-voz” junto a Fidel Castro, Prestes opina sobre a saída do chefe da Casa Civil Golbery do Couto e Silva (1911-1987), então homem forte do regime militar.
“Depois da bomba do Rio Centro [atentado frustrado atribuído à ala mais conservadora da ditadura], o acontecimento mais importante foi a queda do Golbery, chefe da “Casa Civil” da ditadura e que, na verdade, exercia mesmo a função de presidente da República.”
Segundo Luiz Carlos Prestes Filho, as cartas a Pedro, morto em 2011, são especialmente importantes, pois revelam muito dos ideais e opiniões do líder.
Prestes adotou Pedro e Paulo, filhos do primeiro casamento de sua mulher Maria Prestes.
Entre as correspondências, diz, estão ainda cartas a filhos e netos a partir do exílio, com cobranças sobre a vida escolar, o estudo da língua portuguesa (já que viveram muito tempo no exterior) e orientações sobre a carreira a ser escolhida.
Nas 27 pastas de documentos doadas, há uma carta a Fidel de 1979, sinalizando necessidade de repensar as ações no Brasil após a anistia de 1979. Outro documento, de 1975, dirigido a correspondentes internacionais, denuncia a tortura de 35 presos e a morte de cinco deles.
A decisão de doar o acervo partiu de Maria Prestes. Sobre a contrariedade da filha mais velha de Prestes, Anita Leocádia Prestes, filha de sua união com Olga Benário, a viúva diz que ela “não é dona da memória” do líder.
Em e-mail ao jornal “O Globo”, Anita diz que a divulgação do acervo é “um desrespeito à vontade” de Prestes, que “jamais concordaria com tal divulgação”. Procurada, Anita não foi localizada pela reportagem”.

  • Terça-feira, 03 Agosto 2010 / 17:16

Cuba volta as origens

   

Che e Fidel jogando golf

 Deu na ‘Folha’:
“Quando o assunto é o golfe, Havana não está de acordo com sua aliada Caracas. Enquanto o venezuelano Hugo Chávez disse que o esporte era “burguês” e que os vastos gramados deveriam abrigar conjuntos habitacionais, o governo Raúl Castro anunciou que pretende construir 16 novos campos na ilha.
Anteontem o ministro do Turismo, Manuel Marrero, afirmou que os projetos já foram aprovados pela cúpula do governo e que começarão a ser negociados em janeiro.
Ele disse ainda que o governo voltará a vender casas a estrangeiros por meio de imobiliárias de capital misto. A modalidade vigorou nos anos 90, mas foi suspensa em 2000.
A aposta no golfe ao lado do maior mercado do esporte do mundo, os EUA, não é à toa: o turismo custeia 46% das importações do país”.
                     * * *
Em Cuba, o esporte nacional é o beisebol, assim como nos Estados Unidos.
Só que no ranking mundial, os cubanos lideram. Os EUA estão em segundo.
O golf também é um dos esportes cubano.
E isso desde que Fidel e Che Guevara viviam embrenhados em Sierra Maestra. Há mais de 50 anos.

  • Terça-feira, 27 Julho 2010 / 10:30

Fidel comemora tomada de Moncada

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:50

Lula e o risco do pitoresco ao ridículo

De Elio Gaspari:
“O Nosso Guia precisa pisar no freio de seu desembaraço internacional. Quem viu algumas das expressões de perplexidade no plenário da reunião com chefes de Estado caribenhos, em Brasília, quando anunciou que “depois da Presidência, vou continuar fazendo política” teve uma ideia do efeito que a ligeireza verbal do Grande Mestre provoca em reuniões internacionais. Noves fora a platitude, o que desconcertou parte da audiência foi a utilização de uma reunião desse tipo para um improviso de palanque municipal.
Na política internacional sempre há lugar para personagens improváveis. Alguns, como o Mahatma Gandhi (um “faquir seminu”, segundo Winston Churchill) ou Nelson Mandela, um prisioneiro sem rosto nem voz durante 27 anos, tornam-se figuras da história. Outros, como o jovem capitão Muammar Gaddafi, que destronou o rei senil da Líbia em 1969 e, quase septuagenário, ficou parecido com Cauby Peixoto, nas palavras de Lula.
A distância do improvável ao pitoresco é pequena e quase sempre benigna. Do pitoresco ao ridículo é imperceptível, porém maligna. O operário pobre que chega à Presidência de um país de 190 milhões de habitantes é uma história de sucesso em qualquer lugar do mundo. Não se pode dizer o mesmo do monoglota que tem o seu nome oferecido para a Secretaria-Geral da ONU, ou do latino-americano que sai pelo Oriente Médio oferecendo uma mediação desconexa, “risivelmente ingênua”, na opinião pouco protocolar atribuída à secretária de Estado Hillary Clinton.
No auge da crise financeira de 2008, Lula sugeriu que partisse da ONU “a convocação para uma resposta vigorosa às ameaças”, com uma reunião dos presidentes dos Bancos Centrais e ministros da Fazenda dos 192 países-membros da organização. Do presidente do Federal Reserve Bank americano ao ministro das Finanças do reino de Tonga, Otenifi Matoto.
Pode-se entender que o Brasil tenha negócios com a Venezuela e que Nosso Guia e seu comissariado tenham afeto nostálgico por Fidel Castro. Daí a abrir uma embaixada no campo de concentração do “Querido Líder” norte-coreano ou a receber em Brasília o cleptocrata uzbeque Islam Karimov, cuja polícia ferveu dissidentes, vai grande distância.
Toda política externa tem algo de teatral, mas o embaixador Marcos Azambuja ensina, há décadas, que “os diplomatas são produtores de blá-blá-blá, mas não são consumidores”. A maior negociação diplomática ocorrida nos quase oito anos de diplomacia-companheira foi a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio. O chanceler Celso Amorim trabalhou pelo seu êxito, deu um drible de última hora na Índia e na China, caiu numa armadilha da delegação americana e amargou um fracasso.
Quando uma diplomacia acredita no próprio teatro, deixa de ser associada a uma política externa e é vista como uma companhia de espetáculos. Sobretudo quando essa diplomacia gira em torno de um personagem-ator. Ainda falta algum chão para que Nosso Guia ganhe um retrato na galeria dos governantes pitorescos, como Silvio Berlusconi ou Boris Yeltsin de seus últimos anos, mas o caminho em que entrou pode levá-lo até lá.
Serviço: nas próximas quatro quartas-feiras o signatário usufruirá o abuso adquirido (expressão tucana) das férias”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:06

Lula: diga não a Yoani Sánchez!

A dissidente cubana Yoani Sánchez enviou uma carta a Lula pedindo que ele interceda, junto a Fidel e Raul Castro, para que ela possa vir ao Brasil assistir a um documentário, no dia 1º de junho, em Jequié, no sul da Bahia.
Lula não deveria dar a menor bola para o pedido.
Yoani é uma das, senão a principal, responsável pela campanha contra Lula em todo o mundo,  no que se refere a decisão do Presidente brasileiro de não interferir na política interna de Cuba.
Se ela vier, será para falar mal dos irmãos Castro e, também para criticar Lula, em seu blog milionário traduzido em 19 línguas.
              * * *
E por falar em dissidente, como será que anda o maluco do Fariñas?
Ele disse que sua greve de fome o levaria a morte em quatro ou cinco dias.
E ela já dura mais de 20.
Sujeito forte esse tal de Fariñas…

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:53

Llosa, um gênio tumultuado

  Domingo, dia 7, o ?Estadão? publicou um artigo de Mario Vargas Llosa – intitulado ?A decepcionante visita de Lula? -  com críticas a viagem do presidente brasileiro a Havana, no dia em que o ?dissidente? cubano, Orlando Zapata Tamayo, morria de uma greve de fome que durou 85 dias ? recorde no ‘Guinness Book’ – graças a eficiência e a dedicação dos médicos cubanos.
Quando li o artigo, não dei bola. Só que agora ele circula na internet. Então vamos a ele.
O texto é lamentável. Parece ter sido escrito por um daqueles cubanos de Miami, que vive da venda de bugigangas, nutre ódio mortal por Fidel e, agora, por seu irmão Raul, paga uma espécie de dízimo para financiar a propaganda contra-revolucionária, é capaz de planejar um atentado contra a Ilha, e está disposto a cometer, se necessário for, a mais cruel das irregularidades contra o seu próprio país.
E verdade seja dita: Llosa sempre se identificou com essa turma.
Em  2004, ele assinou um manifesto, ao lado da Madeleine Albrigth, ex-secretária de Estado dos EUA, pedindo a libertação de 75 presos cubanos, acusados de cometerem crimes de consciência. Hoje são 53.
Vargas Llosa, 74 anos a serem comemorados no próximo dia 28, teve uma vida tumultuada.

O casamento de seus pais durou apenas cinco meses, e quando nasceu foi morar na Bolívia.  Aos 10 anos voltou para Lima, e só aí conheceu o pai, que o internou numa escola militar.  Aos 19 anos ingressou na Universidade de San Marcos, em Lima, e trabalhou nos cemitérios da capital peruana, como revisor de nomes em túmulos.
Nessa época, casou-se com uma tia.
Quer maluquice maior?
Pois muito bem. Cinco anos depois, ele trocou a tia Julia pela prima Patrícia.

                                   * * *
O artigo que Llosa assinou no ?Estadão? é de autoria do Llosa político, e não do Llosa escritor  – consagrado como um dos mais importantes de língua espanhola.
Mas como político, ele sempre foi um derrotado.
Em 1987, presidiu o Movimento Liberdade, cuja bandeira era o combate a nacionalização dos bancos. Três anos depois, concorreu à Presidência do Peru pela Frente Democrática, quando perdeu para  Alberto  Fujimori.  Quer humilhação maior?
Em Londres, onde foi viver, voltou a fazer o que sabe de melhor: escrever livros.
Em 2006, passou um período em Lima, durante a campanha de Lourdes Flores. Foi coadjuvante de nova derrota. Alan Garcia ganhou outra vez.
Tudo somado fez de Llosa um homem problemático, tanto em sua vida privada, quanto na política.
O artigo que escreveu peca, principalmente, pela total falta de informações sobre Lula e sobre Cuba. Ele mais um parece um panfleto ordinário.
Para Llosa, Orlando Zapata Tamayo era um ?pedreiro pacifista da oposição, de 42 anos, pertencente ao Grupo dos 75, que os algozes castristas deixaram morrer de inanição – depois de submetê-lo em vida a confinamento, torturas e condená-lo com pretextos a mais de 30 anos de cárcere – depois de 85 dias de greve de fome?.
Pobre Llosa. Merece mais pena do que o próprio Tamayo.
Este não passava de um pobre coitado, com diversas passagens pela polícia -  todas referentes a crimes comuns. Na época da prisão dos 75 dissidentes, Zapata Tamayo nunca constou de nenhuma relação de ?dissidentes?. Seu nome não aparece nem na lista da Anistia Internacional e, muito menos, na do Conselho de Direitos Humanos da ONU.
Preso por agressão e tentativa de homicídio, Tamayo tornou-se ‘dissidente’ quando já estava na cadeia. E, ao contrário do que diz Llosa, seus algozes não deixaram o preso morrer de inanição. Ao contrário: fizeram de tudo para que ele sobrevivesse. Se o abandonassem, Tamayo não duraria 85 dias.
Llosa tem razão quando afirma que ?os irmãos Castro exercem há 51 anos esta política, e somente os idiotas poderiam esperar deles um comportamento diferente?.
Que ele próprio se considere um idiota, é um direito dele. Mas chamar Tamayo de idiota, trata-se de imensa covardia com um morto.  É óbvio que Cuba não aceitou, não aceita e nem aceitará pressões nem chantagens. Não as aceitaria de um contra-revolucionário, muito menos de um criminoso comum, um pobre diabo manipulado por um grupo de espertalhões que queriam um cadáver para transformá-lo em mártir. Até agora, só conseguiram o primeiro intento.

                                   * * *
No artigo, Llosa insiste na fantasia de que 50 cubanos pediram uma audiência a Lula, para reclamar da falta de liberdade na Ilha.
Mas qual a prova de que a audiência foi pedida? Para quem eles mandaram o documento? Ele foi enviado pelo correio ou  entregue em mãos?  Quem mandou o pedido?  E quem o recebeu?  Isso ninguém consegue responder.
Boa parte da comitiva de Lula passeou por Havana. Quatro ministros de Estado foram jantar na Bodequita del Médio, o restaurante mais badalado da Ilha. Por que nenhum dos dissidentes apareceu por lá? Eles não queriam conversar? Dezenas de jornalistas brasileiros estiveram em Havana naqueles dois dias? Por que nenhum deles foi procurado? O grevista de plantão, um maluco que atende pelo nome de Fariñas, dá entrevistas por telefone a todo o momento. Por que ele não foi atrás da comitiva brasileira? Uma repórter do Globo Online sabe o número de seu telefone, e ele certamente conhece o dela.
A mãe de Zapata também falou, com jornalistas estrangeiros, após a morte do filho. Para a blogueira dissidente Yoani Sánchez, ela chegou a conceder uma entrevista, com vídeo, na porta do IML local.
Então porque a fantasia de que Lula não aceitou conversar com o quem o procurava?
Na semana passada, um “dissidente” esteve na embaixada brasileira, em Havana, com uma carta para ser enviada ao Presidente. Quem a assinava? Ninguém. Nem mesmo o portador, que ficou de voltar mais tarde ?com pelo menos 100 assinaturas?. Até hoje nada.
No ‘Globo’ desse sábado, por exemplo, a correspondente Marília Martins informa que já “circula pela internet o vídeo produzido por um grupo de manifestantes (cubanos que vivem nos Estados Unidos ) que decidiu sentar-se diante da porta do consulado brasileiro em Miami em protesto contra o que definem como “cumplicidade de Lula com a ditadura cubana”.
- Esse grupo de cubanos esteve aqui durante cerca de meia hora gritando palavras de ordem, num protesto barulhento mas pacífico. Nós perguntamos se eles gostariam de entregar alguma carta ou algum documento para darmos ao presidente Lula. Mas recusaram a oferta. Parece que a intenção era simples: o grupo queria filmar a si mesmo fazendo o protesto para que as imagens circulassem pela internet – comenta o cônsul brasileiro em Miami, Luiz Augusto de Araújo Castro.
 
                                  * * *
Como intelectual, Llosa merece todo o respeito. Mas Llosa assinou o artigo como político. E como tal, ele mente. Mente descaradamente.
O político peruano acusa Lula de “abraçar Chávez, Evo Morales e Ortega”, o que ele considera a ?escória da América Latina?, embora todos tenham assumido o poder através do voto democrático, o que ele não conseguiu.
No artigo ele levanta uma dúvida: seria Lula um ?simples mascarado, capaz de todas as piruetas ideológicas, um político medíocre sem espinha dorsal cívica e moral”?
Quem é esse cidadão para insinuar isso sobre o Presidente do Brasil?
Vargas Llosa? Esse é um político medíocre, desinformado, reacionário, entreguista, frustrado, cheio de ódio, de recalques, e que não merece o mínimo de respeito.
Seu artigo no ?Estadão? não passa de uma coletânea de velhos e repetidos chavões contra Cuba e contra seus dirigentes.
Como intelectual consagrado, ele poderia se opor a Lula, a Cuba e aos irmãos Castro de maneira inteligente. Mas, por preguiça ou falta de argumentos, vomita uma verborragia sem conteúdo.

                                    * * *
Fariñas, o maluco de Cuba, disse ter ouvido de autoridades do Ministério do Interior, que ele tem todo o perfil para se tornar um mártir. Por isso, insiste em morrer. Mas, como é incompetente, não alcança o seu intento. Esta é a sua 23ª greve de fome, e ele continua vivo. Quem sabe, qualquer hora ele consiga.
Llosa, o maluco de Lima, tem certamente o perfil que Fariñas sempre sonhou.
Para virar mártir só precisa fazer uma greve de fome.
Vencedor, com uma infinidade de méritos, nos meios literários, Llosa poderia tentar obter uma vitória na política.
É óbvio que os irmãos Castro não aceitariam a sua chantagem.
Mas mesmo perdendo, Llosa sairia vitorioso.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:43

Lula deveria tratar cubanos, da forma como foi tratado

Leio aqui no youPode que um grupo de dissidentes cubanos enviou uma carta ao Presidente Lula, apelando para que ele interceda junto a Fidel, e liberte os 20 presos acusados de crimes de consciência.
É lamentavel que Cuba tenha prisioneiros cujo único crime tenha sido discordar do regime.
Mas Lula não deveria mover uma palha.
Primeiro, isso é assunto interno de Cuba.
Segundo, esses mesmos dissidentes espalharam para o mundo que Lula negou-se a recebê-los, embora eles não tivesse mandado, na época, carta alguma.
Um bando de bandidos, que se declaram dissidentes, cubanos, invadiram o consulado brasileiro em Miami, com fotos de Lula e Fidel e, com palavras de ordem, sentaram-se no chão e xingaram de tudo o presidente do Brasil.
Evitar a morte de Fariñas não é tarefa fácil.
Essa é a sua 23ª greve de fome e ele resiste a todas.
Segundo ele, a primeira demorou sete meses.
Fariñas é maluco, é mentiroso, é farsante.
O melhor seria os dissidentes irem reclamar com o Papa.

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