• Sexta-feira, 02 Março 2012 / 14:14

Serra prefere Dilma à Aécio

                                                                Fernando Rodrigues*
            Numa das diversas conversas mantidas entre Gilberto Kassab (PSD) e dirigentes petistas nos últimos meses, o prefeito de São Paulo fez uma confidência para o presidente nacional do PT, Rui Falcão.
“Eu tive um contato com ele [Kassab] no ano passado”, diz Falcão. Na ocasião, segundo o relato do petista, Kassab declarou: “Eu acho que o Serra não vai mais ser candidato a presidente da República (…). Para a [presidente] Dilma, a melhor coisa que poderia acontecer é o Serra prefeito de São Paulo. Porque se tiver Dilma e Aécio [Neves, do PSDB], Serra é Dilma [na disputa presidencial de 2014]“.
Falcão fez esse relato ontem, em entrevista à Folha e ao UOL. Em 2011, quando ouviu a análise de Kassab, o presidente do PT afirma ter recebido a previsão com ceticismo. “Eu brinquei. Falei: ‘Conta a do português agora’”.
Ao revelar o conteúdo de sua conversa com Kassab, o presidente do PT faz uma intriga pública que já é há tempos ouvida nos bastidores da sucessão paulistana.
Demonstra também que a cúpula petista tentará desqualificar politicamente o prefeito.
Adversário desde o início da aliança do PT com Kassab em São Paulo, Falcão diz que o relacionamento recente da direção petista com o prefeito foi só institucional.
“Ele é presidente de um partido.”
Como Kassab nessas conversas com o PT sempre reafirmava que apoiaria Serra se o tucano decidisse concorrer à sua sucessão, Falcão acha que tudo foi já estava previamente acertado.
“Ele [Serra] formalizou algo que nós já esperávamos. Esse roteiro é mais que previsível. Durante um tempo ele diz que não é candidato. No momento seguinte, é procurado por lideranças do seu partido. Diz que vai pensar. Em seguida, confirma o que já se sabia anteriormente”.
Falcão acha que a eleição paulistana será em parte nacionalizada, como sempre tem sido.
Nesse caso, afirma que o PT gostará de debater o tema das privatizações.
O petista diz haver diferenças entre a venda de empresas estatais e o modelo adotado pelo governo Dilma, de apenas fazer concessão para a iniciativa privada atuar em alguns setores.
Sobre assuntos polêmicos, Falcão reafirmou que o PT tem em suas diretrizes a descriminalização do aborto, mas que esse não é um tema central para o partido defender no Congresso Nacional.
Indagado sobre a hipótese de o PT apoiar a candidatura de Gabriel Chalita (PMDB) em São Paulo, Falcão disse que essa foi uma ideia “infeliz” do líder petista na Câmara, Jilmar Tato.
*Fernando Rodrigues é colunista a ‘Folha’.

  • Quinta-feira, 16 Fevereiro 2012 / 10:45

Garotinho critica Governo Dilma

        O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) foi o entrevistado de ontem no programa “Poder e Política – Entrevista”, conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues, da ‘Folha’:
Eis o seu texto:
Folha/UOL – Governador, ex-governador, deputado federal agora, Anthony Garotinho, muito obrigado por estar aqui. Eu começo perguntando: o sr. foi mencionado agora num episódio recente da greve dos policiais na Bahia, tentativa [de greve dos policiais] no Rio, conversando com um dos líderes. Qual foi sua intenção nessa conversa com esse líder grevista?
- Anthony Garotinho: Em primeiro lugar, Fernando, é um prazer está com você e participar desta entrevista que eu normalmente acompanho. Aquela reportagem que apareceu, na verdade não foi uma entrevista, [foi] uma conversa telefônica entre eu e o cabo Daciolo [Benevenuto Daciolo, do Corpo de Bombeiros do Rio, um dos líderes da greve de fevereiro de 2012]. Eu me tornei admirador e conhecedor do cabo Daciolo quando do primeiro movimento dos bombeiros [que aconteceu em junho de 2011]. Aquele que aconteceu com amplo apoio da sociedade do Rio de Janeiro, quando eles queriam lutar por melhores salários. Naquele episódio específico [da conversa telefônica com Daciolo] nós estávamos no plenário da Câmara tentando forçar o governo a cumprir a sua promessa de colocar para votar a PEC 300 [Proposta de Emenda à Constituição nº300 de 2008].
- A PEC 300 que vai criar um piso salarial nacional para policiais.
- Isso. É até boa a sua colocação porque muitas pessoas acham que a PEC 300 vai equiparar o salário dos policiais do Brasil inteiro ao de Brasília. Não é isso. A PEC 300 estabelece um piso. Qual será esse piso? Será estabelecido posteriormente. Mas, por exemplo, pode ser de R$ 2.500 ou de R$ 1.800. R$ 2.000. Isso vai variar de acordo com esse entendimento nacional que será feito. Quem quiser pagar mais, que pague mais. Eu estava ali conversando [no plenário da Câmara], fui ao Henrique Eduardo Alves [líder do PMDB, deputado pelo Rio Grande do Norte]. Ele disse: “Olha, nós não podemos colocar o governo contra a parede. A iniciativa de colocar a PEC para votar tem que partir do próprio governo”. Nesse momento eu sou procurado pelo deputado Francischini [Fernando Francischini, do PSDB], deputado pelo Paraná. Ele me disse: “Garotinho, acho que a coisa vai estourar também pelo Paraná. Como é que está a coisa no Rio?”. Então eu disse: “Olha eu não sei exatamente, mas posso te ligar agora. Te dar uma resposta agora”. Peguei o telefone, liguei para o meu gabinete. A gravação [do grampo, divulgada pela imprensa] se dá desde o início com a minha secretária dizendo: “Cabo Daciolo, um minutinho que eu vou transferir, fazer uma conferência do sr. com o deputado Garotinho, que está no plenário. E eu pergunto: “Daciolo, e aí como é que está a coisa no Rio? Tem clima para que haja lá um movimento de paralisação?”. E ele diz: “Eu estou na Bahia. Quando eu chegar lá eu te dou uma informação”. Aí eu digo: “Olha eu estou aqui tentando articular a votação da PEC 300″. É só isso a conversa.
- Agora dá impressão, quando a gente ouve a conversa, daí o sr. poderia talvez esclarecer esse ponto, que parece que o sr. está interessado até que ocorra o movimento no Rio. Ou não?
- Não. Eu estou interessado em saber como está o movimento no Rio, até para dizer ao deputado Francischini, responder a respeito da pergunta que ele me fez.
- Não havia aí uma intensão do sr. em eventualmente torcer a favor de haver um movimento no Rio?
- Não. Absolutamente. Basta que você ouça a gravação. A gravação é clara. O que houve foi uma manipulação. A Rede Globo de televisão colocou à noite, no dia anterior, uma gravação sem identificar o autor. Colocou ali [no Jornal Nacional]. Pronto. Uma voz de um homem, segundo a Globo, muito importante na República conversando com o cabo Daciolo. Eu havia tido a conversa sobre a PEC 300. Não estava incitando greve nenhuma. A Globo manipulando coloca a conversa da deputada Janira [Janira Rocha, deputada estadual no Rio de Janeiro pelo PSOL], que é uma conversa onde ela fala: “Daciolo não fecha o acordo aí na Bahia antes do caso do Rio de Janeiro, antes do movimento do Rio de Janeiro. Você vai enfraquecer o movimento do Rio de Janeiro. A maneira que você pode ajudar o próprio Prisco, que é o líder [da greve] lá da Bahia é não deixando que o movimento do Rio de Janeiro morra”. Essa é a conversa da deputada Janira, deputada do PSOL. E aquela gravação estranhamente não apresentava quem era o autor da conversa. A Globo botou só uma imagem de um homem, sem mostrar aquela imagem desfigurada, e a voz do cabo Daciolo. Cinco minutos depois já estava no “Radar Online” do Lauro Jardim [colunista da revista "Veja"] que este homem era eu. Eu disse: “Olha, mas Lauro… Não sou eu. A conversa que eu tive sobre Daciolo não estou incitando [a greve]…”. [representando a fala do jornalista Lauro Jardim] “Não, mas a informação que eu tenho é que eles têm a gravação de você incitando”. Eu falei: “Então eu te desafio a colocar [a gravação na internet em "Radar Online]“. No dia seguinte, o Lauro Jardim me liga cedo no dia seguinte dizendo assim: “Olha, está desmentido. Papelão. A Secretaria de Comunicação do governo do Estado nos disse que tinha uma fita de você incitando e agora eu fui cobrar a fita que você me desafiou no seu blog, o Blog do Garotinho, e eu não tenho a fita. Então eu estou me retratando”. Foi muito correto o jornalista Lauro Jardim, que se retratou na sua coluna, dizendo que foi levado a erro pela Secretaria de Comunicação”. O governador Sérgio Cabral tentou tirar o maior dividendo possível em cima desse movimento tentando, claro, fragilizar os seus possíveis adversários.
- O sr. acha que foi correto o movimento grevista dos policiais na Bahia e depois a tentativa no Rio?
- Eu acho que o momento não foi oportuno. Eu acho que essa greve teria apoio maior da população, como teve a outra dos bombeiros se não fosse no período do Carnaval. Eu acho que o período do Carnaval ficou parecendo uma espécie de pressão fora de hora.
- A presidente Dilma disse que é contra anistiar esses policiais que se envolveram em atos de crime contra o patrimônio, por exemplo. O sr. acha que é correta essa posição? Não devem ser anistiados, devem ser punidos esses policiais?
- É um equívoco da presidente Dilma. Porque a anistia é uma conquista da civilização e do sistema democrático. Anistia é tão importante que a Dilma não seria presidente da República hoje se não fosse a anistia. E ela fez coisas muito piores que os bombeiros.
- Mas lutando contra a ditadura…
- Sim…
- …agora é uma democracia.
- Sim. Nós estamos numa democracia. Mas o Lula, por exemplo, fez também greve. Você não pode dizer que…
- Mas também durante a ditadura.
- Sim. Mas não é porque nós estamos vivendo um período democrático que nós vamos impedir que as pessoas não tenham o direito de se manifestar porque são militares.
- Mas eles se manifestando com arma na mão, bloqueando ruas. Isso é correto?
- Isso ocorreu na Bahia, não ocorreu no Rio. Eu estou separando as coisas.
- Nesse caso da Bahia, por exemplo, se o sr. tivesse que analisar, o sr. diria que é correto esse tipo de atitude ou é incorreto?
- Eu acho que a atitude dos baianos, dos policiais baianos, foi uma atitude que se radicalizou em função do comportamento do governador Jaques Wagner [do PT], que, anteriormente, havia incitado esses mesmos policiais à greve quando não era governador.
- Deputado Garotinho, o sr. é um líder evangélico. Qual é sua avaliação sobre as declarações recentes do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, a respeito dos evangélicos?
- Eu acho que foram infelizes. O ministro Gilberto Carvalho não pode ter uma opinião quando está conversando com os evangélicos e uma outra opinião quando está no Fórum Social Mundial. O que foi que ele disse e que me causa tanto espanto? Ele disse: “Nós do governo, nós do PT, precisamos montar uma rede de comunicação capaz de vencer os evangélicos no embate ideológico que nós teremos com eles”. Primeiro eu quero saber: qual é o embate ideológico que ele quer travar com os evangélicos? Porque os evangélicos não defendem ideologia, mas princípios. São coisas diferentes. Existem evangélicos de direita, de centro e de esquerda. Eu por exemplo, sou um político que sempre tive posições de esquerda. Mas eu conheço evangélicos de direita. Mas eu não abro mão dos meus princípios. Então não se trata de uma luta ideológica. Primeiro eu queria entender do que se trata a luta ideológica. Segundo: como ele vai montar esse sistema de comunicação? Que sistema é esse? Ele diz assim: “Esses telepastores ocuparam os meios de comunicação e fazem a cabeça dessa classe média emergente. E nós não podemos aprovar temas como aborto, que eles não deixam. Não avançamos mais na questão… naquele material pedagógico nas escolas…”. [Esse material] que eles chamam de combate à homofobia, e que não é combate à homofobia, é um direcionamento para uma opção sexual. Isso não é papel de Estado. O Estado não tem que se meter na vida pessoal das pessoas. O Estado não tem que escolher se o cidadão deve ser homem, mulher ou optar por um outro sexo. Isso não é papel do Estado.
-  Qual é a força dos evangélicos hoje no Congresso Nacional? Qual é o tamanho das frentes que reúnem deputados e senadores evangélicos hoje?
- Olha, nós temos 74 deputados [federais, de um total de 513] evangélicos, que estão juntos com uma parte da bancada católica. Existe uma parte católica mais ativa, na qual se inclui por exemplo o deputado Eros Biondini [do PTB de Minas Gerais] e o deputado Carimbão [Gilvaldo Carimbão, do PSB de Alagoas], que são católicos militantes. E no Senado são em torno de oito senadores [evangélicos, de um total de 81 senadores].
- Qual é o poder que tem essa bancada evangélica? Ela atua de maneira orgânica?
- Só naqueles pontos que tratam de princípios. Fora disso não. Por exemplo, no caso do Regime Diferenciado de Contratação [que flexibilizou as licitações para obras da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016]. Boa parte dos evangélicos apoiou. Eu fui contra, porque eu acho que fere a Lei de Licitações, e é ruim para a democracia brasileira. No caso, por exemplo, da Lei Geral da Copa. Eu sou radicalmente contra fazer o tipo de concessão que o Brasil está fazendo [para as exigências da Fifa]. Já outros evangélicos votam de maneira contrária, ou seja, favorável à lei proposta pelo deputado Vicente Cândido [do PT de São Paulo]. Então nós não somos iguais. Eu por exemplo tenho uma postura radicalmente contra o presidente da CBF [Ricardo Teixeira]. Inclusive eu o estou investigando o sr. Ricardo Teixeira através de uma proposta de Fiscalização e Controle. Tem muitos evangélicos que são amigos do Ricardo Teixeira. Mantêm boas relações com ele. Vieram até me fazer pedidos para encontrar com ele. Alguns não tiveram nem coragem de assinar a CPI da CBF. Então eu quero dizer o seguinte: só nas questões em que tratamos de princípios nós votamos juntos.
- Nas eleições municipais deste ano, 2012, o sr. acha que a atuação dos políticos da bancada evangélica ou o movimento em geral terá uma atuação de que forma? Por exemplo, no caso de São Paulo, o candidato do Partido dos Trabalhadores [PT] a prefeito deve ser Fernando Haddad, que foi ministro da Educação e teve envolvido no seu Ministério esse kit de informações a respeito de homofobia nas escolas. Como o sr. acha que esse tema vai ser tratado nas eleições?
- Olha, confesso a você que, pelo menos no Rio de Janeiro, esse tema vai ter uma importância muito grande. Porque o posicionamento em relação a princípios do atual prefeito, Eduardo Paes [do PMDB], embora ultimamente ele tenha recebido apoio de alguns pastores, é muito complicado. O último filme da Prefeitura do Rio de Janeiro para divulgar a cidade do Rio de Janeiro no exterior, divulgado pela Riotur [Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro] foi obrigado a ser retirado do Youtube. Apareciam dois homens se beijando no filme durante um longo e afetuoso beijo e duas mulheres se beijando. Quando ele sentiu a repercussão desse filme, ele retirou. Então o Eduardo Paes é um notório defensor de políticas que vão contra princípios cristãos. Não são princípios evangélicos. Quem mais tem combatido de forma veemente a atitude tomada por alguns governos é o Papa [Bento XVI]. Recentemente o Papa Bento deu uma declaração importante a esse respeito, que a Igreja Católica tem o dever de guardar os princípios que ela defende.
- Não é segredo para ninguém, todos nós acompanhamos em 2010 esse tema num determinado momento da campanha presidencial foi muito forte. Tema dos valores cristãos, princípios cristãos como o sr. diz. O sr. acha que esse tema, ele voltará de maneira forte, de maneira generalizada na eleição de prefeitos neste ano portanto?
- Eu creio que sim. Por quê? Quando você vota para escolher um prefeito, um governador, um presidente, você não vota só para escolher um administrador. Administrar é uma parte importante de um líder. Porque um prefeito é um líder de uma cidade. Um governador é um líder de um Estado. Ele inspira pessoas. Ele transmite valores. Então eu creio que este assunto será importante também. Você não vota para escolher um gerente. O prefeito também é um gerente. Mas o prefeito além de gerente, é um líder, que inspira. Ele transmite pensamentos. Outro dia dando uma entrevista a outro veículo de comunicação, e tecendo uma crítica a pessoas que não têm claramente uma definição, a repórter me disse assim: “Mas como o sr. pode explicar uma aliança do sr. com o Cesar Maia?”. Eu disse: “Olha, é muito mais fácil explicar uma aliança de duas pessoas que têm posição do que de quem não tem posição”. Aí disse para ela: “Eu sou um nacionalista. Um trabalhista, sempre me defini assim, não mudei. O Cesar Maia é um liberal”. Aí eu perguntei: “E o Sérgio Cabral é o quê?”. Ela disse: “Ele é… sei lá”. Ele é oco.
- Mas, já que o sr. mencionou sua aliança com Cesar Maia neste ciclo eleitoral. Tudo aquilo que o sr. disse sobre ele e ele disse sobre o sr. está superado?
- Olha, não é que esteja superado. Mas em momentos da história, as alianças são necessárias para combater o mal maior, que é o que está estabelecido no Rio hoje. A aliança entre Sérgio Cabral, os meios de comunicação comprados, a mídia do Rio de Janeiro hoje é uma mídia comprada. Absolutamente vendida ao governo. As notícias mais importantes sobre o Rio de Janeiro saem na imprensa de São Paulo. Não saem na imprensa do Rio de Janeiro. E, vamos dizer assim, aquela elite…
- O sr. não está exagerando um pouco?
- Não. Não estou. Basta que você faça um acompanhamento crítico a respeito do que ocorre hoje nos jornais do Rio de Janeiro. Eu te pergunto: um governador que tivesse dito que as mulheres moradoras de favelas são fábricas de marginais… Quem disse isso foi o Sérgio Cabral. Um governador que tivesse mandado prender 436 bombeiros de uma vez só, fato que nem a ditadura militar, a não ser naquele congresso [da UNE] de Ibiúna, mandou prender tantas pessoas de uma vez. Um governador que tivesse chamado os médicos de vagabundos. Um governador que tivesse chamado os professores de preguiçosos. E outras pérolas que o Sérgio Cabral tem feito… Ou então um governador que tivesse viajado em aviões de empresários famosos, que ganham contratos milionários, com incentivos fiscais do governo. Um governador que tivesse concedido, como ele concedeu, incentivos fiscais ao seu cabeleireiro particular. Um governador que, numa situação, vamos dizer assim, mais hilária possível, a sua mulher é flagrada advogando para os concessionários do Estado. Metrô e SuperVia. Ele diz assim: “Não, essas empresas contrataram a minha esposa porque a Adriana é a melhor advogada do Brasil”. O que é que teria acontecido com esse governador se ele não estivesse blindado?
- Bom, mas deixa eu voltar aqui pro tema, porque a gente começou falando da sua aliança com César Maia. O sr. tem muitas frases desairosas sobre César Maia e ele sobre o sr. em algum momento…
- Mas eu não deixei de ser um trabalhista, nem ele um liberal. Nós estamos unidos em cima de uma carta de princípios, que será lida no próximo dia 27 [de fevereiro] lá no Centro de Eventos do Sulamerica, que se chama “Aliança Republicana e Democrática”. Republicana do PR e democrática dos Democratas.
- Já é um fato consumado então que haverá uma aliança entre o PR e o Democratas…
- Em todo o Estado do Rio de Janeiro.
- Nas eleições o sr. acha possível que a frente parlamentar da qual o sr. faz parte atue para orientar os eleitores de maneira orgânica? Ou não, cada um em seu estado.
- Não porque infelizmente muitos evangélicos fazem alianças mais pelos seus interesses eleitorais do que pelos princípios.
- A presidente Dilma fez uma declaração se comprometendo com determinados princípios e valores na sua campanha para presidente em 2010.
- Eu me lembro.
- Ela recentemente nomeou como ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres a socióloga Eleonora Menicucci, que tem posições mais liberais a respeito de determinados temas, como por exemplo aborto. Ao nomear alguém com esse perfil a presidente continua fiel à sua promessa ou não?
- Isso nós só saberemos com o tempo, né? Vamos aguardar que a política de governo não seja a política da ministra, mas seja a política da presidente. Isso é no que nós confiamos. Vamos estar atentos e esperar que ela cumpra com aquela carta que ela enviou aos católicos e aos evangélicos. Ela foi até Aparecida [cidade do interior de São Paulo], onde assumiu um compromisso com a Igreja Católica. Ela foi até encontros promovidos com evangélicos e discutiu abertamente esse assunto e disse: “Eu não vou me intrometer nas questões pessoais”. E é isso que nós desejamos.
- O sr. acha que, por enquanto, a presidente tem cumprido a promessa dela?
- Olha, pelo menos todas as vezes em que ela é alertada de que algum de seus ministros não está cumprindo, ela se posiciona. Por exemplo, no caso das cartilhas. Ela estava enganada. Pelo que ela disse as cartilhas extrapolavam…
- As cartilhas sobre relacionamento homoafetivo?
- Não. Não era isso. Se fosse isso, perfeito. Combater a homofobia. Era o discurso. “Vamos combater a homofobia”. Eu também sou contra. Aliás, como governador eu fui o primeiro do país a criar o DDH. Disque Denúncia Homossexual. Qualquer violência contra o homossexual deve ser combatida. Só que aqueles vídeos e aquelas cartilhas eram promoção de uma opção sexual. Por exemplo, havia um vídeo chamado “Procurando Bianca”. O que é procurando Bianca? Eu nasci Pedrinho. Em determinado momento da minha vida, descobri que eu posso ser… não ser Pedrinho. Eu posso ser Bianca. E meu pai não gostou dessa ideia. Meu pai achou que isso não era bom. Mas mesmo assim eu decidi ficar firme na minha opção. Aí eu descobri uma coisa melhor: que sendo Bianca ou Pedrinho não faz diferença, porque eu tenho 50% de possibilidade de ser feliz como Pedrinho, 50% de ser feliz como Bianca, então a probabilidade é maior se eu tiver duas opções sexuais. Peraí. Você vai ensinar isso para uma criança? Isso para mim e para você vira até um filmezinho bobinho. Mas para um garoto na escola que está se formando, está formando o seu pensamento, isso não é uma coisa correta.
- Voltando à nomeação da nova ministra das mulheres, ela tem dito que tem uma posição histórica a respeito de determinadas políticas, como, por exemplo, ser a favor da descriminalização do aborto. Mas que agora cabe ao Congresso decidir. O sr. acha que essa é a posição correta?
- Correta. Por isso que eu disse: vamos esperar para ver se é a política da ministra ou se é a política do governo.
- O sr. acha que a presidente Dilma tem feito um bom governo, médio ou ruim?
- Você quer que eu fale da percepção que as pessoas acham…
- Não, da sua.
- Da minha? Péssimo.
- Péssimo governo. Por quê?
- Péssimo. Porque, como você mede um governo? Você mede um governo por critérios objetivos e não por sensação. Qual é o critério objetivo para você medir um governo? A execução orçamentária do governo. Basta olhar a execução orçamentária do ano passado. Foi pífia. Por exemplo: segurança pública, que é um tema que está em voga hoje. Quanto o governo gastou? O Pronasci [Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania] deveria se chamar “Promorre”, porque não gastou nada. É um programa que está indo para o fundo do poço. Você pega…
- Mas o sr. não vê nenhum mérito então no governo federal?
- Não. Eu não disse isso.
- Se é péssimo?
- Não. Você perguntou como eu estou vendo o governo até agora, até agora. Aí a execução orçamentária… Eu não estou julgando pela sensação. Qual é a sensação que se tem? Sensação que a presidente Dilma está fazendo um combate muito forte à corrupção. Não.
- Não está?
- Não.
- Tem mais corrupção hoje ou menos?
- Eu acho que ela está tirando do governo pessoas que foram colocadas pelo ex-presidente Lula e ela não poderia não saber dessas questões já que ela era a chefe da Casa Civil.
- Sim, mas tem mais ou tem menos corrupção hoje?
- Hoje?
- É.
- Olha, eu diria a você que continua no mesmo nível. Não aumentou nem diminuiu. O que eu reclamo é da ação administrativa. Me diga uma coisa com sinceridade. Você e aquele que nos ouve e que nos assiste. O PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]. Ele está andando? Não. O Minha Casa, Minha Vida, ele está andando? Não. O programa de recuperação das rodovias federais está andando? Não. A execução de políticas de segurança está andando? Não. O Sistema de Saúde… Diga-se de passagem, um dos melhores ministros do governo, em termos de atuação, é o ministro Padilha. Mas a Saúde não anda. O ponto de avanço que nós poderíamos ter com a Emenda 29 [texto aprovado em 2011 no Congresso e que fixa gastos mínimos da União, Estados e Municípios com saúde pública] ela [a presidente Dilma] vetou, que seria reajustar o orçamento toda vez…
- Como é que o sr. explica que ela tenha uma aprovação tão grande?
- Ué, Hitler [Adolf Hitler, líder nazista] também teve. Isso não quer dizer nada. Quando você tem uma sociedade onde…
- O sr. está comparando a presidente Dilma a Hitler?
- Não, não, não. Eu estou comparando… Por favor, não diga isso Fernando. O que eu estou dizendo é que popularidade não mede eficiência de governo. Você me perguntou o que eu acho da eficiência do governo. Se o governo é bom ou ruim. Você não me perguntou… Por isso que eu falei: “Você quer que eu fale da percepção das pessoas…”
- Mas porque é que as pessoas têm essa percepção? Isso é falso?
- Não. Porque, primeiro, o ambiente econômico do Brasil é bom. Há mais empregos sendo criado no Brasil. Há mais renda sendo distribuída no Brasil.
- O governo não teria mérito nisso?
- Não, tem. O que eu ia te dizer: são dois parâmetros para se medir um governo. Um é a eficiência na aplicação das políticas públicas. E outro é a atuação do governo na macro economia. Aí vai bem. Ok? São dois parâmetros. Se eu dissesse para você que a economia vai mal, eu estaria mentindo. A economia vai bem. As respostas do Brasil, inclusive diante da crise mundial, foram boas. Mas o que eu falo é o seguinte: 50% a 60% do governo são os resultados práticos das suas políticas. Qual foi a política do governo para agricultura, para segurança, para as estradas, para saúde, para a educação? Então foram políticas que não deram resultado até agora.
- O que o sr. vai… O que nós podemos imaginar para sua carreira política? O sr. vai fazer 52 anos agora em abril, não é isso? O que nós podemos imaginar dos seus planos futuros? O sr. já desejou ser presidente da República e não teve sucesso. O sr. pretende em 2014 disputar algum cargo majoritário? - Olha, eu acho que depende do que você entende como sucesso. Eu disputei a Presidência da República [em 2002] e tive mais de 15 milhões de votos com um minuto de televisão. Fiquei a a três pontos de José Serra [candidato do PSDB à Presidência em 2002] que foi ao segundo turno com [contra] o Lula [candidato do PT]. Não me deixaram disputar a eleição seguinte [de 2006], criando uma mentira que, finalmente, eu venci na Justiça, de que eu havia viajado num avião de um traficante. A “Veja” publicou isso na primeira página às vésperas da convenção do PMDB [partido ao qual Garotinho era filiado em 2006] para me impedir de ser candidato, por desejo dos tucanos e dos petistas, que não queriam um terceiro nome para quebrar essa polarização que existe hoje no Brasil. Eu não sei. Eu não estou preocupado com o dia de amanhã. Eu quero se rum bom deputado federal. Meu nome hoje lidera as pesquisas no Rio de Janeiro para governador [cargo para o qual haverá eleições em 2014], as que eu tenho acesso e as que têm sido feitas pelo Palácio Guanabara. Eu tenho em torno de 40% [de intenção de votos], o segundo colocado é o senador Lindbergh [Lindbergh Farias, do PT do Rio de Janeiro] com 17%. Os candidatos do governo aparecem com 4%, 5%, que são o vice-governador [Fernando Pezão] e o secretário Beltrame [José Mariano Beltrame, secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro]. Mas isso é ainda muito cedo. Vamos aguardar. Tudo pode acontecer. Eu quero dizer só a você o seguinte: essa ideia de Presidência da República… com quantos anos o Lula foi presidente? Com quantos anos a Dilma foi presidente? Você disse: você vai completar 52 anos! Tem muita estrada pela frente.
- O sr. acha que, jogando para frente o cenário atual, em 2014 teremos quais forças principais disputando a sucessão junto à presidente Dilma se ela vier a ser candidata à sucessão?
- Tudo vai depender de Lula. Lula hoje é um grande eleitor. Não há dúvida, não há como negar. Pode-se ter divergência com ele. Mas ele é um grande eleitor. As informações que eu tenho é que, antes de adoecer, e por isso eu digo que tudo depende do Lula, o Lula estava já incomodado em ficar de fora da vida pública. E que ele dava como certa a volta dele. Se ele se recuperar e for candidato, eu acho que vai haver uma concentração em torno dele. Sendo a Dilma a candidata, aí eu já não sei. Eu acho que nós teremos aí a Marina, teremos o PSDB, que precisamos saber se ele vai ficar inteiro até lá, entre José Serra [do PSDB de São Paulo] e Aécio Neves [do PSDB de Minas Gerais], e vamos ter uma candidatura mais à esquerda, uma candidatura talvez do PSOL.
-  O sr. mencionou o PSDB. José Serra e Aécio Neves. Qual dos dois o sr. acha mais competitivo?
- No momento? Eu acho [que é] José Serra.
- O sr. acha que ele [José Serra] deve ser candidato a prefeito de São Paulo? Tem essa especulação.
- Ah, eu não quero me meter nisso. Os tucanos já brigam demais…
- O sr. é do Rio de Janeiro, pode falar à vontade.
- Eu acho que o Serra não devia ser candidato. Devia se guardar para o cenário nacional.
- E o PR, o que deve fazer em São Paulo?
- Você quer saber minha opinião?
- Sim.
- Candidatura própria. Buscar um candidato próprio.
- Muito bem. Deputado Anthony Garotinho, muito obrigado por sua entrevista.
- Muito obrigado a você e a todos do UOL

  • Quinta-feira, 16 Setembro 2010 / 10:29

Datafolha: Dilma vence no 1º turno

                                                Fernando Rodrigues*
 
     Apesar do intenso noticiário das últimas semanas sobre a quebra dos sigilos fiscais de tucanos, a corrida presidencial entrou em fase de alta estabilidade nas taxas de intenção de voto dos principais candidatos. Dilma Rousseff (PT) venceria a disputa no primeiro turnos e a eleição fosse hoje. Segundo pesquisa Datafolha nos dias 13 a 15 deste mês com 11.784 entrevistas em todo o país, a petista tem 51%. Oscilou um ponto percentual para cima em relação ao levantamento anterior, dos dias 8 e 9.
A margem de erro máxima é de dois pontos, para mais ou para menos. Quando se consideram só os votos válidos, os dados apenas aos candidatos (excluindo-se os brancos e os nulos), Dilma vai a 57%. José Serra (PSDB) ficou exatamente como há uma semana, com 27%. Marina Silva (PV) também repetiu sua taxa de 11%. Em votos válidos, o tucano tem 30%. A verde fica com 12%. Há 4% que dizem votar em branco, nulo ou nenhum. Outros 7% se declaram indecisos. Os demais seis candidatos não pontuaram, segundo o Datafolha -que realizou a pesquisa sob encomenda da Folha e da Rede Globo.
O levantamento comprovou que teve impacto mínimo até agora, quase imperceptível, o escândalo da quebra de sigilo de tucanos e da filha de Serra, Veronica. O Datafolha apurou que 57% dos eleitores tomaram conhecimento do assunto. Mas, apesar de a maioria conhecer o caso, só 12% se consideram bem informados a respeito.
As taxas de maior conhecimento estão entre os mais escolarizados (86%) e os que têm maior renda mensal (84%). Mas esses segmentos são minoritários no eleitorado e não provocaram alterações no quadro geral.
Numa estratificação apenas dos que se declaram mais bem informados, a taxa de intenção de votos de Dilma fica em 46% (contra os 51%no cômputo geral). Serra vai a 33% e Marina oscila para 14%. Ou seja, a soma do tucano com a verde daria 47%, e o cenário seria de um possível segundo turno.
No outro extremo, entretanto, quando são separados apenas os eleitores que nunca ouviram falar do caso da quebra de sigilos fiscais de tucanos, Dilma vai a 53%, Serra desce a 24% e Marina pontua apenas 8%. A estabilidade do quadro geral apurado pelo Datafolha também aparece em quase todos os segmentos pesquisados pelo instituto.
Na simulação de segundo turno, Dilma venceria com 57%, contra 35%de Serra. Os percentuais eram 56% e 35% há uma semana. Do ponto de vista geográfico, as únicas variações significativas e além da margem de erro ocorreram no Paraná, no Rio Grande do Sul, em Brasília e em Belo Horizonte. Dilma perdeu oito pontos em Curitiba (PR) e voltou a ficar atrás de Serra nessa capital. A petista tem 28%, contra 36% do tucano. No Paraná como um todo, ela recuou cinco pontos -mas ainda lidera por 41% a 35%.
A petista também piorou seu desempenho em Brasília, saindo de 51% para 43%, mas continua líder porque Serra está com 21%. No Rio Grande do Sul e em Belo Horizonte ocorreu o inverso, com Dilma melhorando seu desempenho.
Entre os gaúchos, a petista foi de 43% para 45%, e Serra desceu de 38% para 34%. Na capital mineira, a petista foi de 40% para 44%. Serra oscilou de 23% para 25%.
*Fernando Rodrigues é jornalista da ‘Folha’.

  • Quarta-feira, 15 Setembro 2010 / 10:35

Dilma e a onda governista

                                  Fernando Rodrigues*

     A onda governista registrada nas disputas pelo Senado também se repete nas eleições de governadores. Entre os 22 favoritos na corrida pelas 27 cadeiras, há 15 candidatos a governador que são abertamente a favor de Dilma Rousseff, a postulante do PT a presidente. Sete são a favor de José Serra, do PSDB.
Apesar da ampla vantagem dilmista entre os favoritos nas disputas estaduais, o que se observa a menos de 20 dias da eleição é um quadro de estabilidade na divisão partidária dos cargos.
Nenhum partido emergirá em 2011 como hegemônico em termos de governos estaduais, embora exista uma tendência de aumento moderado nas siglas pró-Planalto. Hoje, por exemplo, o PT tem quatro Estados. Se confirmar as pesquisas, poderá chegar a seis no ano que vem.
Como há chance real de o PT vencer no RS, a sigla de Luiz Inácio Lula da Silva agregará também um número significativamente maior de eleitores sob seu comando. Hoje, são 16,2 milhões.
Se ganhar onde tem candidatos isolados em primeiro lugar, a agremiação comandará 21,4 milhões de eleitores a partir de 2011.
No caso do PSDB há ainda algumas dúvidas sobre o desempenho final da sigla, sobretudo pela situação de Minas Gerais.
Os tucanos têm um candidato em ascensão nessa disputa, Antonio Anastasia, mas não está segura a possibilidade de vitória -o nome do PMDB, Hélio Costa, segue com alta taxa de intenção de votos, segundo o Datafolha.
No momento, o PSDB tem seis governadores e comanda um massa de 59,8 milhões de eleitores, sobretudo por causa de Estados numerosos como SP, MG e RS.
Entre os gaúchos, a chance de reeleição de Yeda Crusius é diminuta. Só mesmo a eleição paulista parece mais certa nessas três localidades.
Quando se consideram os quatro candidatos do PSDB que estão em primeiro lugar isolados, além da margem de erro, o partido poderá sair com mais certeza desta eleição com os governos de SP, PA, GO e RR.
Por causa do eleitorado paulista, só essas quatro vitórias já dariam à agremiação 39,4 milhões de eleitores sob seu comando.
O PMDB, há muitos anos o campeão em número de governadores, hoje tem 9 Estados. Mas nas pesquisas aparecem, pelo menos por enquanto, só cinco peemedebistas isolados em primeiro lugar. Isso daria ao partido 22,5 milhões de eleitores.
O DEM continua em situação delicada, mas pode sair da eleição melhor do que entrou. Hoje, não tem nenhum governador. Nas pesquisas, há candidatos demistas em primeiro lugar isolados em SC e no RN. Se confirmar esse favoritismo, comandará 6,8 milhões de eleitores.
Entre os partidos de menor porte, chama a atenção o PSB. Ele tem quatro Estados e deve manter o número. Essas localidades têm 16,9 milhões de eleitores.
* Fernando Rodrigues é jornalista da ‘Folha’.

  • Sábado, 21 Agosto 2010 / 7:53

Dilma vence Serra no 1º turno

      De Fernando Rodrigues, da ‘Folha’:
“Na primeira pesquisa Datafolha depois do início da propaganda eleitoral no rádio e na TV, a candidata a presidente Dilma Rousseff (PT) dobrou sua vantagem sobre seu principal adversário, José Serra (PSDB), e seria eleita no primeiro turno se a eleição fosse hoje.
Segundo pesquisa Datafolha realizada ontem em todo o país, com 2.727 entrevistas, Dilma tem 47%, contra 30% de Serra. No levantamento anterior, feito entre os dias 9 e 12, a petista estava com 41% contra 33% do tucano.
A diferença de 8 pontos subiu para 17 pontos. Marina Silva (PV) oscilou negativamente um ponto e está com 9%. A margem de erro máxima do levantamento é de dois pontos percentuais.
Os outros candidatos não pontuaram. Os que votam em branco, nulo ou nenhum são 4% e os indecisos, 8%.
Nos votos válidos (em que são distribuídos proporcionalmente os dos indecisos entre os candidatos e desconsiderados brancos e nulos), Dilma vai a 54%. Ou seja, teria acima de 50% e ganharia a disputa em 3 de outubro.
Os que viram o horário eleitoral alguma vez desde que começou, na terça-feira, são 34%. Entre os que assistiram a propaganda, Dilma tem 53% e Serra, 29%.
Nos primeiros programas, Dilma apostou na associação com Lula, que tem 77% de aprovação, segundo o último Datafolha (leia texto sobre propaganda na pág. A6).
A petista cresceu ou oscilou positivamente em todos os segmentos, exceto entre os de maior renda (acima de dez salários mínimos).
Dilma tinha 28% de intenção de voto entre os mais ricos e manteve esse percentual. Mas sua distância para Serra caiu porque o tucano recuou de 44% para 41% nesse grupo, que representa apenas 5% do eleitorado.
Já entre as mulheres, Dilma lidera pela primeira vez. Na semana anterior, havia empate entre ela e Serra, em 35%. Agora, a petista abriu 12 pontos de frente nesse grupo: 43% contra 31% de Serra.
Marina tinha 11% e está com 10% entre as mulheres. A verde continua estável desde março no Datafolha. Tem mostrado alguma reação só entre os mais ricos, faixa em que tinha 14% há um mês, foi a 17% e agora atingiu 20%.
A liderança de Dilma no eleitorado masculino é maior do que entre o feminino: tem 52% contra 30% de Serra. A candidata do PV tem 8%.
Outro número bom para Dilma é o empate técnico no Sul. Ela chegou a 38% contra 40% de Serra. Há um mês, ele vencia por 45% a 32%.
Serra não lidera de forma isolada em nenhuma região. No Sudeste, perde de 42% a 33%. No Norte/Centro-Oeste, Dilma tem 50%, e ele, 27%.
No Nordeste a petista teve uma alta de 11 pontos e foi a 60% contra 22% do tucano.
Houve também um distanciamento de Dilma na disputa de um eventual segundo turno. Se a eleição fosse hoje, ela teria 53% contra 39% de Serra. Há uma semana, ela tinha 49% e ele, 41%.
Na pesquisa espontânea, em que eleitores declaram voto sem ver lista de candidatos, Dilma foi de 26% para 31%. Serra foi de 16% a 17%”.

  • Domingo, 15 Agosto 2010 / 12:06

49% acreditam na vitória de Dilma

     Do jornalista Fernando Rodrigues, da ‘Folha’:
“Além de ter se isolado à frente na pesquisa Datafolha para presidente, Dilma Rousseff (PT) ampliou entre os eleitores a percepção de que será a vitoriosa em 3 de outubro. Para 49% a petista vencerá, contra 25% que apostam no êxito de José Serra (PSDB). A margem máxima de erro é de dois pontos.
Há 20 dias, 41% achavam que Dilma se elegeria, contra 30% que apontavam Serra.
É comum haver assimetria entre a expectativa de vitória e aintenção de voto. Segundo a pesquisa do Datafolha feita de 9 a 12 deste mês, Dilma tem 41%, e Serra, 33%. A diferença de oito pontos na intenção de voto se converte em 24 pontos quando se trata da expectativa de vitória.
Outro indicador mostra o viés de alta de Dilma. Dos que optam por Dilma, 80% dizem que seu voto a favor da petista está “totalmente decidido” e 19% ainda admitem mudar. Dos eleitores de Serra, 70% estão totalmente decididos e 28% admitem mudar. No eleitorado de Marina, só 59% se dizem decididos.
Esses percentuais indicam que os votos em Marina e em Serra são menos sólidos do que os de Dilma. Essa maior volatilidade entre serristas e marinistas indica haver um potencial para baixas na intenção de votos de ambos.
Encomendada pela Folha e pela Rede Globo, a pesquisa Datafolha revela um crescimento de Dilma após meses de estabilidade entre os eleitores que aprovam Lula.
A intenção de voto de Dilma entre esses lulistas saiu de 43% na pesquisa de 20 a 23 de julho para 49% agora. Já Serra tinha 32% há 20 dias e agora recuou para 27%.
Dilma também já mostra força em capitais importantes, antes redutos serristas. Em Belo Horizonte, há 20 dias, Serra vencia com 41% contra 31% da petista. Agora, Dilma foi a 34% e ele recuou para 32%. O mesmo ocorreu em São Paulo. Ele vencia Dilma por 39% a 34% em julho. Agora, o tucano está com 40% e a petista obteve 37%, situação também de empate.
Nas regiões metropolitanas, Dilma e Serra estavam empatados há 20 dias, cada um com 35%. Agora, ela foi a 40% e ele caiu para 30%”.

  • Quinta-feira, 05 Agosto 2010 / 10:12

Debate terá efeito incerto

         Análise do repórter Fernando Rodrigues da ‘Folha’:
“A audiência de debates eleitorais na TV nunca é das maiores. O assunto (política) é pouco atraente para o grande público na comparação com novelas e reality shows. Para complicar, esses eventos são quase sempre transmitidos após as 22h, quando a maioria dos eleitores já pensa em ir dormir.
A influência dos confrontos diretos é incerta. Ocorre sempre nos dias seguintes se uma grande gafe foi cometida. Quando os candidatos se mantém dentro do esperado, o impacto é menor.
Foi assim em todas as eleições presidenciais desde 1989. Mas a repercussão tem ficado cada vez mais anódina e padronizada. Há uma lista caudalosa de imposições legais. Por exemplo, nenhum político pode usar nas suas propagandas eleitorais na TV cenas com políticos de outros partidos -ou seja, imagens constrangedoras de adversários em debates.
Criou-se também uma cultura de autocensura das emissoras de rádio e de TV: na dúvida sobre como divulgar um comentário mais ácido de um político, evitam assuntos que possam resultar em uma multa aplicada pela Justiça Eleitoral. As TVs também só conseguem fazer debates se aceitam acordos prévios com os candidatos.
Para ter o debate de hoje à noite, a Bandeirantes se comprometeu a usar em seus telejornais imagens e áudios editados apenas das primeiras perguntas (iguais para todos) e as considerações finais. Os trechos com candidatos perguntando uns aos outros estão proibidos nos noticiários da emissora.
Os candidatos só aceitam participar assim, com regras rígidas. Querem minimizar previamente possíveis danos. A tática de responder de maneira genérica, com tergiversações, passa quase incólume. Jornalistas presentes aos debates são proibidos de comentar dizendo “o sr. (ou a sra.) não respondeu ao que foi perguntado”.
Ainda assim, o encontro direto entre candidatos a presidente é o que há de mais próximo de uma área de risco para políticos de olho no Palácio do Planalto.
Apesar das regras bizantinas e das intensas sessões de treinamento a que os candidatos se submetem (ou “coaching”, para usar o anglicismo corrente nas campanhas), existe sempre a possibilidade de alguém perder o controle, de falar fora do tom ou de se revelar menos preparado do que nas belas propagandas partidárias filmadas em película.
Embora as imagens do programa tenham um tratamento comedido por parte das emissoras de TV nos dias seguintes, no território livre da internet haverá todo tipo de interpretação -ou manipulação. Será também uma forma de aferir o efeito dos vídeos na web no atual processo eleitoral brasileiro.

  • Quarta-feira, 04 Agosto 2010 / 11:36

Eleições, recorde de debates

    José Serra insiste em dizer que Dilma Rousseff foge dos debates pois não tem o que dizer de improviso.
Hoje, na ‘Folha’, o excelente repórter Fernando Rodrigues assina uma matéria demonstrando exatamente o contrário: nunca se fez tanto debate no país.
Eis o seu texto:
“A história é antiga. Em períodos eleitorais, sempre há no ar a sensação (verdadeira) de que os candidatos a presidente evitam debates.
Desta vez, os presidenciáveis podem até se esquivar da boa troca de ideias, mas 2010 ficará marcado por ter o maior número de debates da história entre os mais bem colocados nas pesquisas.
Amanhã, na TV Bandeirantes, começa a temporada desses encontros. Ao todo, serão cinco até o dia 3 de outubro -sempre reunindo, pelo menos, os três primeiros colocados nas pesquisas. Em todas as outras eleições presidenciais brasileiras, nunca todos os favoritos estiveram presentes a tantos debates.
Há também uma novidade: o debate Folha/UOL, marcado para o dia 18 e o primeiro até hoje com transmissão ao vivo pela internet. Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) estarão presentes. Farão um confronto aberto, com menos regras do que as impostas ao rádio e à TV.
A eleição com mais debates foi 1989: ao todo, oito no primeiro turno. Um recorde numérico, mas não qualitativo. Nenhum desses encontros contou com o candidato depois vencedor, Fernando Collor de Mello. Ou seja, seria como realizar agora um debate sem Serra ou Dilma.
Em 1994, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) só aceitou debater uma vez. Em 1998, não houve debates.
Em 2002, houve três debates entre os mais bem colocados nas pesquisas: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Serra, Anthony Garotinho (PSB) e Ciro Gomes (PPS). Em 2006, foi a vez de Lula fazer “forfait”: faltou a todos os debates no primeiro turno”.

  • Sábado, 24 Julho 2010 / 9:11

Datafolha: empate de Serra e Dilma

    Do jornalista Fernando Rodrigues, da ‘Folha’:
“Na terceira semana oficial da campanha, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) seguem empatados na corrida presidencial. O tucano está com 37% contra 36% de Dilma, mostra o Datafolha. A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 23, com 10.905 entrevistas em todo o país. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos.
Na última pesquisa, de 30 de junho e 1º de julho, Serra havia registrado 39%, contra 37% de Dilma. Ambos oscilaram negativamente, mas dentro da margem de erro. Marina Silva (PV) tinha 9% e agora foi a 10%.
Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) pontuou pela primeira vez nesta eleição, marcando 1%. Zé Maria (PSTU) também tem 1%. Outros quatro candidatos de partidos pequenos que concorrem a presidente foram incluídos na pesquisa, mas não atingiram 1%.
O Datafolha continua a captar uma estabilidade no número de eleitores indecisos ou que votam em branco ou nulo: 4%, o mesmo percentual do último levantamento. Os indecisos são 10%, contra 9% no levantamento anterior.
Numa simulação de segundo turno, o cenário repete o de maio, com Dilma numericamente à frente de Serra, mas dentro da margem de erro: a petista tem 46% contra 45% do tucano.
Na pesquisa espontânea, quando o entrevistado responde em quem pretende votar sem ver a lista de candidatos, o resultado é favorável a Dilma Rousseff. Ela tem 21% e se manteve estável em relação aos 22% da outra pesquisa. Já Serra tinha 19% e recuou para 16%.
A petista também tem potencialmente a seu favor as respostas dos 4% que declaram querer votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Outros 3% respondem ter intenção de escolher o “candidato do Lula” e 1% quer um “candidato do PT”. Na sondagem sobre intenção de voto espontânea, os indecisos são 46%, contra 42% no início do mês. Marina Silva (PV) tem melhorado sua marca lentamente: 2% em abril, 3% em maio e junho, e, agora, foi a 4%.
Há também um quadro de poucas mudanças na rejeição dos candidatos. Os que não votariam no ex-governador “de jeito nenhum” são 26% (eram 24% da última pesquisa).
Dilma tem 19% (antes o percentual era 20%). Entre os candidatos mais competitivos, Marina é a menos rejeitada apenas 13%). Na divisão do voto por regiões do país, não houve também inversão de posições. O tucano lidera no Sul e no Sudeste. Dilma ganha no Nordeste e no Norte/Centro-Oeste”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:07

Datafolha: Serra 36%, Dilma 27%

De Fernando Rodrigues, da ‘Folha’:
“O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, abriu nove pontos de vantagem sobre a petista Dilma Rousseff e voltou a ser líder isolado na corrida ao Palácio do Planalto.
Pesquisa Datafolha realizada nos dias 25 e 26 deste mês mostra o tucano com 36%. A petista tem 27%. Há um mês, eles tinham 32% e 28%, respectivamente, no mesmo cenário.
Como a margem de erro da pesquisa Datafolha é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, Serra apresentou crescimento real – embora tenha retornado ao patamar de dezembro, quando tinha 37%.
Já Dilma, pela primeira vez não apresentou crescimento na sua curva de intenção de votos: a petista oscilou negativamente um ponto percentual.
No mesmo levantamento, Ciro Gomes (PSB) ficou com 11% (tinha 12% em fevereiro e 13% em dezembro). Marina Silva (PV) está estacionada e manteve os mesmos 8% obtidos em dezembro e há um mês. Indecisos, brancos e nulos somam 7% e 11% não souberam responder.
Quando o Datafolha exclui Ciro da lista de candidatos, o cenário fica semelhante. Serra vai a 40% contra 30% de Dilma -a diferença entre ambos passa de nove para dez pontos, mas essa variação está dentro da margem de erro.
Sem Ciro, Marina pula para 10% e continua sem ameaçar o pelotão da frente.
2º turno e rejeição
As simulações de segundo turno seguiram os cenários de primeiro turno, com a recuperação de Serra. Numa hipotética disputa entre Serra e Dilma, o tucano venceria hoje com 48% contra 39% da petista -uma distância de nove pontos. Em fevereiro, os percentuais eram de 45% a 41%.
Em termos de rejeição, do ponto de vista estatístico, os quatro principais concorrentes estão empatados no limite da margem de erro, mas quem numericamente tem o pior índice é Ciro Gomes, com 26%. Colados a ele vêm José Serra (com 25%), Dilma Rousseff (23%) e Marina Silva (22%).
Espontânea e nanicos
As curvas da pesquisa espontânea, quando o entrevistado diz em quem deseja votar sem ver uma lista de nomes, têm uma evolução discrepante do levantamento estimulado.
Diferentemente do que ocorreu na pesquisa em que o eleitor vê seu nome, em que está estabilizada, Dilma continuou sua curva ascendente no levantamento espontâneo. Tinha 8% em dezembro, passou a 10% em fevereiro e agora chegou a 12%.
Esse percentual a coloca à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (8%), que, até dezembro, liderava com folga a pesquisa espontânea. Isso mostra que a cada pesquisa o eleitor deixa de citar o nome do atual presidente porque vai percebendo que o petista não será candidato.
Serra pontuou 8%, o mesmo percentual de dezembro. Ciro e Marina marcaram 1% cada. Houve também 3% para “candidato do Lula” e 1% para “no PT/candidato do PT”.
Pela primeira vez o Datafolha pesquisou candidatos de partidos pequenos. Por enquanto, só Mario de Oliveira (PT do B) conseguiu menções para pontuar 1%. Todos os demais estão abaixo desse patamar”.

Copyright © 2010. Todos os direitos reservados.