• Domingo, 08 Abril 2012 / 13:10

Presidente Demóstenes em Nova York

                                                        Elio Gaspari*
        Setembro de 2015: eleito presidente da República, em novembro do ano passado, Demóstenes Torres chegou ontem a Nova York para abrir a Assembleia Geral das Nações Unidas. Reuniu-se com o presidente Barack Obama, de quem cobrou uma política mais agressiva contra os governos da Bolívia, Equador e Venezuela, “controlados por aparelhos partidários que sonham em transformar a América Latina numa nova Cuba”. Antes de embarcar, Demóstenes abriu uma crise diplomática com o Paraguai, anunciando sua intenção de rever o tratado da hidrelétrica de Itaipu.
O presidente brasileiro assumiu prometendo fazer “a faxina ética que o país precisa”. Para isso, criou um ministério com superpoderes, entregue ao ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Numa reviravolta em relação a suas posições anteriores, o presidente apoiou um projeto que legaliza o jogo no país. Ele reestruturou o programa Bolsa Família, reduzindo-lhe as verbas e criando obstáculos para o acesso aos seus benefícios. Patrocinou projetos reduzindo a maioridade penal para 16 anos, e autorizando a internação compulsória de drogados. Determinou que uma comissão especial expurgue o catálogo de livros didáticos distribuídos pelo Ministério da Educação. Atualmente, percorre o país pedindo a convocação de uma Assembleia Constituinte. A oposição do Partido dos Trabalhadores denuncia a existência de uma aliança entre o presidente e quase todos os grandes meios de comunicação do país.
Ao desembarcar no aeroporto Kennedy, Demóstenes ironizou as críticas à presença de uma jovem assessora na sua sua comitiva: “Lamentavelmente, ela não é minha amante, porque é linda”. À noite o presidente compareceu a um jantar no restaurante Four Seasons, organizado pelo empresário Claudio Abreu, que até março de 2012 dirigia um escritório regional de relações corporativas da empreiteira Delta. Abreu é o atual secretário-executivo da Comissão de Revisão dos Contratos de Grande Obras, presidida pelo ex-procurador geral Roberto Gurgel. Chamou a atenção na comitiva do presidente o fato de alguns integrantes carregarem celulares habilitados numa loja da rua 46. Eles são chamados de “Clube do Nextel”.
Em 2012 a carreira do atual presidente foi ameaçada por uma investigação que o associava ao empresário Carlos Augusto Ramos, também conhecido como “Carlinhos Cachoeira”, marido da ex-mulher do atual senador Wilder Pedro de Morais, que era suplente de Demóstenes. O trabalho da Polícia Federal foi desqualificado pela Justiça. O assunto foi esquecido quando surgiram as denúncias do BolaGate contra o governo da presidente Dilma Rousseff envolvendo contratos de serviços e engenharia de estádios para a Copa do Mundo, cancelada em 2013. A eleição de campeões da moralidade é um fenômeno comum no Brasil. Em 1959 Jânio Quadros elegeu-se montando uma vassoura. Em 1989, triunfou Fernando Collor de Mello. O primeiro renunciou numa tentativa de golpe de Estado e terminou seus dias apoquentado por pressões familiares para que revelasse os números de suas contas bancárias no exterior. O segundo deixou o poder acusado de corrupção e viveu por algum tempo em Miami, elegeu-se senador e apoiou a candidatura de Demóstenes. O tesoureiro de sua campanha foi assassinado.
Presente ao jantar do Four Seasons, o empresário Carlos Augusto Ramos não quis falar à imprensa. Ele hoje lidera o setor da industria farmacêutica brasileira beneficiado pelos incentivos concedidos no governo anterior. Ramos chegou acompanhado pelo ministro dos Transportes, Marconi Perillo, que governou o Estado do presidente e foi o principal articulador do apoio do PSDB à sua candidatura. Uma dissidência do PT, liderada pelo deputado Rubens Otoni, também apoiou a candidatura de Demóstenes. O presidente anunciou que a BingoBrás será presidida por um ex-petista.
Abril de 2012: quem conhece o tamanho do conto do vigário moralista de Fernando Collor e Jânio Quadros sabe que tudo o que está escrito aí em cima poderia ter acontecido.
*Elio Gaspari é jornalista.

  • Terça-feira, 17 Agosto 2010 / 11:50

TV não mudará resultado

    É dura a vida do candidato José Serra.
Veja o que diz a reportagem da ‘Folha’, assinada por Ranier Bragon e Fernanda Odilla:
“A campanha na TV tem histórico de relevantes movimentações na intenção de voto dos candidatos à Presidência, mas até hoje não teve impacto suficiente para tirar a vitória daquele que iniciou o período na dianteira.
Nas cinco eleições presidenciais após a redemocratização -de 1989 a 2006-, saiu vitorioso o candidato que liderava as pesquisas imediatamente antes da entrada da campanha na TV.
A análise das planilhas do Datafolha mostra que se encontravam nessa situação Fernando Collor (PRN) em 1989, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 1994 e 1998, e Lula (PT) em 2002 e 2006 -em 94, FHC dividia a ponta com Lula, em empate técnico, mas em ascensão.
Apesar disso, a propaganda televisiva coincidiu com períodos de movimentações que em dois casos levaram um cenário de vitória em primeiro turno para o segundo.
Em 1989, Collor abriu o período da propaganda com sete pontos de vantagem sobre todos os principais oponentes somados. No final, havia caído de 40% para 26% na pesquisa. Embolado na terceira posição, Lula praticamente dobrou seu índice e, por margem estreitíssima, derrotou Leonel Brizola (PDT) e foi ao segundo turno.
Nas vitórias de 1994 e 1998, ambas no primeiro turno, FHC tinha mais minutos na programação eleitoral e assistiu no período televisivo a uma ampliação da vantagem em relação a Lula. Já em 2002, Lula iniciou a TV com Ciro Gomes (PPS) como seu principal oponente. Entretanto, Ciro derreteu de 27% para 11% das intenções de voto, desempenho em parte atribuído à exploração na TV de frases polêmicas e da discussão com um eleitor.
José Serra (PSDB), dono da maior fatia eletrônica, acabou indo ao segundo turno.
“O horário eleitoral sepultou as chances de Ciro por conta das bobagens que ele falou”, disse o cientista político Marcus Figueiredo, professor da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), Autor de estudos sobre o tema, ele diz que a propaganda na TV constrói a imagem dos candidatos e pauta debates, mas que está longe de ser a única variável para que o eleitor defina seu voto.
Na disputa de Lula pela reeleição, em 2006, o petista vencia o conjunto dos principais oponentes por dez pontos no início da propaganda.
Em meio à repercussão do episódio em que petistas foram presos tentando comprar um dossiê antitucano e após faltar ao último debate, na TV Globo, teve que disputar o segundo turno com Geraldo Alckmin (PSDB).
As planilhas do Datafolha mostram não haver padrão sobre o momento da campanha na TV em que as intenções de voto se estabilizam. Houve mudanças, no entanto, no resultado final de outras eleições. Um dos exemplos mais claros é o da eleição de Gilberto Kassab (DEM) à Prefeitura de São Paulo, em 2008. Em 22 de agosto, na semana de início da propaganda na TV, ele tinha 14%, contra 41% de Marta Suplicy (PT) e 24% de Geraldo Alckmin (PSDB)”.

  • Quinta-feira, 29 Julho 2010 / 21:32

Collor quer “enfiar a mão” em jornalista

    Do repórter Eduardo Neco, do ‘Portal Imprensa’
“O senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL) ligou para a redação da sucursal de Brasília (DF) da revista IstoÉ, na tarde desta quinta-feira (29), e ameaçou esbofetear o jornalista Hugo Marques por conta de uma nota na edição de 21 de julho sobre o pedido de impugnação da candidatura do político alagoano.
“Quando eu lhe encontrar, vai ser para enfiar a mão na sua cara, seu filho da puta”, vociferou Fernando Collor após explicar ao repórter o motivo de sua ligação.
Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Marques declarou que, ao constatar o teor da ligação, desligou o telefone imediatamente. “Eu não queria ouvir insultos e nem responder. Fico preocupado dele tentar arrancar alguma agressividade minha. Se eu criar um conflito com ele, fico impedido de cobrir. Então não falei nada”, contou.
Sobre o fundamento das ameaças do ex-presidente – que concorre ao governo de Alagoas -, Marques pontuou que os dados sobre a candidatura de Collor estão no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Ele tem que convencer a Justiça Eleitoral, não a mim”. 
Marques afirmou que não irá se manifestar contra Collor, tampouco acionar entidades de classe, mas pontuou ser “lamentável” a atitude do ex-presidente “em um regime democrático”. “Não tenho nada contra ele, mas é lamentável que um sujeito desses ligue para uma redação e ameace uma pessoa. Ele poderia ter mais cautela, poderia respeitar os direitos humanos”.
De acordo com o repórter, Collor estaria desgostoso com a revista por conta de outras matérias em que o político é citado. Sobretudo a respeito de uma entrevista  com sua ex-mulher, Rosane Malta, em que é indicado como sonegador de impostos.
A respeito de um eventual encontro com o ex-presidente, Marques disse não estar temeroso. “Sou faixa roxa de Karatê (risos)”, afirmou. “Estou há 22 anos denunciando bandidos de peso pesado e essa deve ser a décima ameaça, e isso não me intimida”, finalizou.
A reportagem tentou contato com o diretório nacional e regional do PTB e com a coordenação de campanha de Collor e não obteve retorno. A assessoria de imprensa de seu gabinete no Senado declarou que não tem relação com as atividades do senador fora de seu mandato, e por isso não poderia se pronunciar”.

  • Quinta-feira, 22 Julho 2010 / 13:43

Todo poder a Collor

  Fernando Collor bem que poderia voltar para as Alagoas.
Vejam as vantagens:
1 – Ficaria confinado a seu Estado.
2 – Não usaria o mandato de senador para chantagear o governo, principalmente como integrante da Comissão de Relações Exteriores.
3 – Sumiria do plenário do Senado, e pouparia os brasileiros de assistirem cenas patéticas como aquela em que mandou o senador Pedro Simon engolir o que havia dito.
Para ajudar a campanha delle ao governo, ouçam o polêmico jingle que os adversários querem tirar do ar.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:55

Datena: Lula virou um Padre Cícero

   O apresentador de TV José Luiz Datena ficou famoso e ganhou audiência como repórter policial.
Mas foi a ele que José Serra decidiu anunciar que seria candidato à Presidência da República.
Em seguida, ele entrevistou Dilma Rousseff, que cantou para os telespectadores da Rede Bandeirantes, o tango ‘El dia que me quieras’.
Datena – apresentador do programa popular ‘Brasil Urgente’, de audiência média -  acabou virando uma estrela. Nessa segunda-feira, é ele o entrevistado da ‘Folha’, onde revela ao repórter Marcio Aith: “O Serra estaria mais preparado, mas a minha ligação com o Lula é um negócio muito legal. Acho que ele é um divisor de águas. Virou um Padre Cícero”. Por isso ele deve votar em Dilma. 
- Quem teve a ideia de entrevistar candidatos à Presidência num programa policial?
- Era um sonho antigo que eu tinha, mas, na verdade, fui procurado para entrevistá-los. Parece finalmente que os marqueteiros de plantão pegaram as caravelas e estão fazendo o que Cabral fez em 1500. Estão descobrindo o Brasil de novo, como eu tenho dito e escrito por aí. Como apresentador popular, quase sempre fui relegado a um segundo plano nas campanhas. Um jornalista de segunda classe. Mas os gênios se esqueciam de que quem vota é o povo que vê a televisão, ouve rádio e lê jornal.
- Como é que você conseguiu tirar do Serra a admissão de que seria candidato à Presidência?
- A assessoria dele chegou a perguntar pra mim: “você não vai abordar política na entrevista, não é?”. Eu respondi: “O que eu vou perguntar para ele não lhes interessa”. No meio da entrevista, ele deu uma brecha. Era o aniversário dele, e tinha uma criançada cantando os parabéns. Vi que quase chorou, porque gosta do neto pra caramba. Pensei: “nossa, o Serra chora”. Ali ele abriu a guarda e eu perguntei: “Se o sr está beijando criancinha é porque é candidato.” Ele respondeu: “Ainda não, Datena.” Eu disse: “Ainda não? Então o senhor vai ser candidato?” Ele: “Eu só pretendo lançar minha candidatura depois, em abril.” Pronto. A candidatura estava lançada.
- Mas por que ele teria dito isso ao senhor, naquele momento?
- Ninguém tira do cara o que ele não quer falar. Num momento ou outro ele falaria. Acho que o momento adequado foi criado para que ele abrisse a guarda. Alguém me perguntou: por que ele não falou para o William Bonner e falou para o Datena? Ora, quem estava ali era o Datena, não o Bonner.
- Qual é a estratégia para tirar mais revelações de candidatos?
- Se você deixa o cara à vontade, o cara fala mais. Se você começa a falar empolado, dá espaço para ele te enrolar.
- Qual dos dois candidatos foi melhor nas entrevistas?
- As duas foram legais. Falaram que o Lula não tinha gostado do desempenho da Dilma. Parece que isso não é a verdade absoluta. Não foi isso o que o Lula disse. O presidente recomendou a ela que se preparasse melhor. Mas o presidente não viu a entrevista. Algum cara disse a ele que ela estava insegura. Eu tenho outra impressão. Achei que a entrevista da Dilma a aproximou do povo do que estava antes. Ela foi mais solta do que de costume. Tive uma ótima impressão dela.
- E o Serra?
- O Serra é um avião. A Dilma tem que se preparar para enfrentar o Serra porque, no pau a pau, num debate político, o Serra está muito mais acostumado do que ela. Se ela descomplicar o palavreado dela, falar simples, pode até levar. Vai ser um páreo duro. Essa eleição pode ser decidida no primeiro turno, para um lado ou para o outro. Os dois foram muito bem. O Serra foi mais seguro. Aprendi a gostar do Serra.
- Em quem você vai votar?
- Ainda não decidi. Mas acho que vou votar na Dilma, por causa do Lula. Acho que a Dilma tem a capacidade para governar o país. O Serra estaria mais preparado, mas minha ligação com o Lula é um negócio muito legal. Acho que ele é um divisor de águas. Ele deu ao país a noção absolutamente exata de que um pobre pode ser presidente da República. O Lula virou um Padre Cícero. Mas, mesmo se o Serra ganhar, o país estará bem servido. Muito bem servido. Porque o Serra é um cara preparado.
- Qual deles é mais de esquerda?
- O Serra é muito mais socialista do que a Dilma diz que é. Explico: a Dilma hoje é socialista porque não tem comunismo. Se tivesse comunismo ela estaria com arma na mão. Eu sou um cara de esquerda. Mas não aquele cara bobão, o comunista que escorregou para o socialismo de vergonha. Eu, ao contrário de outros, tenho plena consciência de que Stálin matou 50 milhões de pessoas, de que Mao Tsé-tung matou outros 70 milhões.
- Entrevistar políticos é uma novidade para você?
- De jeito nenhum. Quando eu trabalhava na Globo, fazia de tudo. Apresentava um programa político chamado “A Palavra é Sua” e também fazia entrevistas variadas em outros espaços. Desde a Cicciolina ao Pavarotti, passando pelo Rei Juan Carlos, entrevistei todo mundo. Aprendi a fazer entrevistas descontraídas. Então, quando um político fala comigo, ele não tem as amarras que teria com um repórter político. O problema é que o preparo do jornalista político, que tende a ser intelectual, apesar dos poucos imbecis na área, é um preparo de muita leitura, filosofia e formalismo. Ele tem vergonha de flertar com o ridículo. Como eu atuei por muito tempo no limiar do sensacionalismo, consigo descontrair muito mais.
- A leitura é um problema?
- Não. Também leio. Também gosto de literatura, história, filosofia. Só não fico me exibindo. Não fico citando autor. Quando Sêneca [um dos mais célebres escritores e intelectuais do Império Romano] fala que o verdadeiro problema é justamente a forma de lidar com os problemas, eu simplesmente uso isso na vida real. Não preciso falar quem é o autor. Os candidatos estão perdendo o preconceito, falando mais fácil, chegando perto do povo. Que se danem os intelectualóides e até os verdadeiros intelectuais.
- Você gosta de apresentar programas policiais?
- Veja que ironia. Sou rotulado como apresentador sensacionalista, mas ganhei dois prêmios Herzog [ Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos]. Não gosto de fazer jornal de polícia. Nunca gostei. Gostaria muito de parar de fazer jornal de polícia. Mas, dá audiência, os caras não me tiram. Quando entrevistamos o Lula recentemente, o presidente falou. “Olha, Datena, tem muita bala, muito tiro na televisão”. Eu respondi: “presidente, você tem que tirar a violência da rua, não da televisão.” Disse também: “Olha, presidente, o meu medo de o senhor controlar os meios de comunicação é o seguinte: como o sr. não vai falar em política se grande parte da política está envolvida com corrupção?” A metros de onde estávamos havia um governador preso, o babaca do Arruda.
- Sua saída da Globo em 1989 ocorreu quando você subiu no palanque do Lula na eleição contra o Collor. Conte como isso ocorreu.
- Fiz o comício do Lula porque achava que esse Collor era um xarope. Achava, não. Tenho certeza de que ele é. Por isso perdi o emprego na Globo. O diretor da época me chamou e falou: “Olhe, Datena, você sabe por que eu estou te mandando embora, né?” Eu falei: “evidente que sei”. Três meses depois da eleição, após a derrota do Lula, o cara me chamou e me deu a carta de demissão.
- A audiência cai quando se reduz a parte policial do programa?
- A audiência é a mesma, mas, quando há crimes pontuais, como esse de Goiás, que todas as emissoras exploram, a audiência sobe muito. Moral da história: a humanidade não mudou nada. Quando colocavam leões para comer os cristãos no Coliseu, ele lotava. Hoje, se pegarmos o Pacaembu, o Morumbi e colocarmos leões para comer estupradores e assassinos, vai lotar mais do que final de campeonato. Isso é triste. Eu sei. Mas, infelizmente a sociedade tem essa demanda de Justiça. O ser humano em geral”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:53

Collor quer ser governador em AL

O ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB) anunciou que disputará o governo de Alagoas, e desarmou o palaque de Dilma Rousseff no Estado, que apoiará o ex-governador Ronaldo Lessa, do PDT.
Lessa não gostou nem um pouco, mas admite que “é um direito dele. Com três candidatos, haverá mais emoção”.
Em Alagoas, o governador Teotônio Vilela, do PSDB, disputa a reeleição.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:39

Três momentos de Gabeira

De Renata Lo Prete, no Painel, da ‘Folha’:
“- Não saio.
De Fernando Gabeira (PV), negando a hipótese de abdicar da candidatura no Rio em virtude das dificuldades de acomodação em sua aliança:
- Quem gostaria que eu desistisse é o governador, que aí poderia sair em viagem e nem fazer campanha”.
                            * * *
De Ilimar Franco, no Panorama Político, de ‘O Globo’:
“O cerco está se fechando em torno do candidato do PV ao governo do Rio. A cúpula nacional do PSDB recebeu um ultimato do DEM: para apoiar Gabeira para governador, ele tem que aceitar a candidatura de Cesar Maia ao Senado. Os tucanos estão convencidos de que não podem abrir mão de um candidato majoritário que pedirá votos para José Serra em favor de um candidato que fará campanha para Marina Silva”.
                           * * *
De Luiz Carlos Azedo, no ‘Correio Braziliense’:
“Desde a eleição de 1989, quando o ex-governador Leonel Brizola apoiou a candidatura de Lula contra Collor de Mello, o Rio de Janeiro tem simpatia pelo ?sapo barbudo?. Não foi à toa que o governador Sérgio Cabral (PMDB) engoliu cobras e lagartos para manter sua aliança com o PT. A ponto de andar de braços dados com o ex-prefeito de Nova Iguaçu Lindberg Faria, seu ex-desafeto, e se agastar com o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (PMDB), velho aliado de Cabral que vive às turras com o petista e também é candidato ao Senado.
Já a oposição precisa desenterrar uma caveira de burro. Não consegue erguer o seu palanque no Rio de Janeiro. O candidato do PV, Fernando Gabeira, que fez bonito na disputa pela Prefeitura carioca, dá sinais evidentes de que está com um pé fora da disputa. Criou caso com César Maia (DEM), por causa do índice de rejeição do ex-prefeito, mas isso pode ser apenas um pretexto para não correr o risco de ficar sem mandato. Gabeira sabe que é complicado para o PSDB e o PPS excluírem Maia da coalizão.
Refém de Gabeira, os caciques da oposição estudam alternativas caso fiquem sem o candidato a governador. Mas não conseguem encontrar alguém para enfrentar o governador Sérgio Cabral (PMDB) e o ex-governador Anthony Garotinho(PR). A ex-juíza Denise Frossard (PPS), amiga dos Maia, não quer nem ouvir falar do assunto”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:36

Collor briga pelo cunhado

O senador Fernando Collor decidiu paralisar as nomeações de 13 embaixadores pelo Itamaraty.
Todos aguardam para serem sabatinados pelo Senado, mas Collor decidiu pedir vistas de um dos processos, interrompendo assim a sua tramitação.
Antes, o Senado cobrava a presença de Celso Amorim na Comissão de Relações Exteriores, para explicar a política externa do país junto ao Irã.
O Chanceler compareceu, e Collor não deu as caras.
Agora que tudo parecia resolvido, o ex-presidente pediu vistas de uma das nomeações.
Tudo isso porque ele não conseguiu emplacar o cunhado Marcos Coimbra, como embaixador do Brasil na FAO – órgão das Nacões Unidas para Agricultura e Alimentação.
Esse é um dos mais cobiçados postos no exterior. Sua sede é em Roma.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:30

Miro: “País quer propostas”

Do Deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) para ‘O Globo’:
“Referência da esquerda entre os principais nomes da política, Lula exerce o poder como um presidente conciliador e deixará ao país um modelo de equilíbrio entre as forças e interesses nacionais, que poderá representar um novo momento em nossas vidas.
A boa novidade começa a se exibir, depois que nossa história, no pós-guerra, viveu sobressaltada pelo suicídio de Getúlio, renúncia de Jânio, deposição de João Goulart, a frustração do Plano Cruzado e o impeachment de Collor.
Hoje temos candidatos à Presidência da República com a honradez testada no exercício de cargos públicos que ensejavam práticas de corrupção, de demagogia, de ofensas eleitoreiras a adversários, e a elas não se entregaram.
Tal plantel de pessoas honradas remete-nos a uma campanha eleitoral civilizada, com a exibição de programas de governo a orientar o voto dos cidadãos.
Os fracassos e as culpas estarão ausentes do cardápio de campanha como se antevê no bate-boca preliminar entre Dilma e Serra, que chega a ser ingênuo diante das imprecações que candidatos dirigiam aos concorrentes, em tempos idos.
?O Brasil pode mais?, de Serra, pareceu uma grande novidade até mesmo para Lula, que chamou o tucano para a briga, como que ofendido pelo óbvio.
É claro que o Brasil pode mais e, espera-se, sempre deverá buscar este ?mais?, por todos os séculos dos séculos.
E como que a demonstrar que também é de briga, Serra atribui a Dilma uma ofensa aos exilados, por conta de um desabafo da candidata, seguidamente apontada como terrorista.
?Eu não fugi à luta? me parece mais a explicação de quem exerceu o direito de insubordinação diante da ditadura.
Mineira, com trajetória política no Rio Grande do Sul, Dilma não cometeria o desatino do sarcasmo diante da deposição de João Goulart, marco da ditadura de 1964.
A sofreguidão no aproveitamento de frases de efeito revela a falta de melhor munição dos contendores, ambos candidatos a continuar o governo Lula, com os avanços possíveis graças à plataforma de lançamento que herdarão para suas metas.
Porque assim tem sido. Da ênfase anti-inflacionária do Plano Real de Itamar Franco, Fernando Henrique e Lula foram seguidores, e quem os suceder o mesmo fará, sem alcançar a perfeição, como Lula não alcançou como demonstram as altas taxas de juros.
O Bolsa Família foi precedido pelo ticket do leite e pelo Bolsa Escola, porque ?quem tem fome tem pressa?, como explicavam Betinho e Dom Mauro Morelli, a bater em portas, com a ajuda de Zuenir Ventura, para mobilizar governos contra os bolsões de miséria.
Passada a refrega dos fraseados, os candidatos terão que explicar como resolverão problemas que se tornam crônicos.
Os trabalhadores acompanham atemorizados a situação dos aposentados, com os proventos reduzidos em comparação ao saláriomínimo.
As famílias continuam surpreendidas pela falta de cobertura dos planos de saúde. As cidades, à míngua de obras e ser viços, se equilibram entre enchentes, gripes, dengue e assaltos. Sobram impostos e faltam soluções.
Deixamos a era do risco de violações governamentais a direitos fundamentais. A sociedade conquistou a liberdade de uma vez por todas. Temos instituições a assegurála, qualquer que seja o governo.
Os brasileiros merecem conhecer desde logo as propostas dos candidatos, para conferi-las, debatêlas, criticá-las. É o que esperamos de todos.
E, para temperar a polêmica sobre a frase de Dilma, mesmo com a indelicadeza de lhe retirar a originalidade, os candidatos podem cantar em coro, do nosso Hino, ?verás que um filho teu não foge à luta?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:27

Serra tenta colar Sarney e Collor em Dilma

“Esta eleição tem a ver com o futuro, porque o Lula não é candidato; nem o Fernando Henrique é candidato; nem o Collor e o Sarney, que apoiam a Dilma, são candidatos” – do ex-governador José Serra, candidato do PSDB à Presidência da República.

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