• Terça-feira, 24 Abril 2012 / 13:47

CPMI poderá prender Cavendish

       Na CPMI do Cachoeira, a Delta terá lugar de destaque.
E o antes poderoso Fernando Cavendish, o amigão de Sergio Cabral, vai acabar sendo preso.

  • Domingo, 22 Abril 2012 / 13:35

Cabral e Cavendish, dois fanfarrões

    Dos repórteres Wilson Tosta e Alfredo Junqueira, do ‘Estadão’:
    “Jeito de garotão, simpatia de carioca e leve sotaque que denuncia o nascimento em Pernambuco. O empresário Fernando Cavendish mistura comportamento informal nos contatos pessoais com agressividade peculiar nos negócios. O estilo do dono da Delta Construções, brindado com muitas das obras do governo do Rio e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), confunde-se com a ascensão da empresa que, de modesta visibilidade em Pernambuco, em 15 anos galgou posto de destaque no País.
O bom relacionamento com sucessivos governos fluminenses – Anthony Garotinho (1999-2002), Rosinha Garotinho (2003-2006) e Sérgio Cabral Filho (a partir de 2007) – foi importante na trajetória, agora sob investigação da Polícia Federal e da CPI do Cachoeira.
Até os anos 1990, porém, a Delta e Cavendish viveram trajetórias distintas. A empresa foi fundada em Recife, em 1961, por seu pai, Inaldo Soares. O jovem Cavendish vivia no Rio, onde, de 1986 a 1990, estudou engenharia civil nas Faculdades Integradas (hoje Universidade) Veiga de Almeida. Festeiro e boa-pinta, aproveitou a juventude na noite carioca, mas, após formado, assumiu, aos 27 anos, o Conselho de Administração da Delta, em 1.º de dezembro de 1990. Em 1995, transferiu a matriz para o Rio – sempre que pode, demonstra a paixão pelo Estado. “Gosto de praia”, diz o empresário, que esbanja informalidade e sorrisos. Ele completará 49 anos em 17 de junho.
Uma cartada de Cavendish decisiva para turbinar a Delta foi a aproximação, no fim dos anos 1990, de Garotinho, então uma novidade. Em parceria com outra empreiteira, a Oriente Construção Civil, a Delta ganhou a concessão da estrada RJ-116, de Itaboraí a Macuco, no interior. Foi o Edital 001/99 do Departamento de Estradas de Rodagem do governo que começava. A via tem quatro postos de pedágio a preços que atualmente vão de R$ 3,90 a R$ 15,60, dependendo do tamanho do veículo, e é explorada desde então pelas duas empreiteiras.
A aproximação Cavendish-gestão Garotinho logo no início do governo ajudou o dono da Delta na disputa com empreiteiras maiores, que passaram a ver com reservas a impetuosidade do jovem. Por vezes, o empreiteiro fixou preços supostamente abaixo do mercado, irritando concorrentes. Mais adiante, a empresa tocou obras grandes da Prefeitura do Rio sob o comando de Cesar Maia (DEM), adversário de Garotinho. “Os concorrentes reclamavam que a Delta entrava com preços inviáveis. Mas a empresa sempre entregou as obras a tempo e com o preço contratado”, diz Maia.
Durante a gestão de Maia, de 2002 a 2008, o município contratou, em valores não corrigidos, R$ 331.059.602,42 em obras e serviços da Delta. Hoje, porém, Cavendish já não é mais visto, entre as grandes empreiteiras, como forasteiro. E no governo do sucessor de Maia, Eduardo Paes (PMDB), em valores não corrigidos, fechou contratos de R$ 325.534.422,51.
A primeira eleição de Cabral para governador, em 2006, ocorreu com apoio de Garotinho e de sua mulher e sucessora Rosinha. Cabral foi reeleito em 2010, mas rompido com o casal desde 2007. O fato não afetou a posição da Delta, que ganhou no peemedebista um aliado que facilitou seu acesso ao governo federal. A proximidade com o vice-governador (e ex-secretário de Rosinha), Luiz Fernando Pezão, também foi um fator que ajudou a cacifá-la. Com o crescimento do PAC, a empresa expandiu-se nacionalmente. De 2007 até hoje, as obras contratadas com a Delta pelo Estado do Rio somaram R$ 1,49 bilhão. Entre os trabalhos de maior visibilidade, estão a nova pista do Aeroporto de Cabo Frio e a reurbanização do Complexo do Alemão. Sobre a reforma do Maracanã, que a Delta em consórcio com a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, a empresa decidiu anteontem que deixará a obra após deixar de fazer dois repasses financeiros ao consórcio – já como consequência das denúncias de envolvimento com Cachoeira.
O lado extrovertido do empresário ficou evidente em 12 de novembro de 2009, em seu casamento com Jordana Kfuri, o segundo de sua vida. A festa foi na casa do empresário em Itaipava, em Petrópolis. Cerca de 700 convidados assistiram a uma celebração nos jardins, com uma passarela protegida por toldos transparentes e iluminada por velas e decorada com castiçais de prata, “gotas” de cristal e rosas brancas.
O casamento, que gerou filhas gêmeas, foi tragicamente encerrado em 17 de junho de 2011, quando Jordana e mais seis pessoas morreram em acidente de helicóptero na Bahia, a caminho da festa de aniversário de Cavendish. Cabral já tinha chegado, mas, como o empresário, não embarcou no aparelho, que estava lotado. A amizade entre o dono da Delta e Cabral começara por intermédio da mulher de Cabral, Adriana Ancelmo, e Gabriela Carvalho, primeira esposa do empreiteiro.
Aliados de Cabral confirmam que a ligação de ambos é forte. São parecidos: simpáticos, extrovertidos, carismáticos, vaidosos, metidos a galanteadores, bonachões. Mais do que os negócios entre a Delta e o Estado, a relação de amizade se baseia em empatia, descrevem. Um aliado do governador diz que eles se encontram para “beber e falar besteira”. A revelação de que a Delta estaria fazendo negócios com o Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, porém, teria incomodado Cabral.
Outro interlocutor do governador conta que o peemedebista tem se lamentado e dito que Cavendish teria passado dos limites. O mesmo amigo de Cabral, contudo, afirma que a postura pode ser uma tentativa do político de se afastar do empreiteiro “para tentar não se queimar”.
Na quinta-feira, porém, Pezão disse que os contratos com a Delta “obedeceram a todos os editais” e afirmou que a empresa é “agressiva, por isso tem mais contratos”. O governador e o empresário têm casas de veraneio no mesmo condomínio em Mangaratiba, no sul fluminense. Até o acidente de helicóptero no litoral baiano, tornando pública a proximidade dos dois, eles costumavam passar fins de semana juntos com suas famílias. Cavendish, Cabral e suas mulheres já tinham dividido o jatinho Legacy emprestado por Eike Batista para pelo menos mais uma viagem: uma semana em Nassau, capital das Bahamas.
O Ministério Público Estadual investigou a relação do governador com os empresários e considerou não haver irregularidades: o procurador-geral de Justiça do Rio, Claudio Lopes, arquivou o procedimento.
No Rio, as boas relações de Cavendish não se limitam ao governador. Ele também é amigo de deputados federais, como Eduardo Cunha e Washington Reis, ambos do PMDB, e tem bom trânsito no Tribunal de Justiça, do qual recebeu R$ 154 milhões por obras. Além disso, a Delta está presente em construções e serviços”.

  • Terça-feira, 17 Abril 2012 / 16:21

Cavendish diz que compra políticos

          Dos repórteres Breno Costa e Andreza Matais, da ‘Folha’:
          “Em conversa gravada em dezembro de 2009, o dono da Delta Construções S/A, Fernando Cavendish, afirma que é possível ganhar contratos com o poder público subornando políticos.
A Delta já recebeu mais de R$ 3,6 bilhões em verbas federais desde 2003 e está no centro das investigações da Polícia Federal envolvendo Carlos Cachoeira, preso sob acusação de envolvimento em jogo ilegal.
“Se eu botar 30 milhões [de reais] na mão de político, eu sou convidado pra coisa pra caralho. Se eu botasse dez pau que seja na mão dele… Dez pau? Ah… Não é que seja um monte de dinheiro não, mas eu ia ganhar negócio. Ô…”, diz Cavendish, que não se refere a caso específico.
“Estou sendo muito sincero com vocês: 6 milhões aqui, eu ia ser convidado. ‘Ô senador fulano de tal, tá aqui. Se convidar, eu boto o dinheiro na tua mão’”, continua.
A gravação foi publicada ontem no blog Quid Novi, do jornalista Mino Pedrosa, que já trabalhou para Cachoeira.
Cavendish conversa com dois empresários da Sygma, que atua na área de petróleo e gás, sobre a dissolução de uma sociedade entre eles”.

DELTA: “CADENDISH ESTAVA FAZENDO BRAVATA”
 
          Deu no ‘Globo’:
          “A Delta Construções admitiu que o presidente de seu conselho, Fernando Cavendish, falou sobre pagamento de propina a políticos em conversa gravada em dezembro de 2009. De acordo com a empreiteira, as gravações foram feitas clandestinamente. Diante do detalhamento do diálogo, a empresa fez uma espécie de desagravo aos políticos, em nota, afirmando que “todos os seus acionistas controladores, diretores e executivos têm profundo respeito pelo Congresso Nacional, pelos congressistas, pelas instituições republicanas e pelo poder público”.
O trecho divulgado, em que Cavendish fala sobre a suposta facilidade em se comprar um político, é, segundo a empreiteira, “parte editada de uma longa discussão em que os controladores das duas empresas, Delta e Sygma, discutiam os termos de uma dissociação” .
A empreiteira número um do PAC sustenta que a gravação foi feita por “um dos antigos proprietários da Sygma, que estão sendo processados pelos controladores da Delta”. Eles afirmam que o trecho em que Cavendish fala de políticos foi pinçado “a fim de promover chantagens negociais contra a empresa”. A Sygma Engenharia foi adquirida pela Delta em 2008. Durante o processo de fusão, no entanto, os sócios se desentenderam. A Delta informou que está processando a empresa.
A Delta diz ainda que o áudio não traduz o que a construtora e seus controladores pensam. Afirma que tudo o que é dito nas gravações “tem os verbos flexionados no condicional, como um exemplo hipotético, e foi pronunciado num tom claro de bravata”. O próprio Cavendish, segundo a Delta, diz que o teor do áudio “não expressa a sua opinião” e foi dito “em meio a uma discussão entre ex-sócios que desde então se enfrentam na Justiça”.
A Delta recebeu, em 2011, R$ 884,7 milhões da União. De 2003 até o ano passado, a empreiteira cresceu 1.417%, em valores corrigidos pelo ICPA. A investigação da PF mostra que o grupo de Cachoeira usou duas empresas de fachada, a Brava Construções e a Alberto & Pantoja, para receber dinheiro da Delta. O grupo de Cachoeira sacava valores das contas das empresas sempre inferiores a R$ 100 mil, valor utilizado como piso para a investigação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf)”.

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