• Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 23:16

A mentira de Sarney

O presidente do Senado Federal, José Sarney, mentiu em sua nota oficial, quando, na defesa do filho Fernando, disse que ?todo o Brasil é testemunha de minha tolerância e minha posição a respeito da liberdade de imprensa, nunca tendo processado jornalista algum?.
Essa não é a primeira vez que Sarney tenta calar um jornal. Em 20 de janeiro de 1994, ele fez o mesmo com o ?Jornal do Brasil?, numa ação patrocinada pelo escritório de advocacia do professor José Meira, de Recife.
Na época, todos os jornais e revistas criticavam o senador pelo Amapá por desmandos, acusações de corrupção, compra e venda de apartamentos, reformas milionárias na Ilha de Curupu, envolvimento com a máfia dos anões do Orçamento. Mas ele escolheu, na época, apenas um jornal para brigar: o ?Jornal do Brasil?, exatamente a mesma tática que faz agora quando processa apenas ?O Estado de S.Paulo?, embora a totalidade da imprensa do país esteja a favor da sua renuncia.
Para ele, é mais fácil brigar com apenas um, achando que, assim, intimidará os demais.
Assim foi com o ‘Jornal do Brasil’, a começar pela escolha do escritório: embora o jornal tenha sede no Rio, ele exerça seu mandato em Brasília, tenha domicílio em São Luís, e registro eleitoral em Macapá, ele escolheu uma quinta cidade para defender sua causa: Recife.
O que ele reclamava, na época, é o mesmo que reclama hoje: ?Lastreados em fantasias e conjecturas, desencadeou o órgão de imprensa, mantido pelo Réu (JB), contra o Autor, a mais sórdida e ignominiosa campanha infamante, jamais movida a um homem público no Brasil?.
Uma das notícias que Sarney reclamava era uma nota publicada no Informe JB, de 16/11/93:
?O ex-presidente José Sarney negou à revista Caras, a nova publicação da Editora Abril, que tenha adquirido uma propriedade em Sintra, Portugal, como se divulgou em 1989.
O desmentido de Sarney provocou o seguinte comentário do senador e ex-governador Epitácio Cafeteira: ?Pior que roubar e não pode carregar?.
Em certo trecho ele acusa o atual senador Fernando Collor:
?Repetiram o expediente do então candidato Fernando Collor de Mello que usou dos mesmos entulhos para sua campanha e a ele se ingualaram na ?autoridade moral? de acusar inocentes. Por esses fatos, Collor está processado criminalmente?.
Na ação, onde pede vultuosa soma a título de indenização por danos morais, Sarney se define como ?político e literato de origem humilde, criado em Estado nordestino, onde se cultiva os sentimentos de honra e de família com a mesma religiosidade da fé cristã. Mas, o destino deu-lhe renome mundial, hoje é cidadão do mundo, ex-Presidente do Brasil, mas honrado e respeitado (…) Poeta e escritor, é membro da Academia Brasileira de Letras. Enraizadamente apegado a suas querências, é bom filho, bom pai, bom marido e amigo leal dos seus amigos?.
A defesa do ?Jornal do Brasil?, que ganhou a ação, foi feita pelo advogado Sergio Bermudes; Ele começa constestando o nome e a profissão do senador Sarney.  Tudo aqui é ?fingimento, hipocricia, mendacidade. O nome desse tartufo, sempre empenhado em apequenar-se, desconsiderando-se a si mesmo e a todos, não é nem nunda foi o que ostentam a inicial e a procuração, como também a qualidade de senador da República, por sua natureza transitória, não constitui profissão de ninguém (…) Se o nome do autor é José Ribamar Ferreira de Araujo Costa, ou José Sarney Costa, ou quejando, não pode ele apresentar-se em Juízo só como José Sarney, a  menos que faça a prova cabal da alteração do seu registro civil com a amputação de prenomes e apelidos que, como notório, sempre teve. Por igual, o exercício de um mandato não atribui ao titular a condição de profissional do respectivo cargo. Que o autor indique a sua ocupação habitual, sem se prevalecer de situação efêmera, para desatender a lei?.
Bermudes diz que ?de tal modo se descompôs a sua administração (na Presidência da República), que ele encerrou seus dias acuado nos seus palácios, sem coragem de aparecer diante do povo, que se vingava com vaias, protestos e manifestações iradas de descaso do governante, que desonrou o mandato jamais conquistado. (…) Recorde-se, como amostra muito expressiva da fundada cólera da nação, que o demandante não teve a coragem de sair às ruas de Brasília, para a última comemoração do 7 de Setembro, refugiando-se no abrigo das instalações do Ministério do Exército?.
Cita mais de 30 manchetes contra Sarney, geralmente ligadas a corrupção, e publicadas em outros jornais. E diz em certo trecho:
?Não foi o ?Jornal do Brasil? quem o feriu e magoou. Foi a sua própria conduta improbidosa, o seu desdém pela justificação dos seus atos, o seu comportamento, ora ostensivamente ilícito, ora no mínimo nebuloso, a sua falta de escrúpulos, o seu descato às normas constitucionais e legais, o seu empenho em pemanecer no poder a qualquer custo, não para realizar um programa, mas pelo simples apego às suas benesses, que provocaram a notória e incontida enxurrada de clamores e reprovações contra as quais, causador da sua própria ruina, ele não se pode queixar. Consoante a sentença do provébio bíblico, engula ele os frutos do seu mau proceder, ao invés de fingir-se ultrajado, como nunca se sentiu realmente, tanto que se absteve de defender-se  e explicar-se, de vir à luta contra todos os órgãos de imprensa, que se viram forçadas a não ocultar do público os seus desmandos, os seus abusos, o seu descaso pelos deveres de bem governar, as suas omissões, a tibieza de quem, de propósito, optou por ser apenas figurante da história, quando nada lhe faltava para se tornar personagem dela?.
Nada mais atual.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 23:07

‘Estadão’ tem café no bule

O jornal ‘Estado de S.Paulo’ publicou, há dias, trechos de gravações telefônicas envolvendo Fernando Sarney, seu pai senador, e a filha Beatriz.
Nas conversas gravadas, eles acertavam a contratação, no Senado, do namorado de Bia.
Por isso, Fernando entrou na Justiça e obteve uma liminar que proibe o ‘Estadão’ de continuar dando notícias sobre a ‘Operação  Boi Barrica’, da Polícia Federal.
Imaginava-se que esse acerto fosse o fato mais grave do processo.
Mas como Fernando apressou-se em ir a Justiça para implantar a censura no jornal, tudo leva a crer que existe muita mais coisa que, para ele, deve permanecer coberta pelo manto do sigilo.
Portanto, quando a censura for suspensa, teremos novidades.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 23:02

É o fim do caminho…

O cambalacho promovido por Fernando Sarney que resultou na censura ao jornal ‘Estado de S.Paulo’, sepulta definitivamente qualquer chance de seu pai, o atual presidente do Senado, de recuperar sua biografia.

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