• Sexta-feira, 23 Julho 2010 / 2:34

Dilma tem 43% x 36% de Serra

  Conforme esse blog anunciou ontem, Dilma Rousseff abriu uma vantagem de 7% a frente de José Serra, segundo pesquisa realizada pelo Vox Populi. Agora são 43% para a petista e 36% para o tucano, enquanto Marina Silva continua com 8%.
A pesquisa foi feita com 3 mil pessoas em 214 cidades, de 10 a 13 de julho.
Em todos os estados do Nordeste, Serra vence apenas em Alagoas, com 38% contra 35% de Dilma.
Veja nos demais:
                                               DILMA    SERRA
Maranhão                                  62%      21%
Piauí                                             58%      24%
Rio Grande do Norte             56%      31%
Paraíba                                        58%      28%
Pernambuco                             61%      24%
Bahia                                            54%      25%
No Sudeste, Dilma vence no Rio e em Minas:
Rio de janeiro                            41%      25%
Minas Gerais                              40%      35%
Nos estados do sul a vitória é de Serra:
São Paulo                                    32%      41%
Paraná                                          37%      45%
Santa Catarina                           33%      44%
Rio Grande do Sul                     37%      42%

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:41

Deixa a Dilma me levar…

De Monica Bergamo, na ‘Folha’:
“O publicitário Duda Mendonça já informou a coordenadores da campanha de Dilma Rousseff (PT-RS): o jingle que ele compôs para a candidata, “Dilma, Leva Eu”, adaptação do sucesso cantado por Zeca Pagodinho, deve ser usado nas eleições estaduais que comandará -como a de Roseana Sarney (PMDB-MA) no Maranhão. O ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), por sinal, vive cantarolando a musiquinha”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:37

Eleição custará mais de R$ 1 bi

Do repórter Ivan Iunes, do ‘Correio Braziliense’:
“As duas principais candidaturas presidenciais podem consumir, juntas, quase R$ 1 bilhão até outubro. A estimativa de tesoureiros e coordenadores é de que as eleições de 2010 sejam as mais vitaminadas da história brasileira. Somente os recursos destinados diretamente às campanhas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) somariam cerca de R$ 500 milhões. Outros R$ 500 milhões seriam repassados aos estados e ao DF para candidaturas majoritárias que garantam palanques aos dois principais postulantes ao Planalto. Para ter alguma chance de vitória, o patamar mínimo de gastos seria de, pelo menos, R$ 100 milhões, valor almejado pelo deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). ?Se você somar as candidaturas presidenciais e os apoios aos estados, dificilmente os dois partidos, juntos, gastarão menos de R$ 1 bilhão?, afirmou o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira.
Pela previsão dos partidos, a conta final de PSDB e PT nas eleições de outubro sairá, pelo menos, R$ 170 milhões mais cara do que a de 2006. Para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os petistas gastaram R$ 168 milhões. A candidatura do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin custou aos cofres tucanos R$ 161 milhões. Os outros candidatos, somados, apresentaram números mais tímidos, de R$ 2,6 milhões, sendo que apenas Cristovam Buarque foi responsável por R$ 1,7 milhão.
As maiores cifras previstas para outubro serão utilizadas em televisão. Dilma e Serra estudam utilizar cerca de R$ 50 milhões, cada um, para tentar convencer o eleitorado no horário eleitoral. A produção petista ficará a cargo de João Santana, o mesmo da reeleição de Lula, em 2006, e autor dos últimos vídeos publicitários da legenda. Os tucanos também investirão no mesmo marqueteiro utilizado por Alckmin em 2006, Luiz González. Somente com o aluguel de um jato particular, a estimativa de gastos é de até R$ 3,5 milhões por mês. Cada candidato terá, pelo menos, uma aeronave à disposição.
O dinheiro gasto nas duas campanhas também servirá para coordenar os trabalhos em comitês regionais(2). A campanha de Dilma terá um responsável por estado e no Distrito Federal, subordinados ao coordenador nacional. O comitê central ainda não foi definido, mas deve ser instalado em um prédio no Setor Comercial Sul, próximo à sede nacional do partido no DF. ?A campanha nos estados tem interação com a eleição para governador e as estruturas acabam se somando, mas teremos um coordenador político responsável por essa interação?, antecipou o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra.
A estrutura da campanha à Presidência dos tucanos terá oito coordenadores regionais distribuídos pelo país. Cada centro de comando ficará responsável, em média, por três estados. Maior colégio eleitoral do país, São Paulo terá escritório próprio, responsável por coordenar também as ações no Rio de Janeiro. O quartel-general será instalado no DF. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), admite que o orçamento será maior do que o utilizado em 2006, mas trabalha com um teto de até R$ 200 milhões. ?Nossa última campanha gastou cerca de R$ 80 milhões (fora os repasses do comitê nacional). Certamente passaremos de R$ 100 milhões nesta campanha, mas acredito que R$ 200 milhões seja um valor superestimado?, avaliou.
Os tesoureiros responsáveis por controlar o caixa de campanha até outubro ainda não foram definidos pelos dois partidos. Os tucanos trabalham com os ex-deputados federais fluminenses Ronaldo Cézar Coelho e Márcio Fortes. O cofre da candidatura petista ainda não tem dono definido. O atual tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, foi descartado pelo envolvimento recente em denúncias de gestão fraudulenta no período em que foi diretor da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop)”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:27

Coligação no Rio preocupa Serra

Da repórter Raquel Ulhôa, do ‘Valor Econômico’:
“Com a pré-candidatura de José Serra (PSDB) à Presidência formalizada no sábado, a coordenação da campanha já recebeu convites para que o ex-governador visite quase todos os Estados. Nas últimas 48 horas, foram mais de 20. É um alívio para o PSDB e seus aliados (DEM e PPS), que, por conta de resistências locais, enfrentaram dificuldades para que o próprio Serra, em 2002, e Geraldo Alckmin, em 2006, fossem recebidos nos Estados.
Desta vez, com Serra liderando as pesquisas de intenção de voto, o problema do tucano é administrar uma agenda que evite constrangimentos entre os aliados locais. Um dos Estados que mais preocupam é o Rio de Janeiro, onde a aliança entre PSDB, DEM, PPS e PV – em torno da candidatura do deputado Fernando Gabeira (PV) para governador – está ameaçada.
Enquanto buscam uma solução para a resistência de setores do PV à participação do ex-prefeito Cesar Maia (DEM) na chapa de Gabeira, como candidato ao Senado, os organizadores da campanha presidencial tucana decidiram adiar por pelo menos 15 dias o anúncio da coligação no Rio. Estava prevista uma grande reunião logo depois do lançamento da pré-candidatura de Serra, para anunciar as candidaturas no Estado.
“Nós adiamos qualquer decisão sobre o assunto para depois que tivermos uma maturidade que se conquista conversando, ouvindo, falando”, disse o ex-deputado federal Márcio Fortes (PSDB-RJ). Segundo ele, a coligação (PV, PSDB, DEM e PPS) será mantida e necessita apenas de “ajustes”. Para Fortes, o desafio do grupo que negocia a aliança é conversar muito e convencer o eleitorado a votar em Gabeira para governador e em Maia para senador. Enquanto a pacificação não se der, Serra não deve ir ao Estado.
Além de tentar evitar Estados em que os aliados estejam divididos, a coordenação da campanha pretende que Serra não participe de eventos de caráter político-partidário. “A ideia é interagir com setores da sociedade, andar com a população, com naturalidade, informalidade. Reunir com populares, também. Os eventos não podem ter o carimbo político-eleitoral”, definiu o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), coordenador-geral da campanha. O objetivo é fugir de encontros entre pessoas que já votam em Serra. Seria “contraproducente”, avaliou um aliado.
Ontem à noite, Guerra definiria a agenda inicial de viagens de Serra. Embora o ex-governador Aécio Neves (MG) tenha feito convite para que Serra inicie sua pré-campanha por Minas, em evento na próxima segunda-feira, os tucanos preferem não esperar tanto. Visitas a Goiás ou Paraíba nesta semana estavam sendo cogitadas. A coordenação da campanha também analisava convite para um evento em Santa Catarina, onde a histórica aliança entre PSDB, DEM e PMDB está, por enquanto, dividida em três palanques diferentes.
Restabelecer a coligação entre os três partidos é um dos desafios da coordenação da campanha de Serra. O Estado está sendo governador por Leonel Pavan (PSDB), que assumiu o cargo com a licença de Luiz Henrique (PMDB). Embora enfraquecido por denúncias de irregularidades, Pavan tem mantido disposição de disputar a reeleição. O PMDB realizou prévia e lançou a pré-candidatura de Eduardo Moreira. O DEM também está na disputa, com o senador Raimundo Colombo.
No Estado, ainda concorrem ao governo a senadora Ideli Salvatti (PT) e a ex-prefeita Ângela Amin (PP), por enquanto líder das pesquisas. Analistas políticos acreditam que essas candidaturas serão mantidas por mais dois meses, pelo menos, até que as pesquisas indiquem a posição de Serra e da petista Dilma Rousseff na corrida presidencial. O que estiver na frente poderá atrair tanto o PP quanto o PMDB.
Um Estado em que Serra está sem palanque e no qual o PSDB não quer se envolver em negociações de alianças, por enquanto, é o Distrito Federal. Um escândalo tirou do cargo o ex-governador José Roberto Arruda (ex-DEM) e comprometeu vários políticos locais. O PSDB teme que outros políticos sejam envolvidos e, por isso, prefere esperar que o quadro fique mais claro. O partido de Serra negocia com o PSC participação na aliança nacional, mas evita comprometer-se com a candidatura local do ex-governador Joaquim Roriz (PSC).
A cúpula tucana comemora a formação de palanques para Serra em quase todos os Estados. Deve ter candidato próprio em 15 (Acre, Alagoas, Amapá, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Piauí, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, São Paulo e Tocantins), apoiar candidatos do DEM em pelo menos três – Bahia, Rio Grande do Norte e Sergipe, com possibilidade de aliança em Santa Catarina -, do PMDB em Mato Grosso do Sul e Pernambuco, e do PSB em dois (Amazonas e Paraíba). No Ceará, Serra contará com o palanque do senador Tasso Jereissati (PSDB), candidato à reeleição. No Amazonas, onde se negocia aliança com o PSB, o mais importante para os tucanos é encontrar uma forma de neutralizar a imagem de Serra como adversário da Zona Franca de Manaus”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:27

Tasso intriga Dilma com Ciro

Do repórter Caio Junqueira, do ‘Valor Econômico’:
“A viagem de Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência, ao Ceará, iniciada ontem à noite, acabou por indispor ainda mais os petistas com o também pré-candidato à Presidência da República pelo PSB, deputado federal Ciro Gomes. O Estado é o reduto eleitoral de Ciro, que o governou entre 1991 e 1995, e desde 2006 está sob comando de seu irmão, Cid Gomes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT pressionam Ciro para desistir da candidatura a presidente.
Para evitar danos maiores na relação dos petistas com Ciro, a coordenação da campanha chegou a limitar a agenda de Dilma a eventos fechados: uma cerimônia para receber o título de cidadã de Fortaleza ontem à noite e um almoço com empresários cearenses hoje.
Inicialmente, estavam previstas agendas abertas ao público, como a ida a Juazeiro do Norte, terra do padre Cícero, caminhada na praça do Ferreira, marco histórico de Fortaleza, e ao Centro Urbano de Cultura, Ciência, Arte e Esporte (Cuca), projeto vitrine da prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT).
No entanto, prevaleceu a avaliação de que esses eventos de rua – que podem trazer problemas com a Justiça Eleitoral – deixariam Ciro ainda mais contrariado com a presença da candidata em seu reduto. Ele tem insistido em se lançar candidato a presidente, em oposição aos interesses do PT, do Palácio do Planalto e até mesmo do seu partido, razão por que a presença de Dilma no Estado gerou desconforto entre seus aliados e serviu de munição para a oposição.
O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), declarou, ontem pela manhã, que a visita dela era uma “afronta” a Ciro. O PT tratou de rebater a acusação de Tasso: “Não tem nada de afronta. Ciro é nosso aliado e assim queremos que ele continue”, disse o vice-presidente do PT cearense, deputado federal José Guimarães. A campanha de Dilma fez o mesmo.
Tasso Jereissati é um dos maiores interessados em ver desestabilizada a relação do PSB com o PT regional, pois pretende se candidatar ao Senado com o apoio informal de Cid Gomes.
O PT, porém, trabalha para que o governador apoie o ex-ministro da Previdência José Pimentel. O deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE) já tem garantido o apoio de Cid, decorrente de um acordo feito entre ambos nas eleições de 2006.
Duas foram as justificativas para a viagem ao Ceará: o fato de Fortaleza ser a maior capital administrada pelo PT e a prefeita ser mulher. Dilma enfrenta uma forte resistência do eleitorado feminino e uma das estratégias iniciais da pré-campanha é neutralizar essa rejeição.
Além disso, avalia um dos coordenadores da campanha, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, não se pode estruturar a agenda de campanha a partir das realidades locais e de outros partidos. “As questões regionais e partidárias não podem ser obstáculos à agenda da candidata. Se for assim, ficaremos imobilizados em todo o país.”
As restrições à agenda de Dilma no Ceará estão sendo tratadas, oficialmente, como uma forma de possibilitar que a pré-candidata tenha tempo para comparecer a dois outros eventos de campanha em São Paulo: um jantar na casa da apresentadora Ana Maria Braga e a ida ao “Programa do Ratinho”, no SBT, ambos previsto para amanhã.
Quinta-feira, sexta-feira e sábado, Dilma estará no Rio Grande do Sul, onde acompanhará o primeiro exame pré-natal de sua filha, e cumprirá agenda de pré-candidata: encontro com empresários da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) e da Associação Comercial de Caxias do Sul.
O Estado é um nos quais ela deverá ter palanque duplo, com apoio dos candidatos a governador Tarso Genro (PT) e José Fogaça (PMDB), prefeito de Porto Alegre. Além do Rio Grande do Sul, a campanha precisa aparar arestas surgidas com a possibilidade de mais de uma candidatura da base aliada e, portanto, mais de um palanque em outros oito Estados: Amazonas, com Omar Aziz (PMN), Alfredo Nascimento (PR) e Serafim Corrêa (PSB); Bahia, com Jaques Wagner (PT) e Geddel Vieira Lima (PMDB); Maranhão, com Roseana Sarney (PMDB) e Flávio Dino (PCdoB); Minas Gerais, com Hélio Costa (PMDB) e os petistas Fernando Pimentel e Patrus Ananias; Paraíba, com Ricardo Coutinho (PSB) e José Maranhão (PMDB); Piauí, com Wilson Martins (PSB) e João Vicente Claudino (PTB); Rio de Janeiro, com Sérgio Cabral (PMDB) e Anthony Garotinho (PR); Rondônia, com Eduardo Valverde (PT) e Confúcio Moura (PMDB); e São Paulo, com Aloizio Mercadante (PT) e Paulo Skaf (PSB)”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:03

Batata de Cabral ainda pode assar

O ex-governador do Acre, Jorge Viana, acendeu a luz vermelha do PT: “Como o PT ficará de fora nos tres principais Estados do país. No Rio, Lindberg Farias desistiu para apoiar Sergio Cabral do PMDB”. Se Ciro Gomes, do PSB, sai em São Paulo, e Hélio Costa, em Minas, como Dilma Rousseff se elegerá?
Veja a reportagem de Malu Delgado, na ‘Folha’:
“A obsessão do PT com uma tática eleitoral que evite a divisão de aliados nos Estados poderá deixar a sigla sem candidatos próprios no eixo São Paulo-Minas Gerais-Rio de Janeiro, que abriga cerca de 55 milhões de eleitores (41,6% do eleitorado nacional). O cenário preocupa dirigentes da sigla, sobretudo porque São Paulo e Minas são governados pelo PSDB, respectivamente, há 16 e oito anos.
A Folha apurou que a nova direção do PT pretende votar uma resolução no congresso nacional da sigla, entre os dias 18 e 20, que praticamente lhe dará carta branca para arbitrar as escolhas dos candidatos onde houver polêmica com aliados, sobretudo o PMDB.
“Vejo com muita preocupação o fato de o PT ficar fora dos três Estados mais importantes. Já está apoiando o PMDB no Rio. Em São Paulo e Minas Gerais o PT não pode ficar fora. Não nos três”, afirmou o ex-governador Jorge Viana (PT-AC), no passado cotado para assumir a articulação política do governo Lula.
Viana, que voltará à política como candidato ao Senado após atuar no setor privado (Helibras), acha que se o PT quer a continuidade de poder não pode “se dar ao luxo” de ficar sem candidato nesse eixo.
A aliança do governador Sérgio Cabral (PMDB) no Rio levou o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), a abrir mão da candidatura. Em São Paulo, o PT está em compasso de espera por uma definição de Ciro Gomes (PSB-CE), nome sugerido pelo próprio presidente Lula para a disputa.
“O PT tem trabalhado para construir o nome de uma de suas lideranças e apresentá-lo aos aliados. Agora, é evidente que o centro de nossa tática é a eleição da ministra Dilma”, afirmou Edinho Silva, presidente do PT de São Paulo.
O cenário em Minas é de conflito entre o PMDB, que quer colocar o ministro Hélio Costa (Comunicações) na disputa, e outros dois nomes do PT que se reivindicam a pré-candidatura: o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel”.

  • Domingo, 11 Julho 2010 / 4:42

A sucessão nos estados

                                                        Marcos Coimbra*


     Se o retrato que as atuais pesquisas estaduais pintam se confirmar, o país que teremos a partir de 2011 será muito semelhante ao de hoje. Pelo menos no tocante aos governos dos estados, pois tudo indica que o Senado ficará diferente.
De norte a sul, o tom que domina as sucessões, nos estados para os quais dispomos de dados, é de continuidade. São vários os governadores da safra de 2006 que disputam a reeleição, muitos com favoritismo e possibilidade de vitória no primeiro turno, outros enfrentando eleições menos tranquilas.
A eles se somam os vices que assumiram o cargo este ano, depois da desincompatibilização dos titulares, que saíram, quase todos, para se candidatar ao Senado. Neles, a marca da continuidade continua forte, mesmo quando enfrentam sua primeira eleição.
O caso mais notável de descontinuidade é o do Rio Grande do Sul, o único estado em que nem quem está no governo, nem alguém vinculado a ele, disputa com chances. A governadora Yeda Crusius não conseguiu fazer com que a opinião pública gaúcha se reconciliasse com ela, termina mal seu mandato e, embora concorra, está muito atrás dos líderes das pesquisas. Em si, a falta de perspectiva de reeleição não é de estranhar, pois contam-se nos dedos os políticos de seu estado que conseguiram renovar seu mandato (um deles, aliás, é José Fogaça, ex-prefeito reeleito de Porto Alegre, que está taco a taco com Tarso Genro).
O máximo de continuidade é, paradoxalmente, do maior estado, daquele que mais perto está do chamado Primeiro Mundo. Ao contrário de confirmar, nas eleições estaduais, o que se espera de uma sociedade moderna, a política de São Paulo tem ficado cada vez mais parecida com a dos estados tradicionais. Lá, a se manter a vantagem de Alckmin sobre Mercadante, o PSDB chegará a 2014 comemorando seu vigésimo aniversário no Palácio dos Bandeirantes.
Nenhuma oligarquia dos estados pobres do Norte/Nordeste conseguiu tamanha proeza no Brasil contemporâneo. Depois da redemocratização, nem os Antonio Carlos, os Sarney, os Amazonino Mendes, os Siqueira Campos, os Lavoisier ou os Maia chegaram nem perto. Nenhum deles teve tanta competência para se manter no poder. E o engraçado é que são os tucanos de São Paulo os que mais advogam a alternância como remédio para os males de nossa administração pública.
Devem se reeleger sem susto os governadores do Rio de Janeiro, da Bahia, de Pernambuco, do Ceará, do Mato Grosso do Sul e a governadora do Maranhão. Também favoritos, mas em cenário mais competitivo, os de Sergipe e da Paraíba. Em Alagoas, Teotônio Vilela disputará uma eleição complicada, agora ainda mais, com a entrada de Fernando Collor no páreo.
Em Minas Gerais, Hélio Costa está bem à frente de Antonio Anastasia, que assumiu o governo com a renúncia de Aécio. Ninguém que acompanha a política mineira, no entanto, considera que sua vantagem é estável. Como no caso da eleição presidencial, o desconhecimento sobre o candidato do PSDB faz com que os números das pesquisas de agora tenham que ser vistos com cautela. É muito possível que Aécio faça por ele o mesmo que Lula por Dilma.
Existem outros casos de vices que se tornaram governadores e disputam com chances (como no Mato Grosso, no Piauí e no Amazonas), de ex-governadores voltando (como em Goiás) e alguns lugares imprevisíveis, uns que sempre foram (como Santa Catarina e o Pará), outros que se tornaram, como o Paraná. Lá, parecia que Beto Richa talvez nem tivesse adversário e agora tem, por sinal forte: Osmar Dias. Há, ainda, mudanças que nada são além de continuidade, como a do Acre, onde Tião Viana deve ganhar.
Mas, na hora em que for feita, em 2011, a foto dos governadores no seu encontro com o novo (ou a nova) presidente, o retrato não ficará muito diferente do atual, mesmo que alguns novos rostos apareçam. No fundamental, pouca coisa vai mudar (salvo, é claro, se alguma surpresa sobrevier).
Já no Senado, é certo que teremos grandes mudanças, muitas para melhor. Nos dois terços que serão renovados, virão ex-governadores, ex-prefeitos, pessoas experientes e lideranças respeitadas nos seus estados e no país. Vários furos acima da média da atual legislatura, que vai embora sem deixar saudade.
* Marcos Coimbra, sociólogo, presidente do Instituto Vox Populi, escreve para o ‘Correio Brasiliense’.

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