• Sábado, 14 Janeiro 2012 / 12:03

O estrago de Picciani

    Do colunista Ilimar Franco, no Panorama Político, do ‘Globo’:
    “Como o presidente do PMDB do Rio, Jorge Picciani, anunciou que não vai apoiar os candidatos a prefeito do PT em Niterói e Maricá, setores do partido estão defendendo o rompimento da aliança para reeleição do prefeito Eduardo Paes (PMDB). A direção do PT não gostou das declarações do peemedebista, mas tenta colocar panos quentes e acalmar os ânimos. Além de Niterói e Maricá, os petistas querem o apoio do PMDB em Petrópolis, Mesquita, Belford Roxo e Silva Jardim. E também reivindicam que o governador Sérgio
Cabral não suba em palanque onde os partidos forem adversários, como fará a presidente Dilma”.

  • Quinta-feira, 12 Janeiro 2012 / 14:17

Picciani detona o PT do Rio

      Os repórteres André Zahar e Rozane Monteiro, de ‘O Dia’, publicaram domingo uma entrevista com o
presidente do PMDB, o ex-deputado Jorge Picciani, que arrasa com o PT no Rio e coloca em perigo a aliança dos petistas com o candidato Eduardo Paes.
Picciani foi quem detonou, em 2010, a candidatura de Alessandro Molon, do PT, à Prefeitura do Rio – candidato que estava sendo apoiado pelo governador Sergio Cabral.
O presidente regional do PT fluminese distribuiu, no dia seguinte, uma nota oficial, atacando Picciiani: “Acreditamos que as opiniões desrespeitosas expressas pelo presidente do PMDB não sejam compartilhadas pelo governador Sérgio Cabral e pelo prefeito Eduardo Paes”.
Lêdo engano.
Eis a entrevista de Picciani e depois a nota do presidente do PT, Jorge Florêncio de Oliveira.

- O PMDB vai apoiar candidatos do PT em quais municípios?
— O PMDB apoiará candidatos do PT em Paracambi, Paraty… Em Quissamã, nosso candidato Arnaldo Mattoso talvez seja vice também. Foi feito um acordo político. Todo mundo quer ser candidato, mas quando faz acordo, tem que valer.
- E em Niterói?
- Vamos apoiar o prefeito Jorge Roberto (Silveira), do PDT. Ele apoiou o PMDB na eleição majoritária — para governador e senador em 2010 —, doente e com o problema do Morro do Bumba (favela onde mais de 40 pessoas morreram em deslizamento). Isso nos levou a assumir o compromisso de apoiar a reeleição.
- Mas o governo dele está mal avaliado…
- O argumento de que ele não está bem não é político. Eu sou avalista dos acordos do partido. Não mudo de opinião em função das adversidades. Vai nos caber ajudá-lo a melhorar a administração.
- Na prática, o que significa ajudar a melhorar a administração em Niterói?
- Numa aliança, você sugere melhorias. Ele teve dois episódios (que o prejudicaram), um pessoal e um político. Houve o desabamento do Bumba e ele teve um câncer. A questão do Jorge Roberto também tem um simbolismo grande porque o Cabral fez campanha duríssima a favor do (atual secretário estadual de Assistência Social e pré-candidato do PT) Rodrigo Neves (em 2008). Perdeu e estabelecemos uma relação administrativa que avançou para a relação política. Sou amigo pessoal do (secretário estadual de Trabalho e pré-candidato do PSD) Sérgio Zveiter. Sou amigo pessoal da família. O Cabral me perguntou: “Picciani, e o Zveiter?” Eu disse: “Não tenho esse compromisso”. Uma coisa é o Jorge Picciani, outra é o presidente do PMDB, que não sentou em momento nenhum com o Sérgio Zveiter, o Rodrigo Neves, nem com seus partidos e fez nenhum compromisso.
- A dupla Zveiter e Rodrigo Neves é a aliança desejada pelo governador Sérgio Cabral para Niterói?
- É uma vontade pessoal, nos cabe respeitar. São pessoas com quem ele está convivendo, que são secretários dele. Agora, o governador não interfere nas questões partidárias. Ele pode opinar, tem representantes dele nas decisões da Executiva e depois desses anos todos deve confiar nas minhas posições. Ele me visitou no hospital para me oferecer se eu queria ir para ministro. Eu disse: “Não quero ter função pública, vou presidir o partido”. Eu presido o partido, e o patrimônio desse partido, da política, é cumprir os compromissos. Mas algumas alianças podem ser desfeitas. Não vamos levar o partido ao suicídio. Se cometerem erros que não podem ser justificados, não temos que afundar num barco que não remamos.
- Em Angra dos Reis, o candidato continua sendo o prefeito Tuca Jordão, do PMDB?
- Vamos definir este mês. Avança para a candidatura do deputado federal Fernando Jordão (também do PMDB, rompido com Tuca).
- A expectativa é eleger quantos prefeitos?
- Trabalho com 45. Falta combinar com o eleitor. (risos)
- Na capital, a conta de 18 partidos com o prefeito Eduardo Paes inclui PV e PPS?
- O PV tem um ato de vontade nossa, mas nenhum indicativo deles. Temos a possibilidade de trazer o PPS, desmontando um pouco a aliança de 10 anos com PSDB e PV.
- Qual é a chance de o PPS apoiar o Eduardo Paes?
- Mais de 90%. Foram feitas todas as conversas. O (vereador) Paulo Pinheiro, que era contra, saiu (para o PSOL).
- Como o senhor avalia as pesquisas sobre o Rio?
- Se somar todos (adversários), dá 30%. Sem o (senador Marcelo) Crivella (PRB), o Eduardo dá de três para um (na soma dos outros). A eleição será no primeiro turno.
- O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) pode dar trabalho?
- É um bom candidato, mas só vai ajudar a dar mais brilho à vitória do Eduardo no primeiro turno.
- Ele pode repetir a onda Fernando Gabeira (PV) nas eleições de 2008?
- Não creio. Apesar de ser um rapaz com qualidades, ele é menos abrangente. O Gabeira tinha liberdade para aliança. O Marcelo fica engessado, antes de falar tem que perguntar ao partido.
- Como o senhor vê a aliança entre Cesar Maia (DEM) e Anthony Garotinho (PR) na capital?
- É legítima, eles têm adversários comuns.
- Quem dará mais trabalho: Marcelo Freixo ou Rodrigo Maia?
- Não temos muita preocupação. O Marcelo vai dar mais brilho à vitória do Eduardo, e os outros sairão menores do que entraram.
- Como o senhor vê a criação do PSD?
- A relação com o PMDB no Rio é quase umbilical. Tem uma decisão nacional da direção do PMDB de não entrar na Justiça (contra quem saísse do partido). Os (vereadores) que ficaram, se quiserem apoiar adversários, eu vou cortar legenda. Respeito as manifestações, mas depois de bater a convenção, todos, desde os generais aos soldados, estarão condicionados. Não são obrigados a fazer a campanha. Se o governador não se sentir bem em apoiar um candidato, não vai. Mas fazer campanha contra o PMDB ou candidatos apoiados pelo PMDB, não acredito que os soldados nem os generais farão.
- E se tiver um rebelde?
- Aí, tem que ver caso a caso. O partido tem um estatuto, uma comissão de ética…
- … que vale para soldados e generais?
- Principalmente para os generais.
- Como o governador vai fazer campanha nos locais onde a base está rachada?
- O sentimento pessoal será sempre respeitado, mas a gente nunca vai imaginar que ele fará campanha em todos os municípios. Ele fará onde o PMDB tem candidato, onde apoia candidato e onde se sentir à vontade. Não há uma regra, mas o partido tem que ter uma estratégia. A partir daí, eu, o Cabral, o (vice-governador Luiz Fernando) Pezão, quem tiver voto vai fazer campanha. O que vai no coração do Cabral ele não conta.
- Como assim “no coração do Cabral”?
- Vou dar um exemplo. Em Nova Iguaçu, ele diz: “Apoiei tanto o (deputado federal Nelson) Bornier na eleição anterior (para prefeito), e ele foi fazer campanha para o (José) Serra (PSDB). Eu pedi tanto para fazer para a (presidenta) Dilma (Rousseff)”. É uma campanha que ele (Cabral) começa sem muita vontade de fazer. Mas, quando engrenar, o que vai contar é o seguinte: é importante o PMDB ganhar em Nova Iguaçu. Então, o Cabral passa a ter simpatia de novo pelo Bornier.
- O que acontece se o senador Lindbergh Farias (PT)decidir ser candidato a governador em 2014?
- Está no direito dele. O que eu ouço nos bastidores é que ele é candidato pelo PT ou pelo PSB. Não tenho nenhuma dúvida de que ele vai ser candidato. O PMDB vai estar aberto para aliança. Se ele quiser ser o vice do Pezão, não tem problema. Se quiser ser candidato, vamos respeitar e derrotá-lo.
- O cenário para 2014 passa muito pela Baixada. Lá, PMDB e PT estão separados em vários municípios.
- A eleição para prefeito, com exceção da capital, tem zero influência na de governador. Quem vai decidir a eleição de governador não é o Pezão, é o Cabral. Nós vamos ganhar em 45 cidades, mas, mesmo que perdêssemos tudo, faríamos o governador. Se o Cabral fosse candidato à reeleição, se elegeria de novo. O Cabral vai chegar na sucessão dele muito melhor. Teremos avançado muito mais na área de segurança, com menores índices de criminalidade. O Cabral fará o sucessor, e o Lindbergh tentará se tornar ainda mais conhecido para tentar a reeleição no Senado e nos derrotar depois.
- O senhor considera o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, uma alternativa a Pezão?
- Ele não é político, é uma pessoa da área de segurança. A grande sabedoria do Cabral é lhe dar autonomia e apoio. O partido é aberto a qualquer pessoa de bem, mas a minha opinião pessoal é que não se mistura segurança com política. O Pezão está identificado com o Governo Cabral. Na hora em que se tornar o candidato da continuidade, se tivermos índices que acham que o governo deve continuar, o Beltrame ajuda dizendo que, se for convidado, vai permanecer. Mas, se o governo for mal, não tem Beltrame, não tem ninguém. Se estiver mal, vão escolher a mim, que enfrento só pedreira. Eu sou candidato, só não sei a quê. Vamos esperar.
- Em 2014, só terá uma vaga em disputa no Senado. O senhor se candidataria?
- Eu seria candidato ao Senado, mas temos uma precedência, o senador (do PP Francisco) Dornelles. Se ele quiser continuar, vamos apoiá-lo. Se não quiser, abre-se uma discussão no PMDB. Se o Cabral não quiser, saio candidato. Se ele quiser, eu busco outro caminho. Minha preferência é disputar o Senado.
- Voltando ao PSD, onde tem acordo?
- Fizemos um acordo político que vale para 2012 e 2014 com o (prefeito de São Paulo e presidente do PSD Gilberto) Kassab, com o Indio (da Costa, presidente estadual do PSD no Rio) e com o (deputado) André Corrêa (secretário-geral do partido no Rio e líder do governo na Assembleia Legislativa).
- Como fica a situação em Macaé, onde o secretário de Agricultura, Christino Áureo, é pré-candidato pelo PSD?
- Em Macaé, temos candidato próprio. É o André Braga. O Christino Áureo é um rapaz ótimo, meu amigo de muitos anos, um quadro técnico maravilhoso, com nível para ser ministro da Agricultura. Ele botou na cabeça que é o ‘bola da vez’ para ganhar, mas as pesquisas mostram que não tem nenhuma chance. Quem conhece ele, não gosta. Eu sou exceção, que gosto, mas não voto em Macaé. Forte lá é o nosso adversário, o (deputado federal) Dr. Aluizio, do PV. Ele é o ‘bola da vez’. Vamos ter que bater nele até ele virar pó, senão não ganhamos. A eleição lá é muito difícil.
- O PSD discute o nome do deputado estadual Wagner Montes para o Senado. O acordo vale para senador também?
- O Wagner Montes sempre é pré-candidato a tudo. Nós fizemos um acordo de os partidos ficarem juntos.
- Mas quem foi para o PSD foi porque não tinha legenda para concorrer ao cargo que queria.
- O Wagner, se quisesse ter sido senador, poderia pelo PDT. Mas ali a convivência é muito difícil. O PDT vive um momento muito difícil. Uma das razões para eu querer apoiar o Jorge (Roberto, prefeito) em Niterói é resgatar o Jorge. Para nós, o PDT é fundamental na eleição de 2014. Se você deixa esfacelado, o PDT vai para o lado do adversário. O suplente do Lindbergh é do PDT. O Rodrigo Neves hoje é Cabral, mas, se ganhar, fortalece o Lindbergh. Eu aqui trato de partido, não tem a ver com gostar ou não gostar, ser mais simpático. Esse Rodrigo Neves tenta puxar o meu saco o tempo todo, só que o Cabral gosta e eu não gosto. São temperamentos diferentes. Cabral é muito mais educado, mais refinado. Eu estou na política, e a minha responsabilidade é levar o partido à vitória dentro da compreensão de que quem tem cacife ou não para fazer o sucessor é o sucesso do Governo Cabral. Dá tranquilidade para o Cabral governar ter um partido com quem tem experiência, seriedade e respeita acordo. Isso permite ao governo não ter que se meter nesta seara. Da mesma forma, ter alguém aqui que não usa o partido para se meter nas questões do governo é bom para o governo também.
- As alianças com o PT esbarram em 2014?
- Não. Eu penso o seguinte: queria apoiar o prefeito de Maricá, o Quaquá, que é do PT. Ele foi muito bacana comigo na campanha. Mas fizeram uma pesquisa, e ele tem 5% de intenções de voto, 70% de rejeição. Já o candidato do PMDB tem 35% de intenções. Aí, a simpatia tem que acabar. Não havia um acordo partidário, havia uma simpatia minha. Sou duro na negociação, senão não conduzo o partido. A questão do PT, se você pega cidade por cidade, é que não tem quadros. Lindbergh foi prefeito duas vezes em Nova Iguaçu. Quem ele preparou? Em Nilópolis, quem tem? Em Mesquita, o Artur Messias, que foi prefeito duas vezes, é meu amigo pessoal. Quem preparou para sucedê-lo? Não preparou. Então, eu vou levar o PMDB a um desastre? Não é porque eu não quero. Em Belford Roxo, o Cabral tem botado 100, 200 milhões em asfalto, e os índices (do prefeito Alcides Rolim) são desesperadores. O que vamos fazer? Brigar com todo o PMDB? Em Caxias, veio o líder do PMDB (na Alerj), deputado André Lazaroni, meu amigo querido, falar: “É minha mãe”. Eu adoro a Dona Dalva (Lazaroni, pré-candidata do PT), mas cadê? 0,2% na pesquisa. Eu falei: “Não deixa ela passar esse sofrimento. Lança ela vereadora no Rio e eu faço ser puxadora de votos do PMDB. Tira tua mãe do partido e vamos ver”. Em Petrópolis, o prefeito (Paulo) Mustrangi (PT) é excelente pessoa. Na Região Serrana, todos os políticos estão com fama de ladrão, ele não… mas é de uma inaptidão, não sai na rua, se esconde em casa. Sempre me tratou da melhor maneira. Me fez perder voto, porque está mal, mas sempre foi muito educado. Como vamos apoiar se temos um candidato com quatro vezes mais voto? Em Teresópolis, roubaram a cidade, destruíram a cidade, como vamos apoiá-los? Ele (Jorge Mário, expulso do PT) veio aqui, e disse: “Tenho quatro partidos me assediando, quero ir para o PMDB. Eu disse: “Arruma outro, vamos te cassar”.
- São Gonçalo tem uma situação peculiar, tem dois pré-candidatos do PMDB. Como se decide?
- A eleição lá é dificílima. Temos o deputado federal Edson Ezequiel e a deputada estadual Graça Matos. Em qualquer pesquisa, um ou outro está na frente. O deputado federal Neilton Mulim, do PR, apoiado pelo Garotinho, está em segundo, o deputado estadual do PSB Rafael do Gordo, em terceiro, o deputado estadual José Luiz Nanci, do PPS, em quarto, o Adolfo Konder, do PDT, apoiado pela prefeita (Aparecida Panisset), em quinto, e a Alice Tamborindeguy, do PP, crescendo. Fizemos um acordo (com PSB e PPS) para escolher o candidato com mais chance, mas tem que ser por consenso. Tem cidade onde você pode fazer intervenção, expulsar, mandar prender. Em São Gonçalo, não. A eleição é de dois turnos. Se perdemos (no primeiro), apoiamos o candidato da prefeita. Mas também queremos que ela nos apoie. São Gonçalo é diferente de tudo. É o município mais perigoso para a gente.
- O Marco Antônio Cabral, filho do governador, sai candidato em 2014?
- Eu acho que tem que ser puxador da legenda para (deputado) federal. Eu, como presidente do partido, o quero como candidato, mas vai depender das condições políticas da época e de onde o pai estiver. Acho que ele seria um sucesso em termos de voto, e eu estou aqui para cuidar do melhor para o PMDB. O Cabral não vai gostar (de eu falar) disso, não.
- É verdade que o governador não gostou quando o senhor falou isso pela primeira vez?
- Eu sempre faço a ressalva, eu falo o que eu penso, não combinei nada com eles. Eu digo sempre, aonde eu vou, quando me perguntam, eu falo as coisas que eu acho. Mas eu não combinei com ninguém, não. Mas eu continuo achando que não terá alternativa. Ele (Cabral), para eleger o Pezão, tem que se desincompatibilizar, ou (para concorrer) a vice-presidente ou a senador… E, com isso, vai resolver naturalmente a questão do anseio de uma militância imensa do partido que quer o Marco Antônio candidato”.

A nota do PT

“Frente a entrevista do Presidente Regional do PMDB, o candidato derrotado ao senado nas eleições de 2010 Jorge Picciani, que nos causou profundo estranhamento, algumas considerações se fazem necessárias:
- Picciani utiliza, durante toda a entrevista, números questionáveis para justificar suas opiniões. Em momento algum cita a fonte das pesquisas, cujos resultados curiosamente atendem sempre aos seus interesses.O PT-RJ nega-se a comentar os números do Instituto Data Picciani.
- Fica explícito, na entrevista, o desejo do presidente do PMDB de antecipar o processo eleitoral de 2014. Ao estabelecer critérios contraditórios na construção de alianças com o PT e com outros partidos, Picciani orienta-se pelo receio de enfrentar novamente nas urnas o senador pelo PT-RJ Lindbergh Farias, eleito com a maior votação do estado em 2010.
- O PT-RJ realizou um conjunto de debates e seminários visando a disputa das eleições municipais de 2012, reafirmando sua condição de partido democrático e comprometido com a melhoria objetiva das condições de vida do povo. Pretendemos com isso, ampliar nosso número de prefeitos e vereadores, bem como aumentar o diálogo e a colaboração entre os partidos que fazem parte do projeto nacional protagonizado pela presidenta Dilma Rousseff
- Entendemos, no entanto, que uma aliança política é sustentada por um projeto comum, respeito mútuo e diálogo democrático. Acreditamos que as opiniões desrespeitosas expressas pelo presidente do PMDB
não sejam compartilhadas pelo governador Sérgio Cabral e pelo prefeito Eduardo Paes.
- Por fim, esperamos que o presidente do PMDB modifique o comportamento truculento e impróprio no trato com os aliados, que já lhe causou a derrota para o senado em 2010 e, mais uma vez, provoca uma situação constrangedora.
Jorge Florêncio de Oliveira
Presidente do Diretório Estadual/PT-RJ”

  • Quarta-feira, 11 Janeiro 2012 / 7:56

A privataria quer bicar o Fundão

                                               Elio Gaspari*

       O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, concedeu à General Electric, por 50 anos, um terreno de 47 mil metros quadrados para que ela construa um centro de pesquisas na Ilha do Fundão.
O doutor comprou a gleba ao Exército, pagando R$ 13 milhões. Aquilo que pode parecer um episódio de modernização da cidade é um capítulo da dilapidação do patrimônio da Viúva e dos impostos pagos pelos cariocas.
Faz tempo, existiu na baía de Guanabara uma ilha do Bom Jesus e lá, no reinado de D. Pedro II, instalou-se o Asilo dos Inválidos da Pátria para receber veteranos da Guerra do Paraguai. A iniciativa foi amparada por uma subscrição pública de moradores da cidade. Em 1868, havia lá 32 oficiais e 1.163 praças. Passados 106 anos, o presidente Ernesto Geisel soube que o asilo continuava funcionando.
Pelas suas contas, se houvesse inválido da pátria vivo, teria algo como 124 anos. Pediu ao ministro do Exército, general Silvio Frota que lhe explicasse o que era aquilo.
O ministro mostrou que nas 58 casas do asilo trabalhavam 57 militares e 69 civis. Os asilados eram quatro, de outras guerras. Em dinheiro de hoje, a instituição consumia R$ 455 mil anuais (noves fora os salários).
Portanto, havia 32 servidores para cada “inválido da pátria” que, por sua vez, custava R$ 9,5 mil mensais. Geisel mandou acabar com a maluquice. Como o ministro demorava, em 1976 o presidente ameaçou entrar em greve. Não assinaria coisa alguma levada por Frota enquanto o asilo não fosse extinto. Ganhou a parada.
Essa era uma época em que se esbanjava o dinheiro da Viúva. (Um sargento do asilo tivera dupla militância, dividindo-se entre o plantel do torturadores da Polícia do Exército e o contrabando.)
As terras da ilha do Bom Jesus continuaram como propriedade da União e, como agora esbanja-se o patrimônio da Boa Senhora, Eduardo Paes quer atrair para o Rio o “Brazil Technology Center” da General Electric.
Para isso, presenteia a empresa com o terreno. Como a propriedade não é dele, comprou-a ao Exército. A GE é uma empresa privada e tem bala para comprar terrenos. O Exército, uma instituição pública sustentada pelo Tesouro, não faz nenhum uso daquilo que foi a ilha de Bom Jesus.
A vereadora Sonia Rabello, que já ajudou a impedir a construção de um monstrengo difarçado de marina no aterro do Flamengo, sustenta que esse tipo de munificiência faz mal à cidade. Até bem pouco tempo, o Exército teve um projeto para a construção de três edifícios, com 140 apartamentos, no Forte do Leme. A ideia, aceita pelo prefeito, felizmente foi abatida em voo na Câmara do Rio.
A choldra que paga impostos verá R$ 14 milhões de sua carga tributária municipal passar para o Exército, em benefício dos acionistas da General Electric, cujas ações fecharam a US$ 18,86 no pregão de segunda-feira da Bolsa de Nova York.
Há inúmeros interessados em bicar as terras do Fundão. São negócios em que todo mundo ganha, menos a Viúva e os inválidos do fisco.
Serviço: Está na rede o trabalho “A Espuma das Províncias – Um estudo sobre os Inválidos da Pátria e o Asilo dos Inválidos da Pátria, na Corte (1864-1930)” do professor Marcelo Augusto Moraes Gomes.
*Élio Gaspari é jornalista e escreve para ‘O Globo’ e a ‘Folha’.

  • Quinta-feira, 05 Janeiro 2012 / 11:42

Oposição apoia Fernando Bezerra

     Fernando Bezerra, ministro da Integração Nacional, responsável pelo repasse de 90% das verbas contra enchente para o seu Estado, Pernambuco, é um homem de sorte.
A oposição está toda com ele.
Ou será que o deputado Sergio Guerra, presidente do PSDB, vai reclamar contra as verbas que seu Estado recebeu?
E qual será o comportamento do presidente do PPS, o também pernambucano Roberto Freire?
Já o presidente do DEM, José Agripino, não tem porque ficar falando sozinho. Além disso quem foi brindado  com verbas milionárias foi um estado nordestino – como ele.
                               * * *
Para que não se esqueça.
No governo Lula, o ministro da Integração Nacional chamava-se Geddel Vieira Lima, uma espécie de Eduardo Paes – um político que desancou o presidente e acabou sendo seu aliado.
Na sua administração, o mesmo percentual de verbas contra enchentes foi mandado para a Bahia.

  • Terça-feira, 03 Janeiro 2012 / 10:13

A pauta de Cesar Maia

     O ex-prefeito Cesar Maia publicou em seu blog, semana passada, um balanço sobre a política municipal na capital do Rio.
Como candidato declarado a Câmara de Vereadores, e tendo provavelmente seu filho Rodrigo como candidato a Prefeito, o artigo certamente será a pauta do discurso do DEM nas eleições desse ano.
Eis o seu texto:
“1. A cultura política carioca, quando atropelada por candidatos majoritários, em todos os níveis, a resposta é dada nas urnas.  Os exemplos são muitos: Flexa Ribeiro, um paradigma. A atual prefeitura comete três pecados mortais contra a cultura política carioca: a) discrimina os servidores municipais e prestigia terceirizações e organizações; b) confunde lei e ordem com repressivismo e assim humilha os pobres. Quanto maior a autoridade menor a necessidade do uso da violência. Repressão pela repressão é intimidação. A Alemanha dos anos 20 e 30 tem triste memória disso; c) a privatização da educação e da saúde, com gastos com OSs, ONGs, Empresas, Institutos e Fundações que somados já alcançam 3 bilhões de reais desde 2009. O Rio -desde o Império e depois como DF- é a matriz brasileira da educação pública e da saúde pública. 
2. Pesquisa recente mostra que 61% dos eleitores cariocas no caso da Saúde e 59% no caso da Educação, acham que piorou ou nada melhorou na prefeitura do Rio nestas duas funções.     
3. A imberbização da gestão municipal trouxe para o primeiro nível de proximidade com o prefeito, incluindo o próprio, pessoas sem nenhuma experiência de gestão. Com isso não há coordenação, não há acompanhamento, e as promessas e propostas se diluem, sem execução ou com enorme atraso. Restam
as licitações de obras que são executadas por empreiteiros. Mas mesmo assim, a descontinuidade de empenho e liquidação, as interrompe sistematicamente.        4. A prefeitura se transforma numa patrocinadora de eventos para ter visibilidade e numa licitadora. O espalhamento político da administração municipal torna os acessos de raiva e faniquitos da autoridade superior, motivo de bazófias e perda de autoridade. Afinal vários secretários se sentem hierarquizados fora do prefeito, fora da prefeitura.      
5. Do ponto de vista macro, o setor imobiliário que é o vetor empresarial-político dominante desde a Proclamação da República, e cujo poder e controle das decisões básicas da prefeitura são cíclicos, volta a comandar as decisões executivas e legislativas. Isso estressa as relações com os moradores e gera
desgaste político. O único proveito eleitoral é o patrocínio eleitoral.         
6.  O caos no trânsito é a imagem dessa imberbização, da inexperiência e o descontrole. 66% dos cariocas acham que a situação piorou, piorou muito ou nada melhorou. Mesmo com ampla generosidade de boa parte da imprensa que não aplica a dialética governo- oposição, e com grande destaque para as promessas
publicitárias que se sucedem como se fossem realidades, mesmo estando no palco apenas o prefeito, sua avaliação no último trimestre alcançou 35% e sua intenção de voto com projeção de cenários, fica abaixo disso.     
7. Dessa forma em 2012 teremos no Rio eleições competitivas que serão decididas pela capacidade dos candidatos de fazer suas campanhas acertando adequadamente o alvo.  Nesse sentido, nem o segundo turno está teoricamente garantido para o prefeito”.

  • Segunda-feira, 02 Janeiro 2012 / 11:38

Eduardo Paes e a Cidade da Música

    Hoje é o primeiro dia útil do último ano de governo do Prefeito do Rio, EduardoPaes.
Quando assumiu herdou, entre outra coisas, a Cidade da Música, faltando apenas 10% para a sua conclusão.
Cesar Maia, seu criador, chegou a inaugurar a sala principal e, os críticos de música, ficaram impressionados com a qualidade da acústica – tida como a melhor do país.
Por má votade, picuinha, ou ineficiencia, Paes não levou a obra adiante.
Preferiu fazer uma auditoria e, ao que tudo indica, nada de relevante foi descoberto.
E a Cidade da Musica continou fechada.
                              * * *
Esse é um ano eleitoral é Paes é candidato à reeleição.
A Cidade da Musica, obviamente, será um dos temas de debate de sua sucessão.
Paes tem dois caminhos: concluir ou não a obra do antecessor.
Se concluir será ruim para ele, pois ficará claro que, aí sim, a Cidade da Música passará a ser uma obra eleitoreira.
Eleitoreira para ele.
Se não concluir, será pior ainda, pois mostra sua total incapacidade em lidar com obras alheias. Ou seja, não tem a modéstia necessária para reconhecer o sucesso alheio.
Ele teve mais de 1.000 dias para resolver essa questão.
E nada fez.
E a população que se dane.

  • Segunda-feira, 07 Fevereiro 2011 / 14:16

O Prefeito e a Cidade do Samba

    O site do Globo Online divulgou, semana passada, o vídeo da construção de um prédio, na China, de 15 andares, erguido e acabado em um tempo recorde de seis dias.
                     * * *
Todo o Largo da Carioca foi construído, nos anos 60, em apenas 24 horas, pelo então prefeito Negrão de Lima.
                     * * *
O prefeito Eduardo Paes tem tudo para fazer um bonito e reinaugurar a Cidade do Samba no domingo, dia 20.

  • Sábado, 24 Julho 2010 / 9:00

Datafolha: Cabral 53 x Gabeira 18

   De Bernardo Mello Franco, da Folha:
“Se a eleição fosse hoje, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), seria reeleito ainda no primeiro turno. Ele tem 53% das intenções de voto, contra 18% de Fernando Gabeira (PV), aponta o Datafolha.
A diferença de 35 pontos entre os principais candidatos ao Palácio Guanabara indica que a disputa no terceiro maior colégio eleitoral do país pode ser encerrada no dia 3 de outubro.
De acordo com o levantamento, os demais concorrentes somam apenas 8% das intenções de voto. Cyro Garcia (PSTU) e Eduardo Serra (PCB) têm 3% cada um. Mais atrás estão Fernando Peregrino (PR) e Jefferson Moura (PSOL), com 1% cada um.
Não sabem quem escolher 12%, e outros 9% pretendem votar nulo ou em branco.
Cabral lidera com mais folga no interior, onde bateria Gabeira por 56% a 14%. Na região metropolitana, eles aparecem com 52% e 20%, respectivamente.
O melhor desempenho do candidato do PV é na capital, onde ele chegou ao segundo turno da eleição para a prefeitura em 2008. Lá, Gabeira alcança 25%, e Cabral, 48%.
Os números mostram que o peemedebista foi beneficiado pela desistência do ex-governador Anthony Garotinho (PR), que concorrerá a deputado federal e ainda não conseguiu transferir suas intenções de voto para Peregrino.
A rejeição a Gabeira é o maior obstáculo à realização de segundo turno no Estado. Dos eleitores ouvidos, 31% disseram que não votam de forma alguma no verde. Cabral tem 18% de rejeição.
Além de contar com a máquina do Estado, o governador diz ter o apoio de 91 dos 92 prefeitos fluminenses -incluindo o da capital, Eduardo Paes (PMDB). Ele também está aliado ao presidente Lula e à presidenciável Dilma Rousseff (PT)”.

  • Quarta-feira, 14 Julho 2010 / 15:06

Os palacetes de uma elite mal assombrada

 

                                                                         Élio Gaspari*
   A prefeitura do Rio de Janeiro pretende comprar o palacete que pertence à família Guinle de Paula Machado, na rua São Clemente (Botafogo). Os donos queriam R$ 15 milhões, mas deixariam por R$ 10 milhões. A cinco minutos dali, caindo aos pedaços, está o Hospital Rocha Maia. Por que a Viúva gastará semelhante ervanário para comprar uma exuberância sem saber o que vai fazer com ela? A casa, tombada pelo Iphan, está em bom estado, assim como seus mil metros quadrados de jardins. Se alguém estiver interessado, que faça uma oferta, deixem a Boa Senhora longe dessa.
No final do século 19 e nas primeiras décadas do 20 os endinheirados do Rio de Janeiro construíam palacetes em Botafogo, e os mais belos ficavam na São Clemente. Nessa mesma época os milionários americanos erguiam mansões na Quinta Avenida, em frente ao Central Park. Quem percorrer esses trajetos poderá admirar a grandeza do capitalismo americano e a desgraça da plutocracia brasileira bem relacionada.
Na Quinta Avenida sobrevivem as casas de Henry Frick; a Starr Miller, comprada por Ronald Lauder; a do banqueiro Felix Warburg; e a do magnata do aço, Andre Carnegie. Todas hospedam instituições culturais privadas. Frick deixou o palacete com centenas de obras primas. (Vermeer? Três. Rembrandt? Quatro.) Ninguém se lembra dele como o mandante, em 1892, de um massacre de operários grevistas, nem dos dois tiros que tomou no pescoço, disparados por um anarquista. Lauder criou a Neue Gallery, para a qual comprou o retrato de Adele Bloch-Bauer, de Gustav Klimt. Na casa de Warburg funciona o Museu Judaico. Mais adiante está o palácio de Carnegie, o maior entre os “barões ladrões”, foi o homem mais rico dos Estados Unidos no início do século e provavelmente o maior filantropo de sua história. Nela há um centro de exposições de desenho.
Na rua São Clemente a história foi outra, os plutocratas construíram palacetes, regalaram-se e, quando as heranças encurtaram, penduraram-se quase todos na bolsa da Viúva. A de Rui Barbosa hospeda uma instituição exemplar. A mansão de um comerciante português, onde funcionou o Colégio Jacobina, tornou-se um Centro de Arquitetura e Urbanismo da prefeitura que vive na indigência. O palácio do embaixador inglês foi comprado pela prefeitura num negócio esquisito, no qual pagou pelos móveis quatro vezes mais do que o preço do imóvel. Em alguns casos, os prédios foram preservados por empresas, mas onde a Viúva pagou a conta, quase nada sobrou para a patuleia.
Noutro bairro, o filho do barão de Nova Friburgo, falido, vendeu à República o Palácio do Catete. Quem o visita e depois vai à casa de Carnegie pensa que o magnata americano era um avarento. O mesmo acontecerá ao paulista que visitar o Palácio dos Campos Elíseos, repassado à Boa Senhora pelos descendentes de Elias Pacheco Chaves.
Os Guinle foram uma das famílias mais ricas da República Velha. Fizeram dinheiro com indústrias, obras e concessões de serviços públicos. Lá atrás, tiveram o equivalente a R$ 2 bilhões. Enquanto ganharam mais do que gastavam, souberam distribuir sua fortuna. Se o prefeito Eduardo Paes não tem o que fazer com R$ 10 milhões, faça como o patriarca Guilherme Guinle (1882-1960): proteja os hospitais do Rio de Janeiro.
*Elio Gaspari, jornalista, escreve para ‘O Globo’ e a ‘Folha’.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:55

Gabeira confirma hoje candidatura

O pré-candidato ao governo do Rio, Fernando Gabeira, do PV, deu ontem, no final da tarde, uma entrevista ao jornalista Ricardo Noblat pelo Twitter. Por limitações da ferramenta utilizada, nenhuma pergunta e nenhuma resposta, tem mais de 140 toques. Veja a entrevista:
“- Boa tarde, deputado Fernando Gabeira. Depois de idas e vindas, o senhor será mesmo candidato ao governo do Rio?
- Boa tarde. Depois de idas e vindas, sou candidato ao governo do Rio.
- O que lhe faz achar que merece ser eleito governador?
- Creio que adquiri experiência política e conhecimento para responder aos desafios do Rio.
- O senhor se acha mais capaz do que Sérgio Cabral e Garotinho, por exemplo?
- Pelo governo que fizeram, creio que tenho condições de realizar muito mais e com outra concepção política.
- Por que o senhor não queria o ex-prefeito Cesar Maia em sua chapa para o Senado e agora quer?
- Fizemos ampla consulta aos apoiadores capital e interior. Preferem união para termos chances de vitoria.
- Mas antes o senhor imaginou que sem união com o DEM de Cesar Maia poderia vencer?
- Antes estava disposto a seguir caminho sem grandes conflitos. Não há resposta científica sobre a fórmula vencedora.
- Que conflitos o senhor pensa que enfrentará por se juntar com o DEM?
- Conflitos na coligação e com parte dos eleitores. Só aceito coligar se todos se sentirem confortáveis. Creio que haverá paz.
- “Só aceito coligar se todos…” Quer dizer que ainda não se bateu o martelo sobre a coligação com o DEM?
- Creio que isso será feito amanhã. O critério para coligar é a aceitação do projeto ficha limpa.
- E quem ainda resiste a aceitar o projeto ficha limpa? O DEM? O PSDB? Quem?
- Todos os partidos da coligação aceitam, com base no projeto original. Vamos oficializar essa decisão amanhã.
- Quem mudou para que se possa imaginar o senhor e Cesar Maia juntos? Mudou o senhor ou Cesar Maia?
- O que muda é a situação do país e do estado. O sistema de dominação do PMDB é profundo e muito forte. Só a união vencerá.
- Quem mudou? Gabeira ou o PT, partido ao qual o senhor já pertenceu?
- Nós todos mudamos no caminho. O PT mudou de uma forma que nos separou. Consegui crescer sozinho, fora de um governo popular.
- O senhor acha possível fazer um governo popular junto com o DEM e o PSDB? Ou esse não é o seu objetivo?
- O objetivo é um governo com a sociedade. O governo popular tem boa políticas econômica e social, mas loteou cargos com partidos.
- O senhor não dará cargos a pessoas indicadas pelos partidos que o apóiam caso se eleja?
- Sim, desde que sejam pessoas honradas e com competência especifica para os cargos.
- Acho que Lula teria respondido da mesma forma antes de lotear cargos com os partidos que o apoiam…
- Isto não é uma pergunta. Quando Lula descumpriu o prometido, sai do PT.
- Para quem o senhor pedirá votos – Marina ou Serra?
- Pedirei votos para Marina, mas tenho admiração pelo Serra. Ambos me apoiam.
- Haverá lugar para Serra no seu programa de propaganda no rádio e na televisão?
- Está combinado que Serra aparece me dando apoio.O vice, do PSDB, vai apoiá-lo.
- Quando Serra for ao Rio fazer comícios o senhor estará ao lado dele?
- De um modo geral não faço mais comícios. Posso encontrá-lo na rua, pois nela encontro até adversários.
- Por que o senhor acha Marina e Serra mais preparados para governar do que Dilma?
- Ambos passaram por crivos eleitorais, Marina venceu a pobreza e eleições, Serra governou São Paulo.
- Em um eventual segundo turno entre Serra e Dilma, o senhor então irá de Serra?
- Sim, num eventual segundo turno apoio Serra.
- Existe alguma chance de composição entre Serra e Marina ainda no primeiro turno?
- Não creio. Marina quer falar de sustentabilidade e acha que seu papel é singular.
- Que lição (ou lições) extraiu de sua derrota para prefeito do Rio?
- Estou nisso desde 82 e cometo erros até hoje. Meu principal erro foi não deter o feriado na Justiça.
(De O Globo: A ausência de 927.250 eleitores cariocas (20,24% do total), em meio ao feriado prolongado decretado pelo governador Sérgio Cabral, pode ter influenciado o resultado da eleição, na opinião de cientistas políticos.
As maiores abstenções registradas foram nas zonas eleitorais do Centro (26,34%), da Zona Sul (26,11%) e da Grande Tijuca (22,14%), três regiões que registraram o melhor desempenho do candidato derrotado , Fernando Gabeira (PV).
Os números são superiores aos registrados no primeiro turno, que teve 17,91% de abstenção, e acima da média nacional, que ficou em 18,09%, bem próximo dos 17,29% registrados no segundo turno de 2004. Na ponta do lápis, isso representou uma perda de mais 107.157 votos em relação ao primeiro turno.
Na Zona Sul faltaram 143.714 eleitores, justamente onde Gabeira teve seu melhor desempenho. O fato reforça a polêmica sobre o feriadão decretado pelo governador Sérgio Cabral, que antecipou de terça-feira para esta segunda o Dia do Servidor Público).

- De 0 a 10, que nota dá à administração do prefeito Eduardo Paes?
- Não dou notas, mas aprecio a decisão de recuperar o porto do Rio, um dos projetos centrais de minha campanha.
- O que o governador Sérgio Cabral está fazendo que o senhor não faria?
- Proponho plano de segurança para todo o estado, saúde não apenas para emergência, e romper com a cumplicidade com empresas transporte.
- Em um eventual segundo turno contra Cabral o senhor pediria o apoio de Garotinho?
- Meu grande esforço é ir para o segundo turno. Quando estiver lá, tomarei as decisões do momento.
- O que acha da política de segurança pública de Cabral? E mais especificamente das UPPs?
- Defendi esta politica em 2008. Sou beneficiado por ela, mas pergunto sempre: e os outros? É preciso pensar Rio como estado.
- Qual será o papel do RJ na discussão da partilha de royalties caso o senhor se eleja?
- O Rio tem de lutar pelos royalties. Veja o desastre agora em Lousiana. São riscos ambientais e encargos sociais com o petróleo.
- Últimas perguntas. Qual é exatamente sua posição sobre o comércio de drogas consideradas ilícitas?
- Minha proposta é reformar a polícia. Sem boa polícia não há politica de repressão ou discriminação. É uma ponte entre extremos.
- O que pensa da concessão do titulo de propriedade definitivo aos atuais moradores de favelas?
- Sou favorável, desde que em áreas seguras. Com o título, as pessoas têm emprestimos, há dinamismo econômico.
- Última pergunta: O que fará para impedir a edificação em áreas de risco? E a ocupação ilegal de terra pública?
- De um modo geral é tarefa de prefeito. Poderei ajudar [fazendo] convênio com Google, monitorando on line”.

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