• Segunda-feira, 02 Agosto 2010 / 9:22

PMDB x Lindberg, PT x Picciani

      Dos repórteres Cássio Bruno e Duilo Victor, de ‘O Globo’:
“O governador Sérgio Cabral, candidato do PMDB à reeleição, e os candidatos ao Senado de sua chapa, Jorge Picciani (PMDB) e Lindberg Farias (PT), percorreram a Zona Oeste do Rio em uma carreata ontem à tarde. Os três, que dividiram espaço em uma caminhonete, passaram a tarde pedindo votos em Bangu e Realengo. Mas, apesar do discurso de união usado por Cabral, seus aliados não estão cumprindo o acordo. Mais uma vez, os peemedebistas omitiram o nome do petista no material de campanha de rua.
Apesar de alguns petistas também terem omitido o nome de Picciani, o partido deverá se reunir esta semana para decidir se mantém ou não oficialmente a publicidade conjunta com o nome do peemedebista.
O deputado estadual Domingos Brazão, por exemplo, está distribuindo cédulas apenas com os nomes de Picciani, de Cabral e da candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT). O parlamentar admitiu ainda que está apoiando o ex-prefeito Cesar Maia, candidato do DEM ao senado. Cesar concorre pela chapa de Fernando Gabeira (PV), adversário de Cabral.
O deputado federal Eduardo Cunha, da executiva estadual do PMDB, também excluiu Lindberg de cartazes e panfletos. Segundo ele, vários candidatos do partido estão fazendo o mesmo
Já do lado do PT, o deputado federal Antônio Carlos Biscaia (PT) omitiu Picciani de sua propaganda. Além dele, o deputado estadual Alessandro Molon também deixou Cabral de fora.
- Ao longo do mandato, denunciei uma série de irregularidades do governo Cabral. Como vou, agora, pedir votos para esse governo? – disse Molon.
Na última pesquisa do Ibope, Picciani aparece em quarto lugar com 11% das intenções de voto. Atrás de Lindberg, com 21%, e de Cesar Maia (DEM) e Marcelo Crivella (PRB), que aparecem empatados com 37%.
O presidente regional do PT, deputado federal Luiz Sérgio, lamentou o impasse:
- Eu acho um erro. Se os dois partidos fizessem campanha juntos os candidatos teriam mais chances. Mas, em ambos os lados, tem candidato que não obedece essa resolução.
Picciani não comentou o assunto e Lindberg minimizou:
- É natural que cada candidato tenha afinidades ideológicas. Tenho o apoio do governador, que tem tentado mostrar que também sou o candidato dele ao Senado.
Ontem, depois da carreata – que percorreu nove quilômetros e reuniu militantes uniformizados do PMDB – o ex-prefeito falou da campanha:
- A (minha) estrutura de campanha não é grande. Espero arrancar depois do início do programa eleitoral na TV. A nossa campanha, entre as que estão na frente, é a que tem o menor grau de conhecimento. Tenho um terreno grande para crescer”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:55

PMDB mineiro perde a paciência

De Renata Lo Prete, no Painel da ‘Folha’:
“Depois de ter esperado pacientemente pela prévia do PT em Minas, que o Planalto prometeu ser “de mentirinha”, o PMDB dá sinais de que não está disposto a aguentar por mais tempo a procrastinação do aliado, que em público ainda mantém o discurso da candidatura própria ao governo. Para pressionar o PT a anunciar de vez o apoio a Hélio Costa, a cúpula peemedebista discute até mesmo a possibilidade de adiar o encontro do partido, marcado para o próximo dia 15, que consagraria Michel Temer como vice de Dilma Rousseff, à espera do desfecho da novela mineira.
Embora os pleitos do PMDB sejam muitos, só dois são pré-condição para a aliança nacional: Temer na vice e Costa como único candidato lulista em Minas.
Enquanto o casamento mineiro não sai, nos bastidores a discussão da chapa está acelerada. O deputado petista Virgílio Guimarães larga na frente entre os cotados para vice de Costa.
No Planalto, no entanto, há quem veja com simpatia a idéia de convencer Patrus Ananias, o derrotado nas prévias do PT, a aceitar a vaga. Existe ainda uma terceira ala no PT a sugerir que a vice fique com outro partido, como o PR, já que o petista Fernando Pimentel já estaria na chapa majoritária como candidato ao Senado.
Seja qual for o desenho da chapa em Minas, Guimarães não tentará renovar o mandato na Câmara. Em seu lugar lançará candidato o filho Gabriel, 26.
Desabafo do presidente do PT, José Eduardo Dutra, ouvido por correligionários às vésperas da prévia mineira: “É preferível um fim horroroso do que um horror sem fim”.
                                    * * *
Os dois pleitos do PMDB, considerados pré-condição para a aliança nacional – Temer na vice e Costa em Minas – tem um mesmo coordenador: o deputado Eduardo Cunha.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:49

Trabalho silencioso

De Fernando Molica, no ‘Dia’:
“O deputao Eduardo Cunha (PMDB-RJ) deu entrada ontem, no Supremo Tribunal Federal, em um mandado de segurança para suspender os efeitos da emenda dos royaltes: alega que a proposta não tinha o número necessário para tramitar na Câmara”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:48

Ciro: “Aécio salvou Lula”

De Maria Inês Nassif, do ‘Valor Econômico’:
“O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), teve um papel fundamental no desmonte de uma “articulação golpista” em 2005 que, por meio da CPI dos Correios que investigava denúncias do mensalão, pretendia levar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao impeachment. É o que revela, em entrevista ao Valor, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Aécio mandava um avião buscar Ciro, então ministro da Integração Nacional de Lula, e os então deputados Gustavo Fruet (PSDB-PR) e Eduardo Paes (PSDB-RJ), integrantes da CPI. “Íamos para o hangar lá em Belo Horizonte e brigávamos muito, mas chegávamos a um acordo que era avalizado pelo Aécio. Ele nos ajudou a salvar o mandato de Lula”, garante Ciro.
Candidato a presidente pelo PSB, Ciro não quer abrir mão da candidatura para preservar espaço para críticas ao segundo mandato do presidente petista, quando ocorreu uma erosão “dramática” das contas externas, afirma. “Esse debate foi abolido da cena política por oportunismo político-eleitoral, inclusive do Serra”, acusa.
Com discurso superlativo, aponta o dedo para “figuras tenebrosas” e “almas penadas” da política: são os mesmos a quem se aliou o presidente anterior, Fernando Henrique Cardoso. Cita os deputados do PMDB Eduardo Cunha (RJ), Michel Temer (SP) e Eliseu Padilha (RS), e o deputado Felipe Bornier, do PHS do Rio.
Ao ser perguntado das chances de desistir da candidatura à Presidência para disputar o governo de São Paulo, Ciro primeiro é enfático – é candidato a presidente, para ganhar ou perder – e depois faz a ressalva: só se for em torno de um projeto. O projeto de Brasil e a negociação entre as forças políticas contrárias ao “clientelismo” e ao “patrimonialismo” são a chave para entender as entrelinhas do deputado cearense. A chave auxiliar – uma ironia para alguém que transferiu o seu domicílio eleitoral para São Paulo – é uma severa crítica à política paulista. Abaixo, a entrevista ao Valor:
- O senhor recuou ou continua candidato a presidente?
- Continuo candidato. E, dessa, saio vitorioso ou derrotado: nem desistência, nem recuo são possíveis. Uma motivação da minha candidatura é o imperativo moral do flanco onde eu faço política – e sou eu, pelas circunstâncias, quem tem melhor condição de não permitir que a agenda do país se reduza ao plebiscito despolitizado, com personalismos exacerbados, uma disputa entre a turma do Lula, à qual eu pertenço, contra a do Fernando Henrique Cardoso. O imperativo moral é apresentar o que importa.
- E o que importa?
- Importa, a partir do avanço que o país está experimentando – aliás, extraordinário -, apresentar uma agenda complexa para o país. O Brasil vem melhorando sob todos os ângulos, mas apenas se você olhar pelo retrovisor, porque olhando para o futuro e comparando o país com os estandes internacionais, mesmo em renda similar à brasileira, o Brasil está ainda por fazer.
- O senhor acha que a crise é uma oportunidade?
- Nas grandes questões contemporâneas que se projetam para o próximo meio século, o Brasil pode ser protagonista. Em bioenergia, biocombustíveis especialmente, na questão ambiental, na questão étnico-religiosa, o país tem sementes extraordinárias de um ambiente civilizatório. Mas, mesmo conseguindo sair da estagnação a que fomos condenados pelo mito neoliberal – a crença que nos esmagou a imaginação -, ainda não nos libertamos totalmente dele. O neoliberalismo não foi para a lata do lixo porque poderosos sustentam o defunto e inibem o enterro.
- Essa é uma elaboração que parte da crítica ao governo. É essa a base de sua candidatura?
- Não, eu sou entusiasmado pelo Lula. Eu vi o Brasil decadente e hoje o vejo progredindo. A experiência mais ruinosa, sob o ponto de vista das contas públicas foi patrocinada pelo FHC. Quando eu era ministro da Fazenda [no governo Itamar Franco] e ajudei a fazer o Plano Real, o Brasil tinha uma carga tributária de 27% do PIB. FHC elevou a carga tributária para 35% do PIB; a dívida pública brasileira, que era de 35% do PIB, alcançou 68%; desmobilizamos US$ 100 bilhões de patrimônio; a taxa de investimento foi a menor; perdemos um terço dos mestres e doutores do ensino público superior brasileiro; fez-se os dois maiores acordos com o FMI. O Brasil deu o ouro e a prata nos governos FHC. A taxa de crescimento do país naqueles oito anos foi de 2%, 3%; nas contas externas, produziu-se um buraco de US$ 180 bilhões de dólares em oito anos. Com o Lula, a dívida desceu de 68% para para 40% do PIB; nos primeiros quatro anos de mandato, o Brasil fez US$ 46 bilhões de superávit; saímos da taxa de reserva negativa para reservas líquidas superiores a 100% do passivo externo público e privado; a carga tributária não subiu e quase dobrou a taxa de crescimento.
- Se há entusiasmo tão grande de sua parte, por que disputar contra a candidata de Lula?
- Neste segundo mandato, as contas externas brasileiras estão erodindo de forma dramática. Esse debate foi abolido da cena política por oportunismo político-eleitoreiro, inclusive do [José] Serra [candidato do PSDB à Presidência], principal voz de oposição e que sumiu com essa discussão. Além de desalinhamento de câmbio, a perda de dinamismo das nossas exportações é flagrante. A proporção de manufaturados nas exportações brasileiras está despencando.
- Os problemas se concentram na área econômica?
- Olhando pelo retrovisor, tudo melhorou: a educação, a saúde, a questão da universidade. Mas na saúde pública, por exemplo, não foi feito nada estratégico. A educação pública brasileira está melhorando, mas ainda é uma tragédia. E o imperativo moral é impedir o plebiscito que o PT e o PSDB acertaram para confinar o país nas suas miudices e projetar um futuro. Se melhorou, o passado não deve voltar.
- E qual é o projeto?
- Nós temos que apresentar um projeto nacional de desenvolvimento. É preciso que se garanta minimamente que a eleição seja o debate do futuro do país, e não esse debate despolitizado. Isso tem feito mal demais ao Brasil. A briga vem do provincianismo paulista.
- Como uma situação paulista pode contaminar o país?
- O FHC foi para a Presidência com uma obra extraordinária iniciada, o Plano Real. O PT foi contra o Real; recusou-se a dar apoio ao Itamar Franco no momento delicadíssimo do impeachment do Collor; não assinou a Constituição de 1988. Quando o FHC chegou ao poder, encontrou na intransigência do PT o pretexto para angariar a maioria na escória da política brasileira. Era o exercício do clientelismo e conservadorismo sem qualquer limite ético. Quando andou a roda da história e o PT ganhou a Presidência, contra Lula, o PSDB de São Paulo puxou o PSDB nacional para uma intransigente, mesquinha ruptura com o governo.
- Isso não justifica a aliança do governo com o PMDB?
- No segundo mandato, o PSDB deu ao Lula a crença de que, para governar, é preciso se alinhar – e com quem? O Brasil é tão medíocre nesta questão que são as mesmas pessoas – não são só os mesmo valores – que trabalham ao largo de qualquer moralidade. O Renan Calheiros [PMDB-AL], que foi ministro da Justiça do FHC, é lugar-tenente do Lula no Senado. Eduardo Cunha [PMDB-RJ], que já conhecia como ligado ao esquema do PC Farias, é quem está dando as cartas aqui, com a delegação do Michel Temer [PMDB-SP], também ex-aliado do FHC. Eliseu Padilha, ex-ministro do FHC, é o presidente da Comissão de Justiça da Câmara. O Felipe Bornier [PHS-RJ] é presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. É a seleção é às avessas: quanto mais decência e qualificação têm as pessoa, mais distante estarão dos cargos importantes no parlamento.
- Se São Paulo é responsável por isso, por que o senhor transferiu seu título para lá?
- Porque o Lula pediu.
- Mas, em São Paulo, estará fortalecendo essa política?
- A política estadual não precisa ser assim. O Aécio não é assim: ele elegeu um companheiro do PSB para a prefeitura de Belo Horizonte. O Aécio estende a mão e vai lá todo mundo. As diferenças não vão sumir, mas a forma de fazer política não é destrutiva. No Ceará, há tempo a gente se entende, daí se diminui a importância relativa dessas figuras tenebrosas, almas penadas não saem nunca do poder. Mas, em São Paulo, é picareta para um lado, picareta para outro.
- O senhor é contra alianças mais amplas?
- Não sou contra, eu vi debilidade do governo Sarney. Eu conheço a tradição federativa, a tradição multipartidária brasileira; eu reconheço que a aliança é necessária. A questão é: para quê? Se a aliança é só para conservar o poder e suas bases são o assalto à máquina pública, não faz sentido.
- Então, quanto mais ampla for uma aliança, mais relativizado é o poder desses setores?
- Mais do que isso, é parte da luta para acabar com a hegemonia moral e intelectual desses setores. Isso será um avanço institucional para o país. Qual é a razão dessas maiorias malucas [no Congresso]? Mera conservação do poder. Estritamente mercado secundário de minuto de televisão, inclusive na base da grana.
- Na política paulista, como quebrar essa hegemonia?
- Eu não estou na política paulista. Esse negócio de domicílio eleitoral é uma invenção da ditadura, não existia isso antes. Sou o deputado federal mais votado no país pela mão do eleitorado cearense. Esse mandato pertence aos cearenses.
- Se fosse para quebrar a hegemonia do PSDB paulista, o senhor seria candidato ao governo?
- Ajudar a construir o design dessa bomba, eu acho uma das mais gratas tarefas. Não precisa ser derrotando ninguém, pode ser articulando entendimento.
- É isso que você e o Aécio tentam fazer, quando conversam?
- Eu, Aécio, Tasso, Geraldo Alckmin.
- Alckmin tem peso no PSDB para fazer entendimento?
- O Alckmin está esperando para ver se o Serra deixa ele ser candidato a governador. Porque as coisas são assim: o Serra acabou de trair o seu próprio partido e elegeu o DEM para a prefeitura de São Paulo, contra o PSDB. E para ele tudo pode. O Nordeste praticamente varreu o ex-PFL e Serra elegeu Kassab em São Paulo. E aí, eu pergunto: quem elegeu o DEM em São Paulo vem me falar em modernidade?
- Com Lula o senhor chegou a vislumbrar a possibilidade de um entendimento para excluir o patrimonialismo das alianças?
- Lula diz que concorda comigo, que o sonho dele, quando deixar a Presidência, é organizar um movimento como o da Frente Ampla do Uruguai; que não compreende como estou num partido e ele em outro. Tudo bem, eu sei que, também eu, se for presidente, terei que tocar a rotina do país, mas é preciso que o povo ajude a diminuir o custo impagável dessa hegemonia frouxa, dessa hegemonia moral, que o conservadorismo do PT com o PMDB impuseram na agenda do país.
- Qual o interesse na formação de maiorias, se não se aprova matérias de interesse do governo?
- Acho que o interesse é só o horário eleitoral. Fora isso, não vejo nenhuma outra razão, porque não tem nenhuma agenda correndo no Congresso. Se tivesse, os parlamentares não seriam tão irresponsáveis. Veja a PEC 300, que institui o piso nacional para policiais. A emenda foi aprovada em primeiro turno, enganando os policiais, porque é impossível aprovar uma coisa dessa no segundo turno. É lambança, é só teatro. Lula mandou para a Câmara R$ 1,7 bilhão para um projeto de construção de um milhão de moradias. Eduardo Cunha apresentou emenda criando um crédito pleno de R$ 86 bilhões. Esculhambação que, sozinha, derruba o Brasil. Aí o Paulo Paim [PT-RS], no Senado, junto com o Renan, Sarney e tal, aprova o fim do fator previdenciário; ato contínuo, define o percentual de reajuste pelo salário mínimo. Quebra a Previdência. Votação unânime. Daí vem para a Câmara. Na hora em que pautar, vota-se a favor. E o Lula tem que vetar. Essa é a coalizão do Lula – e isso é coalizão? É de uma aliança para governabilidade que nós estamos tratando, ou é um mercado secundário de minuto de televisão?
- O Congresso é todo ele irresponsável, então?
- Não. O presidencialismo de impasse faz do Congresso Nacional um apêndice. Você precisa ver a quantidade de gente séria, trabalhadora, decente, que desiste, vai embora. O problema não é do Congresso, é da coalizão hoje dominante. Esse mesmo Congresso cassou Collor e fez a Constituinte.
- O senhor quer dar protagonismo para parlamentares decentes?
- Não é isso. Nossas regras de representação dizem respeito a pessoas que têm o monopólio de alterar essas regras. Por que essa representação vai alterar a institucionalidade que lhe legitima? Isso não acontece em lugar nenhum. É hora do Brasil se livrar de seus temores elitistas e começar a adotar a prática dos países avançados de convocar plebiscitos e referendos para superar determinados impasses.
- Até 2005, o senhor era o candidato de Lula à sua sucessão. O que é que aconteceu para o presidente ter lançado a ministra Dilma?
- Até 2007. Cada vez que Lula dizia isso para mim, eu dizia que o PT teria de ter candidato. O PT não ter candidato é o escorpião sobre o sapo.
- Sem entrelinhas: o senhor pode ser candidato ao governo de São Paulo?
- Quando Lula me fez o convite, deixei a decisão para o meu partido. O Eduardo Campos [presidente do PSB e governador de Pernambuco] me disse: “Se você quer ser candidato a presidente, por que não fica com domicílio em São Paulo e ajuda a gente a arrumar as coisas por lá?” Eu concordei. E fui para o Ceará para me explicar: Lula me pediu, o partido determinou que eu fizesse, se tentasse ser candidato com domicílio lá poderia ser impugnado por causa de meu parentesco com o Cid [Gomes, governador do Estado e irmão de Ciro]. Candidato a deputado não sou e no Ceará sou inelegível para tudo o mais.
- O senhor pode se candidatar ao governo de São Paulo na hipótese de Aécio Neves ser candidato do PSDB a presidente?
- Não. Eu disse ao presidente é que eu faço política por amor. Se, amanhã, alguém me diz: “o projeto está aqui mas nós vamos perder essa eleição porque Serra, em São Paulo, vai levar 6 milhões de votos e isso definirá a sua vitória a presidente”, aí é outra coisa. Mas eu não vejo esse cenário.
- E por que a situação com Aécio poderia ser diferente?
- Vou fazer uma justiça a Aécio. Quando a CPI dos Correios começou a arquitetar o golpe contra o presidente Lula, o Aécio teve um envolvimento estratégico. No meio da crise, eu, Dilma, Márcio Thomaz Bastos [então ministro da Justiça] e Jaques Wagner [então ministro das Relações Institucionais] nos reuníamos diariamente às 7h para definir uma estratégia que era “Infantaria e Diplomacia” – eu dei o nome. Nós iríamos fazer o diálogo, a diplomacia. Fizemos uma lista daqueles nomes importantes da República e escalamos quem falaria com cada um. Bastos e [Antonio] Palocci ficaram escalados para conversar com o Fernando Henrique e com o Serra, e eu, com Geraldo Alckmin, Aécio Neves, Fernando Gabeira [PV-RJ], José Carlos Aleluia [DEM-BA] – esta era a estratégia de diplomacia. E como infantaria, nós estimulamos um movimento para ocupar as ruas. O trabalho da diplomacia era dizer: “Daqui para trás: nós estamos vendo um componente golpista nisto, o presidente da República não será alcançado e nós não vamos tolerar isso”. Acabamos fazendo a manifestação na rua, só para mostrar que não estávamos blefando. O Aécio entendeu. Passou não só a concordar, mas a agir para desarmar a bomba. Muitas vezes ele mandou um avião para me buscar em Brasília às 9h da manhã, mandava o avião para pegar fulano, ciclano e beltrano da CPI e íamos para o hangar lá em Belo Horizonte. Lá brigávamos muito, mas chegávamos a acordos avalizados pelo Aécio. Ele nos ajudou a salvar o mandato do Lula. Invoco o testemunho de Gustavo Fruet [PSDB-PR] e Eduardo Paes [na época, PSDB-RJ]. O Aécio nos ajudou a desmontar a indústria da infâmia movida a partir do PSDB de São Paulo.
- Existe a hipótese de Aécio ser candidato a presidente?
- Acho que sim. Com grandes chances. Se ele for o candidato, é porque Serra terá recuado voluntariamente, e daí Serra garante a ele o eleitorado em São Paulo. O segundo colégio é Minas, e Aécio tira 70% ou mais; o terceiro é o Rio, e ele entra melhor que o Serra; depois é o Nordeste. O Sul está hostil para nós. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o eleitorado é contra o PT, eu ainda entro, mas o Aécio entra com mais leveza. O problema é o Serra e o carreirismo dele, só pensa em si. O problema do PSDB é o seguinte: eles [os tucanos] vivem embaixo de uma redoma, quando saem da rede de proteção da mídia, encontram um Brasil que não conhecem.
- FHC também?
- O Fernando Henrique tem um ciúme infantil do Lula, uma inveja feminil do Lula”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:17

Meirelles e Delfim: programa para Dilma

 Do ‘Valor Econômico”:
“O PMDB vai apresentar um programa de governo próprio até o fim de abril, no qual colocará restrições aos pontos mais polêmicos do documento aprovado pelo PT no fim de semana, durante o 4º Congresso do partido. Teses como a jornada de 40 horas, maior controle dos meios de comunicação e regras mais flexíveis para a reforma agrária devem ser vetadas pelos pemedebistas. “O programa do PT é o programa do PT, não é o programa da coalizão. O do PMDB é outro. E é bom lembrar que o governo Dilma será de coalizão”, disse o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).
O grupo que fará o programa do PMDB terá nomes como o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles; os ex-ministros Delfim Netto e Mangabeira Unger; o atual ministro da Defesa, Nelson Jobim; e o presidente do Instituto Ulysses Guimarães, deputado Eliseu Padilha (RS). A ideia é fundir as propostas do grupo – que começa a se reunir já nesta semana – com as teses aprovadas pelos petistas. “Os pontos que estão no programa de governo do PT e já são políticas do governo Lula serão mantidos, pois o PMDB faz parte da atual gestão. O nosso cuidado será com as novidades”, ponderou o deputado federal Eduardo Cunha (RJ).
As principais alterações devem ocorrer na questão agrária. O PMDB é contrário, basicamente, a três pontos: a atualização dos índices de produtividade da propriedade rural, a revogação da medida provisória editada no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que impede assentamentos em propriedades rurais invadidas, e a norma que exclui da lista de assentados aqueles que participarem de invasões de terra. Isso atenderia a boa parte da bancada pemedebista na Câmara, ligada aos ruralistas. O Ministério da Agricultura, afinal, comandado por Reinhold Stephanes, está com o PMDB.
Outras “novidades” que devem ser rejeitadas pelos pemedebistas são questões ligadas ao Programa Nacional de Direitos Humanos – incluindo a pressa na instalação da Comissão da Verdade – e a determinação de que as Forças Armadas respeitem homossexuais na corporação. Tratam-se de aspectos ligados à gestão do ministro da Defesa, o pemedebista Nelson Jobim.
Para Eduardo Cunha, o programa de governo do PMDB será amplo, embora dois nomes importantes do grupo sejam Meirelles e Delfim, que tendem a reforçar a parte econômica do documento a ser elaborado. “Delfim é conselheiro do presidente Lula e Meirelles é um dos grandes fiadores da política econômica, além de quadros excelentes de nosso partido. Seria uma agressão não convidá-los para esse debate”, completou Cunha.
Esta semana haverá também uma nova reunião entre representantes do PMDB e do PT encarregados de definir as alianças estaduais. A reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente da Câmara e do PMDB, Michel Temer (SP), na sexta, véspera da confirmação da pré-candidatura de Dilma, deixou os pemedebistas mais confiantes. “Lula garantiu ao Michel que se empenhará pessoalmente em resolver as pendências nos Estados em que não há acordo. E deixou claro também que, onde tiver dois palanques para Dilma, ele não fará campanha”, destacou Cunha”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:00

Alencar pode ser tudo e não será nada

 O vice-Presidente José Alencar está com toda a pinta de que, apesar de ter seu nome lembrado para tudo, ele não será candidato a nada.
Em 10 dias, ele foi candidato ao Senado, passou a ser candidato ao Governo de Minas e, ontem, disse que adoraria ser vice-governador do ministro Patrus Ananias, mas só decidirá por sua candidatura após exames médicos que fará em março.
O curioso é que Alencar apesar de ser quase uma unanimidade, não só em Minas, mas em todo o país, tem o respeito de todos os partidos, mas a unanimidade deles querem distância do vice.
Vejam a reportagem da ‘Folha”;
“Homenageado ontem pelo PT, que lhe nomeou “militante honorário” da legenda, o vice-presidente José Alencar (PRB) afirmou em Belo Horizonte que fará “de tudo” para dar continuidade ao governo Lula e, caso encabece uma eventual chapa em Minas Gerais, manifestou clara simpatia em ter como parceiro de palanque o ministro Patrus Ananias (PT).
As declarações de Alencar jogaram mais lenha da disputa interna do PT mineiro, rachado entre os grupos de Patrus e do ex-prefeito Fernando Pimentel, os dois pré-candidatos ao governo de Minas. “Ao lado do Patrus, como seu vice, eu toparia qualquer coisa”, declarou Alencar durante homenagem que recebeu na Câmara Municipal, minutos depois de ouvir de Patrus: “Por onde você for, mestre, quero ser seu par”.
Nas últimas semanas, o nome de Alencar surgiu como possível “solução” para o racha no PT mineiro, já que sua candidatura, em tese, poderia unificar Patrus, Pimentel e o PMDB do ministro Hélio Costa, que hoje lidera as pesquisas ao governo de Minas.
Mas os desdobramentos de ontem mostraram que esse cenário está longe de ser real. Logo após as declarações de Alencar, Pimentel deu entrevista afirmando que o PT não trabalha com a hipótese da candidatura do vice-presidente. “Essa hipótese está afastada.”
Em Brasília, lideranças nacionais peemedebistas reagiram à “solução unificadora” chamando-a de “manobra improvisada” e “firula” inventada pelo PT. “Com todo o respeito ao Alencar, que hoje é uma unanimidade nacional, querer improvisar agora uma solução desse tipo é um pouco demais”, afirmou o líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN).
“Isso nós não aceitamos. Temos que respeitar a figura do José Alencar, mas nós não o aceitamos como condutor do processo sucessório em Minas Gerais, reforçou o deputado Eduardo Cunha (RJ).
Alencar também se encontrou com o governador Aécio Neves (PSDB). Na saída, afirmou que a decisão sobre sua candidatura será tomada após exames médicos que fará em março. Ele luta contra câncer na região abdominal. “Estou muito bem. Mas temos um exame muito importante em 16 e 17 de março e, antes disso, não tomo nenhuma decisão.”
A condição colocada por Alencar para uma eventual candidatura em Minas é que o palanque não esteja rachado”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:54

Comprando gato por lebre

 Elio Gaspari é o melhor e mais bem informado jornalista do país.
Mas mesmo os maiores e os melhores também erram.
Em sua coluna de hoje, na ‘Folha’ e no ‘Globo’, Gaspari cita Sergio Cabral duas vezes e, em ambas, se equivoca.
Diz a primeira nota:
“Fernando Gabeira criou um pesadelo para Sérgio Cabral. O ex-governador Anthony Garotinho conseguiu 20% na última pesquisa do Vox Populi, e Gabeira teve 18%. Somados, encostam em Cabral, com 39%.
Cabral tem força no Grande Rio e Garotinho no interior. Se Gabeira avançar na cidade, Cabral corre o risco de morrer no primeiro turno.
Cabral, contudo, tem uma arma secreta: Lula”.
Nas últimas eleições, Lula teve mais votos que Cabral, no Rio, tanto no primeiro quanto no segundo turno.
O raciocínio correto então é que, se Lula consegue transferir votos para Dilma, também poderá transferir para Cabral.
Certo?
Não, errado.
Lula, como se sabe, tem votos nas camadas populares. E essa é a que mais vem sofrendo no governo Cabral. Os transportes – metrô, trens e barcas – pioraram. A política de segurança e o enfrentamento de bandidos, matou centenas de inocentes. Teve o episódio dos muros que cercariam as favelas. Na área sindical, médicos, professores, policiais militares e bombeiros fazem passeatas semanais pedindo “Fora Cabral”. E, por culpa única e exclusiva do governador, o fato dele ter dado o equivalente a 30 voltas ao redor do  mundo, nesses tres anos de governo, criou a imagem de um político que não quer nada com o trabalho, e que prefere as delícias de Paris.
A segunda nota:
“A manobra que pode levar Henrique Meirelles à vice-presidência na chapa de Dilma Rousseff é pesada, mas pode prevalecer.
O presidente do Banco Central tem a simpatia de Lula e é defendido pelo ex-ministro Antonio Palocci.
Meirelles serviria de contrapeso às inquietações que Dilma e o comissariado petista disseminaram no empresariado e no andar de cima. Nas últimas semanas o mercado financeiro tomou-se de súbita paixão por José Serra.
Lula, Palocci e Dilma não têm votos na convenção que escolherá a chapa, mas podem recorrer a um poderoso eleitor. Costurando por dentro, o governador Sérgio Cabral viabilizaria Meirelles. Ele tem quatro vezes mais convencionais que a bancada paulista do partido.
Henrique Meirelles não é um quadro do PMDB, característica que o credencia para o exercício do cargo.
Se Cabral emergir como seu grande eleitor, estará habilitado para se tornar uma ponte dourada entre os pleitos do partido e o Planalto num terceiro mandato petista”.
Está certo que a bancada do PMDB do Rio é muito maior que a de São Paulo. Aliás é a maior do país. São 10 deputados fluminenses,  contra três paulistas, sendo que o terceiro de São Paulo é  Michel Temer, eleito com a sobra de votos.
Mas tem um detalhe: Cabral não tem um único voto entre esses 10 deputados. Quem comanda a bancada chama-se Eduardo Cunha, que hoje é unha e carne com Michel Temer.
Cabral, lamentavelmente, não poderá fazer absolutamente nada em favor de Henrique Meirelles.
Até mesmo porque, se tivesse força para tal, faria para si próprio.
O que ocorre é que o partido, a nível nacional, não gosta e, pior, desconfia de Cabral. O episódio de nomeação do ministro Temporão é um bom exemplo. Lula o inventou, e Cabral que não o conhecia nem de nome, assumiu a candidatura.
Quando Michel Temer foi candidato à presidencia do PMDB, um grupo lançou Nelson Jobim.
O único governador do PMDB a aderir a Jobim - candidato que durou menos de 48 horas -  foi Sergio Cabral, que o trouxe ao Rio para destruir Temer. Esse não reclama, mas não esquece.
Cabral fará o que for possível para derrotar Temer.
Até mesmo porque o presidente da Câmara é grato a Garotinho.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:28

Temer ameaça aliança com PT

Michel Temer continua homem cordato, como sempre foi. Mas deixou claro em entrevista a Jorge Bastos Moreno, de ‘O Globo’, que se o PMDB não der o vice para a candidata Dilma Rousseff, não haverá aliança com o PT:
“- Por que o PMDB reagiu de forma até indignada à sugestão do presidente Lula da lista tríplice de candidatos a vice da Dilma Rousseff?
- Foi uma simples reação reveladora da autonomia do partido. É evidente que, no instante que isso sugere uma fórmula para o PMDB escolher o candidato, a reação foi natural, porque essas coisas se resolvem por meio do diálogo. E, como a idéia é a escolha de um companheiro de chapa para a ministra Dilma, que poderá vir a ser candidata ? se já não é candidata ? ao cargo de presidente, evidentemente que essas questões se decidem por conversas entre os dois partidos, o PT e o PMDB.
- O senhor ficou magoado porque seu nome sempre foi apontado como o preferencial para vice?
- Em primeiro lugar, meu nome foi muito alardeado como candidato a vice, embora ? faço, desde já, uma observação ? eu jamais tenha me colocado como vice. Ao contrário, sempre disse que vice é circunstância política, não é candidatura. Ocorreu, entretanto, que, num dado momento, houve um diálogo, em Brasília, em que supostamente tentavam me incriminar.
E a fala do presidente ? dizendo que o ideal seria uma lista tríplice, que foi uma fala acidental, não proposital ? fez com que a imprensa relacionasse o episódio Brasília com o episódio da lista tríplice. A meu ver, o presidente da República jamais teve essa intenção.
- O próprio presidente Lula já chegou a falar para o senhor que o senhor seria o candidato a vice?
- Quando tivemos uma primeira conversa, isso há vários meses, sobre a possibilidade da aliança, ele ? talvez muito delicadamente ? insinuou que eu poderia ser o vice, que o Hélio Costa poderia ser o vice, enfim, mencionou nomes que poderiam ocupar essa posição. Ao que logo eu disse: presidente, primeiro vamos fechar essa aliança para depois verificarmos qual é o nome que mais soma para a candidata. Deixei isso muito claro naquela ocasião. Portanto, o presidente jamais chegou a dizer ?você será o vice?, mas insinuou nomes.
- E a candidata chegou a falar com o senhor sobre isso?
- Conversamos muito sobre alianças, não chegamos a conversar sobre vice-presidência. Aliás, quando se tocou nesse assunto, mais uma vez, minha fala foi na mesma direção.
Como estamos dialogando, será do diálogo entre PT e PMDB, e, naturalmente, entre a candidata e o PMDB, nessa circunstância, que se dará a escolha do vice.
- O ingresso de Henrique Meirelles no PMDB, com ele sendo guindado à condição de candidato a candidato a vice, complicou o processo?
- Não, pelo seguinte: o Meirelles, quando entrou no PMDB, ele o fez com a intenção de ser candidato ao Senado por Goiás. Foi essa a conversa que ele teve comigo e com o prefeito Íris Rezende. Evidentemente, ele é um ótimo nome. O Meirelles é um nome que pode ocupar qualquer posição no país, não tenho a menor dúvida disso. Qualquer cargo que lhe seja destinado, ou qualquer função que lhe seja atribuída, ele os desempenhará com muita sabedoria.
- Estão falando no Ciro Gomes, de outro partido. Se o Ciro for escolhido candidato, aí acaba a razão de ser dessa aliança do PMDB com o PT?
- Acho que, no pré-compromisso firmado, fruto até de uma conversa de vários meses atrás com o presidente Lula e com a candidata Dilma, ficou estabelecido que a vaga seria do PMDB, não de alguém do PMDB, mas do PMDB. Esse é um ponto. O segundo ponto foi de natureza programática, ou seja, o PMDB quer participar, e participar ativamente, da elaboração programática do plano de governo, como quer também participar do plano de campanha. Isso tudo ficou ajustado com o presidente do PT, Ricardo Berzoini. Converteuse em um documento escrito que foi firmado num jantar com a presença do presidente Lula e de todas as lideranças do PT e do PMDB.
- Mas se o PMDB, na convenção nacional, decidir por candidatura própria, acabam-se os problemas da aliança: não haverá mais aliança.
- É, esboça-se a candidatura do governador Roberto Requião. E, mesmo aqui na convenção do PMDB de São Paulo, onde eu e o (Orestes) Quércia dividimos os delegados à convenção nacional ? eu, na verdade, fiquei com nove delegados e ele ficou com 11 dos 20 delegados à convenção nacional ?, essa é uma das teses. Evidentemente, há a tese de apoio à candidatura (José) Serra, e há a tese, que eu acredito seja majoritária, de apoio à candidatura do governo, à candidatura do PT. Agora, isso tudo será decidido na convenção. O que precisamos, neste entretempo, entre agora e a convenção nacional, é ajustar a questão dos estados da federação brasileira. Se houver acordos nos estados, acho que facilita muito a votação na convenção nacional.
- Dessas hipóteses levantadas, excetuando-se naturalmente a aliança com o PT, que é uma coisa quase majoritária, se tivermos que apostar numa dessas outras duas alternativas, candidatura própria ou apoio a José Serra, qual o senhor acha que tem mais força no partido?
- Bom, há sempre um sentimento que chamo de patriótico do PMDB, que é a ideia da candidatura própria. Mas ainda é muito cedo para definir algum rumo nessa direção: ou candidatura própria ou apoio a outros candidatos. Quando falamos desse pré-compromisso, foi porque temos um número razoável de ministérios no governo, e não seria ético que o PMDB viesse a romper com o governo no ano que vem, em março ou abril, para o lançamento de candidatura. Daí porque essas coisas têm que se definir… começaram, melhor dizendo, a se resolver de um mês para cá, a fim de que, no início do ano, estejam inteiramente definidas. Não há condição de levar mais para diante essas definições.
- A sua relação pessoal com o governador José Serra também não gera um clima de desconfiança dentro do PT?
- Acho que gera… Até estou de acordo com a sua pergunta. Eu sou velho amigo do José Serra, desde os tempos de estudante. Agora, uma coisa é uma amizade pessoal, que nós enaltecemos, tanto ele como eu, e outra coisa é a relação política, especialmente político-partidária. Então, sabemos distinguir muito bem essas duas posições.
A relação hoje com o PT é político-partidária. Nós ajudamos a eleger o Arlindo Chinaglia para a presidência da Câmara. O PT, ao lado de outros tantos partidos, mais 14 partidos, me ajudou, ao lado deles, a me eleger presidente da Câmara.
- O senhor sente ? para a gente usar uma linguagem popular ? que está sendo rifado dentro do PT?
- É…
- O senhor sente isso?
- Na verdade, se há uma intenção, ela é equivocada porque, volto a dizer, jamais me posicionei como candidato a vice. É o PT que fala, possivelmente o governo, o PMDB que fala que meu nome une, mas eu jamais me posicionei como vice. Desde o primeiro instante, disse: vice só pode ser definido no momento em que se defina a candidatura do PT. Não é agora que se pode falar em vice-presidência. Portanto, se há intenção de rifar, essa tentativa é equivocada.
- Mas o senhor, pela sua experiência política, pelo número de mandatos, três vezes presidente da Câmara… O senhor sente um esboço de reação dentro do PT contra sua candidatura?
-  É… Não é exatamente contra minha candidatura. Sinto que, nos últimos tempos, há outras idéias em relação à candidatura. Digo que elas não têm nada a ver comigo porque reitero que jamais me posicionei como tal. Mas sinto que há outros desejos, outras aspirações.  Isso é perceptível pela leitura das revistas, dos jornais, de algumas declarações. Eu não tenho dúvidas disso.
- O que o senhor não aceita, até porque isso já é compromisso assinado, é o PMDB ser rifado da condição de vice?
- Aí não dá. Aí não dá porque já há um pré-compromisso que não é apenas verbal, é escrito. Portanto, esse pré-compromisso, para se converter em compromisso, demanda o PMDB na chapa que vai disputar as eleições.
- Se, por exemplo, Ciro Gomes ou outro político de um partido diferente, for escolhido, o PMDB não participa da aliança com o PT?
- Eu não quero dar uma resposta definitiva, mas acho que posso dar uma intermediária: fica mais difícil a aliança. Não tenho dúvida disso. Verifico com todos os companheiros do PMDB que haveria maior dificuldade. Pode ser que a candidata, ou o PT, se decida por outra candidatura. Aliás, o candidato Ciro Gomes vive desprezando a presença do PMDB, certa e seguramente, para tentar ser vice. O que é uma aspiração legítima, não tenho nenhuma objeção em relação a essa aspiração. O que faço é uma ponderação política. É claro que ficará mais difícil a aliança se o PMDB não puder indicar o vice, seja ele quem seja.
- Só o fato de o senhor estar aqui explicando, dizendo ?não quero ser vice, mas estão fazendo isso…?, não mostra que, no momento, a relação PMDB e governo, se não está trincada, pelo menos está um pouco agastada? Não tem alguma coisa trincada na relação do PMDB com o governo?
 - Tem gente querendo trincar a relação. Não tenho dúvida disso. Há setores até que desejam essa trinca. Mas nós que somos as lideranças deveremos ser cautelosos nisso tudo.
As lideranças, tanto do PT quanto do PMDB, hão de tomar todo o cuidado para impedir essa cisão que, muitas vezes, as pessoas querem fazer. Estou de acordo com sua pergunta.
- Qual a sua relação com o deputado Eduardo Cunha? Hoje, diz-se no Congresso que Eduardo Cunha manda no PMDB e, particularmente, que ele exerce uma força muito grande sobre o senhor e sobre o líder Henrique Eduardo Alves. Que relação é essa que o senhor tem com Eduardo Cunha?
- É absolutamente inverídica. A relação que existe é de amizade e institucional. Ele é deputado, e reconheço que é um deputado muito trabalhador, muito atuante, que age e trabalha bastante, mas não tenho relação além dessa. Volto a dizer: de amizade e de relação institucional como tenho com mais 511 deputados da Câmara. Não há relação de comando, de mando, como se costuma dizer; ao contrário, se eu disser alguma coisa em relação ao PMDB, a tendência é que ele venha seguir, se o Henrique disser alguma coisa, a tendência é que ele e todos os demais venham a seguir. Não há nenhuma relação de dependência”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:25

Beija Flor e o escândalo do DEM

 Uma reportagem de Leandro Colon, do ‘Estadão’, revela a baixaria que se tornou a  negociação do governo do Distrito Federal e a Escola de Samba Beija Flor de Nilópolis, que desfiliará no próximo ano o enredo em homenagem aos 50 anos de Brasília.
Eis o seu texto:
“O patrocínio do governo do Distrito Federal para a escola de samba Beija-Flor fazer seu desfile no carnaval de 2010, no Rio, virou uma disputa entre os deputados “mensaleiros”, o carnavalesco Joãosinho Trinta e o grupo político do vice-governador Paulo Octávio (DEM), responsável pelas festividades dos 50 anos de Brasília no ano que vem. Os parlamentares envolvidos no chamado “mensalão do DEM”, liderados pelo deputado Leonardo Prudente (DEM), atravessaram a negociação para superfaturar a verba e negociar propina com o governo do DF e uma das mais vitoriosas escolas de samba do Rio. “É um dinheiro maldito”, afirma Joãosinho Trinta, que também tentou ganhar dinheiro no negócio, mas foi passado para trás.
Antes de entrar na negociação, deputados como Prudente – flagrado colocando nas meias propina do “mensalão do DEM” – criticavam publicamente o patrocínio à Beija-Flor, comandada pelo bicheiro Anísio Abraão David. Após as conversas com o governo e a escola, silenciaram. A ofensiva dos parlamentares foi desencadeada numa reunião em setembro na casa de Prudente num bairro nobre de Brasília. Além do parlamentar, outros três colegas de Câmara Legislativa estavam presentes: Júnior Brunelli (PSC), notabilizado pela “oração da propina”, Rogério Ulysses (PSB) e Batista (PRP). Eles queriam dobrar o patrocínio negociado de R$ 3 milhões do governo à agremiação de Nilópolis, que vai contar na avenida a história dos 50 anos de Brasília. Em troca, não usariam a Câmara Legislativa para atrapalhar a iniciativa.
O encontro com os quatro parlamentares foi confirmado ao Estado por outros três personagens da conversa: o secretário de Cultura do DF, Silvestre Gorgulho, o subsecretário, Beto Sales, e o empresário Ricardo Marques, amigo de Joãosinho Trinta e responsável por um instituto que leva o nome do carnavalesco. A reunião ocorreu em setembro na casa de Prudente.
Num primeiro momento, os deputados “mensaleiros” se aliaram a Joãosinho Trinta para que o governo do Distrito Federal ficasse de fora das negociações. Queriam que a ONG do carnavalesco representasse Brasília na arrecadação dos recursos e na relação com a Beija-Flor dentro de um projeto de R$ 6 milhões. “Foi uma das reuniões mais constrangedoras que eu tive na minha vida”, diz o secretário Silvestre Gorgulho. “O Brunelli ficou o tempo todo ao telefone e disse: “nós vamos fazer o contrato da Beija-Flor com o Instituto Joãosinho Trinta”.” Assim como Prudente, Brunelli aparece no inquérito do “mensalão do DEM” recebendo, em vídeo, propina de Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do DF. Segundo Barbosa, Rogério Ulysses, integrante da reunião sobre o carnaval, também está envolvido no esquema supostamente comandado pelo governador José Roberto Arruda.
Brunelli deu dois telefonemas naquela reunião: um para o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e outro ao presidente da Beija-Flor, Farid Abraão David, irmão de Anísio e primo do deputado Simão Sessim (PP-RJ), que representa os interesses da escola de samba em Brasília. Aos dois, pediu ajuda para intermediar o contrato do carnaval. Os deputados ameaçaram usar a Câmara para criar problemas ao patrocínio à Beija-Flor. “O Brunelli virou para o Leonardo Prudente e disse: “lembra aquela CPI que estava na gaveta? Se não fizer (o contrato) pode tirar”, conta Silvestre, sem detalhar qual era essa CPI.
Naquele momento, a BrasíliaTur, empresa de turismo do governo, e a Secretaria de Cultura já tinham fechado o acordo com a Beija-Flor sem a participação do Instituto Joãosinho Trinta. Uma nova reunião com os deputados, o carnavalesco, o secretário de Cultura e, dessa vez, o vice-governador Paulo Octávio manteve a decisão de deixar a ONG de Joãosinho de fora, contrariando a reivindicação dos deputados. Os parlamentares, no entanto, aceitaram e não criaram mais problemas. E, no dia 23 de setembro, a Beija-Flor recebeu R$ 1,5 milhão, referente à primeira parcela do patrocínio.
Ao Estado, Ricardo Marques deixou no ar a possibilidade de um acerto ilícito entre os envolvidos na negociação. “Depois das cenas a que todos nós assistimos, não podemos descartar a suspeição de nenhum tipo de projeto em Brasília. O governo está em suspeição. Todos os contratos devem ser revistos.”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:25

PT e PMDB atacam Ciro

Da ‘Folha’:
“O presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra, ironizou o pré-candidato do PSB a presidente, Ciro Gomes, que atacou a aliança entre PT e PMDB e disse estar “em crescente desacordo com o governo”.
“O Ciro está tentando se diferenciar. Só não entendo por que o PMDB nacional é ruim, mas o do Ceará, que apoia o irmão de Ciro [o governador Cid Gomes], é bom”, disse.
No PMDB, os ataques de Ciro foram interpretados como uma demonstração de que o ex-ministro e deputado não desistiu de disputar a Presidência.
Para o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), “a declaração de Ciro é a de um candidato que quer dividir”.
Em entrevista à Folha, Ciro disse que a coalizão PT-PMDB tem feito mal ao país e acusou o grupo político ligado ao peemedebista Michel Temer, presidente da Câmara, de ser responsável pela paralisia do Congresso.
O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), criticado por Ciro, reagiu: “Ele é carreirista, oportunista e gazeteiro”. Temer não falou sobre o assunto”.

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