• Sexta-feira, 30 Março 2012 / 3:09

Candidatos, tremei!

                                                             Eliane Cantanhêde*

        Passada a Semana Santa, Lula entrará com tudo na política. Não cabe aí o verbo “voltar”, porque não se volta para o lugar em que sempre esteve. Ele apenas emerge dos bastidores, onde vinha atuando apesar de radioterapia, quimioterapia, infecção pulmonar e internações, para reassumir os palcos.
Com sua já altíssima popularidade potencializada ainda mais pela doença, seu carisma inegável e sua liderança única não apenas no PT mas em toda a base aliada do governo, Lula desequilibra qualquer jogo político. Onde entra, é para ganhar.
Seus dois alvos são as suas duas maiores invenções: Fernando Haddad, que patinava nos 3% nas últimas pesquisas, e Dilma Rousseff, que demonstra não ter a menor paciência nem para a política nem para os políticos -sobretudo os aliados.
Para Haddad, Lula é fundamental e não terá o menor prurido de submeter o PT a derrotas e constrangimentos em outras ou até em todas as capitais e grandes cidades, desde que reúna o máximo de apoios e de tempo de TV em São Paulo.
O PSB é o melhor exemplo do que pode acontecer com os demais: a seção paulista até gostaria de ficar com Serra, mas o comandante Eduardo Campos acertou com Lula que o partido prefere ir com Haddad em troca do apoio do PT nos outros Estados.
Já para Dilma, Lula é uma faca de dois gumes. Fundamental como respaldo político, mas também um entrave para os rumos que ela quer e já vem dando a seu governo.
Dilma sabe muito bem o tanto de coisas que encontrou fora do eixo, mas pisa em ovos quando tem de desfazer, refazer ou dar guinadas no que encontrou, para não evidenciar erros nem parecer crítica ao ex-chefe, padrinho e antecessor.
De toda forma, os efeitos mais ostensivos da “volta” de Lula serão menos em Brasília, onde ele era e continua sendo consultor, e mais em São Paulo, onde tende a ser o principal fator da eleição de outubro.
José Serra e Gabriel Chalita, tremei!
*Eliane Cantanhêde é colunista da ‘Folha’.

  • Sexta-feira, 27 Janeiro 2012 / 16:46

A trinca e o coringa

                                             Eliane Catanhêde*

         O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi salvo na última hora pelo desabamento de prédios no Rio. Não fosse a tragédia, as principais imagens e conversas políticas pelo país afora seriam sobre Kassab levando ovos no dia do aniversário da capital paulista.
Com Kassab virando omelete, o PSDB dividido irrecuperavelmente e Dilma fazendo bonito nas pesquisas, o PT recupera fôlego e sai a galope para a prefeitura, onde joga o seu futuro. Como já dito aqui, se Fernando Haddad -que fez 49 anos- se eleger prefeito da principal capital do país, estará automaticamente na lista de presidenciáveis de 2018.
Quando FHC diz que Aécio Neves é a opção “óbvia” para a Presidência, empurra Aécio para uma arena inglória. Em 2014, será a chance de o PSDB paulista fazer com Aécio o que ele fez com Serra e Alckmin em 2002, 2006 e 2010: jogá-lo aos leões -ou leoas. Dilma não terá mais só a aura de Lula. Tenderá a ter também a sua própria popularidade e, no rastro dela, a união dos governistas.
O jogo que está sendo jogado é, sobretudo, para 2018, com um trio que tem o impulso da renovação natural e se destaca desde já: Aécio pelo PSDB, Haddad pelo PT e Eduardo Campos (PSB) como um pêndulo entre os dois, mas na verdade querendo ele próprio concorrer.
Os três apontam para o futuro da política, mas há diferenças: Aécio é neto de Tancredo, e Campos, de Miguel Arraes. Enquanto eles têm a articulação política no sangue e a liderança nos seus partidos, Haddad tem que comer na mão de Lula, aprender os primeiros passos com Dilma e evitar acidentes “em casa” – no PT.
Kassab circula bem entre PSDB, PSB e PT, como um coringa que pode reforçar a cartada de um dos três. Deve, porém, ajustar sua (ótima) capacidade política e sua (medíocre) popularidade. A questão geracional ajuda a definir o jogo e os jogadores, mas não é o único fator. É apenas uma imposição da política, como da vida.
*Eliane Catanhêde é colunista da ‘Folha’.

  • Segunda-feira, 09 Janeiro 2012 / 6:41

Flor do recesso

                                     Ricardo Noblat*

             “Sempre que o Congresso entra de férias no meio e no fim do ano, desabrocham o que o ex-deputado Thales Ramalho, secretário-geral do antigo MDB, chamava de “flores do recesso”. São assuntos destinados a ocupar largo espaço nos meios de comunicação até que o Congresso volte a funcionar. Irrompem de uma hora para a outra. Fenecem de repente.
De longe, a mais viçosa flor do atual recesso é a história do ministro Fernando Bezerra Coelho, da Integração Nacional, que usou quase 90% da verba do programa federal de prevenção de desastres naturais para socorrer Pernambuco, seu estado, vítima de duas inundações em 2010 e de uma no ano passado.
Cara de pau esse ministro… No ano passado, e novamente neste, fortes chuvas castigam meia dúzia de estados, fazendo transbordar rios, destruindo casas e estradas, matando e desabrigando gente. E o ministro só se preocupa com a terra onde mercadeja seus votos. Um abuso! É ou não é?
Inclua-me fora dessa! Em junho de 2010, duas inundações varreram parte de Pernambuco. Outra parte foi varrida em maio último. No total, cerca de 80 mil pessoas ficaram desalojadas e desabrigadas. Tombaram 16 mil casas, 600
escolas, seis hospitais de médio porte e 26 pontes de grande porte.
Em meio à terceira inundação, Dilma telefonou a Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB, oferecendo ajuda. Ele pediu R$ 500 milhões para construir um sistema de cinco barragens capaz de evitar a repetição do flagelo. Dilma topou dar a metade. O estado daria o restante. Negócio fechado.
Há R$ 6 bilhões alocados em ministérios para uso em prevenção e combate a desastres naturais. O da Integração Nacional dispunha apenas de R$ 31 milhões.
Com o conhecimento de Dilma, remeteu R$ 25 milhões para Pernambuco – o que significa 10% do que foi garantido por ela. Ou 5% do preço das cinco barragens.
Minas Gerais recebeu no ano passado R$ 50 milhões para aplicar nas 80 cidades atingidas pelas chuvas de janeiro. Os reparos só foram concluídos em 15 delas. Há poucos dias, tiveram início em mais dez. Sumiu gorda parcela do
dinheiro reservado para recuperar a semi-destruída Região Serrana do Rio de Janeiro.
São 251 as cidades com risco elevado de desastres naturais. A tragédia carioca que no ano passado custou a vida de mais de mil pessoas acelerou a montagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais.
Precariamente, 56 cidades vem sendo monitoradas há dois meses – nenhuma fora de Sul e Sudeste. Ó paí, ó!
Eduardo lamenta a conduta do governo Dilma quando a imprensa, à falta de escândalos de verdade, imaginou estar diante de um – o primeiro de 2012. O governo poderia ter respondido a denúncia inaugural e abortado o barulho -
mas não. Custou a reagir. Só o fez ao perceber com quem entrava em rota de colisão.
Lula trata Eduardo como se fosse um filho adotivo. Eduardo reelegeu-se vencendo o atual senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) em todos os 184 municípios de Pernambuco – em 102 deles com mais de 90% dos votos, em 47 com mais de 95% e em 23 com mais de 98%. Nenhum outro estado registrou vitória tão acachapante.
Coube à ministra do Planejamento repetir de público o que Eduardo havia dito sobre o acordo para a construção das barragens. Coube também à ministra avalizar tudo o que fez seu colega da Integração Nacional. Por fim, coube ao
presidente do PT incensar as virtudes do PSB, precioso aliado.
Entre outras coisas notáveis, os pernambucanos se gabam de ter a maior avenida em linha reta das Américas e o maior shopping center do país. Já tiveram uma inesquecível casa em forma de navio. Debocham deles mesmos ao
dizerem que os rios Capibaribe e Beberibe se juntam no Recife para formar o Oceano Atlântico.
Eduardo é o governador mais popular do Brasil com 90% de aprovação. A levar-se em conta a mania de grandeza dos seus conterrâneos, agora corre o risco de virar unanimidade.
*Ricardo Noblat é jornalista e escreve para ‘O Globo’.

  • Quinta-feira, 05 Janeiro 2012 / 12:01

Vito Miracapillo volta ao Brasil

      

    Da repórter Monica Bernardes, especial para o ‘Estadão’:
    “Expulso do Brasil pelo regime militar, o padre italiano Vito Miracapillo retornou ao País após 31 anos. O religioso desembarcou na noite de terça-feira no Recife, onde foi recebido por centenas de amigos, fiéis e
militantes dos direitos humanos. O padre foi expulso por se recusar a celebrar uma missa em homenagem ao Dia da Independência, na paróquia de Ribeirão, litoral sul de Pernambuco, como forma de protesto contra a ditadura.
Miracapillo pôde retornar ao País beneficiado por decisão do Ministério da Justiça. Em outubro, o governo deu ao padre o direito de renovação do visto permanente. O religioso havia sido denunciado aos militares pelo então deputado estadual Severino Cavalcanti e teve o decreto de expulsão assinado pelo último presidente da ditadura, João Baptista Figueiredo.
Ontem, depois de ser recebido pelo governador Eduardo Campos (PSB), Miracapillo se mostrou bastante emocionado por voltar ao País. Por onde passou, foi acompanhado por uma multidão, que cantava sem parar “Vito, Vito, vitória”.
“Sempre me senti em casa no Brasil, especialmente aqui em Pernambuco. Foram muitos anos de expectativa e fé. E hoje estou aqui, de volta aos amigos, aos irmãos queridos”, disse o padre.
Miracapillo foi duro ao ser questionado sobre a criação da Comissão da Verdade e a eventual participação de ex-aliados dos militares, como o ex-vice-presidente Marco Maciel (DEM), governador de Pernambuco na época da expulsão. “Não sei quem foi chamado nem sei quem faz parte da Comissão da Verdade, mas eu lembro que na época, quando Marco Maciel era governador, a única coisa boa que fez foi não falar. Ficou em silêncio, sem tomar posição”.
A expectativa é de que o padre reassuma a paróquia de Ribeirão, onde será recebido com festa no fim de semana. Mas a decisão depende de acordo entre o Vaticano e as Igrejas do Brasil e da Itália.
Emocionados pela volta de Miracapillo, o casal Edson e Maria Dulce Reis seguiu o religioso durante o dia. “Ele celebrou nosso casamento e dois anos depois o batizado de nosso primeiro filho. Sofremos muito quando ele teve que ir embora”, contou Edson. “Na época, houve muita revolta na cidade. Ele agiu corretamente, como um homem de Deus. O Brasil não era um país livre com os militares, então, como celebrar a independência?”

  • Quarta-feira, 15 Setembro 2010 / 10:39

Pernambucanos ruins de votos

    Roberto Freire é o Tiririca do PPS de São Paulo.
Assim como o comediante, que ocupa todo o horário de propaganda gratuita do PR paulista, Freire está ocupando todo o horário do PPS.
As estratégias são diferentes:
O PR quer que Tiririca tenha um milhão de votos, elegendo uma grande bancada de desconhecidos.
Roberto Freire, ao contrário, quer apenas se eleger.
Como em Pernambuco, o ex-senador e ex-candidato à Presidencia  não consegue, nem ao menos ser deputado, ele tenta a eleição em  São Paulo
                     * * *
Aliás o mesmo acontece com Raul Jungmann, do PPS de Pernambuco.
Sem votos para se reeleger deputado, ele concorre ao Senado.
                     * * *
Já o  pressidente do PSDB, senador Sergio Guerra, sem votos para voltar ao Senado, tenta sobreviver na Câmara.
Para isso, ele abandonou Serra e tenta colar no governador Eduardo Campos, o campeão de votos em Pernambuco.

  • Sábado, 24 Julho 2010 / 8:46

Eduardo em PE: 30% de vantagem

   Da ‘Folha’:
“O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) seria reeleito no primeiro turno se a eleição fosse hoje. Ele aparece com 59% na primeira pesquisa Datafolha feita desde o início oficial da campanha.
O segundo colocado é o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), com 28%.
O Datafolha ouviu 967 eleitores no Estado entre os dias 20 e 23. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
Na capital a diferença reduz bastante: 54% a 34%.
A disputa no Estado está completamente polarizada. Dos outros cinco candidatos ao governo, apenas Sérgio Xavier (PV) tem 1%. Pretendem votar em branco ou nulo 4%, e 7% estão indecisos.
A vantagem de Campos é ainda maior no interior: 60% votariam no governador e 26% no peemedebista.
Campos lidera no eleitorado feminino, segmento em que tem 61%, contra 56% entre os homens. Ele também obtém a maior votação (69%) entre os mais escolarizados.
E, apesar da aliança nacional entre PT e PMDB, o candidato do PSB tem seu melhor desempenho entre os simpatizantes petistas (67%) e os eleitores de Dilma (70%).
Jarbas tem a maior rejeição (34%), e Campos, a menor (15%) entre os candidatos”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 4:01

Jarbas e Campos dividem TV

Em Pernambuco, a reeleição do governador Eduardo Campos, do PSB, parece barbada.
Além da máquina administrativa, ele tem a seu favor o apoio do Presidente Lula e mais um governo bem avaliado.
O curioso é que seu adversário Jarbas Vasconcellos terá o mesmo tempo de TV, segundo projeções baseadas nas bancadas que cada partido tem no Congresso.
Campos teria 7 minutos e 53 segundos, cabendo a Jarbas 7 minutos e 42 segundos.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:50

As apostas do PSB

Ciro Gomes disse há dias, defendendo a sua candidatura, que “time que não entra em campo, que não joga, não forma torcida”. Ou seja: sua candidatura ajudaria o PSB a aumentar suas bancadas.
O partido preferiu dispensar Ciro. 
Hoje, a repórter Eugênia Lopes, do ‘Estadão’, diz que “em troca da retirada de Ciro da corrida presidencial, o PSB espera obter apoio do PT para eleger seus candidatos a governos estaduais. O partido tem 10 candidatos a governador e espera duplicar sua bancada na Câmara – hoje com 27 deputados – e eleger pelo menos cinco senadores nas eleições de outubro. “Definindo o nosso apoio a Dilma não vamos aceitar discriminação em relação aos nossos candidatos”, reiterou Campos”.
Agora só resta esperar outubro, e constatar que tem razão: Ciro Gomes ou Eduardo Campos.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:49

Nordeste dará uma surra no DEM

Líder da bancada do DEM, Agripino está com dificuldades em se reeleger

Líder da bancada do DEM, Agripino está com dificuldades em se reeleger

De Maria Inês Nassif, do ‘Valor Econônico’:
“Um lento processo de esvaziamento do DEM no Nordeste, a região que manteve o partido, desde a sua criação, em 1985, com grande bancada no Senado, pode ser consumado em outubro. Do total de 14 senadores do partido, oito encerram seus mandatos – cinco eleitos pelo Nordeste e três pelo Centro-Oeste. Os senadores Gilberto Goellner (MT), Antonio Carlos Júnior (BA) e Adelmir Santana (DF) são suplentes e não disputarão em outubro.
O DEM pode reduzir sua bancada para oito ou nove, na previsão do diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antonio Augusto de Queiroz – o que significaria eleger dois ou três apenas nessas eleições. Ou vai perder apenas um ou dois senadores – o que significaria ficar com 12 ou 13, na avaliação do presidente nacional do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ). Os dois concordam, no entanto, que a sangria do partido ocorre no seu reduto tradicional, o Nordeste.
A longa duração do mandato de senador – que corresponde a dois mandatos de deputados – manteve o partido forte no Senado quando já havia entrado em declínio na Câmara. Em 1998, o então PFL elegeu 105 deputados, a maior bancada; quatro anos depois, com a vitória do petista Luiz Inácio Lula da Silva, obteve 84 deputados nas urnas; em 2006, fez 65 deputados e, até a posse, já havia perdido três. Tornou-se a quarta bancada. No Senado, o declínio foi mais lento: a bancada de 19 senadores do período 1995-1998 baixou para 17 no período seguinte (1999-2002) e hoje são 14.
“Em 2000 administrávamos 1200 cidades; em 2004, 700 e poucas; hoje são apenas 497. Estamos perdendo nas cidades menores e com menor renda”, diz Maia. Para ele, quanto maior for a população beneficiada pelo programa Bolsa Família em relação ao número de eleitores – caso das comunidades menores -, menor é a chance de acesso da oposição a esse eleitor. “A máquina do governo impede o acesso da oposição aos eleitores mais pobres”, afirma o presidente do partido. Para Queiroz, esse processo ocorreu porque a opção do DEM pela oposição foi contra a natureza do partido, cuja razão de ser, até então, era a de “suprir de recursos e benefícios” do governo seus redutos eleitorais.
“Estamos pagando uma decisão partidária, de ser oposição ao governo Lula”, concorda Maia. “Todo mundo sabia que o resultado seria o de retração do partido nos Estados em que historicamente éramos bem posicionados, com os do Nordeste.” Para o dirigente, a forma de reverter essa tendência será não apenas a opção pela candidatura do tucano José Serra à Presidência, reeditando a aliança que deu certo nos dois governos de Fernando Henrique Cardoso, como se empenhar pelo máximo desempenho do candidato no primeiro turno. É em 3 de outubro que o eleitor define a composição do Congresso. Quanto mais o partido conseguir se identificar, perante o eleitor, com um candidato a presidente com perspectiva de poder, maior será a sua chance de reverter a tendência de esvaziamento, segundo esse raciocínio”.

AS DIFICULDADES DE CASA UM

Demóstenes Torres é um dos que tem chances na reeleição

Demóstenes Torres é um dos que tem chances na reeleição

“Será difícil para o DEM manter uma forte bancada no Senado, na avaliação do diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antonio Augusto de Queiroz. Para ele, apenas o senador Demóstenes Torres (GO) é franco favorito nas eleições de outubro e tem reeleição garantida, e só o senador Heráclito Fortes (PI) desponta com chances objetivas de obter um segundo lugar, entre os cinco senadores do ex-PFL que disputam a reeleição. Este ano, serão renovados dois terços do Senado – são duas vagas por Estado. Segundo levantamento feito pelo diretor do Diap, terão dificuldades para renovar o mandato os senadores Marco Maciel (PE), Agripino Maia (RN) e Efraim Morais (PB).
Para Queiroz, o DEM tem também chances reduzidas de eleger senadores em outros Estados. As exceções ficam por conta de Santa Catarina, onde um candidato forte a governador, o senador Raimundo Colombo, pode ajudar a eleger um senador, e o Rio, onde disputará o ex-prefeito César Maia. O presidente do DEM, Rodrigo Maia, garante que as pesquisas internas do partido indicam uma bancada semelhante à atual na próxima legislatura. “Podemos perder dois senadores, mas temos três novos com condições de ganhar”, diz.
Se for confirmada a tendência de declínio do partido nos Estados em que disputa a reeleição ao Senado, os atuais parlamentares terão uma campanha muito dura. Em Pernambuco, o senador Marco Maciel está em primeiro lugar nas pesquisas de opinião – na última, estava pouco acima de João Paulo (PT), que desistiu em favor do ex-ministro Humberto Costa (PT), também considerado um forte concorrente. Mas Queiroz considera que esse é só o começo. Maciel tem como adversária uma chapa fechada e muito forte: o governador Eduardo Campos (PSB) é o favoritíssimo candidato à reeleição e os dois candidatos ao Senado na chapa dele são Costa e o ex-presidente da CNI Armando Monteiro (PTB). Este último disputa na faixa de eleitorado do senador do DEM.
Nas últimas eleições, o avanço do PT e do PSB tem acontecido, como no resto do Nordeste, sobre o eleitorado do ex-PFL. Em 1998, o partido elegeu 46 prefeitos; em 2000 eles eram 19. Os oito deputados federais do Estado eleitos em 1998 foram reduzidos a dois em 2006.
Não é favorável também a situação do DEM no Piauí, onde Heráclito Fortes disputa mais um mandato. Em 2002, quando fazia campanha para o Senado, ele tinha o apoio de cinco deputados federais eleitos em 1998. Hoje são apenas dois. Nas eleições municipais de 2008, o DEM viu seus 59 prefeitos serem reduzidos a nove. “O partido diminuiu por conta do Bolsa Família e do poder da caneta. O Estado é pobre e depende de transferências do governo federal”, diz.
Wellington Dias (PT), que saiu do governo para disputar o Senado, está em primeiro lugar nas pesquisas, 10 pontos à frente de Heráclito. Conta a favor do senador do DEM o fato do terceiro concorrente, Mão Santa, ser candidato sem partido: ele saiu do PMDB e montou um partido só para ele, o PSC, sem expressão.
No Rio Grande do Norte, o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia, disputa a reeleição numa coligação que foi considerada como genial porque teria potencial de isolar a governadora que deixou o cargo, Vilma Maia (PSB), candidata ao Senado, e de esvaziar o palanque de Dilma no Estado. Maia disputa numa chapa encabeçada pela senadora Rosalba Ciarlini (DEM), com chances de se eleger governadora, e pelo senador Garibaldi Alves (PMDB). Para Queiroz não existe hipótese, todavia, de a mesma coligação levar as duas vagas ao Senado. “A tendência é de renovação de 50%: ou Agripino perde, ou Alves perde. A candidatura de Vilma vai começar a crescer”, afirma.
Foi-se o tempo em que o Rio Grande do Norte era um paraíso para o DEM. Em 2000, elegeu 35 prefeitos no Estado; em 2004, apenas 17. Em 1998 fez três federais; em 2006, apenas um.
O candidato à reeleição pela Paraíba, o senador Efraim Morais reconhece que a situação não é boa para o DEM no seu Estado. No ano 2000 foram eleitos 59 prefeitos; hoje são 38. O partido fechou uma coligação com o ex-prefeito Ricardo Coutinho (PSB). A outra vaga do Senado será disputada pelo ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB). “A tendência é que Cunha Lima leve uma vaga e o candidato da coligação liderada pelo governador José Maranhão (PMDB) fique com a segunda”, avalia Queiroz. Por enquanto, Morais figura na segunda colocação, atrás de Cunha Lima e na frente dos candidatos do PMDB, Vital do Rego Filho e Manoel Júnior, segundo informa Maia, com base nas pesquisas internas do DEM nacional .
O senador Demóstenes Torres é o favorito da disputa em Goiás num Estado em que o DEM está longe de ser forte. A explicação dele para isso é o fato de ser conhecido. Foi procurador-geral do Estado, secretário de Segurança do governo Marconi Perillo (PSDB), o favorito na disputa desse ano ao governo e também candidato ao governo. Depende mais de sua imagem nacional e de sua identificação regional com Perillo do que propriamente da estrutura partidária.
Por circunstâncias variadas, os atuais suplentes do DEM cujo mandato termina esse ano não vão disputar. O chamado Mensalão do DEM, que pôs na cadeia o único governador que conseguiu eleger em 2006, José Roberto Arruda, eliminou as chances do partido em pleitos majoritários no Distrito Federal, pelo menos nessas eleições. O senador Adelmir Santana disse ao Valor que considera a hipótese de se candidatar; Maia, todavia, não leva isso em conta. No Mato Grosso, o senador Gilberto Goellner foi eleito suplente do senador Jonas Pinheiro, que morreu em 2008. Não vai se candidatar.
O senador Antônio Magalhães Júnior (BA) é filho e suplente do senador Antonio Carlos Magalhães, que morreu em 2007. A direção do DEM disse que ele não será candidato por razões pessoais. Queiroz não acredita que o DEM – que concorrerá com o ex-prefeito de Feira de Santana José Ronaldo de Carvalho, ou com o deputado José Carlos Aleluia – consiga uma das vagas. O DEM também tem dúvidas quanto a isso. Para o diretor do Diap, uma das vagas ficaria com o candidato da chapa do governador Jaques Vagner (PT) e a outra, de César Borges (PR).
É uma realidade dramática a da Bahia, que foi quase uma capitania hereditária de ACM. Em 1998, o então PFL elegeu um senador, que se somou aos dois eleitos em 1994, e uma bancada de 20 deputados federais e 23 estaduais, além do governador. Em 2006, perdeu as eleições para o governo e para o Senado e elegeu 13 federais e 16 estaduais. 125 prefeitos assumiram em 2001. Em 2008, foram eleitos só 43. (MIN)”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:46

Os covardes socialistas

 O presidente do PSB, Eduardo Campos, oficializou, há pouco, a decisão do partido de não apresentar candidato a sucesão do Presidente Lula.
Esses são os responsáveis pela covardia impetrada contra o deputado Ciro Gomes, que se vê impedido, definitivamente, de concorrer à Presidência, por ação direta ou omissão dos seguintes políticos:
Eduardo Campos, presidente
Roberto Amaral, 1º vice-presidente
Beto Albuquerque, 2º vice-presidente
João Alberto Capiberibe, 3º vice-presidente
Alexandre Cardoso, vice-presidente de Mobilização e Formação Política
Wilma de Faria, vice-presidente de Relações Federativas
Renato Casagrande, secretário-geral
Carlos Siqueira, 1ºsecretário
Antônio Carlos Valadares, 2º secretário
Márcio França, 1º secretário de Finanças
Severino Nunes de Araújo, 2º secretário de Finanças
Luiza Erundina, secretário especial
Milton Coelho, secretário especial
Jaime Cardoso, secretário especial
Sérgio Gaudenzi, secretário especial
Rodrigo Rollemberg, secretário especial
Sérgio Novais, secretário especial
William Dib, secretário especial
Mari Machado, secretário especial
José Antonio Almeida, secretário especial
Ademir Andrade, secretário especial
Isaias Silvestre, secretário especial
Dora Pires, secretária de Mulheres
Alex Nazaré, secretário de Juventude
Joilson Antonio Cardoso do Nascimento, secretário Sindical
Rodrigo Rollemberg, líder na Câmara dos Deputados
Antônio Carlos Valadares, líder no Senado Federal
Cristina Almeida, coordenadora do Movimento Negro
Maria de Jesus Matos (Natividade), coordenadora do Movimento Popular
Ao negar legenda ao deputado Ciro Gomes, eles decidiram cassar a preferência de cerca de 15 milhões de eleitores que, em princípio, acreditavam na proposta do candidato.
Tudo leva a crer que o PSB, ao entrar menor nas eleições de outubro, sairá dela ainda mais diminuto.
Hoje, ele tem cerca de dois minutos, no horário gratuito de TV, para oferecer ao PT.
Nas próximas eleições, seu tempo será menor e o partido menos importante.
Dr. Arraes com certeza ficou triste com o episódio.

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