• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:21

Testemunha complica Azeredo

De Fábio Fabrini e Carolina Brígido, de ‘O Globo’:
“Uma testemunha-chave do chamado mensalão mineiro revelou em depoimentos à Polícia Federal que, na primeira eleição do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) ao governo de Minas, em 1994, Marcos Valério, operador do mensalão, já participava de reuniões da campanha e teria contribuído financeiramente com ela. O esquema de caixa dois até agora desvendado teria ocorrido no pleito de 1998, quando o tucano disputou a reeleição.
As declarações foram feitas por Vera Lúcia Mourão de Carvalho, em 2006, e integram o inquérito que gerou a abertura de ação penal contra o tucano no STF. Prima do tesoureiro da campanha de Azeredo, Cláudio Mourão, ela ocupou funções de coordenação nas duas eleições. E descreveu bastidores dos comitês e também suposto esquema irregular de arrecadação montado por Newton Cardoso (PMDB), ex-vice-governador de Minas, a partir de 1999.
Vera Lúcia contou que, em 1994, via Valério em reuniões semanais do comitê central, das quais participavam Azeredo, o ex-ministro Walfrido Mares Guia (ex-PTB, hoje PSB), então candidato a vice, Mourão e o ex-deputado estadual Amílcar Martins (PSDB), entre outros.
Nas palavras dela, a vitória do tucano no primeiro turno melhorou subitamente o caixa da disputa. Nas reuniões, soube que os recursos a mais vinham de Valério. Até então acanhado, Valério teria mudado sua postura, com “participação bem mais ativa”.
Em 1994, Vera Lúcia pagava despesas e salários de correligionários, além de outros serviços. Contou ter trocado dólares no escritório de um doleiro no Centro de Belo Horizonte, a mando da chefia da campanha. Numa ocasião, saiu de lá com R$600 mil num envelope”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:54

PT mineiro resiste a Costa

Do repórter César Felício, do ‘Valor Econômico’:
“O PT mineiro tenta esta semana articular uma candidatura única ao governo estadual entre o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, e o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, como última tentativa de barrar a candidatura pela base lulista do ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), que deve ser lançada hoje, em reunião da Executiva estadual pemedebista.
Na última sexta-feira, em reunião em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Patrus e Pimentel expuseram que o PT em Minas terá grandes dificuldades para apoiar o pemedebista. Ressalvaram que retiram as candidaturas, se Lula decidir que Costa deve ser candidato único, mas que é provável o desengajamento da militância do PT e das bases municipais na candidatura do pemedebista.
As duas vertentes do partido procuraram deixar claro que apoiariam sem resistência uma candidatura do vice-presidente José Alencar (PRB) como alternativa a Costa. Com 78 anos e doente de câncer desde 1997, Alencar participou da reunião. Segundo relato de petistas, ele se colocou àdisposição para disputar a eleição, mas frisou que considerava mais adequado disputar o Senado.
Segundo um dos interlocutores dos participantes da reunião, não só a doença e a idade que desanimam Alencar a disputar o governo estadual, mas a perspectiva de travar confronto direto com o governador Aécio Neves(PSDB), que vai apoiar a eleição do vice-governador Antonio Anastasia(PSDB). Como candidato a uma das duas vagas ao Senado, mesmo com Aécio postulando uma cadeira na outra chapa, Alencar poderia construir a campanha em tom consensual.
Embora não tenha sido um assunto abordado na reunião de sexta, partiu do próprio entorno de Alencar a proposta de uma chapa com Pimentel como candidato a governador e Patrus como vice. Mas dirigentes petistas ligados a Pimentel são céticos sobre a aceitação de Patrus à proposta. Acreditam que, fora da disputa para o governo, preferiria permanecer em um ministério da área social de um novo mandato do PT.
A resistência a Costa é maior entre os aliados de Pimentel, mas partiu do próprio grupo de Patrus a ideia de propor soluções alternativas ao apoio ao pemedebista. O grupo do ministro foi o primeiro a sugerir a candidatura de Alencar e tomou a iniciativa de restabelecer o diálogo com a ala de Pimentel, rompido desde a disputa pela direção estadual.Na ocasião, Pimentel ganhou a eleição interna por uma diferença ínfima e com acusações de irregularidade de parte a parte no processo de votação.
Uma vez definido um nome único do PT, Lula perderia um dos argumentos usados para tentar convencer os petistas a cederem a cabeça de chapa em Minas, que é a divisão do partido. A expectativa dos petistas é prolongar as negociações com o PMDB até maio, na esperança de que Costa, hoje líderem todas as pesquisas de intenção de voto, comece a perder popularidade. Aliados de Patrus gostam de lembrar que o ministro das Comunicações perdeu as eleições para o governo mineiro em 1990 e 1994 na reta final da campanha, em viradas surpreendentes dos adversários, respectivamente Hélio Garcia (PRS) e Eduardo Azeredo (PSDB)”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:24

Os campeões de gastos no Senado

 Cada Senador tem o direito de gastar,  mesalmente, até R$ 15 mil a título de verba indenizatória, aquela que paga aluguéis, refeições, gasolina, viagens e etc, fora de Brasília, bastando para isso apresentar nota fiscal – seja ela verdadeira ou não.
E mais: essas despesas estão livres do Imposto de Renda.
Segundo o site ‘Congresso em Foco’, os campeões de gastos em janeiro, embora o Senado estivesse em recesso, foram Suas Excelencias, os Srs. Senadores:
Demóstenes Torres – R$ 15.000,00
Geovani Borges - R$ 15.000,00
Raimundo Colombo - R$ 15.000,00
Eduardo Azeredo - R$ 14.849,84
João Claudino - R$ 14.801,83
Fernando Collor - R$ 14.383,96
Quem é quem?
1. Demóstenes Torres, de Goiás, é tido com um sujeito sério, e seus colegas do DEM o chamam de ‘Heloísa Helena’ do partido, devido a sua radicalização moral.
2. Geovani Borges, do PMDB do Amapá. Ele é suplente e assumiu o cargo no dia 22 de dezembro de 2009. No mês seguinte pegou R$ 15 mil redondos.
3. Raimundo Colombo é do DEM, de Santa Catarina. Também faturou R$ 15 mil exatos. Curioso é como as notas somam o limite permitido.
4. Eduardo Azeredo, do PSDB de Minas. O inventor do Mensalão.
5. João Claudino, do PTB do Piauí. Aliás, o Piauí é um caso a parte. A Mesa Diretora do Senado tem como 1º secretário um senador do Piauí; como 2º secretário outro senador do Piauí; e como 3º secretário, mais um senador do Piauí.
Isso é que é equilibrio federativo… O resto é besteira.
6. O 6º campeão de despesas foi o senador Fernando Collor, do PTB de Alagoas, ex-presidente da República que dispensa apresentações.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:52

Itamar entrou para embolar

A disputa pelo Senado em Minas será, com certeza, a mais emocionante do país.
Os dois senadores que terminam agora seu mandato, já desistiram da disputa, pois sabem que não tem a menor chance.
O primeiro, o ex-governador Eduardo Azeredo, do PSDB, anunciou que concorrerá à uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Já  Hélio Costa sabe que não tem chances de voltar a ser senador, mas poderia vencer a eleição para o Governo de Minas, se tivesse o apoio do PT. Ele é o nome hoje mais popular no estado, mas precisa  dos petistas.
Aécio Neves foi o primeiro a dizer que queria o Senado. Em seguida, Lula lançou o vice José Alencar, ?já que roubei quatro anos de seu mandato?, brincou o Presidente. Esses dois pareciam  imbatíveis. Até o anuncio do ex-presidente  Itamar Franco, desejando a mesma cadeira, embora só existam duas vagas.
José Alencar iniciou essa semana um novo tratamento de quimioterapia e, conforme os resultados dos exames, pode desistir da disputa. Isso facilitaria uma vitória de Itamar.
Se os três concorrerem, o que perder, seja ele quem for,  será injustiçado.
Se Itamar vencer, outra boa expectativa será o seu encontro, no plenário do Senado, com o ex-presidente Fernando Collor.
Ontem, alguns jornais especularam que Itamar poderia vir a ser vice de José Serra.
Se fosse, romperia com o governador paulista antes mesmo da eleição. E o motivo não seria as bordoadas que ele iria dar, durante a campanha, no seu sucessor Fernando Henrique Cardoso.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:02

Azeredo pagará por Expedito

Embora a situação do senador Eduardo Azeredo, do PSDB mineiro, acusado de ser o precursor do valerioduto, nunca tenha sido das mais tranqüilas, ele tem tudo para complicar-se de vez.
Independentemente de sua culpabilidade, é óbvio que os ministros do Supremo têm agora a possibilidade de vingar-se do Senado. Por isso acompanharão o voto do relator.
Tudo por culpa dos senadores que querem salvar a pele do colega Expedito Júnior, desacatando uma decisão do STF ? fato inédito na história do país.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:58

PSDB destrói a oposição

Do jornalista Élio Gaspari hoje na ‘Folha’ e no ‘Globo’:
“Quem não gosta de Nosso Guia precisa se mobilizar para impedir que o PSDB destrua a oposição brasileira. O tucanato tornou-se um ingrediente tóxico tanto no atacado como no varejo.
No atacado, o governador José Serra quer paralisar o partido, jogando para março o anúncio do nome do candidato à Presidência da República. Se o problema fosse apenas de prazo, Serra teria argumentos para justificar sua posição. Lamentavelmente, a questão é outra: ainda não se sabe se Serra quer trocar uma reeleição certa para governador por uma candidatura a presidente que a cada dia parece mais pedregosa. Talvez nem ele mesmo saiba.
Recordar é viver: durante todo o ano de 2005 a popularidade de Lula sofreu uma forte erosão. Entre agosto e dezembro as pesquisas do Datafolha indicavam que ele perderia a eleição do ano seguinte para Serra. Em janeiro de 2006 o quadro começou a virar e no final de fevereiro Nosso Guia botou oito pontos de frente. Em março Serra tirou o time de campo.
Serra quer esperar até março sem que haja qualquer garantia de que irá para a briga. Já o governador Aécio Neves quer uma decisão rápida, caso contrário disputará uma cadeira de senador. Não se poderia esperar que o neto de Tancredo Neves fosse a uma disputa de mato-ou-morro, mas o ultimato de Aécio indica que ele já achou a saída de emergência.
O PSDB tornou-se um tóxico também no varejo. Em vez de fazer oposição, sua bancada no Congresso associa-se às piores iniciativas da bancada governista e da banda esperta do PMDB.
O tucanato denuncia as maracutaias petistas, mas é incapaz de levantar a voz diante das malfeitorias dos seus hierarcas. Noves fora o mensalão mineiro, em cujo processo está denunciado pelo Ministério Público o ex-presidente do partido, senador Eduardo Azeredo, o tucanato teve um governador e um senador cassados pelo Supremo Tribunal Federal (Cássio Cunha Lima e Expedito Júnior). Isso deixando-se de lado a ruína de Yeda Crusius no Rio Grande do Sul.
O PSDB deu os votos necessários para que o Senado e a Câmara aprovassem a Bolsa IPI que borrifaria os exportadores com créditos de R$ 34 bilhões, pelo menos. Fez isso mesmo depois do Supremo Tribunal Federal ter derrubado a pretensão dos empresários. Vexame final: Lula vetou o mimo.
Na semana passada, iniciativas de três tucanos (Flexa Ribeiro, Marcos Monte e Roberto Rocha) puxaram os interesses do ruralismo das trevas para aprovar um projeto de anistia para desmatadores. A moralidade foi defendida por militantes do movimento Greenpeace que, acorrentados a poltronas do plenário da Câmara, fizeram um escarcéu e transferiram a votação do projeto”.

Copyright © 2010. Todos os direitos reservados.