• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:11

Sem mesquinharia

Do advogado Marcello Cerqueira, pré-candidato do PPS ao Senado, para ‘O Globo”:
“O comandante do Exército russo reuniu seu estado-maior e advertiu: A terceira guerra mundial está a caminho e nossos adversários serão os chineses. Um general mais prudente perguntou: Mas, comandante, os chineses são mais de um bilhão e meio e nós apenas cento e cinquenta milhões de russos. Riu-se o comandante: Israel tem apenas cinco milhões de judeus e vence cento e cinquenta milhões de palestinos. Volta o general prudente: E nós temos cinco milhões de judeus? À falta dos cinco milhões de judeus e pacifistas por natureza, fluminenses e capixabas, além de paulistas, vão ter de negociar a tunda que sofremos com a chamada emenda Ibsen Pinheiro, na aprovação da qual o governo federal demonstrou sua política ambígua e de consequências sinistras para os estados produtores de óleo. De logo, o Estado do Rio e seus municípios produtores perdem não menos de 7,5 bilhões de reais e o Espírito Santo 98% das compensações financeiras.
E a ninguém escapa que a responsabilidade pela chamada emenda Ibsen Pinheiro foi resultado da posição que assumiram os ministros Dilma e Lobão, na indiferença pela supressão dos royalties já devidos aos estados-membros produtores, agravados pela curiosa declaração do presidente Lula de que não desejava tal discussão (a dos royalties) no período eleitoral. Ora, se assim não queria, então por que enviou o anteprojeto com o carimbo de urgência urgentíssima? E mais do que isso: a alguém escapa que sem o apoio, ou pelo menos a leniência do governo, a malsinada emenda teria alcançado o formidável número de votos que colheu (369 a favor contra 72)? Sabem os leitores de alguma votação na Câmara, em todo o período do presidencialismo compromissado do governo Lula, em que o governo tenha perdido? De vida atribulada, o deputado autor da emenda, consciente ou inconscientemente não importa, serviu de espoleta para os ministros que referi. É certo que ele tem sua responsabilidade, mas ela não decorre de sua vontade. Antigo parlamentar, sei que as maiorias não se formam à margem do governo-patrão.
A questão do marco regulatório do pré-sal envolve interesses estratégicos do país e não pode ser tratada com a leveza que está sendo conduzida. Não pode. Não pode sem antes ser objeto de ampla discussão com toda a sociedade. E o assunto é de tal vulto e de tal alcance, que irá romper o dique das forças que o governo ainda represa. Os problemas represados com o assistencialismo e apesar da enorme capacidade de comunicação do presidente da República, permanentemente em campanha eleitoral, acabarão por alertar o eleitor que o modelo chegou ao seu termo.
Não é verdade que o Senado Federal pode resolver a contenda e devolver aos estados produtores o direito às áreas pré-licitadas. Sem o de acordo da Câmara dos Deputados, o Senado fará mera figuração. Pela sistemática constitucional, as mensagens do presidente da República são enviadas primeiro para a Câmara dos Deputados, funcionando o Senado da República como Câmara meramente revisora. O anteprojeto porventura alterado pelo Senado pode ser derrubado quando voltar à Câmara que, querendo, restabelecerá o seu texto original. Nessa comédia de erros e desacertos, o presidente da República anuncia que vai, como é do seu ofício, mais uma vez arbitrar a contenda. É possível, mas os eleitores já viram como pode atuar um governo despreocupado pela vida real e talvez já sinta a ameaça de uma sucessão presidencial em que se apresente a burocracia mais arrogante.
Quando o Brasil comprou o Acre dos bolivianos, em 1903, a região amazônica era rica em seringais. Reza a lenda que os grandes proprietários acendiam charutos com notas de mil-réis, importavam vinhos e queijo da Europa, mandavam passar suas camisas em Lisboa, e o fabuloso Teatro Amazonas aí está para atestar a riqueza da época.
Hoje, a União federal gasta com o Acre mais de três vez do que lá arrecada. Na projeção, desde a quebra da borracha, o Acre terá custado ao país cerca de 100 bilhões de reais. A solução correta seria abandonar o Acre à sua sorte? Não. Naturalmente, não.
É isso que querem fazer com a riqueza finita do petróleo? Ontem a borracha e no futuro o petróleo.
O Congresso, o governo federal e os governos dos estados não produtores devem ter juízo. E pensar grande, sem mesquinharia. Pensar no Brasil”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:13

O golpe do Citi

 Seria bom que o governo do Brasil tivesse comprado 30% do Citigroup, como anunciou o ministro Edson Lobão.
Pelo menos haveria uma chance do banco não mais trapacear pobres poupadores que guardaram lá suas poupanças,  e foram literalmente roubados pelo Citi, que cobrava taxas de administração sem respeitar o total depositado.
Foi por comportamentos como esse, que o Citi no Brasil foi uma das poucas, senão a única sucursal do planeta, a ter lucro durante a crise.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:43

Sarney, grande família

Quando todas imaginavam que as acusações sobre a família haviam acabado, eis que a ?Folha? de hoje publica uma manchete informando que ?A família Sarney, interfere em agenda do ministro do pré-sal?. ]
A reportagem é assinada pelos repórteres Hudson Corrêa, de São Luiz, e mais Andréa Michael e Andreza Matais, de Brasília.
?O ministro encarregado pelo presidente Lula de administrar o pré-sal, a riqueza que representa o “passaporte para o futuro” do Brasil, é um aliado de José Sarney tão obediente que permite ao presidente do Senado interferir em sua agenda.
Conversas interceptadas pela Polícia Federal mostram que o filho mais velho de Sarney e um apadrinhado antigo do clã maranhense têm livre acesso ao ministro Edison Lobão (Minas e Energia) e a seu gabinete.
Nesses diálogos, eles ditam compromissos para Lobão ou para seus assessores e secretárias, marcam e cancelam reuniões do ministro sem avisá-lo previamente, orientam Lobão sobre o que dizer a empresários que irá receber, falam de nomeações no governo e discutem contratos que acabariam assinados pelo ministério.
As conversas, no entender da PF, configuram “tráfico de influência” -crime de solicitar ou obter vantagem para influir em órgão público-, que prevê de dois a cinco anos de prisão.
O relatório do inquérito diz que Fernando, o filho mais velho de Sarney, “coordenou a prática ilícita”. Silas Rondeau, o aliado de Sarney que antecedeu Lobão no Ministério de Minas e Energia e de lá saiu em 2007 sob denúncias de corrupção, seria seu subordinado.
Obtidas pela PF com autorização da Justiça, as escutas fazem parte da Operação Boi Barrica (rebatizada de Faktor), que investigou negócios da família Sarney e culminou com o indiciamento de Fernando sob a acusação de crime de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Apelidos
Nas conversas, Lobão, Rondeau e Fernando se tratam quase sempre por apelidos. O ministro é chamado de “Magro Velho”. Rondeau é o “Baixinho”. Fernando é chamado de “Bomba”, “Bombinha” ou “Madre”, e José Sarney é chamado de “Madre Superiora”.
Questionado pela Folha, Lobão negou que José Sarney, por meio de Fernando e Rondeau, interfira em sua agenda ou tenha influência sobre questões do governo. Eles “podem fazer solicitações”, disse. “O [nosso] relacionamento é de amizade.”
O conteúdo de oito grampos a que a Folha teve acesso, porém, mostra que o ministro “terceirizou” aos colegas a sua agenda de compromissos.
Num diálogo de 16 de setembro de 2008, Fernando conversou com o então assessor de imprensa de Lobão -Antônio Carlos Lima, o Pipoca- e contou que marcou um jantar de negócios para o ministro para a semana seguinte: “Depois eu me acerto com ele [Lobão]“.
Nesse mesmo dia, Fernando falou com Lobão sobre dois compromissos que este teria no ministério e deu instruções.
O primeiro foi uma audiência com representantes de emissoras de rádio e de TV, para discutir como revogar o decreto presidencial que programava o início do horário de verão. Lobão resistiu. “Escuta e vê se é possível. Entendeu?”, disse Fernando. “Tá bom.”
O segundo foi uma reunião com Lauro Fiúza, da ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica). “Eu tinha acenado com ele que de repente você ia fazer um contato mais próximo. (…) Vão fazer uma exposição para você sobre os projetos”, comunicou Fernando. Em 2008 Fiúza contratou por R$ 10 mil mensais a RV2 Consultoria, de Rondeau, para assessorar a ABEEólica.

Secretária

Noutra conversa, datada de 30 de junho de 2008, Rondeau pediu à secretária de Lobão, Telma, para inserir na agenda do ministro um encontro com o grupo espanhol Gás Natural em 9 de julho. “Como é o nome da empresa?”, perguntou Telma.
Rondeau explicou que “é parceira da Petrobras na distribuição de gás natural no Rio” (embora tenha sido exonerado da pasta em 2007 e denunciado à Justiça um ano depois, Rondeau continua no Conselho de Administração da Petrobras.)
Dois minutos depois de acertar com a secretária de Lobão a audiência, Rondeau ligou para um executivo da Gás Natural e disse que o ministro tinha “bastante interesse em ouvir que vocês estariam dispostos [a investir] em caso do Maranhão como um mercado gasífero”.
Ainda em 30 de junho de 2008, Rondeau contatou a secretária para agendar outra reunião. “Dia 4 está bom. São dois donos da Engevix que querem tratar o assunto do Peru. Ele [Lobão] sabe o que é”, disse.
Rondeau ligou a seguir para José Antunes Sobrinho, sócio da Engevix, e ouviu o pedido para que o acompanhasse à reunião com Lobão para tratar da construção de hidrelétricas no Peru com a participação da Eletrobrás, estatal ligada à pasta: “Sua presença é fundamental pelo fato de que os próximos passos já saem na hora com sua cooperação”, afirmou Antunes.
Na tarde de 4 de julho, Rondeau ligou de novo para Telma e solicitou a ela que alterasse os registros da agenda oficial: “Tira do registro. Tu te lembras das fofocas de agenda, de registro. Você está bem vacinada. Para evitar qualquer ilação, tira meu nome. Se eu puder ir, eu vou, mas tira do agendamento”.
No sistema interno do Ministério de Minas e Energia não há anotação de reunião de Lobão com a Engevix no dia 4 -apenas de outra, no dia 9. Dois meses depois, a Engevix assinou acordo com a Eletrobrás para estudar a viabilidade de construir seis usinas em território peruano, num negócio estimado em US$ 16 bilhões.
Além de interferir na agenda de Lobão, a PF concluiu que Fernando Sarney tratava de nomeações no ministério. É o que indica conversa de 27 de agosto do ano passado com o assessor de imprensa de Lobão.
“Tu te lembras hoje de manhã que tu me falaste daqueles cargos que tinha de R$ 800, R$ 900, aquele negócio todo?”, pergunta Fernando. “Eu vou pedir para uma amiga minha, que se chama Lina, vou dar o teu telefone pra ela. Eu queria que tu botasse [ela] nesse esquema”, pediu o filho do presidente do Senado. “Manda ela ir me visitar lá”, disse Pipoca?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:31

Governador está isolado

Diz o jornalista Ilimar Franco no seu ?Panorama Político?:
?O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) anda falando cobras e lagartos do governador Sérgio Cabral. “O Rio não é dono de nada. O subsolo é propriedade da União”, tem repetido, em conversas reservadas. Para Lobão, o Rio deveria se contentar com o que já recebe no modelo vigente. “Se ficarem insatisfeitos, vamos colocar a mão no antigo também”, tem dito, citando que o estado é minoria no Congresso nesse debate?.
Lobão é o principal aliado de José Sarney, que foi absolvido no Conselho de Ética do Senado pelo pau mandado Paulo Sergio Duque Cabral.
Bem feito!!!

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 22:02

Três denúncias da ‘Folha’

1 – “O Senado paga para cerca de 350 funcionários salários maiores do que os dos ministros do Supremo Tribunal Federal. O número de servidores que recebem mais do que R$ 24.500 por mês, teto definido pela Constituição para o serviço público, é 10% do total de funcionários efetivos da Casa”.
 2 – “O Senado empregou dois funcionários ligados à Fundação José Sarney, sediada em São Luís (MA). A Presidência do Senado informou que os dois são voluntários da instituição.
Nonato Quintiliano Pereira Filho foi nomeado para secretário parlamentar, cujo salário é cerca de R$ 7.600, em 1995, e trabalha no gabinete do senador Lobão Filho (PMDB-MA), aliado de Sarney. Fernando Nelmásio Silva Belfort teve sua nomeação para o gabinete da Liderança do Governo no Congresso em 24 de agosto de 2007. Foi exonerado em 3 de abril passado. Ele ocupava cargo de assistente parlamentar, com salário de cerca de R$ 2.500. A líder do governo era a então senadora Roseana Sarney (PMDB), que deixou a Casa para assumir o governo do Maranhão.
Lobão Filho diz que Pereira Filho nega veementemente ser funcionário da fundação, apesar de seu nome aparecer no site na internet como responsável pela coordenação de projetos. Belfort aparece como diretor-executivo.
“Ele faz um trabalho político para mim aqui no Maranhão, é ligado ao Sarney, mas não trabalha na fundação. Se o Sarney me pedisse, eu o liberava para a fundação”, diz o senador”.
3 – “O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), utilizou a verba indenizatória destinada ao apoio da atividade parlamentar para contratar uma empresa para organizar seu acervo pessoal de livros e documentos. Arquivo fica em sua residência particular, na Península dos Ministros, em Brasília. Em abril e maio, Sarney pagou R$ 8.600 à Memória Viva Pesquisa e Manutenção de Acervos Históricos. Foram os seus únicos gastos com a verba indenizatória no período.
Por meio de sua assessoria, ele justificou os gastos dizendo que o acervo é um importante instrumento de trabalho e serve à atividade parlamentar. O presidente do Senado disse ainda que as obras lá contidas poderão ser doadas a um órgão público num futuro próximo”.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 19:17

Lula apoia Garotinho, que apoia Dilma

O site ‘Volta Garotinho’ que, como o próprio nome, diz trabalha pela candidatura de Garotinho ao governo do Rio, publicou agora uma notícia que vai deixar Sergio Cabral com os cabelos em pé. Diz ele que “o cortejo (do PR) a Garotinho tem a benção do Palácio do Planalto. A idéia de Lula é criar um segundo palanque para a candidatura de Dilma Roussef no Rio. Ele delegou a missão ao peemedebista Edson Lobão, ministro das Minas e Energia. Lobão é amigo de longa data de Costa Neto”, secretário-geral do PR.
Diz ainda o site que “o Planalto não quer apostar suas fichas exclusivamente na candidatura de Sérgio Cabral. A queda da popularidade do atual governador, mensurada em pesquisas reservadas do Palácio do Planalto, traz insegurança aos mentores da candidatura de Dilma para 2010. Lula ficou feliz com a decisão de Garotinho de garantir que não terá qualquer dificuldade de apoiar a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil à Presidência da República, pois sua relação com ela vem desde o tempo em que ambos eram filiados ao PDT”.
Veja aqui a íntegra da nota que certamente tem o apoio do PR.

  • Quinta-feira, 20 Agosto 2009 / 0:10

Recordar é viver

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