• Quarta-feira, 14 Dezembro 2011 / 11:49

As denúncias contra Pimentel

                                                         Marcos Coimbra*

      Na campanha que uma parte da mídia faz contra o ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, temos de tudo: pouca informação, muita especulação, reportagem preguiçosa e descaso com os limites éticos do jornalismo. E o velho argumento de que os fins justificam os meios.
Esses veículos se voltaram contra Pimentel no dia seguinte ao da saída do ex-ministro do Trabalho. Pode ter sido coincidência, mas é pouco provável. O que parece é que queriam manter a “crise ministerial” na primeira página.
Uma das maneiras de consegui-la é misturar gregos e troianos, alhos e bugalhos. Deliberadamente, o “caso Pimentel” foi confundido com outros, diferentes em aspectos fundamentais. Ele virou “mais um” ministro do governo Dilma “envolvido em irregularidades”.
O mais extraordinário, em seu caso, é que ninguém lhe faz qualquer denúncia concreta. Não há sequer suspeita de que tenha agido de forma errada como ministro ou permitido que alguém fizesse algo condenável no seu ministério.
Não se beneficiou do cargo para obter vantagens. Não canalizou recursos públicos para finalidades ilegais ou criticáveis. Não roubou nem deixou roubar.
Sua “irregularidade” teria sido criar uma empresa de consultoria econômica quando deixou a prefeitura de Belo Horizonte, e que funcionou entre 2009 e outubro de 2010. Uma empresa igual a milhares de outras, com faturamento apenas médio.
Para mantê-lo em cheque, o acusam de ter feito, através dela, “tráfico de influência”, sem conseguir aduzir qualquer evidência, minimamente palpável, para corroborá-la. Passaram a questioná-lo no tom inquisitorial reservado, nas delegacias de polícia, a quem é flagrado em delito: “Tudo que você disser será usado contra você”.
Quem imagina que Pimentel saiu da prefeitura, no final de 2008, cheio de “poder presente” e forte de expectativa de “poder futuro”, desconhece a política mineira. Tem, além disso, péssima memória.
Para ele, 2009 começou mal e só melhorou no final. Nas condições em que aconteceu, a vitória de Marcio Lacerda foi muito menor do que esperava. Seu grupo perdeu espaço e ficou mais fraco dentro do PT. Ganhou a eleição para o diretório estadual em processo complicado e por margem estreita.
Em abril, Dilma recebeu o diagnóstico de câncer. Embora não parecesse grave, as chances de que fosse presidente — algo em que poucos, então, apostavam —, ficaram ainda mais incertas.
Quem contratou a consultoria de Pimentel, nesse período, podia querer várias coisas, mas não estava investindo em um “facilitador” em posição privilegiada. Aqueles que imaginam que “traficasse influência” não o conhecem e não sabem o que estava acontecendo.
Supor que uma instituição como a Fiemg — a principal cliente da empresa de Pimentel, que, sozinha, representou cerca de 50% de suas receitas — o tivesse procurado para isso não tem ideia do que ela é. Ignora sua capacidade de encaminhar os pleitos da indústria mineira sem ter de recorrer a métodos
desse tipo.
(A Fiesp tem, em seus quadros, diversos ex-ministros e autoridades do governo Fernando Henrique. Estaria investindo em “facilitadores futuros”? Ou apenas entende que são pessoas de grande contribuição e que é seu papel mantê-las na ativa?)
Inventar que a empresa de Pimentel foi contratada por uma firma de Pernambuco por “manobra” do governador Eduardo Campos, “em retribuição” a seu apoio a um candidato do PSB na eleição de Belo Horizonte, é apenas um exemplo das especulações que andamos ouvindo nos últimos dias. Pareceriam cômicas, se o episódio não fosse lamentável.
Confundir-se com datas (achando, no caso de outro cliente de Pimentel, que um recebimento que aconteceu depois explica um pagamento feito antes), calcular os preços de obras com aritmética de escola primária (sem levar em conta custos de infraestrutura), ignorar os mecanismos de licitação de uma prefeitura como a de Belo Horizonte, não apurar quem representava determinada empresa na época relevante, são sinais da pressa na reportagem. Ou do desmazelo.
Para não falar no uso de informações obtidas ilegalmente. Toda a “denúncia” está assentada na mais condenável espionagem de uma empresa privada.
É possível concordar que existem situações especiais que autorizam a imprensa a ir além da “legalidade formal”. Esse, no entanto, não é o caso, quando determinados veículos apenas não gostam de um governo e seus integrantes.
*Marco Coimbra, sociólogo, preside o Insituto Vox Populi e escreve para o ‘Correio Braziliense’.

  • Segunda-feira, 07 Fevereiro 2011 / 8:29

A verdade vem aí

     Paulo Sergio Pinheiro, da Comissão da Verdade, concedeu a seguinte entrevista a Sonia Racy:
- O que a Comissão da Verdade vai poder ou não?
- A Comissão da Verdade não poderá responsabilizar criminalmente nenhum torturador. A rigor, o Brasil não seguirá o caminho da Argentina, do Chile ou do Peru, países onde vários generais e agentes do Estado, que torturaram e mataram, estão em cana. A Lei de Anistia impede.
- Quais seriam, então, os limites dessa revisão?
- Reconstituir efetivamente o que ocorreu. É preciso saber a verdade sobre os crimes cometidos pelos agentes do Estado. O que aconteceu com os dissidentes estamos cansados de saber.
- Quais garantias a sociedade tem de que um ciclo de vinganças não se iniciará?
- Isso é paranoia imobilizadora. Ódio você não enterra com desconhecimento. A verdade é que esses torturadores são poucas centenas, um bandinho de criminosos nas Forças Armadas, na Polícia Militar e na Civil. A maioria esmagadora não está manchada de sangue. Não é possível que eles permaneçam com as suas promoções e pensões e tudo continue escondido. O cientista político italiano Norberto Bobbio diz que a luz do sol contribui para a melhoria das relações da sociedade.
- Sabe dizer se há pesquisas que vão neste sentido?
- Sim. As pesquisas mostram que nos países onde houve comissões da verdade as democracias tornaram-se muito mais eficientes, os crimes contra os direitos humanos diminuíram e se tortura muito menos. No Brasil, os torturadores atuais continuam torturando, apesar de ser crime. Eles acham que está tudo numa boa, que não acontecerá nada.
- E quais serão os poderes da comissão?
- No projeto, ela tem acesso a qualquer arquivo que exista. E só tem graça se for assim. Também tem a faculdade de convocar quem quiser, não pode obrigar, mas pode tornar público que as pessoas estão se recusando a vir. E a comissão não é obrigada a publicar tudo que descobrir. Uma opção, por exemplo, é fazer uma lista de nomes de torturadores e dar para a presidenta da República e para o ministro da Defesa.
- Acha que é mais justo divulgar o nome dos generais ou é mais prudente guardar?
- Não sei. No caso brasileiro, quem torturava era gente miúda, não era general. Era tarefa delegada para a tropa. O Chile nunca publicou os nomes, a Argentina publicou. A comissão pode decidir que os nomes não sejam publicados nos casos mais revoltantes, por exemplo.
- Quais serão os líderes da Comissão da Verdade?
- A líder é a presidente da República. Compete a ela escolher sete membros. Tem gente nervosa porque não haverá representantes das Forças Armadas. Isso é bobagem porque nas 40 comissões da verdade que já houve no mundo, desde a década de 80, não teve representante nem das Forças Armadas, nem das vítimas. E também não pode ter dos partidos. Não dá para generais ou soldados ficarem reclamando da presidente, que é inclusive a comandante em chefe das Forças Armadas. Seria falha grave de hierarquia.
- O general José Elito declarou que os desaparecidos políticos durante a ditadura não são motivo de vergonha para o País. Deveria ser demitido?
- Eu não sou a chefe dele. O que aconteceu é que quando você é nomeado ministro, e isso também ocorreu comigo, você fica muito exuberante, falando demais. Ele falou um pouquinho demais. As Forças Armadas brasileiras não compartilham dessa preocupação, elas têm sido um exemplo de respeito à legalidade institucional.
- Por que existe resistência à abertura dos arquivos?
- Talvez oficiais da reserva tenham solidariedade, talvez exista esse sentimento no ar, pelo que ouvi falar. Mas as Forças Armadas têm estado mudas, como devem estar, e totalmente respeitosas à presidente da República.
- No discurso de posse, Dilma homenageou os que tombaram, os companheiros de luta.
- Achei correto ela se solidarizar. Houve centenas de jovens que foram torturados e sequestrados pela ditadura. Ela não tem nada a esconder, quem tem o que esconder são os torturadores.
- Então, a anistia foi um erro?
- Para o Conselho de Direitos Humanos da ONU, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, a Corte Interamericana de Direitos Humanos e a Corte Europeia de Direitos Humanos as autoanistias presenteadas pelos regimes sucessores das ditaduras não são válidas. A anistia é problemática. Os crimes do Estado não podem ser anistiados. Essa é a tese básica do direito internacional. Aqui no Brasil isso está resolvido pelo Supremo. É coisa julgada, não me cabe ficar discutindo, sendo eu membro brasileiro da Comissão Interamericana, pois a corte deu sentença recentemente condenando a anistia brasileira.
- Você acha que para o governo Dilma é politicamente conveniente reabrir esse tema?
- Acho que conveniência não é a palavra adequada. A tarefa da presidente está facilitada não só pela sua biografia, mas pelos passos que deram os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula. São 16 anos de ações acumuladas para nos aproximarmos da Comissão da Verdade. Eu não vejo nenhuma crise política, ninguém tem que chiar. O Nelson Jobim aprovou todo o projeto. O Estado brasileiro tem essa obrigação perante a comunidade internacional.
- Você acha que por Dilma ter sido guerrilheira complica ou facilita as investigações dos crimes da ditadura?
- É claro que o fato de a presidente ter tido essa experiência concreta é um fator importante na sua memória, na sua personalidade. Mas em termos da situação política é irrelevante. Está zerado para quem participou da luta armada e para os torturadores, conforme a Lei de Anistia, confirmada pela decisão do Supremo no ano passado.
- Ela pode ser encarada como revanchista e não a líder suprema do País?
- Isso é conversa para boi dormir. Um presidente da República não pode pretender fazer revanche. Os familiares querem a verdade dos fatos, não revanche. Eles não puderam enterrar os seus parentes.
- E quais seriam os prejuízos de não se instituir a comissão?
- Vamos continuar na rabeira, com esse débito absurdo com os familiares dos desaparecidos, o que é incompatível com a democracia. É constrangedor o Brasil, uma potência emergente global, ainda ter que ficar fazendo de conta que não houve tortura, de que ninguém sabe exatamente o que aconteceu. Isso pega mal na comunidade internacional. Nós, que afirmamos ser essa democracia vibrante, na verdade somos ainda subdesenvolvidos em termos da verdade histórica.

  • Segunda-feira, 07 Fevereiro 2011 / 8:07

Dilma anuncia remédio de graça

      Dilma Rousseff estreiou hoje no programa de rádio ‘Café com a Presidenta’, onde anunciou, a partir da próxima segunda-feira, medicação gratuita para os que sofrem de hipertesão arterial e diabetes.
Eis a transcrição do primeiro programa:
- Oi gente, eu sou o Luciano Seixas e estamos hoje estreando o Café com a Presidenta, uma conversa semanal que teremos toda a segunda-feira com a presidenta Dilma Rousseff. Olá, presidenta. Bem vinda ao nosso Café.
- Olá, Luciano, tudo bem?
- Tudo.
- É uma alegria, viu, Luciano, começar hoje o Café. Eu gosto muito de falar no rádio, porque ele chega aos lugares mais distantes. E as pessoas podem escutar os programas e continuar o que estão fazendo. Eu quero fazer deste Café um ponto de encontro entre mim e o povo brasileiro. Toda semana, Luciano, eu quero ter uma conversa com você e com os amigos e as amigas que estão me ouvindo, sobre o nosso país. Falar do que temos feito e falar também do que pretendemos fazer para melhorar a nossa vida e discutir os desafios que certamente vão aparecer.
- Presidenta Dilma, a senhora anunciou essa semana a gratuidade dos medicamentos para hipertensão e diabetes. A notícia foi recebida com entusiasmo por muita gente porque esses medicamentos saem caro. Representam um sacrifício grande, não é?
- É verdade. Nós sabemos, Luciano, que muitas pessoas morrem ou desistem do tratamento. E nem vão ao médico porque não têm dinheiro para comprar remédio. E as doenças, muitas vezes, são consequências de uma vida muito dura. É por isso que a partir de agora nós vamos distribuir de graça os remédios para as pessoas com hipertensão e para as pessoas com diabetes. Você sabe, os medicamentos são o item que mais pesa no bolso das famílias mais pobres. Uma parte bem maior da renda da população mais pobre é gasta com remédio, enquanto que para os ricos, essa despesa pesa bem menos. Por isso o meu compromisso com a erradicação da miséria passa pelo programa “Saúde Não Tem Preço”.
- E o bom é que qualquer pessoa vai poder receber esses remédios de graça, sem burocracia.
- Exatamente, Luciano. Por exemplo, você que está nos ouvindo e precisa, poderá receber de graça o seu remédio para hipertensão ou para diabetes nas farmácias perto de sua casa que tenha uma plaquinha escrita “Aqui tem Farmácia Popular”. Basta que tenha a receita de seu médico. O que nós queremos é que todas as pessoas que tenham diabetes ou tenham hipertensão façam o tratamento completo, sem parar. Por isso o remédio vai ser de graça. Nós vamos começar a distribuir os remédios de graça a partir do dia 14 de fevereiro, a próxima segunda-feira.
- Presidenta, a gente sabe que várias outras doenças fazem parte do programa “Aqui tem Farmácia Popular”. Porque, então, o remédio de graça para quem tem diabetes e hipertensão – a chamada pressão alta?
- Ah! É porque essas são as doenças que atingem o maior número de brasileiros e brasileiras. Estão entre as que mais matam no Brasil. Quarenta milhões de pessoas no Brasil ou têm diabetes ou tem hipertensão, e algumas têm as duas doenças combinadas. Aliás, a hipertensão é a maior causa das mortes por derrame cerebral. E o pior: muita gente nem sabe que tem pressão alta ou diabetes. Agora, como sabemos que essas doenças são perfeitamente controláveis se forem tratadas, a minha preocupação é que as pessoas tenham acesso ao tratamento.
- Então, ouvinte, você já sabe: a partir de segunda-feira que vem, dia 14, se você é portador de hipertensão ou diabetes, poderá pegar o medicamento nas farmácias credenciadas.
- Isso mesmo. É só procurar uma farmácia ou drogaria que tenha a plaquinha “Aqui tem Farmácia Popular” e receber o seu remédio mediante a apresentação da sua receita médica e do comprovante da sua identidade.
- Agora, além de diabetes e da hipertensão, permanecem os descontos para outros medicamentos, não é mesmo?
- É claro, viu Luciano, que os descontos vão permanecer. Hoje mais de 1 milhão de pessoas recebem remédios com grandes descontos nas farmácias do programa “Aqui tem Farmácia Popular”. São remédios para tratamento de asma, colesterol alto, rinite, Mal de Parkinson, osteoporose e glaucoma. Até é bom que se diga, nas farmácias “Aqui tem Farmácia Popular” também você tem acesso a fraldas geriátricas com grandes descontos.
- Presidenta, obrigado por trazer ao nosso primeiro Café informações sobre a distribuição gratuita de remédios para hipertensão e diabetes, tão importante para a vida de milhões de brasileiros.
- Olha, Luciano, eu estou muito feliz por conversar sobre isso aqui, com vocês, no Café com a Presidenta. Agora tem uma coisa, e eu quero dizer isso para o amigo e para a amiga que estão nos escutando. Eu não quero voltar aqui para dizer que aumentou o número de pacientes que compram remédios, porque o melhor é não ficar doente. O mais importante é você, amigo e amiga que me ouvem, cuidar da saúde, ter uma boa alimentação, fazer exercícios físicos. Quem usa esses medicamentos para diabetes e hipertensão sabe que a receita médica tem um prazo de validade. É importante voltar ao médico.
- Obrigado, então, presidenta Dilma Rousseff, por essa primeira conversa, e até a próxima semana.
- Olha, Luciano, obrigada você, e um abraço aos ouvintes que estão nos escutando.
- Você pode acessar este programa na internet. O endereço é www.cafe.ebc.com.br. O Café com a Presidenta volta na próxima segunda-feira, até lá.

  • Domingo, 06 Fevereiro 2011 / 10:27

Pergunta de Simonsen ronda o Planalto

                                   Élio Gaspari*
           Os repórteres Leonardo Souza e Andreza Matais informam que a Empresa de Correios recebeu ordens para entrar como sócia minoritária num dos consórcios que disputam a concessão do projeto do trem-bala que ligaria o Rio de Janeiro a São Paulo e Campinas. Ordem dada, ordem recebida.
Nunca se fez um estudo para determinar a importância de uma sociedade dos Correios com o trem de alta velocidade. Esse tema nunca entrou na discussão do projeto de financiamento da obra. A ECT só foi chamada para botar dinheiro no trem-bala porque falta quem queira fazê-lo.
A doutora Dilma cuida do trem-bala desde o tempo em que ele era apenas uma ideia e sabe que essa iniciativa já passou por tenebrosas leviandades. Primeiro se esqueceram de Campinas. Depois projetaram uma linha do Rio a São Paulo sem prever paradas intermediárias.
Diziam que a obra de R$ 18 bilhões seria inteiramente financiada pela iniciativa privada. Hoje, com o projeto corrigido, ele está estimado em R$ 33 bilhões, com R$ 20 bilhões saídos do BNDES.
Ultimamente, ajeitou-se com a mão uma garantia de demanda para o concessionário. (Com garantia de demanda e a mão do BNDES, Eremildo, o Idiota, cria uma empresa de radiotáxi para a Lua.)
Os Correios entrariam no negócio porque 50% do seu faturamento está no transporte de correspondências e mercadorias entre o Rio e São Paulo. Ninguém mediu a demanda para um frete mais lento que o avião e mais rápido que a rodovia.
No Palácio do Planalto, onde Dilma Rousseff dá expediente, aconteceu uma das cenas emblemáticas da época de delírios megalomaníacos do Estado na segunda metade do século 20. Nos anos 70, lá estavam reunidos o presidente Ernesto Geisel, seu ministro dos Transportes, general Dirceu Nogueira, e o professor Mário Henrique Simonsen, ministro da Fazenda.
O general Dirceu descrevia as maravilhas do projeto de uma linha que transportaria minério das jazidas de Minas Gerais ao porto do Rio. Era a Ferrovia do Aço e teria mais de cem túneis, um dos quais com 8,6 quilômetros de extensão.
Joia do Brasil Grande, ficaria pronta em mil dias ao preço de US$ 1,2 bilhão e as composições rodariam a cem quilômetros por hora.
Foi quando Simonsen perguntou: “General, essas pedras têm pressa?” (A linha só ficou pronta em 1990. Custou pelo menos o triplo.)
As pedras não tinham pressa. Quem a tinha eram a banca internacional, empanturrada de petrodólares, e os fornecedores de equipamentos ferroviários, emparedados pela recessão europeia. Precisavam de freguesia para seus produtos e seus empréstimos.
Nesse tempo delirante, o governo de São Paulo comprou, por US$ 500 milhões, 80 locomotivas elétricas da fornecedora francesa Alstom. O repórter André Borges mostrou que, 30 anos depois, 48 delas continuam encaixotadas num galpão de Campinas e irão a leilão, como sucata, valendo no máximo R$ 0,30 o quilo.
Os desastres do passado ocorreram porque “o Planalto mandou tocar” obras sem projetos ou respeito às leis do mercado. O trem-bala não precisa seguir o mesmo caminho. Se ele é viável, haverá investidores interessados. Se é inviável, inviável é.
*Élio Gaspari é jornalista e escreve para ‘O Globo’ e a ‘Folha’.

  • Domingo, 06 Fevereiro 2011 / 10:24

Dilma no Congresso

                                         Marcos Coimbra*

      Terça-feira, na apresentação da Mensagem ao Congresso Nacional de 2011, Dilma inovou, mesmo mantendo algumas tradições estabelecidas pelos últimos presidentes.
A principal mudança não estava apenas em sua presença para ler e entregar em mãos o documento. Nunca foi hábito de nossos presidentes comparecer ao parlamento na abertura das sessões legislativas, para se pronunciar sobre o Brasil e apresentar suas metas.
Nada de parecido ao costume norte-americano do discurso a respeito do “State of the Union”, feito todos os anos pelo presidente ao Congresso desde a década de 1910, quando Woodrow Wilson o inaugurou. Lá, a Constituição obriga o Executivo a informar anualmente o Legislativo sobre sua visão e prioridades, mas ele foi o primeiro a fazê-lo através de manifestação pessoal. Daí em diante, todos os sucessores repetiram o gesto.
Aqui, temos norma parecida, mas ela não é cumprida dessa forma. A praxe é a Mensagem ser entregue ao presidente do Congresso pelo chefe da Casa Civil, dispensada a leitura. O presidente da República só a leva se quiser. Como Lula, que o fez apenas uma vez, em 2003.
Logo no começo da apresentação, Dilma deixou aberta a possibilidade de que sua ida não fosse a única. Disse que encaminhava a Mensagem “pela primeira vez neste mandato”, o que pode ser interpretado como sinal de sua disposição de voltar.
Essa seria uma mudança significativa no modo como se relacionam os Poderes em nosso sistema político. A solenidade estabelece uma nítida fronteira entre Executivo e Legislativo, ressaltando sua diferença e a independência respeitosa que deve prevalecer na sua convivência.
Embora esses sejam princípios de nossa Constituição, na prática, a regra tem sido outra. Desde a redemocratização, os dois Poderes se misturaram mais do que deveriam, em casamentos sempre indesejáveis. Institucionalizar sua diferenciação é salutar para a democracia e a formação cívica do povo. Todos os passos que Dilma der nessa direção serão bem-vindos.
Ela fez uma coisa que nenhum de seus predecessores havia feito: citou nominalmente o presidente que a antecedeu. Na apresentação da Mensagem, o nome de Lula foi mencionado, ainda que apenas uma vez, algo que poderia surpreender quem esperava que aparecesse mais frequentemente.
Não é estranho que Collor não falasse de Sarney, Itamar de Collor, ou Lula de Fernando Henrique. Mas é curioso que FHC, em 1995, na sua primeira Mensagem, só se referisse ao hoje senador Itamar Franco como “meu antecessor”, sem dizer seu nome (logo acrescentando que ele próprio havia sido o ministro responsável pelo “êxito do programa de estabilização econômica”, assim reivindicando a paternidade exclusiva do Real).
Apesar de várias discrepâncias, as Mensagens de Dilma e Fernando Henrique são semelhantes em um ponto. Na parte relativa à política externa, ambas só deram destaque à América do Sul, com menções ao Mercosul, à ALCSA (ele) e à Unasul (ela). Nenhum dos dois achou que devia pagar tributo a outras regiões ou países, ao contrário do que andaram cobrando de Dilma alguns comentaristas da oposição, que não gostaram de ela não ter mencionado os Estados Unidos na sua fala.
Quem, aliás, leu o que publicou nossa “grande imprensa” sobre a ida de Dilma ao Congresso pode ter ficado com uma impressão equivocada. O que mais vimos foram críticas apressadas e superficiais, de quem, aparentemente, sequer se deu ao trabalho de procurar saber o que ela disse.
As Mensagens ao Congresso Nacional não são obras de filosofia política ou tratados de sociologia. Não se destinam a apresentar interpretações inovadoras de nossa realidade econômica, social ou cultural. Não são feitas para que sejam recebidas com palmas e entusiasmo. São, apenas, uma informação que o Poder Executivo presta ao Legislativo sobre como vê o país e quais seus objetivos no ano.
O governo Dilma mostrou como pretende se relacionar com o Congresso, detalhando seu diagnóstico e suas propostas. A primeira Mensagem que encaminhou, com suas 416 páginas, foi bem mais que o rápido cumprimento de uma formalidade. Apenas na apresentação que a presidente leu, dedicou, por exemplo, cinco parágrafos às enchentes de janeiro no Sudeste e às providências que o governo está tomando para evitar a repetição de tragédias, quatro à educação e quatro à saúde (para comparar: na apresentação da sua primeira Mensagem, FHC usou uma vez as palavras educação e saúde — sem qualquer explicação sobre o que imaginava fazer — enquanto destinou 14 parágrafos para falar da economia, tema fundamental naquele momento).
Cada governo tem suas prioridades. O importante é que as deixe claras para o Congresso.
*Marcos Coimbra, sociólogo, preside o Instituto Vox Populi e escreve para o ‘Correio Brasiliense”.

  • Quarta-feira, 01 Dezembro 2010 / 10:09

Cabral não respeita Dilma

     Cabral não respeita ninguém.
O que deveria ser uma conversa reservada com a Presidenta eleita – a indicação de Sergio ‘Erenice’ Côrtes para o ministério da Saúde -  acabou sendo revelada por Cabral aos jornais, para que tudo acabasse como fato consumado.
É claro que Dilma não gostou disso
               * * *
E se Moreira Franco virar ministro e o seu indicado fôr vetado?
O que Cabral fará?

  • Quarta-feira, 01 Dezembro 2010 / 10:00

Cara do Governo

                                                      Marcos Coimbra*

     A reação de parte da imprensa às informações sobre a composição do governo Dilma é curiosa. Em alguns veículos, chega a ser cômica.
Outro dia, um dos jornais de São Paulo estampou em manchete que Dilma estava “montando o núcleo de seu ministério com lulistas”. O que será que o editor imaginava? Que ela fosse recrutar “serristas” para os postos-chave de sua administração?
Como ensinam os manuais do jornalismo, essa não é uma notícia. Ou será que algo tão óbvio merece destaque? “Cachorro come linguiça” não é um título para a primeira página. No dia em que a linguiça comer o cachorro, aí sim a teremos uma notícia (que, aliás, deverá ser impressa em letras garrafais).
Na mesma linha, um jornal carioca achou que era necessário alertar os leitores para o fato de que “Lula está indicando várias pessoas para o governo Dilma”. Em meio a estatísticas sobre quantos nomes já havia emplacado, a matéria era de franca desaprovação.
Na verdade, tanto nessa, quanto na manchete do jornal paulista, estava implícita quase uma denúncia, como se um duplo malfeito estivesse sendo cometido. Por Lula, ao “se meter” na formação do novo governo, ao “tentar interferir” onde, aparentemente, não deveria ter voz. Por Dilma, ao não reagir à intromissão e o deixar livre para apontar nomes.
Quem publica coisas assim dá mostras de não ter entendido a eleição que acabamos de fazer. Não entendeu como Lula, seu principal arquiteto, a concebeu, como Dilma encarnou a proposta, e como a grande maioria do eleitorado a assimilou.
Tudo mundo sabe que, quando Lula formulou o projeto da candidatura Dilma, a ideia central era de continuidade: do governo, de suas prioridades, de seu estilo. Ele nunca disse o contrário e insistiu no uso de imagens que caracterizavam, com clareza, o que ela representava. Para que ninguém tivesse dúvidas, chegou a afirmar que votar em Dilma era a mesma coisa que votar nele. Foi explícito nos palanques, nas declarações, na televisão.
Dilma sempre falou a mesma coisa. Mostrou-se à vontade como representante de Lula e do governo, seja por sua lealdade para com o presidente, seja pela boa razão de que o governo era dela também. Apresentar-se ao país como candidata de continuidade nunca a deixou desconfortável, pois significava defender aquilo a que havia se dedicado nos últimos oito anos.
Isso foi bem entendido pelos eleitores. Desde o primeiro momento e até o fim da eleição, as pessoas olharam para Dilma sabendo qual era a natureza de sua candidatura. Muitas descobriram suas qualidades pessoais, mas o núcleo da decisão de votar em seu nome foi outro, como mostraram as pesquisas.
Ninguém votou em Dilma para que o “dilmismo” vencesse o “serrismo”. Só quem quis que a eleição fosse essa foi o próprio Serra, que sabia que perderia se o foco da escolha se alargasse, se os eleitores olhassem para o que cada candidato representava e não se limitassem a fazer a velha comparação de biografias.
Agora, quando Dilma escuta Lula na montagem do governo, ela apenas cumpre a promessa fundamental de sua candidatura, a razão principal (para alguns eleitores, a única) de ela ter sido votada. Quando dá mostras de que manterá ministros e dirigentes, faz apenas o natural. Se, por exemplo, se comprometeu durante a campanha com a preservação de determinada política, porque razão não seria adequado que o responsável permanecesse?
O governo que está sendo organizado terá a cara da continuidade, política e administrativa. Terá a cara de Lula, do PT e das outras forças partidárias que venceram a eleição. Terá a cara da atual administração, que é aprovada pela maioria da sociedade. Terá a cara de Dilma, pois é ela que o chefiará.
É isso que foi combinado com o país.
*Marcos Coimbra, sociólogo, presidente o Instituto Vox Populi e escreve para o ‘Correio Brasiliense’.

  • Quarta-feira, 01 Dezembro 2010 / 9:59

Cabral mente para ‘Estadão’

     Da colunista Sonia Racy, do ‘Estadão’:
“Dilma “gastou” saliva em convencer Sérgio Cabral para liberar seu secretário Sérgio Cortês que assume o cargo de ministro da Saúde. A amigos, o governador contou ontem que chegou a pensar em mantê-lo de tanta falta que fará”.
                    * * *
Cabral é mesmo um fanfarrão.
Como não teve coragem de plantar tal mentira no Rio, enganou uma jornalista de São Paulo.
Era só o que faltava.
“Dilma teve de convencer Cabral a abrir mão de Sergio ‘Erenice’ Côrtes.

  • Quarta-feira, 24 Novembro 2010 / 9:36

O PMDB enquadrado

     O artigo  que o deputado Michel Temer publica hoje na ‘Folha’, (leia o post abaixo)procura enquadrar finalmente o PMDB.
Só resta saber se é para valer.
Ele é uma espécie de ‘Carta aos Brasileiros’ dirigida, principalmente, à Presidenta Dilma Roussef.
A ela, Temer garante que o partido estará unido em torno do seu governo.
Isso o fortalece na discussão da formação do ministério.
Já expulsar do partido alguns peemedebistas históricos como Jarbas Vasconcellos, Pedro Simon e Luiz Henrique são outros quinhentos.
                          * * *
A frase “Quem não se conformar com as decisões tomadas em convenção nacional poderá se desligar do nosso partido, sem que este exija o mandato”, está na cara que é do ex-governador Moreira Franco - o político mais próximo de Temer e  certamente um dos mentores do artigo.

  • Segunda-feira, 02 Agosto 2010 / 0:22

Com Dilma, o Brasil pode mais

   O PT editou uma cartilha com 13 razões para o eleitor votar em Dilma Rousseff para Presidente:
1) Fim da miséria;
2) Mais empregos;
3) Mais reajustes salariais;
4) Mais Bolsa Família;
5) Mais educação;
6) Mais saúde;
7) Mais segurança;
8) Mais combate ao crack;
9) Mais creches;
10) Mais moradias populares;
11) Mais apoio ao campo;
12) Mais crédito;
13) Mais respeito ao Brasil.
                      * * *
Com Dilma, o Brasil pode mais.

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