• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:53

Aécio e a missão impossível

De Ilimar Franco, no Panorama Político, de ‘O Globo’:
“O comando da campanha de José Serra fez as contas e concluiu que, para ganhar as eleições de outubro, precisa ter 5 milhões de votos a mais que Dilma Rousseff em São Paulo e 3 milhões em Minas Gerais. Em 2006, Geraldo Alckmin ganhou com uma diferença de 3,8 milhões de votos em São Paulo, mas perdeu por 1 milhão em Minas Gerais. Esta é a missão de Aécio Neves. A estratégia tucana pressupõe uma vitória no Sul, que, em 2006, foi por 3 milhões de votos, e que o presidente Lula fracasse em sua tarefa de transferir votos para sua candidata. Sobretudo no Nordeste, onde em 2006 o PSDB perdeu por 10 milhões de votos”.
                         * * *
Se Serra tiver, em Minas, a metade mais um voto do eleitorado, será motivo mais do que suficiente para uma comemoração dos tucanos.
Agora 3 milhões de votos a mais do que Dilma, é sonho de uma noite de verão.
No caso outono.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:52

‘Ser-Ser’ quer reviver o ‘Jan-Jan’

Quando a candidatura de Jânio Quadros, à Presidência, foi lançada pelo pequenos partidos PTN e PDC, em 1960, ele foi aos poucos ganhando adesões, até que conseguiu o apoio da UDN, que viu em Jânio a possibilidade de chegar ao poder.
Na época, a eleição era totalmente descasada, e não havia vinculação nem mesmo com o candidato a vice.
Foi aí que surgiu o movimento Jan-Jan, o voto em Jânio pela UDN, e em Jango Goulart pelo PTB.
E eles foram a vitória.
                          * * *
Em Minas, nas últimas eleições, ocorreu movimento idêntico: o  Lulécio, que era o voto em Lula e em Aécio.
E tudo leva a crer que o fenômeno vai se repetir, lá nas Alterosas, com Dilma, do PT, e Anastasia, governador pelo PSDB.
Ao perguntarem a Dilma sobre a possibilidade da chapa Dilmasia, ela perguntou: “E por que não, Anastadilma?”
                          * * *
No Rio já existe um cidadão – misto de jornalista e publicitário – contratado, informalmente pelo PMDB, para dar assessoria na formação de pequenos movimentos que irão reviver o Jan-Jan de 1960.
No momento, existe uma discussão sobre o nome.
O mais provável é que seja Ser-Ser, mas há quem defenda o Serbral – o voto em Serra e Cabral.
José Serra, diga-se de passagem, nada tem a ver com isso, mas óbviamente que não irá reclamar.
Já Sergio Cabral, dizem seus companheiros, não moverá uma palha a favor de Dilma Rousseff, a não nos dias em que ela estiver ao seu lado.
Depois de tudo que Lula fez pelo Rio, o normal é que Dilma recebesse uma consagração, até mesmo porque Lula teve, em 2006,  mais votos que Cabral, tanto no primeiro quanto no segundo turno.
O lógico seria Dilma somar mais votos do que Lula.
Quanto a esperteza de Cabral, existem dúvidas se o PT do Rio irá denunciá-lo.
O jogo só ficará claro, de verdade, depois da Copa, na segunda quinzena de julho.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:37

Eleição custará mais de R$ 1 bi

Do repórter Ivan Iunes, do ‘Correio Braziliense’:
“As duas principais candidaturas presidenciais podem consumir, juntas, quase R$ 1 bilhão até outubro. A estimativa de tesoureiros e coordenadores é de que as eleições de 2010 sejam as mais vitaminadas da história brasileira. Somente os recursos destinados diretamente às campanhas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) somariam cerca de R$ 500 milhões. Outros R$ 500 milhões seriam repassados aos estados e ao DF para candidaturas majoritárias que garantam palanques aos dois principais postulantes ao Planalto. Para ter alguma chance de vitória, o patamar mínimo de gastos seria de, pelo menos, R$ 100 milhões, valor almejado pelo deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). ?Se você somar as candidaturas presidenciais e os apoios aos estados, dificilmente os dois partidos, juntos, gastarão menos de R$ 1 bilhão?, afirmou o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira.
Pela previsão dos partidos, a conta final de PSDB e PT nas eleições de outubro sairá, pelo menos, R$ 170 milhões mais cara do que a de 2006. Para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os petistas gastaram R$ 168 milhões. A candidatura do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin custou aos cofres tucanos R$ 161 milhões. Os outros candidatos, somados, apresentaram números mais tímidos, de R$ 2,6 milhões, sendo que apenas Cristovam Buarque foi responsável por R$ 1,7 milhão.
As maiores cifras previstas para outubro serão utilizadas em televisão. Dilma e Serra estudam utilizar cerca de R$ 50 milhões, cada um, para tentar convencer o eleitorado no horário eleitoral. A produção petista ficará a cargo de João Santana, o mesmo da reeleição de Lula, em 2006, e autor dos últimos vídeos publicitários da legenda. Os tucanos também investirão no mesmo marqueteiro utilizado por Alckmin em 2006, Luiz González. Somente com o aluguel de um jato particular, a estimativa de gastos é de até R$ 3,5 milhões por mês. Cada candidato terá, pelo menos, uma aeronave à disposição.
O dinheiro gasto nas duas campanhas também servirá para coordenar os trabalhos em comitês regionais(2). A campanha de Dilma terá um responsável por estado e no Distrito Federal, subordinados ao coordenador nacional. O comitê central ainda não foi definido, mas deve ser instalado em um prédio no Setor Comercial Sul, próximo à sede nacional do partido no DF. ?A campanha nos estados tem interação com a eleição para governador e as estruturas acabam se somando, mas teremos um coordenador político responsável por essa interação?, antecipou o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra.
A estrutura da campanha à Presidência dos tucanos terá oito coordenadores regionais distribuídos pelo país. Cada centro de comando ficará responsável, em média, por três estados. Maior colégio eleitoral do país, São Paulo terá escritório próprio, responsável por coordenar também as ações no Rio de Janeiro. O quartel-general será instalado no DF. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), admite que o orçamento será maior do que o utilizado em 2006, mas trabalha com um teto de até R$ 200 milhões. ?Nossa última campanha gastou cerca de R$ 80 milhões (fora os repasses do comitê nacional). Certamente passaremos de R$ 100 milhões nesta campanha, mas acredito que R$ 200 milhões seja um valor superestimado?, avaliou.
Os tesoureiros responsáveis por controlar o caixa de campanha até outubro ainda não foram definidos pelos dois partidos. Os tucanos trabalham com os ex-deputados federais fluminenses Ronaldo Cézar Coelho e Márcio Fortes. O cofre da candidatura petista ainda não tem dono definido. O atual tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, foi descartado pelo envolvimento recente em denúncias de gestão fraudulenta no período em que foi diretor da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop)”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:36

Cabral: troca Picciani por Lindberg?

 De Paola de Moura, do ‘Valor Econômico’:
“Como amigo de infância. É assim que o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), tem tratado o candidato ao Senado pelo PT fluminense, o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias. Os dois têm viajado para cima e para baixo no interior fazendo inaugurações ou prometendo obras, em plena campanha eleitoral. Só esta semana, Lindberg foi a Cabo Frio, Barra Mansa e Resende com o governador.
No evento de lançamento da nova linha de caminhões da MAN, ontem em Resende, diante de uma plateia de cerca de 500 funcionários e políticos da região, Cabral chamou Lindberg de “grande amigo e grande companheiro”, ao citar sua presença no evento. Depois, novamente chamou a atenção de Lindberg para os investimentos que a MAN ia gerar na região.
Cabral, chegou à fábrica com um grande séquito de políticos, entre eles o deputado federal e presidente do PT regional Luiz Sérgio e o deputado estadual Paulo Melo (PMDB-RJ). No entanto, os maiores elogios foram para o candidato a senador. Lindberg Farias que já foi adversário político do governado quando insistia, até as eleições regionais do PT do Rio, em ser o candidato próprio do PT. Seu grupo foi derrotado e o ex-prefeito mudou o discurso.
O preferido de Cabral e um de seus braços direitos na Assembleia Legislativa do Rio, o presidente da casa, Jorge Picciani (PMDB), fica de fora dos passeios. Lindberg que no início do mês enfrentou um bate-boca pelos jornais e rádios com o deputado estadual, agora diz que não quer mais entrar em polêmicas e os ânimos já se acalmaram.
Questionado sobre a ausência de Picciani, Lindberg ri e diz que não sabe o motivo da ausência. Mas conta que não o tem visto nas viagens. “O governador Cabral vai no lançamento da minha campanha e declarará apoio à candidatura ao Senado no fim de abril com a presença da ex-ministra e atual candidata à presidência da República, Dilma Rousseff. Falta só marcar a data, que vai depender da agenda dela”, acrescenta, com um largo sorriso.
No fim de março, quando tinha acabado de ganhar as prévias, Lindberg disse que Lula preferia apoiar o senador Marcelo Crivella (PRB) a Picciani e, quando deixou a prefeitura, há duas semanas, ainda acusou o deputado de incentivar por jornais uma campanha contra ele. Picciani reagiu em um programa de televisão, dizendo que o ex-prefeito seria bandido e teria que prestar contas à Justiça, se referindo a uma investigação do Ministério Público Federal sobre desvio de verbas durante sua gestão na prefeitura de Nova Iguaçu”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:29

Costa: “Brincam com o meu pescoço”

Da repórter Adriana Vasconcellos, de ‘O Globo’:
“O PT está enfrentando dificuldades com o principal aliado, o PMDB, em pelo menos dez estados ? entre eles Minas Gerais, Rio, Pará, Bahia, Santa Catarina, Maranhão e Paraíba ?, criando mais dificuldades para a aliança nacional em favor da pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Em Minas, o clima voltou a ficar ruim. Após se irritar com a fala de Dilma em que ela não descartou uma associação informal com o candidato do PSDB ao governo mineiro, Antonio Anastasia, o senador Hélio Costa (PMDBMG) expôs ontem sua surpresa e insatisfação com a decisão do PT mineiro de realizar prévias para a escolha de seu candidato na disputa estadual. Estão na briga pela vaga o ex-prefeito Fernando Pimentel e o ex-ministro Patrus Ananias.
? Estávamos trabalhando pelo entendimento em Minas. Mas, a cinco meses da eleição, quando achávamos que estávamos caminhando para esse entendimento, o PT anuncia que vai realizar prévias.
Se elas acontecerem, vai ser difícil haver um acordo. Com o racha da base governista, será mais difícil derrotar o candidato do exgovernador Aécio Neves, além de colocar em risco a campanha de Dilma no estado ? advertiu Hélio Costa, ex-ministro das Comunicações, que deixou o cargo para disputar o governo mineiro.
Hélio Costa demonstrou que está se sentindo traído, mas não quis adiantar como isso poderá refletir na decisão do diretório estadual na convenção nacional para oficializar a aliança com o PT.
? Minas não tem mar, mas assistimos a uma tsunami. Acho que estão tentando brincar de Tiradentes com o meu pescoço ? desabafou Costa.
Inconformado, o ex-ministro anunciou que já começou a conversar com os demais partidos da base governista no estado, para tentar viabilizar sua candidatura.
Entre eles estariam PR, PDT, PMN e PCdoB: ? O PMDB não pode ficar refém de uma disputa interna (no PT). Estou procurando todos os partidos governistas. Só não conversei com o PSDB, onde tenho uma excelente relação com o ex-governador Aécio Neves, e o DEM.
?O PT quer nos estraçalhar nos estados?, diz peemedebista As queixas de Hélio Costa são repetidas por outros peemedebistas nos bastidores. Um deles perguntou ontem: ? Qual a vantagem de ficarmos com a Dilma, se o PT está querendo nos estraçalhar nos estados? Daqui a pouco vamos propor Hélio Costa para vice do Serra.
Já no campo governista, o presidente em exercício, José Alencar, está otimista e ainda acredita em um acordo entre aliados em Minas.
Alencar disse ontem que, se for chamado, vai ajudar na formação de um palanque governista em Minas, unindo PMDB, PT, PCdoB e PRB.
Para José Alencar ? que ontem se encontrou com Hélio Costa ?, mesmo com a prévia no PT entre Fernando Pimentel e Patrus Ananias, ainda é possível construir uma aliança e um palanque único para Dilma Rousseff.
? Se me chamarem para ajudar, vou ajudar (nas negociações), mas até agora não me chamaram. (Com a decisão dele de não concorrer) Facilitaramse as coisas, hoje as coisas estão menos difíceis. (A prévia) É briga em casa, no próprio PT ? afirmou Alencar”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:29

Serra é Serra, Aécio é Aécio

O tucano José Serra viaja hoje para Salvador.
A combinação era começar a campanha por Minas, mas a viagem para lá está programada só para a próxima segunda-feira.
Para não ficar parado, e como a confusão baiana ocorre nesse momento no palanque de Dilma, Serra aproveita para ir a Bahia tirar uma casquinha.
Mas o ato simbólico de ir primeiro a Minas foi pra cucuia.
Óbviamente, isso não trará consequências.
Aécio Neves continuará cuidando de sua vida.
O ex-governador de Minas só se preocupará com o futuro de Serra, se isso fôr preciso para que ele obtenha sucesso.
Ele, que dizer: Aécio.
Que fique bem entendido.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:08

Tombini vai substituir Meirelles no BC

Do repórter Vicente Nunes,do ‘Correio Braziliense’:
Nos corredores do Banco Central (BC), alguns já o chamam de presidente. Mas, como bom técnico, que consegue separar muito bem a emoção do trabalho, Alexandre Tombini, 46 anos, faz o possível para não levar a conversa adiante. Ainda que aguarde ansiosamente a sua nomeação para a presidência da instituição à qual dedica pelo menos 12 horas por dia, sabe que, em se tratando de um posto tão cobiçado, só cantará vitória quando o presidente Lula tiver assinado a sua nomeação. Sabe também que, até o último instante, o comandante do BC é Henrique Meirelles, a quem faz toda a reverência por ser hoje o mais cotado para chegar ao posto máximo de sua carreira.
Mantido o calendário traçado por Meirelles, o gaúcho Tombini assumirá a presidência do BC em 31 de março. É nesse dia que o atual titular do posto anunciará a sua renúncia para voltar à vida pública, abandonada em 2002 depois de ser o deputado federal mais votado por Goiás. Meirelles, filiado ao PMDB, deve se lançar na disputa por uma vaga no Senado, mas com todas as atenções voltadas para a vaga de vice na chapa presidencial liderada por Dilma Rousseff. Só mesmo uma reviravolta muito grande mudará os rumos dessa história. Neste momento, as chances de Meirelles ficar no BC são próximas de zero, tamanha é a sua disposição para voltar à política, diz um integrante do governo.
A escolha de Tombini para suceder Meirelles foi feita há pelo menos um ano e passou pelo crivo de Lula. Pesou a favor dele o fato de não compartilhar da visão tão conservadora do grupo dos chamados falcões, o mais visível deles o diretor de Política Econômica, Mário Mesquita, que também está deixando o BC. Tombini, na visão de Lula, é mais moderado, apesar de comprometido com o sistema de metas de inflação. Esse pensamento é compartilhado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que fez do diretor de Normas a sua referência quando se trata de Banco Central.
Formado em Economia pela Universidade de Brasília (UnB), com PhD pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, Tombini assumirá com a missão nada agradável de dar início ao quarto ciclo de alta da taxa básica de juros (Selic) do governo Lula. Muitos acreditam, inclusive, que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de adiar por 45 dias o arrocho teve como objetivo reforçar a sua gestão. Ao liderar o aperto monetário, indicará que nada mudou no BC no seu compromisso de manter a inflação ancorada no centro da meta definida pelo governo, de 4,5%. A credibilidade construída nos últimos anos pela instituição será até reforçada.
Independentemente de esse ter sido ou não o objetivo do atraso na alta dos juros, não há hoje no BC ninguém que duvide da capacidade de Tombini para manter a inflação sob controle. Mesmo sendo este um ano de eleição, de fortes pressões políticas, ele não queimará a reputação de excelente técnico só para dizer que foi presidente do BC em um mandatotampão, afirma um graduado funcionário do banco. Para ele, Tombini vem sendo preparado pelo próprio Meirelles para sucedê-lo, com a promessa de não meter os pés pelas mãos. Não tenho dúvidas, inclusive, de que, fora do BC, Meirelles será o sustentáculo de Tombini, saindo em defesa da instituição ao menor ataque contra a política monetária, acrescenta. O jogo já está combinado.
Sensato, o quase presidente do BC sabe que não tem a estatura de Meirelles ante os mercados, sobretudo o internacional. Por isso, não se arriscará a aventuras, enfatiza um de seus melhores amigos. O próprio Lula, que todos sabem ser contrário ao aumento dos juros, já teria lhe recomendado que seguisse à risca a atual cartilha do BC, de previsibilidade. Na visão de Lula, tudo que o governo não precisa neste ano é de marola provocada pelo Banco Central. A manutenção da estabilidade será vital para que Dilma, talvez acompanhada de Meirelles em seu palanque, arregimente apoios importantes no sistema bancário e entre o empresariado.
Na diretoria de Normas do BC não faltam adjetivos a Tombini: experiente, com sólida formação macroeconômica, vivência internacional trabalhou por um bom tempo no Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington e, principalmente, educado e respeitoso. Não foi à toa que teve carreira tão meteórica no BC, ocupando, atualmente, a sua terceira diretoria, ressalta um de seu comandados. Entre junho de 2005 e abril de 2006, foi diretor de Estudos Especiais, de onde saiu para responder pela diretoria de Assuntos Internacionais e, depois, para a de Normas. Não há o que temer, Tombini será a continuidade do que se vê hoje no BC, diz o amigo José Luiz Rodrigues, sócio-diretor da consultoria JL Rodrigues.
Zeina Latif, economista-chefe do banco holandês ING, complementa: Tombini tem uma reputação muito boa e foi um importante contraponto ao grupo mais conservador do BC. Para Alexandre Póvoa, economista-chefe da Modal Asset Management, Tombini é um nome muito forte, com capacidade para fazer uma transição tranquila, sem sustos. É esse pensamento que sustenta a tese de que, se realmente chegar à presidência do Banco Central, Tombini recorrerá ao amigo Carlos Hamilton, recém empossado na diretoria de Assuntos Internacionais, para que assuma a vaga aberta por Mário Mesquita.
Se optar por esse caminho, responderá por um feito histórico: pela primeira vez, todo o primeiro escalão do BC Aldo Luiz Mendes, diretor de Política Monetária, não é servidor de carreira da instituição, mas construiu a vida profissional no Banco do Brasil terá saído do setor público. Será a vitória dos barnabés”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:39

O cardiologista da República

 De Tatiana Farah, de ‘O Globo’:
“Luiz Inácio Lula da Silva, José Alencar, Dilma Rousseff, José Sarney, Fernando Collor, Paulo Bernardo, Paulo Maluf e José Serra. A lista de pacientes de Roberto Kalil Filho tem segredos de três décadas da política brasileira, mas o cardiologista prefere ser visto como médico de família, à moda antiga, do que ser chamado de ?médico do poder?.
? É claro que tem um lado bom em ser o médico do presidente, mas há outro lado. Alguns pacientes pensaram ?agora ele vai ficar viajando o mundo inteiro e não terá mais tempo para mim?. Não é verdade. Eu atendo a todos e gosto de acompanhar cada caso. Se quebrou o pé, quero saber ? diz Kalil, que, para dar conta do recado, começa às 8h e só para à meia-noite.
Aos sete anos, Kalil ganhou um microscópio do pai. Agora, aos 50, já deu estetoscópios e aventais brancos, bordados com os nomes, para estimular nas filhas adolescentes algum gosto pela medicina.
? Elas têm duas opções, podem ser médicas ou médicas ? brinca o médico, que começou ao lado do tio, Fúlvio Pileggi, diretorgeral do Instituto do Coração (InCor) nos anos 80.
Foi com Pileggi que Kalil aprendeu a ser rigoroso e cobrar muito dos assistentes: ? Meu tio dizia: ?Não quer ficar 24 horas trabalhando? Está cansado? Então vá fazer balé, tricô, ficar em casa. Porque médico trabalha 24 horas?. Eu sou mais bonzinho que ele, pelo menos de madrugada, em emergência, eu não faço as assistentes correrem para o hospital. Venho eu mesmo, até porque eu gosto de ver o que está acontecendo com o meu paciente.
Diretor de Cardiologia do Hospital Sírio Libanês, médico e professor do Instituto do Coração, Kalil está arranjando tempo para se dedicar mais à pesquisa.
Quer desenvolver no Instituto do Câncer um trabalho sobre o efeito dos quimioterápicos sobre o coração e as artérias.
? Um médico não pode ficar sem fazer ciência muito tempo.
Este é meu plano para agora.
Para cumprir sua jornada de ?workaholic?, Kalil dispensa cinema, teatro, livros, passeios e férias. Em janeiro, ?arrastado? pela mulher, a médica Cláudia Cozer, e as filhas, foi esquiar nos Estados Unidos. Resultado: a mão e uma costela quebradas.
Mas não é de hoje que a agenda de Kalil é fechada para o lazer.
? Quando era criança, o melhor dia das férias era o de voltar para casa. Quando era moço e solteiro, nunca fui a uma boate.
Não gosto de festas, se fui ao cinema, fui umas três, quatro vezes na vida (uma delas para ver o filme ?Lula, O Filho do Brasil?).
Sou assim. Meu irmão, médico também, é um pouco diferente.
Kalil não para nem para conversar com colegas na lanchonete do hospital e, muitas vezes, passa reto, sem cumprimentar, com a cabeça ?a mil?.
? Falam que eu sou chato, mas eu não gosto, nunca gostei de festa, de muita conversa. É só o meu jeito ? admite.
O excesso de visibilidade em razão da agenda de pacientes famosos, principalmente do presidente Lula, incomoda um pouco Kalil. Para decidir dar a entrevista ao GLOBO, ele levou duas semanas.
Com a reportagem aguardando no hospital, ligou para o presidente do CRM (Conselho Regional de Medicina), para saber a opinião do órgão.
? Os médicos usam pouco o CRM e, lá, eles estão habilitados a nos orientar nessas questões éticas? justificou.
O melhor amigo de Kalil, também médico, é Lucio Rossini, especialista em endoscopia. Moram em São Paulo, mas passam mais de um ano sem se ver.
? É um amigo daqueles que, pode passar o tempo, será o seu melhor amigo. Devo muito a ele.
Quando começamos com um consultório, eu não tinha dinheiro, e abrimos juntos. Um atendia de manhã e o outro, à tarde.
Dinheiro e consultório hoje não são problema. Em um dos prédios ao lado do Hospital Sírio Libanês, os pacientes ficam cercados de sofisticação. No consultório que Kalil guarda o microscópio da infância e um ritual: sempre ter um vaso com rosas brancas.
? Sou espiritualizado.
Aprendi a acreditar quando vi minha mãe doente. Com fé e medicina ela se recuperou.
É a mesma receita de fé e medicina que Kalil vê como o sucesso do vice-presidente José Alencar na luta contra o câncer. Ele elogia o espírito otimista de Alencar e o jeito regrado de Maluf para cumprir os tratamentos médicos. Para o presidente Lula também sobram elogios, assim como histórias.
Kalil é seu cardiologista há quase 20 anos.
? Na eleição de 2002, o presidente, muito carinhoso, brincou com a minha filha: ?Você votou em mim?? Ela respondeu: ?não, votei no Serra?. Eu falei: ?Filha, como assim? Você não votou em ninguém, você não vota?.
E ela respondeu: ?Votei sim, fui votar com a minha mãe e apertei o 45 (número do PSDB)?.
Todos nós demos risada.
Mas política é um assunto que fica fora do consultório.
? Sou médico, não político.
Não tenho vontade de ser”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:15

Plínio Sampaio: “Lulismo venceu o PT”

Da repórter Tatiana Farah, de ‘O Globo’:
“O jurista e professor Plínio de Arruda Sampaio completa 80 anos em julho. Autor dos primeiros documentos da história do PT, Plínio deixou o partido em 2005, depois de sentir que, internamente, a minoria de esquerda não ?chegaria à maioria?. É um dos principais nomes do PSOL e faz campanha como pré-candidato a presidente da República pelo partido.
É apoiado por uma lista de intelectuais que faria inveja a qualquer universidade. Com saudade do PT que ajudou a fundar, Plínio afirma que o petismo deu lugar ao lulismo, e que o partido já se desviava de sua rota desde a primeira campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, em 1989. ?Tenho orgulho de ter fundado o PT. Não assinei a ata de fundação, mas, a pedido do Lula, fiz a primeira proposta de estatuto do partido?.
- Analistas dizem que a posição de concessão caracteriza o presidente Lula. O lulismo venceu o petismo?
- Totalmente. O lulismo destruiu o petismo. Quem não destruiu, sugou. O ?petista petista? está traumatizado. Se eu pudesse, empacotava o manifesto de lançamento do partido e mandava para eles. Falava: o PT propôs isso, e, em 30 anos, desviou-se. É um belo documento, dos explorados contra os exploradores, apresenta um socialismo democrático.Desviou-se para ser esse partido de caciques.
- O senhor saiu do PT em 2005, depois do mensalão.
- Não saí por causa do mensalão. Disputei a presidência do PT no meio do mensalão, contra Berzoini. Saí porque, numa democracia, a minoria pode virar maioria; mas constatei que, do jeito que está o PT, ninguém vence a direção.?Quem recebe quer pagar o favor com o voto?
- Qual sonho o PT abandonou?
- Essas coisas não são de uma vez: o sujeito não é honesto hoje e amanhã fica desonesto. O sujeito concede. O começo do desvio foi uma análise equivocada da eleição de 1989, quando perdemos por 2%. Em 1994, a análise era a de que ?perdemos porque nosso discurso é radical e não fazemos alianças que não sejam de esquerda. Temos de nos entender com todo o empresariado do capital e precisamos rebaixar o programa?.
- Que papel o mensalão tem nesse processo?
- Ele é consequência. A política burguesa não se faz sem caixa dois. Só que, no PT, não souberam fazer isso. Alguns se corromperam pessoalmente, outros se corromperam só politicamente; e a reação a isso foi péssima, cínica: ?Fiz porque todos fazem?. É inaceitável.
- Quando vê o trabalho do governo Lula, pensa que, num governo de direita, seria igual?
- Não tem diferença substancial, mas tem uma diferença importante. Você tem 70 milhões de brasileiros em situação melhor. Uns 20 milhões, porque a renda aumentou, com acesso aos eletrodomésticos. E tem 50 milhões de pessoas que pelo menos estão recebendo R$ 100 por mês. Essas pessoas estão satisfeitas; e isso explica os 80% de aprovação do Lula. É a cultura do favor: esse que recebeu atribui a um favor do Lula e quer pagar esse favor, com o quê? Com o voto. É um assistencialismo muito bem colocado. E, para a burguesia, é uma mão na roda: a população tranquila e ela mamando à vontade.
- Na questão agrária, como foi o governo?
- Um descalabro, uma coisa perigosa. A perpetuação da pobreza no Brasil começa no campo e reforça-se na educação.Lula fez clara opção pelo agronegócio. Fiz o plano de reforma agrária do governo, que não foi cumprido. Cortaram pela metade, para 500 mil. Aí maquiam, inventam que titulação de terra é reforma agrária. Título de terra é questão jurídica, não política de Estado.
- Não tem saudade do PT?
- Como não? Tenho enorme saudade. Foi o primeiro partido que o povo construiu. O povo levou 500 anos para conseguir um grau de paciência e articulação que permitiu fazer um partido. No começo do PT, era uma delícia. Acabou.
- Mantém amigos no PT, mesmo José Dirceu?
- Sim, sempre separei as coisas. Eu e José Dirceu somos antípodas. Sempre um esteve de um lado e o outro, de outro. Menos na questão do vice do Lula em 89, em que nos unimos para boicotar o Gabeira. Nós dissemos: eleição é coisa séria, não vamos colocar o Gabeira (diz, rindo).
- O professor Helio Bicudo disse que, num segundo turno, votaria em José Serra. E o senhor?
- Quero votar em mim. Mas, se estiverem os dois (Dilma e Serra), voto nulo”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:10

Lula já está perdendo a paciência

 O encontro de Dilma Rousseff com o ex-governador Garotinho foi no dia 25 de janeiro.
Cabral soube da conversa só no dia 3 de fevereiro.
No dia 6, ele foi a Brasília para a convenção do PMDB e, como é de seu estilo, quis tirar uma casquinha com Lula, que não o recebeu.
Mandou avisar que conversariam durante o Carnaval.
O Presidente não foi a Sapucaí e, portanto, não houve conversa alguma.
Lula está trabalhando desde quarta feira, e Sergio ?Wally? Cabral anda sumido.
Só deve voltar ao Rio na segunda, dia 22.
Se não for a Brasília nesse dia, só encontrará Lula em março, pois no dia seguinte o Presidente viajará para o Caribe. Vai a El Salvador, Cuba e Haiti.
O melhor que Cabral tem a fazer é deixar essa conversa de lado.
Até mesmo porque Lula já deu mostras de que está ? em bom português ? de saco cheio de ouvir tantos pedidos e reclamações.

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